Tag: economia

  • Agrishow 2026 encerra com R$ 11,4 bilhões em negócios e foco em resiliência

    Agrishow 2026 encerra com R$ 11,4 bilhões em negócios e foco em resiliência

    A Agrishow, principal vitrine de tecnologia agrícola da América Latina, encerrou sua 31ª edição nesta sexta-feira (1º) com um balanço de R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios. O montante representa uma redução de 22% em relação ao ano anterior, abrangendo os segmentos de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem.

    Mesmo com a retração financeira, o evento manteve o prestígio de público. Durante os cinco dias de feira, 197 mil visitantes passaram pelo recinto em Ribeirão Preto, número equivalente ao registrado na edição passada. Para atender à grande procura no feriado de 1º de maio, a organização antecipou a abertura dos portões para as 7h30 no último dia.

    Cenário Econômico e Setor de Máquinas

    O desempenho da feira reflete o momento atual do mercado nacional. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no mercado interno caíram 19,9% no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025.

    Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, aponta que três fatores principais explicam este recuo:

    • A manutenção de altas taxas de juros;
    • A instabilidade da variação cambial;
    • O preço desfavorável das commodities.

    Resiliência no Campo

    Apesar dos desafios econômicos, a liderança do evento mantém o otimismo. João Marchesan, presidente da Agrishow, enfatizou que a competência e a resiliência dos agricultores brasileiros garantem a continuidade dos investimentos em tecnologia para a agricultura tropical.

    Marchesan destacou que o setor atravessa um mercado desfavorável há três anos, mas acredita na recuperação cíclica da atividade. “Sabemos que a agricultura vive de ciclos e temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, afirmou o executivo.

  • Fim do petróleo? Por que o agro brasileiro virou o novo dono da energia global

    Fim do petróleo? Por que o agro brasileiro virou o novo dono da energia global

    Esqueça aquela imagem antiga do Brasil apenas como o grande exportador de soja e carne para o prato do mundo. O jogo virou, e a nova fronteira não está apenas na mesa, mas no tanque e na rede elétrica das grandes potências. Vivemos um momento em que a segurança energética global passou a depender diretamente do que acontece no campo brasileiro. De repente, o agro nacional deixou de ser o coadjuvante da economia para se tornar o protagonista de uma transição energética que o mundo corre para abraçar.

    A metamorfose do campo em usina energética

    Muito além de alimentar bilhões, o Brasil descobriu como converter solo fértil em poder político e econômico através dos biocombustíveis. O etanol e o biodiesel não são mais apenas alternativas sustentáveis; eles se tornaram ferramentas de soberania. Enquanto países europeus e asiáticos lutam para reduzir a dependência de fósseis e do gás russo, o produtor brasileiro entrega a solução pronta em escala industrial. A partir daí, a percepção internacional mudou: quem controla a biomassa, controla o ritmo da descarbonização.

    O conflito silencioso por trás dos créditos verdes

    Nem tudo são flores nesse novo cenário. Existe uma tensão latente entre a necessidade de expansão produtiva e as exigências ambientais severas do mercado externo. O mundo quer a energia limpa do Brasil, mas impõe barreiras que desafiam a logística e o custo de produção nacional. “O Brasil tem a faca e o queijo na mão, mas precisa saber cortar sem se ferir nas proteções comerciais disfarçadas de ecologia”, afirmam analistas do setor. No entanto, a eficiência produtiva brasileira tem sido tão agressiva que ignorar nossa matriz energética tornou-se um risco econômico para qualquer país desenvolvido.

    Do pré-sal verde ao combustível do futuro

    Alcançamos um patamar onde o termo “agroenergia” define o PIB. O investimento em tecnologia para transformar resíduos em biogás e hidrogênio verde coloca o país em uma posição de vantagem comparativa absurda. Em contraste com nações que precisam importar tecnologia e insumos, nós temos o sol, a água e a terra. Assim, o Brasil desenha o seu próprio “pré-sal verde”, uma reserva de energia renovável que não acaba e que se renova a cada safra, garantindo que o país seja a peça-chave para manter as luzes do mundo acesas.

