Tag: economia

  • Agroindústria perde força e fecha primeiro semestre em queda

    Agroindústria perde força e fecha primeiro semestre em queda

    A agroindústria iniciou 2026 com a produção em alta, mas perdeu força ao longo dos meses seguintes. Com isso, encerrou o primeiro semestre com retração acumulada de 0,3%, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro).

    O desempenho, porém, variou entre os segmentos. Enquanto as indústrias não alimentícias registraram queda de 2% na produção no semestre, as de alimentos e bebidas avançaram 1,1%. De acordo com o FGV Agro, “a desaceleração da economia brasileira e as turbulências no setor externo explicam a perda de ritmo do setor”.

    Entre os segmentos analisados, a indústria de insumos agropecuários apresentou o pior resultado, com queda de 8,3% na produção. O setor já vinha registrando retração desde 2025 e teve o desempenho agravado pela guerra no Oriente Médio, devido aos “potenciais efeitos sobre custos e disponibilidade de insumos”, segundo o centro de estudos.

    Outros segmentos também fecharam o semestre no vermelho. A produção de produtos têxteis recuou 5%, enquanto a de produtos florestais caiu 2,4%.

    Na direção oposta, as indústrias de biocombustíveis registraram forte crescimento. A produção avançou 18,1% no semestre, impulsionada principalmente pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar. As indústrias de fumo também tiveram resultado positivo, com alta de 1,6%.

    Agroindústria perde ritmo no segundo trimestre

    O desempenho da agroindústria também mudou de forma significativa entre os dois primeiros trimestres do ano. Entre janeiro e março, o PIMAgro cresceu 0,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já entre abril e junho, o indicador registrou queda de 0,8% na comparação anual.

    No segmento de alimentos e bebidas, entretanto, todas as indústrias apresentaram crescimento no primeiro semestre. O destaque ficou com as bebidas alcoólicas e não alcoólicas, que registraram alta de 1,5% cada.

    A produção de alimentos de origem animal também avançou. O crescimento foi de 1,3%, impulsionado principalmente pelos setores de carnes e laticínios.

    Já as indústrias de alimentos de origem vegetal tiveram alta mais moderada, de 0,4% até junho. O resultado foi sustentado pela produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, moagem de trigo e café.

    Ainda assim, o segmento perdeu força ao longo do semestre. Depois de avançar 4,4% no primeiro trimestre, a produção recuou 2,7% entre abril e junho.

    Em junho, o PIMAgro caiu 0,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. Foi a segunda queda consecutiva do indicador.

    Cota chinesa e exportações podem pressionar setor

    Para o FGV Agro, a agroindústria deve enfrentar novos desafios no segundo semestre. Um dos principais fatores é o preenchimento da cota chinesa para a carne bovina.

    Segundo o centro de estudos, a produção destinada ao mercado asiático vinha contribuindo para sustentar um dos segmentos mais dinâmicos do indicador. Com o limite de embarques, portanto, esse impulso pode perder força nos próximos meses.

    Além disso, a interrupção dos embarques de produtos de origem animal para a União Europeia, prevista para entrar em vigor em 3 de setembro, também deve pressionar o desempenho da agroindústria brasileira no segundo semestre.

  • Inflação desacelera e alimentos ficam mais baratos em julho

    Inflação desacelera e alimentos ficam mais baratos em julho

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,07% em julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta foi menor que a registrada em junho, quando o índice avançou 0,16%.

    A queda nos preços dos alimentos ajudou a conter a inflação no mês. Com o resultado de julho, o IPCA acumula 4,44% em 12 meses e 3,44% no ano.

    Inflação desacelera pelo quarto mês seguido

    O resultado de julho mantém a trajetória de desaceleração observada nos últimos meses.

    Em 2026, o IPCA apresentou as seguintes variações:

    • Janeiro: 0,33%
    • Fevereiro: 0,70%
    • Março: 0,88%
    • Abril: 0,67%
    • Maio: 0,58%
    • Junho: 0,16%
    • Julho: 0,07%

    O dado de julho foi divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (11).

    Alimentos ajudam a segurar a inflação

    A redução dos preços dos alimentos contribuiu para o resultado mais baixo do IPCA em julho.

    O comportamento dos preços dos alimentos tem impacto direto no orçamento das famílias e também acompanha fatores ligados à produção agropecuária, oferta, demanda e condições de mercado.

