Tag: algodão

  • Algodão agroecológico: o futuro da moda sustentável

    Algodão agroecológico: o futuro da moda sustentável

    O famoso bloco Expresso 2222, um dos camarotes mais famosos do Carnaval de Salvador, acaba de marcar história ao apresentar sua primeira camiseta oficial feita com algodão 100% agroecológico, em parceria com a Riachuelo. A peça, cultivada sem agrotóxicos por mais de 140 agricultores do sertão nordestino, simboliza uma virada na moda festiva. E alia estilo, responsabilidade ambiental e impacto social.

    Diferente do cultivo convencional — que consome 25% dos inseticidas e 10% dos pesticidas globais, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) —, o algodão agroecológico preserva o solo, reduz a contaminação da água e protege a saúde dos trabalhadores rurais. No Nordeste brasileiro, projetos como o Arribaçã (Algodão em Rede na Agricultura Familiar) têm capacitado famílias agricultoras para adotarem práticas que dispensam químicos, priorizando adubos naturais e manejo integrado de pragas. O resultado são fibras de alta qualidade, que geram renda justa e mantêm viva a biodiversidade da Caatinga.

    Tais Araujo e Flora Gil usam camiseta de algodão 100% agroecológico. Divulgação.

    A estreia da camiseta verde e branca do Expresso 2222 foi celebrada por nomes como Taís Araújo, Lázaro Ramos e Flora Gil, que desfilaram no bloco reforçando o apelo da moda ética. “É uma honra apoiar iniciativas que valorizam quem planta com respeito à terra”, destacou Taís, em rede social. A peça integra uma coleção da Riachuelo, toda desenvolvida com malhas agroecológicas.

    Impacto social no Sertão

    Por trás das camisetas, está uma rede de agricultores de estados como Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, organizados em cooperativas como a Coopnatural. Cada quilo de algodão agroecológico produzido nessas regiões gera até 30% mais renda para as famílias. Isso comparado ao modelo tradicional, de acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Algodão Sustentável (Abrapas). Além disso, o cultivo agroecológico fortalece a autonomia das mulheres rurais, que lideram 40% dos projetos no semiárido.

    A coleção faz parte da estratégia “Moda que Transforma” da Riachuelo. E que inclui metas como 100% de algodão sustentável até 2025 e redução de 30% nas emissões de carbono. A marca já utiliza tecnologias como reciclagem de resíduos têxteis e tingimento a laser, e agora amplia o apoio à agricultura familiar. “Queremos ser ponte entre o campo e a cidade, mostrando que é possível produzir moda com ética”, afirma Carla Rocha, diretora de sustentabilidade da empresa.

    Onde encontrar

    As camisetas do Expresso 2222 e da coleção agroecológica estarão disponíveis a partir de março nas lojas físicas da Riachuelo e no e-commerce. Parte da renda será revertida para projetos de educação ambiental no Nordeste.

    Enquanto a indústria da moda responde por 10% das emissões globais de CO₂, iniciativas como essa mostram que é possível celebrar a cultura brasileira sem sacrificar o planeta. O algodão agroecológico não só veste foliões, mas planta sementes de um futuro mais justo — no campo, nas passarelas e nos bloquinhos de carnaval.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Brasil envia amostras ao Banco Global de Sementes de Svalbard
    + Agro em Campo: Crise do café: solução pode vir da África

  • Melhoramento genético promete dobrar ganhos

    Melhoramento genético promete dobrar ganhos

    A inovação tecnológica, impulsionada pela inteligência artificial e processos estruturados, está revolucionando o melhoramento genético no setor agrícola. Com o potencial de dobrar os ganhos em produtividade e reduzir em mais de 30% o tempo necessário para o desenvolvimento de novas cultivares, o futuro da agricultura se torna mais eficiente e adaptável.

    Ferramentas modernas, como a inteligência artificial aplicada à análise preditiva de big data, complementam os métodos tradicionais. E possibilitam o lançamento mais rápido de cultivares adaptadas, produtivas e alinhadas às demandas crescentes do campo.

