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  • Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Imagine só: uma cobra que passa o dia inteiro enrolada num galho a 15 metros de altura, tem o corpo verde com manchas brancas, barriga amarela e, quando filhote, é alaranjada. Parece criação de roteirista, mas a cobra-papagaio é real, vive nas florestas tropicais da América do Sul e carrega uma série de características que deixam até os especialistas impressionados. Além disso, ela não precisa de veneno para matar.

    Uma cobra de visual impactante e nome à altura

    Seu nome científico é Corallus batesii e ela pertence à família Boidae, a mesma das jiboias e sucuris. No Brasil, ganhou o apelido de cobra-papagaio por razão óbvia: sua coloração intensa em verde e amarelo lembra diretamente a ave mais tradicional do país. Mais precisamente, boa parte do corpo é verde com manchas brancas e o ventre é amarelo, segundo o Instituto Butantan.

    Em termos de tamanho, não há como ignorá-la. A cobra-papagaio pode chegar a até 2 metros de comprimento, o que a coloca entre as serpentes de porte médio-grande do continente. Apesar da aparência imponente, ela não é peçonhenta, ou seja, não possui veneno. Mas isso não significa que seja inofensiva para as suas presas.

    Sem veneno, mas com técnica mortal

    A ausência de veneno não representa nenhuma desvantagem para a cobra-papagaio na hora de caçar. Ela adota a mesma estratégia das sucuris e jiboias: a constrição. A serpente se enrola em torno da presa e aperta com força suficiente para impedir a respiração, matando o animal antes de devorá-lo. Eficiente, silenciosa e mortal, sem precisar inocular uma única gota de toxina.

    Com hábitos noturnos, a cobra-papagaio desce ao solo ao anoitecer para caçar marsupiais como gambás, roedores, morcegos e até algumas aves. Durante o dia, o comportamento é completamente diferente: ela sobe e permanece imóvel nos galhos mais altos, em repouso e camuflada. Suas pupilas verticais são adaptadas para enxergar melhor no escuro e regular a luminosidade.

    A cobra-papagaio muda de cor conforme cresce para garantir camuflagem perfeita em cada etapa da vida — (Foto: Divulgação/Instituto Butantan)

    A vida nas alturas: o hábito que mais surpreende

    Enquanto a maioria das cobras raseja pelo chão, a cobra-papagaio escolheu outro endereço. Ela é mais comumente encontrada no topo de grandes árvores, chegando a se instalar por horas em galhos a alturas de 12 a 15 metros, de acordo com o Instituto Butantan. Esse comportamento arborícola é raro entre as serpentes e contribui muito para o fascínio que a espécie desperta.

    A cobra-papagaio é endêmica de regiões com alta umidade arbórea, especialmente a floresta amazônica, e pode ser encontrada no Brasil, Peru, Suriname, Guiana, Colômbia, Venezuela e Equador. Em casos excepcionais, também aparece em áreas mais secas como savanas ou florestas secas de outras partes da América do Sul, sobretudo em períodos de seca, quando desce ao solo em busca de água.

    Uma cobra que muda de cor ao longo da vida

    Talvez a característica mais surpreendente da cobra-papagaio seja a transformação que ela passa ao longo do ciclo de vida. Quando filhote, ela não tem nada de verde. Nessa fase, possui coloração alaranjada para se disfarçar nos galhos finos e mais baixos das árvores, onde ainda não consegue subir. Conforme cresce e passa a habitar as partes mais altas das copas, a coloração vai se transformando progressivamente. À medida que se tornam adultas e alcançam as partes com folhagem, ficam cada vez mais verdes para se camuflar entre as folhas.

    Essa adaptação cromática ao longo da vida é uma estratégia sofisticada de sobrevivência. Cada fase do desenvolvimento exige uma camuflagem diferente porque o ambiente acessível ao animal muda conforme ele cresce. Nenhuma cor é aleatória: cada tom é uma resposta precisa ao ambiente e ao estágio de vida da serpente.

    Para quem se interessa por fauna silvestre, a cobra-papagaio é um lembrete de que a Amazônia ainda guarda animais cuja biologia rivaliza com qualquer ficção científica. Bela, letal à sua maneira e capaz de se reinventar ao longo da vida, ela é uma das joias menos conhecidas da biodiversidade brasileira.

  • Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Quem já encontrou uma cobra no jardim sabe bem o tamanho do susto. Mas o que a maioria das pessoas faz depois desse encontro é exatamente o que não deveria. Compra plantas com cheiro forte, espalha naftalina, cerca o quintal com ervas aromáticas e acha que está protegida.

