Tag: diesel

  • Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    O preço da gasolina e do diesel continua pesando no bolso dos brasileiros. No entanto, muita gente ainda acredita que o valor cobrado nos postos depende apenas da Petrobras ou dos donos de postos. Na prática, diversos fatores nacionais e internacionais influenciam diretamente o preço final dos combustíveis no Brasil.

    Atualmente, os custos de produção e importação representam cerca de 61% do valor final pago pelo consumidor. Já os tributos correspondem a 16%, enquanto os biocombustíveis somam 10%. Além disso, os custos de distribuição e revenda representam outros 13%, sendo aproximadamente 5% referentes à margem das distribuidoras.

    Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), o preço nas bombas resulta de uma cadeia complexa. Ou seja, nenhum setor sozinho é responsável pelas altas ou quedas observadas no mercado.

    O que influencia o preço da gasolina e do diesel?

    Diversos fatores ajudam a definir o valor final dos combustíveis no país. Entre os principais, estão:

    • Cotação internacional do barril de petróleo;
    • Variação do dólar;
    • Contexto geopolítico internacional;
    • Carga tributária federal e estadual;
    • Custos logísticos;
    • Mistura obrigatória de biocombustíveis.

    Além disso, o Brasil ainda depende da importação de parte do diesel consumido internamente. Atualmente, cerca de 30% do diesel utilizado no país é importado. Dessa forma, importadoras e distribuidoras assumem riscos relacionados ao câmbio, ao transporte e às oscilações do mercado internacional para garantir o abastecimento nacional.

    O setor de distribuição também exerce um papel importante no funcionamento da economia. Segundo dados do Sindicom, aproximadamente 200 mil veículos são abastecidos por hora em todos os municípios brasileiros.

    Preço dos combustíveis sofre influência de fatores como petróleo, dólar, impostos e cenário internacional — Foto: Reprodução/Unsplash

    Como o preço do combustível é formado?

    O valor pago pelo consumidor é composto por quatro etapas principais: refinaria, biocombustíveis, impostos e distribuição.

    Preço na refinaria

    A Petrobras vende o combustível às distribuidoras ainda na refinaria. Esse valor sofre influência direta de fatores internacionais, principalmente:

    • preço do barril de petróleo no mercado global;
    • cotação do dólar.

    Além disso, a estatal costuma seguir a chamada política de paridade internacional (PPI). Na prática, isso significa que os preços internos acompanham as oscilações do mercado externo.

    Mistura com biocombustíveis

    Antes de chegar aos postos, a gasolina e o diesel recebem a adição de biocombustíveis.

    A gasolina, por exemplo, é misturada ao etanol anidro. Já o diesel recebe biodiesel na composição. Os preços desses produtos variam conforme fatores agrícolas, demanda interna, subsídios e condições de safra.

    Tributos aumentam o valor nas bombas

    Os impostos representam uma parcela relevante do preço dos combustíveis no Brasil. Entre os principais tributos cobrados estão:

    • ICMS: imposto estadual sobre circulação de mercadorias e serviços;
    • CIDE: contribuição federal voltada para infraestrutura de transporte e projetos ligados ao petróleo e gás;

    PIS/Pasep e Cofins: tributos destinados ao financiamento de benefícios e programas sociais.

    Assim, qualquer alteração tributária pode gerar impacto imediato nos preços praticados nos postos.

    Gráfico da formação do preço da gasolina — Elaboração: Petrobrás/Dados: ANP e USP

    Distribuição e revenda também entram na conta

    Os postos compram o combustível já misturado das distribuidoras e definem o valor final ao consumidor. Nesse cálculo, entram despesas com transporte, operação, funcionários, logística e margem de lucro.

    Portanto, o preço exibido na bomba não reflete apenas o valor produzido pela refinaria.

    Estreito de Ormuz pode afetar os combustíveis no Brasil

    Mesmo distante do Oriente Médio, o Brasil também sente os reflexos das tensões internacionais. Um dos pontos mais estratégicos para o mercado mundial de petróleo é o Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã.

    Atualmente, cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região.

    Em 2025, por exemplo, os conflitos envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos elevaram o alerta global. O Parlamento iraniano chegou a sugerir o fechamento do estreito como resposta às tensões internacionais.

    Somente a possibilidade de interrupção no fluxo de petróleo já provocou preocupação no mercado internacional.

