Tag: carne

  • Como o mercado chinês está transformando a pecuária brasileira

    Como o mercado chinês está transformando a pecuária brasileira

    O mercado chinês de carne bovina está transformando radicalmente o modo como os pecuaristas brasileiros conduzem seus negócios. Com 1,4 bilhão de consumidores e uma classe média em expansão, a China tornou-se não apenas o principal destino das exportações brasileiras de carne, mas também o motor de uma revolução tecnológica no campo nacional.

    O Brasil domina 60% das importações chinesas, mas potencial ainda é imenso. A dependência chinesa de importações de carne bovina abre oportunidades extraordinárias para o agronegócio brasileiro.

    Enquanto a China lidera globalmente na produção de aves e suínos, limitações de terra impedem a expansão da pecuária bovina local, criando uma demanda crescente por proteína importada.

    Os números revelam o potencial inexplorado: o consumo chinês per capita de carne bovina permanece em apenas 4 quilos anuais, contrastando drasticamente com os 26kg dos Estados Unidos e os 24kg do Brasil. Esta diferença representa uma oportunidade bilionária para exportadores brasileiros.

    Preferências chinesas exigem mudança de paradigma na produção

    “Os consumidores chineses priorizam atributos como segurança e qualidade de produção acima de fatores emocionais, como as questões ambientais ou o uso de embalagens recicláveis, mais valorizados nos mercados ocidentais”, explica Luiz Gustavo Nussio, professor-titular da ESALQ-USP.

    As especificações são precisas: carne de animais jovens, criados exclusivamente a pasto, sem hormônios ou antibióticos. Estas exigências estão forçando produtores brasileiros a abandonar o modelo de commodity para abraçar a produção premium diferenciada.

    Tecnologia brasileira atende demandas específicas do mercado asiático

    No epicentro desta transformação está Mato Grosso, principal polo pecuário nacional, onde startups como a Koneksi desenvolvem soluções sob medida para as exigências chinesas. Por exemplo, o KonectPasto, plataforma lançada em 2018, integra dados de drones, estações meteorológicas e modelos computacionais para otimizar a criação a pasto.

    “Os dados gerados permitem monitorar as operações em tempo real, garantindo ao produtor maior agilidade na tomada de decisão. Isso contribui para a melhoria dos índices de produtividade, rentabilidade e sustentabilidade da fazenda”, afirma Roberto Aguiar, CEO da Koneksi.

    Sistema monitora em tempo real fatores críticos de produção

    A plataforma fornece informações instantâneas sobre balanço hídrico, altura e densidade do pasto, movimentação de lotes, trocas de piquetes, adubação, suplementação, ganho de peso e taxa de lotação. Com mapas interativos e relatórios zootécnicos detalhados, os pecuaristas conseguem gerenciar rotações de pastagem com precisão milimétrica.

    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    Atualmente implementado em mais de 60 fazendas brasileiras, cobrindo aproximadamente 30 mil hectares, o sistema representa uma nova era na pecuária nacional, onde tecnologia e sustentabilidade convergem para atender mercados internacionais exigentes.

    Manejo correto de pastos: chave para conquistar consumidor chinês

    “O grande desafio da pecuária brasileira hoje é o manejo correto dos pastos. Neste sentido, a tecnologia tem se mostrado uma importante aliada para a produção de carnes para o mercado chinês. Contribuindo tanto para o aumento de produtividade na fazenda quanto para a qualidade do produto final exportado”, conclui Aguiar.

    Esta revolução tecnológica posiciona o Brasil não apenas como fornecedor de volume, mas como produtor de carne premium diferenciada, capaz de atender às sofisticadas demandas do mercado chinês e estabelecer novos padrões globais de qualidade na pecuária.

  • IBGE mostra queda da carne em agosto, mas churrasco continua caro

    IBGE mostra queda da carne em agosto, mas churrasco continua caro

    O brasileiro até comemorou em agosto: a carne bovina ficou 0,43% mais barata, segundo o IBGE. Foi mais um capítulo da sequência de pequenas quedas mensais que começou no primeiro semestre. O problema é que esse refresco é quase simbólico. Nos últimos 12 meses, o alimento ainda acumulou uma inflação de 22,17%, lembrando que o alívio no açougue é curto e a conta continua pesada.

