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  • Startup aposta na castanha de pequi como superalimento

    Startup aposta na castanha de pequi como superalimento

    A startup Bio2Me, pioneira no cultivo de castanhas e bioativos do cerrado, aposta na castanha de pequi como superalimento e projeta crescimento expressivo no mercado para 2025. Reconhecida pelo manejo do baru, a greentech agora amplia suas operações para explorar o potencial agrícola e comercial da castanha do pequi, fruto típico do Centro-Oeste brasileiro.

    Claudio Fernandes, CEO da Bio2Me, destaca que “o óleo extraído da castanha é um ingrediente versátil e singular, com aplicações que vão além da gastronomia. É um grande aliado no tratamento de doenças respiratórias e seus nutrientes fazem dele uma excelente base para cosméticos”. Apesar da polêmica em torno do sabor do pequi, Fernandes reforça que o aproveitamento integral do fruto oferece um potencial competitivo significativo para os produtores.

    Vantagens

    A castanha do pequi apresenta composição rica em zinco, cálcio e ferro. Além de ser fonte natural de energia e antioxidantes, o que a posiciona como um alimento funcional com grande apelo nutricional. A Bio2Me busca ampliar sua presença no mercado, destacando os benefícios da castanha para atrair produtores e consumidores interessados em alimentos saudáveis e sustentáveis.

    “A castanha do pequi ainda é pouco conhecida, mas seu potencial é imenso. Suas diversas aplicações fortalecem o setor e agregam valor cultural importante para o Brasil”, complementa Fernandes.

    Integrando o cultivo do pequi a projetos como o do baru, a extração de bioativos e uma parceria estratégica com a Nestlé, a Bio2Me projeta faturamento recorde de R$ 6 milhões em 2025. A empresa também pretende vender 60 mil mudas nativas do cerrado, um aumento de 50 mil unidades em relação ao ano anterior.

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  • Desmatamento no Brasil cai 32,4% em 2024, segundo MapBiomas

    Desmatamento no Brasil cai 32,4% em 2024, segundo MapBiomas

    O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD) divulgado em 15 de maio pela iniciativa MapBiomas Alerta revela queda no desmatamento em cinco dos seis biomas brasileiros em 2024: Pantanal, Pampa, Cerrado, Amazônia e Caatinga. A Mata Atlântica foi a única exceção, mantendo-se estável em relação a 2023, apesar dos impactos dos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.

    A área total desmatada no país somou 1.242.079 hectares, representando uma redução de 32,4% em comparação com 2023. O número de alertas validados caiu 26,9%, totalizando 60.983 registros no ano passado.

    Redução do desmatamento por bioma em 2024 (comparado a 2023):

    • Pantanal: queda de 58,6%
    • Pampa: queda de 42,1%
    • Cerrado: queda de 41,2%
    • Amazônia: queda de 16,8%
    • Caatinga: queda de 13,4%
    • Mata Atlântica: aumento de 2%

    O Pantanal e o Pampa lideraram as maiores reduções, seguidos pelo Cerrado, Amazônia e Caatinga. A Mata Atlântica apresentou leve crescimento devido aos desmatamentos provocados por eventos climáticos extremos, que, sem esses impactos, teriam resultado em uma redução de 20% na área desmatada.

    Cerrado: maior área desmatada

    Pelo segundo ano consecutivo, o Cerrado concentrou a maior área desmatada no país, com 652.197 hectares, o que corresponde a 52,5% do total nacional. A região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentrou 75% do desmatamento no Cerrado e cerca de 42% da perda total de vegetação nativa no Brasil. Apesar disso, o desmatamento no Cerrado caiu 40% em relação a 2023. O Maranhão lidera o ranking estadual, com 218.298,4 hectares desmatados, uma redução de 34,3%.

    Amazônia: segunda maior área desmatada

    A Amazônia registrou 377.708 hectares desmatados, representando 30,4% do total nacional. Essa área é a menor desde o início da série histórica do RAD em 2019. Juntos, Cerrado e Amazônia responderam por quase 89% da área desmatada em 2024.

    Outros biomas

    A Caatinga ocupou o terceiro lugar em área desmatada, com 174.511 hectares (14%). Pantanal e Mata Atlântica representaram 1,9% (23.295 hectares) e 1,1% (13.472 hectares), respectivamente. O Pampa teve a menor área desmatada, com 896 hectares (0,1%). Sistemas de detecção por sensoriamento remoto ainda enfrentam limitações em ambientes campestres, podendo subestimar o desmatamento no Pampa e Pantanal.

