O acesso ao crédito rural no Brasil tem passado por mudanças importantes nos últimos anos, e uma delas ganha cada vez mais destaque: a chamada “blindagem de títulos” no agronegócio.
Na prática, o mecanismo busca dar mais segurança jurídica às operações financeiras no campo, especialmente diante do aumento das recuperações judiciais envolvendo produtores rurais. Com isso, agentes do setor privado passaram a defender medidas que garantam maior proteção aos títulos de crédito ligados à produção agrícola.
Segurança jurídica entra no centro do debate
A discussão ganhou força à medida que cresceu a preocupação com o risco de inadimplência no setor.
Em muitos casos, instituições financeiras e investidores relatam dificuldades para recuperar valores após produtores entrarem em processos de recuperação judicial. Como consequência, a confiança nas operações de crédito rural acaba sendo impactada.
Diante desse cenário, a blindagem surge como alternativa para proteger instrumentos como a Cédula de Produto Rural (CPR) e outros títulos amplamente utilizados no financiamento da safra. A proposta é evitar que esses ativos sejam atingidos por decisões judiciais, garantindo mais previsibilidade aos credores.
Impacto direto no custo do crédito
Além da segurança jurídica, o tema também se conecta ao custo do crédito no campo.
Especialistas apontam que, quanto maior o risco percebido pelos financiadores, mais caro tende a ser o crédito para o produtor. Por outro lado, ao reduzir incertezas, a blindagem pode contribuir para taxas mais competitivas no médio prazo.
Esse movimento se torna ainda mais relevante em um cenário de juros elevados e maior seletividade na concessão de recursos.
Crescimento do crédito privado exige novas regras
O avanço da discussão também acompanha uma transformação estrutural no financiamento do agronegócio.
Nos últimos anos, o setor privado ampliou sua participação no crédito rural, reduzindo a dependência de recursos subsidiados. Instrumentos como CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e CPR passaram a ocupar espaço relevante no mercado.
Além disso, a entrada de investidores institucionais, como fundos e bancos, elevou o nível de exigência em relação à segurança das operações. Nesse contexto, regras mais claras e estáveis se tornam fundamentais para sustentar esse crescimento.
Desafio é equilibrar interesses
Ao mesmo tempo, o tema não é consenso entre especialistas: Parte dos analistas alerta que eventuais mudanças precisam preservar mecanismos de proteção ao produtor em momentos de crise.
O desafio está em encontrar um equilíbrio entre garantir segurança aos financiadores e manter alternativas viáveis para quem enfrenta dificuldades no campo.
Assim, a blindagem de títulos passa a integrar um debate mais amplo sobre o futuro do crédito rural no Brasil.
Tema deve avançar nos próximos meses
Diante desse cenário, a expectativa é que a discussão avance entre setor privado, governo e especialistas.
Enquanto isso, o agronegócio segue em adaptação. Com custos elevados, riscos climáticos e mudanças no mercado global, produtores e financiadores buscam novas formas de equilibrar segurança e acesso ao crédito — um tema que deve continuar no centro das decisões do setor nos próximos anos.
Os ovos de Páscoa devem pesar ainda mais no bolso do consumidor em 2026. Um levantamento do Procon-SP aponta que o produto pode custar mais que o dobro do chocolate em barra, mesmo quando a composição é semelhante.
Diferença de preço chama atenção
De acordo com a pesquisa, o quilo do chocolate em tablete custa, em média, cerca de R$ 131. Já os ovos de Páscoa chegam a aproximadamente R$ 291 por quilo. Na prática, isso representa uma diferença média de mais de 120% entre os produtos.
Além disso, o levantamento identificou variações significativas entre estabelecimentos, o que reforça a importância de pesquisar antes da compra.
Apesar de utilizarem o mesmo chocolate, os ovos possuem características que elevam o preço final.
Entre os principais fatores estão:
embalagens mais elaboradas
licenciamento de marcas
apelo sazonal da data
inclusão de brindes e itens voltados ao público infantil
Por isso, o consumidor acaba pagando mais pelo formato e pela experiência do produto, e não apenas pelo chocolate.
Preço já reflete custos mais altos
Além desses fatores, o cenário global também influencia. Nos últimos anos, o mercado de cacau enfrentou uma forte crise global.