    Ciclo de desenvolvimento reduzido

    Segundo Anderson Meda, Head de Pesquisa da TMG (Tropical Melhoramento & Genética), empresa brasileira de soluções genéticas para algodão, soja e milho, a integração de ferramentas avançadas e metodologias inovadoras reduziu significativamente o tempo de desenvolvimento de uma nova cultivar de soja.

    “Antes da introdução dessas tecnologias, o ciclo completo de desenvolvimento de uma nova cultivar de soja, por exemplo, levava no mínimo oito anos. Atualmente, com a integração de ferramentas avançadas e metodologias inovadoras, esse tempo foi reduzido significativamente, representando um avanço significativo para o setor”, afirma Meda.

    Etapas rigorosas e bem definidas

    O desenvolvimento de cultivares segue etapas rigorosas e bem definidas. Nos dois primeiros anos, os pesquisadores realizam cruzamentos e introgressões de traits, combinando características que oferecem vantagens competitivas, como resistência a pragas e tolerância a herbicidas, com atributos essenciais para o mercado, como produtividade, resistência a doenças e qualidade de grão. Essa etapa gera milhões de plantas, que formam a base genética para as futuras linhagens.

    Nos anos seguintes, o foco se volta para testes avançados, com milhares de plantas sendo avaliadas em quesitos como o desempenho agronômico em diferentes condições de cultivo. No quinto ou sexto ano, as cultivares estão prontas para direcionamento ao portfólio de novos produtos.

    Infraestrutura de ponta e inovação

    Para assegurar agilidade e eficiência, a TMG investe em infraestrutura de ponta e tecnologias inovadoras, como 35 casas de vegetação, totalizando 12 mil m², onde mais de 1 milhão de plantas são conduzidas anualmente. A abordagem “Breeding by Design” é um dos pilares dessa evolução, permitindo projetar características específicas nas cultivares desde as fases iniciais do processo. Essa metodologia utiliza dados genéticos, climáticos e de solo, integrados com ferramentas analíticas avançadas, para direcionar decisões com alta precisão. Análises realizadas com drones em parcelas experimentais complementam o processo, fornecendo insights detalhados sobre como as plantas respondem a diferentes estímulos ambientais.

    A experimentação em campo, realizada em mais de 100 ambientes de seleção distribuídos pelo Brasil, também é fundamental. Ela assegura que as cultivares atendam às condições específicas de cada região produtora.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Uso indiscriminado de herbicida 2.4-D preocupa olivicultores
    + Agro em Campo: Produtores aumentam produção de café Robustas Amazônicos

  • Brasil bate recorde em exportações em janeiro de 2025

    Brasil bate recorde em exportações em janeiro de 2025

    O agronegócio brasileiro iniciou 2025 com um salto estratégico: US$ 11 bilhões em exportações em janeiro, segundo maior valor já registrado para o período, e a abertura de 24 novos mercados internacionais. A alta foi impulsionada pela valorização de commodities como café, celulose e algodão, que compensaram a queda nas vendas de soja e milho, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura (Mapa).

    Crescimento de 5,3% nos preços e alta em setores como café, celulose e algodão impulsionam receita de US$ 11 bilhões, segundo maior valor para o mês na história.

    O índice geral de preços das exportações subiu 5,3% em janeiro, reflexo da demanda internacional por produtos-chave:

    • Café verde: Receita de US$ 1,3 bilhão (+79,4%), com preços 63,8% maiores.
    • Celulose: Vendas ultrapassaram US$ 1 bilhão (+44,1%), com destaque para China (+53,3%) e UE (+60,2%).
    • Algodão: Alta de 47,5% (US$ 710,7 milhões), sustentado por safra recorde e demanda do Paquistão e Vietnã.

    Seis setores superaram a marca de US$ 1 bilhão em exportações, incluindo carnes (18,9% do total) e complexo sucroalcooleiro (10%).

    Países emergentes ganham destaque

    A política de expansão do Mapa, liderada pelo ministro Carlos Fávaro, ampliou a presença brasileira em mercados emergentes:

    • Paquistão: +166,3% nas importações.
    • Bangladesh: +85,1% (país recebeu um dos 11 novos postos de adidância do Brasil).
    • Turquia: +122,7%.

