Tag: carne bovina

  • Soja e carne bovina impulsionam exportações de Goiás

    Soja e carne bovina impulsionam exportações de Goiás

    O agronegócio manteve papel central no comércio exterior de Goiás no primeiro semestre de 2026. Impulsionado pela soja e pela carne bovina, o estado registrou superávit comercial de US$ 4,21 bilhões. Entre janeiro e junho, Goiás exportou US$ 7,06 bilhões, alta de 4,47% sobre o mesmo período de 2025.

    As importações somaram US$ 2,85 bilhões, crescimento de 5,72%. Assim, a corrente comercial superou US$ 9,9 bilhões. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) produziu os dados, analisados pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fieg. O levantamento aponta alta de 4,83% na movimentação total do comércio exterior goiano.

    Goiás ocupa oitava posição nas exportações

    Goiás ocupou a oitava posição entre os estados brasileiros em volume de exportações. As vendas externas goianas representaram 3,82% do total exportado pelo Brasil no período. Nas importações, Goiás ficou na 11ª posição, com participação de 2% no total nacional.

    Soja lidera pauta exportadora de Goiás

    A soja em grão continuou como principal produto da pauta exportadora de Goiás. O produto respondeu por 43,07% de todas as vendas externas realizadas pelo estado no semestre. A participação, porém, ficou abaixo dos 49,35% registrados no mesmo período de 2025. Ainda assim, a soja manteve posição central no resultado da balança comercial goiana.

    A força do agronegócio também aparece nas exportações de carne bovina. As vendas de carne bovina desossada congelada cresceram 29,50% e alcançaram US$ 943,9 milhões. O resultado reforça a importância da cadeia pecuária entre os principais segmentos exportadores de Goiás.

    Além disso, outros produtos ampliaram sua participação na pauta estadual. Os concentrados de cobre registraram crescimento de 113,85% e movimentaram US$ 376,4 milhões no semestre. Mesmo assim, o complexo agropecuário continua como principal sustentação das exportações goianas.

    Municípios do agro lideram exportações

    A concentração das vendas externas em municípios ligados à agropecuária também evidencia a força do setor. Rio Verde liderou o ranking estadual de exportações, com US$ 1,886 bilhão. O município respondeu por 26,72% de todas as vendas de Goiás ao mercado internacional no primeiro semestre.

    Jataí ocupou a segunda posição, com US$ 596,3 milhões em exportações. Na sequência, Mozarlândia registrou US$ 393,1 milhões em vendas externas. O município apresentou crescimento de 34,13% em relação ao primeiro semestre de 2025.

    Os três municípios possuem forte relação com cadeias do agronegócio e sustentam parte das exportações goianas. A produção agropecuária movimenta diferentes regiões de Goiás por meio das commodities agrícolas e proteínas animais. Além disso, a liderança de Rio Verde, Jataí e Mozarlândia reforça essa distribuição territorial.

    China amplia compras de produtos goianos

    A China permaneceu como principal parceiro comercial de Goiás no primeiro semestre. As exportações destinadas ao país asiático somaram US$ 770,8 milhões, alta de 40,64% sobre 2025. O mercado chinês respondeu por 10,92% de todas as vendas externas realizadas pelo estado.

    A relação ganha importância diante da concentração da pauta goiana em produtos agropecuários e commodities. O crescimento das compras chinesas contribuiu para o resultado positivo das exportações no semestre. Ao mesmo tempo, o relatório do CIN aponta elevada dependência desse mercado.

    A China também liderou as importações realizadas por Goiás no período. O país respondeu por 27,08% de tudo que o estado comprou no exterior. As importações chinesas também registraram crescimento superior a 40%.

    Junho registra maior crescimento no semestre

    Junho apresentou o maior crescimento do comércio exterior goiano durante o primeiro semestre. As exportações avançaram 15,87%, enquanto as importações cresceram 29,29%. Segundo o CIN, as compras envolveram máquinas, equipamentos, insumos industriais e produtos químicos.

    Março apresentou o movimento oposto e concentrou as maiores retrações do período. As importações caíram 10,50%, enquanto as exportações recuaram 15,15%. A queda nas vendas externas refletiu, entre outros fatores, a sazonalidade das exportações do complexo da soja. As oscilações nos embarques de commodities minerais também influenciaram o resultado.

