Tag: carne

  • Arroba do boi dispara e atinge maior valor desde 1997

    Arroba do boi dispara e atinge maior valor desde 1997

    O mercado pecuário brasileiro vive um momento decisivo. O preço do boi gordo atingiu o maior valor nominal da série histórica iniciada em 1997, segundo dados do Cepea, referência nacional em análises agropecuárias. Esse movimento, além de chamar a atenção dos produtores, também sinaliza mudanças importantes no ciclo da pecuária de corte.

    Recorde histórico e escalada recente dos preços

    O Indicador do boi gordo do Cepea superou patamares históricos ao longo de 2026. Em abril, a arroba já opera acima de R$ 360 em São Paulo, principal praça de referência do país.

    Além disso, os números mostram uma escalada consistente. No início de janeiro, a arroba estava próxima de R$ 318. Poucos meses depois, o valor avançou mais de R$ 40, evidenciando uma valorização expressiva no período.

    Esse movimento não ocorreu de forma isolada. Em fevereiro, o mercado já registrava forte alta mensal. Segundo dados recentes, a arroba chegou a R$ 325,80, com valorização de 7,92% apenas naquele mês.

    Virada do ciclo pecuário impulsiona valorização

    A alta do boi gordo está diretamente ligada à virada do ciclo pecuário. Após um período de maior abate de fêmeas, o mercado entra agora em uma fase de retenção de matrizes.

    Nesse sentido, a oferta de animais terminados diminui. Como resultado, os frigoríficos enfrentam dificuldade para compor escalas de abate, o que sustenta os preços em níveis elevados.

    Além disso, produtores mais capitalizados tendem a segurar os animais à espera de cotações melhores. Portanto, o mercado ganha ainda mais pressão de alta no curto prazo.

    Exportações aquecidas e demanda firme

    Ao mesmo tempo, a demanda internacional segue aquecida. A China continua como principal compradora da carne bovina brasileira, enquanto outros mercados ampliam participação.

    Assim, o cenário externo contribui diretamente para sustentar os preços domésticos. Mesmo quando há volatilidade cambial, o volume exportado ajuda a manter o equilíbrio entre oferta e demanda. Por outro lado, o consumo interno ainda enfrenta limitações devido ao poder de compra da população.

    Impactos diretos para o produtor rural

    Para o pecuarista, o cenário atual representa uma janela de rentabilidade relevante. Com preços mais altos, a margem tende a melhorar, principalmente para quem conseguiu reduzir custos ou travar insumos antecipadamente.

    Porém, nem todos os elos da cadeia se beneficiam igualmente. A reposição, especialmente de bezerros, também fica mais cara, o que pode pressionar sistemas de recria e engorda.

    Além disso, custos com nutrição, suplementação e confinamento seguem elevados. Dessa forma, a gestão eficiente continua sendo decisiva para capturar os ganhos desse ciclo.

    Reflexos na indústria e no consumidor

    Enquanto o produtor comemora, a indústria frigorífica enfrenta margens mais apertadas. O encarecimento da matéria-prima reduz a competitividade, sobretudo no mercado interno.

    Consequentemente, o preço da carne ao consumidor tende a subir. Esse movimento já aparece no atacado e pode ganhar força nos próximos meses.

    Ainda assim, o ritmo desse repasse depende do consumo doméstico. Se a demanda não reagir, parte da pressão pode ser absorvida pela indústria.

  • Seu bolso sentiu? Veja os alimentos que mais subiram e os que caíram em março

    Seu bolso sentiu? Veja os alimentos que mais subiram e os que caíram em março

    Mesmo com a desaceleração da inflação em março, o brasileiro continuou sentindo o peso dos alimentos no bolso. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o índice oficial perdeu força, mas ainda registrou alta de 0,44% no período.

    No entanto, os alimentos e bebidas lideraram a pressão inflacionária. O grupo subiu cerca de 0,88%, com impacto relevante no índice geral.

    Além disso, a alimentação dentro de casa apresentou aumento ainda mais expressivo, o que afeta diretamente o consumo das famílias.