    O impacto inevitável na geopolítica mundial

    A consequência direta desse movimento é um Brasil com voz mais grossa em fóruns internacionais como o G20 e a COP. Não se discute mais o clima ou a energia sem passar pelo crivo dos produtores brasileiros. Se antes éramos vistos apenas como um “fazendão”, hoje somos o hub tecnológico de soluções de baixo carbono. Além disso, essa liderança traz uma responsabilidade imensa: qualquer instabilidade política ou climática por aqui agora gera tremores nos preços da energia global, provando que o agro brasileiro é, de fato, a nova bateria do planeta.

  • Clima irregular ameaça milho safrinha e pode elevar preços no Brasil

    Clima irregular ameaça milho safrinha e pode elevar preços no Brasil

    O clima irregular já começa a redesenhar o cenário do milho safrinha no Brasil em 2026, e os efeitos podem chegar diretamente ao bolso do consumidor no segundo semestre.

    Após um início de ano marcado por chuvas mal distribuídas em importantes regiões produtoras, especialistas acendem o alerta para impactos na produtividade e possível pressão sobre os preços nos próximos meses.

    Clima irregular desafia o milho safrinha

    O desenvolvimento do milho safrinha depende de uma janela climática bastante específica. Plantado após a colheita da soja, o grão precisa de chuvas regulares nas fases iniciais e clima mais seco na colheita.

    Neste ano, porém, o comportamento do clima foge do padrão. Regiões como Paraná, Mato Grosso do Sul e partes do Centro-Oeste enfrentam períodos de estiagem intercalados com chuvas irregulares, o que compromete o desenvolvimento das lavouras.

    Além disso, o atraso no plantio da soja em algumas áreas reduziu a janela ideal para o milho, aumentando o risco de exposição a condições adversas, como frio precoce e déficit hídrico.

    Produtividade sob pressão

    Com menos água disponível em fases críticas, como germinação e enchimento de grãos, a tendência é de queda na produtividade em diversas regiões.

    Analistas do setor já revisam projeções, indicando que, mesmo com uma área plantada significativa, o rendimento médio pode ficar abaixo do esperado. Esse cenário reduz a oferta efetiva do grão no mercado.

    A situação preocupa especialmente porque o milho safrinha representa cerca de 70% a 75% da produção total de milho no Brasil. Ou seja, qualquer quebra impacta diretamente o abastecimento nacional.

    Impacto nos preços no segundo semestre

    Com a possibilidade de menor oferta, o mercado já começa a reagir. A lógica é simples: menos milho disponível tende a elevar os preços, principalmente no segundo semestre, quando a demanda segue firme.

    O grão tem papel estratégico na cadeia produtiva, sendo base para ração animal. Por isso, qualquer alta no milho afeta também os custos da produção de proteínas como frango, suínos e até carne bovina.

    Além disso, o Brasil mantém forte presença nas exportações. Caso a produção fique abaixo do esperado, o país pode reduzir volumes exportados ou priorizar o mercado interno, o que também influencia a formação de preços.

    Mercado atento ao clima e à demanda

    O comportamento do clima nos próximos meses será decisivo. Caso as chuvas se normalizem em algumas regiões, parte das perdas pode ser mitigada. No entanto, se a irregularidade persistir, o cenário de pressão sobre os preços tende a se consolidar.

    Ao mesmo tempo, a demanda internacional, especialmente da China, segue como fator-chave. Uma combinação de oferta menor e demanda aquecida pode intensificar ainda mais a valorização do milho.

    Tecnologia e gestão como resposta

    Diante desse cenário, produtores investem cada vez mais em tecnologia para reduzir riscos. Monitoramento climático, uso de sementes mais resistentes e manejo eficiente do solo tornam-se essenciais.

    Ainda assim, o clima continua sendo uma variável fora do controle — e, em 2026, ele volta ao centro das decisões no campo e no mercado.

    O desempenho do milho safrinha nos próximos meses não deve afetar apenas o agronegócio, mas toda a cadeia de alimentos, reforçando como eventos climáticos se conectam diretamente à economia.

  • Como o cacau cabruca pode salvar a Mata Atlântica  e triplicar a renda de 3 mil famílias

    Como o cacau cabruca pode salvar a Mata Atlântica  e triplicar a renda de 3 mil famílias

    Um bioma que já perdeu 87,6% de sua cobertura original acaba de ganhar um reforço estratégico de escala global. Ilhéus, no sul da Bahia, sediou o lançamento do projeto “Conservação da Mata Atlântica por meio do manejo sustentável das paisagens agroflorestais cacaueiras”. A iniciativa aposta no cultivo tradicional do cacau cabruca para frear o desmatamento, restaurar a biodiversidade e melhorar a renda de milhares de famílias produtoras.

