Tag: algodão

  • Arroz: preços caem pela 11ª semana seguida no RS

    Arroz: preços caem pela 11ª semana seguida no RS

    O preço do arroz em casca caiu pela 11ª semana consecutiva no Rio Grande do Sul. A informação é do Cepea. Em resumo, entre 11 e 17 de abril, o Indicador CEPEA/IRGA-RS recuou 0,26%, fechando a R$ 76,04 por saca de 50 kg.
    Apesar da nova queda, a intensidade do recuo foi menor em comparação com as semanas anteriores. Desde o início de fevereiro, as cotações não pararam de cair. Em geral, a média parcial de abril já é a mais baixa desde outubro de 2022.

    Segundo pesquisadores do Cepea, o feriado da Semana Santa reduziu a liquidez no mercado do arroz em casca. Ou seja, durante o período, produtores priorizaram os trabalhos no campo, que estão próximos do fim. Mesmo com as chuvas atrasando a colheita, a atenção ao cultivo se manteve firme. Ao mesmo tempo, atacadistas e varejistas demonstraram pouco interesse de compra. A demanda dos engenhos não foi suficiente para aquecer o mercado.

    Trigo: feriados reduzem negócios, mas preços se mantêm firmes

    Os feriados recentes diminuíram o ritmo das negociações com trigo e derivados no país. Mesmo assim, os preços seguiram firmes, segundo levantamento do Cepea. Enquanto compradores indicam estoques abastecidos, vendedores buscam liquidez com a safra de verão. Muitos agentes não têm urgência para liberar os estoques.
    Por isso, os produtores que ainda têm lotes aguardam novas altas nos preços.

    A oferta segue restrita em plena entressafra. Ou seja, esse cenário continua sustentando as cotações em todas as regiões monitoradas. Na parcial de abril, o preço médio do trigo no Paraná subiu 2,5% em relação a março.
    No Rio Grande do Sul, a alta foi de 4,9%; em São Paulo, de 2,8%; e, em Santa Catarina, de 3,3%.

    Algodão: exportações firmes e retração vendedora sustentam mercado

    Os preços do algodão em pluma seguem em leve alta diária no Brasil. Ainda segundo o Cepea, o avanço ocorre com apoio das exportações e da menor oferta interna. A valorização no mercado externo também fortalece as cotações domésticas. Muitos vendedores evitam o mercado spot ou resistem a baixar os preços pedidos.

    Outros produtores focam no cumprimento dos contratos a termo. Enquanto isso, as indústrias compram algodão já estocado ou previamente contratado. De acordo com o Cepea, os preços internos seguem estáveis dentro de uma faixa estreita. Desde maio de 2023, as médias mensais variam entre R$ 3,81/lp e R$ 4,24/lp. Em abril, a média alcançou R$ 4,2414/lp, a maior desde abril de 2023, em termos nominais. Atualizada pelo IGP-DI de março, essa média é a mais alta desde julho de 2024, em valores reais.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Maior oferta interna de soja acelera ritmo de negociações no Brasil

    + Agro em Campo: Pequenos produtores de café especial conquistam mercados globais

     

  • Mancha-alvo no algodão: manejo assertivo evita perdas na safra

    Mancha-alvo no algodão: manejo assertivo evita perdas na safra

    A mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora cassiicola, tem se tornado uma ameaça crescente nas lavouras de algodão do Mato Grosso, especialmente nas últimas duas safras. Tradicionalmente, os produtores focavam no controle da ramulária, mas o avanço da mancha-alvo exige estratégias fitossanitárias mais robustas para evitar quedas de produtividade.

    O aumento da doença está associado à sucessão soja-algodão, que favorece a sobrevivência do fungo nos restos culturais, além da redução da eficácia de alguns fungicidas, como as carboxamidas. Com o período crítico de controle da doença ocorrendo entre março e maio, o manejo preventivo se torna urgente para evitar prejuízos.

    Por que a mancha-alvo está se tornando um problema maior?

    Segundo Marcelo Gimenes, gerente de Fungicidas da ADAMA, a falta de produtos específicos para o algodão e o foco excessivo no controle da ramulária deixaram a mancha-alvo em segundo plano.

    “O cotonicultor sempre priorizou a ramulária e foi pego de surpresa pela agressividade da mancha-alvo nos últimos anos. A rotação soja-algodão também contribui, pois o fungo sobrevive nos restos culturais, aumentando a pressão a cada safra”, explica Gimenes.

