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  • Seca ameaça segunda safra de milho no Centro-Oeste

    Seca ameaça segunda safra de milho no Centro-Oeste

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê seca mais intensa nas regiões centrais entre julho e setembro. Como resultado, a segunda safra de milho e as pastagens podem sofrer impactos. Ao mesmo tempo, o instituto espera chuvas fortes no centro e norte da Região Norte, na Região Sul e no litoral nordestino. Essas áreas devem manter boa disponibilidade de água no solo.

    O Boletim Agroclimatológico também analisa a influência do El Niño e das temperaturas do Atlântico. Além disso, o estudo avalia os reflexos sobre milho, feijão, algodão e pastagens.

    Norte terá menos chuva e temperaturas mais altas

    O Inmet prevê precipitações abaixo da média em grande parte da Região Norte. No norte do Amazonas, o déficit pode alcançar 100 milímetros. Além disso, as temperaturas devem superar a média histórica. As anomalias podem atingir até 2°C no Amazonas, Acre, Pará, Roraima, Tocantins e norte de Rondônia. Esse cenário favorece a redução dos níveis dos rios. Também aumenta o risco de incêndios e queimadas.

    Apesar disso, a boa reserva de água no solo beneficia o milho segunda safra e o sorgo. As lavouras estão em maturação e colheita. Segundo o Inmet, o clima seco reduz a umidade dos grãos. Além disso, amplia as janelas de colheita e preserva a qualidade da produção.

    Entretanto, setembro pode trazer dificuldades para lavouras tardias de milho e pastagens. Tocantins, Amapá e sudeste do Pará concentram maior preocupação. Nessas áreas, o déficit hídrico poderá atingir 130 milímetros.

    Chuvas irregulares já reduziram a umidade do solo

    Em junho, as chuvas ficaram concentradas no norte da Região Norte, litoral nordestino e parte da Região Sul. Essas regiões registraram acumulados superiores a 150 milímetros. Além disso, mantiveram armazenamento de água acima de 70% da capacidade disponível. As condições favoreceram o desenvolvimento do milho segunda safra e do feijão durante o enchimento dos grãos.

    Por outro lado, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Tocantins receberam menos de 40 milímetros de chuva. O mesmo ocorreu no norte de Minas Gerais, Espírito Santo, interior nordestino, sul do Pará e Rondônia. Além disso, o sudeste do Pará apresenta armazenamento de água inferior a 15% da capacidade disponível. Segundo o boletim, essa situação deve piorar nos próximos meses. Como consequência, as pastagens perderão vigor e poderão afetar os rebanhos.

    No Centro-Oeste, a baixa umidade favorece a maturação do algodão. Porém, aumenta o risco de perdas na segunda safra de milho. Esse cenário também pode elevar os custos da proteína animal no segundo semestre.

    Sul favorece milho, mas aumenta risco de doenças

    No Paraná, as chuvas favoreceram o desenvolvimento das lavouras de milho. As culturas de inverno também apresentam bom desempenho. No entanto, as chuvas frequentes elevam o risco de doenças fúngicas.

    Segundo o Inmet, os produtores precisam intensificar o monitoramento fitossanitário. O cuidado é ainda mais importante nas lavouras mais avançadas. Além disso, as chuvas reduzem as janelas para fertilização e aplicação de defensivos agrícolas.

    Entre julho e setembro, o norte do Rio Grande do Sul e o sul de Santa Catarina devem registrar volumes superiores a 150 milímetros.

    Nordeste exige atenção ao milho e ao feijão

    O Nordeste continuará com temperaturas acima da média histórica. Em algumas áreas, os desvios podem alcançar 2°C. A faixa litorânea deve manter boa umidade. Os Distúrbios Ondulatórios de Leste continuarão favorecendo as chuvas. Entretanto, agosto intensificará o déficit hídrico no oeste da Bahia e no interior da Paraíba e Pernambuco. Em setembro, o déficit poderá superar 100 milímetros em grande parte do interior nordestino.

    Segundo o Inmet, o cenário exige atenção às lavouras de milho e feijão de terceira safra cultivadas em sistema de sequeiro. O aumento da evapotranspiração pode comprometer a floração, a formação de vagens e o enchimento dos grãos. O risco é maior no semiárido oriental e na região do Sealba, formada por Sergipe, Alagoas e leste da Bahia. Enquanto isso, o algodão deve ganhar qualidade. Em contrapartida, as pastagens tendem a perder produtividade.

    Centro-Oeste deve concluir colheita com clima seco

    O Centro-Oeste terá temperaturas cerca de 2°C acima da média histórica. As chuvas registradas no primeiro semestre favorecem boa colheita de milho, sorgo e algodão. Além disso, o clima seco deve acelerar a conclusão da colheita e preparar as áreas para a próxima safra.

    No Pantanal, o inverno deve permanecer equilibrado. Já o norte de Mato Grosso e o nordeste de Goiás podem enfrentar déficit hídrico.