    Parceiros tradicionais também cresceram: a União Europeia aumentou compras em 39,5% (US$ 1,89 bilhão), enquanto a China manteve relevância com alta de 53,3% em celulose.

    Frutas e produtos não convencionais: o novo foco

    Enquanto commodities tradicionais lideram, nichos como frutas tropicais e produtos não convencionais ganham espaço:

    • Exportações de gergelim para a Índia cresceram 250,6%.
    • Óleo essencial de laranja teve alta de 19,5%, com a UE superando os EUA como maior comprador.
    • Frutas brasileiras foram vendidas para 137 países, somando US$ 1,3 bilhão em 2024.

    A expectativa é que a abertura do mercado chinês para gergelim e a participação do Brasil na maior feira de frutas do mundo (Berlim) ampliem oportunidades.

    Visitas presidenciais e ferramentas de apoio

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará Japão e Vietnã em fevereiro para reforçar acordos comerciais, com foco em proteína animal e frutas. Paralelamente, plataformas como AgroInsights e Passaporte Agro, lançadas pelo Mapa, ajudam produtores a identificar demandas globais.

    “Estamos qualificando nossa inserção internacional, diversificando produtos e destinos para gerar emprego e renda no interior”, afirma Luís Rua, secretário de Comércio do Mapa.

    Perspectivas para 2025: Com a valorização de commodities, investimento em nichos e abertura de mercados, o Brasil consolida-se como peça central no tabuleiro global do agronegócio. A próxima parada: consolidar as frutas brasileiras como símbolo de qualidade e sustentabilidade.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Uso indiscriminado de herbicida 2.4-D preocupa olivicultores
    + Agro em Campo: Saúde: ovos de pata podem ser opção nutritiva

  • Produção de grãos deve crescer 9,4%, afirma a Conab

    Produção de grãos deve crescer 9,4%, afirma a Conab

    A safra brasileira de grãos em 2024/25 deve atingir 325,7 milhões de toneladas, um crescimento de 9,4% em relação à temporada anterior. Em resumo, o aumento reflete a expansão de 2,1% na área cultivada, que deve chegar a 81,6 milhões de hectares, e a recuperação de 7,1% na produtividade, estimada em 3.990 quilos por hectare. Portanto, se confirmado, esse volume será o maior já registrado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados fazem parte do 5º Levantamento da Safra de Grãos 2024/25, divulgado nesta quinta-feira (13).

    Milho

    A Conab estima uma produção total de milho de 122 milhões de toneladas, 5,5% acima da safra anterior. A colheita da primeira safra do cereal já alcança 13,3% da área plantada. Apesar da redução de 6,6% na área semeada para o milho 1ª safra, o ganho de produtividade compensou essa queda, resultando em uma colheita estimada de 23,6 milhões de toneladas. Na segunda safra, 18,8% da área prevista já foi semeada. As condições climáticas favoráveis devem garantir um crescimento de 2,4% na área plantada, impulsionando a produção para 96 milhões de toneladas, um aumento de 6,4%.

    O plantio do milho segunda safra avança conforme a colheita da soja, que já alcança 14,8% da área plantada. A produção da oleaginosa deve atingir 166 milhões de toneladas, um acréscimo de 18,3 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. O crescimento resulta da ampliação da área plantada e da melhora na produtividade. O clima beneficiou a cultura em estados como Paraná, Santa Catarina e Centro-Oeste, enquanto Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul enfrentaram estiagem desde dezembro.

    Arroz

    A área de arroz deve atingir 1,7 milhão de hectares, um crescimento de 6,4% sobre a safra anterior. No Rio Grande do Sul, maior produtor do país, as altas temperaturas e a redução de água nos reservatórios preocupam, mas não impactam a produtividade até o momento. A Conab projeta uma produção de 11,8 milhões de toneladas, um aumento de 11,4% em comparação à safra passada.

