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  • JBS inicia exportação de carne bovina para o Vietnã

    JBS inicia exportação de carne bovina para o Vietnã

    A gigante brasileira JBS marcou um marco no agronegócio neste sábado (5) com o primeiro embarque de carne bovina para o Vietnã. O movimento estratégico amplia a presença da empresa no Sudeste Asiático e consolida o Brasil como fornecedor global de proteínas.

    A JBS enviou 27 toneladas de carne bovina processadas na unidade da Friboi em Mozarlândia (GO), recentemente habilitada para exportações ao Vietnã. A cerimônia no Rio de Janeiro contou com a presença do primeiro-ministro vietnamita Phạm Minh Chính e do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.

    O embarque ocorreu durante a Cúpula dos BRICS e simboliza o fortalecimento das relações comerciais entre os dois países. O presidente Lula celebrou o acordo com uma caixa simbólica da Friboi, destacando a importância do Vietnã como parceiro estratégico.

    Mercado promissor e investimentos bilionários

    O Vietnã, com 101 milhões de habitantes e crescimento de 7,6% no PIB no segundo trimestre de 2025, importou 300 mil toneladas de carne bovina em 2024. A JBS projeta dominar até 50% desse mercado, movimentando até R$ 590 milhões anuais.

    Além da exportação, a JBS anunciou um investimento de US$ 100 milhões para construir duas fábricas no Vietnã. As unidades produzirão carne bovina, suína e de aves, utilizando matérias-primas brasileiras. A primeira fábrica será instalada no parque industrial Nam Đình Vũ, com operação prevista para 2026.

    Marcela Rocha, diretora-executiva da JBS, destacou que a entrada no Vietnã beneficia toda a cadeia do agronegócio brasileiro, setor que representa 20% do PIB nacional. A empresa já opera no país desde 2014 com uma fábrica de couro em Dong Nai, que emprega 600 pessoas.

    Com 12 frigoríficos brasileiros prestes a receber habilitação para exportar ao Vietnã, o país asiático se consolida como peça-chave na diversificação de mercados da JBS, que emprega 280 mil pessoas em 17 países.

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  • Carne mais cara? Veja o que está por trás da alta

    Carne mais cara? Veja o que está por trás da alta

    A conta no açougue anda mais salgada — e a culpa, desta vez, não é só do boi gordo. Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que a carne subiu de preço porque os frigoríficos estão comprando mais do que o mercado consegue entregar. Ou seja: tem mais gente querendo carne do que boi disponível para abate.

    Demanda supera a oferta

    Parece simples, e é: quando a procura aumenta e a oferta não acompanha, o preço sobe. Foi o que aconteceu neste começo de inverno. Segundo o Cepea, a demanda firme das indústrias frigoríficas deu um empurrão nos preços da arroba do boi gordo. Na outra ponta, isso acabou chegando ao bolso do consumidor, que já sente o impacto no quilo da carne.

    “A gente observa um movimento de firmeza nas compras por parte dos frigoríficos, especialmente aqueles que atendem o mercado interno”, aponta nota do Cepea. E tem mais: com o consumo interno em recuperação, embalado pelo frio e por datas como as festas juninas, o cenário fica ainda mais aquecido.

    Foto: Divulgação – Empório 481

    Menos boi no pasto, mais dor no bolso

    Além da demanda, outro fator entra em cena: a questão de campo. Nas últimas semanas, o volume de animais prontos para o abate diminuiu consideravelmente. Por um lado, muitos pecuaristas resolveram segurar o gado, na esperança de conseguir preços melhores. Por outro, esse cenário também é reflexo da entressafra, período em que a pastagem fica mais escassa e o ganho de peso dos animais desacelera. Com isso, a oferta de bois gordos caiu, contribuindo para pressionar ainda mais os preços.

    Resultado: o valor da arroba disparou. E quando isso acontece, não demora muito para o consumidor ver o efeito no açougue, especialmente em cortes mais populares, como patinho, acém e músculo.

    E o que vem pela frente?

    Apesar do aperto no bolso, analistas não esperam uma explosão nos preços. A expectativa é de que, com a oferta se normalizando nas próximas semanas, o mercado volte a um equilíbrio.

    Mas até lá, quem quiser carne vermelha vai ter que rebolar: aproveitar promoções, buscar açougues de bairro e até variar o cardápio. A proteína bovina ainda reina nas mesas brasileiras, mas anda exigindo mais criatividade — e paciência.