    Sudeste terá pressão sobre reservatórios

    O Sudeste deve manter volumes de chuva próximos da média histórica. Entretanto, Espírito Santo e nordeste de Minas Gerais podem registrar déficit hídrico. As temperaturas devem permanecer cerca de 1°C acima da média.

    O cenário favorece a cafeicultura, as hortaliças e as culturas irrigadas de inverno. Por outro lado, a demanda por água deve aumentar. Assim, os reservatórios podem sofrer maior pressão.

    El Niño continuará influenciando o clima

    O Inmet afirma que o El Niño seguirá influenciando o clima brasileiro até fevereiro de 2027. O fenômeno favorece chuvas na Região Sul. Além disso, altera o comportamento climático em outras partes do mundo.

    Já o Atlântico Tropical deve permanecer em condição de neutralidade durante os próximos meses.

  • Geada, seca ou chuva: o que ameaça a próxima safra brasileira?

    Geada, seca ou chuva: o que ameaça a próxima safra brasileira?

    A próxima safra brasileira começa a ser desenhada muito antes do plantio. Enquanto produtores acompanham preços, crédito e mercado internacional, são as condições climáticas que podem determinar o sucesso ou  fracasso da produção.

    Neste momento, especialistas apontam os três fatores de atenção para o campo. Eles alertam para geadas durante o inverno, períodos de estiagem e o excesso de chuvas em algumas regiões do país.

    Geadas

    As geadas costumam ser a principal preocupação entre maio e setembro nas regiões Sul, Sudeste e em áreas de maior altitude do Centro-Oeste. Segundo estudos agrometeorológicos, culturas como café, cana-de-açúcar, hortaliças e frutas podem sofrer danos quando as temperaturas atingem níveis críticos, especialmente em estágios mais sensíveis do desenvolvimento das plantas.

    De acordo com pesquisadores e serviços de monitoramento climático, o risco não está apenas na ocorrência do fenômeno, mas também na sua intensidade. Geadas moderadas e fortes podem provocar perdas significativas de produtividade, além de comprometer a qualidade dos produtos destinados à exportação. Ferramentas de monitoramento e alerta vêm sendo utilizadas para permitir que agricultores adotem medidas preventivas com antecedência.

    Chuvas

    Outro fator que preocupa o setor é a irregularidade das chuvas. Nos últimos anos, a agricultura brasileira tem enfrentado alternância entre períodos prolongados de estiagem e episódios de precipitação excessiva.

    Seca

    A falta de água reduz o potencial produtivo de culturas como soja, milho e feijão, enquanto o excesso de chuva dificulta operações de plantio e colheita, favorece doenças e pode comprometer a qualidade dos grãos.

    O monitoramento realizado por instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e centros estaduais de meteorologia tem mostrado que a variabilidade climática continua sendo um dos principais desafios para o agronegócio brasileiro. A disponibilidade de dados em tempo real e modelos de previsão tem se tornado cada vez mais importante para a tomada de decisão nas propriedades rurais.

    Café

    No caso do café, uma das culturas mais sensíveis ao frio, a atenção aumenta nesta época do ano. Históricos de grandes geadas mostram que eventos extremos podem provocar impactos duradouros na produção e nos preços do mercado. Técnicos recomendam o acompanhamento constante dos alertas meteorológicos e a adoção de práticas de manejo que reduzam os riscos climáticos.

    Embora ainda seja cedo para prever o comportamento completo da próxima safra, a combinação entre frio intenso, chuvas irregulares e possíveis períodos de seca já coloca o clima no centro das preocupações do campo.

    Em um país que responde por parcela significativa da produção mundial de alimentos, cada frente fria, cada semana sem chuva e cada evento extremo pode influenciar não apenas a renda do produtor, mas também o abastecimento e os preços dos alimentos.

     

  • Consumo de fertilizantes sobe 9,3% e bioinsumos avançam no agro brasileiro

    Consumo de fertilizantes sobe 9,3% e bioinsumos avançam no agro brasileiro

    O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com avanço expressivo no uso de fertilizantes e forte expansão dos bioinsumos, consolidando uma mudança estrutural na gestão de insumos agrícolas. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) mostram que o consumo de fertilizantes alcançou 35,86 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, alta de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024.

    O desempenho mantém o Brasil como o quarto maior mercado global de fertilizantes, atrás de China, Índia e Estados Unidos, respondendo por cerca de 8% da demanda mundial.

    A expansão acompanha o crescimento da produção agrícola. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra de grãos atingiu 346,1 milhões de toneladas em 2025, ante 292,5 milhões no ano anterior. Soja, milho e cana-de-açúcar concentram mais de 70% do consumo de fertilizantes, refletindo o peso dessas culturas na produção nacional.

    O aumento da demanda também elevou as importações, que somaram 43,32 milhões de toneladas no ano. Esse cenário evidencia a dependência externa do setor e pressiona produtores a buscar alternativas que aumentem a eficiência no uso dos insumos.