    Entre os possíveis impactos estão:

    • elevação do barril do petróleo Brent para até US$ 130;
    • aumento dos custos de transporte marítimo e seguros;
    • alta do risco geopolítico e maior pressão inflacionária.

    Mesmo sendo um importante produtor de petróleo, o Brasil ainda importa combustíveis refinados e segue referências internacionais de preços. Por isso, qualquer instabilidade externa pode provocar aumento no valor da gasolina, do diesel, do frete, dos alimentos e até das passagens de transporte público.

  • Agro sob ataque: Selic alta e custos não dão trégua no campo

    Agro sob ataque: Selic alta e custos não dão trégua no campo

    A desaceleração no ritmo de queda da taxa básica de juros no Brasil, combinada à pressão internacional sobre insumos e ao ambiente fiscal doméstico mais sensível, já impacta o planejamento do agronegócio para 2026. A avaliação é de Wolney Arruda, administrador de empresas e presidente da Plantae Agrocrédito, com atuação no mercado de crédito rural há mais de duas décadas.

    Em entrevista ao Agro em Campo ele aponta para um cenário de crédito mais caro, custos elevados e maior incerteza para o produtor rural.

    Segundo o especialista, a combinação entre tensões geopolíticas, sobretudo envolvendo o Irã, e a limitação fiscal do governo brasileiro tende a manter o custo do dinheiro elevado por mais tempo. Isso afeta diretamente o acesso ao crédito rural e amplia os desafios para a próxima safra.

    Juros, cenário macro e crédito

    A redução menor da Selic muda o cenário para o agro em 2026?

    Muda bastante. O mercado esperava cortes mais agressivos, o que ajudaria a aliviar o custo do crédito. Com um ritmo mais lento, o produtor precisa se preparar para juros elevados por mais tempo.

    O que pesa mais hoje: risco fiscal ou cenário externo?

    Os dois fatores são relevantes, mas o fiscal tem um peso estrutural. Ele influencia diretamente a percepção de risco do país e limita a atuação do Banco Central.

    Existe risco de interrupção no ciclo de queda dos juros?

    Existe, principalmente se houver nova pressão inflacionária vinda de energia ou insumos agrícolas.

    Como esse cenário impacta o custo do dinheiro no campo?

    Ele encarece todas as linhas, tanto subsidiadas quanto livres, e reduz o acesso ao crédito em condições favoráveis.

    Geopolítica e custo dos insumos

    Como o conflito envolvendo o Irã impacta os fertilizantes?

    O Irã é um player relevante na produção de nitrogenados. Qualquer restrição de oferta pressiona os preços globais.

    O Brasil está muito dependente de insumos externos?

    Sim, especialmente em fertilizantes. Isso torna o país vulnerável a choques internacionais.

    Há alternativa no curto prazo?

    No curto prazo, não. A dependência é estrutural e exige tempo e investimento para ser reduzida.

    O risco no Estreito de Ormuz já afeta o diesel?

    Ainda de forma indireta, mas o mercado já precifica essa possibilidade, o que sustenta a volatilidade.

    Wolney Arruda, presidente da Plantae Agrocrédito

    Custos, produção e margens

    Qual é hoje o principal fator de pressão de custos?

    É um conjunto: fertilizantes, diesel e crédito. Todos estão pressionados ao mesmo tempo.

    Esse cenário pode mudar decisões do produtor?

    Sem dúvida. Pode levar à redução de área ou à escolha de culturas menos intensivas em insumos.

    Quais culturas são mais sensíveis?

    Milho e trigo, por exemplo, dependem mais de fertilizantes nitrogenados.

    O produtor está preparado para margens menores?

    Os mais capitalizados sim, mas uma parcela relevante ainda opera com pouca margem de segurança.

    Crédito rural e financiamento

    Como a Selic mais alta afeta o Plano Safra?

    Aumenta o custo de equalização para o governo, o que pode limitar a oferta de crédito subsidiado.

    A migração para crédito livre deve crescer?

    Sim, é uma tendência, principalmente entre produtores de maior porte.

    Quais os riscos dessa migração?

    Maior exposição à volatilidade dos juros e menor previsibilidade no custo financeiro.

    Pequenos e médios produtores serão mais impactados?

    Devem ser os mais afetados, porque têm menos acesso a alternativas de financiamento.

    Estratégia e perspectivas

    Como o produtor deve se posicionar agora?

