Tag: carne bovina

  • Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    O governo federal intensificou as negociações com a União Europeia para evitar que o Brasil seja retirado da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. A medida preocupa o agronegócio brasileiro, principalmente a cadeia da carne bovina, já que as novas exigências entram em vigor a partir de setembro.

    Durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), realizado em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo atua em diferentes frentes para reverter a decisão.

    “Estamos trabalhando do ponto de vista técnico, diplomático e político para encontrar uma solução. Representantes brasileiros já participaram de reuniões com a Comissão Europeia para discutir alternativas.”

    Por que a União Europeia impôs novas exigências?

    A União Europeia informou que o Brasil não comprovou integralmente o cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.

    O bloco europeu proíbe a utilização desses produtos como promotores de crescimento e exige um sistema capaz de comprovar que os animais não receberam substâncias vetadas desde o nascimento até o abate.

    Caso não haja acordo, o Brasil poderá deixar de exportar determinados produtos de origem animal para o mercado europeu a partir de 3 de setembro.

    Governo negocia período de transição

    O Ministério da Agricultura tenta negociar um período de adaptação para que os produtores possam atender às novas exigências sem interromper o fluxo comercial.

    Além disso, o governo avalia ampliar as restrições ao uso desses insumos em todo o território nacional, medida que hoje é aplicada principalmente às propriedades habilitadas para exportação ao mercado europeu.

    Para André de Paula, manter o Brasil entre os fornecedores da União Europeia é fundamental.

    “É inaceitável para o Brasil estar fora da lista.”

    O ministro ressaltou que o país exporta alimentos ao bloco europeu há décadas e também atende mercados considerados igualmente ou até mais rigorosos em relação às normas sanitárias.

    Setor teme impactos nas exportações

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que existe preocupação com o prazo necessário para adequação das propriedades.

    Segundo ele, comprovar todo o histórico sanitário de um bovino exige acompanhar o animal desde o nascimento até o abate, processo que pode levar entre dois e três anos.

    “Hoje há risco, mas temos esperança de que o governo brasileiro consiga negociar uma transição maior para manter o fluxo comercial com a Europa.”

    Diversificação dos mercados segue como estratégia

    Enquanto negocia com a União Europeia, o governo também busca ampliar a presença da proteína animal brasileira em novos mercados.

    Entre as iniciativas está uma missão técnica da Coreia do Sul, prevista para agosto, que poderá abrir novas oportunidades para o setor.

    Segundo André de Paula, essa estratégia reduz a dependência de compradores específicos e fortalece o agronegócio brasileiro diante de mudanças nas regras internacionais.

    Brasil mantém presença global

    O ministro destacou que o Brasil exporta produtos agropecuários para cerca de 180 países e territórios e já conquistou 664 aberturas de mercado.

    De acordo com ele, esse desempenho demonstra a competitividade da produção nacional, a qualidade da carne brasileira e a credibilidade do sistema de defesa sanitária do país.

  • Boi mantém preços firmes, enquanto suíno despenca em 2026

    Boi mantém preços firmes, enquanto suíno despenca em 2026

    O mercado de carnes apresentou comportamentos distintos nos primeiros sete meses de 2026. Enquanto o boi gordo manteve preços firmes, o suíno perdeu valor. Segundo o Cepea, as exportações aquecidas ajudaram a sustentar o mercado bovino durante o período. Além disso, a oferta ajustada de animais terminados reforçou esse cenário.

    A reposição valorizada também contribuiu para manter os preços do boi gordo em patamares firmes. Entretanto, o consumo doméstico permaneceu moderado. O câmbio favorável, por sua vez, ampliou a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional. Assim, a demanda externa compensou parte da fragilidade interna.

    O poder de compra das famílias ainda limita o consumo doméstico. Por isso, o mercado do boi gordo alternou momentos de pressão e recuperação.

    Boi gordo tem oferta ajustada

    No primeiro trimestre, o setor ainda sentiu os efeitos do elevado abate de fêmeas registrado nos anos anteriores. Esse movimento reduziu a disponibilidade de animais para reposição. Consequentemente, a menor oferta valorizou essa categoria no mercado.

    Já no segundo trimestre, a entrada de animais de pasto aumentou a oferta em algumas regiões produtoras. Mesmo assim, os frigoríficos mantiveram escalas de abate relativamente ajustadas. Dessa forma, o cenário limitou quedas mais acentuadas nos preços do boi gordo.

    Suíno vivo acumula forte desvalorização

    Enquanto o boi encontrou sustentação, o mercado de suínos enfrentou forte pressão em julho. O preço médio do suíno vivo recuou pelo quarto mês consecutivo em São Paulo. Com isso, atingiu o terceiro menor patamar histórico da série do Cepea.