    Bioinsumos

    Nesse contexto, os bioinsumos ganham espaço no campo. O mercado movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025 e atingiu 194 milhões de hectares tratados, crescimento de 28% em relação ao ano anterior, segundo a CropLife Brasil.

    Os inoculantes lideram a adoção, com presença em 77 milhões de hectares. Compostos por bactérias fixadoras de nitrogênio, esses produtos reduzem a necessidade de adubação nitrogenada e contribuem para sistemas produtivos com menor emissão de carbono. Já os bionematicidas registraram o maior avanço, com crescimento de 60% na área tratada entre 2024 e 2025.

    Especialistas apontam que os bioinsumos deixaram de ocupar papel complementar e passaram a integrar a estratégia produtiva. A adoção reflete tanto a evolução tecnológica quanto a busca por redução de custos em um cenário de crédito mais restrito e margens pressionadas.

    Segundo Fellipe Parreira, da GIROAgro, a dependência de insumos importados expõe o produtor às oscilações geopolíticas e cambiais. “Os bioinsumos mudam essa equação porque são desenvolvidos no país e reduzem a exposição ao mercado externo”, afirma.

    Ele destaca que o ganho econômico também impulsiona a adoção. “Tecnologias biológicas aumentam a eficiência do sistema produtivo, como bactérias que fixam nitrogênio e soluções que ampliam a disponibilidade de fósforo no solo. No entanto, o melhor resultado vem do equilíbrio entre insumos químicos e biológicos”, explica.

  • Do gramado ao campo: os astros do futebol que investem em fazendas e vinícolas

    Do gramado ao campo: os astros do futebol que investem em fazendas e vinícolas

    Eles conquistaram Copas do Mundo, encheram estádios e emocionaram torcidas em quatro continentes. Hoje, longe dos gramados, um novo tipo de terreno ocupa as atenções de vários craques. Andrés Iniesta, Gabriel Batistuta, Edinson Cavani, David Beckham, Hernanes, Taffarel, Pelé e Arturo Vidal agora tem um pé no agronegócio. De vinhedos premiados na Europa a fazendas imensas na América do Sul, esses ex-jogadores transformaram a paixão pelo campo em negócios sólidos e provam que o talento vai muito além da bola.

    E não são apenas os craques que vestiram chuteiras. O narrador esportivo Galvão Bueno, voz de incontáveis Copas do Mundo pela TV brasileira, também entrou de cabeça nesse universo. Confira quem são eles e o que constroem fora dos gramados.

    Andrés Iniesta: o herói de 2010 que comanda 300 hectares na Espanha

    Autor do gol que deu à Espanha o título da Copa do Mundo de 2010, Iniesta transformou sua cidade natal em destino obrigatório para apreciadores de vinho. O ex-meia do Barcelona comanda a Bodega Andrés Iniesta, vinícola familiar em Fuentealbilla, com 300 hectares e 14 variedades de uvas. A produção anual ultrapassa 1 milhão de garrafas, entre espumantes e vinhos branco, tinto e rosé.

    Reprodução: Redes Sociais

    A operação conta com tecnologia de ponta. E já acumula mais de 200 medalhas em competições internacionais como o Bacchus International Wine Competition, o Concours Mondial de Bruxelles e o Concours Mondial du Sauvignon, desde 2011. O jornal espanhol El Debate destacou a vinícola como a grande revelação de 2025, após o empreendimento conquistar 24 prêmios dentro da Denominação de Origem Manchuela.

    Gabriel Batistuta: o artilheiro que agora produz soja em 20 mil hectares

    Artilheiro histórico da seleção argentina, posto que só perdeu para Lionel Messi, Batistuta disputou três Copas do Mundo (1994, 1998 e 2002) e construiu uma das carreiras mais marcantes da história do futebol sul-americano. Fora das quatro linhas, ele dirige uma fazenda de 20 mil hectares na província de Santa Fé, a 450 quilômetros de Buenos Aires, onde produz soja, milho e girassol e atua na pecuária.

    Reprodução: Redes Sociais

    O ex-atacante participa ativamente de eventos do setor e já defendeu publicamente a importância do agronegócio para a economia argentina.

    Edinson Cavani: do Boca Juniors para a fazenda em Salto

    Cavani não esconde o amor pela vida no campo. Quando não está defendendo o Boca Juniors, o atacante uruguaio que jogou as Copas de 2010, 2014 e 2022 se refugia na propriedade rural que mantém em Salto, cidade a 500 quilômetros de Montevidéu. Durante a pandemia de Covid-19, o jogador passou semanas em isolamento com a família no local.

    Reprodução: Redes Sociais

    Em abril de 2024, Cavani expandiu sua presença no setor e lançou a marca Cavani Wines, linha de rótulos desenvolvida em parceria com duas vinícolas tradicionais do Uruguai e estampada com sua própria silhueta.

