Tag: carne bovina

  • Tarifa de 67% trava exportações de carne para a China

    Tarifa de 67% trava exportações de carne para a China

    A carne bovina brasileira enfrenta um novo obstáculo no principal mercado internacional. A China passou a cobrar tarifa total de 67% sobre embarques acima da cota anual. O Brasil esgotou integralmente esse limite no início deste mês. Com isso, as exportações excedentes passaram a pagar uma sobretaxa de 55%. Além disso, permanece a tarifa de importação de 12% já aplicada pelo governo chinês.

    Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o novo cenário inviabiliza economicamente os embarques. O presidente da entidade, Roberto Perosa, afirmou que não existem negociações entre Brasil e China. Ele fez a declaração durante cerimônia na unidade industrial da Biogénesis Bagó, em Garín, na Argentina.

    Segundo Perosa, o governo chinês não sinalizou mudanças nas medidas adotadas. “As notícias que vêm da China e do governo chinês não são de nenhum tipo de negociação.” “Sempre aguardamos as negociações entre os governos e, neste momento, não há”, afirmou.

    Anúncio das salvaguardas

    A China anunciou as salvaguardas em dezembro de 2025. A decisão ocorreu após investigação sobre o aumento das importações de carne bovina. O governo chinês estabeleceu cota anual de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil.

    Os embarques acima desse volume passaram a sofrer tributação adicional. Pelas regras definidas por Pequim, as salvaguardas permanecerão por três anos. Mesmo assim, o governo poderá revisar as medidas durante esse período.

    Até a mudança, a China liderava as compras de carne bovina brasileira. O país respondia por mais da metade das exportações do setor. Agora, as indústrias deverão ampliar as vendas para outros mercados. Além disso, buscarão fortalecer negócios com países que já importam carne bovina brasileira.

    A Abiec afirma que qualquer mudança dependerá de negociações entre os governos. Enquanto isso, as empresas seguirão operando sob as novas regras chinesas.

    Impacto no mercado brasileiro

    A entidade também prevê reflexos no mercado brasileiro. A redução das exportações pode elevar a oferta de carne bovina no país. Inicialmente, esse movimento tende a pressionar os preços da arroba do boi gordo.

    Além disso, os preços da carne no atacado também podem recuar. No entanto, a Abiec acredita que esse efeito poderá ser temporário. A expectativa é redirecionar parte da produção para novos mercados e reduzir os impactos das restrições chinesas.

  • Brasil vira o maior produtor mundial de carne bovina

    Brasil vira o maior produtor mundial de carne bovina

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) apresentou em Brasília a 11ª edição do Beef Report, publicação que reúne os principais indicadores da pecuária de corte brasileira. O presidente da entidade, Roberto Perosa, conduziu o lançamento ao lado dos diretores da ABIEC, durante coletiva de imprensa com jornalistas.

    Elaborado em parceria com a Athenagro Consultoria, o relatório confirma que 2025 marcou um ano histórico para a pecuária nacional. O país produziu 12,35 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC), abateu 47,79 milhões de bovinos e movimentou R$ 1,159 trilhão. As exportações somaram 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países, com faturamento recorde de US$ 18 bilhões. Esse desempenho consolidou o Brasil, pela primeira vez, como o maior produtor mundial de carne bovina e manteve o país na liderança das exportações globais.

    O Beef Report também evidencia os avanços da produtividade brasileira. Entre 1990 e 2025, a produção nacional de carne bovina cresceu 146,6%, ritmo 3,6 vezes superior ao crescimento do rebanho, que avançou 40% no mesmo período. O rebanho brasileiro atingiu 195,5 milhões de cabeças, o maior rebanho comercial do mundo, e o país passou a responder por 16,1% de toda a produção global de carne bovina.

    Exportações atingem novo recorde histórico

    As exportações alcançaram um novo recorde em 2025, com crescimento de 20,6% em volume e de 40% em receita na comparação com 2024. A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, seguida por Estados Unidos, Chile, União Europeia e Rússia. A participação das exportações na produção nacional atingiu 36,7%, o maior patamar da série histórica.