    A análise considera a região SP-5, formada por Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba. Segundo o Cepea, a menor demanda pelo animal vivo e pela carne pressionou os preços na segunda quinzena de julho.

    A procura por carne suína costuma perder força na segunda metade do mês. Nesse período, o menor poder de compra reduz o consumo. Consequentemente, a menor procura pela carne também diminui a demanda pelo suíno vivo. Além disso, as férias escolares reforçaram a redução da procura. Por isso, os preços médios recuaram, apesar das altas no começo de julho.

    Suíno vivo cai 43,1% desde dezembro

    O cenário baixista surpreende o setor, segundo o Cepea. Afinal, o mercado esperava uma demanda firme em 2026, como ocorreu em 2025. Na comparação com as cotações reais de dezembro, o suíno vivo de SP-5 acumula queda de 43,1%.

    Já a carcaça especial registra desvalorização de 36,2% no mesmo período. Além da demanda enfraquecida, o Cepea aponta outro fator para explicar o cenário atual.

    O setor realizou maiores investimentos no ano passado. Como resultado, esses aportes ampliaram a produção e elevaram a oferta interna em 2026. Assim, o mercado de carnes apresenta trajetórias diferentes neste ano. O boi encontra suporte nas exportações e na oferta ajustada.

    Por outro lado, o suíno enfrenta maior disponibilidade interna e demanda mais fraca. Esse conjunto de fatores pressiona as cotações da proteína.

  • Carne bovina perde força no consumo e trava alta da arroba

    Carne bovina perde força no consumo e trava alta da arroba

    A arroba do boi gordo segue firme no mercado brasileiro. No entanto, a demanda interna enfraquecida limita novas altas nos preços. Segundo o Cepea, a oferta de animais terminados permanece ajustada em boa parte das regiões produtoras. Ao mesmo tempo, as exportações de carne bovina continuam em ritmo acelerado.

    Apesar do bom desempenho das vendas externas, o mercado interno ainda impede uma valorização maior da arroba. Os pesquisadores do Cepea afirmam que o poder de compra das famílias segue pressionado. Por isso, muitos consumidores substituem a carne bovina por proteínas mais acessíveis.

    Entre as principais alternativas estão o frango, a carne suína e os ovos. Essa mudança reduz o consumo de carne bovina no mercado doméstico.

    Como resultado, o escoamento da carne bovina ocorre de forma mais lenta. Consequentemente, frigoríficos enfrentam dificuldades para repassar preços ao longo da cadeia. Esse cenário também reduz a margem para que as indústrias ofereçam valores mais altos pela arroba do boi gordo, destaca o Cepea.

    Carne suína ganha espaço frente ao frango

    A carne suína aumentou sua competitividade frente ao frango na parcial de julho, até o dia 28. Segundo o Cepea, os preços das carnes suína e bovina caíram em relação à média de junho. Entretanto, a retração foi mais intensa na carne bovina. Já o preço do frango resfriado permaneceu praticamente estável no mesmo período.

    Com esse movimento, a carne suína ficou mais competitiva diante da proteína avícola. Em contrapartida, perdeu competitividade frente à carne bovina.

    Agentes consultados pelo Cepea atribuem a queda da carcaça especial suína ao excesso de oferta no atacado da Grande São Paulo.

    Além disso, a chegada de produtos do Sul, principal polo produtor do país, ampliou a oferta no mercado paulista. Isso reforçou a pressão sobre as cotações da proteína suína.

  • Boi gordo abre a semana estável

    Boi gordo abre a semana estável

    O mercado do boi gordo iniciou a semana com pouca movimentação e preços praticamente estáveis em todo o país. Levantamento divulgado pela Scot Consultoria nesta segunda-feira (28) mostra que, das 33 regiões acompanhadas, 29 mantiveram as cotações inalteradas.

    As únicas altas foram registradas no norte de Minas Gerais, no sudoeste de Mato Grosso e no Rio de Janeiro. Já a única queda ocorreu em Roraima.

    Preço do boi gordo segue em R$ 344 nas principais praças

    Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), que servem de referência para o mercado nacional, o boi gordo permaneceu cotado em R$ 344 por arroba, considerando o pagamento a prazo.

    As cotações do chamado “boi China”, além da vaca gorda e da novilha, também permaneceram estáveis ao longo do dia.

    Segundo a Scot Consultoria, parte das indústrias ainda não retomou as compras nesta semana e concentrou esforços na definição das estratégias comerciais. Entre os frigoríficos que atuaram no mercado, prevaleceram as mesmas referências de preços observadas na sexta-feira anterior.