    Com mais cautela, planejamento financeiro rigoroso e atenção ao custo de produção.

    Ferramentas de proteção ganham mais importância?

    Sim, hedge e gestão de risco passam a ser essenciais nesse ambiente.

    O agro brasileiro perde competitividade?

    Não necessariamente, mas enfrenta um ambiente mais desafiador.

    Esse cenário é conjuntural ou estrutural?

    Tem elementos dos dois. A geopolítica pode se ajustar, mas a questão fiscal tende a ser mais persistente.

    O que esperar para 2026 no campo?

    Um ano de decisões mais complexas, margens apertadas e maior necessidade de gestão profissional.

  • Alívio no bolso? Entenda o preço no diesel no Brasil

    Alívio no bolso? Entenda o preço no diesel no Brasil

    A Agência Nacional do Petróleo registrou a primeira queda no preço médio do diesel comum. A redução ocorreu após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro.

    Segundo levantamento semanal da ANP, o diesel caiu entre domingo (5) e sábado (11). Os postos venderam o litro a R$ 7,43, com recuo de R$ 0,02. Na semana anterior, o combustível custava R$ 7,45 por litro.

    No mesmo período, a gasolina comum também apresentou leve queda. O litro foi vendido a R$ 6,77, ante R$ 6,78 na semana anterior.

    O etanol seguiu a mesma tendência de redução nos preços. O litro caiu R$ 0,01 e passou de R$ 4,70 para R$ 4,69.

    Medidas do governo

    Na segunda-feira (6), o governo federal anunciou medidas para conter os preços. O pacote busca reduzir os impactos da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis.

    Entre as ações, o governo criou subvenção de R$ 1,20 por litro para importação de diesel. A União e os estados dividirão os custos de forma igual. Além disso, o governo anunciou subvenção extra de R$ 0,80 por litro. A medida beneficia o diesel produzido no Brasil.

  • Artigo: o diesel e a opção por ferrovias

    Artigo: o diesel e a opção por ferrovias

    O Brasil ainda apresenta uma forte dependência para com o transporte rodoviário. Nessa modalidade de transporte, o principal veículo é o caminhão, movido majoritariamente a diesel.

    Essa dependência torna o sistema econômico brasileiro mais vulnerável a oscilações no preço do combustível. Discute-se a diversificação da matriz energética, com o uso de outros combustíveis e tecnologias mas, no transporte de cargas, esse movimento ainda avança lentamente, sobretudo no curto prazo.

    A dependência do Brasil de importações de diesel tem variado ao longo do tempo, mas existe um padrão relativamente claro nos últimos anos: de forma geral, entre 20% e 30% do diesel consumido no país é importado.

    E por que o Brasil importa diesel? Mesmo sendo um importante produtor de petróleo (via Petrobras), o país ainda precisa importar por alguns motivos estruturais. Incluindo o fato de as refinarias brasileiras não produzirem diesel suficiente para atender a toda a demanda do mercado interno. O petróleo brasileiro (pré-sal) nem sempre é ideal para maximizar a produção de diesel sem ajustes/refino mais complexo (o que poderia significar custos mais expressivos, se comparados com as despesas de se importar de países como os Estados Unidos e a própria Rússia).

    Investimentos

    Para o médio e longo prazos, tem-se reforçado a necessidade de investimentos em outras modalidades de transporte, como ferrovias, hidrovias e cabotagem. São investimentos estruturais, de maior prazo, mas que podem contribuir para uma logística mais eficiente e menos dependente do diesel.

    Particularmente com relação às ferrovias brasileiras, a maioria delas também se utiliza do diesel, tendo em vista o baixo nível de eletrificação (menos de 2% da malha). Mesmo sendo diesel, muitas locomotivas são diesel-elétricas: o motor a combustão gera eletricidade que alimenta motores elétricos nas rodas.

    De qualquer forma, seria de se esperar uma maior economia com o consumo de diesel a partir do crescimento do uso de ferrovias? A partir da contabilização da chamada eficiência energética (tonelada-km por litro), além da economia a partir do uso da ferrovia, tem-se a confirmação daquela velha premissa que “um comboio ferroviário pode vir a substituir dezenas de caminhões”. A malha ferroviária brasileira é ainda incipiente em termos de capilaridade. Mas mesmo se houvesse algo em torno de 5% a 10% de incremento no uso dessa modalidade, já poderiam ser observados impactos relevantes no consumo nacional de diesel.