    Terras Indígenas e Unidades de Conservação

    Dois terços das Terras Indígenas (TIs) não registraram desmatamento em 2024. Apenas 33% das TIs tiveram algum evento, totalizando 15.938 hectares perdidos, uma redução de 24% em relação a 2023, equivalente a 1,3% do total desmatado no país. As Unidades de Conservação (UCs) perderam 57.930 hectares, uma queda de 42,5%. Em UCs de Proteção Integral, a redução foi de 57,9%, com 4.577 hectares desmatados. A APA Triunfo do Xingu (PA) foi a UC com maior área desmatada, com 6.413 hectares, 31,7% menos que em 2023.

    O MapBiomas Alerta consolida, valida e refina dados de diversos sistemas de monitoramento do desmatamento no Brasil, como o Deter (Inpe) e os Sistemas de Alerta de Desmatamento (SADs) do Imazon, SOS Mata Atlântica-ArcPlan e Pampa/UFRGS/Geokarten. Cada alerta recebe análise detalhada com imagens de satélite em alta resolução, mostrando o antes e depois do desmatamento. Os laudos cruzam informações geográficas, fundiárias e administrativas para fornecer documentos completos sobre cada evento detectado.

    Resumo dos principais dados de 2024:

    • Redução de 32,4% na área desmatada em relação a 2023
    • Queda de 26,9% no número de alertas validados
    • Maior desmatamento concentrado no Cerrado e Amazônia (89% do total)
    • Pantanal e Pampa com maiores quedas percentuais
    • Estabilidade na Mata Atlântica, afetada por eventos climáticos extremos
    • Redução significativa do desmatamento em Terras Indígenas e Unidades de Conservação

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  • Brasil descreve 60 novas espécies de insetos em biomas ameaçados

    Brasil descreve 60 novas espécies de insetos em biomas ameaçados

    Uma colaboração internacional liderada pela Embrapa acaba de descrever 60 novas espécies de psilídeos – insetos conhecidos como “piolhos-de-planta saltadores” – em biomas críticos como Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. O estudo foi publicado na revista Zootaxa após mais de uma década de pesquisa. E expõe a riqueza invisível da biodiversidade brasileira. Além de alertar para o risco de espécies desaparecerem antes mesmo de serem catalogadas.

    Os psilídeos (superfamília Psylloidea) são insetos minúsculos, mas com papéis ecológicos gigantescos. Algumas espécies combatem plantas invasoras, como a Melanastera smithi, testada contra a Miconia calvescens no Havaí.

    Elas também são Indicadores ambientais. Como são sensíveis a mudanças, ajudam a monitorar a saúde dos ecossistemas. Enquanto espécies como o Diaphorina citri transmitem doenças a citros, outras podem revolucionar o controle biológico.

    O estudo, que percorreu 15 estados brasileiros entre 2011 e 2021, usou DNA barcoding e análise morfológica para identificar as novas espécies, incluindo 59 do gênero Melanastera e uma de Klyveria. “Cada descoberta é uma peça para entender o quebra-cabeça da biodiversidade”, afirma Dalva Queiroz, pesquisadora da Embrapa Florestas e coautora do trabalho.

    Biomas sob pressão: Amazônia e Cerrado escondem espécies ameaçadas

    A pesquisa coincide com um cenário alarmante:

    • Amazônia: 14% da cobertura florestal já foi perdida.
    • Cerrado: 50% da vegetação nativa foi convertida para agricultura.
    Autores Dalva Queiroz e Daniel Burckhardt em campo. Foto: Divulgação Embrapa

    “Ambientes degradados podem abrigar espécies únicas que sequer conhecemos. Se desaparecerem, perdemos oportunidades científicas e ecológicas irreparáveis”, alerta Daniel Burckhardt, entomólogo do Naturhistorisches Museum Basel (Suíça) e coautor do estudo.

    Da teoria à prática: como as novas espécies impactam a agricultura e a conservação

    Controle de Pragas: Espécies nativas, como o psilídeo da erva-mate (Gyropsylla spegazziniana), exigem manejo preciso para evitar prejuízos. Invasoras, como a Diaphorina citri (transmissora do greening dos citros), são monitoradas com base nos dados do estudo.

    Coleções científicas na USP, UFPR e Embrapa Amazônia Ocidental armazenam espécimes para futuras pesquisas. “O conhecimento sobre essas espécies é vital para desenvolver bioinsumos e proteger cultivos”, explica Queiroz.