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  • Preços do frango reagem com retomada das exportações

    Preços do frango reagem com retomada das exportações

    Após semanas de queda, os preços do frango vivo e da carne começaram a reagir nesta semana, segundo o Cepea. Ou seja, esse movimento interrompeu a trajetória negativa iniciada na última semana de maio, causada pelas restrições comerciais à carne brasileira.

    Essas barreiras surgiram após a confirmação de um foco de gripe aviária no Brasil, o que afetou diretamente as exportações. No entanto, o cenário mudou no dia 18 de junho, quando o país voltou a ser certificado como livre da doença. Com isso, o setor avícola retomou o otimismo e observou aumentos pontuais nos preços da carne e do frango vivo em algumas regiões. Em outras praças, os valores se mantiveram estáveis.

    Apesar da retração típica nas vendas no fim do mês, os preços subiram por dois fatores principais. Primeiro, a carne de frango ficou mais competitiva que a bovina e a suína. Segundo, 16 países que haviam suspendido temporariamente as compras voltaram a importar a proteína brasileira. Portanto, esse cenário ajudou a sustentar os preços, mesmo com o menor poder de compra da população no final do mês.

    Preços dos ovos caem ao menor nível de junho

    Enquanto o frango registra reação, o mercado de ovos enfrenta desvalorização nesta reta final de junho. De acordo com o Cepea, os preços chegaram ao menor valor diário do mês em várias regiões acompanhadas pelo centro de pesquisa.

    Segundo agentes do setor, dois fatores contribuíram para a queda: o feriado de Corpus Christi e o fim de mês. Esses elementos reduziram a demanda, já que a população costuma estar com menor capital nesse período.

    Em paralelo, o Ministério da Agricultura declarou encerrado o estado de emergência zoossanitária em Montenegro (RS). O alerta havia sido emitido após a confirmação de gripe aviária em uma granja comercial no município. Com isso, o Brasil recuperou oficialmente o status de livre da doença.

    Mesmo assim, os pesquisadores do Cepea destacam que as exportações de produtos avícolas, como ovos, ainda não foram normalizadas. A retomada completa do mercado externo pode levar mais tempo, dependendo da reabertura total dos países importadores.

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  • Preço do boi em Mato Grosso encosta no valor paulista

    Preço do boi em Mato Grosso encosta no valor paulista

    Os preços do boi gordo em Mato Grosso seguem em alta e reduzem a diferença em relação a São Paulo. Segundo levantamento do Cepea, os valores no estado líder em rebanho bovino do Brasil se aproximam cada vez mais dos paulistas.

    Essa tendência começou no fim de 2022, com queda nos diferenciais entre os dois estados. Em abril de 2025, pesquisadores do Cepea registraram negócios em Mato Grosso com valores superiores aos de São Paulo. Apesar disso, a média mensal ainda apontou vantagem paulista: R$ 9,50 por arroba.

    Esse foi o menor diferencial desde meados de 2017, quando o cenário da pecuária era diferente. Em abril de 2024, a arroba paulista valia R$ 22,20 a mais que a mato-grossense. Já em maio de 2025, a situação se inverteu. Mato Grosso vendeu a arroba R$ 12,30 mais cara que São Paulo. No mesmo mês de 2024, São Paulo liderava com vantagem de R$ 20,10 por arroba.

    Queda atinge preços do suíno e da carne

    Os preços do suíno vivo caíram nos últimos dias na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea. Em geral, a retração vem após semanas de estabilidade no mercado. Ou seja, o recuo ocorre por causa do enfraquecimento típico da demanda no fim do mês.

    Além disso, o mercado spot ficou mais especulativo após os casos recentes de gripe aviária no país. Esse cenário aumentou a dificuldade nas negociações com a indústria. No atacado, os cortes de carne suína também recuaram, acompanhando a queda no preço do animal vivo.

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  • MG: exportações de produtos agropecuários atingem 46,8% do total do estado

    MG: exportações de produtos agropecuários atingem 46,8% do total do estado

    As exportações do agronegócio mineiro continuam em alta, mesmo diante das incertezas comerciais entre Estados Unidos e China. O setor bateu novos recordes e consolidou sua liderança sobre a mineração nas vendas externas. No primeiro quadrimestre de 2025, o agronegócio respondeu por 46,8% das exportações totais do estado, gerando US$ 6,5 bilhões em receita e exportando 5 milhões de toneladas de produtos.