    Foto: FAO no Brasil/Divulgação

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), executa o projeto com apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) financia a iniciativa, e a Sitawi Finanças do Bem atua como parceira operacional.

    O que é o sistema cabruca e por que ele importa

    A cabruca é uma técnica secular de cultivo do cacau sob o dossel de árvores nativas da Mata Atlântica. Em vez de desmatar para plantar, o produtor mantém a floresta em pé e introduz o cacaueiro à sua sombra. O resultado é um sistema que forma corredores biológicos, regula o ciclo hídrico local e aumenta a resiliência ecológica da região. Tudo isso enquanto gera renda.

    “A Mata Atlântica é um bioma de importância mundial. O projeto será um exemplo notável de conservação produtiva, onde a agricultura sustentável coexiste com a preservação de espécies nativas e endêmicas”, afirma Jorge Meza, representante da FAO no Brasil.

    Metas ambiciosas: floresta, clima e economia

    O projeto estabelece objetivos concretos para os próximos anos: restaurar 12.000 hectares de cacau em sistema cabruca; melhorar a gestão de mais de 203 mil hectares de áreas protegidas, incluindo as APAs Pratigi e Baía de Camamu; e mitigar 3,72 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.

    Imagem gerada por IA

    No campo econômico, a iniciativa quer triplicar a produtividade média do cacau cabruca e elevar em 30% a renda das famílias beneficiárias, por meio de assistência técnica e acesso a mercados de cacau premium.

    Três mil produtores organizados nos consórcios CIAPRA, CIMA e CDS-LS participam do projeto. O compromisso é que ao menos 50% dos beneficiários sejam mulheres e jovens.

    Tecnologia, governança e formação

    Além das ações de campo, o projeto propõe revisão de marcos legais e novos mecanismos de política pública para o manejo sustentável em uma escala de 1,6 milhão de hectares. Garantindo ao produtor rural retorno econômico sem abrir mão da conservação florestal.

    Entre as inovações planejadas estão o uso de blockchain para rastreabilidade total do cacau, a criação da Escola do Cacau para formação de técnicos e produtores, e um Centro de Inteligência Territorial (CIT) para monitoramento da paisagem e da biodiversidade em tempo real. Os produtores também ganham acesso a um modelo de crédito rural sustentável, o CRA Sustentável, e a redes de comercialização nacionais e internacionais.

    “O que estamos lançando na Bahia vai além de um projeto ambiental ou produtivo. É um modelo concreto de inovação no campo”, diz Thiago Guedes, diretor da Ceplac. “Estamos posicionando a cacauicultura agroflorestal como um ativo estratégico para o futuro da agricultura mundial.”

    Para quem vive da terra, o significado é direto. “Trazer o processo de transição agroecológica para esse espaço de produção permite produzir uma amêndoa de cacau melhor, com mais qualidade, agregando valor ao produto para que as famílias possam melhorar sua qualidade de vida”, conta Luciano Ferreira, assentado da reforma agrária e produtor de cacau.

  • Brasil deve atingir cota de exportação de carne bovina para a China até maio

    Brasil deve atingir cota de exportação de carne bovina para a China até maio

    O Brasil deve atingir sua cota anual de exportação de carne bovina para a China até o início de maio, impulsionado pelo aumento dos preços do boi gordo e pela corrida para embarcar antes da entrada em vigor das novas tarifas chinesas. A informação é de representantes do setor, que alertam para um cenário de forte pressão nas vendas e busca por mercados alternativos.

    De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP), o preço do boi gordo chegou a R$365 por arroba na quarta-feira, o maior valor nominal já registrado. O aumento de 12,5% em 12 meses reflete o avanço das exportações e a tentativa de frigoríficos de antecipar embarques antes do fechamento da cota.

    Em março, o Brasil exportou 233,9 mil toneladas de carne bovina fresca, recorde histórico para o mês, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. A média diária ficou em 10,6 mil toneladas, 8,6% acima de março de 2025 e 40,7% superior ao mesmo período de 2024. A receita do mês alcançou cerca de R$7 bilhões, com preço médio de R$29,9 mil por tonelada.