Problemas climáticos em países como Costa do Marfim e Gana reduziram a produção, após períodos de seca e chuvas irregulares. Além disso, doenças nas lavouras agravaram o cenário e diminuíram ainda mais a oferta.
Com isso, os preços do cacau dispararam e atingiram níveis históricos entre 2024 e 2025. Esse aumento pressionou toda a cadeia e ainda impacta os preços finais, mesmo com leves quedas recentes.
Consumidor busca alternativas
Com os preços mais altos, muita gente já começou a mudar o jeito de comprar na Páscoa.
Em vez dos ovos tradicionais, cresce a procura por opções mais baratas, como chocolates em barra, caixas sortidas e até produtos artesanais. Também ganhou força a produção caseira, principalmente entre famílias e pequenos empreendedores que veem na data uma oportunidade de economizar ou gerar renda extra.
Além disso, o consumidor está mais atento ao custo-benefício. Comparar preço por quilo, aproveitar promoções e substituir marcas mais caras por opções similares virou um hábito.
Esse movimento já começa a mexer com o mercado. Para não perder vendas, empresas passaram a apostar em versões menores, linhas mais acessíveis e até kits promocionais.
Com a taxa Selic próxima de 15% ao ano e o crédito rural cada vez mais caro, produtores buscam formas de manter a rentabilidade e equilibrar o caixa nesta safra. Nesse cenário, o barter agrícola, modalidade de troca de grãos por insumos, ganha força como solução estratégica de financiamento e gestão de risco.
O custo do crédito rural pode superar 20% ao ano, o que encarece o custeio e compromete margens já pressionadas. Segundo Luiz Sarzedas, supervisor de Crédito e Cobrança do Grupo Conceito, os produtores enfrentam três grandes desafios: margens reduzidas, dificuldade de acesso ao crédito e aumento do preço dos insumos.
“A troca de commodities por insumos se tornou essencial para reduzir exposição ao mercado financeiro e dar previsibilidade ao custo de produção”, explica Sarzedas. O produtor costuma fechar as operações de barter entre abril e maio, garantindo as condições de compra dos insumos antes do plantio. Mesmo que a entrega do grão ocorra meses depois, na colheita.
Com essa estratégia, o agricultor trava parte dos custos e se protege das oscilações cambiais e de preço da soja e do milho. “Quando ele transforma o grão na sua moeda, consegue proteger o custo de produção”, afirma Sarzedas. Segundo o executivo, quem estruturou operações antecipadas nesta safra obteve ganhos de até R$ 15 por saca, em comparação aos produtores que ficaram expostos às variações do mercado.
Queda nos preços da soja
A importância dessa ferramenta cresce diante da forte queda nos preços da soja, que passaram de R$ 190 a saca em 2021 e 2022 para cerca de R$ 110 atualmente. O poder de compra do produtor caiu, enquanto os custos de insumos e serviços aumentaram. Travar custos, portanto, deixou de ser apenas uma alternativa e se tornou prática de gestão obrigatória.
Sarzedas também reforça a importância do acompanhamento técnico em todas as etapas. “O suporte especializado ajuda o produtor a tomar decisões mais seguras, desde a contratação do barter até a entrega do grão”, afirma.
O mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncie em março uma leve redução da Selic, de 15% para 14,75%. Mesmo assim, a taxa segue em patamar elevado, mantendo a necessidade de estratégias de proteção e planejamento financeiro para o produtor rural.
No Dia Internacional da Mulher, a floricultura revela um retrato estratégico do agronegócio brasileiro. Além de movimentar a economia, o setor se consolidou como um dos maiores empregadores de mulheres no campo. Ele conta com presença feminina em toda a cadeia produtiva, da estufa à comercialização. Estudos realizados por Cepea/Esalq-USP e Ibraflor mostram que as mulheres representam mais da metade da mão de obra da floricultura, chegando a índices próximos de 60% em algumas regiões. O que coloca o segmento entre os líderes em participação feminina no agro.