    Porém, a trégua na alta dos preços  tem prazo de validade. Dois fatores devem pressionar novamente a alta nos próximos meses: o ritmo forte das exportações e a expectativa de menor abate de bois até o fim da entressafra. Em outras palavras, o cenário é de oferta mais apertada e carne desaparecendo das gôndolas na mesma velocidade em que some do prato do consumidor.

    Cortes populares puxam a alta

    O que mais chama atenção, portanto, é que os cortes do dia a dia foram justamente os que mais encareceram. O acém, por exemplo, lidera o ranking, com alta de 29,1% em 12 meses. Logo em seguida aparecem o peito (27,4%) e o músculo (24,6%). Já a paleta, bastante usada em cozidos, também disparou, registrando aumento de 24%.

    Na sequência, aparecem ainda a costela (23,6%), a alcatra (23,5%) e o lagarto comum (23%). O patinho, que continua sendo favorito em receitas caseiras, subiu 22,1%. Além disso, até cortes tradicionalmente mais nobres entraram na lista: o contrafilé e a capa de filé avançaram 21,4%, enquanto o filé-mignon, símbolo de requinte e prestígio, ficou 19,1% mais caro.

    Por outro lado, a picanha, estrela dos churrascos de domingo, apresentou um desempenho diferente: subiu “apenas” 12,1%. Já o fígado, alternativa tradicional de economia para muitas famílias, teve inflação de 15,6%.

  • Tarifaço: carne brasileira encarece nos EUA e agro busca novos mercados

    Tarifaço: carne brasileira encarece nos EUA e agro busca novos mercados

    Em agosto de 2025, o governo Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina, café e pescados. A medida altera as dinâmicas comerciais entre os países e pressiona os preços nos Estados Unidos, enquanto o Brasil busca adaptar-se aos novos desafios.

    Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que a carne bovina já subiu 7,2% nos últimos 12 meses nos EUA. Com as tarifas, analistas projetam altas entre 15% e 20% até 2026. Apesar disso, o impacto inflacionário tende a ser limitado, já que a carne representa apenas 0,5% do CPI (índice de inflação oficial americano).

    Nos supermercados dos EUA, o preço médio da carne moída atingiu US$ 6,504 por libra (cerca de R$ 77,71/kg), um aumento de 11,75% em seis meses . Essa alta ocorre em um contexto de escassez global de proteína animal, com os estoques pecuários americanos em seus níveis mais baixos em 70 anos.

    Leandro Avelar, CEO da JPA Agro, marketplace líder do setor, alerta: “Tarifa é imposto, e imposto é preço alto. Barreiras comerciais refletem-se no consumidor final e na competitividade dos exportadores”. A afirmação sintetiza o cenário de tensão que une política, comércio e agropecuária.

    Brasil: perda de mercado e competitividade

    Os Estados Unidos são o terceiro maior destino das exportações do agronegócio brasileiro, atrás apenas da China e da União Europeia. Em 2025, o país respondia por 12% das exportações brasileiras de carne bovina, com um faturamento estimado em US$ 1 bilhão .

    Com as tarifas, embora as vendas diretas aos EUA tenham caído, o Brasil aumentou as exportações para outros mercados, como México, Rússia e Chile. Em agosto de 2025, as exportações brasileiras de carne bovina atingiram uma média diária de US$ 74,55 milhões, alta de 70,1% em relação ao mesmo período de 2024.

    Ainda assim, especialistas alertam para riscos de perda de competitividade e margens. “O mercado americano é insubstituível para o Brasil em termos de rentabilidade”, afirma Leandro Avelar. Ele destaca que a dependência de alguns exportadores em relação aos EUA chega a 40% do faturamento.