    Carne na tábua
    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    A cadeia da pecuária de corte movimentou R$ 1,159 trilhão em 2025, valor equivalente a cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O mercado interno absorveu 7,87 milhões de TEC, correspondentes a 63,3% da produção nacional, enquanto o consumo per capita atingiu 37,04 quilos equivalente carcaça por habitante ao ano.

    Estabelecimentos sob Serviço de Inspeção Federal (SIF) processaram 63,6% dos bovinos abatidos e responderam por 66,5% de toda a carne produzida no país.

    Setor amplia produtividade e reduz área de pastagens

    Os números do Beef Report mostram que a pecuária brasileira segue baseando seu crescimento no aumento da produtividade e no uso mais eficiente da terra. Nos últimos 30 anos, a produtividade cresceu 183%, enquanto a área de pastagens recuou 18%, chegando a cerca de 160 milhões de hectares. Nesse período, o setor converteu aproximadamente 27,9 milhões de hectares de pastagens para agricultura e outras atividades. Atualmente, a vegetação nativa cobre 64% do território brasileiro, enquanto as pastagens ocupam cerca de 19% da área do país.

    O relatório também destaca o avanço da intensificação da produção. Em 2025, os sistemas de confinamento e Terminação Intensiva a Pasto (TIP) responderam por 23% dos bovinos abatidos, e cerca de 19 milhões de animais receberam dietas com altos níveis de concentrado. Um indicador do avanço tecnológico da pecuária brasileira e de seu potencial para ampliar a produção sem expandir a área ocupada. O documento aponta ainda participação recorde das fêmeas no abate formal (46,8%), reflexo do avanço do descarte técnico e dos ganhos de produtividade dos rebanhos.

    O estudo de descarbonização incorporado ao Beef Report estima que a modernização da pecuária poderá reduzir em pelo menos 79,9% a intensidade das emissões por quilo de carne até 2050. Com desmatamento zero, adoção das tecnologias do Plano ABC+, redução da idade de abate e uso de aditivos para mitigação de metano, essa redução poderá alcançar 92,6%.

    Projeção de expansão de 23% na produção até 2035

    Além de retratar o desempenho atual da cadeia, o Beef Report traça perspectivas para o futuro da pecuária brasileira. As projeções indicam que a produção poderá atingir 15,18 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC) até 2035, crescimento de cerca de 23% em relação a 2025. As exportações deverão avançar de 4,53 milhões para 7,09 milhões de TEC, alta de 56,5%. Mesmo diante da expectativa de acomodação da produção em 2026, o relatório destaca que o Brasil reúne as melhores condições para responder ao crescimento da demanda mundial por carne bovina, sustentado pelos ganhos de produtividade, competitividade e abertura de mercados.

    Ao comentar os resultados, Roberto Perosa afirmou que o Beef Report retrata um dos momentos mais importantes da história da pecuária brasileira. Segundo o presidente da ABIEC, os números comprovam que o setor consegue produzir mais com maior eficiência, sustentabilidade e competitividade. Uma evolução que consolidou o Brasil como maior produtor e exportador mundial de carne bovina. E que posiciona o país para atender à crescente demanda global por proteína de qualidade.

  • Brasil busca acordo para evitar veto da UE à carne brasileira

    Brasil busca acordo para evitar veto da UE à carne brasileira

    Representantes da indústria da carne, pecuaristas e integrantes do Ministério da Agricultura se reúnem nesta quarta-feira (8), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, para definir uma estratégia que evite um bloqueio da União Europeia às exportações brasileiras de proteínas animais. Se não houver acordo, o impacto comercial poderá chegar a US$ 1,8 bilhão por ano.

    A União Europeia passou a exigir que carnes e derivados importados sejam produzidos sem determinados antimicrobianos. Por isso, o bloco poderá barrar produtos brasileiros a partir de setembro caso o país não comprove o cumprimento das novas regras.

    Governo tenta unificar posição da cadeia pecuária

    O tema divide a cadeia pecuária há vários meses. De um lado, os frigoríficos defendem o banimento dos antimicrobianos exigidos pela União Europeia para preservar o acesso ao mercado europeu. Do outro, os pecuaristas rejeitam a proposta por temerem prejuízos à produtividade.