    David Beckham: galinhas raras, mel e hortaliças orgânicas nos Cotswolds

    Além de ser um dos proprietários do Inter Miami, clube que tem Lionel Messi como estrela, o ex-camisa 7 da seleção inglesa em três Copas do Mundo (1998, 2002 e 2006) mantém uma fazenda ativa na região de Cotswolds, no Reino Unido. Pelas redes sociais, Beckham compartilha a criação de galinhas, o cultivo de hortaliças orgânicas e a produção de mel.

    Reprodução: Redes Sociais

    A ligação com o campo ganhou destaque quando ele celebrou o Dia Mundial das Abelhas com uma publicação sobre a importância dos insetos para o meio ambiente. Outro momento que viralizou: a esposa Victoria presenteou o marido, no aniversário de 51 anos, com seis galinhas de raças raras.

    Hernanes: o Profeta que trocou os gramados pelos vinhedos do Piemonte

    Campeão da Copa das Confederações de 2013 e convocado por Luiz Felipe Scolari para a Copa do Mundo de 2014, Hernanes escolheu a Itália para construir seu projeto fora do futebol. O ex-meia adquiriu uma propriedade na região de Piemonte, no noroeste italiano. E lá administra a Ca’ Del Profeta, empreendimento que reúne vinícola, restaurante e espaço de hospedagem.

    Reprodução: Redes Sociais

    O nome do projeto faz referência direta ao apelido que Hernanes carregou ao longo da carreira. “Seu proprietário é um nome de destaque no mundo esportivo, o jogador de futebol Hernanes, que se apaixonou por esta região a ponto de decidir construir sua própria casa aqui. Daí o projeto que, por meio de diversas modificações, assumiu sua forma atual. Não é por acaso que o nome Cà del Profeta vem do apelido pelo qual ele é conhecido, o Profeta”, descreve a apresentação da marca.

    Taffarel: do tetra à importação de vinhos italianos

    Goleiro titular do Brasil tetracampeão em 1994 e atualmente preparador de goleiros na comissão técnica de Carlo Ancelotti, Taffarel também encontrou no universo do vinho um novo campo de atuação. Ao lado da esposa Andrea e do filho Cláudio, ele comanda a Italy Import, importadora de vinhos sediada em Porto Alegre, com rótulos que variam de R$ 99 a R$ 3,6 mil.

    Reprodução: Redes Sociais

    A conexão com a bebida nasceu durante os anos que o ex-goleiro passou jogando na Itália. “Depois de viver na Itália por tantos anos e conhecer de perto a cultura, os vinhos e os produtores, nos pareceu que trabalhar no Brasil com produtos italianos de qualidade seria uma atividade que realizaríamos com prazer e naturalidade”, escreveu Taffarel no site da empresa.

    Pelé: o Rei do Futebol que construiu um império rural em São Paulo

    Tricampeão mundial com a seleção brasileira nas Copas de 1958, 1962 e 1970 e amplamente considerado o maior jogador de todos os tempos, Pelé também escreveu um capítulo importante no agronegócio. Em meados da década de 1960, sob inspiração de seu pai Dondinho, ele adquiriu um pequeno sítio entre os municípios de Registro e Juquiá, no Vale do Ribeira, em São Paulo.

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    A propriedade, batizada de “Sossego”, rapidamente deixou de ser apenas um refúgio e se tornou um centro de atividades econômicas. Pelé desenvolveu uma operação robusta de criação de gado, peixes e suínos, transformando a fazenda em modelo de negócio na região. Com 661 hectares, dos quais 370 destinados à criação de animais, a fazenda também produzia banana e palmito.

    Após a morte de Pelé, em dezembro de 2022, a propriedade foi colocada à venda por R$ 35 milhões. Carregando não só valor imobiliário, mas também um profundo legado histórico e emocional.

    Arturo Vidal: o guerreiro chileno que ergueu um haras do zero

    Peça-chave da “Geração de Ouro” do Chile nas Copas de 2010 e 2014, e ídolo de clubes como Juventus, Bayern de Munique e Barcelona, Arturo Vidal construiu fora dos gramados um negócio tão combativo quanto seu estilo de jogo.

    Apaixonado por cavalos desde criança, Vidal ergueu do zero o Haras Il Campione em San Clemente, cidade na região de Maule, a 300 quilômetros de Santiago, em um terreno de 50 hectares. O projeto nasceu em parceria com seu primo Carlos Aliaga. “Era o sonho que Arturo sempre teve quando criança. Criar os próprios cavalos e depois vê-los correndo”, contou o primo ao jornal Las Últimas Notícias. “Quando compramos o terreno, era milho puro. Era preciso limpar, trabalhar a terra e fazer toda a construção de um haras do zero.”

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    O investimento se provou lucrativo. O cavalo Il Campione venceu várias competições e rendeu mais de US$ 210 milhões de pesos chilenos em prêmios, cerca de R$ 1,2 milhão. Sendo depois vendido por um valor estimado em US$ 2 milhões.

