Tag: Brasil

  • Proibição do foie gras chega à mesa de Lula

    Proibição do foie gras chega à mesa de Lula

    O futuro do foie gras no Brasil está agora nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de concluir a tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei 90/2020 permaneceu mais de dois meses parado na Câmara dos Deputados antes de o presidente da Casa, Hugo Motta, enviá-lo para sanção presidencial. A proposta proíbe a produção e a comercialização do foie gras em todo o território nacional.

    O atraso coincidiu com uma ofensiva da indústria francesa do setor, que intensificou a pressão sobre o governo brasileiro para tentar barrar a proibição. Nas últimas semanas, representantes do setor produtivo e chefs franceses defenderam publicamente a manutenção da iguaria no mercado brasileiro. Organizações de proteção animal e a Associação Nacional de Advogados Animalistas (ANAA) acompanharam esse período com apreensão, embora não haja qualquer evidência de que a demora tenha relação direta com o lobby internacional.

    Agora, as entidades esperam que a Presidência conclua o processo legislativo iniciado há seis anos e sancione integralmente o texto aprovado pelo Congresso.

    “A Constituição Federal é clara ao vedar práticas cruéis contra os animais. O Congresso Nacional já cumpriu seu papel e aprovou o projeto após um amplo debate legislativo. Agora esperamos que o presidente Lula sancione a lei e coloque o Brasil ao lado dos países que já decidiram banir essa prática”, afirma Giseli Cheim, presidente da ANAA.

    “O importante é que essa etapa foi finalmente superada. Agora cabe exclusivamente à Presidência decidir se o Brasil continuará permitindo uma prática reconhecida mundialmente por causar sofrimento extremo aos animais ou se dará um passo histórico em favor do bem-estar animal”, completa Giseli.

    Seis anos de tramitação e 288 mil assinaturas

    O senador Eduardo Girão apresentou o Projeto de Lei 90/2020 há seis anos. Ao longo desse período, a proposta reuniu o apoio de centenas de organizações da sociedade civil e mais de 288 mil assinaturas favoráveis à proibição.

    “Esta é uma oportunidade histórica para que o Brasil reafirme seu compromisso com a proteção animal. Esperamos que o presidente sancione a proposta sem vetos”, diz Marina Lemes, gerente de Projetos da Animal Equality.

    Foie gras, Pineapple Chutney, Spiced Bread
    Foto: Bernine/Flickr

    Para Arthur Regis, especialista em Políticas Públicas da Sinergia Animal, a sanção representará o fim de uma das práticas mais cruéis ainda permitidas na produção de alimentos. “Cada dia em que o foie gras continua sendo produzido representa sofrimento para milhares de aves. Agora existe a oportunidade de colocar fim definitivo a essa realidade”, afirma.

    George Sturaro, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Mercy For Animals, lembra que a proibição tem respaldo jurídico internacional. “A Organização Mundial do Comércio admite restrições comerciais quando fundamentadas na proteção da moral pública. Países como a Índia já adotaram medidas semelhantes sem sofrer qualquer retaliação comercial”, explica.

    Como funciona a produção do foie gras

    A produção do foie gras depende da gavagem, técnica que introduz à força grandes quantidades de alimento diretamente no esôfago de patos e gansos. O procedimento provoca hipertrofia patológica do fígado, justamente o órgão comercializado como iguaria, além de lesões, dificuldade respiratória e intenso estresse nos animais, segundo estudos científicos. O adoecimento não é um efeito colateral do processo: é o próprio objetivo dele. Por essa razão, diversos países já restringiram ou proibiram a produção.

    Para Arthur Regis, o debate expõe um conflito entre dois modelos de sociedade. “É preocupante que um projeto aprovado democraticamente continue enfrentando resistência por pressão de interesses econômicos, de uma nação estrangeira, ligados a um mercado de luxo. Nenhuma tradição pode servir como escudo para perpetuar práticas cuja crueldade é amplamente documentada, conforme já decidiu o STF. Quando o Estado decide limitar esse tipo de prática, ele não está atacando uma tradição, mas estabelecendo um limite ético e um novo patamar civilizatório para aquilo que pode ou não ser comercializado”, avalia o especialista.

    O peso econômico do lobby francês

    A própria indústria francesa reconhece que o Brasil representa cerca de €1 milhão anuais em importações de foie grãs. Um volume pequeno no contexto internacional, mas suficiente para mobilizar um lobby político expressivo. Defensores do setor argumentam que a proibição ameaçaria as relações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia, mas a dimensão econômica do produto contrasta com o tamanho da pressão exercida.

    Segundo Arthur Regis, o que está em jogo vai além do produto em si: se o Brasil confirmar que itens obtidos por crueldade deliberada não têm espaço no mercado nacional, o precedente pode levar outras cadeias produtivas a enfrentar questionamentos semelhantes.

