O agronegócio brasileiro vive um novo momento de transformação. A chegada de tratores com tecnologia desenvolvida na Finlândia reforça o avanço da mecanização no campo e acelera o processo de modernização do setor.
Esses equipamentos trazem soluções voltadas para eficiência operacional, conectividade e precisão nas atividades agrícolas. Com isso, produtores conseguem extrair mais produtividade sem a necessidade de expandir áreas cultivadas.
Esse movimento acompanha uma tendência global: o uso intensivo de tecnologia como base para o crescimento sustentável do agro.
Máquinas mais inteligentes e eficientes
Os novos tratores incorporam sistemas avançados de controle, automação e gestão de dados. Na prática, isso permite operações mais precisas e redução de desperdícios.
Tecnologias como transmissão inteligente, monitoramento em tempo real e integração com sistemas digitais ajudam a otimizar o uso de insumos e combustível.
Além disso, estudos indicam que máquinas mais modernas podem reduzir significativamente os custos operacionais, especialmente com diesel e fertilizantes.
Impacto direto na produtividade
A adoção dessas tecnologias tem impacto direto na produtividade das lavouras.
Com maior precisão nas operações, o produtor consegue melhorar o desempenho das culturas e aumentar a rentabilidade. Além disso, a redução de erros humanos contribui para uma produção mais eficiente.
Outro ponto importante é a preservação do solo. Sistemas que distribuem melhor o peso das máquinas evitam compactação excessiva, o que favorece o desenvolvimento das plantas.
Automação e futuro do campo
O avanço tecnológico no campo não se limita apenas aos tratores tradicionais.
Testes com máquinas autônomas já mostram resultados promissores no Brasil. Em algumas operações, a automação pode aumentar a produtividade em até 20% e reduzir o consumo de combustível em cerca de 10%.
Brasil se consolida como potência tecnológica no agro
A chegada de tecnologias internacionais reforça o posicionamento do Brasil como um dos principais mercados agrícolas do mundo.
Além disso, o setor deve continuar crescendo impulsionado pela inovação. Projeções indicam que o agro brasileiro segue em expansão, com tecnologia sendo o principal motor desse avanço.
Nesse contexto, a modernização da frota agrícola se torna estratégica para manter a competitividade global.
Brasil se consolida como potência tecnológica no agro
A chegada de tecnologias internacionais reforça o posicionamento do Brasil como um dos principais mercados agrícolas do mundo.
Além disso, o setor deve continuar crescendo impulsionado pela inovação. Projeções indicam que o agro brasileiro segue em expansão, com tecnologia sendo o principal motor desse avanço.
Nesse contexto, a modernização da frota agrícola se torna estratégica para manter a competitividade global.
Março de 2026 ficará marcado na história do mercado automotivo brasileiro. Pela primeira vez, um carro totalmente elétrico entrou no top 10 dos modelos mais vendidos do país, o BYD Dolphin Mini. Ao mesmo tempo, a GWM registrou seu melhor resultado mensal desde o início das operações no Brasil. Os dois eventos, juntos, sinalizam que a eletrificação deixou de ser nicho e se tornou força motriz do setor, inclusive no agronegócio.
Dolphin Mini. Foto: Divulgação BYD
O mercado automotivo brasileiro registrou forte crescimento em março de 2026, com 257,8 mil automóveis e comerciais leves emplacados, avanço de 39,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Dentro desse cenário aquecido, os veículos eletrificados foram os grandes protagonistas da virada.
BYD domina elétricos urbanos e mira SUVs
O BYD Dolphin Mini consolidou a liderança absoluta entre os veículos eletrificados em março, com 7.053 emplacamentos. Um volume 5.200 unidades acima do segundo elétrico puro da lista, o próprio Dolphin. O resultado histórico coloca a montadora chinesa em posição dominante: cinco modelos da BYD figuraram entre os dez mais vendidos do segmento eletrificado, incluindo Song Pro, Song Plus e o sedã King.