    Teto fixo

    A China anunciou, em dezembro, que as importações acima de um teto fixo por país serão taxadas em 55%. Bem acima da alíquota padrão de 12%. O limite imposto a cada nação valerá para 2026 e inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Para o Brasil, o volume máximo permitido é de 1,106 milhão de toneladas. Enviar além disso se torna inviável economicamente.

    Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o Brasil já utilizou mais de 40% da cota apenas no primeiro trimestre.

    “A salvaguarda chinesa afeta todos os países, mas a do Brasil foi a mais severa. A China foi destino de 46% das nossas exportações no ano passado. O impacto é expressivo”, disse ele durante um evento do setor.

    Apesar das restrições, a participação chinesa nas exportações totais brasileiras de carne bovina fresca caiu pelo terceiro ano consecutivo, atingindo o menor nível para um primeiro trimestre desde 2020. Entre janeiro e março, os embarques para a China somaram 325,4 mil toneladas. Crescimento de 16,3% frente ao mesmo período de 2025, mas abaixo do ritmo de outros mercados.

    O Ministério da Agricultura já alertou para o risco de um “colapso nos preços e no emprego” caso as empresas continuem fechando contratos no início do ano sem uma coordenação nacional da cota. Para o setor, as alternativas ainda são limitadas.

    A Coreia do Sul surge como opção, mas só deve concluir inspeções sanitárias em frigoríficos brasileiros a partir de junho. O envio via Vietnã ou Hong Kong não apresenta viabilidade comercial.

    Perosa projeta que o limite imposto pela China continuará em vigor até 2027 ou 2028.

    Argentina

    Enquanto isso, a Argentina enfrenta seus próprios desafios. Em março, a alfândega chinesa rejeitou um embarque de 22 toneladas da planta ArreBeef, na província de Buenos Aires, após detectar cloranfenicol, antibiótico proibido no país desde 1995. O caso gerou uma reunião emergencial entre o governo e representantes do setor para evitar que o episódio comprometa embarques futuros.

    Sob críticas da oposição, o governo do presidente Javier Milei tenta reduzir perdas no mercado chinês ampliando as vendas aos Estados Unidos. O presidente Donald Trump anunciou, no mês passado, que o país comprará carne argentina para conter a alta dos preços domésticos. A maior em 75 anos devido à redução dos rebanhos americanos.

    A proposta, porém, enfrentou resistência imediata de produtores norte-americanos, que afirmam que a medida prejudica os pecuaristas locais sem aliviar o custo da carne nos supermercados.

    Atualmente, a Argentina representa cerca de 2% das importações de carne bovina dos EUA, o que limita qualquer impacto imediato mesmo com o aumento das compras.

  • Feijão preto pode render até 6 mil kg/ha? Conheça a aposta da Embrapa

    Feijão preto pode render até 6 mil kg/ha? Conheça a aposta da Embrapa

    O feijão preto ocupa um lugar insubstituível na cultura alimentar brasileira. Portanto, quando a oferta interna cai, os impactos chegam direto ao bolso do consumidor e à rentabilidade do produtor.

    Em safras nas quais a produção nacional não consegue abastecer o mercado interno, é comum o Brasil importar feijão preto de países como Argentina e China. Assim, a Embrapa Arroz e Feijão apresentou ao mercado uma resposta concreta. Trata-se da cultivar BRS FP417, lançada em fevereiro de 2025 durante o 36º Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR).

    O setor produtivo nacional ganha um material genético desenvolvido para elevar produtividade, reduzir perdas por doenças e melhorar a qualidade comercial dos grãos.

    O que torna a BRS FP417 diferente

    A BRS FP417 se destaca por reunir resistência a várias doenças que impactam a rentabilidade da cultura, apresentando ótimos níveis de resistência à antracnose e à murcha de fusário, além de resistência intermediária ao crestamento bacteriano comum e à murcha de curtobacterium. Essas enfermidades causam perdas expressivas em lavouras de todo o Brasil. Por isso, a resistência genética se traduz em economia direta para o produtor, sem precisar aumentar o custo com fungicidas.

    Foto: ARAÚJO, Sebastião José de

    Além disso, a cultivar se destaca pela rusticidade aliada à alta produtividade e excelente qualidade comercial de grãos. Não se trata apenas de uma planta resistente. Trata-se de um material que entrega desempenho superior em condições reais de campo. A BRS FP417 possui alto rendimento de peneira 11 (4,25mm), atingindo 86% dos grãos nessa classificação, e tempo médio de cocção de 32 minutos. Dessa forma, o grão atende tanto às exigências da indústria alimentícia quanto às do consumidor final.