    Efeitos distintos entre EUA e Brasil

    A percepção do aumento de preços varia significativamente entre os dois países:

    • Nos EUA, a carne bovina representa cerca de 1,3% do orçamento familiar médio. Cada 1% de aumento no preço eleva a inflação geral em apenas 0,05 ponto percentual.
    • No Brasil, a carne tem peso de 3,5% no IPCA, e famílias comprometem mais de 5% da renda mensal com o produto.

    Essa diferença explica por que os americanos absorvem melhor os aumentos, enquanto no Brasil qualquer alta é sentida de forma imediata.

    A questão de percepção e a diplomacia

    Avelar destaca a importância da percepção pública sobre os preços. “Se o aumento da carne cair no inconsciente popular americano, a pressão sobre o governo vai crescer”, avalia. Essa dimensão psicológica pode influenciar revisões da medida.

    O executivo defende que o Brasil separe questões políticas de comerciais nas negociações. “Os EUA são o segundo maior cliente do Brasil e o que deixa margens mais atraentes. É irracional colocar isso em risco por disputas alheias ao comércio”.

    Além das respostas diplomáticas, o Brasil precisa enfrentar gargalos domésticos:

    • Alta carga tributária
    • Legislação trabalhista complexa
    • Deficiências em infra estrutura logística

    “O problema não é só a tarifa americana. Precisamos olhar para dentro e reduzir impostos, modernizar leis e melhorar nossa logística”, afirma Avelar. Somente com ganhos de eficiência interna o país manterá sua posição global diante de concorrentes como Austrália e Argentina.

    A dependência dos EUA de importações de carne – o país importa 26,6% de sua carne bovina do Brasil  – sugere que as exportações brasileiras manterão relevância. No entanto, o ambiente exige cautela e inteligência estratégica.

    “Se a carne passar a ser vista como ‘cara demais’ nos EUA e esse discurso ganhar corpo, a tarifa pode entrar no centro do debate e abrir caminho para negociações”, conclui Avelar. Até lá, o Brasil deve reforçar sua competitividade e diversificar mercados.

  • Pecuaristas dos EUA pressionam governo por embargo total à carne brasileira

    Pecuaristas dos EUA pressionam governo por embargo total à carne brasileira

    A National Cattlemen’s Beef Association (NCBA), principal associação de pecuaristas dos Estados Unidos, intensificou sua campanha contra a carne brasileira. O grupo pede ao governo americano um embargo total e imediato às importações do produto vindas do Brasil.

    A entidade alega falhas graves do Brasil na área de saúde animal. O principal argumento envolve um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), a “doença da vaca louca”. Segundo a NCBA, o Brasil levou 35 dias para notificar um caso atípico à Organização Mundial de Saúde Animal em 2023. O protocolo internacional exige notificação em até 24 horas.

    A associação também cita preocupações históricas com febre aftosa. Eles afirmam que o país não é um parceiro comercial confiável e que uma auditoria completa no sistema sanitário brasileiro é necessária.

    Resposta brasileira: protecionismo disfarçado

    O Ministério da Agricultura do Brasil rebateu as acusações. A pasta reforçou que o país nunca registrou um caso clássico da doença da vaca louca. Todos os casos foram atípicos, de ocorrência espontânea e sem risco à população.

    O Brasil mantém o status de “risco insignificante” para a doença desde 2012. Para o governo, as alegações dos pecuaristas americanos são uma medida protecionista clássica. O objetivo real, dizem, é eliminar a concorrência do mercado americano.

    Impacto econômico imediato

    A pressão da NCBA já surte efeito. O Mato Grosso do Sul, grande exportador, suspendeu temporariamente suas vendas para os EUA. O estado exportou US$ 235 milhões em carne bovina para o mercado americano apenas em 2024.

    A disputa ocorre mesmo com as altas tarifas de importação que os EUA já impõem sobre a carne brasileira. A NCBA considera as tarifas um bom começo, mas insuficiente. Eles querem o banimento completo.