    Enquanto isso, o Ministério da Agricultura passou a exigir, desde a semana passada, o controle de todo o ciclo produtivo dos animais destinados à Europa. Além disso, determinou a segregação desses rebanhos.

    A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina articulou a reunião para aproximar governo, indústria e produtores. Assim, ela busca construir uma estratégia única para enfrentar o impasse.

    Ministério cobra participação do setor produtivo

    Na terça-feira (7), o ministro da Agricultura, André de Paula, respondeu ao requerimento apresentado pelo deputado Evair de Melo sobre o risco de o Brasil perder a autorização para exportar carnes e derivados à União Europeia.

    Segundo o ministério, a solução depende também do setor produtivo. A pasta explicou que alguns antimicrobianos proibidos pelos europeus continuam registrados para uso na bovinocultura, avicultura e suinocultura brasileiras.

    Dessa forma, os próprios produtores precisam criar sistemas capazes de separar os animais destinados ao mercado europeu e comprovar que cumprem todas as exigências sanitárias.

    Governo afirma que alertou o setor desde 2023

    O Ministério da Agricultura informou que mantém reuniões e trocas de informações com entidades da cadeia pecuária desde 2023.

    Ao todo, o governo realizou pelo menos 32 encontros para discutir o tema. Além disso, a pasta afirmou que alertou o setor sobre a necessidade de desenvolver mecanismos próprios de controle.

    Segundo o ministério, não existia perspectiva de proibir esses medicamentos no Brasil. Por isso, o setor privado precisaria organizar sistemas de rastreabilidade e segregação para atender às exigências europeias.

    Pecuaristas rejeitam banimento da monensina

    A principal discussão envolve a monensina, substância utilizada para melhorar o desempenho e a eficiência alimentar do rebanho.

    A CNA mantém posição contrária ao banimento do produto. Segundo representantes dos pecuaristas, a retirada da monensina pode comprometer a produção de animais destinados ao chamado boi China.

    Esse mercado exige bovinos abatidos com até 30 meses de idade. Como a substância acelera o ganho de peso, muitos produtores acreditam que a proibição dificultará o atendimento desse requisito.

    Países vizinhos já adotaram outro modelo

    Argentina e Uruguai proibiram o uso dos antimicrobianos exigidos pela União Europeia. Entretanto, laboratórios desses países passaram a oferecer produtos alternativos aos pecuaristas.

    No Brasil, por outro lado, representantes do setor afirmam que ainda não existem substitutos economicamente viáveis.

    Além disso, a pecuária brasileira utiliza principalmente zebuínos. Essas raças levam mais tempo para atingir o peso ideal de abate do que as raças europeias criadas na Argentina e no Uruguai. Por esse motivo, muitos produtores consideram a monensina uma ferramenta importante para manter a competitividade das exportações brasileiras.

  • Exportação de carne bovina cresceu 15,5% no primeiro semestre

    Exportação de carne bovina cresceu 15,5% no primeiro semestre

    A exportação de carne bovina brasileira segue em ritmo recorde em 2026. O Brasil embarcou 1,705 milhão de toneladas entre janeiro e junho, volume 15,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita alcançou US$ 9,85 bilhões, crescimento de 36,2%.

    Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (6) pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base nas estatísticas do Governo Federal.

    Somente em junho, o país exportou 317,3 mil toneladas de carne bovina, alta de 16,6% na comparação anual. A receita somou US$ 1,975 bilhão, avanço de 38,1%, estabelecendo o melhor resultado mensal da série histórica tanto em volume quanto em faturamento.

    China impulsiona as exportações brasileiras

    A China permaneceu como o principal destino da carne bovina brasileira no primeiro semestre.

    Entre janeiro e junho, o país asiático importou 794,7 mil toneladas, crescimento de 24% em relação ao mesmo período de 2025. A receita gerada pelas vendas ao mercado chinês atingiu US$ 4,87 bilhões, alta de 49,4%.

    Em junho, os chineses compraram 161,9 mil toneladas da proteína brasileira, aumento de 19% na comparação anual. O faturamento chegou a US$ 1,08 bilhão, crescimento de 39,5%.