    Gastronomia em transformação

    O setor gastronômico também vive uma mudança de postura. Critérios como sustentabilidade, rastreabilidade e bem-estar animal deixaram de ser diferenciais de nicho para se tornar parâmetros de excelência culinária. Chefs franceses respeitados no Brasil já se manifestaram publicamente a favor da proibição, reconhecendo que a alta gastronomia evoluiu e que determinados ingredientes não encontram mais respaldo ético no cardápio contemporâneo.

    Foto: Divulgação

    Na própria França, o debate sobre os impactos éticos da produção animal ganha força: restaurantes retiraram o foie gras do menu por iniciativa própria, hábitos de consumo mudaram e uma nova geração de chefs busca ingredientes alinhados a valores atuais. O que enfraquece o argumento de que proibir o produto representaria um ataque à cultura francesa.

    “As políticas alimentares do futuro não serão definidas pelo peso da tradição, e sim pela capacidade de conciliar ciência, ética e sustentabilidade. O debate sobre o foie gras demonstra que a sociedade já começou a questionar até onde estamos dispostos a aceitar sofrimento animal em nome de um luxo que deixou de fazer sentido”, conclui Arthur Regis.

    O Congresso Nacional já aprovou a proposta e a encaminhou à sanção presidencial. Agora, cabe ao Palácio do Planalto concluir o processo. Se sancionada sem vetos, a lei dará ao Brasil uma legislação específica para proibir uma prática associada a sofrimento animal deliberado em benefício de um produto de luxo — e colocará o país ao lado de nações que já baniram o método de produção.

  • Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    O setor produtivo brasileiro finaliza a argumentação que vai levar a Washington nesta segunda-feira (6), véspera da audiência do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre as tarifas comerciais impostas pelo governo Donald Trump com base na seção 301. A estratégia do Brasil aposta no impacto econômico da medida: com matérias-primas brasileiras sobretaxadas, a inflação deve pesar diretamente no bolso do consumidor americano.

    Mais de 70 brasileiros participam do encontro, entre representantes de cadeias produtivas, especialistas em diplomacia e economia, e políticos. O setor produtivo brasileiro terá 11 representantes com direito à fala, contra 12 do lado americano.

    Etanol dos EUA pressiona por tarifas recíprocas

    O agronegócio brasileiro enfrenta resistência de entidades setoriais americanas, especialmente do setor de biocombustíveis. A RFA (Renewable Fuels Association), que representa os produtores de etanol dos Estados Unidos, defende tarifas recíprocas e acusa o Brasil de praticar concorrência desleal.

    Uma pesquisa encomendada pela entidade mostra que os combustíveis renováveis ganharam apoio popular em meio ao debate sobre segurança energética e alta da gasolina. O levantamento indica que 74% dos eleitores registrados apoiam o RFS (programa federal que obriga a mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis), o maior índice de aprovação em uma década de pesquisas trimestrais da associação. Apenas 12% dos entrevistados rejeitam a política.

    Os dados também revelam que 87% dos entrevistados consideram a independência energética uma prioridade para os EUA, enquanto 80% apontam o etanol como ferramenta relevante para alcançar esse objetivo. A RFA usa justamente esse argumento para sustentar a defesa de tarifas recíprocas.

    A entidade avalia que o etanol produzido internamente reduz a dependência americana de fontes externas de energia, fortalece a economia rural e barateia o preço dos combustíveis. Analistas de mercado, porém, contestam essa leitura e afirmam que os Estados Unidos ainda dependem de importações para suprir a demanda interna.

    Café brasileiro já mudou o blend americano

    Fontes ligadas às negociações apontam receio da indústria americana de perder espaço diante da qualidade e da competitividade dos produtos brasileiros. Alías, o que já acontece no setor de café.

    Aguinaldo Lima, diretor executivo da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), afirmou à imprensa que os torrefadores americanos já alteraram os blends de café por falta do produto brasileiro no mercado, e que qualquer nova tarifa vai elevar o preço do cafezinho nos Estados Unidos.

    Os EUA perderam o posto de maior comprador de café solúvel brasileiro para a Alemanha no fim do ano passado, já que as tarifas sobre o produto seguiram fixadas em 10%, segundo Lima.

    Rebanho americano na pior baixa em 70 anos

    O setor de carnes também entra na disputa. Mesmo que o Brasil perca a venda direta e sem tarifas aos EUA, frigoríficos brasileiros com plantas instaladas em países vizinhos da América Latina continuarão abastecendo o mercado americano. Isso justamente quando o rebanho bovino dos EUA enfrenta sua pior baixa em 70 anos.

    Analistas brasileiros destacam que o consumidor americano continuará, na prática, consumindo carne com origem brasileira, ainda que de forma indireta, através de hambúrgueres processados fora do Brasil.

    O Itaú BBA reforçou em relatórios recentes que a indefinição comercial, somada à instabilidade geopolítica, torna ainda mais complexo o custeio e o escoamento das safras agrícolas, enquanto o Brasil busca alternativas de mercado para reduzir prejuízos.

    Como funciona a audiência do USTR

    A audiência reúne 14 painéis sobre diferentes temas, além do agro, com início às 10h no horário de Washington. Cada representante setorial tem até cinco minutos para apresentar um sumário executivo em defesa da cadeia produtiva que representa.