    O que ficou mais caro em março

    Entre os principais vilões do mês, alguns itens chamaram atenção pelo avanço significativo dos preços.

    Produtos básicos como feijão, ovos e leite registraram alta consistente. O feijão-carioca, por exemplo, subiu quase 20%, enquanto os ovos avançaram mais de 7%.

    Além disso, carnes também ficaram mais caras, refletindo custos de produção e dinâmica de oferta no mercado.

    Outro destaque foi o açaí, que disparou quase 30%, evidenciando como fatores sazonais e logísticos podem impactar rapidamente os preços.

    O que ficou mais barato no mês

    Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter uma alta ainda maior da inflação.

    Os combustíveis registraram leve queda, com recuo em produtos como gasolina e etanol.

    Esse movimento ajudou a equilibrar parcialmente o índice geral, já que o transporte costuma ter peso importante no orçamento das famílias. Ainda assim, o alívio foi limitado frente ao avanço dos alimentos.

    Por que os preços continuam subindo?

    Diversos fatores explicam a pressão sobre os alimentos. Primeiramente, questões climáticas impactam diretamente a produção agrícola, reduzindo a oferta e elevando os preços.

    Além disso, o cenário internacional também influencia. Tensões geopolíticas e oscilações no mercado global afetam custos de insumos, transporte e energia.

    Outro ponto importante é o comportamento da demanda. Mesmo com inflação mais controlada, o consumo de itens essenciais mantém os preços elevados.

    Inflação desacelera, mas não alivia totalmente

    Embora o índice geral tenha desacelerado em relação a fevereiro, quando ficou em 0,84%, o impacto no dia a dia do consumidor ainda é significativo.

    No acumulado de 12 meses, a inflação permanece em torno de 3,9%, dentro da meta oficial.

    Ainda assim, como os alimentos têm peso relevante no orçamento das famílias, qualquer alta nesse grupo gera sensação de perda de poder de compra.

    Tendência para os próximos meses

    A expectativa do mercado é de continuidade da volatilidade nos preços dos alimentos. Por um lado, a melhora na oferta agrícola pode ajudar a estabilizar alguns itens. Por outro, fatores climáticos e externos seguem no radar e podem provocar novas oscilações.

    Dessa forma, o comportamento da inflação nos próximos meses dependerá, principalmente, da evolução do setor agrícola e do cenário internacional.

  • Surto de febre aftosa na China acende alerta na carne

    Surto de febre aftosa na China acende alerta na carne

    Um novo surto de febre aftosa levou a China a adotar medidas emergenciais para conter a disseminação da doença.

    Entre as ações, o país intensificou o controle sanitário nas fronteiras e iniciou o abate de animais infectados ou sob suspeita. Além disso, autoridades ampliaram a vigilância em regiões consideradas de maior risco.

    Esse tipo de resposta é comum em casos de febre aftosa. Isso porque a doença apresenta alta capacidade de transmissão e pode causar prejuízos significativos à pecuária.

    Doença preocupa cadeia produtiva

    A febre aftosa afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de produção. Embora raramente atinja humanos, seus impactos econômicos são severos.

    Quando um surto é confirmado, países costumam restringir o trânsito de animais e produtos de origem animal. Dessa forma, o comércio internacional pode sofrer interrupções imediatas.

    Além disso, o abate sanitário reduz rapidamente a oferta interna de carne, o que pressiona preços e altera a dinâmica do mercado.

    Impactos já são monitorados no mercado global

    O avanço da doença na China acende um alerta global. Como um dos maiores consumidores de carne do mundo, qualquer alteração em sua produção interna gera reflexos diretos no comércio internacional.

    Por um lado, a redução da oferta doméstica pode aumentar a demanda por importações. Nesse cenário, países exportadores tendem a se beneficiar.

    Por outro lado, restrições sanitárias e incertezas logísticas podem gerar volatilidade nos preços.

    Brasil pode ser impactado

    O Brasil, um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, acompanha o cenário com atenção.

    Se a China ampliar suas importações, o país pode ganhar espaço no mercado externo. No entanto, qualquer risco sanitário exige cautela.