    Segundo a Abiec, o desempenho foi favorecido pela intensificação das compras dentro da cota chinesa de importação com tarifa reduzida, de 1,1 milhão de toneladas.

    Estados Unidos mantêm segunda posição

    Os Estados Unidos seguiram como o segundo maior comprador da carne bovina brasileira.

    No primeiro semestre, o mercado norte-americano importou 205 mil toneladas, gerando US$ 1,35 bilhão em receita. O crescimento foi de 13% em volume e de 29,8% em valor.

    Apesar do avanço no acumulado do ano, o desempenho de junho foi mais moderado. O Brasil embarcou 26,4 mil toneladas para os Estados Unidos, queda de 8,3% frente ao mesmo mês de 2025.

    Mesmo com o recuo no volume, a receita aumentou 16,4%, alcançando US$ 192,9 milhões.

    Outros mercados ampliam compras

    Além de China e Estados Unidos, outros destinos ampliaram significativamente as compras de carne bovina brasileira em junho.

    O Chile ocupou a terceira posição, com 12,9 mil toneladas embarcadas, crescimento de 67,5%, enquanto a receita avançou 56,8%, chegando a US$ 81,7 milhões. Já o México apareceu em seguida, com 11,8 mil toneladas, alta de 153,9%.

    O faturamento alcançou US$ 74 milhões, avanço de 136,6%.

    Em receita, a União Europeia ocupou a quarta colocação em junho, com US$ 75,2 milhões, atrás apenas de China, Estados Unidos e Chile.

    Exportações seguem fortalecidas no agronegócio

    No acumulado do semestre, o Chile importou 70,7 mil toneladas, movimentando US$ 420,2 milhões, com crescimento de 20% em volume e de 33,2% em receita.

    A Rússia adquiriu 62,2 mil toneladas, alta de 53,8% no volume e de 58,9% no faturamento, que chegou a US$ 284,1 milhões.

    Já a União Europeia importou 51,2 mil toneladas de carne bovina brasileira no período, gerando US$ 452,3 milhões. O bloco registrou crescimento de 18,2% em volume e de 53,5% em receita.

    Com os resultados do primeiro semestre, a exportação de carne bovina reforça o bom desempenho do agronegócio brasileiro no mercado internacional e mantém a proteína entre os principais produtos da pauta exportadora do país.

  • Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    O setor produtivo brasileiro finaliza a argumentação que vai levar a Washington nesta segunda-feira (6), véspera da audiência do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre as tarifas comerciais impostas pelo governo Donald Trump com base na seção 301. A estratégia do Brasil aposta no impacto econômico da medida: com matérias-primas brasileiras sobretaxadas, a inflação deve pesar diretamente no bolso do consumidor americano.

    Mais de 70 brasileiros participam do encontro, entre representantes de cadeias produtivas, especialistas em diplomacia e economia, e políticos. O setor produtivo brasileiro terá 11 representantes com direito à fala, contra 12 do lado americano.

    Etanol dos EUA pressiona por tarifas recíprocas

    O agronegócio brasileiro enfrenta resistência de entidades setoriais americanas, especialmente do setor de biocombustíveis. A RFA (Renewable Fuels Association), que representa os produtores de etanol dos Estados Unidos, defende tarifas recíprocas e acusa o Brasil de praticar concorrência desleal.

    Uma pesquisa encomendada pela entidade mostra que os combustíveis renováveis ganharam apoio popular em meio ao debate sobre segurança energética e alta da gasolina. O levantamento indica que 74% dos eleitores registrados apoiam o RFS (programa federal que obriga a mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis), o maior índice de aprovação em uma década de pesquisas trimestrais da associação. Apenas 12% dos entrevistados rejeitam a política.

    Os dados também revelam que 87% dos entrevistados consideram a independência energética uma prioridade para os EUA, enquanto 80% apontam o etanol como ferramenta relevante para alcançar esse objetivo. A RFA usa justamente esse argumento para sustentar a defesa de tarifas recíprocas.

    A entidade avalia que o etanol produzido internamente reduz a dependência americana de fontes externas de energia, fortalece a economia rural e barateia o preço dos combustíveis. Analistas de mercado, porém, contestam essa leitura e afirmam que os Estados Unidos ainda dependem de importações para suprir a demanda interna.