O Dia da Mulher também tem forte peso comercial para o setor de flores e plantas ornamentais. A data responde por cerca de 8% das vendas anuais e com expectativa de crescimento entre 5% e 6% em relação ao ano anterior. Mais do que um pico de consumo, a data evidencia o papel cotidiano das trabalhadoras que plantam, colhem, comercializam, gerem equipes e assumem funções estratégicas em propriedades rurais, cooperativas e empresas ligadas à floricultura.
Segundo o Ibraflor, o setor combina alta demanda por mão de obra com diversidade de funções ao longo da cadeia. O que favorece a inserção e a permanência feminina, tanto na operação diária quanto na gestão dos negócios. “Além de gerar empregos, o setor permite que muitas mulheres conquistem autonomia financeira, fortaleçam a permanência das famílias no campo e assumam papéis estratégicos dentro e fora da porteira”, destaca a produtora de flores e diretora de Mercado do Ibraflor, Raquel Steltenpool.
Raquel Steltenpool com o pai Joannes Adrianus Steltenpool. Foto: Arquivo Pessoal
Lideranças femininas fortalecem cooperativas de flores em São Paulo
Na Cooperativa Veiling Holambra (CVH), em Santo Antônio de Posse (SP), filhas, esposas, produtoras e cooperadas transformam o cooperativismo em flores e plantas ornamentais ao ampliar a participação feminina em espaços de decisão. O movimento ganhou força em dezembro de 2019, quando a cooperativa iniciou as discussões para criar um Comitê de Mulheres, com foco em formação, troca de experiências e construção de lideranças.
Oficializado em março de 2021, o Comitê de Mulheres da Veiling Holambra cresceu de forma consistente. E hoje reúne cerca de 140 cooperadas em encontros periódicos, capacitações, visitas técnicas e participação ativa em eventos nacionais do agro e do cooperativismo. O grupo incentiva o desenvolvimento pessoal e profissional e estimula o protagonismo feminino nas assembleias e nas decisões estratégicas. E também contribui para um processo contínuo de ocupação de espaços pelas mulheres dentro da cooperativa.
Raíssa Swalmen, coordenadora do Comitê de Mulheres. Foto: Arquivo Pessoal
“Mais do que um espaço de troca, o Comitê constrói bases sólidas para um processo natural de ocupação de espaços estratégicos pelas mulheres dentro da cooperativa. Ao incentivar conhecimento, integração e protagonismo, o grupo contribui diretamente para o crescimento sustentável da cooperativa. E do setor como um todo”, afirma a produtora e coordenadora do Comitê de Mulheres, Raíssa Swalmen.
Cooperflora: participação feminina vai da gestão às equipes de campo
Na Cooperflora, a presença feminina também se traduz em números e em decisões. Cerca de 45% dos cooperados são mulheres ou contam com mulheres à frente da gestão dos sítios. O que mostra o avanço da liderança feminina em propriedades especializadas em flores e plantas ornamentais. As produtoras atuam diretamente na administração, na tomada de decisão e na coordenação de equipes, consolidando um protagonismo que vai além da participação formal.
Na sede da cooperativa, quase metade do quadro de colaboradores é composto por mulheres, muitas delas em cargos estratégicos. Entre os exemplos de liderança estão a cooperada Mariela Grisotto, do Sítio Reijers Alegre, responsável por uma equipe majoritariamente feminina, e a sócia fundadora Dorian Reijers, do Sítio Flores da Terra, que segue ativa e simboliza a base histórica da atuação das mulheres na construção e no desenvolvimento da Cooperflora.
Empreendedorismo feminino em rosas e turismo rural no Ceará
No Ceará, a produtora de rosas Lucivanda Fernandes Siqueira, de Ubajara, na Serra da Ibiapaba, se tornou referência em inovação ao integrar floricultura, turismo rural e economia criativa. Gestora da Fazenda Santo Expedito, ela conquistou o 1º lugar na categoria “Pequena Propriedade” do 8º Prêmio Mulheres do Agro 2025, destaque que reconhece sua gestão sustentável, o foco em impacto social e o modelo de negócios que alia agricultura, educação e experiência turística.