    O USTR pode fazer perguntas aos representantes e abrir espaço para réplicas, mas fontes ouvidas indicam que a argumentação deve ser objetiva e concentrada nas consequências econômicas caso as tarifas entrem em vigor. Os setores tiveram até 1º de julho para enviar a argumentação por escrito, que serve de base para as apresentações desta segunda-feira (6).

    Quem representa o agro brasileiro na audiência
    • Andressa Silva — Associação Brasileira da Indústria do Arroz
    • Vinicius Vanzella — Associação dos Fabricantes de Gelatina da América do Sul
    • Marcelo Schunn Junqueira — Sociedade Rural Brasileira
    • Fernanda Carneiro — Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
    • Marcos Matos — Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
    • José Luiz Pimenta Junior — Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel
    • João Marcelo Messas — Associação Brasileira dos Exportadores de Mel
    • Andrea Almeida — União Nacional do Etanol de Milho
    • Welber Barral — União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e Indústria Brasileira de Árvores
    • Gian Carlo Almeida Marodin — Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente
  • Cafés especiais podem gerar US$ 252 milhões na Europa

    Cafés especiais podem gerar US$ 252 milhões na Europa

    O setor brasileiro de cafés especiais poderá movimentar até US$ 252 milhões em negócios na Europa. O resultado decorre das missões comerciais promovidas pelo projeto Brazil. The Coffee Nation. A iniciativa é realizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

    Ao todo, 77 empresários brasileiros participaram das ações na Inglaterra e na Bélgica. O grupo também marcou presença na feira World of Coffee Brussels. As atividades geraram 1.145 contatos comerciais. Desse total, 649 envolveram novos clientes.

    Os encontros fecharam US$ 33,1 milhões em negócios presenciais. Além disso, a expectativa é movimentar mais US$ 218,9 milhões nos próximos 12 meses. Caso todas as negociações sejam concluídas, o volume total alcançará US$ 252 milhões.

    Missões comerciais ampliam oportunidades na Europa

    As missões comerciais reuniram 25 empresários brasileiros. Entre eles, participaram nove produtoras do projeto Produzido por Elas. O programa é desenvolvido pela BSCA em parceria com a International Women Coffee Alliance (IWCA), com apoio da ApexBrasil.

    Em Londres, os empresários visitaram empresas do setor cafeeiro. As agendas incluíram reuniões estratégicas, intercâmbio de experiências e discussões sobre o mercado britânico.

    Na Bélgica, o grupo manteve encontros com empresas locais. As visitas fortaleceram o networking e abriram novas oportunidades de negócios.

    Os empresários também participaram de um tour técnico em Antuérpia. A atividade foi conduzida pelo mestre de torra Tom Jansen, referência no segmento de cafés especiais.

    Brasil fortalece presença na World of Coffee Brussels

    Entre os dias 26 e 28 de junho, os empresários participaram da World of Coffee Brussels. A feira é uma das principais vitrines mundiais dos cafés especiais. O evento reúne produtores, torrefadores, baristas e empresas da cadeia produtiva. Além disso, promove inovação, capacitação e conexões comerciais.

    O Brasil contou com um estande estratégico durante a feira. O espaço recebeu reuniões de negócios, degustações e sessões de cupping. Os visitantes conheceram cafés especiais de diferentes regiões brasileiras. O projeto Produzido por Elas também apresentou seus produtos.

    Segundo o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, a Europa continua como principal parceiro comercial dos cafés especiais brasileiros. Ele afirma que as ações fortalecem a presença nacional em um mercado estratégico. Além disso, ampliam as oportunidades para produtores brasileiros.

    BSCA firma acordo inédito com o Coffee Quality Institute

    A agenda internacional também resultou em um avanço para a qualificação do setor. A BSCA assinou um Memorando de Entendimento com o Coffee Quality Institute (CQI). O acordo torna a entidade brasileira representante exclusiva da instituição no país. Com isso, produtores e profissionais terão acesso ampliado aos programas internacionais de capacitação.

    O CEO do CQI, Michael Sheridan, destacou que a parceria ampliará o acesso aos treinamentos no Brasil. Segundo ele, a iniciativa permitirá oferecer cursos em português. Além disso, o instituto pretende formar mais instrutores brasileiros. Sheridan acredita que essa estratégia facilitará o acesso à educação especializada, considerada referência mundial na cadeia dos cafés especiais.

    O presidente da BSCA, Luiz Roberto Saldanha, classificou o acordo como um marco para a cafeicultura nacional. Segundo ele, a parceria permitirá levar conhecimento técnico para diferentes regiões produtoras. O objetivo é beneficiar produtores de todos os portes. Saldanha afirmou que a iniciativa fortalecerá a qualidade, a competitividade e a escalabilidade dos cafés especiais brasileiros.