    Feijão

    Para o feijão, a Conab espera uma colheita de 3,3 milhões de toneladas, considerando as três safras. A primeira safra está em diferentes estágios fenológicos, com 47% da área já colhida até 10 de fevereiro. A produção deve atingir 1,1 milhão de toneladas. O plantio da segunda safra está no início, e a projeção é de 1,46 milhão de toneladas, enquanto a terceira deve render 778,9 mil toneladas.

    Algodão

    No algodão, a área plantada deve crescer 4,8%, totalizando 2 milhões de hectares. A semeadura já ultrapassa 87% da área prevista. A produção de pluma pode chegar a 3,8 milhões de toneladas, um recorde histórico para a cultura. Para as culturas de inverno, as primeiras estimativas indicam que a produção de trigo deve atingir 9,1 milhões de toneladas. O plantio começa em abril no Paraná e em maio no Rio Grande do Sul, estados responsáveis por 80% da produção nacional.

    Mercado

    A produção de milho deve atender à crescente demanda interna, estimada em 86,9 milhões de toneladas. No entanto, a Conab projeta uma leve redução nas exportações, com embarques estimados em 34 milhões de toneladas na safra 2024/25. O aumento do consumo interno reduz a oferta para o mercado externo.

    No caso do arroz, a Conab revisou a área semeada, o que resultou em uma projeção de 11,8 milhões de toneladas. Portanto, o volume colhido garantirá o abastecimento nacional e permitirá um aumento nas exportações, estimadas em 2 milhões de toneladas.

    O 5º Levantamento da Safra de Grãos 2024/25, com informações detalhadas sobre os mercados dos produtos, está disponível no portal da Conab.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Descoberta de enzima brasileira pode revolucionar produção de bioenergia

     

  • Brasil bate recorde na produção de algodão certificado

    Brasil bate recorde na produção de algodão certificado

     A safra 2023/2024 de algodão registrou produção recorde e consolidou o Brasil como líder nas exportações da pluma. No período, 3,04 milhões de toneladas receberam certificação do Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Em geral, o volume corresponde a 83% da produção total do país, que alcançou 3,7 milhões de toneladas.

    Em relação à safra anterior, houve um aumento absoluto de 14% na produção certificada, que passou de 2,7 milhões para 3,04 milhões de toneladas. Além disso, o número de propriedades rurais certificadas também cresceu 20,6%, subindo de 374 para 451 unidades produtivas.

    Certificação amplia acesso a mercados internacionais

    A certificação garante que as fazendas seguem normas sustentáveis em produção, meio ambiente e relações trabalhistas. Ou seja, o ABR abre portas para mercados mais exigentes e facilita o licenciamento Better Cotton. Na safra passada, o Brasil respondeu por 48% do algodão Better Cotton comercializado no mundo.

    Ao mesmo tempo, o setor também impulsionou o emprego. Em resumo, as fazendas certificadas geraram 41 mil vagas diretas, incluindo 4,8 mil mulheres e 670 trabalhadores com deficiência. Além disso, 93% da produção ABR ocorreu no sistema sequeiro, sem irrigação artificial.

    Rastreabilidade avança no setor têxtil

    O programa SouABR, primeiro sistema de rastreabilidade de ponta a ponta da cadeia têxtil, alcançou marcos importantes em 2024. Mais de 190 mil peças rastreáveis chegaram ao mercado por marcas como Almagrino, C&A, Calvin Klein, Döhler e Veste S.A. No total, 79 produtores e 99 fazendas participaram da iniciativa, disponibilizando informações sobre mais de 41 mil fardos de algodão.

    O projeto foi reconhecido no Prêmio Amcham 2024, um dos principais reconhecimentos de inovação sustentável do Brasil. Um dos destaques foi a coleção de jeans rastreáveis da C&A, produzida com 53.460 kg de algodão certificado, 2.207 kg de fio e 3.713 metros de tecido da Santana Textiles. O processo envolveu a confecção Emphasis e resultou em 2.500 calças jeans rastreáveis.