    A ferrovia não só seria uma opção mais eficiente, mas também estrategicamente importante para se reduzir importação de diesel.

    Diversificação

    Para o mundo em geral, há previsões de expansão contínua da eletrificação e até uso de hidrogênio e baterias. Para o Brasil, têm sido analisados cenários futuros com predomínio do diesel, mas com discussões sobre eletrificação em corredores estratégicos (especialmente para exportação).

    Implicações logísticas  bem significativas  dão conta de que a dependência de importação continuará a impactar o custo do frete (rodoviário e ferroviário diesel). E a afetar as taxas de inflação (combustível influencia alimentos e transporte), o que certamente atestaria a vulnerabilidade do País a choques internacionais.

    José Vicente Caixeta Filho ([email protected]) é ex-diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e consultor na empresa cAIxeta Inteligência Logística
  • Banco do Brasil pode liberar ajuda a produtores rurais em crise

    Banco do Brasil pode liberar ajuda a produtores rurais em crise

    A guerra no Irã já começa a gerar reflexos diretos no campo brasileiro. Diante da alta nos custos de insumos essenciais, o Banco do Brasil avalia medidas para apoiar produtores rurais que enfrentam queda nas margens de lucro.

    Desde o início do conflito, produtos como fertilizantes e diesel ficaram mais caros. Como resultado, o custo de produção aumentou e pressionou o caixa de quem depende da atividade rural.

    Custos mais altos e menos lucro no campo

    Com a disparada dos preços, muitos produtores passaram a operar com margens mais apertadas. Além disso, a instabilidade no cenário internacional aumentou a incerteza sobre os próximos meses.
    Diante desse cenário, cresce a preocupação com a sustentabilidade financeira das propriedades, especialmente entre médios e grandes produtores.

    Banco avalia medidas, apesar de negar oficialmente

    Embora o Banco do Brasil negue oficialmente a adoção de novas medidas, o mercado já discute possíveis ações. Entre elas, aparece a extensão dos prazos de empréstimos, o que permitiria ao produtor adiar parte dos pagamentos.

    Caso isso aconteça, muitos produtores ganhariam fôlego no curto prazo. No entanto, essa estratégia também levanta preocupações dentro do próprio sistema financeiro.

    Inadimplência acende alerta

    Nos últimos meses, os números já começaram a preocupar. A inadimplência acima de 90 dias subiu de 3,2% para 5,2% entre 2024 e 2025.

    Esse avanço ocorreu, principalmente, por causa do agronegócio e do crédito relacionado ao consumo. Por isso, qualquer nova flexibilização precisa considerar o risco de aumento ainda maior nos atrasos.

    Pressão sobre o Banco do Brasil

    Ao mesmo tempo em que avalia ajudar o setor, o Banco do Brasil também enfrenta seus próprios desafios. A ampliação de crédito ou o alongamento de dívidas pode pressionar o balanço da instituição.

    Por esse motivo, o banco estuda alternativas para reforçar seu capital. Entre as possibilidades, surgem discussões sobre venda de ativos e outras estratégias financeiras.

    Quando o agro sente, a economia responde

    O movimento não acontece por acaso. O Banco do Brasil ocupa hoje a posição de maior financiador do agronegócio no país, o que o coloca no centro desse cenário.

    Além disso, o peso do setor na economia explica a preocupação. A agropecuária representa cerca de 6% do PIB brasileiro e, recentemente, respondeu por uma parcela significativa do crescimento econômico.

    Dessa forma, quando o agro enfrenta dificuldades, os impactos tendem a se espalhar por toda a economia.

  • Guerra no Irã pode encarecer alimentos no Brasil

    Guerra no Irã pode encarecer alimentos no Brasil

    A guerra envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel completa um mês neste sábado (28). Apesar de distante 12 mil quilômetros, o conflito já provoca efeitos concretos na economia brasileira.

    O primeiro impacto foi a alta de 20% no preço do diesel. Com isso, os custos de frete aumentaram. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegou, inclusive, a cancelar contratos para o escoamento de 23,7 mil toneladas de milho fechados entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.

    Além disso, especialistas alertam que os efeitos podem chegar à mesa do consumidor. Combustíveis mais caros encarecem o transporte e a distribuição. Por sua vez, a alta nos fertilizantes pressiona o produtor rural. O resultado é um efeito cascata que atinge grãos, pão, carnes e hortaliças.