    Brasileiros se destacam em campeonatos mundiais

    A participação brasileira também ganhou destaque nas competições da World of Coffee Brussels. A gerente técnica da BSCA, Carolina Franco, atuou como juíza no Campeonato Mundial de Brewers Cup. Ela participou das etapas eliminatórias como juíza sensorial. Depois, foi convidada para integrar a equipe responsável pela final da competição.

    A campeã brasileira Juliana Morgado representou o país na disputa. Durante sua apresentação, valorizou a cadeia produtiva nacional e destacou o protagonismo das mulheres no setor.

    No Campeonato Mundial de Torra de Café, o Brasil foi representado por Fábio Milan. Aos 21 anos, ele se tornou o mais jovem campeão brasileiro da modalidade.

    Já no Campeonato Mundial de Coffee in Good Spirits (CIGS), Léo Oliva apresentou bebidas inspiradas em sabores típicos brasileiros.

    Projeto busca ampliar exportações brasileiras

    O projeto **Brazil. The Coffee Nation** promove os cafés especiais brasileiros no mercado internacional. A iniciativa fortalece a imagem do Brasil como fornecedor de cafés de qualidade, sustentáveis e rastreáveis. O projeto seguirá em execução até agosto de 2027.

    Entre as prioridades estão a expansão das exportações, a valorização dos cafés produzidos por mulheres, o incentivo às certificações e a promoção da diversidade da produção nacional.

    Os mercados-alvo incluem Estados Unidos, Japão, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes, França, Austrália, Canadá e Chile, entre outros países.

     

     

  • Dia Mundial da Fruta: conheça as mais consumidas no Brasil

    Dia Mundial da Fruta: conheça as mais consumidas no Brasil

    Celebrado em 1º de julho, o Dia Mundial da Fruta chama a atenção para a importância do consumo desses alimentos na promoção da saúde e da qualidade de vida. A data foi criada em 2007, na Alemanha, em parceria com instituições de saúde, com o objetivo de incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e ampliar o consumo diário de frutas.

    Além de fazer parte de uma alimentação equilibrada, as frutas ocupam um papel estratégico na agricultura brasileira. O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de frutas tropicais do mundo, com destaque para culturas como manga, banana, mamão, melão e uva.

    Frutas são aliadas da saúde

    Ricas em água, fibras, vitaminas e minerais, as frutas contribuem para o bom funcionamento do organismo e ajudam na prevenção de diversas doenças.

    Entre os principais benefícios estão o fortalecimento do sistema imunológico, melhora da digestão, auxílio na hidratação do organismo e redução do risco de doenças cardiovasculares.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia, quantidade equivalente a aproximadamente cinco porções.

    As frutas mais consumidas no Brasil

    A banana lidera o ranking mundial de consumo e também figura entre as preferidas dos brasileiros.

    O sucesso da fruta está relacionado à praticidade, ao alto valor energético, ao preço acessível e à disponibilidade durante praticamente todo o ano.

    Na sequência aparecem as frutas cítricas, especialmente laranja e limão, seguidas por maçãs e uvas.

    Essas frutas conquistaram espaço no mercado mundial por aliarem valor nutricional, facilidade de transporte e longa conservação após a colheita.

    Por que essas frutas lideram o consumo?

    Cada uma delas reúne características que favorecem sua produção e comercialização em larga escala.

    Banana

    • Rica em potássio e carboidratos;
    • Fonte rápida de energia;
    • Cultivada em mais de 130 países;
    • Disponível durante praticamente todo o ano.

    Laranja e limão

    • Fontes importantes de vitamina C;
    • Muito utilizados na produção de sucos;
    • Casca resistente facilita o transporte e armazenamento.

    Maçãs e uvas

    • Possuem excelente vida útil pós-colheita;
    • São consumidas frescas e também processadas;
    • Dão origem a produtos como vinhos, geleias, doces e passas.

    Brasil tem papel de destaque na fruticultura

    Além de abastecer o mercado interno, o Brasil é um dos principais produtores de frutas tropicais do planeta.

    A manga está entre os produtos agrícolas brasileiros de maior destaque nas exportações, chegando a diversos mercados internacionais graças à qualidade da produção nacional.

    O clima favorável e a diversidade de regiões produtoras permitem que o país cultive uma ampla variedade de frutas ao longo do ano, fortalecendo o agronegócio e gerando empregos em diferentes estados.

  • Arroba do boi cai com avanço da cota chinesa

    Arroba do boi cai com avanço da cota chinesa

    Os preços da arroba do boi gordo registram queda neste mês no mercado brasileiro. O movimento ocorre mesmo diante dos baixos estoques globais de carne bovina. Segundo o Cepea, os estoques mundiais estão nos menores níveis desde 2006. Além disso, os preços internacionais da carne bovina permanecem próximos das máximas históricas.

    Apesar desse cenário, o mercado brasileiro enfrenta pressão devido ao ritmo das exportações para a China. Dados do governo chinês mostram que o Brasil já cumpriu cerca de 65% da cota de vendas de carne bovina ao país até maio. Com isso, a expectativa é que a totalidade da cota seja atingida até julho. O prazo considera que a carne brasileira pode levar até 60 dias para chegar ao mercado chinês.