    Café brasileiro já mudou o blend americano

    Fontes ligadas às negociações apontam receio da indústria americana de perder espaço diante da qualidade e da competitividade dos produtos brasileiros. Alías, o que já acontece no setor de café.

    Aguinaldo Lima, diretor executivo da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), afirmou à imprensa que os torrefadores americanos já alteraram os blends de café por falta do produto brasileiro no mercado, e que qualquer nova tarifa vai elevar o preço do cafezinho nos Estados Unidos.

    Os EUA perderam o posto de maior comprador de café solúvel brasileiro para a Alemanha no fim do ano passado, já que as tarifas sobre o produto seguiram fixadas em 10%, segundo Lima.

    Rebanho americano na pior baixa em 70 anos

    O setor de carnes também entra na disputa. Mesmo que o Brasil perca a venda direta e sem tarifas aos EUA, frigoríficos brasileiros com plantas instaladas em países vizinhos da América Latina continuarão abastecendo o mercado americano. Isso justamente quando o rebanho bovino dos EUA enfrenta sua pior baixa em 70 anos.

    Analistas brasileiros destacam que o consumidor americano continuará, na prática, consumindo carne com origem brasileira, ainda que de forma indireta, através de hambúrgueres processados fora do Brasil.

    O Itaú BBA reforçou em relatórios recentes que a indefinição comercial, somada à instabilidade geopolítica, torna ainda mais complexo o custeio e o escoamento das safras agrícolas, enquanto o Brasil busca alternativas de mercado para reduzir prejuízos.

    Como funciona a audiência do USTR

    A audiência reúne 14 painéis sobre diferentes temas, além do agro, com início às 10h no horário de Washington. Cada representante setorial tem até cinco minutos para apresentar um sumário executivo em defesa da cadeia produtiva que representa.

    O USTR pode fazer perguntas aos representantes e abrir espaço para réplicas, mas fontes ouvidas indicam que a argumentação deve ser objetiva e concentrada nas consequências econômicas caso as tarifas entrem em vigor. Os setores tiveram até 1º de julho para enviar a argumentação por escrito, que serve de base para as apresentações desta segunda-feira (6).

    Quem representa o agro brasileiro na audiência
    • Andressa Silva — Associação Brasileira da Indústria do Arroz
    • Vinicius Vanzella — Associação dos Fabricantes de Gelatina da América do Sul
    • Marcelo Schunn Junqueira — Sociedade Rural Brasileira
    • Fernanda Carneiro — Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
    • Marcos Matos — Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
    • José Luiz Pimenta Junior — Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel
    • João Marcelo Messas — Associação Brasileira dos Exportadores de Mel
    • Andrea Almeida — União Nacional do Etanol de Milho
    • Welber Barral — União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e Indústria Brasileira de Árvores
    • Gian Carlo Almeida Marodin — Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente
  • Dieta de Haaland: o que o atacante come para manter a alta performance?

    Dieta de Haaland: o que o atacante come para manter a alta performance?

    O atacante Erling Haaland mantém uma dieta de cerca de 6 mil calorias por dia para suportar a intensidade do futebol. O cardápio reúne proteínas, carboidratos e gorduras de qualidade, que ajudam na recuperação muscular, na manutenção da massa corporal e no desempenho dentro de campo.

    Entre os alimentos mais consumidos estão carnes magras, peixes, tubérculos, frutas silvestres, pães de fermentação natural e mel.

    Como funciona a dieta de Haaland

    Segundo a nutricionista esportiva Laura de Souza Silva, uma alimentação baseada em comida de verdade fornece alta densidade nutricional. Assim, ela fortalece o sistema imunológico, preserva a massa muscular e melhora o funcionamento do organismo.

    Além disso, atingir 6 mil calorias por dia apenas com alimentos naturais pode ser desafiador. Ainda assim, boas fontes de gordura tornam essa meta mais viável.

    “A proteína costuma vir acompanhada de gordura. Leite, queijos e ovos, por exemplo, oferecem proteína e também alta densidade energética”, explica.