    Como são batizadas as novas espécies? histórias por trás dos nomes

    A taxonomia mistura ciência e poesia. A pesquisadora Liliya Š. Serbina, primeira autora do estudo, homenageou familiares e colegas:

    • Melanastera olgae: Em tributo à sua mãe, Olga.
    • Melanastera barretoi: Referência ao professor Marliton Barreto, da Embrapa.
    • Klyveria flaviae: Nomeada em honra à filha da coautora Dalva Queiroz.

    “Nomear espécies é perpetuar legados. Cada uma carrega uma história”, destaca Serbina.

    Desafios e futuro: por que precisamos de mais pesquisas?

    Porém, o estudo é apenas o início. Cientistas calculam que existam mais de mil espécies de psilídeos no Brasil – a maioria ainda desconhecida. O projeto capacitou agentes fitossanitários e estudantes em taxonomia, fortalecendo a defesa agrícola.

    Foto: Divulgação Embrapa

    “Sem investimento contínuo, perderemos espécies que poderiam salvar ecossistemas ou impulsionar a agricultura sustentável”, reforça Burckhardt.

    Como apoiar a conservação?
    • Fortalecer políticas ambientais: Combater desmatamento e invasões em unidades de conservação.
    • Investir em ciência: Ampliar recursos para estudos taxonômicos e monitoramento de biomas.
    • Engajamento público: Divulgar a importância de insetos pouco carismáticos, mas ecologicamente cruciais.

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  • Começa o plantio do trigo safrinha no Brasil Central

    Começa o plantio do trigo safrinha no Brasil Central

    O início de março marca o início do plantio do trigo de segunda safra, conhecido como safrinha, no Cerrado do Brasil Central. Os produtores têm voltado mais atenção para essa cultura devido aos seus benefícios agronômicos e à rentabilidade que proporciona. Na atual safra, a estimativa aponta para a semeadura de 200 a 250 mil hectares, o que representa um crescimento de 5% a 10% em comparação ao ano anterior.

    O cultivo do trigo safrinha é uma estratégia para diversificar culturas, mitigar problemas e diminuir riscos. Ele promove a quebra do ciclo de pragas e doenças, como fungos de solo e nematoides. Isso além de permitir a rotação de princípios ativos de defensivos agrícolas. Assim, contribuindo para o vazio sanitário e o controle de plantas daninhas resistentes ao glifosato.

    Para obter ganhos de produtividade, é importante semear entre o início e o final de março, considerando as precipitações da região. A correção do solo quanto à acidez deve ocorrer com o uso de calcário, enquanto o gesso agrícola neutraliza o alumínio em profundidade. O plantio direto na palhada da cultura de verão ajuda a proteger o solo das altas temperaturas e a minimizar a perda de água.

    Cultivar adaptada à região

    A Embrapa desenvolveu a cultivar BRS 404, adaptada para condições de baixa precipitação no Brasil Central. Ela apresenta maior tolerância ao déficit hídrico, ao calor e ao alumínio no solo. Além de excelente qualidade tecnológica de grãos e elevada produção de palhada. A produtividade pode chegar a 60 sc/ha no Planalto Central, desde que as chuvas sejam bem distribuídas.

    O trigo produzido na região do Cerrado é o primeiro a ser colhido na safra brasileira, podendo ser comercializado a preços mais atrativos. A colheita ocorre entre junho e julho, garantindo um produto de excelente qualidade, livre de micotoxinas que afetam lavouras do Sul do país em anos chuvosos.

    O plantio do trigo safrinha no Brasil Central oferece uma oportunidade para os produtores diversificarem suas culturas e aumentarem a rentabilidade. Com as recomendações adequadas de manejo e o uso de cultivares adaptadas, como a BRS 404, os produtores podem aproveitar os benefícios agronômicos e econômicos dessa cultura.

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  • Cerrado: Caixa-D’Água do Brasil será lançado dia 12

    Cerrado: Caixa-D’Água do Brasil será lançado dia 12

    O livro “Cerrado: Caixa-D’Água do Brasil” é uma jornada fotográfica e científica que destaca a importância do Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil, responsável por abastecer as principais bacias hidrográficas do país. Com lançamento previsto para 12 de março na Biblioteca Nacional de Brasília, a obra reúne especialistas para explorar os segredos e desafios desse ecossistema ameaçado pelo desmatamento.