    Segundo o biólogo Fabiano Soares, referência em fauna silvestre e com grande atuação nas redes sociais pelo perfil @biologo.zero, nenhum odor vegetal tem poder comprovado de repelir serpentes. E pior: algumas dessas soluções caseiras podem até atrair o problema que tentam resolver.

    O que realmente chama uma cobra para o seu quintal?

    Antes de pensar em como afastar, é preciso entender o que atrai. Para Fabiano Soares, a resposta é direta: comida. “O que mais define, de fato, é a presença de alimentos. Se houver roedores, pequenos mamíferos, anfíbios como sapos e pererecas, ou até filhotes de aves e ovos, a cobra terá um motivo para aparecer”, explica o especialista.

    Cobras são predadoras oportunistas e altamente eficientes. Elas não vagam pelo ambiente por acaso. Seguem rastros de presas, detectam calor corporal e percebem movimentação. Quando um quintal oferece roedores em abundância, por exemplo, torna-se automaticamente um território de caça. Portanto, o controle de pragas, especialmente ratos e ratazanas, é a medida preventiva número um para quem quer manter serpentes à distância.

    Além da alimentação, o abrigo também pesa na escolha do animal. Entulho acumulado, pilhas de lenha, pedras empilhadas, restos de construção e até vegetação densa junto ao muro funcionam como convite. São locais frescos, protegidos e próximos de potenciais presas, tudo o que uma cobra busca.

    Plantas repelentes, naftalina e cheiros fortes não funcionam contra cobras — (Foto: Byronsdad/Getty Imagens)

    É mito!

    Erva-de-santa-maria, cravo-de-defunto, capim-limão. Essas e outras plantas circulam pela internet como soluções infalíveis contra cobras. Mas a ciência não confirma esse efeito, e o biólogo Fabiano Soares é categórico ao abordar o assunto. “Não existe nenhuma planta que possa ser utilizada para afastar. A própria planta pode servir como abrigo para elas”, alerta o especialista.

    Ao contrário de insetos, que de fato podem ser perturbados por determinados odores, as cobras utilizam outros mecanismos sensoriais para se orientar. Elas detectam vibrações no solo, percebem variações de temperatura por meio de fossetas labiais (em espécies como a jararaca) e captam odores pelo órgão de Jacobson, localizado no céu da boca. Nenhum desses sistemas é sensível ao cheiro de uma planta aromática da forma que o senso comum imagina.

    Na prática, investir em um jardim aromático denso pode ter o efeito contrário ao desejado. Uma vegetação alta e não aparada oferece sombra, umidade e esconderijo, condições ideais para que uma serpente se instale sem ser percebida por dias.

    Desmatamento e obras: o fator externo

    Nem sempre a culpa está no quintal do morador. Mudanças no entorno imediato de uma residência, como obras de construção civil, terraplanagem de lotes vizinhos e desmatamento de áreas verdes próximas, são causas frequentes de aparecimento repentino de cobras em locais onde antes não eram vistas. Quando o habitat natural é destruído, os animais perdem abrigo, rota de caça e território. A consequência direta é o deslocamento forçado em direção às áreas urbanizadas.

    Esse tipo de situação é especialmente comum em bairros que fazem divisa com cerrado, Mata Atlântica ou áreas de várzea. Em períodos de seca intensa, o movimento também aumenta, já que as serpentes buscam água e microclimas mais úmidos, que muitas vezes estão nos jardins irrigados das casas.

    Dicas infalíveis

    A boa notícia é que medidas simples e de baixo custo reduzem muito o risco de encontros indesejados. Fabiano Soares resume a lógica com clareza: “As cobras são guiadas pela temperatura e pelo recurso alimentar”. Ao eliminar esses dois elementos, o quintal deixa de ser interessante para o animal.

    Na prática, isso significa manter a grama sempre aparada, retirar entulhos e objetos acumulados, vedar frestas em portas, janelas e muros, e controlar ativamente a presença de roedores no ambiente. Essas ações atacam diretamente a cadeia que atrai serpentes, sem misticismo e sem gastos desnecessários.

    Caso uma cobra seja avistada, a orientação dos especialistas é clara: não tente capturar nem matar o animal. Ligue para o Corpo de Bombeiros ou para serviços de manejo de fauna silvestre do município. Em muitas regiões do Brasil, as serpentes são protegidas por lei e exercem papel fundamental no equilíbrio ecológico, controlando justamente as populações de roedores que tanto atraem as próprias cobras.