    Os alimentos que chamam atenção na dieta

    Além dos alimentos tradicionais, Haaland também consome fígado e coração bovinos.

    Segundo Laura, o fígado é rico em vitamina A, ferro heme e vitaminas do complexo B, nutrientes importantes para a produção de energia.

    Já o coração bovino fornece coenzima Q10, substância que participa da geração de energia celular e pode ajudar na recuperação muscular.

    O leite também faz parte da rotina do jogador. De acordo com a nutricionista, ele contribui para o aporte calórico, auxilia na manutenção hormonal e favorece a preservação da massa muscular.

    Hábitos vão além da alimentação

    A alimentação é apenas uma parte da rotina do atacante. Haaland também prioriza hidratação, sono de qualidade, exposição à luz natural pela manhã e recuperação entre os treinos.

    Segundo a especialista, o alto rendimento depende da combinação desses fatores. Embora poucos precisem consumir tantas calorias quanto um atleta profissional, os princípios são os mesmos. Por isso, priorizar alimentos naturais, manter boa hidratação e dormir bem são hábitos que beneficiam qualquer pessoa.

  • Frigoríficos dão férias coletivas após limite de exportação à China

    Frigoríficos dão férias coletivas após limite de exportação à China

    Frigoríficos brasileiros começaram a anunciar férias coletivas e redução dos abates de bovinos diante da expectativa de esgotamento da cota anual de exportação de carne bovina para a China. A medida deve afetar unidades em diferentes estados a partir de julho.

    O movimento ocorre porque o mercado acredita que o limite de 1,106 milhão de toneladas autorizado pelo governo chinês será atingido antes do fim do ano. Com isso, importadores da China devem retomar as compras apenas em outubro, utilizando a cota prevista para 2027.

    Produção será reduzida

    No fim de 2025, a China passou a adotar cotas de importação para seus principais fornecedores de carne bovina, incluindo Brasil, Austrália e Estados Unidos.

    Dentro da cota brasileira, a tarifa de importação é de 12%.

    Após o limite ser atingido, a cobrança sobe para 67%, tornando as exportações menos competitivas.

    Embora ainda seja junho, o setor considera que o limite está próximo porque a China contabiliza os embarques conforme a chegada da carga aos seus portos, e não pela data de saída do Brasil.

    Segundo dados divulgados pelo governo chinês em 23 de junho, o Brasil já havia utilizado 65,4% da cota até maio.

    Empresas anunciam férias coletivas

    Diversos frigoríficos decidiram reduzir temporariamente suas operações.

    Entre eles estão a Frigol, Better Beef, Iguatemi Beef e Plena Alimentos.

    As empresas afirmam que a redução da demanda chinesa inviabiliza manter o ritmo atual de produção.

    Frigol reduzirá abates no Pará

    A Frigol concederá férias coletivas de 18 dias para cerca de mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA), a partir de 1º de julho.

    Segundo o CEO Luciano Pascon, aproximadamente 70% da produção dessa planta era destinada ao mercado chinês.

    Mesmo após o retorno dos trabalhadores, a expectativa é que a operação continue reduzida entre 30% e 40%.

    Segundo o executivo, a empresa não consegue direcionar integralmente essa produção para outros mercados.

    Better Beef suspenderá uma unidade

    A Better Beef interromperá temporariamente as atividades da planta de Araçatuba (SP) entre 20 de julho e 10 de agosto.

    Durante esse período, a empresa utilizará sua unidade de Rancharia para atender o mercado brasileiro e exportações destinadas aos Estados Unidos, Chile e países do Oriente Médio.

    A expectativa de crescimento da companhia para 2026 também foi revisada após a mudança no cenário das exportações.

    Iguatemi Beef também reduz operações

    A Iguatemi Beef concederá férias coletivas para cerca de 650 funcionários de sua unidade em Mato Grosso do Sul.

    A fábrica exporta entre 90% e 95% da produção, sendo aproximadamente 80% destinada à China.

    Segundo a empresa, a redução dos abates ajudará a controlar custos enquanto a demanda chinesa permanece limitada.

    Ao mesmo tempo, os estoques estão sendo direcionados para mercados como EUA, Reino Unido e Oriente Médio.