    O Cerrado é conhecido como a “caixa-d’água do Brasil”. Isso por abrigar as nascentes de rios como o São Francisco, Tocantins e as bacias dos rios Paraná e Paraguai. Além disso, ele desempenha um papel crucial na recarga de aquíferos, como o Aquífero Guarani, que abastece uma vasta área na América do Sul. A preservação do Cerrado é essencial para garantir a segurança hídrica e o potencial hidrelétrico do Brasil.

    Em 2024, o desmatamento no Cerrado atingiu 712 mil hectares, uma área maior do que o Distrito Federal, conforme o Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado (SAD Cerrado). Esse cenário alarmante reforça a urgência da preservação desse bioma, que ocupa aproximadamente 25% do território nacional.

    O livro como ferramenta de conscientização

    “Cerrado: Caixa-D’Água do Brasil” é mais do que um registro das belezas do bioma; é um chamado à ação em defesa desse ecossistema. Com apoio da Lei Rouanet e patrocínio do Atacadão Dia a Dia, a obra pretende educar, sensibilizar e inspirar a conservação ambiental. Especialmente em tempos de crises climáticas. A publicação é uma homenagem ao sistema biogeográfico que abastece boa parte das principais bacias hidrográficas brasileiras e àqueles que lutam pela sua preservação.

    O lançamento do livro ocorrerá em 12 de março, na Biblioteca Nacional de Brasília, com entrada franca. A obra é organizada e editada por Caco Schmitt, com contribuições de especialistas como Altair Sales Barbosa, José Eloi Guimarães Campos, Drielly Souza Rodrigues, Wilson Vieira Júnior e Braulio Ferreira de Souza Dias. As imagens capturadas pelos fotógrafos Luiz Ávila e Cuba Cambará são um espetáculo visual que traduzem a essência do bioma.

    SERVIÇO

    Lançamento do livro “Cerrado: Caixa-D’Água do Brasil”
    Quando: 12/03. Quarta-feira, a partir das 17h
    Onde: Biblioteca Nacional de Brasília Leonel de Moura Brizola – Setor Cultural da República, Área Cívica
    Quanto: Entrada franca

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  • Mama-cadela: a fruta do cerrado rica em pró-vitamina A

    Mama-cadela: a fruta do cerrado rica em pró-vitamina A

    A mama-cadela (Brosimum gaudichaudii), uma fruta nativa do Cerrado brasileiro, tem ganhado atenção por suas propriedades nutricionais e seu potencial para diversificar a alimentação. Com uma polpa doce e fibrosa, a fruta é conhecida por seu valor em pró-vitamina A, essencial para a saúde ocular e imunológica.

    A mama-cadela é uma fruta de cor que varia entre o amarelo e o alaranjado, pequena em tamanho, e frequentemente chamada de “chicletinho do Cerrado” devido à sua textura. Segundo Grazieli Pascoal, nutricionista e professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a fruta é negligenciada na dieta brasileira, apesar de seu alto valor nutricional.

    Pesquisa e descobertas

    Em seu pós-doutorado, Grazieli Pascoal analisou as características nutricionais da mama-cadela, revelando que a fruta é rica em compostos bioativos, carotenoides e fibras. Esses elementos não são apenas nutrientes, mas também exercem funções antioxidantes benéficas ao organismo. “A mama-cadela pode trazer vários benefícios em uma alimentação saudável, especialmente em relação à quantidade de vitamina A e fibra alimentar”, afirmou Pascoal.

    Uma porção de mama-cadela, equivalente a seis unidades da fruta, atende a mais de 60% da recomendação diária de vitamina A, um valor comparável ao da cenoura. Além disso, a fruta também é uma fonte significativa de vitamina C, que desempenha um papel crucial na absorção de ferro e na função antioxidante do corpo.

    Importância para a biodiversidade alimentar

    Nos últimos anos, o consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil tem aumentado, enquanto a ingestão de frutas e vegetais in natura diminui. Isso tem gerado preocupações sobre a saúde pública, com doenças crônicas se tornando mais prevalentes. “Nossa alimentação está muito monótona”, destaca Pascoal, enfatizando a necessidade de resgatar frutos nativos como a mama-cadela para enriquecer a dieta.

    Apesar dos benefícios nutricionais da mama-cadela, os produtores enfrentam desafios para escoar esses produtos menos conhecidos. A falta de políticas públicas que valorizem alimentos nativos contribui para que os agricultores optem por culturas mais comuns e procuradas no mercado.