    Produtividade: os números que interessam ao produtor

    Com ciclo de desenvolvimento normal, o potencial produtivo da BRS FP417 pode chegar a 6.000 kg/ha, dependendo do ambiente de produção. A média nacional de produtividade do feijão gira em torno de 1.400 a 1.500 kg/ha. Assim, o potencial dessa cultivar é quatro vezes superior à média do setor.

    Nos experimentos de validação, a linhagem apresentou produtividade média de 2.465 kg/ha, com potencial de 4.096 kg/ha a partir da média dos cinco experimentos com as maiores produtividades. Esses resultados, portanto, são sólidos e replicáveis.

    Um dos grandes diferenciais da BRS FP417 é sua arquitetura ereta de porte alto com resistência ao acamamento, o que facilita a colheita mecanizada. A cultivar atende diretamente à demanda por lavouras adaptadas a sistemas modernos e de larga escala.

    Onde adquirir as sementes da BRS FP417

    A proposta é comercializada por empresas parceiras da Embrapa: Sementes Cittolin, NL Lunardi Sementes, Cooperativa Agrícola Mista São Cristóvão, Cooperativa Agroindustrial Alfa, Coprossel e outras licenciadas.

    A BRS FP417 está registrada para os estados de AL, BA, CE, DF, GO, MA, MS, MT, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, RS, SE, SC, SP e TO. Assim, produtores de diferentes regiões produtoras estratégicas do país já podem planejar a adoção da nova cultivar.

    O mercado do feijão preto: oportunidade para quem produz com qualidade

    O cenário atual do mercado de feijão preto combina expansão das exportações e pressão de preços internos. A Conab estimou que a produção de feijão preto cresceu 14% no Brasil em 2025, alcançando 811,3 mil toneladas.

    Mesmo com esse crescimento, o mercado externo absorve cada vez mais. Em 2024, as exportações brasileiras de feijão somaram 217 mil toneladas, um recorde histórico.  Por outro lado, as cotações do feijão preto ao produtor cederam cerca de 36,4% em 2025 em comparação à média de 2024.

    Nesse contexto, produtividade e qualidade passam a ser os principais fatores de competitividade. Portanto, cultivares como a BRS FP417 chegam em momento oportuno. Afinal, produzir mais por hectare, com grãos de padrão comercial elevado, é o caminho mais eficiente para preservar a margem mesmo em cenários de queda de preço.

    A Embrapa se dedica à busca de cultivares que permitam aos agricultores ofertarem produtos de melhor qualidade aos consumidores, conseguindo, consequentemente, melhores rendimentos com a cultura.

  • Anvisa proíbe lote de alecrim por conter insetos vivos

    Anvisa proíbe lote de alecrim por conter insetos vivos

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta sexta-feira (10/4), o recolhimento de um lote do produto Especiaria Alecrim, da marca Nati Sul. A decisão saiu no Diário Oficial da União e suspende imediatamente a comercialização, a distribuição e o uso do lote de número 0108.

    O motivo é grave: analistas identificaram insetos vivos e um fragmento de animal não identificado dentro do produto. Além dessas contaminações, a Anvisa apontou que o caso também indica falhas nas condições higiênico-sanitárias e no cumprimento das boas práticas de fabricação por parte da empresa.

    O que a Anvisa encontrou no produto?

    A presença de insetos vivos em um produto alimentício representa uma das irregularidades mais sérias que uma fiscalização sanitária pode registrar. Ao contrário de fragmentos, que podem resultar de falhas pontuais no processamento, insetos vivos indicam problemas ativos no controle de pragas e no armazenamento da matéria-prima ou do produto acabado.

    Além disso, o fragmento de animal não identificado reforça a conclusão de que o ambiente de produção ou armazenamento do lote não atendia aos padrões mínimos exigidos pela legislação sanitária brasileira. Juntos, esses achados levaram a Anvisa a concluir que houve falha nas boas práticas de fabricação, requisito obrigatório para qualquer empresa que produza ou manipule alimentos no país.

