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  • Resgate adorável: filhote de tatu invade mansão em Brasília

    Resgate adorável: filhote de tatu invade mansão em Brasília

    A manhã estava quieta no Condomínio Village da Alvorada, no Lago Sul, em Brasília. Sol baixo. Ar parado. Até que um visitante inesperado apareceu perto do portão de uma mansão. Pequeno. Meio perdido. Um filhote de tatu.

    O dono da casa estranhou o movimento. Deu um passo para trás. Chamou a Polícia Militar. E, em poucos minutos, a equipe do Batalhão de Policiamento Militar Ambiental (BPMA) já estava na porta. Chegaram rápido. Muito rápido. Era um resgate simples, mas nem tanto. Filhote exige cuidado. Mão leve. Paciência.

    Os policiais cercaram a área, observaram o bicho e fizeram a captura com calma. Nada de sustos. Nada de pressa. O tatu, apesar do tamanho miúdo, parecia saudável. Mas novo demais para ficar sozinho. E é aí que tudo muda. Porque bicho muito novo, quando cai longe da toca, precisa de especialista.

    Foto: PMDF

    Por isso, seguiu direto para o Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (HFAUS). Lá, passará por avaliação completa. Exames. Observação. Tratamento, se precisar. Só depois — bem depois — volta para o Cerrado. O plano é sempre esse: cuidar, recuperar, soltar. Sem atalhos. Ou seja, sem pressa.

    O BPMA aproveitou a ocorrência para reforçar um recado que, às vezes, a cidade esquece. O tatu é nativo da região. É peça do equilíbrio do Cerrado. Ajuda a controlar insetos. Move a terra. Areja o solo. Faz trabalho que ninguém vê, mas todo mundo depende. Parece detalhe, mas não é.

    Como acionar o resgate?

    E veio a orientação, quase um aviso: encontrou animal silvestre na área urbana? Não tente pegar, não tente empurrar, não tente nada. Ligue. 190. Ou contato direto com a PMDF. Deixe o resgate para quem sabe.

    Histórias assim parecem simples. Porém mostram como a fronteira entre casas luxuosas e a vida selvagem continua fina, quase frágil, no Distrito Federal. Cada chamado lembra isso. Cada filhote salvo também.

  • Guavira: a fruta do Cerrado que resiste ao fogo e vira farinha, licor e isotônico

    Guavira: a fruta do Cerrado que resiste ao fogo e vira farinha, licor e isotônico

    Depois dos ipês, as flores da guavira colorem o Cerrado de Mato Grosso do Sul. A espécie nativa do bioma encanta com suas flores delicadas e produz frutos de sabor doce e levemente ácido, que conquistam paladares e impulsionam a gastronomia regional.

    A guavira, também conhecida como gabiroba (Campomanesia spp.), floresce em um período curto, entre setembro e outubro, durante a estiagem. As flores duram apenas três a quatro dias em cada arbusto, criando um espetáculo efêmero no Cerrado.

    A guavira pertence à família Myrtaceae e inclui diversas espécies do gênero Campomanesia, sendo a Campomanesia xanthocarpa uma das mais comuns no Centro-Oeste brasileiro. O fruto possui casca fina, polpa suculenta e pode ser consumido in natura ou transformado em sucos, geleias, licores e doces.

    Abelhas trabalham na formação dos frutos

    As flores dependem da ação das abelhas para a polinização. Esses insetos visitam a planta em busca de néctar e pólen, que utilizam na produção de mel. Ao transportarem o pólen entre as flores, as abelhas contribuem para a fecundação e o surgimento dos frutos, processo que leva cerca de dois meses.

    A polinização cruzada realizada pelas abelhas aumenta significativamente a taxa de frutificação da guavira, tornando esses insetos essenciais para a produção.

    Resistência ao fogo garante sobrevivência no Cerrado

    Uma das características mais notáveis da guavira é sua capacidade de resistir a incêndios. Os arbustos de guavira possuem raízes profundas e casca espessa que protegem a planta durante queimadas, permitindo que rebrotam rapidamente após o fogo. Essa adaptação torna a espécie fundamental para a regeneração do Cerrado e a manutenção da biodiversidade.

    Foto: Marco Pimentell/Flickr

    A guavira cresce naturalmente no final da estiagem e produz frutos em abundância nos meses seguintes, garantindo alimento para a fauna local e para comunidades tradicionais que praticam o extrativismo.