    O alerta dos especialistas

    Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, avalia que o consumidor não deve sentir o impacto de imediato. No entanto, a tendência é de elevação nos preços, especialmente se o conflito se prolongar.

    Para ele, o maior risco não é a alta dos combustíveis em si, mas o desabastecimento. “Qual foi a última vez que vimos o Estreito de Ormuz fechado? Nunca. É um evento sem registro na história econômica mundial”, afirma, em entrevista à Globo Rural.

    O especialista reforça que o cenário afeta diretamente a logística nacional, que depende do transporte rodoviário. Segundo ele, importadores já sinalizaram que, com a defasagem atual de preços, não compensa trazer diesel para o Brasil.

    Quanto aos insumos agrícolas, Serigati pondera que o repasse ao consumidor não é automático. “O fato de o fertilizante estar mais caro não significa que o alimento também ficará. O repasse depende, principalmente, da produtividade”, explica, citando a Guerra da Ucrânia como exemplo de quando o setor absorveu custos sem repassá-los.

    Quais alimentos podem ficar mais caros?

    As commodities são as mais vulneráveis, pois têm preços definidos no mercado internacional. A consultoria Datagro identificou os produtos agropecuários brasileiros com maior risco diante do conflito:

    • Milho: risco de atrasos nos embarques pelo aumento dos custos logísticos
    • Açúcar: forte presença de exportações para o Oriente Médio
    • Carne de frango: dificuldades de entrega aos países do Golfo Pérsico, além de alta em fretes e seguros
    • Suco de laranja: o Brasil, líder global nas exportações, pode sentir o encarecimento logístico e a instabilidade na demanda

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também expressa preocupação com carne suína e ovos. Segundo a entidade, o conflito já elevou em até 30% o custo das embalagens plásticas feitas com matéria-prima importada da região. Diante disso, a ABPA não descarta repasses ao consumidor em breve.

  • Guerra no Irã ameaça a safra brasileira: diesel dispara 22% e produtores entram em estado de alerta

    Guerra no Irã ameaça a safra brasileira: diesel dispara 22% e produtores entram em estado de alerta

    Um mês após o início do conflito no Irã, os efeitos da guerra chegaram com força ao campo brasileiro. O diesel, combustível essencial para colheitadeiras, tratores e caminhões, saltou 22,53% em apenas quatro semanas, passando de R$ 6,08 para R$ 7,45 o litro. O valor é o maior desde julho de 2022. E o momento não poderia ser pior: o Brasil colhe soja e arroz em ritmo acelerado.

    O receio de novos reajustes e de possível desabastecimento já mudou a rotina de produtores rurais em todo o país. No interior de São Paulo, Azael Pizzolato, produtor rural e diretor da Aprosoja-SP, agiu rápido: triplicou sua reserva de diesel, de 10 mil para 30 mil litros.

    O motivo preocupa. Suas quatro propriedades somam cerca de 7 mil hectares entre cana-de-açúcar, amendoim, soja e milho, e consomem entre 5 mil e 6 mil litros de diesel por dia. Com o estoque atual, Pizzolato garante apenas cinco dias de operação em caso de desabastecimento.

    “Estamos em uma fase bem crítica aqui, porque estamos colhendo soja e amendoim, plantando cana, e são essas etapas que mais exigem volume de diesel. E no dia 2 de abril começa a safra de cana. Na colheita de cana, mais de 30% do custo é diesel”, alerta o produtor.

    Colheita atrasada, transporte travado: o efeito dominó no agro

    O problema vai além do custo. A escassez ameaça diretamente o ritmo da safra brasileira. Os dados da Conab de 23 de março mostram que o Brasil colheu apenas 67% da soja e 34,9% do arroz, índices abaixo do mesmo período do ano passado.

    Produtores de milho em sete estados já relatam dificuldade para adquirir diesel. Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e interior de São Paulo enfrentam o problema, segundo Daniel Rosa, diretor-técnico da Abramilho.

    “A soja está com cerca de 70% colhida, e o milho, em torno de 90% plantado na segunda safra. Esse produtor está pagando um frete mais alto do que previa no início da safra. No caso do maquinário para a segunda safra de milho, também há aumento de custo”, explica Rosa.