    Além disso, o histórico recente mostra que crises sanitárias costumam provocar reações rápidas nos fluxos comerciais. Por isso, o setor monitora cada movimento com cautela.

    Controle sanitário ganha ainda mais importância

    Diante do cenário, especialistas reforçam a importância da vigilância sanitária e da rastreabilidade dos rebanhos.

    Países com sistemas de controle mais rigorosos tendem a responder melhor a crises desse tipo. Além disso, conseguem manter a confiança dos mercados internacionais.

    No caso do Brasil, o status sanitário é um dos principais ativos do agronegócio. Portanto, manter esse padrão se torna ainda mais estratégico.

    Cenário exige atenção nos próximos meses

    Embora a situação ainda esteja em evolução, o surto já influencia decisões no setor.

    Produtores, exportadores e governos acompanham de perto os desdobramentos. Isso porque mudanças na China costumam reverberar rapidamente no mercado global.

    Por fim, o episódio reforça um ponto central do agronegócio moderno: sanidade animal não é apenas uma questão de saúde, mas também de competitividade e acesso a mercados.

  • Por que não se come carne na Sexta Feira Santa? Entenda a tradição

    Por que não se come carne na Sexta Feira Santa? Entenda a tradição

    Por que não se come carne na Semana Santa? Entenda a origem da tradição

    Todos os anos, durante a Semana Santa, milhões de pessoas mudam seus hábitos à mesa e evitam o consumo de carne, especialmente na Sexta-feira Santa. A tradição é tão comum que atravessa gerações, mas nem todo mundo sabe o verdadeiro motivo por trás desse costume.

    A prática, no entanto, vai muito além da alimentação.

    Uma tradição ligada ao sacrifício de Jesus

    A Sexta-feira Santa marca, para os cristãos, o dia da crucificação de Jesus Cristo. Por isso, a data é considerada um momento de luto, reflexão e respeito.

    Nesse contexto, a Igreja Católica orienta os fiéis a praticarem o jejum e a abstinência de carne como forma de se aproximar espiritualmente desse momento. A ideia é lembrar o sacrifício de Cristo e viver um período de maior introspecção.

    Por que justamente a carne?

    A escolha de evitar a carne não é aleatória. Historicamente, esse alimento sempre esteve associado a festas, abundância e prazer.

    Por isso, abrir mão da carne representa um gesto simbólico de renúncia. Ao evitar um alimento considerado mais “nobre”, o fiel pratica um pequeno sacrifício em sinal de respeito e devoção.

    Além disso, algumas tradições também relacionam a abstinência ao derramamento de sangue, já que a carne vem de animais abatidos, o que reforça o simbolismo com a morte de Cristo.

    E por que o peixe é permitido?

    Uma das dúvidas mais comuns é sobre o consumo de peixe. Mesmo sendo um tipo de carne, ele costuma ser liberado.

    Isso acontece porque, historicamente, o peixe foi associado à simplicidade e à humildade, além de ter forte ligação simbólica com o cristianismo desde seus primeiros séculos.

    Por esse motivo, ele se tornou a principal alternativa nas refeições durante esse período.

    É obrigatório não comer carne?

    Apesar de ser uma tradição forte, a prática não é obrigatória para todas as pessoas em todos os contextos. A Igreja recomenda a abstinência como forma de disciplina espiritual, mas também permite adaptações.

    Em alguns casos, o fiel pode substituir esse gesto por outras formas de sacrifício, como ações de caridade ou renúncia a outros hábitos

    Tradição que vai além da religião

    Mesmo para quem não segue a religião, o costume acabou se incorporando à cultura em muitos países, incluindo o Brasil.

    Assim, a tradição de evitar carne na Semana Santa se mantém viva não apenas pela fé, mas também pelo hábito e pela influência cultural ao longo do tempo.