    Moda consciente e transparência na produção

    A rastreabilidade avançou em toda a cadeia produtiva. O SouABR monitorou 1,75 milhão de quilos de fios, 160 mil metros de tecidos, 135 mil quilos de malhas e 205 mil peças confeccionadas. Grandes marcas apostam na iniciativa. A Veste S.A., dona da Dudalina e Individual, iniciou o projeto com 80 mil peças rastreáveis e pretende ampliar essa tecnologia para outros produtos.

    Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A., reforça que a rastreabilidade melhora a transparência na produção e fortalece padrões de sustentabilidade na moda. “Não se trata apenas de inovação tecnológica, mas de uma transformação no setor”, destaca.

    Pedro Sávio, da Almagrino, considera o SouABR uma referência global em responsabilidade socioambiental. “Nosso compromisso com altos padrões socioambientais se reflete na rastreabilidade”, afirma. Marco Aurélio Braga, da Döhler, destaca que a primeira toalha rastreável do Brasil garante transparência ao consumidor.

    Os avanços do SouABR reforçam a relevância da rastreabilidade no setor têxtil. “A adesão de grandes marcas e o reconhecimento em prêmios consolidam o Brasil como referência em moda consciente”, conclui Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Fertilizantes: Brasil busca aumentar a produção e diminuir a importação

  • Safra de grãos em 2024/25 deve atingir recorde histórico

    Safra de grãos em 2024/25 deve atingir recorde histórico

    A safra 2024/25 de grãos no Brasil deve chegar a 322,3 milhões de toneladas. Em geral, o volume representa um aumento de 8,2% em relação à safra anterior, com 24,5 milhões de toneladas a mais. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou os dados nesta terça-feira (14), durante o 4º Levantamento da Safra de Grãos.

    Em resumo, a previsão reflete o clima favorável ao desenvolvimento das culturas de primeira safra. A área total plantada também deve crescer 1,8%, alcançando 81,4 milhões de hectares. Portanto, se confirmado, o volume será o maior da série histórica.

    Produção de soja em alta

    A soja, principal cultura do país, deve atingir 166,33 milhões de toneladas, um crescimento de 18,61 milhões em relação à safra anterior. A produtividade média esperada é de 3.509 quilos por hectare, contra 3.201 kg/ha do ciclo passado. O plantio ocorreu de forma concentrada, principalmente após outubro, e a colheita deve começar no fim de janeiro.

    As condições climáticas até o momento são favoráveis, mas a Conab monitora os possíveis impactos climáticos até o fim da colheita.

    Milho também registra avanços

    O milho deve alcançar 119,6 milhões de toneladas, um aumento de 3,3% em comparação à safra anterior. A primeira safra do cereal deve apresentar uma produtividade média de 6.062 quilos por hectare, um crescimento de 4,8%. As condições climáticas, com chuvas frequentes intercaladas por sol, favoreceram as lavouras. A colheita da primeira safra está estimada em 22,53 milhões de toneladas.

    Recuperação no arroz e feijão

    O arroz deve registrar uma produção de 11,99 milhões de toneladas, um aumento de 13,2% em relação ao ciclo anterior. A área plantada cresceu 8,5%, totalizando 1,75 milhão de hectares. Além disso, a produtividade também subiu, chegando a 6.869 quilos por hectare.

    A produção de feijão deve atingir 3,4 milhões de toneladas, a segunda maior dos últimos 15 anos. A primeira safra da leguminosa apresenta alta de 15,5%, com colheita estimada em pouco mais de 1 milhão de toneladas. Cerca de 19,4% dessa colheita foi concluída na primeira semana de janeiro.

    Avanço no algodão e resultados do trigo

    A área plantada com algodão deve crescer 3,2%, alcançando 2 milhões de hectares. A produção de pluma está projetada em 3,7 milhões de toneladas, um dos maiores volumes já registrados.

    No caso do trigo, a produção caiu 2,6%, totalizando 7,89 milhões de toneladas. Ou seja, a redução da área plantada no Sul e o clima desfavorável impactaram negativamente o resultado.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Camu-Camu aumenta valor nutricional da farinha de mandioca
    + Agro em Campo: Sucuri gigante é gravada enrolada em capivara em Bonito

    Exportações e estoques

    A Conab projeta um aumento nas exportações de soja, com embarques estimados em 105,47 milhões de toneladas em 2024/25. As exportações de farelo devem permanecer em 22 milhões de toneladas, enquanto as de óleo estão projetadas em 1,4 milhão de toneladas.