Professora de formação e estudante de Gestão de Pessoas e Agronegócio, Lucivanda aplica conceitos de capacitação e valorização de equipes na rotina da fazenda. E inspira outras empreendedoras a fortalecerem o protagonismo feminino no campo. A propriedade se consolidou como um dos projetos mais inovadores do Nordeste ao integrar produção agrícola de alta tecnologia, responsabilidade ambiental, turismo de experiência e economia sensorial.
A Fazenda Santo Expedito passou por forte expansão. Hoje conta com 12 hectares de estufas, com projeto de ampliação para 16 hectares, três tanques de armazenamento e sistema de captação de água da chuva com pavimentação intertravada para reaproveitamento hídrico. As pétalas que não seguem para comercialização são desidratadas para experiências sensoriais. Ou incorporadas ao composto orgânico, reforçando um ciclo produtivo mais consciente.
Passeio turístico imersivo
Em 2019, a produtora lançou um passeio turístico imersivo pela propriedade, com cerca de 50 minutos de duração. O tour apresenta as estufas, as variedades de rosas, as técnicas de cultivo e as práticas sustentáveis. A experiência inclui vivências como a montagem de buquê simbólico e escalda-pés com pétalas reaproveitadas. Portanto, ampliando o valor percebido da flor na região, fortalecendo o turismo rural na Ibiapaba e impulsionando a geração de emprego e renda local.
A demanda dos visitantes por produtos que prolongassem a experiência na fazenda deu origem à marca Aromas da Fazenda. Ela é especializada em fragrâncias, aromaterapia e cosméticos artesanais. Embora as rosas cultivadas ainda não sejam matéria-prima direta dos cosméticos, a equipe estuda formas de ampliar o uso sustentável de espécies como a lavanda, que também contribui para a polinização da pitaya.
O restaurante da fazenda, inaugurado há cerca de três anos, valoriza ingredientes regionais e utiliza frutas locais na produção de geleias e licores. Portanto, agregando gastronomia ao roteiro de visitação. Hoje, a operação reúne aproximadamente 170 colaboradores na propriedade e 8 na unidade urbana, além de duas lojas físicas (uma na fazenda e outra no município de Ubajara) o que reforça o impacto da gestão feminina sobre a economia local.
Inovação genética e liderança feminina na produção de plantas tropicais
Em Rondônia, a trajetória de Tereza Alves Cordeiro de Campos, fundadora da Estância Vitória, mostra como o empreendedorismo feminino impulsiona inovação e desenvolvimento regional na floricultura tropical. Nascida no interior do Paraná, ela construiu uma trajetória marcada por trabalho e coragem. Até criar, há mais de duas décadas, um projeto próprio de produção de plantas ornamentais com identidade brasileira e variedades diferenciadas.
Localizada na zona rural de Urupá (RO), a cerca de 400 quilômetros da capital, a Estância Vitória se consolidou como referência na produção e desenvolvimento de plantas ornamentais tropicais no país. Mesmo sem formação acadêmica na área, Tereza definiu como objetivo criar plantas únicas, adaptadas ao clima e ao mercado nacional, com foco em qualidade, inovação e estética.
O pequeno projeto familiar se transformou em uma estrutura consolidada. Com cerca de 40 mil metros quadrados de estufas dedicadas à produção de Caladium, Aglaonema, Syngonium, Euphorbia e Dracena, entre outras espécies. A estância também mantém um trabalho autoral de melhoramento genético. Ele é realizado por meio de polinização manual, sem uso de laboratórios externos, baseado na observação prática, na experiência acumulada e na seleção rigorosa de plantas matrizes.
Novas variedades
Ao longo dos anos, inúmeras novas variedades foram desenvolvidas. E após um processo de seleção e testes em cultivo, parte delas entra em produção comercial com novas combinações de cores, maior vigor, rusticidade, melhor adaptação e resistência natural a pragas e doenças. O melhoramento mais recente é um Caladium da variedade Lança. Ela é mais resistente ao frio, de porte compacto e indicado para vasos, que já está em produção e terá lançamento oficial em setembro.
A Estância Vitória fornece mudas do seu portfólio para produtores de diferentes regiões do país. E comercializa produtos finais diretamente ao mercado, por meio de ponto de venda no Ceaflor, em Jaguariúna (SP). Dessa forma, o trabalho autoral de Tereza conecta a inovação desenvolvida em Rondônia às principais regiões consumidoras de plantas ornamentais do Brasil. Reforçando a presença feminina em toda a cadeia da floricultura.