No segmento de SUVs eletrificados, a disputa também ferve. O BYD Song Pro registrou 3.064 emplacamentos no mês, no segmento de híbridos plug-in, enquanto o Song Plus garantiu a quarta colocação no ranking de eletrificados, com 1.990 registros. O BYD Yuan Plus, por sua vez, consolidou sua posição como o SUV 100% elétrico mais vendido do país em 2026, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Outros competidores também avançam. O Toyota Yaris Cross estreou com força e ocupou a quinta posição geral entre os eletrificados, com 1.890 unidades vendidas em março, superando nomes tradicionais da própria marca como o Corolla Cross. Já o Omoda 5 registrou 1.579 emplacamentos, consolidando a sétima posição e mostrando que o design e a proposta da nova marca atraem o público local.
GWM lidera híbridos e quebra dois recordes históricos
Nesse cenário de acirrada competição, a GWM também escreveu sua própria história. A montadora emplacou 6.598 veículos em março, o melhor resultado desde o início de suas operações no país, em abril de 2023. Um crescimento de 215% sobre março de 2025, muito acima dos 15,1% do mercado total no mesmo período. No primeiro trimestre, a empresa acumulou 15.903 unidades, alta de 137,7% em relação ao ano anterior.
O Haval H6 manteve a segunda posição no ranking geral de eletrificados, com 3.318 unidades em março, divididas entre as versões híbrida convencional, plug-in e a configuração esportiva GT. O modelo encabeça o ranking de híbridos à frente do BYD Song Pro (1.987) e do Fiat Fastback (1.820). Vale lembrar que, em 2025 inteiro, o Haval H6 foi o híbrido mais vendido do Brasil, com 28.016 unidades registradas. Seguido pelo BYD Song Pro, com 22.536, e o BYD Song Plus, com 16.694.
Haval H9 x Hilux SW4
O marco mais emblemático do mês, porém, veio do Haval H9. O SUV da GWM superou pela primeira vez o Hilux SW4 no segmento de SUVs grandes, com 1.170 unidades vendidas ante 1.118 do produto da Toyota. Uma diferença de apenas 52 unidades, mas histórico. O resultado é recorde para o modelo, lançado há apenas seis meses. Além do H9, o Tank 300 ficou em terceiro lugar na categoria, com 906 unidades, e o Wey 07 fechou o top 5 com 216 emplacamentos.
O desempenho elevou a GWM à 12ª posição no ranking geral de montadoras em março, superando Ford, Citroën, Ram, Mitsubishi e Peugeot. Em março de 2024, a empresa ocupava a 14ª colocação.
“Alcançar nosso melhor resultado histórico no Brasil em tão pouco tempo de operação demonstra a consistência do nosso plano estratégico. E um portfólio alinhado às expectativas do mercado brasileiro”, afirma Diego Fernandes, COO da GWM Brasil.
SUVs eletrificados invadem o agronegócio
Se nos centros urbanos a briga pelo mercado de SUVs eletrificados já é intensa, no campo o movimento acaba de começar. E a GWM quer sair na frente. A montadora marca presença na Tecnoshow Comigo 2026, uma das maiores feiras de tecnologia rural do país e a principal do Centro-Oeste, que acontece de 6 a 10 de abril, em Rio Verde (GO).
Foto: Divulgação GWM
O estande da GWM na feira vai além da exposição tradicional: em parceria com o Grupo Navesa, responsável pelas concessionárias da marca em Goiás, a empresa monta uma pista off-road exclusiva onde o público testa os veículos em obstáculos reais. A aposta principal para o produtor rural é a Poer P30, picape média que combina tração 4×4, capacidade para terrenos irregulares e tecnologia embarcada. E que, com apenas seis meses de mercado, já estreou no top 5 da sua categoria, com 677 emplacamentos em março, à frente de rivais como Fiat Titano (581), Ram Dakota (378), Nissan Frontier (306) e Volkswagen Amarok (123).