    Esse desempenho marca o melhor resultado para o período desde o início da série histórica em 1997. Em relação ao mesmo período do ano passado, a receita cresceu 26%, mesmo com uma queda de 6,2% no volume exportado. O levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) também aponta valorização de 34% no preço médio das commodities agropecuárias por tonelada.

    Com base nos dados do quadrimestre, as projeções indicam que Minas Gerais deve fechar 2025 com exportações agropecuárias entre US$ 19,5 e US$ 20,5 bilhões, mantendo o estado como um dos maiores polos agroexportadores do Brasil. O secretário Thales Fernandes destaca a importância de aguardar o fechamento do primeiro semestre para uma estimativa mais precisa, já que fatores como clima, logística portuária, conflitos geopolíticos e oscilações nos preços de insumos podem impactar o resultado.

    Minas Gerais permanece como o terceiro maior exportador de produtos agropecuários do país, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. A produção mineira alcançou 160 mercados internacionais, com destaque para China (23%), Estados Unidos (13%), Alemanha (9%), Itália (6%) e Japão (5%).

    Principais produtos exportados

    Café: o café lidera as exportações mineiras, com receita de US$ 3,9 bilhões e 10 milhões de sacas comercializadas. O valor exportado subiu 70%, enquanto o volume caiu 3% devido à entressafra. O produto respondeu por 60% da receita total do agronegócio mineiro.

    Soja: a soja, incluindo grãos, farelo e óleo, gerou US$ 1,1 bilhão em receita e 2,9 milhões de toneladas exportadas. Houve queda de 9% no valor, mas o volume cresceu 0,7%. Em abril, os números mostraram recuperação do setor, embora os preços permaneçam pressionados para baixo devido à guerra comercial e ao início do plantio nos EUA.

    Ovos: os ovos registraram aumento de 495% em valor, somando US$ 6,6 milhões e 3 mil toneladas exportadas (alta de 278%). O crescimento reflete a demanda dos Estados Unidos, que enfrentam crise no setor avícola por surtos de influenza aviária.

    Carnes: as exportações de carnes bovina, suína e de frango cresceram em receita e volume. O setor totalizou US$ 533 milhões e 158 mil toneladas exportadas, aumento de 21,4% em receita. A carne bovina atingiu US$ 374 milhões e 78 mil toneladas, com crescimentos de 19% e 8%, respectivamente. Os Estados Unidos aumentaram as compras em até 195% no período.

    A carne suína somou US$ 24 milhões e 11 mil toneladas, com todos os destinos ampliando as compras. As Filipinas, novo mercado, ocuparam o 4º lugar entre os principais compradores, com 10% dos embarques. O frango gerou US$ 128 milhões e 66 mil toneladas, com alta de 17% na receita e 10% no volume. Destacam-se as vendas para China e Países Baixos.

    Outros produtos de destaque

    Os produtos florestais (celulose, papel e madeira) ultrapassaram o complexo sucroalcooleiro e se firmaram como o quarto principal grupo exportado, com receita de US$ 339 milhões e 559 mil toneladas. A queda de 42,5% no valor e 38% no volume das exportações sucroalcooleiras, que somaram US$ 334 milhões e 711 mil toneladas, reflete os impactos do clima adverso, como temperaturas elevadas e chuvas irregulares, que prejudicaram a produção de cana-de-açúcar e, consequentemente, a oferta de açúcar e etanol.

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  • Entenda como a gripe aviária pode afetar seu bolso

    Entenda como a gripe aviária pode afetar seu bolso

    A recente proibição das exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul, maior estado exportador do Brasil, devido à confirmação do primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial em Montenegro, pode impactar significativamente o bolso do consumidor brasileiro. A suspensão das vendas para países como China e União Europeia, principais importadores da proteína, aumenta a oferta interna de frango, o que tende a pressionar os preços para baixo no mercado doméstico nos próximos meses.

    A China, que representa cerca de 10,9% das exportações brasileiras de frango, suspendeu as compras por pelo menos 60 dias, enquanto a União Europeia, que consome cerca de 7% do total exportado, também interrompeu as importações. Essa interrupção pode afetar entre 15% e 20% das exportações mensais do produto, segundo análises preliminares.