  • O que aconteceu com Bubbles? Veja a vida atual do chimpanzé de Michael Jackson

    O que aconteceu com Bubbles? Veja a vida atual do chimpanzé de Michael Jackson

    Ele viajou o mundo em jatos particulares, dormiu em quartos de luxo e apareceu em capas de revista ao lado do maior popstar de todos os tempos. Bubbles, o chimpanzé de Michael Jackson, foi por anos um símbolo da excentricidade do Rei do Pop, tão famoso quanto qualquer celebridade humana da época. Hoje, aos 43 anos, ele vive uma realidade completamente diferente e, em muitos aspectos, muito mais adequada.

    Longe dos holofotes, Bubbles está no Centro para Grandes Primatas (Center for Great Apes), em Wauchula, na Flórida. Pesa 84 kg, lidera um grupo de chimpanzés com calma e autoridade, e passou a se dedicar a uma atividade improvável para quem o conheceu filhote: pintura.

    Do Rancho Neverland a um santuário na Flórida

    A trajetória de Bubbles com Michael Jackson começou nos anos 1980, quando o cantor o adquiriu ainda filhote. Durante quase duas décadas, o chimpanzé foi tratado como um membro da família, acompanhando Jackson em turnês, eventos públicos e na vida cotidiana no Rancho Neverland.

    No entanto, o que funcionava quando Bubbles era pequeno e dócil tornou-se insustentável com o tempo. Chimpanzés adultos são animais de força bruta, comportamento imprevisível e necessidades sociais complexas que nenhum ambiente doméstico consegue suprir. Em 2005, Bubbles foi transferido para o santuário na Flórida, onde chegou junto de outros primatas vindos da indústria do entretenimento, todos com histórias parecidas: criados por humanos, deslocados de sua natureza e precisando reconstruir uma vida entre os seus.

    Com o espólio de Jackson pagando suas contas, Bubbles pinta quadros, lidera um grupo de primatas e vive longe das câmeras — (Foto: Reprodução/Jim Smeal)

    Artista, líder e cheio de personalidade

    Dentro do santuário, Bubbles encontrou algo que o Neverland nunca pôde oferecer: identidade própria. Ele é descrito pela equipe do Centro para Grandes Primatas como um indivíduo de personalidade tímida, porém cativante, com um lado travesso que aparece nas horas mais inesperadas. Não é raro que ele surpreenda tratadores com jatos d’água ou uma pitada de areia, apenas por diversão.

    Além disso, desenvolveu um talento genuíno para a pintura. Bubbles passa longos períodos criando obras coloridas e só as entrega quando considera que estão prontas. Essa característica revela algo que a ciência confirma sobre chimpanzés: são animais com vida mental rica, capazes de preferências estéticas e comportamentos que vão muito além do instinto básico.

    Por outro lado, o papel social que ele construiu no grupo também chama atenção. Bubbles é o líder de um grupo que inclui Oopsie, Boma, Kodua e Stryker, e exerce essa liderança com equilíbrio, sem agressividade desnecessária.

    Fake news e o alerta do santuário

    Com o lançamento do filme biográfico Michael, o interesse por Bubbles voltou à tona nas redes sociais, mas trouxe consigo um problema sério: desinformação. Imagens circulando com o animal interagindo fisicamente com humanos são falsas, geradas por inteligência artificial. O santuário veio a público para esclarecer o caso e reforçar sua política.

    “Como um santuário credenciado, o bem-estar dos primatas vem sempre em primeiro lugar. Não permitimos contato físico”, declarou a instituição em nota oficial.

    Além disso, o Centro desmentiu boatos de que Jaafar Jackson, sobrinho de Michael e protagonista do filme, teria visitado Bubbles. Isso nunca aconteceu. O alerta é importante: a banalização do contato entre humanos e primatas em redes sociais alimenta uma cultura que prejudica diretamente o bem-estar desses animais e incentiva o tráfico de espécies silvestres.

    Vale lembrar que o sustento de Bubbles continua garantido pelo espólio de Michael Jackson, que financia seus cuidados de forma vitalícia no santuário.

    O que a vida de Bubbles ensina

    No filme, o diretor Antoine Fuqua optou por representar Bubbles com CGI, sem usar nenhum animal real nas gravações. A decisão respeita não só o chimpanzé específico, mas sinaliza uma mudança de mentalidade na indústria do entretenimento em relação ao uso de animais silvestres como acessórios de celebridade.