“O público do agronegócio busca veículos que entregam robustez, confiabilidade e versatilidade em qualquer terreno. Nosso portfólio 4×4 foi pensado para atender a essa demanda com tecnologia e desempenho. Seja no trabalho ou no uso diário”, afirma Alexandre Oliveira, Diretor de Vendas e Desenvolvimento de Rede da GWM Brasil.
O mercado que não para de crescer
O avanço dos veículos eletrificados no ranking geral aponta uma mudança importante no mercado brasileiro. A busca por eficiência, economia e inovação começa a influenciar diretamente a decisão de compra. E essa dinâmica deve intensificar as disputas nos próximos rankings, com competição cada vez mais acirrada entre tecnologias e categorias.
Com BYD dominando os elétricos urbanos, GWM liderando os híbridos e ambas mirando o agronegócio, 2026 promete ser o ano em que a eletrificação dos SUVs deixa de ser tendência para se tornar regra no Brasil.
O Projeto Brotar já avança em áreas rurais de 371 municípios do estado de São Paulo. Com isso, equipes começaram a visitar propriedades e coletar informações diretamente com os moradores.
Por isso, cresce a necessidade de atenção. Antes de responder qualquer pergunta, o morador precisa confirmar se o agente realmente faz parte do projeto.
Visitas acontecem direto nas propriedades
Os recenseadores chegam até as residências para aplicar um formulário sobre saneamento.
Nesse momento, eles fazem perguntas sobre acesso à água, esgoto e estrutura da propriedade. Em seguida, registram tudo de forma digital, o que agiliza o processo e evita erros.
Além disso, essas informações ajudam o governo e as instituições envolvidas a planejar obras e direcionar investimentos com mais precisão.
Como identificar os agentes
Para garantir segurança, os profissionais seguem um padrão claro.
Eles usam colete e boné com a marca do projeto. Além disso, apresentam crachá visível com nome, foto e identificação oficial.
Ao mesmo tempo, utilizam celular ou tablet para registrar os dados. Portanto, se o visitante não apresentar esses itens, o morador deve recusar a entrevista.
Segurança envolve apoio da Polícia Militar
Além das equipes em campo, a operação conta com apoio da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Por isso, as informações circulam em grupos de WhatsApp das comunidades e também em iniciativas como a Vizinhança Solidária. Dessa forma, moradores conseguem confirmar a presença dos agentes com mais facilidade.
Se houver dúvida, a recomendação é simples: verificar antes de fornecer qualquer informação.
Projeto quer ampliar o saneamento rural
O censo segue até dezembro de 2026 e representa o primeiro passo para ampliar o acesso ao saneamento no campo.
A iniciativa pretende levar água e esgoto a mais de 820 mil domicílios que ainda não contam com esse serviço. Além disso, o projeto busca antecipar metas nacionais.
Enquanto o Brasil prevê universalização até 2033, o programa trabalha com a meta de alcançar 2029 nas áreas atendidas.
Levantamento define ações no campo
Com a coleta de dados, o projeto consegue identificar as necessidades específicas de cada propriedade.
Assim, técnicos podem indicar soluções mais adequadas para cada região. Ao mesmo tempo, o planejamento se torna mais eficiente e direcionado.
Dessa forma, o censo não apenas coleta informações, mas também abre caminho para melhorias concretas no dia a dia de quem vive no campo.
Entre 2023 e 2025, as produtoras rurais responderam por 43,2% dos financiamentos concedidos a pessoas físicas pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O programa estadual financia investimentos voltados à modernização das propriedades, ao aumento da produtividade e à geração de renda no campo.