    Galvão Bueno: a voz das Copas que virou um dos maiores produtores de vinho do Brasil

    Narrador das Copas do Mundo pela TV brasileira por décadas, Galvão Bueno administra um empreendimento vitivinícola de 100 hectares no município de Candiota, na região sul do Rio Grande do Sul. A propriedade, chamada Bellavista Estate, cultiva variedades como Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Sauvignon Blanc e Chardonnay.

    O projeto começou em 2010 com o lançamento do rótulo Bueno Paralelo 31 e cresceu rapidamente. A produção hoje inclui 13 vinhos, sendo dez tintos, dois brancos e um rosé, além de quatro espumantes. Em 2019, um dos seus vinhos recebeu o título de melhor Pinot Noir do país em competição nacional.

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    A produção da Bellavista Estate opera sob a supervisão do renomado winemaker italiano Roberto Cipresso, considerado um dos melhores enólogos da Itália. Além da vitivinicultura, a propriedade também produz azeite com três variedades de oliveiras. E mantém criações de gado Hereford, da raça Crioula e um dos maiores plantéis de gado Angus do Brasil.

    O agronegócio, portanto, não é apenas uma distração para esses nomes do futebol: é uma segunda carreira construída com a mesma seriedade com que disputaram Copas do Mundo. Do vinhedo ao pasto, eles mostram que o jogo continua, só que em outro campo.

  • Põe mais água no feijão: entenda a alta de preço

    Põe mais água no feijão: entenda a alta de preço

    Os preços do feijão seguiram em alta na primeira quinzena de maio. O movimento atingiu o carioca e o preto. Segundo o Cepea, a oferta restrita sustentou as valorizações no mercado brasileiro.

    Além disso, as incertezas climáticas aumentaram a cautela entre produtores e compradores, principalmente na região Sul do País.

    Reflexo para o consumidor

    O Centro de Pesquisas informou que a alta no campo chegou gradualmente ao consumidor nas últimas semanas. Ao mesmo tempo, agentes do setor monitoram possíveis impactos das geadas sobre as lavouras de feijão.

    De acordo com o Cepea, as cotações do feijão carioca e preto avançaram em diversas regiões produtoras. A demanda permaneceu concentrada no Paraná devido ao atual ritmo da colheita estadual. Parte dos grãos colhidos apresentou elevada umidade e precisou passar por secadores antes da comercialização.

    As geadas registradas no início da semana reforçaram a restrição da oferta. As ocorrências atingiram principalmente áreas de baixada no Sul do Brasil. No entanto, técnicos ainda avaliam os impactos climáticos sobre a produtividade das lavouras.

     

  • Você sabe por que o milho tem “cabelo”?

    Você sabe por que o milho tem “cabelo”?

    Quem olha rápido para uma espiga de milho pode até achar que aqueles fios dourados são apenas uma camada incômoda antes do preparo. Mas é justamente ali que acontece uma das etapas mais importantes da produção.

    https://youtube.com/shorts/fAmsEiJp3Vw?si=zTKUYadcn5J2OpSM

    O chamado “cabelo” do milho, conhecido tecnicamente como estigma ou seda, funciona como a parte feminina da planta. Na prática, isso significa que uma espiga só consegue formar um grão quando aquele fio específico recebe o pólen vindo do pendão, a estrutura masculina localizada no topo da planta.

    Um fio pode definir produtividade

    O processo parece simples, mas é extremamente sensível. O pólen cai sobre o cabelo do milho e percorre o interior do fio até alcançar o óvulo na espiga. A partir daí, ocorre a fecundação que origina o grão.

    É por isso que falhas na polinização costumam aparecer diretamente na espiga, deixando espaços vazios entre os grãos. Em muitos casos, calor excessivo, estiagem ou baixa emissão de pólen comprometem essa etapa silenciosa da lavoura.

    Além disso, a quantidade de cabelos visíveis também serve como um indicativo do potencial produtivo da espiga. Quanto mais fios férteis e bem polinizados, maior a chance de uma formação completa de grãos.

    Também está nos chás e receitas

    Apesar de quase sempre ir para o lixo, o cabelo do milho também tem modos de uso variados. Em várias regiões, ele é utilizado em chás e preparos caseiros por conta das propriedades associadas à ação diurética, antioxidante e anti-inflamatória.

    Além dos usos medicinais populares, algumas receitas incorporam a seda em saladas, caldos e sopas. Ainda assim, a maior importância continua ligada ao desenvolvimento da planta.

  • Soja mantém preços firmes com demanda aquecida

    Soja mantém preços firmes com demanda aquecida

    Mesmo com safra recorde estimada em 180 milhões de toneladas, a soja mantém preços firmes no Brasil. A demanda interna e externa sustenta o mercado, enquanto derivados avançam e reforçam as cotações. Além disso, o Cepea aponta fatores externos que influenciam os preços.