    Algumas unidades chegaram a oferecer valores inferiores, mas não houve fechamento de negócios nesses patamares.

    Atacado registra valorização da carne bovina

    Enquanto o mercado do boi gordo permaneceu estável, o atacado apresentou alta nas cotações da carcaça bovina.

    De acordo com a Scot, o movimento foi impulsionado pela combinação entre maior procura e menor oferta de carne, resultado da redução no ritmo dos abates.

    Mesmo com o avanço dos preços, os atacadistas mantiveram as compras de forma moderada para evitar excesso de estoques. A expectativa é que os valores permaneçam firmes até o início de agosto.

    Exportações seguem em ritmo forte

    O desempenho das exportações continua sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado pecuário brasileiro.

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, nos primeiros 18 dias úteis de julho, o Brasil embarcou 195,214 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 10,845 mil toneladas.

    Além do elevado volume exportado, o preço médio pago pelo produto segue em um dos maiores patamares do ano, alcançando US$ 6.368,90 por tonelada.

    Brasil avança para abrir mercado na Coreia do Sul

    Outro fator acompanhado pelo setor é o avanço das negociações para ampliar os mercados compradores da carne bovina brasileira.

    Uma missão técnica da Coreia do Sul deve visitar o Brasil em agosto para inspecionar frigoríficos nacionais. A etapa é considerada decisiva para a abertura do mercado sul-coreano às exportações brasileiras.

    Caso o processo seja concluído, o país poderá ampliar sua presença na Ásia e diversificar ainda mais os destinos da carne bovina produzida no Brasil, fortalecendo a competitividade do setor no comércio internacional.

  • Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Um estudo do WRI Brasil propõe a criação de um protocolo unificado para as cadeias brasileiras de soja e carne bovina. A iniciativa pretende integrar ferramentas já existentes de monitoramento e rastreabilidade para facilitar o comércio internacional, especialmente com a China, sem estabelecer novas exigências para os produtores.

    Segundo o instituto, o Brasil já dispõe de instrumentos capazes de monitorar o desmatamento e acompanhar a origem da produção agropecuária. No entanto, esses sistemas funcionam de forma isolada e adotam critérios diferentes, o que dificulta sua compreensão por compradores e investidores internacionais.

    Estudo aponta diferenças entre protocolos existentes

    A pesquisa analisou 21 iniciativas, entre protocolos, certificações, acordos voluntários, plataformas públicas e sistemas de rastreabilidade utilizados nas cadeias de soja e carne bovina.

    O levantamento identificou divergências em aspectos como:

    • datas de corte para desmatamento;
    • critérios de avaliação;
    • monitoramento de fornecedores indiretos;
    • auditorias e processos de verificação.

    De acordo com o WRI Brasil, essas diferenças reduzem a credibilidade dos sistemas brasileiros e tornam mais difícil para importadores identificar quais padrões devem ser seguidos.

    Objetivo é integrar regras já existentes

    O estudo reforça que a proposta não cria novas normas para o setor.

    A recomendação é harmonizar os critérios técnicos atualmente utilizados, integrar bases de dados e simplificar os processos de auditoria, criando um referencial único para as cadeias produtivas.

    Na avaliação do instituto, essa integração pode fortalecer a rastreabilidade, reduzir riscos reputacionais e aproximar os sistemas brasileiros das exigências internacionais, incluindo as previstas no Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR).

    China é apontada como parceira estratégica

    O relatório destaca que a China permanece como o principal destino das commodities agropecuárias brasileiras.

    Para os pesquisadores, Brasil e China têm condições de liderar a construção de um padrão internacional voltado para cadeias produtivas livres de desmatamento.

    O documento, intitulado Tracing Responsibility: Strengthening Deforestation Monitoring in Brazil’s Soy and Beef Supply Chains, foi desenvolvido pelo WRI Brasil com apoio da BV Rio, Amigos da Terra, Principles for Responsible Investment (PRI), WRI China e Proforest.

    Recomendações

    No setor pecuário, o estudo recomenda acelerar o monitoramento dos fornecedores indiretos, sem aguardar a implementação completa da identificação individual obrigatória dos animais.

    Além disso, a proposta prevê a migração gradual para sistemas individuais de rastreabilidade, ampliando a transparência da cadeia produtiva.

    Para a cadeia da soja, o estudo recomenda fortalecer a rastreabilidade desde a fazenda de origem. Entre as medidas sugeridas estão a integração de tradings, cooperativas e plataformas estaduais, além da conexão de informações fiscais para tornar os registros mais confiáveis.

  • Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    O Ministério da Agricultura endureceu o discurso contra a União Europeia e classificou como “inaceitável” a exigência de uma comprovação prévia do controle de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes. Em nota divulgada nesta quinta-feira (24), a Pasta também defendeu a permanência do Brasil na lista de países habilitados a exportar para o bloco europeu.

    Segundo o ministério, o reconhecimento do sistema sanitário brasileiro deve ser mantido, mesmo que parte da produção ainda precise de tempo para cumprir os novos requisitos exigidos pela União Europeia. Além disso, o governo afirmou que a implementação das medidas ocorre de forma gradual ao longo dos ciclos produtivos.

    Ministério critica exigências europeias

    O Ministério da Agricultura afirmou que as relações sanitárias internacionais devem ser baseadas na confiança e na transparência entre as autoridades responsáveis pelos sistemas oficiais de fiscalização. Por isso, considerou inadequada a exigência de uma comprovação integral antes da conclusão do processo de adaptação.

    Recentemente, o governo passou a fiscalizar todo o ciclo de produção das diferentes cadeias pecuárias em relação ao uso de antimicrobianos. Na bovinocultura, por exemplo, a certificação de animais livres das substâncias proibidas pela União Europeia pode levar pelo menos dois anos. Já na avicultura, esse período é de aproximadamente 40 dias.

    “O Brasil defende a manutenção deste sistema e considera inaceitável a exigência de comprovação prévia da implementação integral de medidas cuja execução ocorre de forma progressiva ao longo dos ciclos produtivos”, afirmou o Ministério da Agricultura.

    Além disso, a Pasta destacou que os sistemas oficiais de fiscalização têm a responsabilidade de verificar o cumprimento das normas e certificar apenas os produtos que atendem integralmente às exigências sanitárias.

    “As relações sanitárias internacionais são estruturadas sobre um princípio fundamental: confiança e transparência entre autoridades competentes. O reconhecimento internacional dos sistemas oficiais de controle sanitário baseia-se na capacidade demonstrada pelo país de estabelecer normas, fiscalizar seu cumprimento, adotar medidas corretivas e certificar, com credibilidade, os produtos que atendem aos requisitos acordados bilateralmente”, informou a nota.

    Governo mantém diálogo técnico com o bloco

    Enquanto as negociações continuam, o Ministério da Agricultura informou que segue em tratativas técnicas com a União Europeia sobre os critérios sanitários relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

    Ao mesmo tempo, a Pasta reforçou que o Brasil não solicitou flexibilização das normas europeias. Pelo contrário, reafirmou o compromisso de atender integralmente às exigências impostas pelos mercados importadores.

    Representantes da indústria frigorífica e do setor pecuário avaliam que a posição do governo fortalece a credibilidade do sistema sanitário brasileiro. Segundo fontes do setor, o país deve permanecer na lista de exportadores da União Europeia, mesmo que ainda não existam animais aptos para atender imediatamente aos novos critérios.

    Outro representante do setor disse que o governo adotou uma postura mais firme durante as negociações. Segundo ele, o Brasil não aceitará que a confiabilidade do sistema sanitário nacional seja colocada em dúvida.

    Permanência na lista não libera exportações automaticamente

    O Ministério da Agricultura esclareceu que integrar a lista de países autorizados não significa que todos os produtos brasileiros estejam automaticamente aptos para exportação.

    Na prática, esse reconhecimento demonstra que o país possui um sistema oficial considerado confiável para certificar apenas os produtos que cumprem os requisitos sanitários exigidos pelo mercado europeu.

    Além disso, a Pasta explicou que a disponibilidade de produtos varia conforme o ciclo produtivo de cada cadeia. Portanto, o tempo necessário para atender às exigências pode ser diferente entre bovinos, aves e outras produções.

    Segundo o ministério, a credibilidade do sistema está justamente na capacidade de impedir a certificação de produtos que ainda não atendem às normas estabelecidas.

    Comissão Europeia retirou o Brasil da lista em maio

    Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro. A decisão ocorreu após questionamentos sobre a comprovação do não uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas brasileiras.

    Depois do anúncio, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento dessas substâncias como forma de demonstrar o compromisso do Brasil com as exigências europeias. No entanto, estimativas do setor indicam que a medida poderia elevar os custos da pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, principalmente com alimentação e medicamentos.

    Exportações movimentam US$ 1,8 bilhão

    A União Europeia importou 128 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2025, volume que movimentou aproximadamente US$ 1 bilhão. Ao considerar todas as proteínas animais, o comércio entre Brasil e União Europeia alcançou US$ 1,8 bilhão no período.

    Além disso, o Ministério da Agricultura informou que já encaminhou à Comissão Europeia uma documentação técnica detalhando os mecanismos oficiais de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação adotados nas cadeias de carne bovina, aves, ovos, mel e produtos da pesca.