O avanço da presença feminina no crédito rural paulista reforça uma tendência global de maior protagonismo das mulheres na produção de alimentos. Em 2026, a FAO, agência da ONU para Alimentação e Agricultura, declarou o Ano Internacional da Mulher Agricultora, iniciativa que estimula políticas públicas de igualdade no meio rural e reconhece o papel das produtoras na segurança alimentar mundial.
Além das linhas de financiamento, o governo paulista atua com assistência técnica, extensão rural e pesquisa agropecuária para fortalecer a gestão das propriedades e ampliar a renda das famílias rurais. Segundo o secretário de Agricultura, Geraldo Melo Filho, o crédito tem sido uma ferramenta estratégica nesse processo. “O fortalecimento da presença feminina no agro passa por instrumentos concretos de apoio. O crédito rural amplia oportunidades, incentiva investimentos e impulsiona o desenvolvimento econômico das famílias do campo”, afirma.
Entre os destaques das políticas voltadas às produtoras está o FEAP Mulher Agro SP, linha de crédito destinada exclusivamente às mulheres. Desde 2023, o programa já liberou R$ 27 milhões em financiamentos e beneficiou mais de mil agricultoras em várias regiões do estado.
Cada produtora pode contratar até R$ 30 mil, com prazo de pagamento de até 84 meses, carência de 12 meses e juros de 2% ao ano. Os projetos são elaborados e acompanhados por técnicos da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e do ITESP, que orientam a aplicação dos recursos e oferecem suporte na gestão da propriedade.
Para o secretário executivo do FEAP, Felipe Alves, o crédito rural funciona como uma porta de entrada para outros serviços públicos. “O financiamento é muitas vezes o primeiro contato estruturado entre a produtora e a assistência técnica. A partir daí, surgem melhorias na gestão, aumento da produtividade e adoção de boas práticas no campo”, destaca.
Crédito transforma a rotina de produtoras rurais
O impacto do crédito rural aparece em histórias como a da produtora Fernanda Torres da Silva, do município de Cerqueira César. Há cerca de dez anos, ela administra com a família o Sítio São Pedro, de 18 hectares, voltado à bovinocultura leiteira.
Em 2024, Fernanda acessou a linha do FEAP Mulher Agro SP e investiu R$ 25 mil na compra de uma ordenha mecânica. O equipamento modernizou a rotina da propriedade e reduziu o tempo de trabalho. “Antes, eu demorava quase três horas para tirar o leite de 20 vacas. Agora, esse processo leva menos de uma hora. Sobra tempo para cuidar de outras atividades da fazenda”, conta.
Resultados como o de Fernanda demonstram como o crédito à mulher rural vem se consolidando como um instrumento de inclusão produtiva e fortalecimento da liderança feminina no agronegócio paulista.
As chuvas mais volumosas recentes atingiram praticamente todas as regiões cafeeiras do Brasil. Segundo o Cepea, o aumento da umidade trouxe alívio aos produtores de café arábica. Isso porque, após o estresse climático do fim de 2025, a chuva favorece o enchimento dos grãos. Essa fase é decisiva para o bom desenvolvimento da safra de arábica.
Por outro lado, as chuvas intensas geram preocupação entre produtores de café robusta. Os pesquisadores do Cepea destacam impactos negativos no norte do Espírito Santo. Em algumas áreas, talhões ficaram alagados, o que eleva o risco de perdas produtivas. Além disso, a maior umidade pode aumentar a incidência de doenças nas lavouras.
Enquanto isso, os preços do café seguem voláteis no mercado. O Cepea afirma que a instabilidade persiste até estimativas mais precisas da safra atual. Além do clima, o cenário macroeconômico global influencia as cotações. O ambiente cambial também segue impactando os preços internos e externos do café.
O clima favorece a colheita de mandioca neste começo de ano, segundo pesquisadores do Cepea. No entanto, a demanda segue limitada, pois unidades industriais retomam o processamento de forma gradual.
Enquanto isso, os preços da raiz registram apenas pequenas variações no mercado. No segmento de fécula, poucas fecularias retomaram as atividades até o momento.