    No cenário internacional, o conflito no Oriente Médio pressiona o petróleo e eleva a competitividade do biodiesel. Esse movimento aumenta a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.

    Trabalho no campo

    No campo, a colheita alcança 92,1% da área, segundo a Conab. Apesar disso, regiões apresentam ritmos distintos e refletem condições climáticas variadas.

    No Sul, Santa Catarina atinge 71%, enquanto o Rio Grande do Sul chega a 65%. Ambos os estados registram desempenho inferior ao mesmo período do ano passado.

    No Matopiba, o avanço segue irregular entre os estados produtores. Tocantins quase conclui a colheita, com 98% da área finalizada.

    Por outro lado, Maranhão registra 65% e Bahia alcança 90%, ambos com atraso anual. No Piauí, a colheita atinge 96% e mantém ritmo próximo ao observado em 2025.

    Na Argentina, chuvas pontuais interrompem a colheita e mantêm o ritmo irregular. Nos Estados Unidos, chuvas recentes aliviam o clima, mas limitam temporariamente o trabalho no campo. Ainda assim, o plantio atinge 23% da área prevista até 26 de abril. O percentual supera o registrado no ano passado e a média dos últimos cinco anos.

    Milho

    No mercado de milho, a liquidez segue limitada nas principais regiões produtoras do Brasil. Compradores priorizam estoques já adquiridos e acompanham o avanço da safra de verão. Ao mesmo tempo, vendedores restringem a oferta e demonstram cautela diante da irregularidade climática.

    Nesse cenário, os preços registram leves ajustes conforme condições regionais de oferta e demanda. Em São Paulo, cotações sobem levemente, impulsionadas pela menor disponibilidade de vendedores. Por outro lado, Sul e Centro-Oeste apresentam quedas nos preços do cereal.

    A pressão vem do avanço da colheita no Sul e dos elevados estoques disponíveis. Além disso, a safra robusta de soja no Centro-Oeste amplia a necessidade de negociação do milho. Esse contexto leva produtores a comercializar o cereal, mesmo com preços relativamente estáveis

  • Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Você pega o pacote de arroz para cozinhar e encontra aquela farinha fina acumulada no fundo. Ou, pior ainda, avista pequenos insetos se movimentando entre os grãos. É uma cena familiar para boa parte das famílias brasileiras, e a reação imediata costuma ser jogar tudo fora com repulsa. Mas a situação é mais complexa do que parece, e a resposta para a pergunta que todo mundo já fez, “caruncho faz mal?”, depende de alguns fatores que vale conhecer antes de tomar qualquer decisão.

    De onde vem o caruncho e por que ele aparece nos grãos

    Antes de qualquer coisa, é preciso derrubar um equívoco comum: o caruncho não nasce necessariamente por descuido do consumidor. Segundo a agrônoma e professora Cristina Schetino Bastos, da Universidade de Brasília, o ciclo da infestação pode começar ainda na lavoura, durante a colheita, e seguir por todas as etapas, incluindo transporte, beneficiamento e armazenamento. Ou seja, o inseto pode chegar à despensa de casa dentro do próprio pacote lacrado.

    O nome “caruncho” é, na verdade, um termo genérico. A professora explica que ele designa popularmente mais de uma espécie de besouro que infesta produtos armazenados, com destaque para o Sitophilus zeamais, um besouro pequeno também conhecido como bicudo. Essa espécie é especialmente problemática porque tem alta capacidade de sobrevivência e consegue perfurar grãos intactos, o que dificulta o controle ao longo de toda a cadeia produtiva.

    Os insetos se associam principalmente a arroz, milho e trigo e, por consequência, a derivados como macarrão e farinhas. E as condições do ambiente doméstico podem acelerar a proliferação: umidade moderada e temperaturas favoráveis criam o cenário ideal para o desenvolvimento dos insetos, enquanto ambientes muito secos ou com temperaturas extremas dificultam sua sobrevivência.

    Freezer, recipientes de vidro e atenção à mistura de alimentos novos com antigos estão entre as medidas mais eficazes para manter caruncho longe — (Foto: Tomasz Klejdysz/Getty Imagens)

    Comer alimento com caruncho faz mal?

    Aqui está a resposta que a maioria das pessoas busca, e ela é menos alarmante do que o estômago sugere no momento do susto. De acordo com a nutricionista Fabiana Ximenes, o consumo acidental desses insetos geralmente não representa um risco grave à saúde. No entanto, podem ocorrer sintomas gastrointestinais leves como náuseas, desconforto abdominal e diarreia, especialmente em pessoas mais sensíveis ou com imunidade baixa.

    Um fator importante nessa equação é o preparo do alimento. O risco é maior quando o alimento contaminado é consumido cru, já que o cozimento tende a eliminar os insetos. Ainda assim, especialistas alertam que confiar apenas no cozimento não é a melhor estratégia. Sinais mais graves de deterioração do produto precisam ser observados antes de qualquer decisão de aproveitamento.