    UFMS transforma fruta em produtos inovadores

    Reconhecida por lei como fruto símbolo de Mato Grosso do Sul, a guavira tem se tornado referência na gastronomia regional. O laboratório do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) desenvolve diversos produtos a partir da fruta.

    Entre os derivados estão farinha integral, casca cristalizada, isotônico da polpa e chá da casca. A farinha de guavira apresenta alto teor de fibras e compostos antioxidantes, podendo ser utilizada em produtos de panificação e confeitaria. O aproveitamento integral da fruta reduz desperdícios e agrega valor à produção regional.

    Valor nutricional atrai interesse científico

    A guavira é rica em vitamina C, fibras, compostos fenólicos e carotenoides, apresentando propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Estudos indicam que o consumo regular da fruta pode contribuir para a saúde cardiovascular e o fortalecimento do sistema imunológico.

    Foto: Elio Rocha Jr/Flickr

    A polpa da guavira contém cerca de 20 mg de vitamina C por 100 gramas, quantidade comparável à de frutas cítricas tradicionais. O perfil nutricional diferenciado tem atraído pesquisadores interessados em explorar o potencial funcional da fruta.

    Campo Grande cultiva tradição e arborização

    Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, lidera o ranking nacional de arborização urbana. A cidade recebe há seis anos consecutivos o título internacional de “Tree City of the World” (Cidade Árvore do Mundo).

    Dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam Campo Grande como a capital mais arborizada do Brasil. O levantamento aponta que 91,4% dos domicílios da capital ficam em vias públicas com ao menos uma árvore. O estudo considerou apenas árvores em áreas públicas, excluindo quintais privados.

    A presença da guavira na paisagem urbana reforça a conexão da população com o Cerrado e mantém viva a tradição de “catar” a fruta, prática comum entre moradores da região que saem para colher os frutos em áreas preservadas.

    Preservação garante futuro da espécie

    Apesar da resistência natural, a guavira enfrenta desafios com a expansão agropecuária e a degradação do Cerrado. Iniciativas de cultivo sustentável e extrativismo comunitário têm surgido como alternativas para conciliar conservação ambiental e geração de renda.

    A valorização de produtos regionais derivados da guavira fortalece cadeias produtivas locais e incentiva a preservação do bioma. O reconhecimento da fruta como símbolo estadual representa um passo importante para a conservação dessa espécie emblemática do Cerrado sul-mato-grossense.

  • Sistemas sustentáveis na Amazônia e Cerrado podem dobrar lucros dos produtores

    Sistemas sustentáveis na Amazônia e Cerrado podem dobrar lucros dos produtores

    Um estudo pioneiro conduzido pela Embrapa em parceria com o Banco Mundial acaba de comprovar o que muitos especialistas já suspeitavam: os sistemas sustentáveis de produção não apenas preservam o meio ambiente, como também são significativamente mais lucrativos que os métodos tradicionais.

    A pesquisa analisou a viabilidade econômica dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) na Amazônia e no Cerrado, revelando ganhos impressionantes em produtividade e rentabilidade.

    Os números apresentados no estudo são surpreendentes. No Cerrado, o sistema ILPF-C demonstrou ser 41 vezes mais lucrativo que a pecuária extensiva tradicional e 13 vezes mais rentável que a agricultura convencional. Para cada dólar investido, o retorno chegou a US$ 1,36, enquanto a pecuária extensiva gerou apenas dois centavos de lucro por dólar aplicado.

    “Os sistemas de ILPF são mais resilientes, reduzem os custos unitários de produção e promovem o uso mais eficiente dos recursos ambientais”, explica Júlio César dos Reis, pesquisador da Embrapa Cerrados e responsável pelo trabalho.

    SAFs: a alternativa perfeita para agricultura familiar

    Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) se mostraram especialmente adequados para a agricultura familiar, apresentando retornos de até US$ 9,20 para cada dólar investido. O estudo analisou quatro modelos diferentes em Rondônia e Pará, todos capazes de cobrir os custos de produção nos períodos avaliados.

    Arte: Wellington Cavalcanti/Embrapa

    Os SAFs com cultivos de maior valor agregado, como açaí e cacau, apresentaram os melhores resultados financeiros. Em Tomé-Açu (PA), um dos sistemas avaliados gerou lucro anual de mais de US$ 1.800 por hectare, demonstrando o potencial desses modelos para transformar a realidade dos pequenos produtores.