    Diante desse cenário, frigoríficos habilitados para exportar à China reduziram o ritmo de compra de animais para abate. Além disso, o controle dos estoques internos na China influencia o mercado. Os importadores também adotam uma postura mais cautelosa nas negociações.

    Segundo o Cepea, esses fatores diminuíram a agressividade das compras chinesas no mercado internacional. Como resultado, os preços da arroba do boi gordo seguem pressionados no Brasil.

     

  • Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Enquanto as seleções do Brasil e Escócia se enfrentam pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo nesta quarta-feira (24), uma relação construída muito além dos gramados segue ganhando força.

    Segundo estimativas da HM Revenue & Customs, órgão do governo britânico, o comércio bilateral entre Brasil e Escócia movimenta entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões por ano.

    O agronegócio, ao lado do setor de bebidas, está entre os principais pilares dessa parceria econômica.

    Relação histórica

    Os laços entre os dois países remontam ao século XIX, quando imigrantes escoceses chegaram ao Brasil em busca de oportunidades econômicas.

    A influência escocesa alcançou diferentes setores da economia e até mesmo o esporte brasileiro. Um dos exemplos mais conhecidos é Charles Miller, descendente de escoceses responsável por introduzir o futebol no Brasil após retornar de seus estudos na Inglaterra na década de 1890.

    Com sangue escocês, Charles Miller foi o ‘pai do futebol brasileiro’ — Foto: Divulgação

    A presença escocesa também ajudou a moldar a indústria nacional. A Antarctica, atualmente pertencente à Ambev, foi fundada em 1888 com participação do escocês William Mackenzie.

    Agro lidera a relação comercial

    De acordo com James Mor-Bell, copresidente do Comitê de Agronegócios da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), o intercâmbio comercial tem apresentado crescimento consistente desde 2021.

    “As economias do Brasil e do Reino Unido são diferentes, mas o comércio bilateral cresce em ritmo acelerado desde 2021 e, consequentemente, os negócios com a Escócia também avançam de maneira consistente.”

    Em 2023, o Brasil ocupou a 11ª posição entre os principais destinos das exportações escocesas, desconsiderando a União Europeia como mercado único.

    No mesmo período, as exportações da Escócia para o Brasil alcançaram 925 milhões de libras esterlinas.

    Principais produtos exportados pelo Brasil

    Entre os produtos brasileiros enviados à Escócia estão:

    • Café
    • Minério de ferro
    • Açúcar
    • Carnes
    • Celulose

    O que a Escócia vende ao Brasil

    Os principais produtos escoceses exportados para o mercado brasileiro incluem:

    • Scotch Whisky
    • Equipamentos para petróleo e gás
    • Tecnologias offshore
    • Bens industriais
    • Serviços especializados

    “A exportação escocesa mais conhecida pelos brasileiros, especialmente por quem vai assistir ao jogo, eu presumo, é o whisky. Há muitos anos ele figura entre os principais produtos enviados ao Brasil e aparece com destaque nas estatísticas, assim como o gin, uma bebida tradicional produzida a partir de insumos agrícolas.”

    O whisky escocês é feito de grãos e envelhecido em barris de carvalho por no mínimo 3 anos — Foto: Divulgação

    Mercado britânico abre espaço para o agro brasileiro

    Para os próximos anos, o agronegócio deve continuar sendo um dos principais motores da relação entre Brasil e Escócia. Apesar do tamanho reduzido do mercado escocês, o Reino Unido representa uma oportunidade mais ampla para exportadores brasileiros.

    “O país importa cerca de metade dos alimentos que consome e busca diversificar seus fornecedores.”

    Nesse cenário, especialistas avaliam que o Brasil tem espaço para ampliar sua participação no mercado britânico.

  • El Niño ameaça produção global de açúcar e pode ampliar protagonismo do Brasil

    El Niño ameaça produção global de açúcar e pode ampliar protagonismo do Brasil

    Após um período de pressão provocado pelo aumento da oferta mundial, os preços do açúcar podem voltar a ganhar sustentação no mercado internacional. O motivo está nas crescentes preocupações com o avanço do El Niño e seus possíveis efeitos sobre a produção da commodity nos principais países produtores.

    De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, embora o Brasil, maior produtor e exportador global de açúcar, deva atravessar o fenômeno climático com impactos relativamente moderados, importantes países do Hemisfério Norte podem enfrentar um cenário mais seco nos próximos meses. Dessa forma, aumentam os riscos para a produtividade agrícola e para a disponibilidade de açúcar na próxima safra.

    No caso brasileiro, a consultoria destaca que a cana-de-açúcar já ultrapassou sua principal fase de desenvolvimento para a safra 2026/27. Além disso, os efeitos mais significativos do El Niño tendem a se concentrar na região Sul do país, área que possui participação limitada na produção nacional da cultura.