    O impacto ultrapassa a porteira. “Sem diesel, a colheita atrasa, o transporte trava, os custos aumentam. É um prejuízo imediato que não fica só no campo, a gente começa a ver o reflexo na cidade”, alerta Adriane Perin de Oliveira, presidente da Famurs.

    Do campo à cidade: o diesel que encarece tudo

    A alta do diesel já pressiona as transportadoras, e o bolso do consumidor sente o impacto. A Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística registra alta média de 10% no frete em todo o país. Em algumas regiões, o aumento chega a 50%.

    Em Guarulhos, na Grande São Paulo, a West Cargo já reajustou o frete em 12%. Como resultado, as reclamações dos clientes aumentaram. “Tivemos algumas reclamações de clientes dizendo que o preço está muito alto. Mas o mercado está volátil e tudo vem subindo”, afirma Luigi Rosolen, diretor da empresa.

    Isso acontece, sobretudo, porque o diesel responde por até metade dos custos operacionais do transporte de cargas. Dessa forma, cada centavo a mais no litro pressiona diretamente os preços de alimentos, insumos e produtos em geral. Em outras palavras, o que começa no campo termina no carrinho do supermercado.

    Um conflito distante, consequências muito próximas

    A guerra no Irã pode parecer distante da realidade do produtor rural brasileiro. Na prática, porém, seus efeitos já alcançam as lavouras de soja do Mato Grosso, os arrozais do Rio Grande do Sul e os canaviais do interior de São Paulo.

    O cenário exige ação imediata. Quando o diesel falta ou encarece, toda a cadeia sofre: da colheita ao transporte, do armazém ao supermercado. O agronegócio brasileiro, responsável por parcela expressiva do PIB nacional, não pode aguardar que a geopolítica se resolva para reagir.

  • Conflitos elevam custos e preocupam citricultores

    Conflitos elevam custos e preocupam citricultores

    Os citricultores brasileiros monitoram a alta dos custos de produção em março, pressionados por insumos ligados ao petróleo. O aumento atinge derivados como adubos nitrogenados e óleo diesel, impulsionado pelos conflitos entre Estados Unidos e Irã. Além disso, a tensão geopolítica reduz a oferta de petróleo, limita o transporte global e encarece o frete marítimo.

    Segundo pesquisadores do Cepea, fertilizantes à base de fósforo também registram valorização no período. Esses insumos são amplamente utilizados nas adubações de base e impactam diretamente o custo das lavouras. Por outro lado, os preços de produtos à base de potássio seguem estáveis até o momento.

    No caso do diesel, dados da ANP apontam alta de 15,4% até meados de março. Atualmente, produtores realizam a pulverização, o que amplia o impacto da elevação do combustível. Com isso, o custo da safra pode subir cerca de 5,8% apenas com essa operação. Além desse efeito, outros gastos operacionais e o frete também tendem a aumentar.

    Diante desse cenário, produtores demonstram preocupação com a rentabilidade da próxima safra de laranja. As margens devem ficar mais apertadas, o que exige maior cautela no planejamento agrícola.

    Fertilizantes

    Em relação aos fertilizantes, o Cepea indica um momento de atenção, mesmo fora do período de compra. Ainda assim, recentes reajustes elevam o alerta entre produtores, principalmente nos adubos nitrogenados. As listas de preços já mostram aumentos relevantes, com destaque para a ureia.

    Por fim, os desdobramentos geopolíticos das próximas semanas mantêm os agricultores em alerta. Segundo o Cepea, esse cenário pode limitar investimentos e afetar o desenvolvimento das lavouras.

  • Diesel mais caro preocupa cafeicultor na colheita

    Diesel mais caro preocupa cafeicultor na colheita

    O conflito no Oriente Médio pressiona os mercados de petróleo e derivados. Com isso, ele impacta custos no Brasil. Os pesquisadores do Cepea alertam para alta nos custos da cafeicultura. Os fertilizantes ainda lideram aumentos nos tratos culturais. No entanto, o diesel preocupa mais neste momento.

    O setor teme a valorização do combustível, principalmente com a proximidade da colheita da safra 2026/27. Além disso, o uso de máquinas cresce nas lavouras brasileiras. Assim, a dependência de diesel aumenta nas operações.

    Colheita mecanizada x diesel

    A colheita mecanizada envolve tratores e equipamentos. Por isso, o custo reage rapidamente à alta do combustível. Os dados da ANP mostram forte avanço nos preços em março.