    Benefícios além do lucro

    Além dos ganhos financeiros, os sistemas sustentáveis oferecem múltiplos benefícios:

    • Segurança alimentar: Diversificação da produção reduz riscos
    • Conservação ambiental: Menor necessidade de abertura de novas áreas
    • Resiliência climática: Sistemas mais resistentes a variações climáticas
    • Geração de empregos: Maior demanda por mão de obra especializada

    “Se em um ano uma lavoura apresenta um preço ruim, há um segundo produto que pode ter um preço melhor. Isso aumenta a resiliência do produtor”, destaca Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre.

    Apesar dos resultados positivos, apenas 7% da área ocupada pela agropecuária brasileira utiliza sistemas de ILPF. O estudo identificou diversas barreiras que impedem uma adoção mais ampla:

    Financeiras:

    • Políticas de crédito focadas em resultados anuais
    • Necessidade de períodos de carência mais longos para SAFs

    Técnicas:

    • Falta de assistência técnica especializada
    • Disponibilidade limitada de mão de obra qualificada

    Infraestrutura:

    • Ausência de infraestrutura em regiões distantes
    • Necessidade de investimentos em ferrovias e hidrovias

    Impacto nas políticas públicas

    Leonardo Bichara Rocha, economista agrícola sênior do Banco Mundial em Brasília, enfatiza a importância do estudo para orientar políticas públicas: “O trabalho traz evidências importantes para instrumentos financeiros que promovam o uso mais inclusivo, intensivo e ambientalmente sustentável da terra”.

    As informações coletadas servirão de subsídio para políticas do Banco Mundial e podem contribuir para a inclusão desses sistemas nas políticas nacionais de crédito, como o Plano Safra da Agricultura Familiar.

    O futuro da agricultura brasileira

    Com 60% do território nacional localizado na Amazônia, o potencial de expansão dos sistemas sustentáveis é imenso. No entanto, os pesquisadores alertam para a necessidade de mais estudos e dados sistematizados.

    “Conseguimos avaliar cinco sistemas que possuíam dados sistematizados, mas isso representa apenas uma pequena amostra da diversidade ambiental, social e econômica da Amazônia”, observa Valentim.

    O estudo representa um marco importante na colaboração entre Embrapa e Banco Mundial, assinada em 2024, e aponta para um futuro em que sustentabilidade e rentabilidade caminham juntas no agronegócio brasileiro.

    Os pesquisadores esperam que esta síntese estimule uma agenda de pesquisa mais ampla, levando à construção de um banco de dados robusto sobre sistemas sustentáveis no Brasil. O objetivo é fornecer bases sólidas para a implementação de políticas públicas de crédito rural, especialmente voltadas para a produção familiar na Amazônia.

    A mensagem é clara: o futuro da agricultura brasileira está nos sistemas sustentáveis, que oferecem a combinação perfeita entre prosperidade econômica e preservação ambiental.

  • Incêndio destrói mil hectares de capim dourado no Jalapão às vésperas da colheita

    Incêndio destrói mil hectares de capim dourado no Jalapão às vésperas da colheita

    Um incêndio de grandes proporções atingiu na última semana cerca de mil hectares de capim dourado na região do Jalapão, em Mateiros, Tocantins, poucos dias antes do início oficial da colheita. A planta é a principal matéria-prima para o artesanato tradicional da região e sustento econômico de centenas de famílias quilombolas e artesãs locais.

    O fogo atingiu áreas de grande importância econômica e cultural para a comunidade, especialmente a quilombola de Mumbuca, ameaçando a renda e o modo de vida de mais de 300 famílias que dependem do capim dourado para produção artesanal. A Festa da Colheita do Capim Dourado, evento tradicional da região, está agendada para ocorrer entre os dias 12 e 14 de setembro, mas sofre impacto devido à destruição causada pelo incêndio.

    Autoridades ambientais conseguiram controlar as chamas, mas o prejuízo já é considerado significativo. Moradores e lideranças expressaram tristeza e preocupação com a perda, ressaltando que o capim dourado é a “base da subsistência” da comunidade. O governo estadual estuda formas de auxílio às famílias afetadas enquanto investiga as causas do incidente, que pode ter sido intencional.

    Este não é o primeiro incêndio que ameaça a região; o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) já monitorava o local desde agosto a fim de proteger o capim dourado, que só pode ser colhido no período oficial entre 20 de setembro e 30 de novembro, garantindo a sustentabilidade da atividade artesanal.