    Por outro lado, a Hedgepoint observa que um clima mais chuvoso, caso avance além do Centro-Sul, pode desacelerar o ritmo de moagem. Ainda assim, a avaliação para o setor segue positiva. A expectativa é que a produção brasileira de cana supere 600 milhões de toneladas pelo quarto ciclo consecutivo. Para a safra 2026/27, a estimativa alcança cerca de 635 milhões de toneladas.

    Mercado acompanha impactos nas próximas safras

    Enquanto o foco permanece na safra atualmente em desenvolvimento, agentes do mercado também observam os possíveis reflexos do fenômeno climático nos próximos ciclos produtivos.

    Caso o El Niño ganhe força durante o segundo semestre de 2026 e permaneça ativo ao longo de parte de 2027, os impactos poderão ultrapassar a temporada atual. Assim, o fenômeno poderá influenciar expectativas de oferta e decisões estratégicas do mercado global.

    “Um maior volume de chuvas na região Sul do Centro-Sul pode ser positivo para o desenvolvimento de 2027/28, apesar de ainda ser muito cedo para afirmar qualquer tendência”.

    Índia e Tailândia na mira

    Enquanto o Brasil tende a enfrentar efeitos mais limitados, a atenção dos participantes do mercado se concentra em importantes produtores do Hemisfério Norte.

    Índia e Tailândia figuram entre os países historicamente mais vulneráveis às condições climáticas associadas ao El Niño. Nesses locais, a redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem elevar o risco de estresse hídrico nos canaviais.

    Como consequência, tanto a produtividade quanto a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de açúcar podem ser afetadas na safra 2026/27, cujo ciclo tem início em outubro de 2026.

    Dependência global do Brasil pode crescer

    Apesar do atual cenário de oferta global mais confortável, o mercado já começa a precificar os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre as próximas temporadas.

    Historicamente, episódios de El Niño alteram os padrões de precipitação em diversas regiões produtoras de cana-de-açúcar, influenciando diretamente os índices de produtividade agrícola. Por isso, a intensidade e a duração do evento permanecem entre os principais fatores observados pelos agentes do setor.

    Se o fenômeno se intensificar ao longo da segunda metade de 2026 e avançar por 2027, o papel do Brasil poderá ganhar ainda mais relevância para o equilíbrio da oferta mundial.

  • Conheça a raça africana que está transformando a pecuária tropical

    Conheça a raça africana que está transformando a pecuária tropical

    Poucos nomes no universo da genética bovina carregam uma história tão precisa quanto o Bonsmara. O nome não é acidental. Ele une “Bons”, referência ao Rio Bonspruit, na África do Sul, onde a raça foi desenvolvida a partir da década de 1930, à palavra “Mara”, derivada de “Mahura”, termo em língua sesotho que significa “gordura”. Uma alusão direta à qualidade da carne que os criadores sul-africanos buscavam fixar.

    O Bonsmara é classificado como Bos Taurus Africanus do tipo Sanga, um grupo genético distinto tanto dos zebuínos (Bos indicus) quanto das raças britânicas convencionais como o Angus e o Hereford. Essa posição singular no mapa genético bovino não é um detalhe menor. É justamente ela que torna o Bonsmara tão atraente para os sistemas de produção tropical, especialmente no Brasil.

    Uma raça construída para o calor

    O desenvolvimento do Bonsmara foi conduzido pela Estação Experimental de Mara, no então Transvaal sul-africano, sob coordenação do pesquisador Jan Bonsma. O objetivo era claro: criar um animal capaz de prosperar no clima quente e semiárido da África subsaariana sem abrir mão da qualidade de carcaça típica das raças europeias de corte.

    Para atingir isso, Bonsma cruzou sistematicamente três raças: Afrikaner (gado nativo africano, adaptado ao calor e às condições locais), Shorthorn e Hereford (raças britânicas reconhecidas pela qualidade de carne e precocidade). Após décadas de seleção rigorosa, chegou-se a uma proporção genética que se tornou marca registrada do Bonsmara: 5/8 de sangue Afrikaner e 3/8 de sangue europeu. Uma fórmula que equilibra rusticidade e produção.

    O que diferencia o Bonsmara das demais raças

    Do ponto de vista fenotípico, o Bonsmara é um animal de porte médio a grande, com pelagem variando entre tons de vermelho e marrom, pele pigmentada, uma característica essencial para resistência à radiação solar intensa, e mucosas escuras. Apresenta chifres relativamente curtos e perfil corporal musculoso, com traseiro bem desenvolvido, o que favorece o rendimento de carcaça.