    Segundo a Pasta, os documentos demonstram como o sistema brasileiro garante o cumprimento dos requisitos sanitários exigidos pelo bloco europeu. Entretanto, as autoridades da União Europeia ainda não apresentaram uma manifestação conclusiva sobre o material enviado.

    Por fim, o ministério reafirmou o compromisso do Brasil com o atendimento integral das exigências sanitárias internacionais. Também destacou que continuará mantendo diálogo técnico com a União Europeia com base na ciência, na transparência e na cooperação entre as autoridades competentes.

  • EUA taxam Brasil em 12,5% por trabalho forçado na cadeia de importação

    EUA taxam Brasil em 12,5% por trabalho forçado na cadeia de importação

    Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) justifica a medida pela suposta falha do Brasil em fiscalizar a importação de bens fabricados com trabalho forçado.

    O USTR atribui a taxação à falha do Brasil em proibir e fiscalizar a entrada, no mercado doméstico, de produtos feitos total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países. A cobrança abrange a totalidade das exportações brasileiras, sem isenções, diferentemente da tarifa de 25% aplicada por “práticas desleais”, que reserva uma lista de 2.100 exceções.

    A nova alíquota substitui a taxa adicional de 10% prevista na Seção 122 da legislação comercial americana, que expirava justamente nesta data.

    Países afetados

    O governo dos Estados Unidos also aplicou sobretaxas a outros parceiros comerciais. Cinquenta e quatro países receberam a taxação de 12,5%. Enquanto outros cinco países e o bloco da União Europeia, formado por 27 nações, sofreram tarifa de 10% por terem adotado proibições ao trabalho forçado, ainda que com fiscalização considerada insuficiente. A investigação que embasou a medida seguiu a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

    O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, classificou a situação como inaceitável. “A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens fabricados com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores norte-americanos a competir em um campo desigual”, declarou.

    A CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que a medida pode afetar 4.187 produtos brasileiros. Os setores atingidos somam US$ 14,9 bilhões em vendas anuais aos Estados Unidos. Segundo a entidade, a combinação das duas tarifas pode adicionar 37,5 pontos percentuais sobre esses bens, dos quais 62% funcionam como insumos intermediários em processos produtivos.

    USTR aponta indícios de trabalho forçado na pecuária brasileira

    O relatório do USTR reconhece as medidas adotadas pelo governo brasileiro para inibir a compra de bens produzidos com trabalho forçado. Mas classifica como “injustificada” a dificuldade do país em implementar compromissos assumidos em acordos de livre comércio.

    O documento aponta indícios de trabalho forçado na produção de carne no Brasil e associa a prática ao crescimento das exportações do setor na última década. “É notório que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil”, registra o relatório.

    China entra no radar do governo americano

    O relatório do USTR também destaca a relação comercial entre Brasil e China. As vendas de carne bovina congelada para o mercado chinês saltaram de 94 mil toneladas para 1,65 milhão de toneladas entre 2015 e 2025. Ou seja, um salto de mais de 17 vezes, enquanto as exportações americanas para a China registraram tendência de queda no mesmo período.

    “A falha da China em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de carne bovina congelada do Brasil com base em trabalho forçado conferiu uma vantagem de custo à carne bovina brasileira e distorceu a concorrência”, diz o relatório.

    Governo brasileiro rebate a decisão

    O Itamaraty já havia criticado a possibilidade de sanções antes do anúncio oficial. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou que a investigação da Seção 301 pode prejudicar políticas internas de combate ao trabalho escravo.

    “Esta investigação da Seção 301, e quaisquer ações dos Estados Unidos que possam dela resultar, ameaçam minar o progresso alcançado por tais iniciativas brasileiras. E portanto, comprometer os objetivos do USTR ao iniciar esta investigação”, afirmou Vieira.

    O Itamaraty sustenta que a cobrança contraria as normas de comércio da OMC (Organização Mundial do Comércio). E defende o sistema brasileiro de combate ao trabalho escravo, que nos últimos anos aprimorou o conceito de “condição análoga à de escravo” no Código Penal e criou a chamada “lista suja” do trabalho escravo.

  • Sobretaxa chinesa x tarifa americana: o que muda para o agronegócio brasileiro

    Sobretaxa chinesa x tarifa americana: o que muda para o agronegócio brasileiro

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou nota nesta semana para desmentir uma informação que circula nas redes sociais: a de que a China teria imposto, neste mês, uma nova taxação sobre as importações de carne bovina brasileira.