    Conheça o campim dourado

    O capim dourado (Syngonanthus nitens) é uma planta nativa do Cerrado brasileiro, especialmente abundante na região do Jalapão, no Tocantins. Apesar do nome, não pertence à família dos capins ou gramíneas, mas sim à família das sempre-vivas. O capim dourado cresce em “sapatas” que ficam próximas ao solo, com cada sapata produzindo em média duas hastes douradas por ano. Algumas plantas podem gerar até 20 hastes anuais.

    As hastes são finas, brilhantes e têm uma pequena flor branca na ponta. Elas são a matéria-prima essencial para o artesanato local, utilizado em cestos, bolsas, biojoias e objetos decorativos produzidos principalmente por comunidades quilombolas do Jalapão, que usam técnicas artesanais passadas de geração em geração. A colheita dessas hastes acontece entre setembro e novembro, período em que as plantas estão maduras e com maior brilho natural.

    O capim dourado é considerado um recurso sustentável quando manejado corretamente, com queimadas bienais controladas sendo uma prática comum para estimular sua floração e renovação. Essa planta representa não só um valor econômico para muitas famílias, mas também um importante símbolo cultural e ambiental da região do Jalapão.

  • Fruta brasileira supera banana em proteínas

    Fruta brasileira supera banana em proteínas

    O murici desponta como uma das frutas mais nutritivas do Brasil. Esta pequena fruta amarela, também conhecida como nance ou nanche, distribui-se naturalmente entre o Brasil e o México. No território brasileiro, o Nordeste e a região do Cerrado concentram as maiores ocorrências naturais da espécie.

    Pesquisadores identificam no murici um perfil nutricional excepcional. A fruta contém aproximadamente 4% de proteínas em sua composição. Este índice supera em mais de três vezes o teor proteico da banana, que apresenta apenas 1,1 grama de proteína a cada 100 gramas.

    Vitamina C em doses extraordinárias

    A concentração de vitamina C no murici impressiona especialistas em nutrição. Cada 100 gramas da polpa podem conter até 404 mg do nutriente. Esta quantidade representa quatro vezes mais que a recomendação mínima diária para um adulto saudável.

    Foto: Reprodução Embrapa

    A vitamina C desempenha funções múltiplas no organismo humano. O nutriente fortalece o sistema imunológico e facilita a absorção de ferro pelo intestino. Além disso, combate os radicais livres e protege as células responsáveis pela produção de colágeno. Esta proteína contribui diretamente para a firmeza e elasticidade da pele.

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    O murici apresenta características sensoriais distintivas. Seu sabor adocicado remete ao queijo, criando uma experiência gustativa única entre as frutas tropicais. Esta particularidade sensorial torna o fruto especialmente atrativo para aplicações culinárias diferenciadas.

    Potencial econômico ainda subexplorado

    Apesar de sua riqueza nutricional, o murici ainda carece de exploração comercial em larga escala no Brasil. O processamento da polpa e a produção de derivados geram empregos e valor agregado, representando oportunidades econômicas significativas para produtores rurais.

    Economicamente, a produção de frutos pode gerar uma fonte de renda significativa para os agricultores, especialmente em mercados locais. A crescente demanda por frutos nativos e produtos naturais impulsiona o mercado do murici.

    Perspectivas de desenvolvimento sustentável

    Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental identificaram clones de muricizeiro com genética boa para produção de polpa de fruta de valor nutricional superior. Este avanço científico pode impulsionar a produtividade e qualidade dos cultivos comerciais.

    Áreas com ocorrência de muricizais podem atrair ecoturistas interessados na flora e na gastronomia local. O turismo ecológico representa uma fonte adicional de renda para comunidades rurais.

    Ambientalmente, o murici contribui para a conservação da biodiversidade, servindo de abrigo e alimento para diversas espécies de fauna. Esta característica posiciona a fruta como alternativa sustentável para diversificação agrícola.

    Aplicações industriais em expansão

    O estudo da composição química e das propriedades biológicas do murici pode levar ao desenvolvimento de novos produtos nas áreas alimentícia, cosmética e farmacêutica. A indústria de alimentos funcionais demonstra crescente interesse em frutas com alto valor nutricional.

    O murici representa uma oportunidade única de valorização da biodiversidade brasileira. Sua excepcional concentração de nutrientes, aliada ao potencial econômico ainda inexplorado, posiciona esta pequena fruta como um grande tesouro nacional.

