Tag: diesel

  • Importações de arroz avançam com oferta restrita

    Importações de arroz avançam com oferta restrita

    O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul registra oferta restrita e baixa liquidez. O levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada mostra preocupação crescente entre agentes do setor.
    Além da escassez do cereal, a alta do diesel pressiona os custos de frete e logística. Esse aumento ocorre justamente durante a intensificação da colheita e do transporte da produção.

    Compradores elevam ofertas para garantir produto

    Nos últimos dias, compradores elevaram as ofertas para garantir abastecimento. Alguns agentes reajustaram os preços de aquisição mais de uma vez. Mesmo assim, a disponibilidade de arroz no mercado permaneceu limitada.

    Produtores seguram vendas e priorizam colheita

    Segundo pesquisadores do Cepea, parte dos produtores mantém postura retraída. Ou seja, esses produtores aguardam sinais mais claros do mercado antes de negociar. Ao mesmo tempo, outra parcela concentra esforços nos trabalhos de colheita. Em algumas regiões, produtores relatam produtividade menor nas lavouras.

    Alta do diesel preocupa cadeia do arroz

    Agentes consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada também demonstram preocupação com o diesel mais caro. Os relatos indicam inclusive desabastecimento regional do combustível.
    As tensões geopolíticas globais impulsionam essa alta de preços.

    Colheitas simultâneas ampliam pressão logística

    O cenário preocupa especialmente o setor no Rio Grande do Sul. No estado, a colheita de arroz ocorre ao mesmo tempo que a safra de soja. Essa coincidência aumenta a demanda por transporte e amplia os custos logísticos do agronegócio.

     

  • Guerra no Oriente Médio encarece diesel e coloca em risco a colheita no Brasil

    Guerra no Oriente Médio encarece diesel e coloca em risco a colheita no Brasil

    Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã elevaram os preços internacionais do petróleo e jogaram sobre o agronegócio brasileiro uma ameaça imediata: o encarecimento do diesel em plena colheita de soja e no início do plantio da segunda safra de milho , operações que não admitem atraso.

    O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Isso expõe os produtores rurais diretamente às oscilações do mercado internacional de combustíveis. Representantes de grandes entidades do agronegócio confirmam que os preços internos já sobem no rastro da alta do petróleo, mesmo sem um anúncio formal de reajuste pela Petrobras.

    “No momento, a principal preocupação é o preço do diesel. Vimos o petróleo subir de cerca de US$ 80 para a faixa dos US$ 100 por barril, o que causou apreensão no campo”, afirmou Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O barril do Brent chegou a ultrapassar US$ 119 na segunda-feira antes de recuar. No início da tarde, ainda subia mais de 7%, sendo negociado perto de US$ 100.

    Problema imediato, sem possibilidade de adiamento

    O conflito geopolítico atinge a agricultura brasileira num momento crítico. Produtores transportam soja para os mercados, concluem a colheita das últimas áreas e terminam o plantio do milho safrinha, cultura que responde pela maior parte do cereal produzido no país. Todas essas operações dependem de diesel, assim como a aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas.

    “Os produtores precisam de combustível agora para manter as operações no campo”, disse Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Ele lembra que diesel e lubrificantes costumam representar cerca de 5% dos custos operacionais das fazendas, uma fatia que pode crescer rapidamente com a alta dos preços.

    Lucchi relatou aumentos de aproximadamente R$ 1 por litro nas bombas das regiões Centro-Oeste e Sul, com alguns casos chegando a R$ 1,50. Além disso, distribuidores no Rio Grande do Sul teriam começado a restringir vendas diante da escalada dos custos.

    Fertilizantes e logística também sentem a pressão

    Cerca de 70% dos fertilizantes utilizados no Brasil chegam de fora do país e percorrem rodovias até o interior. Com o diesel mais caro, o custo logístico de distribuição pode subir entre R$ 80 e R$ 150 por tonelada no frete. Valor que tende a repassar para os preços finais dos insumos.

    Por ora, Lucchi avalia que os riscos associados às importações de fertilizantes nitrogenados do Irã, especialmente diante de eventuais bloqueios no Estreito de Ormuz, ainda são administráveis. Os produtores garantiram estoques para a safra atual e podem adiar novas compras. O diesel, no entanto, não espera.