A maioria das indústrias, porém, se prepara para iniciar os trabalhos a partir desta semana. Além disso, as unidades ativas priorizam entregas de negociações firmadas anteriormente.
Farinha
Já no mercado de farinha, a demanda apresentou leve recuperação neste início de ano. Com isso, um maior número de compradores voltou a atuar no mercado. Segundo o Cepea, as empresas priorizam o cumprimento de contratos da safra anterior. Assim, o setor garante o fluxo das entregas já negociadas.
O plantio de soja da safra 2025/26 segue mais lento que na temporada passada. Segundo pesquisadores do Cepea, as chuvas irregulares explicam o atraso em grande parte do país.
No Sul, o excesso de umidade limita o acesso às lavouras e dificulta o avanço das máquinas. Enquanto isso, no Centro-Oeste e no Matopiba, a falta de chuva adequada reduz o ritmo dos trabalhos.
Além disso, a baixa umidade do solo preocupa produtores e técnicos nas principais regiões produtoras. Nos últimos dias, as chuvas aumentaram no Centro-Oeste e no Matopiba, porém, sem regularização total.
Por outro lado, o Sul registrou redução nos volumes, principalmente no Paraná. Mesmo assim, colaboradores do Cepea relatam incertezas sobre o potencial produtivo da próxima safra.
De acordo com a Conab, 78% da área estava semeada até 22 de novembro. No mesmo período do ano anterior, o índice alcançava 83,3% da área nacional. Com esse cenário, o mercado acompanha com atenção os reflexos do clima sobre a produtividade.
O agronegócio brasileiro vive um novo momento. Mais do que produtividade e escala — atributos historicamente associados ao setor —, a nova fronteira da competitividade passa pela capacidade de utilizar dados de forma inteligente. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta um crescimento de 7,4% no VBP do agronegócio, totalizando uma receita de R$ 1,43 trilhão até o final de 2025. O segmento agrícola deve alcançar R$ 937,55 bilhões, enquanto o valor bruto da produção pecuária deve crescer 9,2%, chegando a R$ 495,13 bilhões.
Os investimentos no setor reforçam essa tendência: R$25,6 bilhões devem ser aplicados em soluções tecnológicas no campo no próximo ano, um aumento de 21% em relação a 2024, segundo projeções da CNA em parceria com o CEPEA-USP. Desse total, cerca de 45% será direcionado a tecnologia de coleta e análise de dados, integração de plataformas e aplicação de inteligência artificial (IA) nas operações agrícolas.
O agronegócio brasileiro já se destaca globalmente pela produtividade e pela escala. Mas o próximo salto competitivo está diretamente ligado à capacidade de transformar dados em decisões mais rápidas e precisas através do uso da Inteligência Artificial.
Além disso, o mercado global de IoT agrícola, por exemplo, deve atingir US$ 20,9 bilhões, impulsionado pela demanda por maior eficiência e sustentabilidade, conforme dados da McKinsey. No Brasil, a conectividade no campo já é tendência consolidada, mas o custo ainda limita a adoção em larga escala.
Impactos reais no campo
A aplicação dessas tecnologias vai além da teoria: ela já gera resultados concretos. Um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), publicado em fevereiro de 2025, aponta que a digitalização nas lavouras monitoradas resultou em um aumento médio de 18,7% na produtividade, além de reduzir em 12,3% o consumo de insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos.
O mesmo levantamento mostra que propriedades com alto grau de digitalização apresentam rentabilidade 23% superior em relação àquelas que operam com modelos tradicionais de gestão. Os produtores estão conseguindo reduzir o uso de insumos e, ao mesmo tempo, aumentar o desempenho das lavouras. Isso se traduz em operações mais sustentáveis, rentáveis e resilientes.