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  • Oiti: a fruta dourada do cerrado

    Oiti: a fruta dourada do cerrado

    O cerrado brasileiro abriga tesouros gastronômicos únicos, e entre eles destaca-se o oiti (Licania tomentosa), uma fruta pequena mas poderosa em sabor e propriedades nutricionais. Essa pequena esfera dourada de polpa suculenta tem conquistado cada vez mais espaço na mesa dos brasileiros e despertado o interesse de nutricionistas e chefs renomados.

    O oiti é o fruto da oitizeira, árvore nativa do cerrado brasileiro que pode atingir até 15 metros de altura. Com formato arredondado e tamanho que varia entre 2 a 4 centímetros de diâmetro, a fruta apresenta casca lisa de coloração amarelo-dourada quando madura. Sua polpa é carnosa, suculenta e envolve uma ou duas sementes grandes.

    A árvore floresce entre agosto e outubro, e os frutos amadurecem de dezembro a março, coincidindo com o período chuvoso do cerrado. Esta sazonalidade torna o oiti ainda mais especial, sendo aguardado pelos apreciadores durante todo o ano.

    Sabor inconfundível: uma experiência sensorial única

    O sabor do oiti é uma verdadeira explosão gustativa que combina doçura natural com um toque levemente ácido, criando um equilíbrio perfeito no paladar. A textura da polpa lembra uma mistura entre manga e cajá, com consistência cremosa e suculenta que literalmente derrete na boca.

    Foto: Agência Agro em Campo

    Muitos descrevem o sabor como tropical e exótico, com notas que remetem a frutas como caju, manga e até mesmo um leve toque floral. Esta complexidade de sabores torna o oiti uma experiência gastronômica inesquecível para quem prova pela primeira vez.

    Perfil nutricional: um tesouro de vitaminas e minerais

    O oiti não é apenas saboroso, mas também uma excelente fonte de nutrientes essenciais para o organismo. Estudos nutricionais revelam que a fruta é rica em:

    Vitaminas:

    • Vitamina C: fundamental para o sistema imunológico e produção de colágeno
    • Vitaminas do complexo B: essenciais para o metabolismo energético
    • Vitamina A: importante para a saúde ocular e da pele

    Minerais:

    • Potássio: crucial para a função cardiovascular
    • Magnésio: importante para ossos e músculos
    • Ferro: essencial na prevenção da anemia
    • Cálcio: fundamental para a saúde óssea

    Benefícios para a saúde: mais que sabor

    As propriedades nutricionais do oiti traduzem-se em diversos benefícios para a saúde. A alta concentração de vitamina C fortalece o sistema imunológico, enquanto os antioxidantes presentes na fruta combatem os radicais livres, contribuindo para o retardamento do envelhecimento celular.

    O potássio presente no oiti ajuda na regulação da pressão arterial, enquanto as fibras auxiliam no bom funcionamento do intestino e na sensação de saciedade. Além disso, o baixo teor calórico torna a fruta uma excelente opção para quem busca uma alimentação saudável e equilibrada.

    Formas de Consumo: da natureza à mesa

    O oiti pode ser consumido in natura, sendo esta a forma mais tradicional e que preserva integralmente seus nutrientes. Basta descascar a fruta e saborear sua polpa doce e refrescante.

    Foto: Agência Agro em Campo

    Na culinária regional, o oiti é transformado em:

    • Sucos naturais refrescantes
    • Sorvetes e picolés artesanais
    • Geleias e compotas caseiras
    • Doces e sobremesas tradicionais
    • Licores e bebidas fermentadas

    Sustentabilidade e preservação do cerrado

    O cultivo e consumo do oiti representam mais que uma experiência gastronômica – são atos de preservação ambiental e cultural. A valorização desta fruta nativa contribui para a conservação do cerrado, bioma que abriga 5% da biodiversidade mundial e enfrenta constantes ameaças de desmatamento.

    Pequenos produtores e comunidades tradicionais dependem da coleta e comercialização do oiti como fonte de renda, tornando o consumo consciente desta fruta uma forma de apoiar a economia local e a preservação ambiental.

    O oiti pode ser encontrado em mercados regionais, feiras livres e estabelecimentos especializados em frutas do cerrado, principalmente nos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Distrito Federal, durante sua época de safra.

    Para escolher frutos de qualidade, prefira aqueles com casca dourada uniforme, sem manchas escuras ou machucados. A fruta deve ceder levemente à pressão dos dedos, indicando maturação adequada.