    Assim, o calendário de produção e comercialização do agronegócio influencia o desempenho mensal da balança comercial. Mesmo com oscilações, Goiás encerrou o semestre com crescimento das exportações e superávit superior a US$ 4 bilhões. A soja e a carne bovina tiveram papel determinante nesse resultado.

    Goiás mantém superávit em julho

    Em julho, Goiás manteve saldo positivo no comércio exterior, com superávit de US$ 769,2 milhões. As exportações somaram US$ 1,4 bilhão, alta de 4,6% sobre julho de 2025. As importações alcançaram US$ 596,7 milhões, enquanto a corrente comercial chegou a US$ 2 bilhões.

    Com esse resultado, Goiás manteve a oitava posição nacional em exportações no mês. As vendas externas do estado representaram 4,3% do total brasileiro. Apesar do avanço das exportações, o superávit ficou abaixo dos resultados registrados em julho de 2023, 2024 e 2025.

    A China também permaneceu como principal parceiro comercial de Goiás em julho. O resultado prolonga uma relação relevante para o agronegócio e para a economia estadual. A pauta exportadora goiana continua sustentada pela produção agropecuária. Enquanto isso, novos produtos buscam ampliar sua participação no comércio exterior do estado.

  • Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    O Ministério Público Federal (MPF) adiou para janeiro de 2027 o início de uma nova etapa de controle da origem do gado comercializado por frigoríficos na Amazônia.

    A medida amplia o alcance do TAC da Carne Legal para os chamados fornecedores indiretos, propriedades que vendem bovinos a fazendas que, posteriormente, fornecem os animais aos frigoríficos.

    A mudança busca aumentar a rastreabilidade da cadeia bovina e identificar gado proveniente de propriedades com irregularidades socioambientais, como desmatamento ilegal, embargos ambientais ou sobreposição com áreas protegidas.

    O cronograma inicialmente divulgado pelo MPF previa o início da contabilização dessas operações em julho de 2026. A implementação, porém, foi prorrogada em seis meses para ampliar o período de adaptação dos produtores e frigoríficos.

    O que são fornecedores indiretos de gado?

    O foco inicial será nos chamados fornecedores indiretos de primeiro nível.

    São propriedades rurais que movimentaram bovinos ou bubalinos para um fornecedor direto nos 24 meses anteriores à aquisição do lote pelo frigorífico.

    Na prática, o fornecedor direto é a fazenda que vende os animais ao frigorífico. Já o indireto aparece em uma etapa anterior da cadeia, fornecendo animais para essa propriedade.

    Esse elo é considerado um dos principais desafios para a rastreabilidade da pecuária porque um bovino pode passar por diferentes propriedades entre as fases de cria, recria e engorda antes de chegar ao abate.

    Como será feito o controle?

    O sistema deverá cruzar informações relacionadas à movimentação e à situação socioambiental das propriedades rurais.

    Entre as bases utilizadas no controle estão informações das Guias de Trânsito Animal (GTAs), do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de outras bases públicas.

    O desenvolvimento técnico da solução conta com participação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de outras instituições que apoiam o TAC da Carne Legal.

    Pela metodologia apresentada pelo MPF, um fornecedor direto poderá receber um alerta quando tiver adquirido volume considerado significativo de animais provenientes de fornecedores indiretos em desacordo com os critérios socioambientais.

    Inicialmente, esse limite foi estabelecido em:

    • mais de 30% do total adquirido pelo fornecedor direto na janela analisada;
    • 50 cabeças de gado, quando esse número representar um limite menor.

    O protocolo prevê a redução gradual dessa tolerância ao longo da implementação do sistema.

    Controle começa de forma gradual

    A implementação não significa que os frigoríficos passarão imediatamente a bloquear produtores em janeiro de 2027.

    A primeira etapa será destinada à contabilização das movimentações entre fornecedores indiretos e diretos, criando uma base para as análises posteriores.