Uma abordagem integrada: antes, dentro e depois da porteira
A verdadeira inovação no agronegócio moderno reside na compreensão de que a digitalização deve abranger toda a cadeia produtiva, não apenas as operações no campo. Essa visão sistêmica divide-se em três frentes principais:
Antes da porteira: nesta etapa, o foco está na digitalização de processos que antecedem a produção, incluindo o desenvolvimento de cultivares com auxílio de inteligência artificial, planejamento estratégico de safras e otimização da cadeia de suprimentos de insumos.
Dentro da porteira: no campo propriamente dito, as tecnologias incluem centros de operações agrícolas (COA), monitoramento de máquinas com telemetria, modelos preditivos para aplicação precisa de insumos e sistemas de visão computacional para detecção precoce de pragas e doenças.
Depois da porteira: esta fase engloba a agroindústria, logística, distribuição e varejo, com soluções como plataformas de e-commerce especializadas, otimização de rotas de transporte, previsão de demanda utilizando machine learning e gestão inteligente de estoques.
Hoje, é fundamental enxergar o agronegócio como um ecossistema integrado. Não adianta digitalizar apenas uma etapa do processo produtivo se as outras continuarem desconectadas. A transformação precisa ser sistêmica para gerar eficiência real. Por isso, é importante contar com clientes e parceiros, principalmente antes e depois da porteira, que levam as melhores soluções em tecnologia aos produtores rurais.
Casos de sucesso demonstram o potencial da tecnologia
Entre os exemplos que confirmam o potencial dessas inovações está a Tereos, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do país. A empresa implementou um Centro de Operações Agroindustriais (COA) para unificar as áreas agrícola e industrial, com apoio da Keyrus, multinacional líder em consultoria de inteligência de dados e transformação de negócios. A estimativa é de economizar R$25 milhões por ano com a iniciativa.
Na Cooperativa Agroindustrial Holambra, a Keyrus apoiou o desenvolvimento de uma plataforma digital voltada à interação com cooperados. O projeto fortaleceu o relacionamento com os produtores e modernizou o acesso a informações sobre produção, crédito e compras de insumos.
Além disso, um dos cases mais avançados envolveu a criação de um sistema de IA generativa voltado à área jurídica de uma grande empresa do setor. Utilizando modelos de linguagem treinados com documentos legais da companhia, a solução permite buscas e consultas automatizadas a contratos complexos, aumentando a produtividade da equipe e reduzindo riscos.
Outro caso emblemático é o de uma grande companhia do setor que enfrentava gargalos na gestão de contratos com fornecedores. A solução envolveu a implementação de um pipeline automatizado de dados — um fluxo digital para organizar e processar informações — combinado com o uso de modelos de linguagem natural (LLMs), semelhantes ao ChatGPT, adaptados ao vocabulário jurídico da empresa. O sistema permite consultas conversacionais instantâneas a documentos complexos, economizando horas de trabalho manual.
Essa transformação na gestão contratual mostra como a inteligência artificial pode ser aplicada em frentes diversas — de tarefas simples, como um assistente virtual, até sistemas avançados capazes de analisar imagens em tempo real para detectar pragas no campo.
Perspectivas e desafios até 2030
Segundo uma pesquisa da McKinsey & Company, divulgada em abril de 2025, o mercado brasileiro de tecnologias agrícolas deve movimentar R$ 42 bilhões até 2030. Apesar dos avanços, a digitalização no campo ainda esbarra em gargalos importantes, sendo o principal deles a conectividade em áreas remotas. Infelizmente, ainda existem produtores com sensores de última geração, mas sem sinal de internet estável, fazendo com que a entrega do valor pleno da tecnologia trave.
No entanto, para contornar as limitações, será necessário adotar soluções que funcionem parcialmente offline, sincronizando dados assim que o sinal retorna. Outro ponto de atenção é a maturidade digital das equipes. Mais do que tecnologia, é preciso formar profissionais capazes de interpretá-la, por isso, as organizações precisarão investir em treinamentos, programas de capacitação e soluções com interfaces intuitivas, porque a transformação digital também é uma transformação humana.