  • China compra 50% da carne bovina exportada por Mato Grosso

    China compra 50% da carne bovina exportada por Mato Grosso

    De janeiro a julho, 81 países abriram espaço no prato para a carne bovina de Mato Grosso. No total, foram embarcadas 458,3 mil toneladas no período, com a China abocanhando mais da metade desse volume: 236,3 mil toneladas, o equivalente a 51,5% do total.

    Receita bilionária e logística eficiente

    A força do estado no comércio global se traduz em números robustos. Só com a venda dessa proteína, a receita já chegou a US$ 2 bilhões nos sete primeiros meses do ano, com preço médio de US$ 5,2 mil por tonelada. Além disso, boa parte desse fluxo passa pelos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), corredores logísticos que conectam o campo mato-grossense às mesas do mercado asiático e europeu.

    Sustentabilidade como diferencial

    “Os números de janeiro a julho mostram que Mato Grosso é reconhecido não apenas pela qualidade da carne bovina, mas também pela forma sustentável com que produzimos. Esse equilíbrio é o que garante competitividade e fortalece a confiança dos mercados internacionais”, afirma Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

    Estados Unidos e Rússia entre os maiores compradores

    Atrás da China, os Estados Unidos aparecem como segundo maior comprador, com 28,2 mil toneladas (6,1% do total). No entanto, esse quadro pode mudar no segundo semestre, já que o governo americano estuda medidas que podem afetar as compras. Logo depois, surge a Rússia, com 27,4 mil toneladas (5,99%).

    Diversificação de mercados

    Mesmo com volumes menores, a lista de destinos revela a amplitude do mercado da carne mato-grossense. Entre eles estão Chile, Filipinas, Egito, Arábia Saudita, México, Itália, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Espanha, Hong Kong, Líbia, Reino Unido, Líbano e Aruba. Essa diversificação reforça o peso global do produto.

    Mato Grosso, líder absoluto na pecuária

    Com um rebanho de mais de 34 milhões de cabeças, Mato Grosso concentra 17% do gado brasileiro. Além disso, o estado mantém o título de maior exportador de carne bovina do país. Por fim, esse prestígio, vale destacar, não é fruto do acaso.

    “O mercado internacional tem cada vez mais confiança na carne bovina mato-grossense. Esse reconhecimento é fruto de anos de investimento em tecnologia e boas práticas ambientais, que hoje são diferenciais competitivos importantes. Mato Grosso segue ampliando mercados e consolidando sua imagem como fornecedor confiável de carne bovina de qualidade, com sustentabilidade”, reforça Andrade.

  • Exportações de carne bovina da Argentina crescem 52%

    Exportações de carne bovina da Argentina crescem 52%

    As exportações argentinas de carne bovina refrigerada e congelada somaram 62,2 mil toneladas em julho de 2025. A receita alcançou US$ 346,9 milhões, segundo dados do Consórcio de Exportadores de Carnes da Argentina (ABC), divulgados pelo jornal Clarín.

    Em comparação com junho, os embarques caíram 1,1%, enquanto o faturamento cresceu 5,5%. Já na comparação anual, frente a julho de 2024, o volume subiu 9,7% e a receita teve alta de 51,7%, impulsionada pela recuperação dos preços internacionais.

    No acumulado de janeiro a julho de 2025, a Argentina exportou 376,2 mil toneladas, queda de 12,6% em relação ao mesmo período de 2024. Porém, a receita cresceu 17,7%, somando US$ 1,94 bilhão.

    De julho de 2024 a julho de 2025, os embarques totalizaram 715,4 mil toneladas e a receita se aproximou de US$ 3,32 bilhões, informou Mario Ravettino, presidente do Consórcio ABC.

    O preço médio da carne bovina argentina exportada atingiu US$ 5.577 por tonelada em julho, aumento de 6,6% sobre junho e 38,2% frente a julho do ano anterior. Apesar da valorização, o valor médio ainda está US$ 700 abaixo do recorde alcançado em abril de 2022.

    A China domina o mercado, respondendo por 71,8% do volume exportado em julho, contra 69,4% no mesmo mês de 2024. O país asiático mantém-se como principal destino da carne bovina argentina, conforme destaca o Clarín.