    O reconhecimento das propriedades nutricionais da mama-cadela pode contribuir para sua valorização como um alimento culturalmente significativo. Com o apoio de pesquisas e iniciativas que promovam a biodiversidade alimentar, há potencial para integrar essa fruta à dieta brasileira, oferecendo benefícios à saúde e incentivando práticas agrícolas sustentáveis. Grazieli Pascoal conclui: “É fundamental resgatar os saberes sobre essas plantas e a riqueza do nosso bioma.”

    Com informações do Jornal da USP.

  • Projeto liderado por mulheres fortalece conservação do Cerrado

    Projeto liderado por mulheres fortalece conservação do Cerrado

    Pesquisadoras da Universidade Estadual de Goiás (UEG) estão liderando uma iniciativa pioneira que alia conservação do Cerrado e inclusão feminina na ciência ambiental. O projeto, financiado pelo Governo de Goiás, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), também recebe suporte do Programa Goianas na Ciência e Inovação – Mulheres em STEM.

    Comandada pelas professoras Juliana Simião Ferreira e Hélida Ferreira da Cunha, a iniciativa integra os programas de pós-graduação em Recursos Naturais do Cerrado (RENAC) e Ensino de Ciências (PPEC), ambos da UEG.

    Três frentes de trabalho com foco no cerrado

    Em geral, o projeto trabalha três frentes: biodiversidade de aves e cupins, análise do viés de gênero na ciência ambiental e popularização da ciência. “A Fapeg tem investido fortemente em pesquisas que promovem a conservação ambiental e ampliam a inclusão de mulheres na ciência. Este projeto exemplifica esse compromisso”, afirma o presidente da Fapeg, Marcos Arriel.

    A equipe reúne alunas do ensino médio, mestrandas e doutorandas, somando 12 integrantes, sendo quatro professoras e sete estudantes de pós-graduação. Além disso, bolsas de iniciação científica júnior são destinadas a jovens pesquisadoras, fomentando o protagonismo feminino na área. “Buscamos consolidar uma rede de pesquisa que amplie o espaço das mulheres na ciência ambiental”, destaca a professora Juliana Ferreira.

    Primeiros resultados

    Os primeiros resultados já mostram avanços. Em resumo, as pesquisadoras identificaram cinco espécies de aves que utilizam cupinzeiros em pastagens urbanas de Anápolis, incluindo o papagaio-galego, espécie endêmica do Cerrado. Em fevereiro de 2025, novas coletas serão realizadas na Reserva Ecológica do IBGE, em Brasília, para analisar padrões de biodiversidade em áreas naturais e degradadas.

    Além da pesquisa científica, a iniciativa aposta na educação ambiental. Ou seja, materiais como jogos didáticos, histórias em quadrinhos e livros de atividades estão sendo produzidos para sensibilizar o público sobre a importância do Cerrado. “A ciência precisa se comunicar com a sociedade. Queremos envolver crianças e jovens na conservação ambiental desde cedo”, reforça a professora Hélida Ferreira.

    A Fapeg prevê que o impacto do projeto será duradouro, com a publicação de artigos científicos e a disseminação de produtos educativos. “Estamos fomentando pesquisas que trazem benefícios reais à sociedade e ao meio ambiente, fortalecendo o desenvolvimento científico e ambiental de Goiás”, conclui Marcos Arriel.

     

  • Pequi: a árvore símbolo do cerrado e seu valor econômico

    Pequi: a árvore símbolo do cerrado e seu valor econômico

    O pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb.) é a árvore símbolo do Cerrado, um bioma característico do Brasil, de onde vem o pequi. Esta frutífera nativa é encontrada predominantemente na Região Centro-Oeste, mas também se estende por partes das Regiões Sudeste, Norte e Nordeste. A frutificação do pequizeiro ocorre entre os meses de outubro e março, com a colheita sendo realizada quando os frutos maduros caem ao chão.

    Muitas famílias, especialmente pequenos agricultores, dependem da comercialização dos frutos do pequizeiro para gerar renda. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a extração do pequi no Brasil em 2021 superou 74 mil toneladas, com Minas Gerais respondendo por mais da metade dessa produção. Vale ressaltar que esses números podem ser ainda maiores, uma vez que grande parte da comercialização ocorre no mercado informal.

    O pequi enriquece a culinária regional com sua versatilidade, sendo apreciado puro ou como destaque em pratos tradicionais, como arroz com pequi e galinhada, que são símbolos da gastronomia local. O fruto também ganha espaço na agroindústria, onde se transforma em conservas, molhos, licores, sorvetes e picolés, ampliando sua presença no mercado e valorizando a cultura alimentar da região.