  • Fraldinha e filé mignon puxam queda nos preços de carne para churrasco

    Fraldinha e filé mignon puxam queda nos preços de carne para churrasco

    Os amantes de um bom churrasco em São Paulo encontraram alívio no bolso em 2025. Cortes tradicionais e nobres da carne bovina, como fraldinha, filé mignon, picanha e costela, apresentaram quedas expressivas de preço ao longo do ano. Portanto, barateando a tradicional refeição.

    O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), levantamento da APAS (Associação Paulista de Supermercados) em parceria com a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), mapeou as reduções. A fraldinha liderou a baixa, com queda de 9,85% no período. O filé mignon vem em seguida, recuando 9,71%. A picanha registrou diminuição de 3,6%, e a costela, de 1,39%.

    De acordo com o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, o comportamento dos preços refletiu a combinação entre a expansão das exportações e o fortalecimento da demanda, tanto no mercado interno quanto no externo.

    “Após um período inicial de preços mais altos, impulsionados pela forte demanda externa e pelo ciclo da pecuária, o mercado passou por ajustes ao longo do ano”, explicou Queiroz. O economista também destacou a resiliência do setor. Que se manteve estável mesmo após o anúncio de novas tarifas pelo governo de Donald Trump no início de agosto.

    A pesquisa consolida um cenário favorável para o consumidor paulista, que pode incluir cortes mais nobres no churrasco sem pesar tanto no orçamento doméstico.

  • Brasil registra recorde nas vendas de carne bovina aos países árabes

    Brasil registra recorde nas vendas de carne bovina aos países árabes

    As exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes somaram US$ 1,79 bilhão em 2025, alta de 1,91% frente ao ano anterior, segundo a Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. O resultado marca o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco formado por 22 nações.

    Egito e Arábia Saudita continuaram como principais destinos da proteína, com aumentos de 24,53% e 29,90%, respectivamente. A Argélia também ganhou destaque, intensificando compras desde 2024 e alcançando US$ 286,58 milhões em 2025, avanço de 40,56%.

    Segundo o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, o desempenho reflete tanto o aumento da oferta brasileira quanto a estratégia dos países árabes de reforçar estoques de alimentos em meio à instabilidade global. “O Brasil foi beneficiado pela disponibilidade do produto e pela necessidade do bloco de se precaver contra riscos de desabastecimento. Mesmo com quedas em outras categorias, tivemos o segundo melhor ano da série histórica em exportações e superávit comercial”, afirmou Mourad.

    Exportações para o bloco registram recuo geral

    Apesar do bom desempenho da carne bovina, o total exportado pelo Brasil aos países árabes caiu 9,81% em 2025, para US$ 21,34 bilhões — após crescer 22% em 2024. A retração está relacionada à queda nos preços das commodities e aos impactos da gripe aviária no Rio Grande do Sul, que reduziu o volume de embarques de frango.

    Os principais itens exportados foram açúcar (US$ 4,63 bilhões, -29,89%), carne de frango (US$ 3,34 bilhões, -6,40%), milho (US$ 3,07 bilhões, +24,94%) e minério de ferro (US$ 2,65 bilhões, -12,70%). Entre os parceiros, destacaram-se Emirados Árabes Unidos (US$ 3,78 bilhões), Egito (US$ 3,73 bilhões) e Arábia Saudita (US$ 3,13 bilhões).

    Agronegócio mantém liderança nas exportações

    O agronegócio respondeu por 72,5% das exportações ao bloco em 2025, totalizando US$ 15,91 bilhões, queda de 11,19% sobre 2024. Mesmo com os incentivos à produção local nos países árabes, a proteína brasileira manteve espaço no mercado regional.

    Foto: divulgação – Terminal de Contêineres de Paranaguá

    A Arábia Saudita, por exemplo, aumentou em 15,14% as compras de frango brasileiro, para US$ 942,39 milhões, enquanto os Emirados Árabes Unidos mantiveram importações próximas a US$ 937 milhões, quase estáveis frente ao ano anterior.

    Insumos para proteínas animais também ganham espaço

    As vendas de gado vivo para abate cresceram 18,10%, somando US$ 695,09 milhões, e o milho destinado à criação de aves aumentou 24,93%, alcançando US$ 3,07 bilhões. Esses resultados reforçam a importância do Brasil como fornecedor estratégico de insumos e alimentos para a segurança alimentar árabe.