    Não é o primeiro caso do tipo

    O recolhimento do alecrim Nati Sul se soma a uma série de ações recentes da Anvisa contra produtos alimentícios contaminados por matérias estranhas. Em janeiro de 2026, por exemplo, a agência determinou o recolhimento do Chá de Camomila Lavi Tea, da marca Água da Serra, após situação semelhante. Naquele caso, analistas encontraram 14 larvas inteiras e 224 fragmentos de insetos em uma amostra de apenas 25 gramas do produto. O limite aceitável para esse tipo de produto é de 90 fragmentos nessa mesma quantidade.

    Portanto, o caso do alecrim Nati Sul não é um episódio isolado. Pelo contrário, ele integra um padrão de falhas que a Anvisa combate de forma sistemática por meio do monitoramento contínuo do mercado de alimentos.

    O que fazer se você tiver o produto em casa

    Quem tiver o alecrim Nati Sul do lote 0108 em casa deve parar o uso imediatamente. O consumidor tem direito a reembolso ou troca no estabelecimento onde realizou a compra, conforme o Código de Defesa do Consumidor. Denúncias sobre a venda continuada do produto podem ser feitas às vigilâncias sanitárias municipais ou pelo portal oficial da Anvisa, disponível em consultas.anvisa.gov.br.

  • “PT persegue o agro?” Declaração de Flávio Bolsonaro gera polêmica

    “PT persegue o agro?” Declaração de Flávio Bolsonaro gera polêmica

    Uma declaração do senador Flávio Bolsonaro voltou a colocar o agronegócio no centro do debate político.

    Segundo o parlamentar, o Partido dos Trabalhadores estaria promovendo uma perseguição ao setor rural. A fala rapidamente ganhou repercussão e dividiu opiniões entre produtores, especialistas e políticos.

    Além disso, o tema reacende uma discussão recorrente no país: a relação entre o agronegócio e os governos federais.

    Críticas ao governo e ao ambiente regulatório

    Flávio Bolsonaro afirmou que decisões recentes e posicionamentos políticos indicam um ambiente menos favorável ao agro.

    “[O governo Lula] Só pensa em atrapalhar e perseguir o agro. Qual é a raiva que eles têm do agro? Eu acho que sei qual é. Eles odeiam propriedade privada.”

    De acordo com o senador, produtores enfrentam aumento de insegurança jurídica, além de preocupações com possíveis mudanças em regras ambientais e fundiárias. Nesse sentido, ele defende que o setor precisa de mais previsibilidade e menos interferência política.

    Autonomia indígena entra no debate

    Durante a declaração, Flávio Bolsonaro também abordou a questão indígena e defendeu maior autonomia para os povos originários.

    Segundo ele, não deveria caber ao Judiciário decidir como cada comunidade utiliza suas terras. Por isso, o senador afirmou que pretende atuar para mudar esse cenário caso avance politicamente.

    Além disso, o pré-candidato destacou que os indígenas deveriam ter liberdade para explorar economicamente suas áreas. Entre as possibilidades citadas, ele mencionou o plantio, a criação de gado, a exploração de recursos do subsolo e até o desenvolvimento de empreendimentos turísticos.

    Na avaliação de Flávio, essa autonomia pode gerar crescimento econômico dentro das próprias comunidades. “Eles vão prosperar com isso”, afirmou.

    Governo e aliados rejeitam acusações

    Por outro lado, integrantes do governo e aliados do Luiz Inácio Lula da Silva negam qualquer tipo de perseguição ao agronegócio. Ao contrário, eles argumentam que o setor continua sendo prioridade econômica e que políticas públicas buscam equilibrar produção, sustentabilidade e crescimento.

    Além disso, destacam que o Brasil segue como uma das maiores potências agrícolas do mundo, com recordes recentes de produção e exportação.

    Agro no centro da disputa política

    O episódio reforça como o agronegócio se tornou peça-chave no cenário político brasileiro.

    Nos últimos anos, o setor ganhou ainda mais protagonismo, tanto pelo peso econômico quanto pela influência nas eleições. Por isso, declarações como essa costumam gerar forte repercussão e mobilizar diferentes grupos.

    O que está em jogo?

    O agronegócio representa uma parcela significativa do PIB brasileiro e tem papel central nas exportações.

    Diante disso, qualquer sinal de instabilidade política ou regulatória tende a gerar preocupação no setor. Ao mesmo tempo, o governo busca equilibrar crescimento econômico com compromissos ambientais e sociais.