    Segundo o cronograma divulgado após o adiamento:

    • janeiro de 2027: início da contabilização das transações dos fornecedores indiretos;
    • janeiro de 2028: início das análises e emissão de relatórios preliminares, inicialmente informativos;
    • julho de 2028: previsão de início dos Relatórios de Alerta sobre Fornecedores Indiretos, que poderão gerar consequências comerciais para fornecedores em situação irregular.

    O calendário deve ser acompanhado porque o protocolo está sendo implantado de maneira gradual e pode receber novos ajustes.

    Frigorífico poderá bloquear fornecedor direto

    Quando as regras de bloqueio estiverem em vigor, o impacto comercial recairá inicialmente sobre o fornecedor direto.

    Caso o sistema identifique volume relevante de gado proveniente de propriedades indiretas fora dos critérios estabelecidos pelo TAC, o frigorífico poderá deixar de comprar animais daquele fornecedor até que a situação seja justificada ou regularizada.

    Entre os mecanismos previstos pelo MPF para permitir a retomada das negociações estão a comprovação de que o fornecedor indireto voltou a atender aos critérios socioambientais ou a apresentação de documentos e certidões que demonstrem sua regularidade na data da operação.

    TAC da Carne já controla compras diretas

    O TAC da Carne Legal estabelece compromissos socioambientais para frigoríficos que atuam na Amazônia e já é utilizado para avaliar as compras diretas de bovinos.

    As empresas participantes devem adotar mecanismos para evitar a aquisição de animais provenientes de propriedades relacionadas a desmatamento ilegal, embargos ambientais, invasão de áreas protegidas ou outras irregularidades previstas no protocolo.

    O desafio dos fornecedores indiretos é maior porque frigoríficos normalmente têm acesso direto aos dados da propriedade responsável pela venda final do animal, mas não necessariamente a todas as fazendas pelas quais o bovino passou anteriormente.

    Dados divulgados pelo próprio MPF em 2025 indicaram que frigoríficos participantes do TAC e submetidos a auditorias independentes registraram nível significativamente menor de irregularidades em comparação com empresas avaliadas por verificações automáticas.

  • Boi gordo perde força, mas carne bovina mantém preços altos

    Boi gordo perde força, mas carne bovina mantém preços altos

    Os preços do boi gordo e da carne bovina apresentam comportamentos diferentes em agosto. Segundo o Cepea, a arroba perdeu força em São Paulo. Por outro lado, os preços da carne bovina no atacado da Grande São Paulo continuam firmes.

    De acordo com o Centro de Pesquisas, o mercado do boi gordo começou agosto ainda fortalecido. Porém, perdeu intensidade nos dias seguintes. O movimento ocorreu principalmente porque os frigoríficos reduziram a necessidade de novas compras de animais no mercado spot. Apesar desse enfraquecimento, a arroba permanece em patamares elevados.

    Suínos enfrentam período desfavorável em 2026

    O mercado independente de suínos atravessa um período de preços baixos em 2026. Até julho, o cenário provocou prejuízos aos produtores. Além disso, alguns suinocultores consultados pelo Cepea encerraram suas atividades diante das dificuldades do mercado.

    A baixa demanda agrava o cenário enfrentado pelo setor. Ao mesmo tempo, a oferta elevada de animais aumenta a disponibilidade de carne. Como consequência, as cotações do suíno vivo recuam expressivamente.

    O Cepea destacou esse cenário há duas semanas. Em julho, o suíno vivo alcançou R$ 5,18 por quilo na praça SP-5. O valor representa o terceiro menor nível de toda a série histórica da região. A praça SP-5 reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba.

    Mercado de suínos repete cenário de 2022

    Os pesquisadores avaliam que o atual cenário apresenta semelhanças com o mercado observado em 2022. Naquele ano, a praça SP-5 registrou seu pior momento em fevereiro. Na ocasião, o preço médio alcançou R$ 5,97 por quilo. O valor considera preços reais, corrigidos pelo IGP-DI de julho de 2026. Assim, o mercado independente de suínos enfrenta um período de forte pressão sobre preços e rentabilidade.

  • Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (18) que acredita que o Brasil será reincluído ainda em 2026 na lista de países autorizados a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia (UE).

    A expectativa ocorre após o bloco europeu retirar o Brasil da relação de países autorizados a fornecer determinados produtos de origem animal. A medida, relacionada às exigências sobre o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas, está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.