    Mourad acredita que o comércio entre Brasil e países árabes deve se recuperar em 2026. No último trimestre de 2025, as exportações já mostraram reação, com alta de 8,2% frente ao mesmo período de 2024.

    “O Ramadã, que começa em 17 de fevereiro, impulsionou o aumento dos embarques no fim de 2025. Esse movimento indica tanto a formação de estoques para o período sagrado como a normalização gradual do comércio após o tarifaço americano”, analisa o executivo.

  • México estabelece cotas para importação de carnes e afeta o Brasil

    México estabelece cotas para importação de carnes e afeta o Brasil

    O governo do México criou novas regras que limitam a quantidade de carnes bovina e suína que empresas mexicanas podem importar sem pagar impostos. As autoridades publicaram duas resoluções na segunda-feira (5) que estabelecem cotas de isenção tarifária e impõem taxas sobre volumes excedentes.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    A mudança deve afetar diretamente as exportações brasileiras. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que a carne bovina ocupou a segunda posição entre os produtos mais exportados pelo Brasil para o México de janeiro a novembro de 2025. A carne suína aparece na décima colocação.

    Como funcionam as novas cotas mexicanas

    O México vai permitir a importação de 70 mil toneladas de carne bovina com isenção de tarifas. Volumes que ultrapassarem esse limite pagarão taxa de 20%. Para a carne suína, o país estabeleceu cota de 51 mil toneladas livres de impostos, com taxa de 16% sobre o excedente.

    As regras valem até 31 de dezembro de 2026 e atingem países de fora da América do Norte sem acordos comerciais com o México. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Brasil, Chile e União Europeia devem utilizar principalmente essas cotas.

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) aguarda orientações do governo mexicano sobre a distribuição das cotas entre os países fornecedores.

    O governo mexicano adotou a isenção tarifária ilimitada em 2022 como estratégia para combater a inflação. A iniciativa abrangia diversos produtos da cesta básica, com a condição de que os importadores mantivessem os preços estáveis.

    A ABPA informou que o frango, principal produto brasileiro exportado para o México, continua com tarifa zerada.

    O México representa o sétimo maior destino das exportações brasileiras de carne suína, atrás de Filipinas, Japão, China, Chile, Hong Kong e Singapura. Em volume, o país ocupa a quinta posição entre os clientes desse setor, segundo dados do Agrostat do Ministério da Agricultura referentes ao período de janeiro a novembro de 2025.

    China também restringe importações

    A decisão mexicana acontece apenas seis dias após a China anunciar medidas semelhantes. O governo chinês estabeleceu cotas anuais para importação de carne bovina com o objetivo de proteger produtores locais.

    Atualmente, a China aplica taxa de 12% sobre importações de carne. Com as novas regras, volumes que excederem as cotas pagarão sobretaxa adicional de 55%. As medidas entraram em vigor no dia 1º de janeiro de 2026 e têm duração de três anos.

    O Ministério do Comércio da China fixou a cota total de importação para 2026 em 2,7 milhões de toneladas, com aumentos anuais previstos. O limite se aproxima do recorde de 2,87 milhões de toneladas compradas em 2024, mas fica abaixo do volume importado nos primeiros 11 meses de 2025.

    A China representa o maior comprador de carne bovina brasileira, e o Brasil atua como principal fornecedor do país asiático.

  • Artigo: O papel do consultor na rastreabilidade da cadeia de carne

    Artigo: O papel do consultor na rastreabilidade da cadeia de carne

    A rastreabilidade na cadeia frigorífica se tornou um pilar essencial não apenas para a segurança alimentar e a credibilidade do setor, mas também para a sustentabilidade e a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança). Em um mercado cada vez mais regulado, globalizado e atento à origem dos alimentos, garantir o controle do campo ao consumidor final é um desafio estratégico para a competitividade do setor de carnes no Brasil. Nesse cenário, o papel do consultor especializado se torna fundamental.

