Tag: carne bovina

  • Brasil deve atingir cota de exportação de carne bovina para a China até maio

    Brasil deve atingir cota de exportação de carne bovina para a China até maio

    O Brasil deve atingir sua cota anual de exportação de carne bovina para a China até o início de maio, impulsionado pelo aumento dos preços do boi gordo e pela corrida para embarcar antes da entrada em vigor das novas tarifas chinesas. A informação é de representantes do setor, que alertam para um cenário de forte pressão nas vendas e busca por mercados alternativos.

    De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP), o preço do boi gordo chegou a R$365 por arroba na quarta-feira, o maior valor nominal já registrado. O aumento de 12,5% em 12 meses reflete o avanço das exportações e a tentativa de frigoríficos de antecipar embarques antes do fechamento da cota.

    Em março, o Brasil exportou 233,9 mil toneladas de carne bovina fresca, recorde histórico para o mês, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. A média diária ficou em 10,6 mil toneladas, 8,6% acima de março de 2025 e 40,7% superior ao mesmo período de 2024. A receita do mês alcançou cerca de R$7 bilhões, com preço médio de R$29,9 mil por tonelada.

    Teto fixo

    A China anunciou, em dezembro, que as importações acima de um teto fixo por país serão taxadas em 55%. Bem acima da alíquota padrão de 12%. O limite imposto a cada nação valerá para 2026 e inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Para o Brasil, o volume máximo permitido é de 1,106 milhão de toneladas. Enviar além disso se torna inviável economicamente.

    Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o Brasil já utilizou mais de 40% da cota apenas no primeiro trimestre.

    “A salvaguarda chinesa afeta todos os países, mas a do Brasil foi a mais severa. A China foi destino de 46% das nossas exportações no ano passado. O impacto é expressivo”, disse ele durante um evento do setor.

    Apesar das restrições, a participação chinesa nas exportações totais brasileiras de carne bovina fresca caiu pelo terceiro ano consecutivo, atingindo o menor nível para um primeiro trimestre desde 2020. Entre janeiro e março, os embarques para a China somaram 325,4 mil toneladas. Crescimento de 16,3% frente ao mesmo período de 2025, mas abaixo do ritmo de outros mercados.

    O Ministério da Agricultura já alertou para o risco de um “colapso nos preços e no emprego” caso as empresas continuem fechando contratos no início do ano sem uma coordenação nacional da cota. Para o setor, as alternativas ainda são limitadas.

    A Coreia do Sul surge como opção, mas só deve concluir inspeções sanitárias em frigoríficos brasileiros a partir de junho. O envio via Vietnã ou Hong Kong não apresenta viabilidade comercial.

    Perosa projeta que o limite imposto pela China continuará em vigor até 2027 ou 2028.

    Argentina

    Enquanto isso, a Argentina enfrenta seus próprios desafios. Em março, a alfândega chinesa rejeitou um embarque de 22 toneladas da planta ArreBeef, na província de Buenos Aires, após detectar cloranfenicol, antibiótico proibido no país desde 1995. O caso gerou uma reunião emergencial entre o governo e representantes do setor para evitar que o episódio comprometa embarques futuros.

    Sob críticas da oposição, o governo do presidente Javier Milei tenta reduzir perdas no mercado chinês ampliando as vendas aos Estados Unidos. O presidente Donald Trump anunciou, no mês passado, que o país comprará carne argentina para conter a alta dos preços domésticos. A maior em 75 anos devido à redução dos rebanhos americanos.

    A proposta, porém, enfrentou resistência imediata de produtores norte-americanos, que afirmam que a medida prejudica os pecuaristas locais sem aliviar o custo da carne nos supermercados.

    Atualmente, a Argentina representa cerca de 2% das importações de carne bovina dos EUA, o que limita qualquer impacto imediato mesmo com o aumento das compras.

  • Arroba do boi dispara e atinge maior valor desde 1997

    Arroba do boi dispara e atinge maior valor desde 1997

    O mercado pecuário brasileiro vive um momento decisivo. O preço do boi gordo atingiu o maior valor nominal da série histórica iniciada em 1997, segundo dados do Cepea, referência nacional em análises agropecuárias. Esse movimento, além de chamar a atenção dos produtores, também sinaliza mudanças importantes no ciclo da pecuária de corte.

    Recorde histórico e escalada recente dos preços

    O Indicador do boi gordo do Cepea superou patamares históricos ao longo de 2026. Em abril, a arroba já opera acima de R$ 360 em São Paulo, principal praça de referência do país.

    Além disso, os números mostram uma escalada consistente. No início de janeiro, a arroba estava próxima de R$ 318. Poucos meses depois, o valor avançou mais de R$ 40, evidenciando uma valorização expressiva no período.

    Esse movimento não ocorreu de forma isolada. Em fevereiro, o mercado já registrava forte alta mensal. Segundo dados recentes, a arroba chegou a R$ 325,80, com valorização de 7,92% apenas naquele mês.

    Virada do ciclo pecuário impulsiona valorização

    A alta do boi gordo está diretamente ligada à virada do ciclo pecuário. Após um período de maior abate de fêmeas, o mercado entra agora em uma fase de retenção de matrizes.

    Nesse sentido, a oferta de animais terminados diminui. Como resultado, os frigoríficos enfrentam dificuldade para compor escalas de abate, o que sustenta os preços em níveis elevados.

    Além disso, produtores mais capitalizados tendem a segurar os animais à espera de cotações melhores. Portanto, o mercado ganha ainda mais pressão de alta no curto prazo.

    Exportações aquecidas e demanda firme

    Ao mesmo tempo, a demanda internacional segue aquecida. A China continua como principal compradora da carne bovina brasileira, enquanto outros mercados ampliam participação.

    Assim, o cenário externo contribui diretamente para sustentar os preços domésticos. Mesmo quando há volatilidade cambial, o volume exportado ajuda a manter o equilíbrio entre oferta e demanda. Por outro lado, o consumo interno ainda enfrenta limitações devido ao poder de compra da população.

    Impactos diretos para o produtor rural

    Para o pecuarista, o cenário atual representa uma janela de rentabilidade relevante. Com preços mais altos, a margem tende a melhorar, principalmente para quem conseguiu reduzir custos ou travar insumos antecipadamente.

    Porém, nem todos os elos da cadeia se beneficiam igualmente. A reposição, especialmente de bezerros, também fica mais cara, o que pode pressionar sistemas de recria e engorda.

    Além disso, custos com nutrição, suplementação e confinamento seguem elevados. Dessa forma, a gestão eficiente continua sendo decisiva para capturar os ganhos desse ciclo.

    Reflexos na indústria e no consumidor

    Enquanto o produtor comemora, a indústria frigorífica enfrenta margens mais apertadas. O encarecimento da matéria-prima reduz a competitividade, sobretudo no mercado interno.

    Consequentemente, o preço da carne ao consumidor tende a subir. Esse movimento já aparece no atacado e pode ganhar força nos próximos meses.

    Ainda assim, o ritmo desse repasse depende do consumo doméstico. Se a demanda não reagir, parte da pressão pode ser absorvida pela indústria.

  • O que fez a carne bovina subir e a suína cair ao mesmo tempo?

    O que fez a carne bovina subir e a suína cair ao mesmo tempo?

    O mercado de proteínas animais iniciou 2026 com um cenário incomum: a diferença de preços entre a carne bovina e a suína atingiu o maior patamar dos últimos quatro anos.

    Levantamento do Cepea/USP mostra que a distância chegou a R$ 14,26 por quilo em março. Esse movimento reflete dinâmicas completamente opostas entre os dois setores.

    De um lado, a carne bovina segue em valorização. Do outro, a carne suína registra queda e ganha competitividade no mercado interno.

    Carne bovina sobe com oferta limitada

    A alta da carne bovina tem um fator central: a baixa oferta de animais prontos para abate.

    Com menos gado disponível, os frigoríficos enfrentam dificuldade para manter o ritmo de produção. Como resultado, os preços sobem. Em março, a carcaça casada bovina avançou 2,6% e atingiu média de R$ 24,32 por quilo na Grande São Paulo.

    Imagem gerada por IA

    Além disso, a demanda internacional reforça essa pressão. O Brasil registrou exportações recordes no primeiro trimestre de 2026, com valores pagos até 18,7% maiores na comparação anual.

    Esse cenário reduz ainda mais a disponibilidade de carne no mercado interno e sustenta a trajetória de alta.

    Exportações ampliam pressão nos preços

    O apetite externo pela carne brasileira continua aquecido. Países importadores mantêm forte demanda, o que incentiva frigoríficos a direcionarem parte da produção para o mercado internacional.

    Como consequência, o consumidor brasileiro sente o impacto direto no bolso.

    Além disso, essa combinação entre oferta restrita e exportações elevadas cria um ambiente de sustentação dos preços, sem sinais imediatos de recuo.

    Carne suína segue caminho oposto

    Enquanto a carne bovina sobe, a proteína suína enfrenta um cenário de pressão negativa.

    Em março, a carcaça especial suína recuou cerca de 2,8%, fechando em R$ 10,06 por quilo. Esse movimento ocorre principalmente por conta da queda na demanda interna.

    Durante a Quaresma, o consumo de carne suína tradicionalmente diminui. Como resultado, o mercado registra menor liquidez e dificuldade na comercialização.

    Quaresma derruba consumo e preços

    A sazonalidade exerce forte influência sobre o setor suíno.

    Nesse período, muitos consumidores reduzem o consumo de carnes, especialmente a suína. Consequentemente, a procura cai tanto no mercado do animal vivo quanto no atacado.

    Esse recuo gera acúmulo de oferta e pressiona os preços para baixo.

    Além disso, a indústria demonstra menor interesse na compra de novos lotes, o que intensifica ainda mais a desvalorização.


  • Exportações de carne bovina batem recorde no trimestre

    Exportações de carne bovina batem recorde no trimestre

    As exportações brasileiras de carne bovina in natura mantêm ritmo forte neste início de 2026. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, o volume embarcado no primeiro trimestre bateu recorde histórico.

    De janeiro a março de 2026, o Brasil exportou 701,662 mil toneladas de carne bovina in natura. O volume supera em 19,7% o registrado no mesmo período de 2025. Além disso, o resultado fica 36,6% acima do observado no primeiro trimestre de 2024.

    Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destacam também a valorização da carne brasileira no exterior. Em março, o preço médio por tonelada alcançou US$ 5.814,80. O valor representa alta de 3,1% frente a fevereiro. Na comparação anual, o preço subiu 18,7% em relação a março de 2025.

    Esse cenário externo favorável sustentou os preços do boi gordo no mercado interno durante março. No início de abril, os preços do boi gordo, do bezerro e da carne seguem em alta. A demanda externa aquecida e a oferta restrita de animais para abate sustentam esse movimento.

  • Surto de febre aftosa na China acende alerta na carne

    Surto de febre aftosa na China acende alerta na carne

    Um novo surto de febre aftosa levou a China a adotar medidas emergenciais para conter a disseminação da doença.

    Entre as ações, o país intensificou o controle sanitário nas fronteiras e iniciou o abate de animais infectados ou sob suspeita. Além disso, autoridades ampliaram a vigilância em regiões consideradas de maior risco.

    Esse tipo de resposta é comum em casos de febre aftosa. Isso porque a doença apresenta alta capacidade de transmissão e pode causar prejuízos significativos à pecuária.

    Doença preocupa cadeia produtiva

    A febre aftosa afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de produção. Embora raramente atinja humanos, seus impactos econômicos são severos.

    Quando um surto é confirmado, países costumam restringir o trânsito de animais e produtos de origem animal. Dessa forma, o comércio internacional pode sofrer interrupções imediatas.

    Além disso, o abate sanitário reduz rapidamente a oferta interna de carne, o que pressiona preços e altera a dinâmica do mercado.

    Impactos já são monitorados no mercado global

    O avanço da doença na China acende um alerta global. Como um dos maiores consumidores de carne do mundo, qualquer alteração em sua produção interna gera reflexos diretos no comércio internacional.

    Por um lado, a redução da oferta doméstica pode aumentar a demanda por importações. Nesse cenário, países exportadores tendem a se beneficiar.

    Por outro lado, restrições sanitárias e incertezas logísticas podem gerar volatilidade nos preços.

    Brasil pode ser impactado

    O Brasil, um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, acompanha o cenário com atenção.

    Se a China ampliar suas importações, o país pode ganhar espaço no mercado externo. No entanto, qualquer risco sanitário exige cautela.

    Além disso, o histórico recente mostra que crises sanitárias costumam provocar reações rápidas nos fluxos comerciais. Por isso, o setor monitora cada movimento com cautela.

    Controle sanitário ganha ainda mais importância

    Diante do cenário, especialistas reforçam a importância da vigilância sanitária e da rastreabilidade dos rebanhos.

    Países com sistemas de controle mais rigorosos tendem a responder melhor a crises desse tipo. Além disso, conseguem manter a confiança dos mercados internacionais.

    No caso do Brasil, o status sanitário é um dos principais ativos do agronegócio. Portanto, manter esse padrão se torna ainda mais estratégico.

    Cenário exige atenção nos próximos meses

    Embora a situação ainda esteja em evolução, o surto já influencia decisões no setor.

    Produtores, exportadores e governos acompanham de perto os desdobramentos. Isso porque mudanças na China costumam reverberar rapidamente no mercado global.

    Por fim, o episódio reforça um ponto central do agronegócio moderno: sanidade animal não é apenas uma questão de saúde, mas também de competitividade e acesso a mercados.

  • China bloqueia carne argentina após detectar antibiótico proibido desde 1995

    China bloqueia carne argentina após detectar antibiótico proibido desde 1995

    A China suspendeu as importações de carne bovina da unidade nº 2082 da ArreBeef, localizada em Pérez Millán, distrito de Ramallo, província de Buenos Aires. A decisão veio após autoridades chinesas identificarem cloranfenicol, antibiótico proibido para bovinos desde 1995, em um contêiner da empresa, em 19 de março de 2026.

    O bloqueio atinge uma das principais exportadoras argentinas e chega em meio ao endurecimento dos controles chineses sobre carne importada. Apesar de envolver apenas um contêiner de 22 toneladas, a medida gerou preocupação imediata no setor e mobilizou o SENASA, o Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria da Agricultura.

    Fiscalização mais rígida

    A decisão, no entanto, não foi isolada. Na semana anterior, a China já havia suspendido o frigorífico uruguaio San Jacinto após detectar fluazuron na carne. Juntos, os dois casos indicam uma postura crescentemente rigorosa do principal destino das exportações argentinas de proteína bovina.

    Nesse contexto, segundo o Clarín, a suspensão da ArreBeef ativou um protocolo de crise e deu início a uma investigação coordenada pelas autoridades argentinas. Os trabalhos continuaram durante o feriado prolongado no país, enquanto o governo aguarda mais detalhes da GACC sobre o lote afetado.

    O que as investigações buscam

    No centro da apuração está uma pergunta: como o cloranfenicol chegou à carga da ArreBeef? Para respondê-la, técnicos do SENASA ativaram o sistema nacional de rastreabilidade bovina e iniciaram o cruzamento de dados com as autoridades chinesas.

    As hipóteses iniciais apontam para um falso positivo ou para a derivação de outra substância com estrutura química semelhante. Com base nesse argumento, a defesa argentina já enviou a Pequim um dossiê com informações sobre o programa nacional de monitoramento de resíduos, apresentado como evidência do rigor sanitário do país. A expectativa é rastrear os animais até a fazenda de origem, algo que o sistema argentino permite tecnicamente nesses casos.

    Diplomacia corre para conter os danos

    Desde que a GACC bloqueou novos embarques da unidade da ArreBeef, o governo argentino concentra esforços em duas frentes. A primeira é limitar o problema ao contêiner específico, protegendo as cargas já em trânsito antes de 19 de março. A segunda é acelerar a retirada da restrição.

    Para isso, as autoridades consideram ainda enviar uma delegação à China. A iniciativa segue o precedente de 2016, quando um caso semelhante, envolvendo a Ecocarnes, exigiu negociação direta em Pequim e resultou na resolução do impasse.

    Operações seguem com alternativa

    Do ponto de vista operacional, porém, o impacto sobre a ArreBeef tende a ser limitado. A empresa mantém a CAIBER (antiga Finexcor, em Quilmes) como unidade alternativa para exportações à China e a outros mercados, o que preserva sua capacidade produtiva durante a vigência da suspensão.

    Ainda assim, o episódio expõe uma vulnerabilidade estrutural do agronegócio argentino: a dependência de um único grande comprador e a fragilidade diante de restrições sanitárias impostas por ele. Mais do que resolver o caso da ArreBeef, o momento exige do setor uma resposta rápida, coordenada e tecnicamente sólida, capaz de preservar o acesso ao mercado que mais importa.

  • Carne bovina mantém preços elevados em março

    Carne bovina mantém preços elevados em março

    Os preços da carne bovina seguem elevados em março no atacado da Grande São Paulo. As exportações aquecidas sustentam o mercado, enquanto a oferta interna permanece limitada. Além disso, a carne bovina mostra comportamento diferente das proteínas concorrentes. Os preços de suínos e frango caem ao longo do mês.

    A carcaça casada bovina mantém firmeza mesmo durante a Quaresma. Nesse período, o consumo de carne bovina costuma recuar no mercado interno. Ainda assim, a proteína bovina resiste à maior competitividade das carnes substitutas. Esse cenário reforça a sustentação dos preços no atacado paulista.

    Segundo o Cepea, o mercado de suínos enfrenta pressão de oferta elevada. A produção supera o consumo e reduz os preços no setor. Como resultado, os produtores de suínos operam com margens mais apertadas.
    Os custos elevados também dificultam a recuperação da rentabilidade.

    Por outro lado, o mercado de frango segue em queda contínua. A oferta abundante e a demanda interna fraca pressionam as cotações. Na parcial de 27 de fevereiro a 24 de março, o Cepea aponta estabilidade na carne bovina. Enquanto isso, a carcaça suína recua 1,54% no período analisado. Além disso, o frango resfriado registra queda expressiva de 6,35% no mês.

  • Guerra no Irã ameaça embarques de carne bovina e acende alerta no Brasil

    Guerra no Irã ameaça embarques de carne bovina e acende alerta no Brasil

    A escalada do conflito envolvendo o Irã acendeu um sinal de alerta para as exportações brasileiras de carne bovina. Principal fornecedor global do produto, o Brasil agora monitora com cautela os desdobramentos da guerra que ameaçam as vendas para uma de suas regiões mais estratégicas: o Oriente Médio.

    Os países do Oriente Médio absorveram cerca de 10% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil em 2025, o que representa um volume de 250 mil toneladas. O Irã, protagonista no atual cenário de tensão, figura entre os principais destinos desse comércio.

    Diante do aumento das incertezas, os exportadores brasileiros já enfrentam desafios logísticos. Rotas marítimas, custos com seguros de carga e a estabilidade financeira dos importadores entraram na mira das empresas, que começam a buscar mercados alternativos para redirecionar parte das mercadorias e evitar perdas.

    No mercado interno, analistas do setor acompanham a situação com cautela. Qualquer interrupção ou atraso nas compras por parte dos países importadores pode levar os frigoríficos a ajustarem temporariamente a demanda, o que tende a influenciar os preços do boi gordo.

    Especialista detalha cenário em evento

    Os efeitos da guerra, os impactos para as exportações e os possíveis desdobramentos para a pecuária brasileira serão alguns dos temas centrais do Simpósio Nutripura, que acontece até hoje, 21 de março, em Cuiabá. O economista Alexandre Mendonça de Barros participa do evento para detalhar como o cenário geopolítico pode influenciar o mercado da carne e apontar possíveis oportunidades para o setor.

    Mendonça de Barros integra um time de peso no evento. A programação conta com a presença do biólogo e comunicador Richard Rasmussen, do açougueiro e influenciador Marcelo Bolinha, que soma mais de 800 mil seguidores no Youtube, e do médico Dr. Alexandre Duarte, especialista em dieta carnívora e metabolismo humano.

    O Simpósio Nutripura também aposta em um eixo técnico-científico de peso. Os professores Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), trazem suas contribuições em áreas como nutrição, manejo e sistemas de produção animal.

    Completa a programação uma apresentação do professor José Luiz Tejon, especialista em marketing agro e comportamento do consumidor, ampliando o debate para temas como reputação, consumo e a imagem da carne brasileira no mundo.

    Nesta edição, o Simpósio espera reunir mais de 2 mil participantes, incluindo produtores rurais, técnicos, pesquisadores, executivos e empresas do agronegócio. A programação foca em inovação, sustentabilidade e as principais tendências dos mercados globais da carne brasileira.

  • Carne bovina: abate recorde de fêmeas eleva preço da reposição

    Carne bovina: abate recorde de fêmeas eleva preço da reposição

    O Brasil registrou abate recorde de fêmeas em 2025, segundo dados do IBGE. Além disso, os números indicam impacto direto no mercado pecuário. Foram abatidas 13,5 milhões de vacas adultas e 6,5 milhões de novilhas.
    Esses volumes representam recordes históricos na série analisada.

    Em comparação com 2024, o abate de vacas adultas cresceu 15,8%. Ao mesmo tempo, o abate de novilhas avançou 23,5%. No total, o país abateu 3 milhões de fêmeas a mais. Desse aumento, 1,8 milhão corresponde a vacas adultas. Além disso, 1,2 milhão refere-se a novilhas.

    Pesquisadores do Cepea afirmam que esse movimento reduz a oferta futura de animais. Por isso, o mercado registra valorização contínua da reposição. O levantamento do Centro confirma essa tendência em Mato Grosso do Sul. O bezerro nelore, entre 8 e 12 meses, apresenta alta relevante.

    Na parcial de março, até o dia 17, o preço médio alcança R$ 3.254,37. Esse valor fica 3% acima do registrado em fevereiro de 2026. Além disso, o preço supera em 24,3% o de março de 2025, em termos reais. Os dados consideram valores corrigidos pelo IGP-DI. Por fim, essa média representa o maior patamar desde junho de 2021.

  • Exportação de carne bovina bate recorde histórico em fevereiro

    Exportação de carne bovina bate recorde histórico em fevereiro

    As exportações de carne bovina seguem como principal fator de sustentação dos preços da arroba do boi gordo no Brasil. Além disso, os embarques registram recordes há anos e reforçam a competitividade da proteína brasileira no mercado global. O cenário também se mantém positivo neste início de 2026, com volumes elevados de vendas externas.

    Fevereiro tem maior volume já registrado

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram forte avanço nos embarques de carne bovina in natura.
    Em fevereiro, exportadores embarcaram 235,889 mil toneladas da proteína em apenas 18 dias úteis. Esse volume representa aumento de 23,9% em relação ao registrado em fevereiro de 2025.

    Além disso, o resultado configura o melhor fevereiro da história para as exportações brasileiras de carne bovina.
    A média diária de embarques alcançou 13,105 mil toneladas no mês. Esse desempenho supera em 37,6% a média diária observada no mesmo período do ano passado.

    China lidera compras da carne brasileira

    A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira. O país asiático recebe quase metade de toda a proteína exportada pelo Brasil. Em seguida, os Estados Unidos aparecem como o segundo maior comprador da carne bovina nacional.

    Conflito no Oriente Médio gera cautela no mercado

    No mercado interno, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada observam novas incertezas. O atual conflito no Oriente Médio gera especulações entre agentes do mercado brasileiro. Embora a região não seja destino relevante da carne bovina, tensões logísticas preocupam exportadores.

    O fechamento de rotas estratégicas pode elevar custos de frete e de seguros marítimos. Diante desse cenário, compradores adotam postura mais cautelosa e avaliam novas estratégias comerciais. Por outro lado, vendedores resistem aos preços ofertados e aguardam novas propostas. Com isso, o ritmo de negócios no mercado doméstico permanece lento.