    Para o consumidor, a queda desse grupo ajuda a reduzir a pressão sobre os gastos do dia a dia.

    Mercado projetava resultado

    O resultado do IPCA de julho ficou em linha com a expectativa do mercado financeiro.

    O Boletim Focus, pesquisa do Banco Central com instituições do mercado, divulgado na segunda-feira (10), projetava inflação de 0,07% para julho.

    Para o fim de 2026, a projeção do mercado para o IPCA aposta em 5,02%.

  • ITR 2026: prazo começa hoje; veja como declarar

    ITR 2026: prazo começa hoje; veja como declarar

    Começa nesta segunda-feira (10) o prazo para a entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) 2026. Produtores rurais e demais contribuintes obrigados têm até 30 de setembro para enviar o documento à Receita Federal.

    A declaração é obrigatória para pessoas físicas e jurídicas que sejam proprietárias, titulares do domínio útil ou possuidoras de imóveis rurais, com exceção dos casos de imunidade ou isenção previstos na legislação.

    O prazo termina às 23h59min59s de 30 de setembro, no horário de Brasília. Por isso, quem precisa prestar as informações deve ficar atento para não perder a data.

    Quem precisa declarar o ITR?

    A obrigação da DITR 2026 alcança pessoas físicas e jurídicas que tenham determinadas formas de relação com um imóvel rural.

    Entre os contribuintes obrigados estão:

    • proprietários de imóveis rurais;
    • titulares do domínio útil;
    • possuidores de imóveis rurais;
    • usufrutuários;
    • situações específicas envolvendo condomínio, composse e espólio.

    As regras também contemplam contribuintes que perderam a posse ou a propriedade do imóvel rural em determinadas situações entre 1º de janeiro de 2026 e a data da apresentação da declaração.

    Imóveis que estejam enquadrados nas hipóteses legais de imunidade ou isenção ficam fora da obrigação.

    Como fazer a declaração do ITR 2026?

    Uma das novidades deste ano é a possibilidade de fazer todo o procedimento pela internet por meio do serviço Minhas Declarações do ITR.

    A ferramenta está disponível no Portal de Serviços da Receita Federal e permite preencher, transmitir, retificar e consultar a DITR sem a necessidade de instalar um programa no computador. O acesso exige autenticação com conta gov.br nos níveis Prata ou Ouro.

    Além do preenchimento online, a Receita Federal mantém o Programa ITR 2026 para pessoas físicas que possuem imóvel rural com área de até 100 hectares. Nesse caso, a transmissão também pode ser feita pelo próprio programa ou pelo Receitanet.

    O que acontece se perder o prazo?

    Quem estiver obrigado a apresentar a DITR e entregar o documento depois do prazo fica sujeito a multa de 1% ao mês-calendário ou fração de atraso, calculada sobre o total do imposto devido.

    Atualmente, o valor mínimo da multa é de R$ 50.

    Por isso, deixar a declaração para os últimos dias pode causar dores de cabeça, principalmente para quem ainda precisa reunir informações do imóvel e dos responsáveis pela propriedade.

    É possível corrigir a declaração depois do envio?

    Sim, é possível!

    Se o contribuinte identificar algum erro, omissão ou informação incorreta depois da transmissão, é possível apresentar uma DITR retificadora, desde que ainda não tenha sido iniciado um procedimento de lançamento de ofício.

    A declaração retificadora substitui integralmente a declaração original. Por isso, a recomendação é conferir as informações antes da transmissão e guardar o recibo de entrega.

    Como funciona o pagamento do ITR?

    A entrega da DITR e o pagamento do imposto são etapas relacionadas, mas diferentes.

    O valor do ITR apurado pode ser pago em até quatro quotas iguais, mensais e consecutivas. Porém, cada quota precisa ter valor mínimo de R$ 50.

    Quando o imposto for inferior a R$ 100, o pagamento deve ser feito em quota única.

    A primeira quota ou a quota única vence em 30 de setembro de 2026, mesma data final para a apresentação da declaração.

    As demais quotas, quando houver, têm vencimento no último dia útil de cada mês e recebem os acréscimos previstos na legislação, incluindo juros calculados com base na taxa Selic e 1% no mês do pagamento.