  • Carne atinge R$ 150,00/kg nos EUA e pode impactar Brasil

    Carne atinge R$ 150,00/kg nos EUA e pode impactar Brasil

    A carne bovina nos Estados Unidos virou um luxo cada vez mais caro. O preço da proteína subiu a patamares históricos, impulsionado por secas prolongadas, custos elevados de ração e tarifas sobre importações brasileiras. Assim, o movimento incomoda o consumidor americano e, ao mesmo tempo, coloca pressão extra sobre o Federal Reserve (Fed), que resiste a cortar juros cedo demais.

    Carne inflada e mesa mais vazia

    Nos supermercados americanos, o quilo da carne moída bateu US$ 13,48 (cerca de R$ 74,14), enquanto cortes nobres ultrapassaram os US$ 25 (aproximadamente R$ 137,50). Desse modo, cada churrasco de domingo parece custar um pedaço da inflação. Além disso, analistas afirmam que o cenário deve se prolongar: o rebanho dos EUA está no menor nível desde 1951 e, portanto, a recomposição pode levar anos.

    Enquanto isso, a carne brasileira — historicamente mais competitiva — enfrenta barreiras adicionais. A tarifa imposta por Washington, que chega a 50%, praticamente fechou a porta para os frigoríficos do Brasil. Como consequência, as exportações despencaram quase 80% em apenas quatro meses.

    O Fed no fogo cruzado

    O Fed, que já atua num cabo de guerra contra a inflação, agora vê a carne como mais um ingrediente indesejado no caldeirão de preços. Em ata recente, a autoridade monetária foi taxativa: “Os efeitos das tarifas sobre os preços ao consumidor estão agora claramente visíveis”.

    Na prática, isso significa que a taxa básica de juros, hoje entre 4,25% e 4,50%, pode continuar firme por mais tempo. Afinal, cortar cedo demais seria como apagar a churrasqueira enquanto a carne ainda está crua.

    Reflexos no Brasil

    E o Brasil nessa história? A queda nas vendas para os EUA cria sobra de carne no mercado interno. Sendo assim, num primeiro momento, isso até pode segurar preços por aqui. Entretanto, como tudo no agronegócio funciona em cadeia, o jogo é de xadrez: os frigoríficos buscam outros destinos, sobretudo a China, e o consumidor brasileiro pode não sentir tanto alívio.

    Para os pecuaristas, o risco é de margens mais apertadas. Já para o governo, fica a missão de equilibrar a balança entre proteger produtores e evitar alta nos preços domésticos.

    O fio da navalha

    Ou seja, a carne mais cara nos EUA simboliza um mundo econômico que perdeu o tempero da previsibilidade. Se o churrasco americano custa caro, o brasileiro pode, em breve, acabar pagando a conta.

    📌 Box Informativo — Carne mais cara nos EUA

    Por que a carne subiu nos Estados Unidos?

    • Rebanho bovino no menor nível desde 1951

    • Secas prolongadas em estados produtores

    • Custos elevados de ração e insumos

    • Tarifas adicionais sobre carne brasileira

    Preços atuais no varejo americano

    • Carne moída: US$ 13,48/kg (+12% em 12 meses)

    • Bifes: US$ 25/kg (+8%)

    Impactos no Brasil

    • Exportações para os EUA caíram 80% entre abril e julho

    • Frigoríficos buscam compensar perdas em mercados como a China

    • Possível sobra de carne no mercado interno pode segurar preços ao consumidor

    O que diz o Fed

    • “Os efeitos das tarifas sobre os preços ao consumidor estão agora claramente visíveis”

    • Juros seguem entre 4,25% e 4,50% ao ano

    • Expectativa de manutenção por mais tempo para conter a inflação

  • BRF tem lucro recorde e reduz dívida ao menor nível histórico

    BRF tem lucro recorde e reduz dívida ao menor nível histórico

    A BRF, dona das marcas Sadia, Perdigão, Qualy e Banvit, encerrou o primeiro semestre de 2025 com o melhor desempenho de sua história. O EBITDA chegou a R$ 5,3 bilhões, alta de 11% sobre 2024, enquanto o lucro líquido somou R$ 1,9 bilhão, avanço de 14% em relação ao mesmo período do ano passado.