    A cadeia da carne envolve múltiplos elos, desde a produção animal, passando pelo transporte, abate, processamento, armazenamento e distribuição. Cada etapa exige controle rigoroso de dados, cumprimento de normas sanitárias, ambientais e trabalhistas, além de padrões de qualidade cada vez mais exigentes pelos mercados interno e internacional. A rastreabilidade, portanto, vai muito além da adoção de sistemas tecnológicos. Ela depende de processos bem estruturados, pessoas capacitadas e de uma visão sistêmica orientada à sustentabilidade.

    Sob a ótica ambiental, a rastreabilidade é uma ferramenta estratégica no combate ao desmatamento ilegal, um dos principais desafios do setor pecuário. Por meio do monitoramento da origem dos animais e da qualificação dos fornecedores, é possível cruzar dados produtivos, geográficos e ambientais, garantindo que a produção não esteja associada a áreas irregulares.

    O consultor atua de forma decisiva ao mapear riscos, orientar adequações e assegurar conformidade com a legislação ambiental e com compromissos de desmatamento zero, reduzindo riscos reputacionais e comerciais.

    Monitoramento de emissões

    Outro aspecto cada vez mais relevante é o monitoramento das emissões de carbono ao longo da cadeia produtiva. Com dados confiáveis e bem estruturados, frigoríficos e indústrias conseguem identificar etapas mais intensivas em emissões, apoiar inventários de gases de efeito estufa e desenvolver estratégias de mitigação. Nesse contexto, o consultor contribui para transformar informações operacionais em inteligência estratégica, apoiando decisões alinhadas às metas climáticas e às exigências de investidores e mercados internacionais.

    A rastreabilidade também favorece o uso racional de recursos naturais, como água, energia e insumos produtivos. Ao acompanhar cada etapa do processo, torna-se possível identificar desperdícios, padronizar operações e adotar práticas mais eficientes. A atuação consultiva auxilia na implementação de controles e tecnologias que promovem ganhos ambientais e econômicos, fortalecendo a eficiência operacional da cadeia.

    No eixo social, o tema do bem-estar animal ganha cada vez mais relevância no debate público e no consumo consciente. A rastreabilidade assegura registros sobre manejo, transporte e abate, garantindo conformidade com protocolos técnicos e normas nacionais e internacionais. O consultor especializado orienta a adoção de boas práticas, o treinamento das equipes e a preparação para auditorias. Assim, contribuindo para elevar os padrões do setor e agregar valor ao produto final.

    Agente integrador

    Nesse cenário complexo, o consultor atua como um agente integrador. Ele é responsável por mapear processos, identificar riscos, corrigir falhas e orientar a implementação de práticas que garantam uma rastreabilidade efetiva. Seu trabalho começa no diagnóstico da operação, avaliando desde a origem da matéria-prima até os registros finais de expedição. Assegurando que as informações sejam confiáveis, auditáveis e alinhadas às exigências legais, ambientais e de mercado.

    Além disso, a crescente demanda por tecnologias aplicadas à cadeia da carne, como sistemas de gestão integrados, automação de registros, códigos de identificação e soluções digitais de monitoramento em tempo real, reforçam o papel estratégico do consultor. Mais do que indicar ferramentas, ele garante que essas soluções sejam corretamente implementadas, integradas aos processos existentes e compreendidas pelas equipes envolvidas.

    Por fim, a rastreabilidade se consolida como um pilar de transparência para investidores, clientes e consumidores. Dados claros e auditáveis fortalecem a governança corporativa, ampliam o acesso a mercados e permitem uma comunicação mais consistente sobre compromissos ESG. O consultor especializado atua como elo entre a indústria, os órgãos reguladores e o mercado. Ajudando empresas a se posicionarem de forma responsável, competitiva e preparada para o futuro.

    Quando bem estruturada, a rastreabilidade fortalece a reputação da marca, amplia oportunidades comerciais e contribui para uma cadeia da carne mais segura, sustentável, transparente e eficiente para todos os envolvidos.