    Abrapa e Aprosoja-MT alertam para manejo integrado

    Diante do cenário preocupante, entidades como a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) e a Aprosoja-MT estão reforçando a necessidade de ajustes nas estratégias de controle.

    “O uso de fungicidas adequados, nos momentos certos, é essencial para evitar perdas. A ADAMA, em parceria com instituições como o IMAmt (Instituto Mato-grossense do Algodão), tem desenvolvido recomendações assertivas para o manejo da doença”, destaca Gimenes.

    Estratégias eficazes para controle da mancha-alvo

    • Rotação de culturas – Evitar a sucessão soja-algodão em áreas com histórico da doença.
    • Uso de fungicidas específicos – Priorizar produtos com eficácia comprovada contra Corynespora cassiicola.
    • Monitoramento constante – Identificar os primeiros sintomas para aplicações preventivas.
    • Manejo de restos culturais – Reduzir a sobrevivência do fungo na palhada.

    Leia mais:

     

    + Agro em Campo: Começou a safra da atemoia no Brasil
    + Agro em Campo: Produção de camarão em água salobra transforma o Semiárido

  • Demanda firme eleva preço do cacau em Nova York

    Demanda firme eleva preço do cacau em Nova York

    A demanda por cacau segue forte na Europa e pressiona os preços na Bolsa de Nova York. Nesta quinta-feira (17), os contratos para julho subiram 3,61%, alcançando US$ 8.295 por tonelada.

    Produção do cacau em queda

    Apesar de uma leve queda no processamento, o consumo europeu continua aquecido. Segundo a Associação Europeia do Cacau (ECA), a moagem no primeiro trimestre totalizou 353,52 mil toneladas. O volume representa um recuo de apenas 0,96% frente ao mesmo período de 2023. Em geral, esse desempenho abaixo do esperado aumenta as incertezas no mercado global. Ao mesmo tempo, a recuperação da oferta para esta safra ainda parece distante. A safra intermediária na Costa do Marfim deve ser menor que a do ano anterior. Portanto, mesmo com recuo em relação ao pico de US$ 12,5 mil por tonelada, os preços seguem altos.

    Café recua após cinco sessões de alta

    Depois de cinco altas seguidas, o café arábica registrou queda nesta quinta-feira. Em geral, os contratos para julho recuaram 1,81%, cotados a US$ 3,7380 por libra-peso.

    Apesar da correção, o mercado mantém viés altista. Ou seja, a projeção de uma safra menor no Brasil, principal exportador mundial, sustenta os preços.

    Suco de laranja interrompe sequência positiva

    O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) também apresentou queda. Os contratos para maio caíram 4,54%, cotados a US$ 3,04 por libra-peso. Portanto, o recuo encerra uma série de sete altas consecutivas registradas na bolsa de Nova York.

    Açúcar sobe com preocupação sobre oferta global

    As cotações do açúcar subiram 0,51% nesta quinta-feira, com contratos para julho fechando a 17,81 centavos de dólar por libra-peso.

    O movimento foi impulsionado por estimativas menores para a produção brasileira. A Conab prevê colheita de 44,1 milhões de toneladas em 2024/25, queda de 3,4% em relação à safra anterior.

    Algodão registra leve alta em Nova York

    Os contratos futuros de algodão com vencimento em julho subiram 1,15% nesta sessão. O preço atingiu 67,13 centavos de dólar por libra-peso.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Brasil: de importador a gigante na exportação de alimentos em 50 anos

    + Agro em Campo: Semana Santa movimenta mercado de proteínas e pressiona preços

     

  • Exportação de café robusta recua por falta de produto no mercado interno

    Exportação de café robusta recua por falta de produto no mercado interno

    As exportações brasileiras de café caíram em março, puxadas pela redução nos embarques do robusta verde.
    Segundo dados do Cecafé analisados pelo Cepea, o Brasil escoou apenas 138,6 mil sacas da variedade. Ou seja, o  volume representa queda de 40% em relação a fevereiro e forte recuo frente às 862,5 mil sacas de março de 2024.

    O Cepea observa redução nos envios de robusta desde dezembro de 2024. Em geral, a principal causa, de acordo com o Centro de Pesquisas, é a menor disponibilidade do grão no mercado interno. No entanto, a colheita da nova safra 2025/26 já começa neste mês no Espírito Santo. O estado é o maior produtor de café robusta do país.

    A expectativa dos pesquisadores é que a colheita ganhe ritmo em maio. Com isso, a oferta deve aumentar, o que tende a reaquecer as exportações no segundo semestre.