Os preços do café fecharam em baixa nas bolsas internacionais, influenciados pela desvalorização do real e pelas previsões otimistas para a safra brasileira. O contrato de arábica para maio (KCK26) caiu 0,51%, enquanto o robusta para maio (RMK26) recuou 1,78% na ICE.
A queda do real frente ao dólar, que atingiu o menor nível em um mês e meio, levou produtores brasileiros a aumentar as vendas externas, estimulando realizações de lucro nos contratos futuros.
Além disso, as chuvas intensas em Minas Gerais, principal região produtora de arábica no Brasil, melhoraram as expectativas para a safra 2026. Segundo a Somar Meteorologia, o estado recebeu 78 mm de chuva na semana encerrada em 20 de fevereiro, 131% acima da média histórica.
Nas últimas cinco semanas, o café acumula queda acentuada. O arábica atingiu o menor valor em 15 meses, e o robusta caiu ao patamar mais baixo em quase sete meses. A estimativa da Conab prevê uma produção recorde de 66,2 milhões de sacas em 2026, alta de 17,2% frente a 2025.
O avanço é impulsionado pelo crescimento de 23,2% na colheita de arábica (44,1 milhões de sacas) e 6,3% no robusta (22,1 milhões). O Rabobank também projeta um novo recorde na produção global, com 180 milhões de sacas na safra 2026/27, cerca de 8 milhões a mais que no ciclo anterior.
Vietnã amplia exportações e reforça pressão sobre preços
O aumento das exportações do Vietnã, maior produtor mundial de robusta, intensificou o movimento de baixa. As vendas externas vietnamitas cresceram 38,3% em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando 198 mil toneladas. Em 2025, o país exportou 1,58 milhão de toneladas, alta de 17,5% no ano.
A colheita de 2025/26 deve atingir o maior volume em quatro anos, com 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã.
Estoques e exportações reforçam sinal de equilíbrio no mercado
Os estoques certificados pela ICE também mostraram recuperação. O arábica subiu para 524.139 sacas, maior nível em quase cinco meses, enquanto o robusta alcançou 4.662 lotes, o maior volume desde janeiro.
Mesmo assim, o Ministério do Comércio informou queda de 42,4% nas exportações brasileiras de café em janeiro, totalizando 141 mil toneladas. Já na Colômbia, o segundo maior produtor de arábica do mundo, a produção de janeiro despencou 34%, para 893 mil sacas.
Panorama global do café
A Organização Internacional do Café (OIC) relatou que as exportações mundiais caíram 0,3% no atual ano-safra, totalizando 138,6 milhões de sacas.
O relatório do Serviço de Agricultura Estrangeira (FAS/USDA) projeta aumento de 2% na produção global em 2025/26, para um recorde de 178,8 milhões de sacas. A produção de arábica deve cair 4,7%, enquanto a de robusta pode crescer 10,9%. O Brasil deve colher 63 milhões de sacas (-3,1%), e o Vietnã pode chegar a 30,8 milhões (+6,2%).
Os estoques finais globais devem cair 5,4%, de 21,3 milhões para 20,1 milhões de sacas, sinalizando que o aumento da produção deve ser parcialmente absorvido pela demanda.
A Yara Brasil inaugurou o novo Centro de Distribuição da unidade de Cruz Alta (RS). A empresa investiu R$ 4,5 milhões na estrutura, que amplia a capacidade de armazenagem e movimentação de fertilizantes e transforma a unidade em um hub estratégico de mistura e distribuição no Sul do país.
A nova estrutura permite operar anualmente 100 mil toneladas de fertilizantes, o equivalente a quase 20 caminhões carregados por dia. A capacidade estática chega a 16 mil toneladas em big bags. Com a expansão, a unidade abriu 10 novos postos de trabalho diretos.
“A nova estrutura permitirá maior segurança no armazenamento, eficiência operacional e redução de gargalos logísticos, atendendo melhor e com mais qualidade os produtores da região. Nosso investimento reforça o compromisso da Yara com o desenvolvimento do agronegócio no Estado e o fortalecimento da competitividade regional”, afirma Lucas Elizalde, Diretor de Operações da Regional Sul e Cerrado da Yara.