    No entanto, a eventual reinclusão na lista não significa que todas as cadeias voltarão a exportar imediatamente.

    Carne bovina pode demorar mais para retornar

    André de Paula explicou que o prazo para a retomada dos embarques dependerá do ciclo de produção de cada cadeia animal.

    No caso da carne bovina, por exemplo, o ministro afirmou que não há expectativa de retorno imediato, porque o ciclo de produção do gado é mais longo.

    “O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque na lista, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, afirmou em entrevista à rádio Nova Brasil Recife.

    O ministro também destacou que a reinclusão depende da adequação dos produtos brasileiros às exigências sanitárias europeias.

    “A luta no primeiro momento, que estamos trabalhando e tenho certeza que vamos ter sucesso, é para realistar o Brasil. No segundo momento, vamos ter o produto de acordo com as exigências colocadas pelo mercado europeu e vamos voltar a fornecer nossa carne bovina, nossas aves, nosso pescado, nosso mel, nossos ovos”, acrescentou.

    Exigências sobre antimicrobianos

    A retirada do Brasil da lista europeia está relacionada à necessidade de comprovação de que os requisitos do bloco sobre antimicrobianos são cumpridos ao longo da cadeia produtiva.

    A questão envolve mecanismos de controle, certificação e rastreabilidade capazes de demonstrar a conformidade dos produtos destinados ao mercado europeu. A decisão europeia não equivale, por si só, à constatação de contaminação da carne brasileira.

    Além disso, o ministro salientou que ficar fora da lista pode gerar impactos além do mercado europeu.

    Outros países podem seguir exigências da UE

    Segundo André de Paula, entre 10 e 18 países também seguem exigências sanitárias baseadas nas regras europeias e poderiam adotar medidas semelhantes.

    “A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para [uma lista de] 10 a 18 países que seguem essas regras. Ainda não estão definidos, mas como seguem as regras, podem seguir no mesmo caminho”, afirmou André de Paula.

    Recentemente, a Noruega decidiu acompanhar a decisão europeia e não comprar os produtos a partir de 3 de setembro.

    Governo espera retomar fornecimento

    Questionado sobre o restabelecimento do fornecimento, o ministro disse que a normalização do comércio pode demorar para algumas cadeias.

    “Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, completou.

    “Imagino que a carne bovina não [volte em setembro] porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, explicou.

    Negociações envolvem diferentes áreas do governo

    André de Paula afirmou que o governo brasileiro trabalha em diferentes frentes para tentar solucionar a questão.

    Segundo ele, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura participa das negociações técnicas, enquanto o chanceler Mauro Vieira atua na frente diplomática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa das negociações em nível de Estado.

    “Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse.

    “É uma questão tão importante que envolve todos os níveis do governo (…) Tem a esfera diplomática, e o chanceler Mauro Vieira está envolvido, e próprio presidente Lula participa dessas questões com negociações diretas com as maiores autoridades da comunidade europeia. É um esforço que envolve o país todo”, completou.

    Ministro cita interesses comerciais nas negociações

    André de Paula disse ainda que “por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas” e, por isso, as negociações são intensas.

    “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, explicou.

    O ministro também lembrou que há interesses de países europeus em manter o comércio de seus produtos com o Brasil e afirmou que o governo brasileiro possui “instrumentos importantes” nas negociações.

    “A França tem interesse na exportação de vinho, a Espanha do azeite. Todos têm seu interesse. É uma pactuação que envolve o governo todo”, concluiu.

  • Agroindústria perde força e fecha primeiro semestre em queda

    Agroindústria perde força e fecha primeiro semestre em queda

    A agroindústria iniciou 2026 com a produção em alta, mas perdeu força ao longo dos meses seguintes. Com isso, encerrou o primeiro semestre com retração acumulada de 0,3%, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro).

    O desempenho, porém, variou entre os segmentos. Enquanto as indústrias não alimentícias registraram queda de 2% na produção no semestre, as de alimentos e bebidas avançaram 1,1%. De acordo com o FGV Agro, “a desaceleração da economia brasileira e as turbulências no setor externo explicam a perda de ritmo do setor”.