    Grãos empelotados, cheiro alterado e presença de teias indicam que o alimento deve ser descartado, independentemente de qualquer outra consideração. Nesses casos, o risco não está apenas nos insetos, mas no estado geral do produto, que pode ter sofrido contaminação por fungos ou bactérias associadas à infestação prolongada.

    Como evitar o caruncho em casa de forma simples e eficaz

    A boa notícia é que prevenir a infestação doméstica não exige grandes investimentos. Medidas simples de armazenamento reduzem drasticamente o risco de proliferação e protegem toda a despensa. Especialistas recomendam armazenar grãos em recipientes bem fechados, de preferência de vidro, evitar ambientes quentes e úmidos, não misturar alimentos novos com antigos e, quando possível, manter grãos no congelador por um período após a compra.

    Esse último ponto merece atenção especial. Colocar o pacote recém-comprado no freezer por alguns dias elimina eventuais ovos ou larvas que possam ter chegado junto com o produto, interrompendo o ciclo de reprodução antes mesmo que ele comece na despensa de casa.

    Além disso, vale inspecionar embalagens antes de comprar, evitar produtos com sinais de dano na embalagem e preferir compras em locais com bom giro de estoque. No campo e nas propriedades rurais, o controle é ainda mais relevante: a indústria utiliza técnicas como expurgo com gás para eliminar insetos, controle de temperatura e uso de atmosferas modificadas, mas isso não garante ausência total do caruncho no produto final.

  • Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Quem já encontrou uma cobra no jardim sabe bem o tamanho do susto. Mas o que a maioria das pessoas faz depois desse encontro é exatamente o que não deveria. Compra plantas com cheiro forte, espalha naftalina, cerca o quintal com ervas aromáticas e acha que está protegida.

    Segundo o biólogo Fabiano Soares, referência em fauna silvestre e com grande atuação nas redes sociais pelo perfil @biologo.zero, nenhum odor vegetal tem poder comprovado de repelir serpentes. E pior: algumas dessas soluções caseiras podem até atrair o problema que tentam resolver.

    O que realmente chama uma cobra para o seu quintal?

    Antes de pensar em como afastar, é preciso entender o que atrai. Para Fabiano Soares, a resposta é direta: comida. “O que mais define, de fato, é a presença de alimentos. Se houver roedores, pequenos mamíferos, anfíbios como sapos e pererecas, ou até filhotes de aves e ovos, a cobra terá um motivo para aparecer”, explica o especialista.

    Cobras são predadoras oportunistas e altamente eficientes. Elas não vagam pelo ambiente por acaso. Seguem rastros de presas, detectam calor corporal e percebem movimentação. Quando um quintal oferece roedores em abundância, por exemplo, torna-se automaticamente um território de caça. Portanto, o controle de pragas, especialmente ratos e ratazanas, é a medida preventiva número um para quem quer manter serpentes à distância.

    Além da alimentação, o abrigo também pesa na escolha do animal. Entulho acumulado, pilhas de lenha, pedras empilhadas, restos de construção e até vegetação densa junto ao muro funcionam como convite. São locais frescos, protegidos e próximos de potenciais presas, tudo o que uma cobra busca.

    Plantas repelentes, naftalina e cheiros fortes não funcionam contra cobras — (Foto: Byronsdad/Getty Imagens)

    É mito!

    Erva-de-santa-maria, cravo-de-defunto, capim-limão. Essas e outras plantas circulam pela internet como soluções infalíveis contra cobras. Mas a ciência não confirma esse efeito, e o biólogo Fabiano Soares é categórico ao abordar o assunto. “Não existe nenhuma planta que possa ser utilizada para afastar. A própria planta pode servir como abrigo para elas”, alerta o especialista.

    Ao contrário de insetos, que de fato podem ser perturbados por determinados odores, as cobras utilizam outros mecanismos sensoriais para se orientar. Elas detectam vibrações no solo, percebem variações de temperatura por meio de fossetas labiais (em espécies como a jararaca) e captam odores pelo órgão de Jacobson, localizado no céu da boca. Nenhum desses sistemas é sensível ao cheiro de uma planta aromática da forma que o senso comum imagina.

    Na prática, investir em um jardim aromático denso pode ter o efeito contrário ao desejado. Uma vegetação alta e não aparada oferece sombra, umidade e esconderijo, condições ideais para que uma serpente se instale sem ser percebida por dias.

    Desmatamento e obras: o fator externo

    Nem sempre a culpa está no quintal do morador. Mudanças no entorno imediato de uma residência, como obras de construção civil, terraplanagem de lotes vizinhos e desmatamento de áreas verdes próximas, são causas frequentes de aparecimento repentino de cobras em locais onde antes não eram vistas. Quando o habitat natural é destruído, os animais perdem abrigo, rota de caça e território. A consequência direta é o deslocamento forçado em direção às áreas urbanizadas.