    Inovação: Embrapa lança novas cultivares de pequi

    Recentemente, a Embrapa Cerrados e a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater-GO) lançaram seis novas cultivares de pequi. Sendo três delas com espinhos e três sem espinhos.

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    Esta é a primeira vez que cultivares de uma fruteira nativa arbórea perene do Cerrado são introduzidas no mercado. Segundo Ailton Pereira, pesquisador da Embrapa Cerrados, “chegamos a esse resultado com muito trabalho, esforço, ciência e tecnologia”, após 25 anos de pesquisa em parceria com diversas instituições.

    Diversificação genética e sustentabilidade

    As novas cultivares foram registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para cultivo em pequena escala na região de Goiânia e em áreas com condições semelhantes. Pereira destaca que o lançamento simultâneo de seis cultivares visa diversificar geneticamente as plantações para favorecer a fecundação cruzada e aumentar a produção de frutos. Essa estratégia também atua como uma medida preventiva contra doenças e pragas.

    Frutos do pequizeiro são responsáveis pela renda de muitos pequenos produtores brasileiros. Dados do IBGE apontam mais de 74 mil toneladas extraídas em 2021 no País. Foto: Alexandre Veloso/Embrapa

    Com as variedades sem espinhos, espera-se um aumento no consumo do pequi, facilitando o manuseio e a extração da polpa. Além disso, essa característica torna o fruto mais atrativo para aqueles que têm resistência ao seu consumo devido aos espinhos.

    Nova lei para manejo sustentável do pequi

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.089/25. Ela estabelece uma Política Nacional para o Manejo Sustentável do Pequi e outros frutos nativos do Cerrado. Publicada no Diário Oficial da União em 8 de janeiro de 2025, a norma visa equilibrar a preservação ambiental com o desenvolvimento socioeconômico das comunidades que dependem desse bioma.

    Além disso, a nova legislação proíbe a derrubada de pequizeiros, exceto em situações específicas e mediante autorização dos órgãos competentes. Entre as finalidades da política estão a promoção de práticas sustentáveis, reflorestamento e criação de um selo para identificar a qualidade dos produtos do Cerrado.

    O pequizeiro não apenas representa um símbolo cultural do Cerrado, mas também desempenha um papel crucial na economia local. Com inovações como novas cultivares e políticas públicas voltadas para o manejo sustentável, há um potencial significativo para fortalecer as comunidades que dependem dessa árvore emblemática. A combinação de práticas sustentáveis com o desenvolvimento econômico pode garantir um futuro promissor para o pequi e seus produtores.

  • Trigo tropical avança no Cerrado

    Trigo tropical avança no Cerrado

    O cultivo de trigo tropical tem transformado o Cerrado brasileiro em um dos novos polos estratégicos para a triticultura nacional. Em 2024, a área plantada atingiu aproximadamente 450 mil hectares, um crescimento que reflete a adaptação do cereal às condições desafiadoras da região.

    Com forte presença nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal, o trigo tropical desponta como solução sustentável para rotação de culturas. E como alternativa econômica para os agricultores.

    Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre 2018 e 2024, a área plantada com trigo tropical cresceu 119%, enquanto a produção aumentou 95%. Esse desempenho impressionante resulta do desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima quente e seco do Cerrado, aliado à introdução de técnicas modernas de manejo.

    Empresas de pesquisa e assistência técnica foram fundamentais para disponibilizar essas tecnologias e orientar os produtores na adoção de práticas mais eficientes.

    Rotação de culturas

    O trigo tornou-se uma cultura estratégica na região, especialmente por seu papel na rotação com grãos e hortaliças. Desta forma, ajudando a interromper ciclos de pragas e doenças no solo e contribuindo para a recuperação da fertilidade.

    Em Goiás, por exemplo, a Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) promoveu o slogan “Plante trigo para colher feijão”, incentivando o uso do cereal de inverno em sistemas integrados.

    O engenheiro agrônomo Cláudio Malinski, da Coopa-DF, destaca que a introdução do trigo na região não apenas viabilizou o cultivo do feijão, mas também trouxe benefícios significativos para outras culturas, como a soja. “Os resultados mostram um aumento de até seis sacas de soja por hectare após o cultivo de trigo, além do controle de plantas daninhas como buva e capim-amargoso”, explica.