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  • PIB do agronegócio sofreu queda de 2% no primeiro trimestre de 2026

    PIB do agronegócio sofreu queda de 2% no primeiro trimestre de 2026

    O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro caiu 2,01% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O resultado chama atenção porque ocorre depois de um avanço superior a 12% do setor em 2025. De acordo com os pesquisadores, a principal explicação para a retração está na redução dos preços de diversos produtos agropecuários, que acabou superando os ganhos esperados de produção em diferentes atividades.

    Todos os segmentos agrícolas registraram queda

    O recuo não ficou concentrado em apenas uma área da cadeia. Todos os segmentos que formam o PIB do agronegócio apresentaram resultado negativo nos primeiros três meses do ano.

    O maior impacto veio do segmento primário, que reúne as atividades diretamente ligadas à produção agropecuária. A queda foi de 4,15%. Na sequência aparecem os insumos, com retração de 2,15%, os agrosserviços, com baixa de 1,25%, e a agroindústria, que recuou 1,03%.

    Para o produtor rural, o cenário mostra que uma produção maior nem sempre significa aumento proporcional da receita. Isso acontece porque a valorização ou desvalorização dos produtos tem peso importante no resultado econômico de toda a cadeia.

    Agricultura sente mais o impacto

    Quando a análise é dividida entre os dois grandes ramos do agronegócio, a agricultura foi a principal responsável pela retração.

    O PIB do ramo agrícola recuou 3,62% no primeiro trimestre de 2026. Já a pecuária apresentou comportamento diferente e registrou um crescimento de 0,70% no período.

    A diferença ajuda a explicar por que o resultado geral do agro foi negativo mesmo com algumas atividades apresentando desempenho positivo. Afinal, o PIB do agronegócio considera uma cadeia ampla, que vai desde a fabricação de insumos até a produção no campo, a indústria e os serviços relacionados ao setor.

    Preços pesaram sobre o resultado

    Segundo o Cepea e a CNA, a expectativa para 2026 é de redução no valor da produção agropecuária. O principal fator apontado é justamente a queda dos preços, que superou os ganhos previstos em volume produzido em diferentes atividades agrícolas e pecuárias.

    Na prática, isso significa que o aumento da produção esperado para algumas culturas e criações não foi suficiente para compensar a desvalorização dos produtos.

    O cenário reforça a importância dos preços agrícolas para o desempenho econômico do setor. Mesmo com o Brasil mantendo uma posição de destaque na produção agropecuária, mudanças nas cotações podem afetar diretamente produtores, indústrias, fornecedores e empresas de serviços ligados ao campo.

    Agro ainda representa uma parcela importante da economia

    Apesar da queda, o agronegócio continua responsável por uma fatia expressiva da economia brasileira.

    Considerando os resultados do primeiro trimestre e o desempenho do PIB nacional, a participação do setor é estimada em 22,8% da economia brasileira em 2026. Em 2025, essa participação havia sido calculada em 25,2%.

    O PIB do agronegócio foi estimado em cerca de R$ 3,13 trilhões no período analisado. Desse total, aproximadamente R$ 1,88 trilhão corresponde ao ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão ao ramo pecuário.

  • Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    O governo federal intensificou as negociações com a União Europeia para evitar que o Brasil seja retirado da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. A medida preocupa o agronegócio brasileiro, principalmente a cadeia da carne bovina, já que as novas exigências entram em vigor a partir de setembro.

    Durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), realizado em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo atua em diferentes frentes para reverter a decisão.

    “Estamos trabalhando do ponto de vista técnico, diplomático e político para encontrar uma solução. Representantes brasileiros já participaram de reuniões com a Comissão Europeia para discutir alternativas.”

    Por que a União Europeia impôs novas exigências?

    A União Europeia informou que o Brasil não comprovou integralmente o cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.

    O bloco europeu proíbe a utilização desses produtos como promotores de crescimento e exige um sistema capaz de comprovar que os animais não receberam substâncias vetadas desde o nascimento até o abate.

    Caso não haja acordo, o Brasil poderá deixar de exportar determinados produtos de origem animal para o mercado europeu a partir de 3 de setembro.

    Governo negocia período de transição

    O Ministério da Agricultura tenta negociar um período de adaptação para que os produtores possam atender às novas exigências sem interromper o fluxo comercial.

    Além disso, o governo avalia ampliar as restrições ao uso desses insumos em todo o território nacional, medida que hoje é aplicada principalmente às propriedades habilitadas para exportação ao mercado europeu.

    Para André de Paula, manter o Brasil entre os fornecedores da União Europeia é fundamental.

    “É inaceitável para o Brasil estar fora da lista.”