    Após 20 anos de vida tranquila em Wauchula, Bubbles se tornou, sem querer, um símbolo de outra natureza: o de que animais selvagens não pertencem a mansões, turnês ou tapetes vermelhos. Eles pertencem a espaços que respeitam o que são. Assim, o chimpanzé mais famoso da cultura pop finalmente encontrou o seu próprio Neverland, um lugar onde ele pode ser, simplesmente, um chimpanzé.

  • Jararaca em piscina de bolinhas: cobra foi encontrada em restaurante de SP enquanto crianças brincavam

    Jararaca em piscina de bolinhas: cobra foi encontrada em restaurante de SP enquanto crianças brincavam

    Imagine estar encerrando o expediente, dar uma última olhada no espaço de brincar das crianças e perceber que uma bolinha está se movendo por conta própria. Foi exatamente isso que aconteceu com um funcionário de um restaurante em Suzano, no interior de São Paulo, na noite do último domingo, dia 26 de abril. Escondida entre as bolinhas coloridas da piscina infantil do estabelecimento, estava uma jararaca, uma das cobras mais perigosas do Brasil.

    O funcionário percebeu o detalhe que salvou todo mundo

    O funcionário notou que algo estava errado ao reparar em uma bolinha se movendo de forma estranha. Sem hesitar, acionou imediatamente a equipe do Reserva RP, santuário para animais silvestres localizado na região.

    Quem foi ao local foi o médico veterinário Celso Gatti, especialista em animais silvestres e um dos responsáveis pelo resgate. Ele chegou equipado com um gancho herpetológico, instrumento específico para manejo de serpentes, e uma caixa de transporte adequada para a espécie. “Um dos funcionários notou que a jararaca estava na piscina ao reparar uma bolinha se movendo. Logo, já me chamou”, contou.

    Depois do resgate, a jararaca foi levada para uma área de mata em um bairro próximo, longe de residências, e solta em segurança. O restaurante estava fechado no momento da descoberta, o que evitou que clientes, especialmente crianças, entrassem em contato com o animal.

    Como uma cobra venenosa foi parar em uma piscina de bolinhas?

    Embora ninguém saiba exatamente como a jararaca chegou ao local, o veterinário Celso Gatti acredita que ela saiu da mata densa nos fundos do restaurante. O animal provavelmente buscou a piscina em uma tentativa de encontrar abrigo ou alimento.

    De fato, o caso não surpreende os especialistas, visto que a jararaca domina grande parte do sudeste brasileiro. Como essa espécie habita áreas da Bahia ao Rio Grande do Sul, a proximidade entre a Mata Atlântica e os centros urbanos facilita tais encontros. Por esse motivo, moradores e donos de estabelecimentos próximos à vegetação devem encarar esses incidentes como um risco real e constante.

    Celso Gatti compartilhou as imagens do resgate no Instagram e a postagem rapidamente viralizou. Como resultado, o registro já somava mais de 1,6 milhão de visualizações até a tarde de quarta-feira. O veterinário utilizou a legenda para reforçar um alerta importante: o objetivo do vídeo não é causar pânico, mas sim garantir que a população redobre o cuidado em áreas onde o animal costuma circular.

    https://www.instagram.com/reel/DXwbaADyg_e/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Por que a jararaca é tão perigosa?

    Não é à toa que o caso assustou tanta gente. Segundo o Ministério da Saúde, o grupo das jararacas é o maior causador de acidentes com cobras no país, representando 69,3% das picadas registradas no Brasil em 2022, e sendo responsável por mais de 72% dos casos no estado de São Paulo.

    O veneno da jararaca é hemotóxico, ou seja, age diretamente no sangue e nos tecidos. Os principais sintomas da picada de uma jararaca adulta em humanos são dor e inchaço local, às vezes com manchas arroxeadas e sangramento no ferimento. Também podem ocorrer sangramentos em mucosas, como nas gengivas e no nariz. Em casos mais graves, há risco de necrose e insuficiência renal aguda.

    O veneno da jararaca pode provocar lesões locais como hemorragia e necrose que, em situações mais sérias, chegam a exigir amputação dos membros afetados. O soro antiofídico, produzido pelo Instituto Butantan e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, é o único tratamento eficaz e precisa ser aplicado por profissionais de saúde em ambiente hospitalar.

    O que fazer se encontrar uma cobra?