    Adaptação às necessidades dos produtores

    Produtores como Paulo Bonato, de Cristalina (GO), demonstram na prática os ganhos com o trigo tropical. Com 30 anos de experiência no cultivo do cereal, Bonato relata que o trigo começou como uma alternativa para rotação de culturas e hoje ocupa um papel central na estratégia agrícola da família. “Nos anos 1990, tínhamos apenas 50 hectares com trigo irrigado. Agora, são 200 hectares, ajustados anualmente conforme a rotação dos pivôs”, afirma o produtor.

    Apesar dos desafios, como o aumento da incidência de doenças, especialmente a brusone, ajustes no calendário de semeadura e investimentos em tecnologias de irrigação têm ajudado a mitigar os impactos. Na safra de 2023, a produtividade alcançou 138 sacas por hectare no trigo irrigado, enquanto o trigo de sequeiro, embora menos produtivo (27 sacas por hectare), mostrou-se vantajoso por seus custos mais baixos e pela formação de palhada, que contribui para o controle de plantas daninhas e a preservação do solo.

    Luis Felipe Bonato, filho de Paulo, destaca que a família investiu em sensores para monitorar a umidade do solo, otimizando o uso de água nos pivôs de irrigação. “Com um consumo de cerca de 500 mm de água por hectare no trigo irrigado, sistemas mais eficientes são fundamentais para reduzir custos e preservar recursos”, explica.

    Integração com culturas

    No Cerrado mineiro, o trigo tropical encontrou um nicho promissor ao integrar sistemas de rotação com hortaliças de alto valor agregado, como cenoura, alho, batata e cebola. Em São Gotardo (MG), cidade conhecida como a “capital nacional da cenoura”, cooperados da Coopadap utilizam o trigo irrigado para melhorar a saúde do solo e reduzir custos.

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    “O trigo aproveita o residual de adubo deixado pelas hortaliças. Enquanto suas raízes profundas, que chegam a quase um metro, ajudam na descompactação do solo, favorecendo o próximo ciclo produtivo”, explica Luciel Dezordi, gerente de pesquisa da Coopadap. Em 2023, os cooperados cultivaram 3.800 hectares de trigo irrigado, além de 2.900 hectares destinados a hortaliças. Portanto, consolidando um modelo que combina eficiência agronômica e sustentabilidade econômica.

    Os desafios do clima

    Apesar do avanço técnico, o clima continua sendo o principal adversário da triticultura tropical. A seca severa em 2024 impactou fortemente os rendimentos. Em Ponta Porã (MS), a média de produtividade no trigo de sequeiro caiu de 50 para 15 sacas por hectare. Isso devido à baixa precipitação e às altas temperaturas.

    “Tivemos apenas 70 mm de chuva durante o ciclo. Algumas áreas precisaram ser replantadas, mas o trigo segue essencial no sistema de rotação. Especialmente para manter a produtividade da soja no verão”, comenta Rodrigo do Amaral, técnico agrícola da Fazenda Jaguarandi.

    No trigo irrigado, os custos também aumentaram com o calor, devido à maior evaporação da água. Marcelo Guerra, da Coopadap, ressalta ainda os desafios no armazenamento. “As temperaturas mais altas favoreceram a infestação por carunchos, exigindo investimentos inéditos em controle de pragas nos grãos”.

    Indústria e mercado aquecidos

    O trigo tropical tem atraído a atenção da indústria moageira. Em Dourados (MS), a Talita Alimentos instalou uma planta em 2021 para processar 90 toneladas de trigo por dia. Já no Triângulo Mineiro, o Moinho Sete Irmãos utiliza 95% de trigo local, impulsionando a economia regional. “Há dez anos, a produção do Cerrado era de 80 mil toneladas. Hoje, supera 450 mil toneladas, garantindo a logística eficiente e gerando renda para os produtores locais”, afirma Max Mahlow, gerente comercial do moinho.

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    Além disso, cooperativas como a Cooperalfa, com sede em Santa Catarina, veem no trigo do Cerrado uma oportunidade para diversificar a produção de grãos. E também atender demandas em anos de quebra de safra no Sul do país.

    Melhoramento genético

    O desenvolvimento de cultivares mais adaptadas ao calor e à seca é uma prioridade nos programas de melhoramento genético. A cultivar BRS 404, lançada em 2015, já apresenta rendimentos 12% superiores em condições de déficit hídrico. Por outro lado, o trigo irrigado continua sendo uma aposta com o uso de variedades como a BRS 264, que economiza água e antecipa a colheita.

    Pesquisadores como Joaquim Soares Sobrinho, da Embrapa Trigo, acreditam que o futuro da triticultura tropical está na combinação de genética avançada e novas tecnologias. “Estamos desenvolvendo marcadores moleculares e cultivares transgênicas que devem revolucionar a produção no Cerrado”, afirma.