    Em Minas Gerais, o diesel subiu 23%. Em São Paulo, a alta chegou a 20%. Já no Espírito Santo, o preço avançou 12% no mesmo período.

    Diante desse cenário, o Cepea projeta aumento nos custos da colheita. O impacto pode chegar a 15% nesta safra. Esse avanço resulta, principalmente, do encarecimento do diesel nas operações mecânicas. Por outro lado, esse aumento não se reflete integralmente no preço final da saca. Ele afeta, sobretudo, o custo específico da etapa de colheita.

     

  • Governo zera tributos do diesel e busca conter alta

    Governo zera tributos do diesel e busca conter alta

    O governo federal anunciou medidas para reduzir o preço do diesel e conter impactos da alta do petróleo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que zera PIS e Cofins sobre importação e venda do diesel. Além disso, o governo publicou medida provisória que concede subvenção ao diesel para produtores e importadores.

    Lula afirmou que as ações buscam evitar que a alta do combustível afete caminhoneiros e consumidores. Segundo o presidente, o objetivo é impedir que o aumento do diesel encareça alimentos consumidos pela população. As medidas têm caráter temporário e valem até 31 de dezembro deste ano. O governo justificou a decisão pela alta do petróleo, provocada pelo conflito no Irã. Esse cenário internacional pressiona os preços globais e leva países a liberar estoques de emergência.

    O Ministério da Fazenda estima que o corte de tributos reduza o diesel em R$ 0,32 por litro na refinaria. Já a subvenção ao diesel deve gerar impacto adicional de R$ 0,32 por litro. Assim, o governo calcula que o preço total do diesel possa cair R$ 0,64 por litro.

    Comprovação de repasse do desconto

    A subvenção aos produtores e importadores exigirá comprovação de repasse do desconto ao consumidor final. Para compensar a perda de arrecadação, o governo criou imposto sobre exportação de petróleo. A nova taxa estabelece alíquota de 12% sobre o barril exportado. Segundo o governo, a medida também incentiva o refino de petróleo no Brasil. Além disso, um segundo decreto cria regras permanentes de fiscalização e transparência no mercado de combustíveis.

    As novas normas buscam combater aumentos abusivos e práticas de especulação. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou que a Agência Nacional do Petróleo definirá critérios objetivos. Esses parâmetros vão orientar a fiscalização sobre armazenamento injustificado e aumento abusivo de preços. De acordo com Haddad, o governo criou novas tipificações para identificar abusos de distribuidores.

    Impacto econômico

    O governo estima perder R$ 20 bilhões com o corte de PIS e Cofins sobre o diesel. Já a subvenção ao combustível deve gerar impacto de R$ 10 bilhões no orçamento da União. Por outro lado, o imposto sobre exportação de petróleo pode arrecadar cerca de R$ 30 bilhões. A previsão do governo considera receitas até o final deste ano.

    Haddad afirmou que as medidas não alteram a política de preços da Petrobras. Segundo o ministro, a estratégia mantém previsibilidade e retorno aos acionistas minoritários da estatal. Ele destacou que a principal preocupação do governo é o preço do diesel. O ministro explicou que o diesel pressiona mais as cadeias produtivas do que a gasolina. Além disso, a colheita da safra brasileira depende diretamente do consumo de diesel.

    Fiscalização e transparência

    O governo também definiu referências para ampliar a atuação da Agência Nacional do Petróleo. Essas regras devem ajudar a combater preços abusivos nos combustíveis. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que faltavam parâmetros técnicos para identificar abusos. Segundo ele, práticas especulativas no mercado de combustíveis se tornaram recorrentes. Costa destacou que reduções de preços nas refinarias demoram a chegar ao consumidor. Em muitos casos, a queda aparece parcialmente ou somente após semanas.

    Alíquota de exportação

    A taxa de 12% sobre exportação de petróleo busca compensar o subsídio ao diesel. Além disso, a medida pretende estimular a oferta de petróleo no mercado interno. Rui Costa afirmou que o preço internacional do petróleo incentiva exportações maiores. Por isso, o governo quer estimular produtores a abastecer refinarias brasileiras.

    BR Distribuidora

    Ministros também criticaram a privatização da BR Distribuidora, antiga estatal de distribuição de combustíveis. Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a venda reduziu a produção nacional de derivados. Ele afirmou que a decisão enfraqueceu a capacidade do Brasil de ampliar o refino de combustíveis.