    Antes de tudo: não tente capturar o animal. Celso Gatti deixou orientações claras para quem se deparar com uma jararaca. Mantenha distância, afaste crianças e animais domésticos do local e acione imediatamente o serviço público de resgate de animais silvestres da sua cidade.

    Em caso de picada, a recomendação do Ministério da Saúde é que a vítima permaneça em repouso, se hidrate e seja levada ao hospital de referência para tratamento de acidentes ofídicos o mais rápido possível. Dois erros comuns que devem ser evitados: fazer torniquete no local da picada e tentar chupar o veneno. O torniquete não impede a circulação do veneno e apenas aumenta o risco de necrose e amputação do membro.

  • Saruê não é vilão: entenda o papel do animal nas cidades

    Saruê não é vilão: entenda o papel do animal nas cidades

    Se você vive em cidade grande, já deve ter cruzado com um saruê – ou gambá‑de‑orelha‑preta – atravessando calçada, fuçando lixo ou sumindo em debaixo de carro. Para boa parte da população, o reflexo é o mesmo: medo, repulsa, até vontade de espantar ou matar. Porém, o que parece problema noturno é, na prática, um faxineiro da natureza, com papel direto na saúde e no equilíbrio ambiental das áreas urbanas.

    O saruê é um marsupial onívoro, ou seja, come de tudo: frutas, insetos, pequenos animais e restos orgânicos de lixo. Essa dieta variada o coloca na posição de controlador natural de pragas, porque consome baratas, escorpiões, carrapatos, ratos e até alguns animais peçonhentos.

    Como o faxineiro atua no ecossistema urbano

    Se olhar com mais frieza, o saruê cumpre duas funções que muitos gestores públicos gastam dinheiro tentando resolver com veneno e controle químico. Na primeira, ele reduz populações de pragas urbanas, diminuindo a chance de infestações de baratas, escorpiões e carrapatos em áreas residenciais. Na segunda, ao se alimentar de frutas e carregar sementes em suas fezes, ajuda a dispersar vegetação em áreas verdes e remanescentes de mata, atuando como um jardineiro involuntário.

    Outro ponto pouco conhecido é a resistência do saruê a alguns venenos de animais peçonhentos. Isso significa que, em vez de sumir diante de escorpiões ou aranhas, ele passa a se alimentar desses bichos, o que aumenta sua eficiência como controlador biológico. Em áreas onde a fauna nativa foi reduzida, o saruê entra como predador que não foi chamado pelo homem, mas que acaba compensando, em parte, a ausência de outros controles naturais.

    O conflito entre preconceito e urgência ecológica

    Apesar disso, o saruê continua sendo visto como incômodo, sujo ou perigoso. Muitas pessoas não sabem que o animal é, na maioria das vezes, tímido e prefere fugir ou se fingir de morto quando ameaçado, um comportamento conhecido como tanatose. Outros ainda espalham informações erradas de que o saruê é agressivo ou responsável por doenças, quando o maior risco costuma vir da falta de manejo de lixo, não do próprio animal.

    Além disso, por causa da expansão urbana e da perda de habitat, o saruê foi se aproximando cada vez mais das cidades, onde encontra comida fácil em lixeiras e áreas mal fechadas. Se por um lado isso aumenta o contato com o ser humano e gera irritação, por outro demonstra que o sistema urbano está, indiretamente, criando condições para que esse faxineiro entre em cena.

    O que o saruê muda para quem vive na cidade?

    Para quem mora em bairro, condomínio ou área com muita vegetação, o saruê não é só um bicho esquisito que passa de noite. Ele é um agente de controle de pragas que, por não ser intencional, acaba subestimado. Em vez de depender apenas de inseticidas e raticidas, a convivência informada com o saruê pode reduzir pressão de baratas, escorpiões e carrapatos em espaços que já estão próximos de casa.

    Ecologistas e especialistas em fauna urbana recomendam, então, duas atitudes simples: não alimentar o saruê e manter o lixo bem fechado ou dentro de áreas seguras. Ao mesmo tempo, orientam que, ao invés de matar ou envenenar, seja chamada uma equipe de fauna ou de meio ambiente para captura e soltura em áreas de vegetação mais adequadas. Assim, o faxineiro continua trabalhando, só que em um lugar onde sua função faz mais sentido e gera menos atrito com o dia a dia urbano.

    Em outras palavras, o saruê é um dos casos em que o preconceito está na frente da leitura prática: o bicho que muita gente vê como problema pode ser, na verdade, um dos aliados silenciosos para evitar pragas maiores e manter o ecossistema urbano um pouco mais equilibrado.