    No milho, as vendas externas devem atingir 34 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno está previsto em 86,4 milhões de toneladas. Em resumo, os estoques finais do cereal podem chegar a 3,5 milhões de toneladas, garantindo o abastecimento interno.

    Para o arroz, é esperado um aumento das exportações, com 2 milhões de toneladas em 2024/25. Mesmo com a alta nos embarques, os estoques finais devem se recuperar, atingindo 1,28 milhão de toneladas até fevereiro de 2026.

     

  • Produção: segunda safra deve crescer em 2025

    Produção: segunda safra deve crescer em 2025

    A segunda safra tem se tornado cada vez mais relevante na agricultura brasileira. De acordo com a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta terça-feira (14), a produção de milho para a temporada 2024/2025 deve crescer, alcançando 119,6 milhões de toneladas no total das três safras, o que representa um aumento de 3,3% em relação à temporada anterior. A chamada “safrinha” é responsável por cerca de 80% dessa produção.

    No que diz respeito ao algodão, a área cultivada deve alcançar 2 milhões de hectares, com uma produção estimada em 3,7 milhões de toneladas, sendo a maior parte proveniente da segunda safra.

    Para maximizar o potencial produtivo, os produtores devem estar atentos a diversos fatores. Sérgio Zambon, gerente de Desenvolvimento de Tecnologias Brasil da BASF Soluções para Agricultura, enfatiza que o sucesso da segunda safra começa no manejo adequado da safra anterior. “É fundamental evitar altas infestações de pragas como nematoides e mosca branca, além de planejar todas as necessidades do cultivo da safrinha”, afirma Zambon.

    Dicas para aumentar a produtividade

    Zambon recomenda que os agricultores semeiem na melhor janela de plantio e escolham sementes certificadas e tratadas. Além disso, é essencial realizar o manejo adequado de pragas e doenças para evitar perdas. Entre as dicas do especialista estão:

    • Combater a cigarrinha do milho logo no início com produtos eficientes.
    • Escolher produtos de alta qualidade e rotacionar inseticidas, fungicidas e herbicidas para evitar resistência.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Bahia se destaca na produção de maracujá
    + Agro em Campo: Conheça o segredo da expansão de consumo do pistache

    • Usar fungicidas preventivos com multissítios para proteger a produtividade.
    • Optar por cultivares geneticamente modificados que facilitem o controle de pragas e doenças.

    Manejo do algodão

    No cultivo do algodão, é importante controlar o crescimento excessivo das plantas. “Os reguladores de crescimento ajudam a manter o algodoeiro sob controle, favorecendo as operações de manejo fitossanitário e colheita”, explica Zambon.

    Com as previsões positivas para a segunda safra e as orientações dos especialistas, os produtores têm a oportunidade de maximizar sua produtividade e rentabilidade. A adoção das melhores práticas agrícolas e o uso de tecnologias avançadas são fundamentais para garantir uma colheita bem-sucedida na próxima temporada.

  • Arroz, café e algodão: preços oscilam com dólar e mercado externo

    Arroz, café e algodão: preços oscilam com dólar e mercado externo

    Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul mantêm estabilidade nos últimos dias, segundo pesquisas do Cepea. Ao mesmo tempo, agentes do setor estão atentos à valorização do dólar e aos leilões de opção de venda promovidos pelo Governo Federal. Em resumo, o último leilão registrou baixa demanda, indicando que os valores dos contratos estão abaixo das expectativas do mercado.

    Nas transações externas, dados da Secex analisados pelo Cepea apontam forte queda nas importações de arroz em casca em novembro. O Brasil comprou 74,76 mil toneladas, 38,1% menos que em outubro, o menor volume desde fevereiro de 2022. Além disso, as exportações também caíram no período, somando 111,79 mil toneladas em equivalente arroz em casca. Ou seja, isso representa uma redução de 8,98% em relação ao mês anterior e de 20,1% na comparação anual, sendo o menor volume embarcado desde junho deste ano.