A margem para decisões baseadas apenas na intuição ou na experiência está diminuindo. Entramos em uma era em que a capacidade analítica definirá o sucesso ou o fracasso das operações agrícolas. E isso vale para pequenos, médios e grandes empresas do agronegócio.
Rodrigo Cruz
*Por Rodrigo Cruz é Vice-presidente de Estratégia de Crescimento e Inovação de Portfólio da Keyrus no Brasil
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.
A participação da LiuGong na 30ª edição da Agrishow, encerrada na última sexta-feira (3), consolidou-se como a mais bem-sucedida da história da empresa no Brasil. Pela terceira vez consecutiva na principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, a multinacional chinesa de equipamentos pesados apresentou 14 novos produtos, com destaque para a pá carregadeira elétrica 856H‑E Sugar Cane, projetada especialmente para o setor sucroenergético. Ao final dos cinco dias de evento, a LiuGong registrou um aumento de 90% nas vendas em relação ao ano anterior — mais do que o dobro da meta inicial de crescimento, fixada em 40%.
Segundo o vice-presidente da LiuGong Brasil, Hebert Francisco, a feira marcou um ponto de virada na aceitação do portfólio da marca pelo mercado brasileiro. “Esta Agrishow ficará marcada em nossa trajetória. O público abraçou nossas soluções elétricas para o agro, que incluem carregadeiras, miniescavadeiras, plataformas elevatórias e empilhadeiras de emissão zero. Recebemos antigos clientes que voltaram para relatar resultados positivos e ampliar suas frotas, além de novos parceiros dispostos a cocriar tecnologia conosco”, afirmou.
Equipamentos elétricos ganham protagonismo na estratégia da marca
Entre os principais destaques apresentados, a pá carregadeira elétrica 856H‑E Sugar Cane foi desenvolvida especificamente para as necessidades das usinas de cana-de-açúcar. O equipamento é equipado com bateria CATL de 350 kWh, que pode ser totalmente recarregada em apenas uma hora e vinte minutos. Com capacidade de carga de 5.800 kg e caçamba de nove metros cúbicos, a máquina entrega alta produtividade aliada a emissão zero de carbono e menor custo operacional.
O portfólio exposto na Agrishow 2025 também incluiu a nova carregadeira 848T Sugar Cane, otimizada para movimentação de biomassa, cavaco de madeira e bagaço de cana. Outros lançamentos envolveram miniescavadeiras — como a elétrica 9027FE e a versão a diesel 906F —, a escavadeira hidráulica 918F, a escavadeira de rodas W915E, empilhadeiras de 2,5 a 3,5 toneladas (elétricas e a combustão), além de plataformas elevatórias articuladas e do tipo tesoura, todas com baterias de íons de lítio.
Inovação também passa pela conectividade e suporte técnico
Outro destaque da LiuGong na feira foi o sistema de telemetria iLink, que permite o monitoramento em tempo real de equipamentos e frotas. A tecnologia fornece dados para gestão proativa das operações, com alertas preventivos de manutenção, redução do tempo médio de reparo (MTTR) e integração direta com os 12 distribuidores autorizados da marca no Brasil. Essa abordagem tem como foco ampliar o suporte técnico especializado e a eficiência na assistência pós-venda.
Relacionamento com o cliente e visão de futuro
Durante a Agrishow, o estande da LiuGong – localizado no espaço H15A – recebeu um fluxo constante de visitantes interessados nas inovações tecnológicas para o agronegócio. Clientes que adquiriram máquinas nos últimos dois anos voltaram para relatar o desempenho positivo dos equipamentos em campo. Asssim, fortalecendo o relacionamento com a marca e evidenciando a crescente demanda por soluções de menor impacto ambiental.