    Com o crescente interesse por alimentos funcionais e sustentáveis, o oiti desponta como uma das frutas nativas brasileiras com maior potencial de expansão. Pesquisadores estudam formas de prolongar sua conservação e desenvolver produtos derivados, enquanto chefs renomados incorporam a fruta em pratos sofisticados.

    A pequena fruta dourada do cerrado representa muito mais que um sabor exótico – é um símbolo da riqueza da biodiversidade brasileira e uma ponte entre tradição e inovação gastronômica.

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  • Castanha de baru: o superalimento do cerrado

    Castanha de baru: o superalimento do cerrado

    A castanha de baru é um tesouro nutricional nativo do Cerrado brasileiro. Esta semente comestível vem do baruzeiro (Dipteryx alata), árvore que também recebe nomes populares como barujo, cambaru e cumari. A castanha de baru é uma semente comestível proveniente do baru (barujo, cambaru, cumari, feijão-coco, entre outros nomes), encontrada principalmente em estados como Goiás, Mato Grosso, Maranhão e norte de Minas Gerais.

    A castanha do Baru tem mais de 20% de proteína em sua composição nutricional, desta maneira é mais proteica do que a castanha de caju e que a castanha do Pará. Este superalimento concentra uma impressionante variedade de nutrientes essenciais.

    A castanha apresenta ferro, ômega 3 e 6, e fibras em sua composição. Rica em proteínas, fibras e antioxidantes, a Castanha de Barú é uma excelente fonte de nutrientes essenciais, como zinco, magnésio, potássio e vitaminas.

    Benefícios comprovados para a saúde

    • Controle do colesterol e saúde cardiovascular: é rica em ferro, ômega 3 e 6, e fibras, nutrientes que fornecem muitos benefícios para a saúde como diminuir o colesterol ruim. Sua gordura saudável ajuda a promover um coração mais saudável.
    • Fortalecimento do sistema imunológico: os antioxidantes presentes no fruto também ajudam no fortalecimento do sistema imunológico, ajudando a combater as ações dos radicais livres. A castanha de baru aumenta a imunidade através de seus compostos bioativos.
    • Energia e disposição: a castanha de baru gera mais energia, aumenta a disposição e é indicado em casos de fadiga e cansaço. Sua alta concentração proteica a torna ideal para atletas e pessoas ativas.
    • Saúde óssea e muscular: fonte de proteína, a castanha é excelente para a saúde dos ossos, bem como dos músculos, cabelo e das unhas. Cálcio, fósforo e manganês: importantes para a manutenção da estrutura óssea.
    • Propriedades anti-inflamatórias: possui propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias, sendo assim, também beneficia a saúde da pele.
    • Auxílio no controle de peso: é rica em proteínas e fibras, o que pode ajudar na sensação de saciedade, sendo uma ótima opção para lanches entre as principais refeições. A castanha de baru ajuda no emagrecimento devido ao seu poder saciante.

    Época de colheita e produção

    O período de colheita do fruto costuma acontecer de julho a outubro, período de estiagem. As épocas de desenvolvimento começam a surgir entre março e junho, amadurecendo nos meses de julho a outubro.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    O baru é um fruto marrom, de casca fina, com cerca de 5 cm de comprimento, produzido pelo baruzeiro nos meses de setembro a outubro. Colheita: de julho a setembro. Rendimento: de 3 a 4 sacos (45 kg cada) por homem/dia (safra).

    Sustentabilidade e preservação do cerrado

    O comércio do baru é uma atividade sustentável, já que não é necessário cortar a árvore para a obtenção do produto. Esta característica torna o baru uma alternativa econômica que preserva o bioma Cerrado.

    A coleta do baru representa uma fonte de renda para comunidades tradicionais do Cerrado. Na seca em que é a época da colheita do fruto o gado roe a polpa do fruto no pasto, suplementando a sua alimentação, demonstrando a integração da espécie com a pecuária local.

    Os frutos podem ser consumidos inteiros, em geleias e licores, enquanto a castanha pode ser utilizada em pratos típicos como pé-de-moleque, paçoquinha e até em pães e bolos. A castanha torrada é muito energética e nutritiva. O sabor lembra o do amendoim.

    Mercado internacional e potencial econômico

    Seu alto teor de proteínas a torna ideal para dietas vegetarianas e veganas, atendendo a uma demanda crescente por alimentos funcionais e sustentáveis.