    Esse tipo de situação é especialmente comum em bairros que fazem divisa com cerrado, Mata Atlântica ou áreas de várzea. Em períodos de seca intensa, o movimento também aumenta, já que as serpentes buscam água e microclimas mais úmidos, que muitas vezes estão nos jardins irrigados das casas.

    Dicas infalíveis

    A boa notícia é que medidas simples e de baixo custo reduzem muito o risco de encontros indesejados. Fabiano Soares resume a lógica com clareza: “As cobras são guiadas pela temperatura e pelo recurso alimentar”. Ao eliminar esses dois elementos, o quintal deixa de ser interessante para o animal.

    Na prática, isso significa manter a grama sempre aparada, retirar entulhos e objetos acumulados, vedar frestas em portas, janelas e muros, e controlar ativamente a presença de roedores no ambiente. Essas ações atacam diretamente a cadeia que atrai serpentes, sem misticismo e sem gastos desnecessários.

    Caso uma cobra seja avistada, a orientação dos especialistas é clara: não tente capturar nem matar o animal. Ligue para o Corpo de Bombeiros ou para serviços de manejo de fauna silvestre do município. Em muitas regiões do Brasil, as serpentes são protegidas por lei e exercem papel fundamental no equilíbrio ecológico, controlando justamente as populações de roedores que tanto atraem as próprias cobras.

  • O impasse da reforma agrária que pode afetar a produção de alimentos

    O impasse da reforma agrária que pode afetar a produção de alimentos

    A reforma agrária volta ao debate político não por avanços, mas por impasses que sangram o campo há décadas. Nesta quarta-feira (15), a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara promoveu audiência pública pelo Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, instituído em 2002 para lembrar o Massacre de Eldorado do Carajás. Ali, em 17 de abril de 1996, uma operação militar matou 19 trabalhadores sem-terra.

    A ideia parece óbvia: redistribuir terras improdutivas para famílias, gerando justiça e mais produção. Na prática, emperra feio. Grandes fazendas dominam 80% das terras agricultáveis, enquanto pequenos produtores ocupam 20% do território rural, mas botam 70% do feijão, 48% do milho e 38% do café na nossa mesa. O Brasil ostenta uma das piores concentrações fundiárias do mundo, herança colonial misturada com pressão do agronegócio.

    Para não esquecer

    O Massacre de Eldorado do Carajás foi o ataque de policiais militares do Pará contra um grupo de 1,5 mil sem‑terra, em 17 de abril de 1996. Os trabalhadores faziam uma marcha pacífica de 900 km até Belém exigindo a desapropriação da Fazenda Macaxeira, considerada ociosa, para reforma agrária. A polícia cercou e abriu fogo contra o acampamento, matando 21 camponeses (19 na hora e 2 dias depois nos hospitais) e ferindo dezenas de pessoas.

    O episódio ficou conhecido por sua extrema violência, com execuções a queima‑roupa e uso de ferramentas de trabalho, como facões e foices, para matar os trabalhadores. Ele se tornou um símbolo da brutalidade do Estado contra o povo do campo e influenciou o debate pela terra, com o 17 de abril sendo declarado Dia Internacional de Luta pela Terra pela Via Campesina. Até hoje, o caso é lembrado como um marco de impunidade e de resistência na luta por reforma agrária no Brasil.

    Massacre ecoa, violência persiste

    Os deputados Padre João (PT-MG), João Daniel (PT-SE), Valmir Assunção (PT-BA) e Marcon (PT-RS) pediram a reunião. Eles querem discutir entraves reais, além de homenagear as vítimas. No requerimento, o tom é direto: “Três décadas já se passaram e a questão da Reforma Agrária no Brasil permanece como uma das principais bandeiras de Luta dos Trabalhadores, enquanto a violência contra camponeses, povos indígenas e comunidades tradicionais continua a ser um instrumento de manutenção de estruturas de poder arcaicas e concentradoras da propriedade da terra”. É um soco no estômago do sistema.

    O que trava o Brasil hoje?

    Burocracia, cortes no orçamento e insegurança jurídica freiam desapropriações. Movimentos como o MST denunciam paralisação de políticas; produtores rurais temem invasões que espantam investimento. Assentamentos ficam sem crédito, assistência técnica ou estrada para escoar. O que era solução vira peso morto, com judicializações que duram anos e conflitos explodindo no dia a dia.

    Falta de orçamento, burocracia e insegurança jurídica travam política que afeta produtores e alimentos.
    (Foto: Agência Câmara de Notícias)

    Agronegócio sente a tensão sem fim

    É claro: indefinição fundiária trava modernização e cadeias produtivas inteiras. Se bem feita, a reforma impulsiona a agricultura familiar e segura o preço dos alimentos.

    No entanto, o governo ainda esbarra em rombo fiscal e racha no Congresso. Sem resolver a terra, o Brasil carrega um conflito que machuca produtores, famílias e o bolso de todos.