O armazém funcionará exclusivamente para o portfólio de alta tecnologia da companhia, incluindo as linhas YaraBasa, YaraBasa FULL, YaraMila e YaraBela. A expectativa da empresa é que a expansão impulsione o desempenho da unidade, com crescimento estimado de 25% no faturamento em volume.
A localização privilegiada e a logística eficiente consolidam Cruz Alta como um polo regional de distribuição de fertilizantes. A unidade amplia a competitividade local e contribui para o desenvolvimento do agronegócio no Rio Grande do Sul, além de atender clientes em outros estados.
A Yara mantém três unidades operacionais no Rio Grande do Sul: Porto Alegre; Rio Grande, onde está a maior e mais moderna planta de fertilizantes da América Latina; e Cruz Alta.
A indústria do turismo no Piauí vive um momento de aceleração e gerou 83% mais empregos diretos entre 2022 e 2025. Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o setor saltou de 12.490 para 22.905 vagas no período. O resultado consolida o turismo como um dos motores da economia estadual, impulsionado por investimentos públicos em infraestrutura e acesso aos destinos.
O crescimento do emprego acompanha a melhoria na infraestrutura e o aumento no fluxo de visitantes. Entre 2022 e 2025, o número de passageiros em voos diretos regulares cresceu cerca de 17%, com os aeroportos de Teresina, Parnaíba e São Raimundo Nonato puxando a alta. Em 2025, 553.352 pessoas passaram pelos terminais, o que integra o Piauí às principais rotas turísticas do país.
O governo estadual revitalizou 22 pontos turísticos em 18 municípios, com investimento de R$ 61,7 milhões. As obras modernizaram áreas históricas, culturais e ambientais, ampliando a capacidade de atendimento e melhorando a experiência dos visitantes. A economia criativa também avança: 601 artesãos se integraram aos polos turísticos entre 2023 e 2025, unindo produção local e mercado.
A qualificação profissional acompanhou a expansão. O número de trabalhadores formados para atuar na cadeia do turismo cresceu mais de 400% no período, com cursos focados em atendimento e serviços. O governador Rafael Fonteles destaca a estratégia: “Acreditamos que a economia criativa é um dos principais polos do potencial de desenvolvimento do Estado. O futuro passa pela economia criativa e pela tecnologia. Precisamos desenvolver e incentivar essas atividades.”
Aeroporto de Parnaíba. Foto: Gabriel Paulino
Os números de visitação confirmam a tendência de alta. Em 2023, o estado recebeu 666.868 turistas; em 2024, 703.078; e, até 2025, 520.519, mantendo uma média de expansão anual de 16,7%. As visitações aos principais atrativos saltaram de 630.854 para 833.186 no mesmo período, um aumento de 32%.
Dados por Polo Turístico:
Polo Costa do Delta: os visitações cresceram 28% entre 2024 e 2025, passando de 419.677 para 535.548, com alta de 14% no turismo internacional.
Polo das Origens: o número de visitas subiu 24%, de 83.081 para 103.195, com aumento de 32% no público estrangeiro.
Polo Teresina: o Bioparque Zoobotânico impulsionou o polo, que registrou salto de 200.954 para 252.994 visitas, um crescimento de 22%.
A produção sustentável de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares da Amazônia Legal ganha um reforço de R$ 80 milhões do Fundo Amazônia. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançaram, nesta terça-feira (3), um edital público para selecionar os projetos que receberão os investimentos.
A iniciativa integra o projeto “Florestas e Comunidades: Amazônia Viva” e tem como objetivo principal superar os principais obstáculos que historicamente limitam a geração de renda na região. Os recursos financiarão soluções para gargalos em logística, beneficiamento, armazenamento, adequação sanitária e, principalmente, no acesso a mercados para produtos da sociobiodiversidade.
Como funciona o edital e quem pode participar
Cooperativas, associações e organizações da sociedade civil da Amazônia Legal já podem apresentar suas propostas. O edital priorizará projetos com maior número de beneficiários, protagonismo feminino, participação de jovens e atuação em cadeias produtivas como açaí, castanha-do-Brasil, babaçu, mel e pesca artesanal.