  • Carne de paca: caso Janja revela oportunidade no agro

    Carne de paca: caso Janja revela oportunidade no agro

    A polêmica envolvendo a primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) durante o almoço de Páscoa reacendeu um debate relevante para um nicho específico do agronegócio brasileiro: a criação legalizada de animais silvestres.

    O episódio, que envolveu o preparo de carne de paca, ultrapassou o campo das redes sociais e trouxe à tona questões sensíveis sobre legislação ambiental, rastreabilidade e comunicação no setor.

    O estopim: “carne de caça” gera controvérsia

    No domingo de Páscoa, Janja publicou um vídeo preparando o prato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A repercussão negativa começou após a primeira-dama se referir ao alimento como “carne de caça”.

    A declaração foi criticada pela ativista Luisa Mell, que apontou que o termo pode incentivar práticas ilegais, já que a caça de animais silvestres é proibida no Brasil: “Qual o objetivo dessa porcaria, Janja? Qual o objetivo disso daqui? Você acha o que vai acontecer com esse seu post? Está incentivando, sim, a caça, está incentivando, sim, as pessoas a consumir animal silvestre.”

    Diante da repercussão, Janja afirmou que a carne não era oriunda de caça, mas sim proveniente de um produtor autorizado pelo IBAMA.\

    Criação legal: um nicho promissor no agro

    Para o agronegócio, o caso evidencia uma oportunidade pouco explorada: a criação de animais silvestres em cativeiro para fins comerciais.

    Diferente da caça ilegal, essa atividade é regulamentada e pode atender mercados de alto valor agregado, como o da gastronomia sofisticada. Carnes consideradas exóticas, como a de paca, têm demanda crescente em restaurantes de nicho e consumidores premium.

    No entanto, o setor exige rigor absoluto no cumprimento das normas ambientais.

    O que diz a lei

    A base legal para a atividade está na Lei 9.605/1998, que estabelece regras claras:

    • Caça proibida: capturar ou matar animais silvestres sem autorização é crime ambiental, com pena de detenção e multa.
    • Criação permitida: produtores autorizados podem criar e comercializar esses animais legalmente.
    • Rastreabilidade obrigatória: a origem do produto deve ser comprovada por certificação oficial, garantindo sua legalidade.

    Esse conjunto de regras é o que diferencia um mercado legítimo de uma prática criminosa.

    Pressão política e fiscalização

    A repercussão também chegou ao meio político. O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, solicitou ao Ministério do Meio Ambiente a apuração da origem da carne consumida.

    O movimento reforça um alerta importante para o setor: produtos de origem silvestre estão sob alto nível de escrutínio, tanto social quanto institucional.

    Comunicação e transparência viram ativos estratégicos

    Mesmo quando a atividade é legal, falhas na comunicação podem gerar crises de imagem com impacto direto no produtor.

    O uso inadequado de termos, como “carne de caça”, pode confundir o público e associar práticas legais a atividades ilegais. Nesse cenário, a transparência e a rastreabilidade deixam de ser apenas exigências legais e passam a ser ativos estratégicos.

    O que o produtor precisa levar em conta

    O mercado de carnes silvestres pode ser altamente rentável, mas exige profissionalização. Documentação em dia, certificações válidas e clareza na comunicação são essenciais para proteger o negócio.

    O caso Janja evidencia que, no atual ambiente, não basta estar dentro da lei, é preciso também saber comunicar isso ao mercado.

  • Onça ataca motociclista em estrada rural e caso chama atenção

    Onça ataca motociclista em estrada rural e caso chama atenção

    Um ataque de onça assustou um motociclista em uma estrada rural no Paraná. O animal mordeu o pé do homem enquanto ele passava pelo local, em um episódio que rapidamente chamou atenção e gerou alerta entre moradores da região.

    Apesar do susto, o motociclista conseguiu seguir caminho e não sofreu ferimentos graves.

    Ataque aconteceu de forma inesperada

    Segundo relatos, a onça apareceu de repente às margens da estrada. O motociclista não conseguiu reagir a tempo e acabou sendo atingido. Ainda assim, ele manteve o controle da moto e deixou o local logo em seguida.

    Presença de animais silvestres preocupa

    Nos últimos anos, moradores do campo têm relatado com mais frequência a presença de animais silvestres próximos a estradas e propriedades.

    Isso acontece, principalmente, por causa da redução do habitat natural. Com menos espaço e alimento disponível, espécies como a onça passam a circular mais perto de áreas ocupadas.