    O ministro ressaltou que o país exporta alimentos ao bloco europeu há décadas e também atende mercados considerados igualmente ou até mais rigorosos em relação às normas sanitárias.

    Setor teme impactos nas exportações

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que existe preocupação com o prazo necessário para adequação das propriedades.

    Segundo ele, comprovar todo o histórico sanitário de um bovino exige acompanhar o animal desde o nascimento até o abate, processo que pode levar entre dois e três anos.

    “Hoje há risco, mas temos esperança de que o governo brasileiro consiga negociar uma transição maior para manter o fluxo comercial com a Europa.”

    Diversificação dos mercados segue como estratégia

    Enquanto negocia com a União Europeia, o governo também busca ampliar a presença da proteína animal brasileira em novos mercados.

    Entre as iniciativas está uma missão técnica da Coreia do Sul, prevista para agosto, que poderá abrir novas oportunidades para o setor.

    Segundo André de Paula, essa estratégia reduz a dependência de compradores específicos e fortalece o agronegócio brasileiro diante de mudanças nas regras internacionais.

    Brasil mantém presença global

    O ministro destacou que o Brasil exporta produtos agropecuários para cerca de 180 países e territórios e já conquistou 664 aberturas de mercado.

    De acordo com ele, esse desempenho demonstra a competitividade da produção nacional, a qualidade da carne brasileira e a credibilidade do sistema de defesa sanitária do país.

  • Brasil libera R$ 13,3 bi ao agronegócio após tarifaço americano

    Brasil libera R$ 13,3 bi ao agronegócio após tarifaço americano

    O governo federal autorizou a liberação de quase R$ 13,3 bilhões em crédito para financiar programas de desenvolvimento rural, refinanciamento de dívidas e apoio a produtores de cana-de-açúcar. A medida busca amenizar os efeitos das novas tarifas anunciadas pelos EUA sobre produtos brasileiros.

    O crédito foi oficializado em edição extraordinária do Diário Oficial da União e já está em vigor.

    Pacote prioriza investimentos no setor rural

    A maior parte dos recursos vai para projetos que ampliam a produtividade e a competitividade do agronegócio brasileiro. Segundo o decreto, a distribuição será:

    • R$ 9 bilhões para desenvolvimento tecnológico no setor rural
    • R$ 3 bilhões para reequilíbrio financeiro e refinanciamento de dívidas de produtores e tomadores de crédito
    • R$ 270 milhões em subsídios a produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste
    • R$ 1 bilhão para beneficiários de programas de financiamento estudantil
    • R$ 15 milhões para a contribuição voluntária do Brasil à Corte Interamericana de Direitos Humanos

    Produtores de cana recebem apoio específico

    Além disso, o governo reservou recursos exclusivos para produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste, que também enfrentam perdas causadas por eventos climáticos extremos nos últimos meses.

    A expectativa é reduzir os efeitos econômicos sobre um dos elos mais importantes da cadeia sucroenergética brasileira.

    Tarifaço

    Na última quarta-feira, o governo do presidente Donald Trump anunciou tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros.

    Segundo a Casa Branca, a medida responde a práticas comerciais consideradas desfavoráveis aos interesses americanos. A decisão atinge setores estratégicos da economia brasileira e amplia as preocupações com as exportações do agronegócio.

    O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro pode anunciar até o início de agosto um novo conjunto de ações para os setores mais afetados pelas recentes medidas comerciais. Entre as alternativas em estudo estão novos mecanismos de crédito, apoio financeiro e iniciativas para preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

  • SC tem o 5º maior agronegócio do Brasil e lidera país em agroindustrialização

    SC tem o 5º maior agronegócio do Brasil e lidera país em agroindustrialização

    O agronegócio de Santa Catarina voltou a ganhar destaque nacional após a divulgação do Mapa do Agro Catarinense 2026, estudo lançado pela FACISC nesta quinta-feira (28), em Florianópolis. O levantamento revela que o estado ocupa atualmente a 5ª posição entre os maiores agronegócios do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

    Com uma produção estimada em R$ 144 bilhões, Santa Catarina já representa 6% de todo o agronegócio brasileiro. Além disso, o estado apresentou crescimento acima da média nacional nos últimos anos, reforçando sua relevância econômica no setor.