    Oferta e procura

    Com a maior disponibilidade do frango no mercado interno, a proteína deve ficar mais acessível para as famílias brasileiras, aliviando o orçamento doméstico. A produção, que estava planejada para atender a uma demanda maior no exterior, agora enfrenta uma oferta excedente que pode reduzir os preços no curto prazo. Além disso, a queda no preço do frango pode provocar um efeito cascata, influenciando a redução dos preços de carnes substitutas, como a carne de porco e cortes bovinos mais baratos.

    No entanto, a suspensão das exportações também traz prejuízos para o setor produtivo e para a economia do estado do Rio Grande do Sul, que em 2023 gerou receita de US$ 1,45 bilhão com exportações de carne de frango para 137 países. O governo brasileiro adotou medidas de emergência sanitária e está negociando a regionalização dos protocolos para limitar as restrições apenas à área afetada, buscando retomar o comércio internacional o mais rápido possível.

    Assim, a proibição temporária das exportações de frango devido à gripe aviária deve beneficiar o consumidor brasileiro com preços mais baixos no mercado interno. Mas representa um desafio econômico para os produtores e para o setor exportador do país.

    Em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 10 bilhões em carne de frango, representando 35% do comércio global. A China, Japão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos figuram entre os principais destinos da produção brasileira. Qualquer sinal de instabilidade sanitária pode gerar restrições comerciais imediatas, como ocorreu anteriormente com o Japão.

    Especialista avalia que reação do mercado pode ser maior que risco real

    Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital, alerta para a necessidade de cautela antes de tirar conclusões precipitadas sobre os impactos no mercado. Ele destaca que notícias desse tipo costumam gerar medo e chamar atenção, mas é fundamental analisar com calma. O Ministério da Agricultura e a Vigilância Sanitária mantêm protocolos claros para conter riscos de doenças, atuando rapidamente para mitigar os efeitos, tanto por parte do governo quanto dos produtores.

    O especialista aponta que os impactos mais imediatos podem afetar ações de empresas com forte exposição ao setor avícola. Vasconcellos menciona que pode haver impacto de curto prazo em companhias como a BRF, mas também existe grande chance de uma sobre-reação do mercado diante de um evento ainda controlado.

    Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital

    Além disso, a fusão entre a Marfrig (MRFG3) e a BRF (BRFS3) movimentou o mercado em 16 de maio. A operação prevê a incorporação total das ações da BRF pela Marfrig, criando a MBRF Global Foods Company, com receita combinada de R$ 152 bilhões. A relação de troca é de 0,8521 ação da Marfrig para cada ação da BRF, acompanhada da distribuição de R$ 6 bilhões em proventos. Como resultado, as ações da Marfrig subiram mais de 17%, enquanto as da BRF caíram cerca de 2%, refletindo as percepções do mercado sobre os termos da fusão.

    Vasconcellos ressalta a importância de acompanhar os desdobramentos nos próximos dias. Ele afirma que alguns países podem impor embargos temporários, mas se o Brasil mantiver transparência com seus parceiros internacionais e focar no controle da situação, os efeitos devem ser limitados. Historicamente, a sobreoferta de frango no mercado interno pode levar a uma redução pontual de preços, mas ainda é cedo para projeções concretas.

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  • Preços do suíno vivo e da carne caem novamente

    Preços do suíno vivo e da carne caem novamente

    Os preços do suíno vivo e da carne registram queda pela terceira semana seguida em todas as regiões monitoradas pelo Cepea. Segundo o Centro de Pesquisas, a baixa liquidez no mercado atacadista e a oferta elevada de animais pressionam as cotações. Com a demanda doméstica enfraquecida no fim do mês, frigoríficos reduzem os valores para melhorar a liquidez e evitar estoques elevados.

    Preços da arroba do boi gordo seguem estáveis em março

    Os preços da arroba do boi gordo mantêm estabilidade desde o início de março. Em São Paulo, as médias variaram entre R$ 309,20 e R$ 312,95. Segundo o Cepea, compradores ajustam os valores com cautela, acompanhando a estabilidade da carne no atacado. Frigoríficos operam com escalas de abate entre cinco e sete dias, enquanto pecuaristas resistem a vender por preços menores. No mercado externo, as exportações estão aquecidas. Dados da Secex indicam que, até a terceira semana do mês, a média diária de embarques superava em 51% a de março de 2024, com preços em reais 24% superiores.

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  • Japão avança para importar carne bovina e biocombustíveis do Brasil

    Japão avança para importar carne bovina e biocombustíveis do Brasil

    O governo japonês deu o primeiro passo para abrir seu mercado à carne bovina e aos biocombustíveis brasileiros. Durante visita oficial ao Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou quase 90 acordos, incluindo memorandos e contratos comerciais.