    O governo brasileiro informou essa semana a decisão da União Europeia de liberar a importação de castanha de baru torrada, fortalecendo a presença dos produtos do cerrado brasileiro no mercado internacional. A medida, anunciada por autoridades europeias, representa um avanço significativo para a bioeconomia nacional e para o setor de alimentos funcionais e naturais.

    Com uma população superior a 447 milhões de habitantes, a União Europeia figura como o segundo maior destino das exportações agropecuárias do Brasil. Em 2024, o bloco importou mais de US$ 23 bilhões em produtos brasileiros, com destaque para soja, café e itens florestais.

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  • Sistemas integrados aumentam carbono no solo e produtividade

    Sistemas integrados aumentam carbono no solo e produtividade

    A Embrapa Meio-Norte avaliou sistemas agrícolas no Matopiba. A região inclui áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Os pesquisadores compararam diferentes formas de uso do solo. Eles analisaram carbono, nitrogênio e qualidade física do solo.

    Sistemas integrados lideram no armazenamento de carbono

    ILP e pastagens mantiveram mais carbono em todas as camadas. ILPF e Cerrado nativo mostraram os menores estoques. Além disso, esses sistemas também elevaram o teor de substâncias húmicas. Em geral, essas substâncias melhoram a fertilidade e a estrutura do solo.

    Manejo adequado é chave para aumentar o carbono

    Edvaldo Sagrilo, da Embrapa, destacou a importância do manejo. Ele afirma: “Sem bom manejo, o ganho não acontece”. Portanto, boas práticas melhoram a retenção de carbono e nitrogênio.

    Vantagens vão além da produtividade nas lavouras

    Com mais carbono, o solo se torna mais fértil e produtivo. Além disso, os sistemas reduzem perdas de fertilizantes. Isso significa menos impacto ambiental e menor custo. Outra vantagem: menor emissão de gases do efeito estufa. Isso contribui para mitigar o aquecimento global.

    Carbono no solo pode virar crédito ambiental

    Com o avanço do mercado de carbono, o produtor pode lucrar. Mais carbono no solo poderá gerar créditos ambientais no futuro. Sagrilo lembra: “A sociedade também se beneficia com isso”.

    Estudo avaliou áreas em São Raimundo das Mangabeiras (MA)

    Os cientistas escolheram áreas com clima e solo similares. Eles compararam Cerrado, ILPF, ILP e pastagem.
    Amostraram o solo em quatro profundidades diferentes.

    Carbono aumentou até 108% nos sistemas conservacionistas

    ILP com plantio direto teve alta de 84% no carbono. ILP com aração subiu 108%; pastagem teve ganho de 66%.
    Resultados indicam sucesso dos sistemas a longo prazo.

    Produtor do Maranhão comprova vantagens no campo

    Fernando Devicari implantou ILP há 15 anos em Brejo (MA). Ele também adotou ILPF há nove anos na propriedade. Segundo ele, a matéria orgânica do solo dobrou no período.

    A produção de soja também aumentou com a melhoria do solo. Ele colhe 7,8 sacas a mais por hectare em áreas com ILP.

    Resultados podem se repetir em outras áreas do Cerrado

    Sagrilo diz que estudos em outras regiões mostram a mesma tendência. A integração lavoura-pecuária melhora produção e sustentabilidade. Esses modelos superam os sistemas convencionais em resultados.

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  • Comunidade mineira amplia produção de polpas de frutas do Cerrado

    Comunidade mineira amplia produção de polpas de frutas do Cerrado

    A produção de polpas de frutas do Cerrado tem impulsionado a economia da Comunidade de Gerais Velho, em Ubaí, no Norte de Minas Gerais. Após conquistar o registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura em 2023, a Unidade de Processamento de Polpa de Frutas do Cerrado, vinculada à Associação Quilombola de Gerais, ampliou sua atuação e agora atende mercados institucionais, como escolas estaduais e municipais.

    A iniciativa, criada há 15 anos, ganhou novo fôlego com a regularização sanitária, permitindo a comercialização formal das polpas em programas governamentais. Atualmente, 65 agricultores familiares participam do projeto, que nasceu como alternativa para aproveitar as frutas típicas dos quintais da região e aumentar a renda local.

    Segundo Arlene Mendes Pereira, extensionista da Emater-MG, a associação precisou adaptar a estrutura física, atualizar o Estatuto Social e adotar o Manual de Boas Práticas de Fabricação para obter o selo do SIF. Com o apoio técnico da Emater-MG, o grupo padronizou embalagens e rótulos para polpas de acerola, manga, cajá, tamarindo, jenipapo, goiaba, maracujá e umbu, frutas do Cerrado com forte aceitação nas escolas da região.