    Entre os segmentos analisados, a indústria de insumos agropecuários apresentou o pior resultado, com queda de 8,3% na produção. O setor já vinha registrando retração desde 2025 e teve o desempenho agravado pela guerra no Oriente Médio, devido aos “potenciais efeitos sobre custos e disponibilidade de insumos”, segundo o centro de estudos.

    Outros segmentos também fecharam o semestre no vermelho. A produção de produtos têxteis recuou 5%, enquanto a de produtos florestais caiu 2,4%.

    Na direção oposta, as indústrias de biocombustíveis registraram forte crescimento. A produção avançou 18,1% no semestre, impulsionada principalmente pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar. As indústrias de fumo também tiveram resultado positivo, com alta de 1,6%.

    Agroindústria perde ritmo no segundo trimestre

    O desempenho da agroindústria também mudou de forma significativa entre os dois primeiros trimestres do ano. Entre janeiro e março, o PIMAgro cresceu 0,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já entre abril e junho, o indicador registrou queda de 0,8% na comparação anual.

    No segmento de alimentos e bebidas, entretanto, todas as indústrias apresentaram crescimento no primeiro semestre. O destaque ficou com as bebidas alcoólicas e não alcoólicas, que registraram alta de 1,5% cada.

    A produção de alimentos de origem animal também avançou. O crescimento foi de 1,3%, impulsionado principalmente pelos setores de carnes e laticínios.

    Já as indústrias de alimentos de origem vegetal tiveram alta mais moderada, de 0,4% até junho. O resultado foi sustentado pela produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, moagem de trigo e café.

    Ainda assim, o segmento perdeu força ao longo do semestre. Depois de avançar 4,4% no primeiro trimestre, a produção recuou 2,7% entre abril e junho.

    Em junho, o PIMAgro caiu 0,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. Foi a segunda queda consecutiva do indicador.

    Cota chinesa e exportações podem pressionar setor

    Para o FGV Agro, a agroindústria deve enfrentar novos desafios no segundo semestre. Um dos principais fatores é o preenchimento da cota chinesa para a carne bovina.

    Segundo o centro de estudos, a produção destinada ao mercado asiático vinha contribuindo para sustentar um dos segmentos mais dinâmicos do indicador. Com o limite de embarques, portanto, esse impulso pode perder força nos próximos meses.

    Além disso, a interrupção dos embarques de produtos de origem animal para a União Europeia, prevista para entrar em vigor em 3 de setembro, também deve pressionar o desempenho da agroindústria brasileira no segundo semestre.

  • Minerva sofre queda de 57% no lucro do 2º trimestre

    Minerva sofre queda de 57% no lucro do 2º trimestre

    A Minerva registrou lucro líquido de R$ 196,9 milhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 57% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre abril e junho de 2025, a companhia havia alcançado lucro de R$ 458,3 milhões.

    Apesar da retração no resultado, a receita líquida da empresa apresentou crescimento. No trimestre, o indicador chegou a R$ 14,1 bilhões, alta de 1,3% na comparação anual.

    No acumulado dos últimos 12 meses, a receita líquida consolidada atingiu R$ 57,2 bilhões, o maior patamar registrado pela companhia nessa base de comparação. O resultado representa avanço de 29,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    O Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — somou R$ 1,23 bilhão no segundo trimestre. O valor representa uma redução de 5,5% ante os R$ 1,30 bilhão registrados um ano antes.

    Além disso, a margem Ebitda ajustada também recuou. O indicador ficou em 8,7% no trimestre, ante 9,4% no segundo trimestre de 2025, uma redução de 0,6 ponto percentual.

    Empresa busca diminuir custo da dívida

    Em comunicado, a Minerva destacou que continua avaliando oportunidades para aprimorar a gestão do passivo financeiro.

    A estratégia tem como objetivo construir uma estrutura de capital menos onerosa e mais eficiente.

    Nesse movimento, a companhia citou a recente emissão de US$ 600 milhões em Bonds 2036. A operação registrou demanda 2,5 vezes superior ao volume ofertado.

    Além da emissão internacional, a empresa também destacou outras iniciativas realizadas no mercado de capitais brasileiro. Segundo a Minerva, as operações contribuem para alongar o perfil da dívida e reforçar a estratégia de gestão financeira.