    Segundo os dados divulgados, o agronegócio responde por 35% da economia catarinense, movimenta aproximadamente 470 mil empresas, gera emprego para 1,6 milhão de pessoas e ainda contribui com cerca de R$ 12 bilhões em arrecadação estadual.

    O presidente da FACISC, Elson Otto, afirmou que o estudo comprova a força produtiva catarinense mesmo diante da concorrência com estados territorialmente maiores.

    Agroindústria fortalece modelo catarinense

    O levantamento aponta que um dos maiores diferenciais de Santa Catarina está justamente na forte presença da agroindústria. Diferentemente de estados como Mato Grosso e Goiás, onde a produção primária concentra a maior parte da atividade econômica, o modelo catarinense aposta na agregação de valor.

    Atualmente, cerca de 40% do agronegócio catarinense está diretamente ligado à indústria, o maior índice entre os principais estados produtores do país.

    O diretor de Agronegócio e Ferrovias da FACISC, Lenoir Broch, ressaltou que essa característica tornou o estado mais competitivo e resiliente.

    “Santa Catarina construiu um modelo baseado em agregação de valor. O estado não apenas produz, mas industrializa, exporta, desenvolve tecnologia e gera empregos em toda a cadeia produtiva. Isso torna o agro catarinense mais diversificado e resiliente”, afirmou.

    Além disso, o estudo mostra que Santa Catarina possui a 6ª maior quantidade de trabalhadores do agronegócio brasileiro, com 1,6 milhão de pessoas ocupadas no setor. Nos últimos dez anos, o número de empregos no agro cresceu 19%, o terceiro maior avanço nacional.

    Quando o índice é proporcionalmente comparado à população, o estado lidera o ranking brasileiro, com 195 trabalhadores do agronegócio para cada mil habitantes.

    Estado lidera produção em diversos segmentos

    O Mapa do Agro Catarinense também revela que Santa Catarina ocupa posição de liderança em pelo menos 12 segmentos produtivos. O estado responde atualmente por:

    • 50% da produção brasileira de maçã;
    • 23% da produção nacional de carne suína;
    • 86% da produção de ostras, vieiras e mexilhões;
    • 44% das conservas de peixe;
    • 64% do alvejamento e tingimento de fios e tecidos.

    Além disso, Santa Catarina ampliou investimentos em áreas consideradas menos tradicionais no agronegócio nacional. O estado se destaca em setores como maracujá, pêssego, ovos de codorna, alevinos, máquinas para alimentos, papel, confecção e indústria têxtil.

    Segundo o estudo, esses segmentos apresentam maior risco produtivo, porém oferecem elevado valor agregado e fortalecem a diversificação econômica catarinense.

    Exportações batem recorde histórico

    No cenário internacional, Santa Catarina alcançou resultados históricos. O estado aparece como o 8º maior exportador do agronegócio brasileiro e figura entre os cinco maiores exportadores quando considerada apenas a agroindústria.

    Em 2025, o agronegócio catarinense registrou um recorde de US$ 8,4 bilhões em exportações. O desempenho ocorreu mesmo diante do chamado tarifaço imposto pelos Estados Unidos e dos embargos chineses sobre proteínas animais.

    Ainda assim, o estado ampliou vendas para mercados da América do Sul e do Oriente Médio. Além disso, recuperou níveis importantes de exportação para continentes como Europa, África e Oceania.

    Santa Catarina também ocupa a segunda posição nacional em importações do setor, com cerca de US$ 7,3 bilhões em compras internacionais. O estado concentra grande parte da entrada de fertilizantes e insumos industriais utilizados não apenas localmente, mas também em outras regiões do país.

    A economista da FACISC, Mariana Guedes, destacou que a diversidade produtiva catarinense fortalece a competitividade internacional.

    “O diferencial de Santa Catarina está na diversidade produtiva e na capacidade de industrialização. Todas as regiões do estado se destacam na produção nacional em vários setores, o que amplia a competitividade internacional e faz o estado se beneficiar de diferentes ciclos econômicos, com a capacidade de atender vários mercados ao mesmo tempo, com altas exigências sanitárias e qualidade ímpar”, explicou.

    Tecnologia impulsiona competitividade no campo

    O estudo também apontou o avanço tecnológico do agronegócio catarinense. Atualmente, Santa Catarina possui 85 startups agtechs e ocupa a 7ª posição nacional nesse segmento.