Os valores dos apoios variam entre R$ 500 mil e R$ 2,5 milhões por projeto, com previsão de selecionar pelo menos 32 propostas. Os recursos podem custear desde assistência técnica e obras civis até a aquisição de máquinas, equipamentos e a realização de consultorias especializadas.
Foco na infraestrutura e geração de renda
Líderes das instituições envolvidas destacam que o investimento vai direto para a ponta da cadeia produtiva. “Esse apoio do Fundo Amazônia chega à ponta, fortalecendo quem produz de forma sustentável. Ao ampliar o acesso a infraestrutura e mercados, criamos condições reais para geração de renda, redução das desigualdades e manutenção da floresta em pé”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reforçou a conexão entre economia e conservação. “Fortalecer as atividades produtivas dessas populações significa valorizar os saberes locais e proteger a floresta”.
Conexão com políticas públicas
Além do mercado privado, os projetos deverão fortalecer a participação das comunidades em programas públicos de abastecimento, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).
O lançamento do edital ocorreu em um webinar transmitido pelas instituições. A íntegra do documento e todas as regras para participação já estão disponíveis para consulta pública.
A ampliação da oferta de alimentos provocou queda de 2,43% nos preços das frutas, legumes e verduras em novembro, segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). O recuo marca uma reversão em relação a outubro, quando os produtos in natura haviam subido 4,18%.
O movimento trouxe alívio para o bolso das famílias paulistas e sinaliza um cenário mais favorável para o fim de ano. No acumulado de 2025, a categoria registra redução de 3,78% nos preços. Um contraste com novembro de 2024, quando a alta foi de 1,20%.
De acordo com Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, a queda está diretamente ligada ao aumento de oferta e à demanda mais fraca no período. “O comportamento dos preços em novembro reflete a disponibilidade maior de produtos e o consumo mais moderado”, explicou.
Entre os in natura, os legumes lideraram a deflação, com queda de 12,4% em novembro. As verduras recuaram 1,78%, e as frutas, 1,86%. “No caso das frutas, há uma tendência de elevação na oferta no quarto trimestre, com destaque para uvas, limões, peras, morangos, melões, mangas e maçãs. Fatores que pressionam os preços para baixo”, acrescentou Queiroz.
Com a melhora na oferta e condições climáticas mais favoráveis, o setor aposta em estabilidade para os preços de alimentos frescos na reta final de 2025.
O PIB do agronegócio brasileiro cresceu no terceiro trimestre de 2025 e surpreendeu o mercado. O avanço ocorreu mesmo após o fim da colheita da safra, impulsionado pela recuperação da produção de grãos e pelo desempenho firme da pecuária.
O setor registrou alta de 0,4% frente ao segundo trimestre e crescimento de 10,1% em relação ao mesmo período de 2024. Mesmo assim, a melhora não acompanha a realidade financeira no campo, marcada por preços mais baixos, crédito limitado e margens reduzidas.
A retomada das culturas perenes também ajudou o PIB. A reação ocorreu após perdas provocadas por extremos climáticos em 2023 e 2024. A citricultura sofreu com seca, queimadas e problemas que prejudicaram o desenvolvimento das plantas.
Pecuária sustenta o desempenho do agro
A pecuária reforçou o resultado do agronegócio e manteve o ritmo de crescimento. O setor alcançou produção e exportações em níveis recordes, mesmo com impactos do tarifaço em mercados relevantes.
O PIB do agro subiu 0,4% na comparação dessazonalizada com o segundo trimestre. A alta ocorreu apesar do período ser tradicionalmente mais fraco para a atividade.
O avanço da produção de carnes também influenciou o indicador. Apesar do desempenho positivo, o setor ainda enfrenta margens apertadas, custos elevados e menor liquidez financeira.
PIB nacional desacelera no trimestre
O PIB brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre frente ao trimestre anterior, segundo o IBGE. O dado confirma desaceleração da economia nacional.
Revisão do segundo trimestre
O IBGE revisou o PIB do segundo trimestre de 2025. O crescimento passou de 0,4% para 0,3% ante o primeiro trimestre.