    Com o uso de apenas 1% da área destinada ao milho safrinha, Mato Grosso do Sul poderia adicionar 210 mil hectares de trigo por ano, segundo estimativas do pesquisador Claudio Lazzarotto. “O objetivo não é substituir o milho, mas diversificar as gramíneas no inverno para garantir a sustentabilidade do sistema produtivo”, conclui.

    O avanço do trigo tropical no Cerrado é mais do que uma alternativa econômica. Ele representa uma transformação estratégica, com impacto positivo na sustentabilidade dos sistemas agrícolas, no desenvolvimento regional e na consolidação de uma nova fronteira para a triticultura brasileira.

  • Distrito Federal – estudo mostra impacto do El Niño na produtividade de soja no Cerrado

    Distrito Federal – estudo mostra impacto do El Niño na produtividade de soja no Cerrado

    Pesquisadores da Embrapa identificaram pela primeira vez, de maneira detalhada, como o fenômeno El Niño afeta o regime de chuvas e a produtividade da soja em uma área do Cerrado brasileiro. Publicado na Revista Agrometeoros, o estudo realizado por Alfredo Luiz, da Embrapa Meio Ambiente (SP), e Fernando Macena, da Embrapa Cerrados (DF), analisou dados climáticos da região de Planaltina (DF) entre 1974 e 2022. A pesquisa revelou que, nos anos de El Niño, a precipitação acumulada nos meses críticos para o desenvolvimento da soja — outubro, novembro e dezembro — foi em média 40% menor do que nos anos de La Niña.

    “Constatamos que o aquecimento da superfície do Oceano Pacífico, localizado a milhares de quilômetros do Cerrado, provoca uma redução significativa na quantidade de chuvas durante essa fase crítica do ciclo da soja”, afirma Luiz. O estudo observou uma média de 372 mm de chuva em anos de El Niño, contra 623 mm em anos de La Niña.

    Metodologia e resultados

    Os pesquisadores utilizaram o Indicador Oceânico Niño (ION), fornecido pela NASA, que mede a temperatura da superfície do Oceano Pacífico. Classificaram os anos de 1974 a 2022 em cinco grupos, baseados nas variações do ION: El Niño, La Niña, fim de El Niño, neutro e início de La Niña.

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    A partir dessas classificações, foi calculada a média de chuva e, com o uso de um simulador de crescimento de plantas, o STICS, os cientistas avaliaram a produtividade da soja em diferentes épocas de plantio. Nos anos de El Niño, quando o plantio ocorria em setembro e outubro, as perdas foram significativas. A cultivar BRS 8383IPRO, por exemplo, produziu apenas 493 kg por hectare, em comparação aos 2.418 kg por hectare registrados nos anos de La Niña.

    “Os efeitos do El Niño variam conforme a data de semeadura. Plantios realizados em setembro e outubro sofrem mais, enquanto os de novembro e dezembro apresentam menores impactos”, explica Macena.

    Impactos para a agricultura

    Além de reduzir a produtividade, o El Niño pode comprometer a segurança alimentar ao alterar a quantidade e a distribuição temporal das chuvas. Como observa Macena: “Ao impactar diretamente a chuva, o ele prejudica o desenvolvimento das culturas agrícolas, influenciando também a propagação de pragas e doenças.”

    Com base nesses resultados, os pesquisadores pretendem desenvolver sistemas de previsão que identifiquem, com antecedência, a influência do El Niño. E, além disso, permitam que os produtores planejem alternativas de manejo, plantio e cultivares para mitigar os prejuízos. “Sistemas de alerta precoce podem reduzir os impactos negativos e, em alguns casos, até gerar vantagens ao agricultor”, completa Luiz.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno climático que envolve o aquecimento da superfície do Oceano Pacífico, sendo uma das principais fontes de variabilidade climática global. Seus efeitos no Brasil incluem a redução das chuvas no Norte e Nordeste e o aumento das precipitações no Sul. Embora sua influência seja mais conhecida nessas regiões, o estudo da Embrapa demonstra que o fenômeno também altera significativamente o clima no Centro-Oeste.

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    “A experiência nos mostrou que há alterações significativas no clima da região central, o que motivou nossa investigação”, conclui Macena.

    O estudo da Embrapa reforça a importância de considerar o comportamento do El Niño ao planejar o plantio e o manejo agrícola no Cerrado, uma das principais regiões produtoras de soja do Brasil.