    Segundo o órgão, não houve mudança recente nas regras. O que existe é uma medida de salvaguarda anunciada no fim de 2025, que só entra em ação quando as exportações de cada país ultrapassam uma cota específica.

    A confusão ganhou tração porque parte do debate público tem colocado a sobretaxa chinesa lado a lado com a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos às importações brasileiras em 2025. As duas medidas, porém, têm origem, lógica e efeitos diferentes.

    O que diz a nota do Mapa

    De acordo com o esclarecimento oficial, a China anunciou no fim do ano passado a decisão de aplicar uma tarifa de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar a cota estabelecida para o país. Essa condição, afirma o Mapa, ainda não foi atingida.

    O mecanismo funciona como uma salvaguarda válida para todos os exportadores de carne bovina para o mercado chinês, não apenas para o Brasil. Cada país recebe uma cota anual com tarifa de importação de 12%. O Brasil ficou com o maior volume entre os fornecedores, de 1,106 milhão de toneladas. Somente as exportações que excederem essa cota, de qualquer país, passam a pagar a sobretaxa adicional de 55%.

    Foto: Arquivo Agro em Campo

    Segundo a última atualização do Ministério do Comércio chinês (MOFCOM), citada pelo Mapa, o Brasil já utilizou 80% da cota destinada ao país. O volume ainda dentro do limite segue pagando apenas a tarifa padrão de 12%. Reportagens recentes do setor indicam que a sobretaxa passa a valer a partir do terceiro dia após o esgotamento total da cota.

    De onde vem a salvaguarda chinesa

    A medida foi formalizada pelo anúncio nº 87 do Ministério do Comércio da China, publicado em 31 de dezembro de 2025 e em vigor desde 1º de janeiro de 2026, com duração prevista de três anos. Ela resultou de uma investigação conduzida pelas autoridades chinesas. Que concluiu que o crescimento acelerado das importações de carne bovina causou dano relevante à produção doméstica do país.

    Diferentemente de uma proibição ou embargo, Pequim optou por um modelo de cotas por país, combinado com tarifa adicional apenas sobre o volume excedente. O Brasil, principal fornecedor de carne bovina para o mercado chinês, recebeu a maior cota entre todos os países incluídos na medida. Isso é reflexo do peso da pecuária brasileira nas importações do país asiático.

    O governo brasileiro confirmou, em nota oficial divulgada no fim de 2025, que tomou conhecimento da decisão chinesa. E informou que passaria a atuar tanto bilateralmente quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar mitigar os efeitos da salvaguarda, sem sinalizar medidas de retaliação.

    Por que a comparação com a tarifa dos EUA não se sustenta

    A tarifa americana teve origem, alcance e motivação diferentes. Em julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa geral de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros, em vigor a partir de agosto daquele ano. A justificativa apresentada pela Casa Branca não teve relação com desequilíbrios comerciais. Mas com o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, tratado pelo governo americano como uma “caça às bruxas”.

    Foto: Divulgação – Mapa

    A medida atingiu de forma ampla o conjunto das exportações brasileiras aos EUA, embora setores como aeronaves civis, energia, suco de laranja e celulose tenham ficado isentos desde o início. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que Trump havia agido de forma ilegal ao impor tarifas abrangentes de forma unilateral. O que resultou em novas mudanças nas alíquotas, incluindo a retirada de aeronaves, rochas ornamentais, pescados, mel, tabaco e café solúvel da faixa de 50%.

    Assim, a sobretaxa chinesa segue uma lógica distinta: é uma ferramenta de defesa comercial prevista em regras da OMC, aplicada de forma técnica a um único setor (carne bovina), com cota calculada por país e tarifa adicional apenas sobre o volume que excede esse limite. Não há, no mecanismo chinês, motivação política declarada nem abrangência sobre o conjunto da pauta exportadora brasileira.

    Os efeitos práticos para o setor

    Mesmo sendo uma medida técnica e limitada a um produto, a salvaguarda chinesa já provoca ajustes na cadeia da carne bovina. Frigoríficos brasileiros vêm reorganizando o ritmo de embarques mensais para administrar o consumo da cota. E assim, evitar a incidência da tarifa de 55% sobre parte do volume exportado. Reportagens do setor apontam que empresas já avaliam redução no ritmo de produção e a busca por mercados alternativos para escoar o excedente, num cenário em que a oferta de gado no Brasil já enfrentava pressão por outros fatores.

    Apesar do novo mecanismo, o Brasil segue como o maior fornecedor individual de carne bovina para a China. E mantém folga em relação aos demais países cotistas. O desafio agora passa a ser logístico: calibrar os embarques ao longo do ano para não ultrapassar o limite antes do previsto. Ou, quando isso acontecer, direcionar o excedente para outros compradores internacionais.