  • Você pode estar consumindo azeite falso: saiba como se proteger

    Você pode estar consumindo azeite falso: saiba como se proteger

    O Brasil enfrenta uma crise silenciosa no mercado de azeite de oliva. A Anvisa e o Ministério da Agricultura proibiram a venda de 25 marcas em 2025, após identificarem fraudes e irregularidades em diversos lotes comercializados no país. Por trás de cada proibição, há um conjunto de práticas fraudulentas que vai da adulteração da composição até a criação de empresas que existem apenas no papel. Entender como essas fraudes funcionam é o primeiro passo para o consumidor se proteger.

    A fraude mais comum: mistura com outros óleos

    A adulteração de composição é, sem dúvida, a irregularidade mais frequente. Na prática, fabricantes desonestos misturam o azeite de oliva com óleos vegetais mais baratos, como o de soja ou de girassol. O resultado é um produto que parece azeite por fora, mas não oferece os mesmos benefícios nutricionais.

    Esses azeites são “batizados” com óleos de soja ou girassol, perdendo as propriedades benéficas do azeite de oliva extravirgem e enganando o consumidor financeiramente. Além do prejuízo econômico, a mistura representa um risco à saúde. A adulteração pode provocar reações em pessoas com sensibilidades alimentares, além de não oferecer os benefícios cardiovasculares esperados de um azeite de oliva legítimo.

    Para disfarçar a fraude, alguns produtores vão ainda mais longe. Os fiscais encontram, com frequência, corantes e aromatizantes não autorizados misturados ao produto. Essas substâncias imitam a cor dourada e o aroma característico do azeite verdadeiro, tornando a identificação visual quase impossível para o consumidor comum.

    Um caso extremo ilustra bem a gravidade do problema. A marca Espanhol Colonial, lote 015, foi flagrada com óleos não declarados na composição. Após a apreensão, o produto teve de ser misturado a óleo queimado para ser inutilizado como alimento e, só então, destinado à produção de biocombustível.

    Rótulos enganosos: quando o nome confunde de propósito

    Além da adulteração física do produto, outra estratégia comum envolve o uso de nomes e rótulos semelhantes aos de marcas conhecidas e respeitadas no mercado. O objetivo é induzir o consumidor ao erro no momento da compra, aproveitando a confiança que o público já deposita em marcas consolidadas.

    Esse tipo de fraude é especialmente perigoso porque não exige nenhuma análise laboratorial para enganar. Basta uma embalagem parecida e um nome próximo ao original para que o produto circule nas prateleiras sem levantar suspeitas imediatas.

    Empresas fantasmas e falta de rastreabilidade

    Nem sempre a fraude está no líquido dentro da garrafa. Muitas vezes, o problema está na estrutura jurídica e administrativa por trás do produto. Essa categoria de irregularidade é especialmente perigosa porque impede qualquer tipo de fiscalização ou responsabilização.

    O caso do azeite Afonso, proibido pela Anvisa em abril de 2026, exemplifica bem essa situação. A empresa importadora, Cotinga Ltda., possuía CNPJ irregular na Receita Federal e não funcionava no endereço registrado. Por isso, nenhuma inspeção sanitária era possível. A falta de um CNPJ ativo impede a rastreabilidade, essencial para o controle de alimentos no país.

    Há ainda outro requisito legal que muitas empresas ignoram. Toda empresa que processa ou envasa azeite precisa ter registro no Cadastro Geral de Classificação (CGC) do Ministério da Agricultura. A ausência desse cadastro é uma infração grave e, por si só, já é motivo suficiente para a proibição do produto.

    “Fora de tipo” ou “desclassificado”: qual é a diferença?

    As fontes técnicas estabelecem uma distinção importante para entender a gravidade de cada caso. Nem toda irregularidade tem o mesmo peso legal e sanitário.

    Um produto “fora de tipo” ainda é azeite de oliva, mas excede os limites de qualidade para a categoria declarada no rótulo. Por exemplo, um azeite rotulado como “extravirgem” pode apresentar parâmetros de acidez, índice de peróxidos ou extinção ultravioleta compatíveis apenas com a categoria “virgem”. Nesses casos, o produto pode ser reprocessado para reenquadramento na categoria correta.

    Já a classificação “desclassificado” é mais grave e, nesse caso, a comercialização é proibida. Isso ocorre quando há fraude comprovada na composição, presença de outros óleos, odor estranho, condições de higiene inadequadas ou substâncias nocivas identificadas. Não há possibilidade de reaproveitamento para consumo humano.