    Cafeicultores alcançam maior poder de compra em relação à ureia

    Cafeicultores brasileiros estão em seu melhor momento de compra de ureia, insumo essencial na lavoura, segundo o Cepea. No Sul de Minas Gerais, uma tonelada de ureia custa cerca de 1,59 saca de café arábica tipo 6, considerando a parcial de dezembro. Portanto, esse é o cenário mais favorável desde o início da série histórica do Cepea, em 2008.

    O aumento no poder de compra reflete a alta expressiva nos preços do café ao longo de 2024. A oferta limitada no Brasil e no Vietnã tem reduzido os estoques mundiais. Apesar dos preços elevados, a demanda global por café segue aquecida, sustentando a valorização do produto.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Brasil acelera exportação de tilápia fresca aos EUA em novo modelo logístico
    + Agro em Campo: Brasil projeta avanços para 2025 e 2026 no mercado de açúcar

    Preços do algodão sobem com valorização do dólar

    O preço do algodão em pluma registra alta mais acentuada no início de dezembro, segundo o Cepea. A valorização do dólar frente ao real tem fortalecido a posição de vendedores, que seguram ofertas no mercado interno. Enquanto isso, indústrias se mantêm afastadas das compras no mercado spot, apontando estoques suficientes até o fim de 2024.

    Parte dos agentes já realiza contratos para entrega no próximo ano, especialmente com a atual cotação do dólar favorecendo exportações. O Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em oito dias, atingiu R$ 4,2095/lp no dia 9 de dezembro, maior valor desde março de 2024. O acumulado de novembro apresenta alta de 3,5%.

     

  • Cepea destaca tendências de mercado em novembro de 2024

    Cepea destaca tendências de mercado em novembro de 2024

    O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, divulgou as análises das agromensais de novembro de 2024. Ou seja, os estudos detalham os movimentos de mercado de produtos agrícolas e pecuários, destacando tendências de preços e demandas. Confira os principais destaques:

    Açúcar

    Os preços do açúcar cristal branco em São Paulo mantiveram alta na primeira quinzena de novembro. A demanda pelo açúcar Icumsa 150 aumentou, enquanto a oferta seguiu restrita devido às exportações. Portanto, esse cenário impulsionou os preços domésticos, que atingiram máximas nominais históricas.

    Algodão

    O algodão em pluma registrou alta nos preços em novembro, especialmente no final do mês. Em resumo, a valorização do dólar e a elevação da paridade de exportação reforçaram o interesse no mercado externo, reduzindo a disponibilidade no mercado doméstico.

    Arroz

    Ao mesmo tempo, os preços do arroz em casca caíram significativamente, voltando aos níveis nominais de maio. A baixa liquidez no mercado spot do Rio Grande do Sul refletiu a pressão compradora, apesar da resistência inicial dos vendedores.

    Café

    O café robusta alcançou valores recordes no Brasil em novembro. O Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6, peneira 13 acima, registrou aumento de 11,05% em relação a outubro. Em resumo, o acumulado do mês mostrou alta expressiva de 23%, alcançando R$ 1.573,28 por saca.

    Etanol

    Após sete semanas de alta, o etanol hidratado teve queda na última semana de novembro, influenciado pelo aumento da oferta de algumas usinas em São Paulo. No entanto, o preço médio do hidratado em novembro subiu 3,91%, enquanto o anidro registrou alta de 2,41%.

    Frango

    Os preços da carne de frango atingiram os maiores patamares reais desde 2022. Ou seja, a competitividade frente às carnes bovina e suína impulsionou a valorização. Em São Paulo, o frango inteiro congelado teve aumento de 9,2%, alcançando R$ 7,99/kg no atacado.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Acordo Mercosul-UE: impactos nas exportações agrícolas do Brasil
    + Agro em Campo: Brasil projeta avanços para 2025 e 2026 no mercado de açúcar

    Milho

    Os preços do milho subiram no início de novembro, sustentados pela retração vendedora. No entanto, a menor demanda na segunda quinzena interrompeu a alta em algumas regiões, com compradores já abastecidos reduzindo as aquisições.