    Preço do algodão atinge maior valor nominal desde março de 2024

    O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma subiu para R$ 4,2785 por libra-peso no início da semana. Ou seja, esse é o maior patamar nominal desde 4 de março de 2024, quando a média foi de R$ 4,3326/lp. Em resumo, na parcial de abril, até o dia 14, o indicador acumula alta de 1,47%.

    Pesquisadores do Cepea explicam que muitos produtores já venderam os estoques da safra 2023/24. Ao mesmo tempo, os vendedores que ainda possuem produto mantêm os preços firmes. Compradores com necessidade imediata ou que buscam qualidade superior pagam mais para fechar negócio. Além disso, a elevação da paridade de exportação reforça o suporte sobre os preços internos.

    Durante a entressafra, a dificuldade de acordo entre agentes segue limitando as negociações.
    As divergências envolvem preço e qualidade dos lotes disponíveis. A produção nacional da safra 2024/25 também deve crescer, segundo a Conab. Em relatório de 10 de abril, a Companhia estimou alta de 1,8% frente a março. A comparação com a safra anterior mostra crescimento de 5,1%. Se confirmada, a produção pode atingir 3,89 milhões de toneladas, um novo recorde histórico.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: BRICS discute segurança alimentar e restauração de terras em Brasília

    + Agro em Campo: Embrapa: mudanças climáticas devem intensificar doenças em lavouras

     

  • Conab prevê safra recorde de grãos no Brasil

    Conab prevê safra recorde de grãos no Brasil

    A produção de grãos no Brasil deve alcançar um novo recorde na safra 2024/25. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para 330,3 milhões de toneladas. Ou seja, esse volume representa um crescimento de 32,6 milhões de toneladas em comparação com a safra 2023/24. Os dados constam no 7º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (10).

    Área e clima

    A maior produção se deve à expansão da área plantada e ao clima favorável. A área estimada é de 81,7 milhões de hectares, um aumento de 1,7 milhão de hectares em relação ao ciclo anterior. Além disso, as boas condições climáticas ajudaram no avanço da colheita da primeira safra. Ao mesmo tempo, favorecem o desenvolvimento das culturas da segunda safra. Com isso, a produtividade média deve crescer 8,6%, chegando a 4.045 quilos por hectare.

    Soja

    A soja lidera a produção e deve bater novo recorde no país. A Conab prevê 167,9 milhões de toneladas do grão, 20,1 milhões a mais que em 2023/24. O Centro-Oeste continua como principal polo produtor de soja. A região deve registrar produtividade média de 3.808 quilos por hectare, superando o ciclo 2022/23.

    Em Mato Grosso, a colheita já alcançou 99,5% da área cultivada. A produtividade chega a 3.897 quilos por hectare, a maior da história do estado. Em Goiás, a colheita cobre 97% da área, com produtividade de 4.122 quilos por hectare.

    Milho segunda safra

    Com a soja quase totalmente colhida, o milho segunda safra está próximo do fim do plantio. A produção total do cereal deve chegar a 124,7 milhões de toneladas, aumento de 9 milhões em relação à safra anterior. Em geral, somente a segunda safra de milho deve render 97,9 milhões de toneladas. O resultado combina uma área plantada maior, de 16,9 milhões de hectares, e recuperação de 5,5% na produtividade média, estimada em 5.794 quilos por hectare.

    Arroz

    A colheita do arroz também avança bem, com mais de 60% da área já colhida. O clima favorece o desenvolvimento da cultura nas principais regiões produtoras. Portanto, com bom manejo agrícola, a produtividade do arroz deve crescer 7,2%, atingindo 7.061 quilos por hectare. Além disso, a área plantada aumentou cerca de 7%, chegando a 1,72 milhão de hectares. Em geral, a produção esperada é de 12,1 milhões de toneladas, alta de 14,7%.

    Feijão

    A produção de feijão também deve crescer, mesmo com área estável em 2,86 milhões de hectares. A Conab estima produção total de 3,3 milhões de toneladas, aumento de 2,1%. Ou seja, a produtividade média do feijão deve passar de 1.135 para 1.157 quilos por hectare, refletindo melhores condições nas lavouras.

    Algodão

    No caso do algodão, a expectativa é de nova produção recorde. O plantio foi concluído em 2,1 milhões de hectares, 6,9% a mais que em 2023/24. A colheita da pluma deve chegar a 3,9 milhões de toneladas, 5,1% acima do ciclo anterior.