    Como a fiscalização detecta as fraudes

    Para identificar adulterações, os laboratórios do Ministério da Agricultura utilizam uma bateria de testes rigorosos. Cada parâmetro revela um tipo diferente de irregularidade.

    O índice de refração é um dos primeiros testes aplicados. Ele verifica a autenticidade do produto a partir de suas propriedades ópticas. Foi justamente nesse teste que o azeite Afonso reprovou, o que contribuiu diretamente para a decisão de proibição.

    Além disso, os fiscais aplicam os chamados testes de identidade, que analisam a presença de estigmastadienos, ceras e a composição de ácidos graxos do produto. Esses testes são fundamentais para provar que o azeite não é puro. A presença de estigmastadienos acima de 0,15 mg/kg, por exemplo, desclassifica o produto imediatamente. Esse resultado indica, sem margem de dúvida, que houve refino ou adulteração com outros óleos vegetais.

    Como se proteger na hora da compra

    Para garantir uma compra segura, a orientação é observar preços suspeitosamente baixos, evitar azeites vendidos sem embalagem original e consultar o registro do produto na plataforma pública da Anvisa, que permite confirmar a autenticidade da marca.

    Denúncias sobre produtos suspeitos também podem ser feitas diretamente às vigilâncias sanitárias municipais ou pelo portal consultas.anvisa.gov.br. A colaboração do consumidor é, portanto, parte essencial do sistema de fiscalização.

  • Anvisa proíbe azeite Afonso e ordena retirada do produto das prateleiras em todo o Brasil

    Anvisa proíbe azeite Afonso e ordena retirada do produto das prateleiras em todo o Brasil

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o azeite rotulado como “aceite de oliva virgem extra Afonso”. A decisão saiu no Diário Oficial da União em 8 de abril de 2026. O produto deve ser apreendido imediatamente em todo o território nacional. Comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso estão todos vetados.

    A Anvisa identificou irregularidades graves no produto e na empresa responsável pela importação, a Comércio de Gêneros Alimentícios Cotinga Ltda.

    Empresa sem CNPJ ativo e sem endereço

    O CNPJ da Comércio de Gêneros Alimentícios Cotinga Ltda. não consta na base de dados da Receita Federal. A situação irregular junto ao fisco federal remonta a agosto de 2024. Sem registro ativo, o produto passa a ter origem desconhecida. Isso significa que nenhuma autoridade pode rastrear sua procedência ou garantir sua segurança.

    A Vigilância Sanitária de Curitiba tentou inspecionar o estabelecimento e não encontrou a empresa funcionando no endereço registrado. Sem um responsável técnico identificável, não há como verificar as condições de higiene ou a composição do produto.

    A falta de um CNPJ ativo impede a rastreabilidade, essencial para o controle de alimentos no país.

    Reprovação em teste laboratorial

    O azeite Afonso passou por análises laboratoriais e reprovou no índice de refração. Esse parâmetro verifica a autenticidade e a pureza do produto. A falha indica que o conteúdo da embalagem pode não corresponder ao rótulo.

    Azeites adulterados costumam conter óleos de soja ou girassol na composição. Essa mistura elimina os benefícios do azeite de oliva extravirgem e engana o consumidor. A adulteração pode provocar reações em pessoas com sensibilidades alimentares, além de não oferecer os benefícios cardiovasculares esperados de um azeite de oliva legítimo.

    Parte de uma fiscalização maior

    A proibição do azeite Afonso faz parte de um esforço mais amplo de combate a fraudes no mercado de óleos vegetais. A Anvisa tem publicado uma série de ações de fiscalização relacionadas a azeites, a partir da identificação de produtos clandestinos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), responsável pela classificação e pelo cadastro de empresas produtoras de óleos vegetais.

    As Vigilâncias Sanitárias estaduais e municipais receberam orientação para fiscalizar pontos de venda e retirar o produto de circulação.

    O que fazer se tiver o produto em casa?

    Quem tiver o azeite Afonso em casa deve parar o consumo imediatamente. O Código de Defesa do Consumidor garante direito a reembolso ou troca no local da compra. Para denunciar a venda continuada do produto, o consumidor pode acionar a vigilância sanitária do seu município ou acessar o portal consultas.anvisa.gov.br.