    Paulo Duque, é consultor na área frigorífica e CEO do Rei da Linguiça

    Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.

  • Cota chinesa pode reduzir exportações brasileiras de carne

    Cota chinesa pode reduzir exportações brasileiras de carne

    O Brasil pode deixar de faturar cerca de US$ 3 bilhões com exportações de carne bovina à China. Isso ocorre após a adoção de novas tarifas e cotas de importação pelo governo chinês. Nesta quarta-feira (31), a China anunciou uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil.

    O volume excedente terá tarifa de 55%, o que restringe o acesso ao mercado. Além disso, o país asiático definiu cotas isentas da tarifa para outros grandes exportadores. A medida afeta diretamente a competitividade da carne bovina brasileira.

    Exportações

    Para 2025, o setor projeta exportações de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina à China. Até novembro, os embarques já somaram 1,5 milhão de toneladas, com receita de US$ 8 bilhões. Segundo analistas, a tarifa pode inviabilizar exportações acima da cota estabelecida.

    O percentual de 55% dificulta negociações nas atuais condições de mercado. Caso as vendas fiquem limitadas a 1,1 milhão de toneladas, o Brasil voltaria ao patamar pré-2022. Desde aquele ano, as exportações superaram 1 milhão de toneladas anuais.

    Tratamento desigual

    O setor também critica o tratamento desigual entre fornecedores. A Argentina recebeu cota de 510 mil toneladas, enquanto o Uruguai ficou com 310 mil toneladas. Em resumo, na avaliação de especialistas, esses volumes são elevados em relação ao tamanho dos rebanhos desses países. Por isso, eles consideram que a medida é mais severa para o Brasil.

    Distribuição de cotas

    Outra preocupação envolve a distribuição das cotas. O setor ainda não sabe qual país fará a gestão nem quais critérios serão adotados. Além disso, as autoridades chinesas também avaliam novas medidas, ainda não detalhadas oficialmente. Entre elas, estão a redução de frigoríficos habilitados e das linhas de crédito aos importadores.

    Diante desse cenário, o mercado já projeta revisões nas estimativas de exportação para 2026.
    A incerteza aumenta e pressiona o planejamento do setor pecuário brasileiro.

  • China será peça-chave para equilíbrio do mercado do boi

    China será peça-chave para equilíbrio do mercado do boi

    A manutenção das exportações de carne bovina para a China será determinante para sustentar as cotações do boi gordo no próximo ano. A avaliação aparece no relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca o papel do mercado chinês no equilíbrio entre oferta e demanda doméstica.

    Em 12 de dezembro, o preço médio futuro da arroba para 2026 alcançou R$ 333,10, avanço de 6% em relação a 2025. A consultoria projeta uma moderação gradual da oferta ao longo de 2026, mas a entrada do período sazonal de descarte de fêmeas e o aumento dos animais de pasto devem ampliar a oferta nos próximos meses.

    “O fluxo normal de exportações à China será essencial para evitar quedas nas cotações do boi gordo, diante de um cenário de oferta confortável no curto prazo”, afirma Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.

    A China adiou para janeiro a decisão sobre a investigação de salvaguarda, inicialmente prevista para novembro. A postergação reduziu a pressão sobre o contrato futuro de dezembro e trouxe alívio temporário aos exportadores brasileiros, que mantêm posição relevante no mercado chinês. Com o mercado físico estável, os vencimentos mais curtos continuam sem espaço para valorizações além dos níveis atuais.

    Oferta elevada

    Mesmo com alguma margem para avanço das cotações, a oferta elevada limita movimentos mais expressivos. Dados preliminares de abates sob inspeção federal (SIF) em novembro confirmam o ritmo forte registrado nos dois meses anteriores.

    Segundo o Itaú BBA, as margens dos confinamentos permanecem positivas, sustentadas pelos preços futuros do boi e pelos custos de ração ainda controlados. O principal desafio segue sendo o encarecimento do boi magro, resultado da dificuldade de reposição. Já o bezerro tende a continuar valorizado, com oferta restrita e pressão crescente sobre as fases de recria e engorda.