Foto: divulgação
De acordo com Hebert Francisco, a participação da LiuGong na Agrishow 2025 reforça o compromisso da empresa em acelerar a transição energética no setor agroindustrial brasileiro. “Ficou claro que inovação, sustentabilidade e parceria caminham juntas. A resposta da feira nos motiva a investir ainda mais em pesquisa e desenvolvimento. Sempre entregando soluções ajustadas às exigências do campo e buscando novos patamares de eficiência e rentabilidade para nossos clientes.”
Estratégia global até 2030
A LiuGong tem como meta, até 2030, ampliar seu portfólio de equipamentos elétricos e autônomos. Porém, mantendo como prioridade a sustentabilidade e o suporte técnico de excelência. A presença da marca na Agrishow 2025 confirma essa direção. E sinaliza ao mercado brasileiro que a eletrificação do campo é uma realidade crescente e viável.
Durante coletiva de imprensa na Agrishow 2025, a TIM destacou seu protagonismo na conectividade rural e apresentou novas soluções tecnológicas voltadas ao agronegócio. Em sua sexta participação consecutiva na feira, a operadora reforçou o posicionamento do TIM IoT Solutions, sua frente de inovação para o setor.
“Estamos habilitando a transformação digital no agro”, afirmou Alexandre Dal Forno, diretor de desenvolvimento de mercado da TIM. Segundo ele, o novo foco da empresa visa proporcionar acessibilidade e simplicidade por meio de uma rede pública 4G em 700MHz, aberta e eficiente para o campo.
Cobertura robusta e novas parcerias
Dal Forno apresentou os dados que consolidam a TIM como líder em cobertura no Brasil: todas as 5.570 cidades possuem 4G da operadora, sendo 5.286 com frequência de 700MHz (95%), 5.167 com cobertura NB-IoT (93%) e mais de 700 cidades com 5G, alcançando 70% da população urbana. No meio rural, os números também impressionam:
Mais de 20 milhões de hectares com 4G e 43 milhões com NB-IoT
Quase 2 milhões de pessoas conectadas no campo
306 mil propriedades rurais cobertas
5.600 km de rodovias com cobertura 4G
141 Unidades Básicas de Saúde e 437 escolas públicas em áreas rurais atendidas
A meta é atingir 26 milhões de hectares conectados até o final de 2025
Alexandre Dal Forno, diretor de desenvolvimento de mercado da TIM Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Para fortalecer o relacionamento com os produtores rurais, a TIM investiu em um time de especialistas em agro, liderado por Leonardo Belotti, diretor de vendas IoT & SG. “São profissionais que vieram do agro e falam a língua do produtor”, explicou Dal Forno.
Entre os destaques da feira, está a parceria com a Pedra Agroindustrial, empresa que agora conta com mais de 1 milhão de hectares conectados com 4G, sendo 250 mil hectares de área produtiva, 3 usinas, uma fazenda de pecuária e soja, e mais de 4,5 mil máquinas e equipamentos conectados. Os resultados dessa integração incluem:
37 mil pessoas conectadas
4 mil propriedades rurais cobertas
4 UBSs e 9 escolas públicas atendidas em áreas rurais
Soluções inéditas para o produtor rural
A TIM aproveitou a Agrishow para lançar duas novas soluções tecnológicas em parceria com empresas do agro:
SmartBio Pragas, da SmartBreeder – solução que permite ao produtor prever e controlar infestações com mais eficiência, unindo sustentabilidade e inovação ao manejo agrícola.
Parceria com a Orbia – um programa que permite ao produtor trocar pontos acumulados na plataforma por conectividade TIM. A proposta traz economia, facilidade de acesso e aumento da eficiência operacional nas propriedades.
“Estamos cada vez mais próximos do produtor rural e comprometidos em entregar soluções que levem conectividade para além do acesso: queremos promover desenvolvimento, educação, saúde e produtividade”, concluiu Dal Forno.