    Outras empresas acompanham o movimento

    A Plena Alimentos também confirmou férias coletivas para aproximadamente 1,5 mil colaboradores das unidades de Goiás e Tocantins.

    Já a Astra Foods pretende ampliar as vendas no mercado interno durante o período de menor demanda da China.

    Grandes frigoríficos buscam alternativas

    Empresas de maior porte tendem a sofrer menos impacto por atuarem em diversos mercados internacionais.

    A Minerva Foods deve manter as plantas brasileiras abastecendo principalmente os Estados Unidos, enquanto unidades da Argentina, Uruguai e Colômbia continuarão atendendo clientes chineses.

    A Friboi, controlada pela JBS, já havia anunciado a interrupção da produção de cortes específicos destinados à China. A empresa, no entanto, não informou se também adotará férias coletivas.

    Apesar das medidas, o setor espera que os importadores chineses retomem as compras a partir de outubro, quando começarem os embarques que serão contabilizados dentro da cota de 2027.

  • Argentina leva 500 kg de carne para a Copa e mantém tradição do churrasco

    Argentina leva 500 kg de carne para a Copa e mantém tradição do churrasco

    Além do futebol, a carne bovina ocupa um lugar de destaque na cultura argentina e acompanha a seleção nacional até mesmo nos maiores eventos esportivos do planeta. Durante a Copa do Mundo de 2026, a Associação Argentina de Futebol (AFA) decidiu manter viva uma das tradições mais emblemáticas do país: o churrasco.

    No último sábado (20), a delegação argentina participou de um momento de confraternização marcado por música típica e uma grande variedade de cortes bovinos. Imagens divulgadas pelo presidente da AFA, mostraram que alguns atletas também assumiram funções na churrasqueira.

    Entre eles estavam o goleiro Emiliano “Dibu” Martínez e o atacante Lautaro Martínez, que participaram ativamente do preparo das carnes durante o encontro.

    Leia mais: Seleção norueguesa embarcou 300 kg de peixe para a Copa; entenda o motivo

    https://www.instagram.com/reel/DZyxPDHMxbi/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    A tradição veio acompanhada de uma grande logística, já que a delegação transportou mais de 500 quilos de carne para a América do Norte. Assim, os atuais campeões mundiais puderam manter o consumo dos cortes mais tradicionais da gastronomia argentina, como vazio, lombo, matambre, costela e bife de chorizo.

    Argentina busca vaga no mata-mata

    Dentro de campo, a equipe comandada por Lionel Scaloni mantém o bom desempenho no torneio. Após estrear com uma vitória por 3 a 0 sobre a Argélia, com hat-trick de Lionel Messi, os argentinos voltaram a vencer na segunda rodada do Grupo J ao superar a Áustria por 2 a 0.

    Com o resultado, a Argentina garantiu sua classificação para a fase eliminatória e reforçou sua condição de uma das favoritas ao título.

  • Mato Grosso coloca carne na mesa de 1 em cada 8 brasileiros

    Mato Grosso coloca carne na mesa de 1 em cada 8 brasileiros

    Quando o apito inicial soa nos estádios da Copa do Mundo de 2026, milhões de brasileiros já estão em frente às grelhas. E boa parte da carne que vai chegar às mesas nesses dias de jogo atravessou as fazendas, frigoríficos e rodovias de Mato Grosso antes de chegar ao prato.

    O estado responde por 13% de toda a carne bovina disponível para consumo no Brasil. A conta é simples e expressiva: a cada oito quilos ingeridos pelo brasileiro, um quilo teve origem mato-grossense.

    Os dados são do Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e cobrem o ano de 2025. Mato Grosso produziu 2,006 milhões de toneladas de equivalente carcaça bovina no período. Desse total, 978 mil toneladas seguiram para 92 países: uma presença no mercado externo que coloca o estado entre os principais exportadores de proteína animal do mundo. Mas o dado que chama atenção desta vez é o que ficou dentro do país: 1,027 milhão de toneladas, suficiente para garantir uma oferta média de 4,82 quilos de carne bovina por habitante ao longo do ano.