    Mercado acompanha crescimento na produção

    Com a estimativa de 124,7 milhões de toneladas de milho, a Conab revisou os dados de consumo e exportação do cereal. Em geral, o consumo interno deve alcançar 87 milhões de toneladas. Já as exportações estão projetadas em 34 milhões de toneladas. Mesmo com o aumento do consumo, o estoque final deve ser de 7,4 milhões de toneladas. O mesmo cenário se aplica ao algodão. Em resumo, o crescimento da produção deve elevar tanto o consumo quanto o volume estocado.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Santa Catarina se destaca na produção e exportação de mel

    + Agro em Campo: Exportações de genética avícola rendem 18,4% mais em março

     

  • Tarifas dos EUA aumentam incertezas e pressionam o mercado de café

    Tarifas dos EUA aumentam incertezas e pressionam o mercado de café

    As tarifas impostas pelos Estados Unidos têm causado incertezas no mercado global de café. Portanto, essa instabilidade afeta diretamente os preços internacionais. Além disso, segundo o Cepea, o cenário afastou agentes de mercados considerados mais arriscados. Em resumo, isso impactou o câmbio e pressionou os valores nas Bolsas de café.

    Além disso, a proximidade da colheita de robusta no Brasil intensificou a pressão sobre as cotações do grão. Nos primeiros sete dias de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ para o robusta tipo 6, peneira 13 acima, recuou 7,7%. A referência caiu 360,59 reais por saca de 60 kg, fechando a R$ 1.586,38. Foi o menor valor desde 18 de novembro de 2024.

    Ao mesmo tempo, apesar da queda, o Brasil pode se beneficiar com a nova tarifa de exportação de 10% para os EUA. Para os principais concorrentes, as taxas ficaram bem mais elevadas: 46% para o Vietnã e 32% para a Indonésia. Segundo pesquisadores do Cepea, isso pode gerar vantagem competitiva ao café robusta brasileiro no mercado internacional.

    Tensões comerciais freiam o ritmo do mercado de algodão em pluma

    As tensões comerciais entre Estados Unidos e China também continuam afetando o mercado global de algodão. Ou seja, esses conflitos aumentam a volatilidade dos preços futuros e reforçam a lentidão no mercado físico brasileiro.

    No Brasil, o Cepea aponta que a comercialização segue limitada pela disparidade de preços e pela qualidade dos lotes. Em geral, as negociações continuam restritas, especialmente durante a entressafra. As médias de preços oscilam em intervalos estreitos.

    Compradores permanecem retraídos e negociam apenas para reposição de estoques. Os vendedores, por sua vez, mantêm as ofertas firmes e priorizam o cumprimento de contratos a termo.

    Em relação às exportações, dados da Secex mostram que o Brasil embarcou 239,06 mil toneladas de algodão em março. Esse volume representa uma queda de 13% em relação a fevereiro e 5,4% abaixo do registrado em março de 2024.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Tarifas dos EUA impactam commodities agrícolas em Nova York

    + Agro em Campo: Bagaço de cana vira embalagem que protege chips e semicondutores

     

  • Preço do algodão atinge menor valor desde 2020

    Preço do algodão atinge menor valor desde 2020

    O mercado global de algodão enfrenta turbulências significativas, com o preço atingindo seu nível mais baixo desde 2020, impulsionado por uma queda acentuada na demanda chinesa por algodão dos EUA. A disputa comercial em curso entre as duas maiores economias se intensificou, com a China recentemente impondo uma tarifa de 15% sobre produtos agrícolas dos EUA, incluindo o algodão. Essa medida segue a aplicação de tarifas adicionais dos EUA sobre produtos chineses, aumentando ainda mais a tensão nas relações comerciais bilaterais.

    A China, historicamente um grande comprador de algodão dos EUA, mudou sua estratégia de fornecimento nos últimos anos. As tarifas retaliatórias e sanções sobre produtos têxteis produzidos em Xinjiang levaram a China a reduzir sua dependência do algodão americano. Em vez disso, o país voltou-se para fornecedores alternativos, incluindo o Brasil, que agora superou os EUA como o maior exportador de algodão do mundo. Na temporada 2024/25, as importações chinesas de algodão dos EUA devem ser menos da metade do volume visto em anos anteriores.

    A queda nas exportações dos EUA ocorre em um momento em que a produção global de algodão está se recuperando. O USDA prevê um aumento de 3,3% na produção global para a temporada 2024/25, liderado pelo aumento da produção nos EUA. No entanto, apesar dessa recuperação, a participação de mercado dos EUA permanece sob pressão devido ao preço competitivo do algodão e barreiras comerciais.