    Além disso, mudanças no ambiente também influenciam esse comportamento.

    Atenção deve ser redobrada

    Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de cautela.
    Evitar paradas próximas à mata, reduzir a velocidade e manter distância são atitudes que ajudam a diminuir riscos. Ao mesmo tempo, não tentar se aproximar do animal é fundamental.

    Caso reforça alerta no campo

    O episódio serve como alerta para quem circula por áreas rurais. Embora ataques não sejam comuns, eles podem acontecer. Por isso, a convivência com a fauna exige atenção constante e adaptação no dia a dia.

  • Brasil conquista proteção ampliada para preguiças-de-dois-dedos

    Brasil conquista proteção ampliada para preguiças-de-dois-dedos

    A comunidade internacional ampliou a proteção às preguiças-de-dois-dedos durante a 20ª Conferência das Partes da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites). O encontro, realizado em Samarcanda, no Uzbequistão, no início deste mês, incluiu duas espécies, Choloepus hoffmanni e Choloepus didactylus, no Anexo II da convenção.

    A partir de 5 de março de 2026, o comércio desses animais seguirá regras mais rigorosas. A medida busca evitar que a exploração comercial comprometa a sobrevivência das espécies nas próximas décadas.

    Aumento da demanda preocupa autoridades

    “A inclusão dessas espécies no anexo da Cites é necessária para que exista melhor monitoramento e controle do aumento da demanda, a fim de garantir a sobrevivência das populações a longo prazo na natureza”, afirma Lívia Passos Martins, diretora de Biodiversidade e Florestas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ela integrou a delegação brasileira na COP20.

    O Ibama atua como autoridade administrativa da Cites no Brasil. O país proíbe a captura de animais silvestres na natureza desde 1967, quando promulgou a Lei de Fauna (Lei nº 5.197/1967), a primeira legislação nacional com restrições claras sobre o tema.

    Turismo e redes sociais alimentam tráfico

    Nos últimos anos, a demanda por bichos-preguiças como animais de estimação cresceu significativamente. A analista ambiental do Ibama Júlia Simões Damo, que também participou da COP20, aponta novas motivações para o comércio ilegal.

    “Aumentou a demanda por bichos-preguiças como animais de estimação ou para outras atividades, como selfies com turistas e cafés com animais exóticos”, relata Damo.

    Os traficantes capturam principalmente filhotes e juvenis. A prática impacta diretamente a capacidade da população de se recuperar frente a outras ameaças, como o desmatamento ilegal, perda de habitat e incêndios florestais.

    Classificação e critérios de proteção

    A espécie Choloepus hoffmanni aparece como quase ameaçada no Brasil e como ameaçada na Costa Rica e em Honduras. A Choloepus didactylus integra o Anexo II pelo critério de semelhança, já que as duas espécies são quase idênticas.

    Bicho-preguiça Choloepus didactylus. Foto: World Animal Protection

    A inclusão no Anexo II obriga países como a Guiana, que ainda permite a captura de bichos-preguiças na natureza para comercialização, a estabelecer regras mais rígidas. Os comerciantes precisarão comprovar que a captura ocorreu de forma legal e sustentável.

    Proposta aprovada por consenso

    O Brasil apresentou a proposta de restrição em parceria com a Costa Rica e o Panamá. A conferência internacional da Cites estabeleceu o aprimoramento dos critérios de proteção das espécies por consenso.

    A decisão representa um avanço na proteção da fauna silvestre e demonstra o papel de liderança do Brasil nas discussões sobre conservação ambiental no cenário internacional.

  • Ibama apreende 268 animais silvestres vítimas de tráfico

    Ibama apreende 268 animais silvestres vítimas de tráfico

    Uma operação de fiscalização realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na última quinzena resultou no resgate de 268 animais silvestres mantidos em cativeiro ilegal no sul da Bahia. A ação expôs uma rede de tráfico de fauna que utilizava documentação falsa para simular a legalidade dos espécimes.

    As multas aplicadas aos infratores somaram mais de R$ 1 milhão, e 28 autos de infração foram lavrados durante a operação. Muitos dos animais resgatados apresentavam sinais graves de desnutrição e maus-tratos, segundo os agentes ambientais responsáveis pela fiscalização.

    Documentação falsa e integração entre estados

    Um dos casos mais emblemáticos da operação envolveu a prisão de um homem flagrado com dois papagaios. Durante a abordagem, o suspeito apresentou nota fiscal fraudulenta na tentativa de comprovar origem legal das aves. A Polícia Federal efetuou a detenção.