    No segundo trimestre, a empresa apresentou receita líquida de R$ 15,4 bilhões, aumento de 3% frente a 2024. Além disso, o EBITDA ajustado foi de R$ 2,5 bilhões e o lucro líquido alcançou R$ 735 milhões. O fluxo de caixa livre ficou em R$ 842 milhões, e a alavancagem caiu para 0,43 vezes, o menor índice já registrado pela companhia.

    Segundo o CEO Miguel Gularte, a performance traduz a consistência da estratégia. “Os números evidenciam a capacidade de reação e resiliência da empresa. Nosso foco em eficiência nos permitiu alcançar resultados consistentes, mesmo em um cenário adverso como o que se apresentou no trimestre, marcado por restrições nas exportações de frango”, afirmou.

    Brasil: processados lideram avanço

    No mercado interno, a BRF mostrou vigor. O volume cresceu 6%, com destaque para o segmento de processados, que alcançou o maior patamar já vendido em um segundo trimestre. Como resultado, a receita líquida no Brasil chegou a R$ 8,1 bilhões, impulsionando um EBITDA de R$ 1,3 bilhão e margem de 16,4%.

    Esse avanço foi possível graças à execução da estratégia comercial, que incluiu maior capilaridade e aumento da base de clientes, agora superior a 330 mil pontos de venda. Ao mesmo tempo, a companhia manteve os serviços logísticos em alto nível, consolidando ganhos de eficiência.

    O portfólio também ganhou novidades. A Sadia lançou a Salsicha Pop Dog, feita com carne bovina, enquanto a Perdigão entrou na categoria de lanches prontos. Além disso, a companhia expandiu a linha de hambúrgueres em parceria com Bassi e Montana, alavancando as vendas por meio da força de distribuição.

    Mercado internacional: preço e diversificação

    No exterior, a estratégia de diversificação geográfica permitiu à BRF manter preços competitivos mesmo em um ambiente desafiador. O EBITDA ajustado alcançou R$ 1,2 bilhão, com margem de 17,3%. Nesse intervalo, a empresa recebeu 11 novas habilitações de exportação, incluindo Argentina e Canadá, somando 198 desde 2022.

    No mercado Halal, a companhia obteve ganhos relevantes. O market share em processados avançou 1,4 ponto percentual nos países do Golfo, enquanto a estreia na Arábia Saudita ocorreu com o lançamento da Sadia Fresh, em parceria com a Addoha Poultry Company.

    “O endividamento regrediu para 4,7 bilhões, a alavancagem fechou o semestre em 0,43x, menor nível histórico e a geração de caixa livre segue suportando nossos planos de crescimento global de forma sustentável”, disse o vice-presidente de Finanças e RI, Fábio Mariano.

    Sustentabilidade e gestão de pessoas

    Além dos números, a BRF reforçou compromissos de longo prazo. A companhia foi reconhecida pelo CDP na “A List 2024”, devido às práticas de gestão de emissões de gases de efeito estufa.

    O Instituto BRF lançou a campanha Educação para o Futuro, que beneficiou mais de 5 mil pessoas com revitalização de espaços educativos e programas para jovens sobre mercado de trabalho.

    No campo da gestão de pessoas, a empresa valorizou talentos internos. Nos últimos 12 meses, 70% das posições de liderança foram ocupadas por colaboradores, reforçando o compromisso com a formação e retenção de profissionais.

    “Os ótimos resultados destes primeiros seis meses do ano demonstram nossa trajetória consistente de eficiência e de geração de valor com foco no longo prazo. Continuaremos norteados pela busca da excelência operacional, além de seguimos firmes e otimistas na jornada de crescimento sustentável da Companhia, tendo como base nosso compromisso com a qualidade, a segurança e a integridade em tudo o que fazemos”, concluiu Miguel Gularte.