    Do ponto de vista produtivo, os atributos que mais chamam atenção são:

    • Adaptação térmica: a presença do sangue Afrikaner confere ao Bonsmara capacidade de termorregulação eficiente, com menor estresse calórico em comparação às raças europeias puras. Um fator decisivo em regiões tropicais como o Brasil central e o Nordeste.
    • Fertilidade: as fêmeas Bonsmara se destacam pela ciclagem precoce, alta taxa de concepção e boa habilidade materna, com produção de leite suficiente para garantir desenvolvimento adequado dos bezerros.
    • Qualidade de carne: o Bonsmara produz carne com marmoreio relevante, maciez, suculência e sabor diferenciados. Estudos sul-africanos e brasileiros apontam resultados consistentes em parâmetros como força de cisalhamento e perdas por cozimento. Portanto, métricas que definem a experiência sensorial do consumidor.
    • Eficiência alimentar: animais Bonsmara convertem alimento com eficiência acima da média, o que reduz o tempo no ciclo produtivo e melhora a viabilidade econômica dos sistemas a pasto.
    • Docilidade: o temperamento manso é um traço selecionado ativamente na raça, com reflexos positivos tanto no bem-estar animal quanto na facilidade de manejo.
    • Distância genética estratégica: por não ser zebuíno nem raça britânica pura, o Bonsmara apresenta distância genética relevante em relação às raças mais comuns no Brasil, como Nelore, Angus e Senepol, por exemplo. Isso amplia o efeito de heterose nos cruzamentos, gerando ganhos de desempenho superiores nos animais resultantes.

    O Bonsmara no Brasil: chegada tardia, impacto crescente

    Apesar de consolidado na África do Sul desde a segunda metade do século XX, onde ocupa posição de destaque entre as raças mais utilizadas no país, o Bonsmara chegou ao Brasil apenas nas últimas décadas, impulsionado pela demanda por genética alternativa ao zebu para cruzamentos industriais em ambientes tropicais.

    O potencial imediato era evidente: um país com mais de 230 milhões de cabeças de bovinos, predominância de Nelore e seus cruzamentos, clima quente em boa parte do território e uma demanda crescente por carne de qualidade superior tanto no mercado interno quanto externo. O Bonsmara entrava nesse cenário com uma proposta específica: oferecer heterose expressiva em cruzamentos com zebuínos e fêmeas meio-sangue Angus, sem os problemas de adaptação das raças europeias puras sob altas temperaturas.

    Fazenda Santa Silvéria: pioneira e referência na genética Bonsmara no Brasil

    A introdução do Bonsmara no Brasil está diretamente ligada à trajetória da Fazenda Santa Silvéria. Pioneira na raça no país, a propriedade construiu ao longo dos anos um programa de melhoramento genético que hoje serve de referência para criadores em todas as regiões brasileiras e em países da América Latina e da África.

    Foto: Divulgação

    O trabalho nasceu de uma demanda prática. A proprietária Clélia Pacheco buscava uma solução para um desafio recorrente na pecuária tropical de alto desempenho: preservar a precocidade das fêmeas meio-sangue Angus, reconhecidas pela qualidade de carne e eficiência reprodutiva, sem perder a adaptação ao ambiente tropical que as raças zebuínas oferecem naturalmente.

    O Bonsmara respondeu a essa equação. Como Bos Taurus Africanus, a raça apresenta distância genética tanto dos zebuínos quanto das raças britânicas. O que favorece cruzamentos com ganhos expressivos de heterose. O resultado são animais que combinam desempenho produtivo, resistência ao calor e qualidade de carne, em sistemas simples, a pasto e com touros em monta natural.

    “Nosso foco sempre foi produzir animais adaptados, férteis e produtivos. Capazes de gerar carne de alta qualidade em sistemas simples, a pasto e com touros em monta natural. O grande diferencial do Bonsmara é permitir que o produtor obtenha os benefícios da heterose em praticamente todo o território nacional. Com animais dóceis, resistentes e preparados para diferentes ambientes”, afirma Clélia Pacheco.

    Seleção que vai além do desempenho

    O programa de melhoramento da Santa Silvéria combina avaliações de desempenho, características funcionais e critérios de adaptação. A seleção não prioriza apenas números de ganho de peso ou rendimento de carcaça. Ela considera a capacidade dos animais de expressar produtividade em diferentes condições climáticas e de manejo. O que amplia a aplicabilidade da genética para criadores com realidades distintas.

    Entre os atributos que a fazenda seleciona e difunde estão fertilidade, rusticidade, docilidade, capacidade de conversão alimentar e produção de carne reconhecida por maciez, sabor e suculência. Essa combinação amplia as possibilidades de uso do Bonsmara tanto em cruzamentos industriais sobre matrizes zebuínas quanto em acasalamentos com fêmeas meio-sangue Angus. Em ambos os casos com resultados consistentes de desempenho e rentabilidade.

    Genética, sustentabilidade e eficiência: o tripé da Santa Silvéria

    A eficiência produtiva que o Bonsmara proporciona também dialoga com as demandas crescentes por sustentabilidade na pecuária. Animais de alta performance permanecem menos tempo no ciclo produtivo, o que reduz a pressão sobre pastagens e recursos naturais. Sistemas com pastagens bem manejadas, por sua vez, contribuem para maior retenção de carbono no solo. Um fator que ganha relevância no contexto de rastreabilidade e certificação de carne para mercados exigentes.

    Para Clélia Pacheco, genética, nutrição e manejo formam um tripé indissociável para conciliar viabilidade econômica e responsabilidade ambiental. É esse equilíbrio que a fazenda busca transmitir não apenas nos animais que vende. Mas na cultura de produção que dissemina para criadores em todo o Brasil e no exterior.