    Ovinos

    Os preços do cordeiro vivo aumentaram em quase todos os estados, exceto São Paulo. A baixa oferta de animais e a valorização da carne de boi impulsionaram os valores. A carne ovina também registrou alta, refletindo a demanda de fim de ano.

    Soja

    Os preços da soja oscilaram em novembro. Na primeira quinzena, a demanda firme sustentou as altas. Já na segunda metade, indústrias retraíram novas compras, enfraquecendo as cotações.

    Trigo

    Com a colheita de trigo no Brasil quase encerrada, a menor oferta e qualidade aumentaram a necessidade de importações. Apesar da pressão nas cotações internas, o dólar valorizado deve elevar os custos de importação e dar suporte aos preços internos.

    As análises completas estão disponíveis no site do Cepea.

     

  • PIB da agropecuária recua 0,9% no terceiro trimestre

    PIB da agropecuária recua 0,9% no terceiro trimestre

    O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária brasileira caiu 0,9% no terceiro trimestre, comparado ao segundo. Na comparação com o mesmo período de 2023, o recuo foi de 0,8%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A queda está relacionada à sazonalidade de produtos como cana-de-açúcar, milho e laranja. Ou seja, esses itens registraram retrações de 1,2%, 11,9% e 14,9%, respectivamente, em relação ao trimestre anterior. Apesar do bom desempenho de culturas como algodão (14,5%), trigo (5,3%) e café (0,3%), as quedas dos demais produtos pesaram mais no resultado final, informou o IBGE.

    Revisão anual dos dados

    Na comparação anual, o IBGE revisou o crescimento do setor agropecuário de 2023. O resultado passou de 15,1% para 16,3%. Em resumo, essa mudança se deve à inclusão de novas fontes estruturais, como as pesquisas de Produção Agrícola Municipal e Produção da Pecuária Municipal, que substituíram levantamentos conjunturais. “A diferença reflete a incorporação de dados mais robustos, como os da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura”, explicou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

    PIB geral avança 0,9% no trimestre

    Por outro lado, o PIB brasileiro, como um todo, cresceu 0,9% no terceiro trimestre em relação ao segundo. Comparado ao mesmo período de 2023, houve expansão de 4%. Este é o 15º aumento consecutivo na atividade econômica brasileira nessa base de comparação.

    O avanço foi puxado principalmente pelo setor de serviços. Atividades como informação e comunicação, influenciadas por internet e telecomunicações, além de serviços financeiros e seguros, impulsionaram o crescimento. “Esses segmentos tiveram alta significativa, com destaque para serviços prestados às famílias e atividades profissionais”, detalhou Rebeca Palis.

    Desempenho por setores

    No terceiro trimestre, a agropecuária registrou queda, enquanto outros setores mostraram avanço:

    • Indústria: crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior e 3,6% frente ao terceiro trimestre de 2023.
    • Serviços: alta de 0,9% no trimestre e 4,1% na comparação anual.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Senado aprova marco legal dos bioinsumos; texto segue para sanção
    + Agro em Campo: Sorgo-biomassa: opção para geração de energia no Brasil

    Demanda interna e setor externo

    Pelo lado da demanda, o consumo das famílias subiu 1,5% no trimestre, com alta anual de 5,5%. A demanda do governo cresceu 0,8% no trimestre e 1,3% na comparação anual.

    A Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos em máquinas, construção e pesquisa) avançou 2,1% no trimestre e 10,8% frente ao terceiro trimestre de 2023. A taxa de investimento alcançou 17,6% do PIB no período.

    No setor externo, as exportações recuaram 0,6%, enquanto as importações subiram 1%, comparando com o segundo trimestre.

    Embora a agropecuária tenha registrado retração, o desempenho positivo dos setores de serviços e indústria garantiu o crescimento geral do PIB no terceiro trimestre. O consumo interno e os investimentos continuam impulsionando a economia brasileira.