    Lula afirmou que a parceria entre os dois países alcançou um novo patamar. “Saio [do país] para dizer aos brasileiros que a relação entre o Japão e o Brasil mudou de patamar”, declarou ao fim do encontro no Palácio Akasaka, em Tóquio.

    O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, garantiu que manterá contato com Lula para reforçar os investimentos japoneses no Brasil. Desde 2020, empresas japonesas aplicaram R$ 44 bilhões no país.

    O anúncio inesperado foi a decisão do Japão de enviar técnicos ao Brasil nos próximos 60 dias para inspecionar a produção de carne bovina. Essa análise representa um passo estratégico para liberar a exportação do produto ao mercado japonês.

    O Brasil, maior exportador mundial do produto, atende cerca de 160 países e busca essa habilitação há quase duas décadas.

    ABIEC

    A ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) tem trabalhado ativamente para viabilizar essa conquista, junto ao governo brasileiro e ao setor produtivo. Nos últimos dois anos, missões técnicas e diplomáticas registraram avanços expressivos, com inspeções sanitárias realizadas por autoridades japonesas. O presidente da ABIEC, Roberto Perosa, esteve diversas vezes no Japão para tratar do tema e destacou que o Brasil tem um dos sistemas de controle sanitário mais avançados do mundo, cumprindo rigorosamente as exigências de mercados altamente criteriosos, como Estados Unidos, União Europeia e China.

    Outra negociação avançou na área de biocombustíveis. O governo japonês indicou que estuda ampliar o uso do biodiesel, com potencial para ser utilizado na aviação. Essa discussão está em andamento há mais de dez anos e pode abrir novas oportunidades para o Brasil no setor energético.

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  • Vitela: conheça a carne mais macia do mundo

    Vitela: conheça a carne mais macia do mundo

    A vitela, uma das carnes mais refinadas e apreciadas no mundo, está conquistando um nicho especial na gastronomia brasileira. A carne de vitela vem de bezerros jovens de raças leiteiras, como Holandesa e Jersey, abatidos entre 16 e 20 semanas de idade. Esse processo resulta em uma textura macia e um sabor delicado. Normas específicas regulam a produção para garantir tanto a qualidade do produto final quanto o bem-estar animal, embora ainda existam debates sobre práticas controversas.

    Os criadores mantêm os bezerros em condições específicas para assegurar a qualidade distintiva da carne. O peso ideal para o abate varia entre 150 e 200 kg, dependendo do sistema de produção adotado.

    A dieta controlada, rica em leite ou substitutos lácteos, contribui para a baixa concentração de mioglobina no músculo, resultando em uma carne de coloração rosa-pálida a levemente avermelhada. Essa tonalidade mais clara, aliada à textura macia, torna a vitela uma escolha popular em restaurantes de alta gastronomia.

    Características marcantes

    A vitela é reconhecida por sua textura macia e tenra, graças à estrutura muscular ainda em desenvolvimento dos animais jovens. Isso resulta em fibras musculares finas e pouco tecido conjuntivo, tornando-a uma carne que praticamente derrete na boca.

    O paladar é caracterizado por um sabor suave e delicado, menos intenso que o da carne bovina madura, o que a torna versátil na culinária, permitindo que se harmonize bem com diversos acompanhamentos e molhos.

    Além de suas qualidades sensoriais, a vitela oferece um perfil nutricional interessante. É uma excelente fonte de proteínas de alta qualidade, vitaminas do complexo B (especialmente B12) e minerais, como ferro, zinco e selênio. Comparada à carne bovina tradicional, a vitela tende a ser mais magra, com menor teor de gordura saturada, o que a torna uma opção saudável para consumidores que buscam alternativas mais leves.

    Desafios e mercado

    No entanto, a produção de vitela enfrenta críticas devido às condições de criação dos bezerros. Muitos são separados de suas mães logo após o nascimento e mantidos em espaços confinados, o que pode gerar sofrimento animal.

    Além disso, a alimentação controlada, que inclui a limitação do ferro para manter a carne branca, é um método questionado por ativistas dos direitos dos animais. Embora o Brasil não tenha leis específicas para proibir essas práticas, a conscientização sobre o bem-estar animal está aumentando, influenciando as escolhas dos consumidores.