    A discussão sobre exportação costuma dominar o noticiário do agronegócio mato-grossense, e não sem razão. Os números de 2025 deixam evidente que o mercado interno também depende da produção do estado de forma estrutural.

    “Esses dados mostram algo igualmente importante: a contribuição da nossa cadeia
    produtiva para a alimentação dos brasileiros”, diz Bruno de Jesus Andrade, diretor
    de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

    Para ele, a Copa amplifica esse papel.

    “Em um período de grande mobilização, quando aumenta o consumo de carne em confraternizações e eventos, Mato Grosso segue desempenhando um papel estratégico para garantir o abastecimento do mercado interno”, afirma.

    O fluxo que transforma o campo em proteína envolve fazendas de criação, plantas frigoríficas e uma extensa rede logística — tudo concentrado em um estado que ocupa posição de liderança no rebanho nacional há anos. A Copa passa. A demanda por carne, não.

  • Feicorte destaca oportunidades e sabores da pecuária

    Feicorte destaca oportunidades e sabores da pecuária

    A Feicorte 2026 acontece entre 23 e 26 de junho em Presidente Prudente, no interior paulista. A feira reúne empresas, especialistas, produtores e consumidores ligados à pecuária de corte. O evento chega à 22ª edição e mantém foco exclusivo na cadeia produtiva da carne bovina. Além disso, promove debates sobre mercado, genética e produção animal.

    A feira nasceu na capital paulista e, durante anos, realizou exposições e julgamentos de animais. Contudo, a proibição do trânsito de rebanhos na cidade exigiu a mudança de local. Após quase uma década sem edições, a Feicorte retornou em 2024. Desde então, Presidente Prudente passou a sediar o evento. A escolha da cidade tem razões econômicas e históricas. A região concentra quase 20% do rebanho bovino paulista e oferece acesso facilitado para visitantes.

    Fórum debate redução dos rebanhos bovinos

    A redução dos rebanhos em diversos países será o tema central do Fórum Feicorte. O encontro também discutirá os impactos desse cenário para o mercado global.

    O tema “O Boi Brasileiro: Um Mundo de Oportunidades” mostrará caminhos para os pecuaristas aproveitarem o atual ciclo de valorização da atividade. Segundo os organizadores, a menor oferta mundial de animais favorece a alta dos preços e amplia oportunidades para o Brasil.

    Beef Hour apresenta carnes de diferentes raças

    A programação inclui o Beef Hour das Raças, espaço voltado à degustação de proteínas. Os visitantes poderão experimentar 16 variedades de carne. A arena reunirá cortes de 14 raças bovinas, incluindo exemplares europeus e zebuínos. Nesta edição, o espaço também contará com cordeiro Suffolk e carne de búfalo.

    Wagyu, cordeiro e búfalo ganham destaque

    A Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu participa com hambúrgueres produzidos a partir da raça conhecida pelo elevado marmoreio.
    Já a estação dedicada ao cordeiro Suffolk oferecerá cortes com sabor suave e textura delicada. Enquanto isso, a carne de búfalo será apresentada como opção magra e suculenta.

    Churrasco tradicional e defumação atraem visitantes

    A estação Bonanza destacará a tradicional costela bovina preparada no fogo de chão. O espaço também servirá sanduíches recheados com cupim casqueado.

    A Estação Feicorte apresentará o brisket, corte bovino defumado lentamente em pit smokers. O tradicional mac’n cheese acompanhará o prato. O local ainda contará com hambúrgueres da Stock Yards. A marca é especializada na produção de smash burgers.

    Culinária latina e sobremesas completam experiência

    A gastronomia latina também marcará presença no evento. O público poderá degustar choripan com linguiça artesanal e empanadas argentinas. Além disso, uma receita exclusiva será preparada especialmente para a feira.
    Nas sobremesas, a DaNega produzirá panquecas recheadas com doce de leite. Já a Santa Gula oferecerá sorvetes e açaí em diversos sabores.
    Segundo Carla Tuccilio, CEO da Verum, promotora da feira, o objetivo é aproximar o público do universo da produção pecuária. Ela afirma que o Espaço Beef Hour mostrará como genética, manejo e tecnologia influenciam diretamente a qualidade da carne consumida diariamente.