    O desempenho do trimestre ocorre, portanto, em um cenário de crescimento da receita anual, mas com pressão sobre o lucro e sobre o resultado operacional da companhia na comparação com o mesmo período de 2025.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão 

  • Exportações de carne bovina caem, mas preço maior sustenta receita

    Exportações de carne bovina caem, mas preço maior sustenta receita

    As exportações brasileiras de carne bovina perderam ritmo em julho, após alcançarem recorde histórico no primeiro semestre de 2026. Segundo o Cepea, a queda ocorreu principalmente pela redução das compras chinesas. A China antecipou parte das aquisições nos primeiros meses do ano. Além disso, o país já preencheu 90% da cota estabelecida.

    De acordo com dados da Secex, o Brasil exportou 257,983 mil toneladas de carne bovina em julho. O volume representa uma queda de 16,83% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar disso, a receita recuou menos no período. O faturamento passou de US$ 1,66 bilhão para US$ 1,56 bilhão.

    Assim, a receita com as exportações caiu 6,02% na comparação anual. Para pesquisadores do Cepea, a diferença entre volume e receita revela um cenário importante. A carne bovina brasileira está sendo comercializada no mercado internacional por valores mais elevados.

    Exportações de carne suína recuam em julho

    As exportações brasileiras de carne suína também recuaram entre junho e julho. Segundo pesquisadores do Cepea, a queda ocorreu principalmente pela redução das compras asiáticas.

    As Filipinas lideraram esse movimento. O país representa atualmente o principal destino da carne suína brasileira no exterior.

    Conforme dados da Secex, as compras aceleraram durante todo o primeiro semestre de 2026. Por isso, as Filipinas formaram estoques maiores e reduziram a demanda em julho. Além disso, o Cepea destaca que quedas nos embarques são comuns no início do segundo semestre.

    Nos últimos dez anos, julho registrou retração nas exportações em cinco ocasiões.O movimento também ocorreu em 2025, quando diversos países asiáticos reduziram as compras. Entre eles estavam importantes parceiros comerciais, como China, Filipinas e Japão.

    Mercado externo reduz ritmo de compras

    O desempenho de julho mostra uma desaceleração nas exportações brasileiras de proteínas animais. No caso da carne bovina, a redução das vendas à China teve maior impacto.

    Entretanto, os preços internacionais mais elevados limitaram a queda da receita brasileira. Já no mercado de carne suína, o ajuste concentrou-se principalmente entre compradores asiáticos. Assim, o ritmo dos embarques no início do segundo semestre ficou mais moderado.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • China já utilizou 90% da cota para carne bovina do Brasil

    China já utilizou 90% da cota para carne bovina do Brasil

    As importações de carne bovina brasileira pela China atingiram 90% da cota estabelecida para o Brasil em 2026, segundo aviso divulgado pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM) nesta segunda-feira (10).

    O comunicado indica que o volume importado em 10 de agosto chegou a 90% do limite definido para o país dentro das medidas de salvaguarda aplicadas pela China à carne bovina.

    A medida está em vigor desde janeiro de 2026 e estabelece cotas específicas para os principais fornecedores do mercado chinês.

    O que acontece quando a cota chegar a 100%?

    A regra chinesa prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre as importações que ultrapassarem a cota destinada a cada país.

    No caso do Brasil, a cota anual de 2026 foi estabelecida em 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse limite, continuam valendo as alíquotas normalmente aplicáveis ao produto.

    O adicional de 55% ainda não está sendo aplicado ao Brasil apenas porque a utilização chegou a 90%.

    A cobrança depende do esgotamento integral da cota.

    Pelas regras publicadas pelo governo chinês, depois que o volume atingir 100% do limite, a tarifa adicional passa a valer a partir do terceiro dia, inclusive, após o atingimento da cota.

    Brasil se aproxima do limite

    O aviso divulgado em agosto mostra uma aceleração da utilização da cota brasileira.

    Em julho, a Câmara de Comércio de Importação e Exportação de Produtos Minerais e Químicos da China informou que as importações de carne bovina do Brasil haviam alcançado 80% da cota em 21 de julho.

    Agora, com o percentual em 90%, o mercado brasileiro se aproxima do limite anual estabelecido por Pequim.