    Quando o foco recai sobre empresas que desenvolvem softwares voltados ao agro, o estado sobe para a 4ª colocação nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

    Segundo o levantamento, o ecossistema catarinense se destaca por criar soluções tecnológicas voltadas a problemas reais do produtor rural, com potencial de expansão em larga escala.

    As startups estão distribuídas em diferentes regiões do estado, com destaque para Florianópolis, Chapecó, Concórdia, Lages e Joinville.

    Estudo alerta para desafios do setor

    Apesar dos resultados positivos, o Mapa do Agro Catarinense também chama atenção para alguns desafios enfrentados pelo setor. Eventos climáticos extremos, gargalos logísticos e altos custos de produção fizeram Santa Catarina perder posições nacionais em culturas como cebola, alho, tomate, milho, uva e pêssego.

    O estudo destaca ainda a necessidade de ampliar políticas de prevenção climática e facilitar o acesso a insumos biotecnológicos, produzidos com matérias-primas menos dependentes dos grãos tradicionais e menos vulneráveis às oscilações do mercado internacional.

    Mesmo diante desses obstáculos, Santa Catarina registrou recordes de produção, emprego e comércio exterior entre 2024 e 2025, reforçando a capacidade de adaptação do setor.

  • Carne suína atinge maior competitividade da história frente à bovina

    Carne suína atinge maior competitividade da história frente à bovina

    A carne suína ganhou ainda mais competitividade em relação às principais concorrentes neste mês, especialmente frente à carne bovina. Segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a diferença de preços entre as proteínas atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 2004.

    Na parcial de maio, até o dia 26, o preço da carcaça especial suína no atacado da Grande São Paulo registrou queda de 3,7% em comparação à média de abril, chegando a R$ 8,68 por quilo.

    De acordo com pesquisadores do Cepea, este é o menor valor real da carne suína desde outubro de 2018, quando o quilo custava R$ 8,54, considerando os valores corrigidos pelo IPCA de abril de 2026.

    Demanda interna enfraquecida pressiona preços

    Segundo o Cepea, a retração nos preços está ligada principalmente ao enfraquecimento da demanda interna, cenário que vem se mantendo ao longo de praticamente todo o ano.

    Com isso, a diferença entre os preços da carcaça bovina e da suína chegou a R$ 16,56 por quilo, alta de 2,1% em relação a abril. Este é o maior diferencial já registrado pela série histórica do Cepea em termos reais.

    Na prática, quanto maior essa distância, mais competitiva a carne suína se torna frente à bovina para o consumidor.

    Carne suína também ganha espaço frente ao frango

    A proteína suína também avançou em competitividade na comparação com a carne de frango.

    Segundo o levantamento, a diferença de preços entre a carne suína e a de frango caiu 23,4% entre abril e a parcial de maio, ficando em R$ 1,39 por quilo.

    Esse foi o menor resultado desde abril de 2022, quando o diferencial era de R$ 1,15 por quilo.

    Os pesquisadores destacam que, quanto menor a diferença de preços entre as proteínas, maior tende a ser a competitividade da carne suína no mercado.

  • Adeus picanha? Corte bovino mais barato conquista espaço entre brasileiros

    Adeus picanha? Corte bovino mais barato conquista espaço entre brasileiros

    O shoulder, corte bovino retirado da região da paleta, vem conquistando cada vez mais espaço no mercado de carnes nobres. Versátil, macio e com preço mais acessível, o corte passou a chamar atenção dos consumidores e já disputa preferência com a tradicional picanha nos churrascos brasileiros.

    Segundo Rossano Mendonça da Silva, proprietário da The Bife Boutique de Carnes Nobres, no Rio de Janeiro, o crescimento da procura está diretamente ligado ao custo-benefício e à qualidade da carne, dois fatores cada vez mais valorizados pelos clientes.

    Em entrevista ao Globo Rural, o empresário explicou que a diferença de preço pesa na decisão de compra. Atualmente, o quilo da picanha angus chega a custar R$ 179 no estabelecimento, enquanto o shoulder angus sai por cerca de R$ 104.

    “Nos últimos cinco anos, o shoulder se tornou uma das carnes mais procuradas justamente por ser um corte em alta. O consumidor consegue levar uma peça nobre pagando menos e ainda comprar maior quantidade. Além disso, o sabor chama muita atenção”, afirmou.

    Conhecido também como “raquete”, o shoulder pode ser encontrado tanto na versão sem capa de gordura, chamada de “red”, quanto com gordura preservada. A escolha costuma variar de acordo com a preferência de cada consumidor.