  • Leilão de touros Brahman e degustação atraem criadores em Uberaba

    Leilão de touros Brahman e degustação atraem criadores em Uberaba

    A Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) levará à ExpoGenética 2025 um dos destaques do calendário pecuário: o Leilão da Prova de Eficiência e Performance Brahman Boi com Bula, marcado para 21 de agosto, às 20h, no Parque Fernando Costa. O evento reunirá 13 touros selecionados de oito renomados criatórios nacionais, avaliados por desempenho superior em carcaça, eficiência alimentar e conformação racial.

    Os reprodutores, todos aptos para a estação de monta, passaram por rigorosos testes, incluindo avaliação andrológica, e representam o que há de melhor na raça Brahman. Entre as propriedades participantes estão Agropecuária W2R, Brahman AOL, Fazenda Terra Verde e Uber Brahman.

    Você também pode gostar:
    + Agro em Campo: Agro brasileiro registra maior valor exportado para julho da história
    + Agro em Campo: Unha-do-diabo ameaça carnaúba no Nordeste brasileiro

    Gustavo Rodrigues, presidente da ACBB, ressalta: “Esses touros combinam produtividade e economia: carne de qualidade com baixo custo, além de excelente morfologia e fertilidade. É uma oportunidade única para quem busca genética que entrega resultados.”

    Degustação premium antecede leilão

    Como prévia do potencial da raça, a ACBB promoverá um churrasco com carne Brahman Puro de Origem a partir das 19h, na sede da entidade. A degustação visa comprovar a qualidade superior da carne, alinhando-se à demanda por proteína sustentável e saborosa. “Não é só sobre comprar animais, mas investir em uma cadeia produtiva eficiente, da porteira ao prato”, completa Rodrigues.

    O leilão integra a programação da ExpoGenética 2025, feira que reúne os principais programas de melhoramento genético do país. O evento ocorre em Uberaba (MG), capital do zebu, entre 18 e 23 de agosto, com expectativa de atrair pecuaristas, investidores e curiosos do setor.

    Serviço:

    • Leilão Brahman Boi com Bula: 21/08, 20h
    • Degustação de Carne: 21/08, 19h (sede da ACBB)
    • Local: Parque Fernando Costa, Uberaba/MG
  • Brasil fecha US$ 210 milhões em negócios nas Filipinas

    Brasil fecha US$ 210 milhões em negócios nas Filipinas

    A participação brasileira na World Food Expo (WOFEX) 2025, em Manila, gerou US$ 15 milhões em negócios imediatos e projeções de US$ 210 milhões em exportações para os próximos meses. A ação, liderada pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) e pela ApexBrasil, reuniu 13 empresas de carne suína e avícola.

    As Filipinas são o principal destino da carne suína brasileira e um dos maiores mercados para o frango nacional. Durante o evento, as marcas setoriais Brazilian Chicken, Brazilian Pork, Brazilian Egg e Brazilian Duck ganharam destaque em campanhas promocionais.

    Ricardo Santin, presidente da ABPA, destacou o sucesso da missão: “Esta foi uma das nossas maiores participações na Ásia em 2025. O mercado filipino consolida sua confiança na qualidade da nossa produção.”

    Você também pode gostar:
    + Agro em Campo: Exportação de café do Brasil soma 2,7 milhões de sacas em julho
    + Agro em Campo: Agro quer ser parte da solução na COP30, afirma Abag

    Além dos negócios, a ABPA e a ApexBrasil lançaram o roadshow “No borders for food: Parcerias para segurança alimentar”, que promoverá eventos internacionais baseados nas diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA/WOAH). Em Manila, a agenda incluiu reuniões com autoridades e um seminário técnico sobre biosseguridade e padrões de qualidade.

    As empresas presentes foram: Alibem, Aurora, Bello, BMG, Coasul, Dália, Ecofrigo, Frigoestrela, Rainha da Paz, Rudolph, Jaguafrangos, Avenorte e Somave.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Laranjinha-do-mato: uma joia da biodiversidade ameaçada pelo desconhecimento

    + Agro em Campo: Agro brasileiro registra maior valor exportado para julho da história