    22º Leilão Bonsmara Santa Silvéria

    No dia 1º de julho, às 20h, a Fazenda Santa Silvéria realiza o 22º Leilão Bonsmara Santa Silvéria. O evento acontece em formato 100% virtual, com transmissão pela Central Leilões, e reúne reprodutores selecionados para atuação a campo. São animais desenvolvidos dentro do programa de melhoramento genético da fazenda e preparados para as demandas da pecuária tropical brasileira.

    Interessados podem se cadastrar antecipadamente pelo site oficial da fazenda: www.fazendasantasilveria.com.br

  • Algodão mantém vantagem sobre exportação no Brasil

    Algodão mantém vantagem sobre exportação no Brasil

    Os preços do algodão em pluma seguem em queda no mercado interno. Mesmo assim, o produto continua mais vantajoso que a paridade de exportação. Segundo o Cepea, as cotações acumulam seis meses consecutivos de recuo. Ainda assim, os valores praticados no mercado doméstico permanecem acima dos níveis de exportação.

    Nesse cenário, parte dos vendedores mantém posição firme nas negociações. Muitos produtores estão capitalizados e priorizam o cumprimento de contratos a termo. Por outro lado, alguns agentes aproveitam o momento para liquidar os estoques remanescentes da safra 2024/25. Além disso, a queda dos preços internacionais estimula uma postura mais flexível entre participantes do mercado.

    Enquanto isso, lotes da safra 2025/26 começam a chegar ao mercado spot. As primeiras ofertas têm origem, principalmente, nos estados de São Paulo e Bahia.

    Indústrias pressionam preços

    Do lado da demanda, as indústrias seguem em busca de algodão a preços menores. Segundo o Cepea, a estratégia reflete o desempenho ainda fraco das vendas do setor. Já os comerciantes mantêm postura cautelosa. Por isso, realizam negociações pontuais e priorizam operações consideradas “casadas”, que reduzem riscos nas transações.

     

  • Frigoríficos brasileiros negociam retomada de embarques à Venezuela

    Frigoríficos brasileiros negociam retomada de embarques à Venezuela

    O Brasil intensificou os esforços para retomar as exportações de carne bovina para a Venezuela, mercado que já esteve entre os principais destinos do produto brasileiro no exterior. Nesta semana, uma missão multissetorial organizada pelo Ministério das Relações Exteriores cumpre agenda em Caracas para discutir oportunidades comerciais.

    As vendas de carne bovina brasileira para o país vizinho permanecem praticamente interrompidas desde meados de 2015. Naquele período, a forte queda dos preços internacionais do petróleo, somada ao início das sanções impostas pelos EUA, agravou a crise econômica venezuelana e reduziu significativamente o poder de compra local.

    Antes desse cenário, a Venezuela representava um mercado relevante para a proteína brasileira. Em 2014, auge da relação comercial entre os dois países nesse segmento, os embarques alcançaram 160 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 852 milhões.

    A programação, iniciada nesta semana, inclui encontros de negócios entre empresas brasileiras e venezuelanas. Durante as reuniões, os participantes avaliam possibilidades de ampliação do comércio bilateral e oportunidades de investimentos.

    Consumo ainda é desafio para o setor

    Apesar das perspectivas positivas, a retomada do mercado enfrenta obstáculos importantes. Entre eles estão a continuidade das dificuldades econômicas no país e o baixo consumo de carne bovina pela população.

    Antes da crise, cada venezuelano consumia, em média, 21 quilos de carne bovina por ano. No entanto, esse volume caiu drasticamente nos anos seguintes. Em 2019, o consumo per capita atingiu apenas três quilos por habitante.

    Desde então, houve recuperação gradual. Ainda assim, a média atual permanece em torno de nove quilos por pessoa ao ano, número bastante inferior ao registrado no Brasil, onde o consumo médio anual é de aproximadamente 35 quilos por habitante.

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    Mercado estratégico para a carne brasileira

    Mesmo diante das dificuldades, a indústria exportadora considera que a Venezuela continua oferecendo oportunidades relevantes no longo prazo.

    Segundo Julio Ramos, diretor de Assuntos Estratégicos da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e integrante da missão empresarial em Caracas, o mercado vizinho não deve ser ignorado.

    “Temos uma tendência natural de olhar para mercados muito distantes, e, muitas vezes, deixamos de observar oportunidades importantes em nossa própria região. A Venezuela já foi um grande mercado para a carne bovina brasileira e continua sendo um país estratégico”, afirmou.

    Além disso, a estrutura exportadora já está preparada para atender uma eventual ampliação da demanda. Atualmente, quase 80 frigoríficos brasileiros possuem habilitação para exportar carne bovina ao mercado venezuelano.

    De acordo com dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura que reúne estatísticas do comércio exterior do agronegócio, a Venezuela importou 25,3 mil toneladas de carne bovina brasileira entre 2016 e 2026.