    A coincidência de datas e a repercussão política em torno das relações comerciais do Brasil favoreceram a mistura entre os dois temas nas redes sociais. Mas, como reforça o Mapa, a salvaguarda chinesa não representa uma taxação geral sobre as vendas brasileiras ao país. Apenas trata-se de um instrumento setorial, previsível e já conhecido pelo mercado desde o fim de 2025, distinto em natureza, origem e alcance da tarifa aplicada pelos Estados Unidos.

  • Tarifaço dos EUA: veja quais produtos brasileiros escaparam e quais serão taxados

    Tarifaço dos EUA: veja quais produtos brasileiros escaparam e quais serão taxados

    A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros já está em vigor e provoca mudanças importantes para o agronegócio. Enquanto alguns setores perderam competitividade no mercado americano, outros conseguiram manter as exportações graças à ampliação da lista de isenções anunciada pelo governo de Donald Trump.

    Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os produtos que ficaram de fora da nova cobrança representam cerca de 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos. Dessa forma, boa parte das vendas do setor continua preservada.

    Além disso, a decisão americana leva em consideração a dependência da indústria dos EUA de determinados insumos produzidos no Brasil. Conforme explicou a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, alguns produtos são considerados estratégicos para as cadeias produtivas norte-americanas e não possuem oferta suficiente no mercado interno.

    Apesar da importância dos Estados Unidos, o país perdeu espaço entre os principais compradores do agro brasileiro nos últimos meses. Entre janeiro e junho deste ano, o mercado americano respondeu por apenas 6% das exportações do setor. Em comparação, a China concentrou 35% das vendas, enquanto a União Europeia participou com 14%.

    De acordo com o Ministério da Agricultura, os Estados Unidos seguem como o terceiro principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. No entanto, as compras caíram 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Açúcar, etanol e frutas seguem entre os produtos tarifados

    Nem todos os segmentos conseguiram escapar da nova cobrança. Açúcar, etanol, frutas, máquinas agrícolas, parte dos pescados e o sebo bovino continuam sujeitos à tarifa adicional de 25%.

    No setor sucroenergético, a preocupação é maior entre os produtores do Nordeste. Como consequência, o governo federal publicou uma medida provisória para reduzir parte das perdas. O programa prevê uma subvenção de R$ 12 por tonelada de cana comercializada, beneficiando milhares de agricultores.

    Já o etanol também permaneceu na lista dos produtos taxados. Ainda assim, representantes do setor avaliam que os impactos tendem a ser limitados. Isso ocorre porque os Estados Unidos representam uma parcela relativamente pequena das exportações brasileiras do biocombustível.

    Na fruticultura, a situação também exige atenção. Uvas, melões e melancias terão aumento na carga tributária para entrar no mercado americano. Por isso, produtores e exportadores estudam novas estratégias comerciais e aceleram a busca por mercados alternativos.

    O setor de máquinas agrícolas também será afetado. Entretanto, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) acredita que os reflexos devem ser moderados, já que as exportações para os Estados Unidos representam uma fatia reduzida do faturamento da indústria.

    Entre os pescados, o filé de tilápia congelado permaneceu sujeito à cobrança, assim como lagostas vivas e algumas algas destinadas à alimentação humana.

    Além disso, o sebo bovino segue na lista dos produtos tributados. A Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) informou que continuará trabalhando para tentar reverter essa decisão junto às autoridades americanas.

    Café, carne bovina e suco de laranja estão entre os isentos

    Por outro lado, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ficaram livres da nova tarifa. A decisão foi recebida com alívio por diferentes cadeias do agronegócio.

    O café está entre os maiores beneficiados. A ampliação da isenção incluiu também o café solúvel não aromatizado, fortalecendo a posição do Brasil como maior produtor e exportador mundial do produto.

    A carne bovina também escapou da cobrança adicional. Atualmente, os Estados Unidos enfrentam um período de baixa oferta de gado, fator que aumenta a necessidade de importações brasileiras para abastecer o mercado local.

    Outro destaque é o mel. O Brasil responde por aproximadamente 75% do fornecimento de mel orgânico consumido pelos americanos. Dessa maneira, a manutenção da isenção evita aumento de custos para consumidores e importadores dos Estados Unidos.

    Na piscicultura, parte dos pescados permaneceu isenta. Entre eles estão a tilápia inteira e o filé fresco de tilápia. Segundo entidades do setor, essa decisão pode impulsionar as exportações brasileiras nos próximos meses.

    O suco de laranja também ficou fora da nova tarifa. A isenção reflete a forte dependência do mercado americano da produção brasileira. Além disso, a citricultura da Flórida enfrenta dificuldades provocadas pelo greening, doença considerada uma das maiores ameaças aos pomares de laranja no mundo.