    A integração entre equipes do Ibama em diferentes estados permitiu identificar o infrator. Agentes em Minas Gerais já tinham interceptado um lote de anilhas falsas destinado a várias regiões do país, e essa informação se tornou decisiva para desarticular o esquema.

    Criadouros ilegais e irregularidades em criadores amadores

    A fiscalização também mirou criadouros amadores de passeriformes, onde foram encontradas diversas irregularidades. Entre os problemas identificados estavam aves provenientes de outros criadores sem autorização, uso de anilhas falsas e animais sem qualquer identificação. Um forte indício de captura direta na natureza.

    Os agentes ambientais ainda localizaram animais silvestres abatidos ilegalmente, incluindo um caititu e dois tatus, evidenciando a gravidade das infrações ambientais na região.

    Entre os 268 animais apreendidos, destacam-se:

    • 56 jabutis
    • 4 araras
    • 4 papagaios
    • 3 periquitos-verdes
    • 3 periquitos-da-testa-amarela
    • 2 macacos
    • Diversas espécies de aves silvestres, como baianos, coleirinhos, bigodinhos, canários-da-terra e curiós

    Várias aves anilhadas também foram retidas devido a irregularidades nos plantéis de criadores amadores, que não conseguiram comprovar a procedência legal dos animais.

    Condições precárias e impacto na biodiversidade

    Segundo os fiscais que participaram da operação, grande parte dos animais resgatados estava severamente debilitada. Os espécimes apresentavam desnutrição avançada e outros sinais evidentes de maus-tratos, consequência das condições inadequadas do cativeiro ilegal.

     Foto: Divulgação/Ibama/BA

    “O tráfico de fauna silvestre não apenas causa sofrimento aos animais, mas representa uma ameaça direta à biodiversidade brasileira”, alertam os agentes do Ibama. A prática alimenta um mercado negro que movimenta milhões de reais anualmente e contribui para o declínio de populações de espécies nativas.

    Destino dos animais resgatados

    Após os procedimentos de fiscalização, as equipes encaminharam parte dos animais ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Vitória da Conquista, onde eles receberão atendimento veterinário e os cuidados necessários. Os agentes também devolveram imediatamente à natureza os espécimes que apresentavam boas condições de saúde.

    O Ibama reforça que manter animais silvestres sem autorização configura crime ambiental previsto na Lei nº 9.605/98, sujeito a penas de seis meses a um ano de detenção e a multas que podem alcançar R$ 5 mil por animal apreendido.

  • Ibama resgata 59 animais silvestres e autua professor por fraude

    Ibama resgata 59 animais silvestres e autua professor por fraude

    O Ibama deflagrou a Operação Gênesis na segunda-feira (24), em Barra do Garças (MT) e municípios vizinhos na divisa com Goiás, para combater o tráfico de fauna silvestre. A ação resgatou 59 animais e autuou um professor universitário por tentar fraudar o SisPass 32 vezes em 2024. A região é ponto estratégico para o escoamento ilegal de espécies capturadas.​

    Agentes do Ibama atuaram em duas frentes após denúncia. Em uma fazenda, encontraram psitacídeos ilegais, como arara-canindé, papagaio-verdadeiro, papagaio-do-mangue e maracanã-da-cara-amarela, alguns acorrentados ou em gaiolas trancadas sem licença. Cinco aves estão na lista da Cites II, convenção internacional contra comércio de espécies ameaçadas; todos os animais foram apreendidos por falta de autorização.​

    Na residência do professor, já investigado administrativamente, fiscais confirmaram irregularidades. O SisPass, sistema de monitoramento de criação amadora de pássaros, registrou tentativas de transferências inconsistentes, anilhas incompatíveis e manipulação de dados para legalizar aves de origem ilegal. Suspenso, ele mantinha pássaros sem licença ativa e foi multado pelo art. 79 do Decreto 6.514/2008.​

    Destino dos animais e ações adicionais

    Os 59 animais resgatados foram levados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Brasília para triagem e cuidados veterinários. Durante a operação, um guaxinim-neotrópico (mão-pelada) foi solto em Área de Soltura de Animais Silvestres (Asas) em Mato Grosso, após reabilitação. Denúncias de maus-tratos ou tráfico de fauna podem ser feitas pelo 0800 061 8080 do Ibama.​

    Foto: Cofis/Ibama