    O cenário se agrava porque os produtores já operam com margens comprimidas. Projeções para a safra 2025/2026 indicam queda expressiva na rentabilidade: a margem bruta da soja deve recuar 36,7%, enquanto no milho a redução pode chegar a 92,2%. Custos elevados, preços internacionais estagnados e produtividade incerta formam um tripé desfavorável.

    Brasil no epicentro do mercado global de grãos

    O país lidera as exportações mundiais de soja e ocupa posição de destaque no fornecimento global de milho. Qualquer interrupção nas operações agrícolas brasileiras reverbera nos mercados internacionais de grãos. O que torna o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o agronegócio nacional uma preocupação que vai além das fronteiras.

    A dependência do transporte rodoviário amplifica o problema. Cerca de 90% do fluxo de grãos no Brasil passa pelas estradas, o que faz do diesel um insumo estratégico para toda a cadeia produtiva. Quando o combustível encarece, o custo do frete até os portos sobe, a rentabilidade das lavouras cai e a competitividade das exportações se reduz.

    Biocombustíveis e bioinsumos como estratégias de mitigação

    O debate sobre biocombustíveis ganha força nesse contexto. A política energética brasileira prevê ampliar a mistura obrigatória de biodiesel para 15% em 2026, o que pode reduzir parte da dependência externa. Contudo, a medida gera efeitos colaterais: a maior demanda por óleo de soja para produção de biodiesel pressiona os preços da commodity no mercado interno. O milho enfrenta dinâmica semelhante, com usinas de etanol competindo pelo grão com a cadeia alimentar.

    Paralelamente, os bioinsumos avançam como alternativa para reduzir custos dentro da porteira. O mercado brasileiro do setor alcançou R$ 4,35 bilhões na safra 2024/2025, crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior. Nos últimos cinco anos, o segmento praticamente quadruplicou, impulsionado pela busca por eficiência e pela necessidade de diminuir a dependência de insumos químicos importados.

    “A agricultura brasileira vive uma transformação silenciosa, porém significativa, com a crescente adoção dos bioinsumos”, afirma Fellipe Parreira, da área de Portfólio e Acesso do Grupo GIROAgro. Segundo ele, produtos biológicos como bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas se consolidam como alternativas sustentáveis aos insumos sintéticos tradicionais.

    A área tratada com bioinsumos saltou de cerca de 22% para 46,7% nas principais culturas do país. Estados como Mato Grosso e Goiás já superam 50% de adoção. Embora não substituam o diesel nas máquinas e no transporte, esses produtos reduzem a pressão de custos ao diminuir o uso de fertilizantes sintéticos e defensivos químicos. Um alívio relevante num momento em que cada real conta.

    Douglas Vaz-Tostes, especialista da GIROAgro, reforça a visão sistêmica: “Nutrir corretamente a lavoura é mais do que aumentar a produtividade. A qualidade do grão impacta a eficiência da ração, o desempenho animal e a previsibilidade de custos. Um manejo bem feito gera retorno ao produtor e estabilidade à cadeia como um todo.”

  • Diesel fecha primeiro semestre com os menores preços do ano

    Diesel fecha primeiro semestre com os menores preços do ano

    Os preços do diesel encerraram o primeiro semestre de 2025 nos patamares mais baixos do ano, segundo levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). Em junho, o diesel comum foi vendido, em média, por R$ 6,14, enquanto o S-10 ficou em R$ 6,18. Ambos apresentaram recuos em relação a maio, de 1,29% e 1,44%, respectivamente.

    Para Renato Mascarenhas, diretor de Operações e Transformação de Negócios da Edenred Mobilidade, o movimento reflete o impacto dos reajustes promovidos pela Petrobras em maio, que demoraram a se propagar por toda a cadeia de abastecimento. “O efeito tardio permitiu que o diesel alcançasse o menor preço de 2025 justamente no fim do semestre, favorecendo os custos do frete e da logística no País”, avaliou.

    Centro-Oeste tem maior redução; Sul lidera com menores preços

    O IPTL também apontou quedas expressivas em todas as regiões. O Centro-Oeste registrou as maiores retrações em junho: o diesel comum caiu 1,92%, chegando a R$ 6,14, e o S-10 recuou 1,58%, fechando a R$ 6,24.