    Enquanto isso, os setores que permanecem sujeitos à tarifa acompanham as negociações entre Brasil e Estados Unidos. Ao mesmo tempo, produtores e exportadores buscam diversificar mercados e reduzir os impactos da nova política comercial sobre o agronegócio brasileiro.

  • Brasil atinge quase 80% da cota de carne bovina na China

    Brasil atinge quase 80% da cota de carne bovina na China

    O Brasil já utilizou 78,86% da cota anual de exportação de carne bovina para a China, segundo dados divulgados pelo governo chinês. O avanço do volume importado pelo principal comprador da proteína brasileira fez exportadores considerarem que o limite está praticamente esgotado, o que já provoca mudanças na rotina dos frigoríficos.

    As informações da Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) e do Ministério do Comércio (Mofcom) mostram que 872,2 mil toneladas de carne bovina in natura produzida no Brasil foram internalizadas no país asiático entre janeiro e junho. Somente em junho, entraram 148,7 mil toneladas.

    A cota brasileira para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de importação de 12%. Acima desse limite, os embarques ficam sujeitos a sobretaxa de 55%, além da possibilidade de devolução das cargas ou atraso na liberação aduaneira.

    Frigoríficos já reduzem produção e embarques

    Mesmo antes do preenchimento total da cota, frigoríficos habilitados a exportar para a China começaram a adaptar suas operações.

    Entre as medidas adotadas estão:

    • redução do ritmo de abates;
    • férias coletivas;
    • ajustes na produção;
    • suspensão de cortes específicos destinados ao mercado chinês;
    • diminuição dos embarques durante julho.

    A estratégia busca evitar que a carne chegue à China após o esgotamento do limite tarifário, o que elevaria significativamente os custos de importação.

    Diferença entre embarques e cargas já internalizadas

    Existe uma diferença entre os dados brasileiros de exportação e os números divulgados pelas autoridades chinesas.

    Enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registra 774,1 mil toneladas exportadas em 2026, o governo chinês contabiliza volumes embarcados ainda em 2025 que foram desembarcados somente neste ano.

    Segundo exportadores, cerca de 227,7 mil toneladas seguem em trânsito para a China. Considerando esse volume, restariam aproximadamente 5,9 mil toneladas livres dentro da atual cota.

    Mercado espera esgotamento da cota em agosto

    A expectativa do setor é que a China confirme ainda nesta semana o preenchimento de 80% da cota brasileira e alcance 100% durante agosto.

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou na semana passada que o Brasil deve encerrar 2026 com aproximadamente 900 mil toneladas exportadas para o mercado chinês.

    A previsão é que a produção destinada ao país asiático seja retomada em outubro, com novos embarques previstos para novembro, já considerando a abertura da cota de 2027.

    Analistas acompanham ritmo da logística

    O mercado também monitora o ritmo de internalização das cargas.

    Para Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras e Mercado, o Brasil deveria ter alcançado esse percentual anteriormente.

    Segundo ele, o atraso pode estar relacionado ao tempo maior de transporte marítimo ou à demora nos procedimentos alfandegários realizados pelas autoridades chinesas.

    Outros países ainda utilizam pequena parte de suas cotas

    Enquanto o Brasil se aproxima do limite anual, outros grandes fornecedores ainda utilizam apenas parte das cotas disponíveis.

    No primeiro semestre:

    • Estados Unidos: 876 toneladas (0,53% da cota);
    • Nova Zelândia: 59,5 mil toneladas (29%);
    • Uruguai: 82,3 mil toneladas (25,4%);
    • Argentina: 239,5 mil toneladas (47%).

    Já a Austrália ultrapassou sua cota e registrou 588 toneladas acima do limite estabelecido.

    Cenário pode beneficiar concorrentes

    A Safras e Mercado avalia que o esgotamento da cota brasileira poderá abrir espaço para o aumento das exportações de países como Argentina, Uruguai e Nova Zelândia.

    A consultoria também observa crescimento da demanda por carne bovina brasileira em mercados como Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai e Argentina. Segundo a análise, parte desse movimento pode indicar operações de triangulação comercial, permitindo que o produto alcance o mercado chinês de forma indireta.

    Ao todo, a China importou 1,5 milhão de toneladas de carne bovina in natura entre janeiro e junho, o equivalente a 56,9% da cota global de 2,6 milhões de toneladas destinada aos fornecedores internacionais em 2026. Esse cenário reforça a importância do mercado chinês para o agronegócio brasileiro e mantém o setor atento aos próximos anúncios sobre o limite de importações.