    Para Silva, o corte já ocupa parte do espaço antes dominado quase exclusivamente pela picanha. “São muitas qualidades reunidas em uma peça só. Por isso, ele vem ganhando destaque no churrasco”, destacou.

    Shoulder deixou de ser visto como “carne de segunda”

    O crescimento da popularidade do shoulder é relativamente recente e ganhou força após churrascarias e restaurantes começarem a incluir o corte nos cardápios.

    Durante muitos anos, o consumidor considerou essa carne um corte “de segunda”, assim como outras peças da parte dianteira do boi. Na época, as pessoas costumavam usar o corte principalmente em preparos de panela. Hoje, no entanto, o cenário mudou completamente, e o shoulder também ganhou espaço e valorização no churrasco.

    Rossano Mendonça defende que a antiga classificação entre carnes de primeira e de segunda perdeu sentido no mercado atual.

    “Se o animal é de qualidade, não faz sentido dizer que existe carne de segunda. O que muda são as características de cada corte. Alguns funcionam melhor para churrasco, outros para cozimento. E o shoulder mostrou que chegou para ficar”, explicou.

    O que influencia na maciez da carne?

    A maciez do shoulder depende de fatores como genética do animal e manejo adotado nas propriedades rurais.

    Segundo especialistas do setor, cortes de raças taurinas costumam apresentar gordura de maior qualidade e textura mais macia. Entre elas, o wagyu, de origem japonesa, aparece como um dos destaques devido ao alto nível de marmoreio.

    Já os animais zebuínos possuem características diferentes e, naturalmente, tendem a apresentar fibras menos macias quando comparados às raças taurinas.

  • Além do vinho, salmão também lidera exportações em 2026

    Além do vinho, salmão também lidera exportações em 2026

    As exportações do Chile para o Brasil movimentaram US$ 897 milhões entre janeiro e abril de 2026, segundo dados do ProChile, órgão ligado ao Ministério das Relações Exteriores chileno. O valor representa 4,72% de todos os embarques do país no período e mantém o Brasil como o quinto principal destino das exportações chilenas no mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos, Japão e Índia.

    Entre os produtos mais exportados ao mercado brasileiro, o salmão e a truta seguem na liderança. Juntos, eles somaram US$ 359 milhões nos quatro primeiros meses do ano, o equivalente a 40% de tudo o que o Chile vendeu ao Brasil no período. Além disso, o setor registrou crescimento de 3,6% na comparação com o mesmo intervalo de 2025.

    O vinho aparece na segunda posição entre os destaques da pauta exportadora chilena. As vendas da bebida alcançaram US$ 64 milhões entre janeiro e abril, avanço de 17,6% em relação ao ano anterior.

    Dentro da categoria, os vinhos tintos engarrafados lideraram os embarques, com US$ 31 milhões e alta de 28,3%. Na sequência aparecem os vinhos brancos engarrafados, como Riesling, Pinot Blanc e blends, que somaram US$ 8 milhões, crescimento de 38,7%. Já os vinhos tintos Cabernet Sauvignon engarrafados movimentaram US$ 6 milhões, com avanço de 7,6%.

    Segundo Hugo Corales, diretor do ProChile no Brasil, a relação comercial entre os dois países segue fortalecida. Atualmente, as exportações chilenas ao mercado brasileiro giram em torno de US$ 4,6 bilhões por ano, enquanto as vendas brasileiras ao Chile variam entre US$ 7 bilhões e US$ 9 bilhões.

    “Essa forte relação faz do Brasil o principal mercado do Chile na América Latina. Quase 100% do salmão, mais de 44% do vinho importado e a liderança mundial em cerejas e frutas secas vêm de um único vizinho, a menos de quatro horas de voo”, destacou Corales.

    Brasil registra recorde no consumo de vinho

    Enquanto o consumo mundial de vinho caiu 2,7%, o Brasil seguiu na contramão e bateu recorde em 2025. De acordo com dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o consumo interno cresceu 41,9%, alcançando 4,4 milhões de hectolitros, a maior marca já registrada no país.

    O aquecimento do mercado também impulsionou a produção nacional. A área de vinhedos brasileiros cresceu pelo quinto ano consecutivo e atingiu 91 mil hectares.

    Além disso, o setor vitivinícola encerrou 2025 com faturamento estimado em R$ 21,1 bilhões, resultado 10% superior ao registrado no ano anterior.