    O aviso mais recente não informa, no texto apresentado, o volume restante em toneladas. Por isso, o dado mais seguro para a notícia é o percentual oficial de utilização da cota.

    Por que a medida preocupa o Brasil?

    A China é o principal mercado da carne bovina brasileira. Em 2025, o país asiático respondeu por mais da metade das exportações brasileiras do produto, segundo levantamento citado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

    Por isso, o esgotamento da cota pode aumentar os custos para a entrada da carne brasileira no mercado chinês.

    O impacto dependerá, entre outros fatores, do ritmo das exportações, da demanda chinesa e da capacidade dos frigoríficos brasileiros de direcionar parte da produção para outros destinos.

    Como funciona a salvaguarda chinesa

    A China adotou a medida após uma investigação sobre o aumento das importações de carne bovina e seus efeitos sobre a indústria doméstica.

    A salvaguarda entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026 e tem duração prevista de três anos.

    O mecanismo estabelece cotas por país. Quando o limite é atingido, as importações que excedem a cota ficam sujeitas à tarifa adicional de 55%.

    Para o Brasil, o limite de 2026 representa uma parcela relevante do comércio de carne bovina com a China, mas fica abaixo do volume exportado pelo país ao mercado chinês em 2025.

    Próximos passos para o mercado brasileiro

    O principal ponto de atenção agora é o ritmo de utilização da cota.

    Se o limite chegar a 100%, a aplicação da tarifa adicional poderá alterar as condições de competitividade da carne brasileira na China.

    Até lá, a tarifa de 55% não deve ser tratada como uma cobrança já em vigor sobre a carne brasileira.

    O cenário também aumenta a importância da diversificação dos mercados compradores para o setor pecuário brasileiro, especialmente caso a cota chinesa seja totalmente utilizada antes do fim de 2026.

  • Noruega veta carnes brasileiras a partir de setembro

    Noruega veta carnes brasileiras a partir de setembro

    A Noruega deixará de importar carnes e derivados do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026. Embora o país nórdico não faça parte da União Europeia (UE), a decisão acompanha o regulamento do bloco europeu para a entrada de produtos de origem animal, especialmente em relação ao uso de agentes antimicrobianos na produção.

    A medida preocupa o setor brasileiro, sobretudo os exportadores de carne bovina. Isso porque, apesar do volume relativamente pequeno vendido à Noruega, empresários temem que o bloqueio provoque desgaste na imagem das proteínas brasileiras no mercado internacional.

    Além disso, o setor já não acredita que o governo federal conseguirá reverter a decisão antes da entrada em vigor do embargo.

    Exportadores criticam atuação do governo

    Executivos do setor avaliam que o Ministério da Agricultura não conseguiu apresentar uma resposta técnica capaz de evitar a restrição europeia.

    Com a proximidade de 3 de setembro, portanto, a expectativa de reversão da medida diminuiu. Agora, a principal preocupação dos exportadores está em um possível efeito dominó.

    Isso porque países africanos podem seguir as orientações da União Europeia e também restringir a entrada de proteínas brasileiras.

    Segundo uma fonte do setor, países de língua francesa na África já deram sinalizações nesse sentido.

    Noruega retirou Brasil da lista de países autorizados

    A informação sobre o bloqueio norueguês chegou ao Ministério da Agricultura e aos exportadores brasileiros há poucos dias, por meio do posto diplomático do Brasil em Oslo.

    A Mattilsynet, Autoridade de Segurança Alimentar da Noruega, informou que o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar proteínas animais para o mercado europeu.

    De acordo com o órgão, a decisão ocorreu pela falta de informações consideradas suficientes para comprovar a implementação das medidas exigidas sobre o uso de antimicrobianos.

    Com isso, certificados sanitários emitidos a partir de 3 de setembro de 2026 não poderão ser utilizados para importar essas mercadorias do Brasil.

    A restrição permanecerá válida até que o país possa ser novamente incluído na lista de países terceiros autorizados.

    Cargas com certificados antigos ainda serão aceitas

    Apesar do bloqueio, a Noruega estabeleceu uma regra de transição.