    Em 2024, a unidade comercializou cerca de 1.700 quilos de polpas para escolas estaduais e 500 quilos para escolas municipais de Ubaí, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O secretário municipal de Agricultura, Hélio Ferreira Veloso, destaca que os produtos são livres de aditivos químicos e açúcares. Além de garantirem renda aos produtores locais.

    Para 2025, a associação já realiza entregas regulares às escolas estaduais de Ubaí e aguarda novas chamadas públicas municipais. Também iniciou a distribuição para escolas de Brasília de Minas. E já foi classificada em oitavo lugar no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) estadual.

    Capacitação

    A capacitação dos trabalhadores é feita anualmente. E conta com apoio da Emater, Prefeitura e Secretaria Municipal de Agricultura. O presidente da Associação Quilombola de Gerais, Xisto Martins Pereira, afirma que o projeto busca expandir. Mas enfrenta desafios como o alto custo da energia e a necessidade de uma câmara fria para armazenamento. “Temos esperança que as coisas fluam e estamos nos dedicando para conseguir essas melhorias”, destaca.

    A experiência de Ubaí mostra como a valorização das frutas do Cerrado e o acesso a mercados institucionais podem fortalecer a agricultura familiar e promover o desenvolvimento sustentável no Norte de Minas.

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  • Estudantes visitam Embrapa Cerrados

    Estudantes visitam Embrapa Cerrados

    Nesta semana, estudantes do ensino médio do Distrito Federal e Entorno participaram de visitas educativas à Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), para aprender sobre o bioma Cerrado e a importância da ciência na agricultura brasileira. As atividades ocorreram nos dias 3 e 4 de junho, com alunos do Colégio Estadual Divina Olímpio Miranda, da Cidade Ocidental (GO), e do Instituto Educacional Santo Elias, de Sobradinho (DF).

    Durante a visita, os estudantes tiveram contato direto com as características do Cerrado, incluindo sua vegetação, sementes, frutos e técnicas de restauração ambiental. Também conheceram ações voltadas à qualidade da água para consumo humano e irrigação agrícola. Na quarta-feira (4), os alunos visitaram laboratórios da unidade, onde foram apresentados a pesquisas sobre química da água, ecotoxicologia, análise de solos e microbiologia.

    O chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Fábio Faleiro, destacou o papel da ciência e tecnologia no desenvolvimento da agricultura brasileira. “É possível produzir com responsabilidade e preservar o meio ambiente”, afirmou, ressaltando a transformação do Brasil de importador para um dos maiores exportadores mundiais de alimentos.

    Atividades

    As atividades começaram no auditório com vídeos explicativos sobre o Cerrado e o trabalho da Embrapa. O pesquisador Felipe Ribeiro conduziu a introdução e contextualização dos temas. Na área externa, os estudantes participaram de estações temáticas, onde a técnica Daphne Muniz demonstrou o uso de equipamentos para análise da qualidade da água, alertando que a aparência limpa nem sempre indica água própria para consumo.

    Na estação sobre a vegetação do Cerrado, pesquisadores Fabiana Aquino, Marina Vilela e Araci Alonso apresentaram plantas e frutos típicos, permitindo que os alunos manuseassem sementes e conhecessem a diversidade do bioma. Nos laboratórios, a supervisora Aline Rabello e os técnicos Francisco Delvico e Clodoaldo de Souza explicaram os processos científicos realizados, despertando grande interesse dos estudantes.

    Gabriel Calaça, participante da visita, elogiou a experiência: “Gostei muito dos laboratórios, especialmente da parte sobre bactérias que fixam nitrogênio. Achei isso fantástico.” Mariana Marques destacou a didática dos profissionais na apresentação das plantas e frutos do Cerrado. Já João Antônio Gomes resumiu o sentimento do grupo: “Faz muita diferença ver nos livros e estar aqui, podendo tocar e vivenciar.”

    Para o professor de História Carloman Porto, que acompanhou os alunos, a visita vai além do conteúdo curricular. “Os jovens compreendem melhor quando estão no local. Além disso, é uma oportunidade de conhecerem diferentes áreas de atuação profissional e, quem sabe, se inspirarem para o futuro”, avaliou. A atividade integrou um projeto escolar voltado para o meio ambiente.

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