    Apesar das controvérsias, o mercado de vitela no Brasil está crescendo, impulsionado pela demanda por carnes especiais e sofisticadas. Restaurantes de alta gastronomia consomem principalmente essa carne, valorizada por sua exclusividade e sabor único. Portanto, com a tendência de urbanização e melhor distribuição de renda, espera-se que a produção de vitela continue a se expandir, tanto para atender ao mercado interno quanto ao externo.

    Foto: Public Domain – Creative Commons

    Em resumo, a vitela é uma carne que combina refinamento com controvérsias. Enquanto sua maciez e sabor a tornam uma delícia para os paladares mais exigentes, as condições de produção levantam questões éticas importantes. Conhecer esses aspectos é fundamental para que os consumidores possam fazer escolhas informadas e contribuir para um mercado mais consciente e sustentável.

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  • China suspende importação de carne bovina de três frigoríficos brasileiros

    China suspende importação de carne bovina de três frigoríficos brasileiros

    A China anunciou nesta semana a suspensão temporária das importações de carne bovina de três frigoríficos do Brasil, após auditorias remotas identificarem não conformidades com os requisitos sanitários do país asiático. A medida, comunicada pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC), mobilizou o governo brasileiro, que já iniciou diálogos para resolver as pendências e minimizar impactos no comércio bilateral.

    A suspensão afeta uma unidade da JBS localizada em Mozarlândia (GO), outra da Frisa em Nanuque (Minas Gerais), e uma terceira da Bon Mart em Presidente Prudente (SP). Também afeta dois exportadores argentinos, um do Uruguai e um da Mongólia.

    Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as empresas afetadas receberam notificação oficial e estão implementando medidas corretivas para readequação aos padrões chineses. A suspensão ocorre em um momento sensível: a China é o principal destino da carne bovina brasileira, responsável por 60% das exportações do setor em 2023, com vendas superiores a US$ 8 bilhões no acumulado do ano.

    Videoauditorias e não conformidades

    A GACC realizou inspeções virtuais (videoauditorias) nas unidades, prática adotada desde a pandemia para fiscalização internacional. Embora os detalhes das irregularidades não tenham sido especificados, autoridades brasileiras destacam que o sistema de defesa agropecuária do país mantém credibilidade global. São 126 plantas frigoríficas atualmente habilitadas para exportar para a China. Número que quadruplicou desde 2019, quando apenas 12 unidades estavam liberadas.

    O ministro Carlos Fávaro (Agricultura) lembrou que, desde o início da gestão atual, o governo reativou 12 plantas suspensas. E também ampliou em 43 o número de unidades aprovadas. “Temos um histórico de solução rápida dessas questões. A China reconhece a qualidade do nosso sistema, e trabalharemos para normalizar a situação”, reforçou.

    Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária, destacou que as tratativas com a GACC e o setor privado são prioridade: “Nossa defesa agropecuária é referência, mas cada mercado tem exigências específicas. Estamos ajustando os pontos levantados para retomar as exportações o quanto antes”.

    Impacto no mercado doméstico

    Apesar da suspensão, o ministro Fávaro ressaltou que as exportações para a China beneficiam o equilíbrio de preços no Brasil. “Os cortes enviados ao mercado asiático têm baixa demanda aqui ou menor valor comercial. Exportar evita sobrecarga no mercado interno e ajuda na formação de preços”. Dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) indicam que 85% da carne exportada para a China corresponde a partes como ponta de agulha e músculo dianteiro, menos valorizadas no Brasil.

    A China é parceira estratégica do agronegócio brasileiro, com acordos que incluem protocolos sanitários rígidos. Em 2022, o país asiático chegou a suspender importações de 27 unidades brasileiras por questões burocráticas, mas todas foram reabilitadas em menos de dois meses. Especialistas apontam que a diversificação de mercados – como a recente abertura da Indonésia e Filipinas – reduz a dependência de um único comprador.

    O Mapa informou que enviará técnicos às unidades suspensas para acelerar as correções. A expectativa é que a China reavalie as plantas em até 30 dias, prazo comum em casos anteriores. Enquanto isso, as demais 123 unidades continuam operando normalmente, o que deve evitar rupturas no fluxo comercial.

    A suspensão pontual reforça a importância de alinhamento contínuo com padrões internacionais, em um setor que movimentou US$ 13,5 bilhões em exportações de carne bovina em 2023, segundo o Comex Stat. Para o Brasil, manter a confiança da China é crucial: o país asiático consome 40% da proteína animal produzida globalmente.

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