    Renato Mascarenhas, Diretor de Redes, Operações e Transformação de Negócios na Edenred Mobilidade. Foto: Divulgação/ Edenred Ticket Log

    Já o Sul apresentou os preços médios mais baixos do País. O diesel comum foi vendido por R$ 5,94, após redução de 1%, e o S-10 atingiu R$ 5,97, recuo de 1,32%.

    No Norte, porém, o combustível seguiu mais caro. O diesel comum teve média de R$ 6,83, mesmo com queda de 0,87%, enquanto o S-10 ficou em R$ 6,61, após baixa de 1,34%.

    Acre e Paraná lideram extremos entre os estados

    Entre os estados, o Acre apresentou o preço médio mais alto do diesel comum em junho: R$ 7,72, apesar da leve redução de 0,52%. O Paraná teve o combustível mais barato, a R$ 5,85, com queda de 1,85%. Tocantins liderou em percentual de baixa, com retração de 3,04%, comercializando o litro por R$ 6,06. Já o Amapá destoou do movimento de queda ao registrar alta de 2,31%, vendendo o diesel por R$ 7,52.

    Para o diesel S-10, o cenário foi semelhante. O Acre teve o maior preço médio do País, a R$ 7,63, enquanto Pernambuco registrou o menor, a R$ 5,88. O Distrito Federal se destacou pela maior redução, de 2,12%, fechando junho com o S-10 a R$ 6,45. Apenas o Amapá contrariou a tendência de recuo, com leve alta de 0,13%, vendendo o litro por R$ 7,48.

    Metodologia garante precisão dos dados

    O IPTL se baseia nos abastecimentos realizados em 21 mil postos credenciados pela Edenred Ticket Log em todo o Brasil. A análise considera uma média de oito transações por segundo, geradas por mais de 1 milhão de veículos gerenciados pela marca. Esse volume robusto de dados permite acompanhar com precisão o comportamento dos preços dos combustíveis no País.

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  • Rússia supera expectativas com safra de grãos e exportações

    Rússia supera expectativas com safra de grãos e exportações

    A consultoria agrícola russa IKAR revisou para cima sua previsão de exportação de grãos para 2024. A nova estimativa aponta para um aumento de 2,2%, totalizando 56,2 milhões de toneladas métricas. A projeção anterior era menor.

    Além disso, a IKAR também ajustou para cima a estimativa de safra de grãos, que passou de 128 milhões para 129,5 milhões de toneladas métricas. Enquanto isso, a previsão oficial do governo russo para a safra de 2024 permanece em torno de 132 milhões de toneladas.

    Eventos climáticos

    Condições climáticas extremas, como geadas na primavera, enchentes e calor intenso no verão, impactaram as perspectivas de colheita em algumas das principais regiões produtoras. Mesmo assim, a colheita foi acelerada em muitas áreas, com 40% dos campos já colhidos. Até a semana passada, cerca de 64 milhões de toneladas já haviam sido coletadas.

    A Rússia, maior exportador de trigo do mundo, continua a superar expectativas, apesar dos desafios climáticos.

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    Rússia e Brasil

    O Brasil aumentou suas importações de diesel e fertilizantes da Rússia, alcançando a quinta posição entre os maiores mercados externos russos. Em 2022, o Brasil ocupava a 20ª posição, já uma melhora significativa em relação ao 28º lugar de 2019. Com esse avanço, o Brasil superou Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, que estavam entre os principais destinos das exportações russas em 2021, antes do início da invasão da Ucrânia por Vladimir Putin, em fevereiro de 2022.

    Em 2023, os Estados Unidos caíram para a nona posição, com as exportações russas para o país reduzidas em 67,5% em relação ao ano anterior e em 84% em comparação a 2021. Além disso, a Alemanha, que agora ocupa a 17ª posição, registrou uma queda de 86,3% nas importações da Rússia desde 2021. O Reino Unido sofreu a maior queda, despencando para o 31º lugar, com uma redução de 98,6% nas compras de produtos russos entre 2021 e 2023.

    Contrariamente, as exportações da Rússia para o Brasil aumentaram 27,4% em 2023 em relação ao ano anterior e 75,6% em comparação a 2021. Desde 2019, ano pré-pandemia, o crescimento foi de 171,8%.

    Os dados são do Centro de Comércio Internacional (ITC), agência conjunta da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Nas estatísticas brasileiras de balança comercial, a Rússia subiu de 11º maior fornecedor externo em 2019 para 6º em 2022, mantendo a 5ª posição no primeiro semestre de 2024, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic).