Tag: carne bovina

  • Exportadores podem perder US$ 1,8 bilhão por ano com decisão da União Europeia

    Exportadores podem perder US$ 1,8 bilhão por ano com decisão da União Europeia

    A União Europeia suspendeu a importação de carnes, ovos e mel do Brasil. A medida, válida a partir de 3 de setembro de 2026, ameaça US$ 1,8 bilhão em receita anual para os exportadores brasileiros, e pega o governo de surpresa.

    Foto: divulgação – Agência Brasil

    A porta-voz de Saúde da União Europeia, Eva Hrncirova, confirmou que a restrição abrange bovinos, equinos, aves, ovos, mel e envoltórios. O Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia aprovou, nesta terça-feira (12/5), a atualização da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco, e retirou o Brasil dela.

    O motivo: o Brasil não garantiu o fim do uso de antimicrobianos na criação de animais. A norma europeia proíbe o uso de antibióticos para estimular o desenvolvimento do rebanho, bem como de substâncias reservadas ao tratamento de infecções em humanos. Como o país não cumpriu essas exigências, perdeu o acesso ao mercado de 27 nações.

    Quanto o Brasil perde

    Embora os produtos restritos representem apenas 0,5% do total exportado pelo Brasil ao mundo em 2025, US$ 348,3 bilhões, e 3,6% dos US$ 49,8 bilhões enviados à UE, as perdas setoriais são expressivas.

    A carne bovina concentra o maior prejuízo. Em 2025, o Brasil exportou 128 mil toneladas ao bloco e arrecadou US$ 1,048 bilhão. A Europa é o terceiro maior comprador do produto brasileiro, atrás apenas de Estados Unidos e China. Com a suspensão, só nesse segmento a perda estimada chega a US$ 912,2 milhões em carne bovina fresca, mais US$ 311 milhões em carnes defumadas e salgadas e US$ 278 milhões em miudezas.

    No setor de aves, a União Europeia ocupava o oitavo lugar no ranking de compradores do frango brasileiro em 2025. Segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o bloco recebeu 233.137 toneladas da proteína, movimentando US$ 302 milhões.

    Ovos e mel completam o balanço das perdas. A Europa era o décimo destino das exportações de ovos brasileiros, com 301 toneladas e US$ 1,3 milhão. O mel natural somou US$ 6,1 milhões.

    Resumo das perdas estimadas:
    • Carne bovina fresca: US$ 912,2 milhões
    • Carnes defumadas e salgadas: US$ 311 milhões
    • Miudezas e despojos comestíveis: US$ 278 milhões
    • Aves: US$ 302 milhões
    • Mel natural: US$ 6,1 milhões
    • Ovos: US$ 1,3 milhão
    • Outras miudezas: US$ 2,7 milhões

    A suspensão ocorre em um momento delicado. O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entrou em vigor provisoriamente no dia 1º de. E ainda aguarda chancela definitiva da Justiça europeia. Produtores rurais do bloco, especialmente na França, pressionam os governos contra o tratado, alegando concorrência desleal com a agropecuária brasileira.

    Para Frederico Favacho, especialista em agronegócios do Santos Neto Advogados,a medida chama atenção pelo momento em que ocorre e pelo histórico de conformidade da pecuária brasileira com exigências de mercados altamente rigorosos. “As questões fitossanitárias são sempre muito relevantes no comércio internacional, mas cada vez mais vemos seu uso como barreiras ao comércio. Chama a atenção que a importação de carnes brasileiras, uma das fontes de resistência dos produtores europeus ao acordo UE–Mercosul, seja exatamente agora objeto de questionamento, quando em 2024 esse não era um ponto de atenção.”

    Governo promete agir rápido

    Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura, o Ministério das Relações Exteriores e o MDIC classificaram a decisão como surpreendente e prometeram “prontamente todas as medidas necessárias” para reverter a exclusão da lista. O chefe da Delegação do Brasil junto à UE tem reunião agendada para esta quarta-feira (13/5) com autoridades sanitárias do bloco.

    O Brasil exporta produtos de origem animal para a Europa há 40 anos e é o maior exportador mundial de proteínas animais.

  • União Europeia veta importações de carne bovina do Brasil

    União Europeia veta importações de carne bovina do Brasil

    A União Europeia (UE) atualizou nesta terça-feira (12) a lista de países considerados alinhados às regras do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária, e o Brasil acabou ficando de fora.

    Segundo autoridades europeias, o governo brasileiro não apresentou garantias suficientes sobre a não utilização desses produtos na produção animal.

    Em comunicado, o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que os produtores europeus seguem regras sanitárias rígidas e, por isso, os produtos importados também precisam atender aos mesmos critérios.

    “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, declarou.

    Pelas normas da UE, é proibido utilizar antimicrobianos para estimular crescimento ou elevar a produtividade dos animais. O bloco também veta o uso, na pecuária, de substâncias consideradas essenciais para tratamentos humanos.

    Carne brasileira enfrenta limites na Europa

    Apesar do aumento nas compras, produtos considerados sensíveis pela União Europeia, como carne bovina, frango e carne suína, seguem submetidos a cotas de exportação. Na prática, o acordo entre Mercosul e União Europeia abriu portas importantes para o agro sul-americano, mas alguns setores continuam cercados por restrições.

    A União Europeia trata a carne bovina como um produto delicado economicamente e politicamente. O receio europeu envolve desde a concorrência com pecuaristas locais até pressões ambientais ligadas à produção agropecuária.

  • China pressiona mercado e preço da picanha entra em alerta

    China pressiona mercado e preço da picanha entra em alerta

    O churrasco de domingo pode ficar ainda mais salgado. E não é força de expressão. O preço da picanha, do contrafilé e de outros cortes nobres no Brasil podem subir com as baixas na exportação para a China.

    A possibilidade de uma desaceleração nas compras de carne bovina brasileira pela China começou a provocar apreensão entre pecuaristas, frigoríficos e especialistas do setor agropecuário. O temor é simples de entender: quando o maior comprador do mundo pisa no freio, toda a cadeia sente o baque — do pasto ao prato.

    A discussão ganhou força após representantes do setor alertarem para uma possível redução de até 10% nas exportações brasileiras de carne bovina ao mercado chinês. O cenário envolve tarifas, tensões comerciais e uma economia chinesa menos acelerada do que nos anos anteriores.

    Mas a direção dessa mudança ainda divide opiniões.

    Queda nas exportações pode aumentar oferta no Brasil

    De um lado, economistas ligados ao agronegócio avaliam que uma redução das exportações poderia elevar a quantidade de carne disponível no mercado interno. Em teoria, isso ajudaria a aliviar os preços para o consumidor brasileiro.

    É a lógica do efeito dominó.

    Se menos contêineres deixam os portos rumo à Ásia, sobra mais produto nos frigoríficos nacionais. E aí o varejo tende a pressionar por preços menores.

    O problema é que o mercado da carne raramente funciona de maneira tão linear.

    Especialistas afirmam que fatores como dólar, custo do milho, transporte e margem dos frigoríficos continuam pesando na conta. Ou seja: mesmo com maior oferta, não há garantia de queda significativa nos supermercados.

    Enquanto isso, o consumidor observa tudo como quem olha fumaça saindo da churrasqueira antes de descobrir o tamanho da conta.

    Picanha virou símbolo do bolso do brasileiro

    A picanha deixou de ser apenas um corte bovino. Nos últimos anos, ela virou símbolo do poder de compra da classe média e até tema político.

    Quando o preço sobe, o impacto ultrapassa o açougue.

    Ele invade conversas de família, grupos de WhatsApp e corredores de supermercado. Afinal, pouca coisa traduz tão bem a sensação de inflação quanto o susto diante da etiqueta da carne.

    Nos últimos anos, o mercado viveu uma montanha-russa.

    Durante o auge das exportações para a China, frigoríficos priorizaram mercados internacionais mais rentáveis. Com isso, muitos cortes dispararam no Brasil. Em alguns períodos, a picanha virou quase artigo de luxo.

    Agora, o receio é diferente.

    Se a China reduzir compras, frigoríficos podem tentar compensar perdas elevando margens em outros mercados ou diminuindo o ritmo de abates. Nesse caso, o efeito sobre os preços internos pode ser limitado.

    Frigoríficos acompanham cenário com cautela

    Grandes empresas do setor acompanham o movimento chinês quase em tempo real. Não por acaso.

    Hoje, a China representa o principal destino da carne bovina brasileira. Em algumas operações, o mercado chinês responde por parcela decisiva da receita exportadora.

    Nos bastidores, o clima é de cautela.

    Executivos avaliam que uma desaceleração mais forte poderia afetar investimentos, geração de empregos e até o ritmo de expansão do setor frigorífico no país.

    Ao mesmo tempo, parte da indústria acredita que o Brasil continua competitivo internacionalmente, principalmente pela escala de produção e pelo tamanho do rebanho nacional.

    Ainda assim, ninguém ignora o peso do gigante asiático.

    Quando Pequim muda de humor, o agro brasileiro costuma sentir o tremor antes mesmo de o impacto chegar oficialmente às planilhas.

    Consumidor pode sentir mudanças nos próximos meses

    Especialistas afirmam que os efeitos mais perceptíveis devem aparecer ao longo dos próximos meses, principalmente se houver confirmação de redução mais intensa nas exportações.

    Até lá, o comportamento do dólar e da inflação dos alimentos seguirá decisivo.

    Se a moeda americana continuar elevada, exportar carne seguirá extremamente lucrativo. Isso reduz o espaço para quedas expressivas nos preços internos.

    Além disso, custos logísticos e alimentação do gado ainda pressionam produtores.

    Ou seja: apesar da expectativa criada em torno da possível sobra de carne no mercado brasileiro, não há consenso de que a picanha ficará barata tão cedo.

    Por enquanto, o churrasco do brasileiro segue dependendo de uma conta delicada — e cada vez mais global.

    Porque hoje, antes mesmo de a carne chegar à grelha, ela já passou pelo câmbio, pela geopolítica e pelas decisões de um mercado do outro lado do planeta.

     

  • Preço da carcaça bovina bate recorde histórico em abril

    Preço da carcaça bovina bate recorde histórico em abril

    O preço da carcaça casada bovina alcançou recorde em abril no mercado brasileiro. Os dados do Cepea mostram a maior média da série histórica iniciada em 2001.

    Em valores reais, corrigidos pelo IGP-DI de março de 2026, a média ficou em R$ 25,23 por quilo. O valor avançou 3,74% frente a março. Além disso, acumulou alta de 9,95% no primeiro quadrimestre.

    Segundo pesquisadores do Cepea, a valorização ocorreu devido à alta dos cortes dianteiros e da ponta de agulha. O dianteiro subiu 5% em abril e registrou média de R$ 22,55 por quilo. Já a ponta de agulha avançou 6,9% no período, com média à vista de R$ 21,12 por quilo.

    Por outro lado, o traseiro teve alta mais moderada, de 3,8% no mês. O mercado também repassou a valorização do boi gordo para a carne bovina. Ainda de acordo com o Cepea, a oferta limitada de animais prontos para abate sustentou os preços. Além disso, a demanda externa aquecida fortaleceu o mercado desde o início deste ano.

    Os pesquisadores destacam que as exportações devem influenciar o comportamento dos preços nos próximos meses. A demanda internacional, principalmente da China, também seguirá como fator decisivo para o setor.

    Além disso, a disponibilidade de animais terminados e a reposição devem impactar a relação de troca durante a entressafra. Ou seja, esse cenário pode manter os preços elevados, apesar de ajustes pontuais no curto prazo.

  • O que o consumo de carne de burro na Argentina revela sobre situação do país

    O que o consumo de carne de burro na Argentina revela sobre situação do país

    A Argentina sempre foi o país do bife. Durante décadas, nenhuma outra nação no mundo consumiu tanta carne bovina per capita, e isso nunca foi só uma questão de dieta. Era identidade, orgulho e cultura. Hoje, porém, algo está mudando nos hábitos alimentares do país, e um projeto piloto na Patagônia escancara essa transformação de um jeito que nenhum indicador econômico consegue fazer com tanta clareza.

    Na cidade de Trelew, na província de Chubut, o produtor rural Julio Cittadini lançou o projeto “Burros Patagones” e passou a vender carne de burro em açougues e restaurantes locais. O resultado surpreendeu até ele. “O que colocamos à venda acabou em um dia. Em um dia e meio não restou nada”, relatou Cittadini. A iniciativa virou notícia nacional, gerou debate e acabou se tornando um termômetro involuntário da situação econômica argentina.

    Um projeto regional que ganhou proporção nacional

    A base da repercussão está em matérias de veículos argentinos como o Infobae e o Clarín, que abordaram uma iniciativa específica na Patagônia: a introdução da carne de burro como alternativa produtiva em regiões com dificuldades para manter a pecuária tradicional. Cittadini afirma que o projeto não foi concebido como resposta à atual situação econômica. Segundo ele, a iniciativa surgiu a partir das dificuldades enfrentadas pela pecuária e pela criação de ovelhas na região, devido ao clima rigoroso, ao relevo irregular e à presença de predadores.

    Ou seja, não se trata de um colapso generalizado da alimentação argentina. Mas o timing do projeto e a velocidade com que ele repercutiu revelam algo que vai além da Patagônia. A receptividade foi alta demais para ser ignorada, e o preço explica boa parte disso.

    O quilo da carne de burro é vendido por cerca de 7.500 pesos (cerca de R$ 27), enquanto a bovina pode chegar a 18 mil ou 19 mil pesos (R$ 65 ou R$ 69), quase três vezes mais. Nesse cenário, a escolha deixa de ser gastronômica e passa a ser matemática.

    O bife que virou item de luxo

    O aumento dos preços tornou a carne bovina um item de luxo no país, frustrando promessas de campanha de redução de valores e alterando profundamente os hábitos alimentares da população. Cortes comuns chegaram a ultrapassar 25 mil pesos por quilo, com alta superior a 10% em apenas um mês.

    A inflação acumulada de carnes e derivados na Argentina atingiu 55,1% em março, o maior nível desde abril de 2025. Na Grande Buenos Aires, o quilo da carne bovina registrou alta anual de 55%, chegando a 61,5% na região Noroeste, sendo o item com a maior alta no período.

    O açougueiro Gonzalo Moreira, de Buenos Aires, descreveu o impacto no dia a dia do seu negócio com uma objetividade desconcertante. “As pessoas deixaram a carne bovina, que caiu cerca de 20% nas compras, e passaram para o porco ou o frango. Um quilo de carne bovina custa entre 15 mil e 18 mil pesos. Já o porco fica entre 8 mil e 9 mil pesos”, disse. E completou: “A comida também começa a ser paga em parcelas. A gente vai reorganizando as vendas.”

    Uma identidade que se transforma aos poucos

    A mudança vai além do bolso. Ela mexe com algo muito mais profundo na cultura argentina. Há 60 anos, o consumo per capita de carne bovina chegava a 82 quilos por habitante, contra apenas 12 quilos somados de frango e suína. Hoje, o total de carnes consumidas gira em torno de 115 a 116 quilos por pessoa ao ano, sendo cerca de 51 quilos de frango, 45 quilos de bovina e entre 19 e 20 quilos de suína. O frango, há décadas considerado a alternativa popular, ultrapassou a carne bovina no consumo total. Uma virada histórica.

    Mais do que uma curiosidade gastronômica, o fenômeno expõe uma realidade clara: quando o bolso aperta, até tradições históricas entram em transformação. Até o próprio Milei reconheceu o problema publicamente. “Normalmente, os políticos fingem demência ou falam de outra coisa quando recebem um dado negativo. Mas como eu sou Milei e detesto a maneira como fazem política tradicional, e como odeio a inflação, e como este dado me gerou repulsa, vou falar sobre a inflação”, disse o presidente em evento com empresários.

    O que isso significa para o agronegócio regional

    Para o setor produtivo, o fenômeno tem ao menos dois lados. De um lado, sinaliza oportunidades em cadeias alternativas de proteína, tanto para a criação de burros quanto para a produção de frango e suíno, que crescem em participação no mercado argentino. Em regiões como a Patagônia, a criação de burros apresenta vantagens importantes pelo ambiente, e produtores locais apostam na expansão desse mercado, tanto pela demanda crescente quanto pelo potencial de desenvolvimento econômico em regiões áridas.

    Por outro lado, o enfraquecimento do consumo interno bovino é um sinal de alerta. A autorização para expandir a comercialização da carne de burro a nível nacional ainda depende da aprovação do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina. A cadeia ainda engatinha, e especialistas como Victor Tonelli apontam que o impacto produtivo atual é pontual. Mesmo assim, o debate que o tema abriu não vai embora tão cedo.

    O Banco Mundial prevê que a economia argentina crescerá 3,6% em 2026 e 3,7% em 2027, com uma das maiores expansões da região. Porém, trata-se de um crescimento desigual, como reconhecem os próprios economistas. E enquanto os números do PIB melhoram no papel, o argentino médio ainda está decidindo se consegue pagar pelo bife de sempre, ou se vai experimentar algo diferente.

  • Sem alívio: carne bovina no atacado bate recorde histórico

    Sem alívio: carne bovina no atacado bate recorde histórico

    Os preços da carne bovina seguem firmes no mercado interno. Segundo o Cepea, a oferta limitada sustenta as cotações.

    Além disso, a demanda externa aquecida pressiona os valores da proteína no atacado. Esse movimento ocorre principalmente na Grande São Paulo.

    Dados do Cepea mostram que a carcaça casada bovina registra valorização em abril. O indicador considera traseiro, dianteiro e ponta de agulha.

    Até 20 de abril, o produto acumula alta de 4%. Na segunda-feira, 20, o preço atingiu R$ 25,41 por quilo à vista. Em termos reais, os valores foram corrigidos pelo IGP-DI de março de 2026. Assim, a média parcial de abril alcançou R$ 25,05 por quilo.

    Maior nível da série histórica

    Esse resultado representa o maior nível da série histórica do Cepea. A série começou em 2001 e mantém acompanhamento contínuo. Na comparação anual, o preço supera abril de 2025 em 11%. Além disso, o valor atual fica 44,8% acima de abril de 2024.

  • Escolher bem não basta: curso expõe falhas na seleção de gado no Brasil

    Escolher bem não basta: curso expõe falhas na seleção de gado no Brasil

    A Exposição Nacional Hereford e Braford 2026 começou em Esteio com um recado direto ao setor. Não basta escolher bem na pista. É no campo que a decisão mostra se fez sentido.

    A Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) abriu a programação com o Curso de Julgamento Dr. Jacob Momm Filho, retomando uma agenda que havia sido interrompida nos últimos anos. A proposta vai além da estética e tenta corrigir um desvio comum entre criadores: selecionar animais com base em preferência visual, e não em desempenho produtivo.

    Logo na abertura, o presidente da entidade, Eduardo Soares, deixou claro o tom da capacitação. “Quando se fala em curso de julgamento, não se trata apenas de avaliar animais em pista. Todos nós somos jurados das nossas próprias convicções e precisamos estar preparados para julgar nossos animais em qualquer situação”, afirmou.

    A fala aponta para um problema recorrente no campo. A decisão genética ainda carrega subjetividade demais, e isso impacta diretamente o bolso do produtor.

    Capacitação promovida pela ABHB reúne técnicos, estudantes e criadores em atividades teórica e prática voltadas à seleção genética e produção de carne de qualidade. (Foto: Nestor Júnior)

    Menos gosto pessoal, mais critério técnico

    A tentativa do curso é justamente reduzir esse ruído. A seleção de machos e fêmeas, quando mal conduzida, compromete produtividade, eficiência alimentar e, no fim da cadeia, a qualidade da carne.

    Segundo Soares, definir critérios objetivos deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade básica. A capacitação foi estruturada para conectar teoria e prática, abordando desde regras institucionais até pontos técnicos da pecuária moderna.

    Essa mudança de abordagem também aparece na fala do professor Júlio Barcellos, da UFRGS. Ele alerta que decisões baseadas apenas em preferência pessoal ainda são mais comuns do que deveriam. “A habilidade de escolher um animal vai além de gostos individuais e deve considerar fatores fundamentais ligados à produção de carne, atividade que sustenta toda a cadeia produtiva”, disse.

    E foi além. “É preciso ultrapassar paixões e entender que a atividade-fim é a que paga a conta”.

    Genética equilibrada ganha espaço no debate

    Outro ponto que ganha força é o abandono da ideia de animal ideal. Em sistemas cada vez mais complexos, essa busca tende a gerar frustração e decisões equivocadas.

    Barcellos foi direto ao classificar essa expectativa como irreal. “Essa busca é uma ilusão”, afirmou, defendendo uma genética mais equilibrada e adaptável a diferentes ambientes.

    Esse raciocínio acompanha a própria evolução da ABHB. Fundada em 1958, a entidade ampliou sua atuação ao incorporar cruzamentos com raças zebuínas e consolidar o Braford. A mudança aumentou a adaptação dos animais e abriu novas possibilidades produtivas.

    Hoje, a associação atua em todo o país, com programas que já avaliaram cerca de 1 milhão de animais, em parceria com iniciativas como Pampaplus, Promebo e Conexão Delta G.

    Da exposição ao prato do consumidor

    Embora o curso aconteça dentro de uma exposição, o impacto vai além da pista. A qualidade da carne começa na escolha genética, passa pelo manejo e termina no consumidor.

    Programas como o Carne Certificada Hereford reforçam essa conexão, ao exigir critérios rigorosos de genética, idade e acabamento de carcaça desde 1998.

    Na prática, o que está em jogo é a consistência do produto final. E isso depende de decisões tomadas muito antes do abate. Ao recolocar a capacitação técnica no centro da agenda, a ABHB tenta reduzir erros que ainda passam despercebidos. Erros que não aparecem de imediato, mas que, ao longo do tempo, comprometem eficiência, competitividade e resultado dentro da porteira.

    A programação segue com atividades práticas, onde teoria e campo finalmente se encontram.

  • Prepare o bolso: preço da carne bovina dispara e bate recorde

    Prepare o bolso: preço da carne bovina dispara e bate recorde

    O preço da arroba do boi gordo alcançou o patamar recorde de US$ 73,58 na última quarta-feira (15), superando o pico histórico anterior de abril de 2022. A valorização, que acumula alta de 26,5% apenas em 2026, é impulsionada pela retenção de fêmeas para reprodução e pelo aquecimento das exportações, resultando em repasses imediatos para o consumidor brasileiro, que já enfrenta carnes mais caras nos supermercados.

    A dinâmica atual do mercado é explicada pelo ciclo produtivo da pecuária. Com a rentabilidade em alta, produtores optam por reter vacas no campo para a produção de bezerros, o que reduz drasticamente a oferta de animais prontos para o abate no curto prazo.

    Especialistas explicam que o intervalo entre a decisão de retenção e o abate do animal pode superar 36 meses, criando um descompasso estrutural na oferta. Somado a isso, o Brasil mantém um ritmo forte de vendas para o exterior.

    Em 2025, o volume exportado cresceu 20,9%, com destaque para mercados como China, México e Rússia. No primeiro trimestre de 2026, os embarques já superam em 18,4% o mesmo período do ano anterior. Essa combinação de baixa oferta interna e alta demanda externa reduz a disponibilidade de carne no mercado doméstico, elevando os preços.

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    Impacto no bolso: cortes populares lideram inflação

    O consumidor brasileiro sente o reflexo direto desse cenário. Em março de 2026, o preço das carnes subiu 1,73%, a maior alta mensal desde o final de 2024. Cortes tradicionalmente mais acessíveis foram os mais impactados pela inflação nos últimos 12 meses:

    • Acém: alta acumulada de 29,1%
    • Peito: alta acumulada de 27,4%
    • Músculo: alta acumulada de 24,6%
    • Alcatra: alta acumulada de 23,5%

    Até mesmo cortes nobres, como o filé-mignon (19,1%) e a picanha (12,1%), registraram aumentos significativos no período.

    O papel da China e o futuro dos preços

    A tendência é que os preços permaneçam em níveis elevados nos próximos meses. Um fator determinante será a cota de exportação para a China, limitada a 1,1 milhão de toneladas para 2026. Especialistas preveem que essa cota pode se esgotar ainda no primeiro semestre, o que poderia, teoricamente, aumentar a oferta interna, embora o maior lucro na exportação ainda motive os frigoríficos a priorizar o mercado externo enquanto houver margem.

    Além disso, conflitos no Oriente Médio preocupam o setor devido ao possível encarecimento de fertilizantes e fretes, o que pode elevar ainda mais o custo de produção nas pastagens brasileiras.

  • Arroba do boi melhora troca e atinge melhor nível

    Arroba do boi melhora troca e atinge melhor nível

    Os preços recordes da arroba do boi gordo melhoram as margens do pecuarista terminador. Além disso, o cenário favorece a reposição.

    Mesmo com a valorização do bezerro, a relação de troca apresenta melhora em abril. Assim, o produtor consegue maior poder de compra.

    Na parcial de abril, a quantidade de arrobas para comprar um bezerro caiu ao menor nível em 12 meses. Portanto, o indicador reforça o avanço da rentabilidade.

    O Indicador do boi gordo do Cepea/Esalq, em São Paulo, registra média de R$ 363,82 até 14 de abril. Além disso, o valor sobe 13% frente a janeiro.

    Na comparação anual, o indicador avança 14% em termos reais. Para isso, os dados consideram deflação pelo IGP-DI de março de 2026.

    Segundo pesquisadores do Cepea, a média atual fica apenas R$ 1 abaixo do recorde histórico. Em novembro de 2011, a arroba atingiu R$ 364,82.

    Por outro lado, o Indicador do bezerro também registra valorização relevante. No mercado sul-mato-grossense, o preço médio alcança R$ 3.316,71 em abril.

    O valor sobe 7,43% em relação a janeiro de 2026. Além disso, o preço avança expressivos 19,45% frente a abril de 2025.

    Apesar disso, o bezerro ainda não supera o recorde real de R$ 3.610,13, registrado em abril de 2021.

    Diante desse cenário, o pecuarista paulista precisa de 9,12 arrobas para comprar um bezerro em Mato Grosso do Sul. Assim, a relação de troca atinge o melhor nível em 12 meses.

    Em abril do ano passado, o produtor precisava de 8,71 arrobas para a mesma compra. Portanto, o indicador atual confirma a melhora nas condições de reposição.

     

  • Consumidor brasileiro exige carne sustentável e aceita pagar mais por procedência

    Consumidor brasileiro exige carne sustentável e aceita pagar mais por procedência

    Os hiper e supermercados consolidaram-se como o principal canal de compra de carne bovina no Brasil, concentrando 69% da preferência dos consumidores. Mais do que um ponto logístico, o varejo tornou-se a “vitrine decisiva” onde o cliente busca alinhar o desejo por qualidade com exigências crescentes de sustentabilidade e rastreabilidade.

    O levantamento nacional, encomendado pelo movimento A Carne do Futuro é Animal e realizado pelo Instituto Qualibest, ouviu 1.021 pessoas entre o final de 2025 e o início de 2026. Os dados revelam que o balcão e a gôndola são os locais onde o público espera encontrar informações claras sobre a origem do produto e o bem-estar animal.

    Hábito de consumo e critérios de escolha

    A carne bovina permanece como um item essencial na rotina das famílias. Segundo a pesquisa, 63% dos entrevistados consomem a proteína duas ou mais vezes por semana, enquanto 21% a consomem semanalmente. O almoço em casa é a principal ocasião de consumo para 73% dos brasileiros, seguido pelo tradicional churrasco, citado por 62%.

    Na hora da compra, o bolso e o olhar atento ditam a regra:

    • Preço: Prioridade para 66% dos consumidores.
    • Frescor: Fator decisivo para 45%.
    • Validade: Citada por 40%.

    Apesar do foco no custo-benefício, a responsabilidade ambiental ganha força. Para 78% dos participantes, é fundamental que a carne tenha produção sustentável.

    Valor agregado e certificações

    A confiança na pecuária nacional segue alta, com 80% dos brasileiros avaliando a qualidade da carne como boa ou ótima. Além disso, 91% reconhecem os benefícios do alimento para a saúde, destacando-o como fonte de proteína (82%), ferro e vitaminas (57%).

    Essa percepção positiva reflete na disposição financeira do consumidor em pagar por garantias verificáveis:

    Sustentabilidade: 73% aceitariam pagar mais ou um pouco a mais por certificações.

    Bem-estar animal: 73% também investissem mais em produtos com este selo.

    Origem: 63% pagariam um valor adicional para conhecer a procedência exata da carne.

    Tendências e novas proteínas

    No quesito preferência de raças, a Angus lidera com 37% da predileção dos entrevistados. O mercado de proteínas alternativas também desperta curiosidade, embora ainda enfrente resistência. Sobre a carne cultivada (laboratório), 37% já conhecem o conceito, e uma parcela relevante demonstra abertura para experimentar o produto no futuro. Já a carne vegetal divide opiniões: 24% consomem ocasionalmente, enquanto 26% não têm interesse.

    Nicholas Vital, coordenador do movimento A Carne do Futuro é Animal, destaca que o protagonismo dos supermercados aumenta a responsabilidade dos varejistas. “O desafio é combinar operação impecável e comunicação simples, visível e verificável sobre sustentabilidade e bem-estar animal”, afirma. Portanto, para o especialista, o ponto de venda é o local onde a credibilidade da categoria é construída por meio de evidências concretas.