    Os carregamentos acompanhados de certificados sanitários emitidos até 2 de setembro de 2026 poderão entrar no país. Além disso, mercadorias que chegarem ao controle de fronteira depois dessa data também poderão ser aceitas, desde que os documentos sanitários tenham sido emitidos dentro do prazo permitido.

    Portanto, a data de emissão do certificado será determinante para a entrada das cargas brasileiras.

    Noruega compra pouco, mas efeito pode ser maior

    Os dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, mostram que a Noruega representa uma parcela pequena das exportações brasileiras de proteínas.

    Em 2025, os noruegueses compraram:

    • 279 toneladas de carne bovina, no valor de US$ 3,8 milhões;
    • 45 toneladas de carne de frango;
    • 43,8 toneladas de pescados;
    • 41,2 toneladas de ovos.

    Ao todo, as compras da cesta de proteínas que agora entram na mira do bloqueio comercial movimentaram US$ 4,5 milhões para os exportadores brasileiros em 2025.

    O valor, portanto, é pequeno diante do tamanho das exportações brasileiras de proteínas. Ainda assim, o impacto potencial preocupa o setor.

    Isso porque o principal receio não está apenas na perda das vendas para a Noruega. O temor maior é que a decisão seja seguida por outros mercados.

    Setor teme efeito dominó nas exportações

    A possibilidade de outros países adotarem medidas semelhantes aumentou a preocupação entre os exportadores.

    Nesse cenário, a eventual adesão de países africanos às regras europeias poderia ampliar o número de destinos afetados pelas restrições.

    Por isso, o setor acompanha a movimentação internacional com atenção. Além da perda de mercados, uma sequência de bloqueios poderia pressionar a percepção sobre a qualidade e a segurança sanitária das proteínas brasileiras.

    Enquanto isso, o Brasil terá de apresentar as informações e medidas necessárias para tentar recuperar sua posição na lista de países autorizados.

  • China acelera compra de carne bovina da Argentina e já consome 50% da cota anual

    China acelera compra de carne bovina da Argentina e já consome 50% da cota anual

    A China atingiu um novo marco nas importações de carne bovina da Argentina. Segundo o Ministério do Comércio chinês, o país asiático já utilizou 50% da cota de 511 mil toneladas destinada às compras sob o regime de salvaguarda. O volume divulgado nesta quarta-feira (5) não considera as cargas que ainda estão em trânsito, cuja viagem entre os dois países leva cerca de 45 dias.

    O avanço das aquisições evidencia que a demanda chinesa continua aquecida, mesmo diante das medidas adotadas por Pequim para controlar o ritmo das importações e fortalecer a produção doméstica.

    Cota anual é menor que a registrada em 2025

    O governo chinês estabeleceu para 2026 um limite de 2,69 milhões de toneladas de carne bovina importada. O volume é inferior às 2,80 milhões de toneladas adquiridas ao longo de 2025, indicando uma estratégia para reduzir a oferta externa e ampliar o espaço para os produtores locais.

    Apesar da limitação, os números mostram que as compras seguem em ritmo acelerado. Entre janeiro e junho de 2026, a China importou 1,53 milhão de toneladas de carne bovina, resultado 17,5% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

    Demanda chinesa impulsiona preços internacionais

    O forte interesse dos importadores chineses, aliado às restrições regulatórias impostas pelo governo, já começa a provocar reflexos no mercado internacional da carne bovina.

    De acordo com relatório do Rosgan, ligado à Bolsa de Comércio de Rosário, os preços da carne bovina nos portos argentinos apresentaram valorização entre US$ 200 e US$ 300 por tonelada nas últimas semanas.

    A alta demonstra que, mesmo com o controle sobre as importações, a necessidade de abastecimento do mercado chinês continua sustentando a valorização da proteína bovina exportada pela Argentina.

    Mercado segue atento aos próximos movimentos

    A evolução das compras chinesas deverá continuar sendo acompanhada de perto pelo mercado internacional, já que o país permanece como o principal destino das exportações globais de carne bovina.

    Caso a demanda permaneça elevada ao longo dos próximos meses, analistas avaliam que os preços internacionais poderão seguir pressionados, especialmente para fornecedores estratégicos como a Argentina, um dos principais parceiros comerciais da China no segmento.