    Impactos para o Brasil

    O Brasil emergiu como um dos principais beneficiários dessas mudanças no comércio global de algodão. O país está prestes a alcançar uma produção recorde de 3,82 milhões de toneladas de algodão em caroço na temporada 2024/25. Ou seja, um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior. Esse crescimento é atribuído à expansão da área plantada, especialmente em Mato Grosso, o maior estado produtor de algodão do Brasil. As exportações brasileiras de algodão permanecem robustas, com envios projetados em 2,8 milhões de toneladas para a próxima temporada.

    A guerra comercial não apenas reorganizou as cadeias de suprimentos globais, mas também impactou os preços em mercados importantes. Em março de 2025, os futuros de algodão dos EUA caíram para tão baixo quanto 63 centavos por libra antes de se estabilizar em 67 centavos por libra. Enquanto isso, os preços spot brasileiros e indianos permaneceram relativamente estáveis, destacando sua crescente competitividade no mercado internacional.

    À medida que a influência do Brasil na indústria global de algodão se expande, seus produtores continuam a investir em medidas de produtividade e sustentabilidade para manter o crescimento a longo prazo. Além disso, essa mudança destaca as alterações mais amplas nas dinâmicas do comércio global. Países como o Brasil estão capitalizando as tensões geopolíticas para fortalecer suas posições no mercado.

    Para os produtores dos EUA, o cenário permanece desafiador enquanto eles navegam pela demanda em declínio da China e pela competição crescente de exportadores emergentes como o Brasil e a Austrália. O cenário em evolução pode ter implicações de longo alcance para as decisões de plantio e estratégias de preços nos próximos anos.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Saiba o que é a pipecultura e como lucrar com isso

    + Agro em Campo: Cresce o consumo de carne de búfalo no Brasil, entenda o motivo

  • Produção e exportação de algodão devem crescer na safra 2024/2025

    Produção e exportação de algodão devem crescer na safra 2024/2025

    A produção brasileira de algodão deve atingir 3,95 milhões de toneladas na safra 2024/2025, impulsionada pelo aumento de 10,3% na área plantada. A projeção foi apresentada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) durante a 78ª reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília. O encontro também debateu o cenário econômico global, os impactos da guerra comercial entre Estados Unidos e China e as condições climáticas que podem afetar a safra.

    Além da expansão na produção e nas exportações, o consumo da indústria nacional pode crescer até 20 mil toneladas. Em 2023, a demanda interna fechou em 750 mil toneladas. O Brasil também tem ampliado sua presença no mercado internacional, com novos compradores no Egito, Paquistão e Índia. A próxima reunião da Câmara Setorial está prevista para 30 de junho.

    Clima e produtividade do algodão sob observação

    A área plantada com algodão deve superar a projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra passada, que foi de 3,70 milhões de toneladas. No entanto, a produtividade média esperada é de 1.842 quilos por hectare, uma redução de 3,2% em relação ao ciclo anterior. O fenômeno climático veranico já preocupa produtores em regiões da Bahia e de Goiás.

    O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, que comandou a reunião pela primeira vez após suceder Alexandre Schenkel, destacou que os números ainda são preliminares. “Até o momento, tudo segue dentro da normalidade, mas há preocupações com o clima. Algumas regiões já enfrentam estiagem, embora tenhamos recebido informações de chuvas na Bahia. Ainda é cedo para previsões definitivas, então adotamos uma postura conservadora”, afirmou.

    Guerra comercial entre EUA e China impacta mercado do algodão

    A disputa tarifária entre Estados Unidos e China dominou as discussões, superando até mesmo o impacto do clima. Segundo Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, essa nova fase da guerra comercial afeta diretamente o algodão brasileiro. O cenário favorece o Brasil em alguns pontos, como a valorização do basis na Ásia, maior competitividade no mercado chinês e possível aumento das exportações no curto prazo.

    No entanto, o setor enfrenta desafios. A queda nas cotações da Bolsa de Nova York e a maior concorrência em mercados alternativos são preocupações. “O Brasil já ampliou significativamente sua participação na China, o que reduz espaço para novos ganhos expressivos. Além disso, como grande parte do algodão importado pela China é usada na exportação de produtos têxteis, a taxação sobre esses bens pode limitar a demanda”, explicou Duarte.

    Com as novas tarifas previstas para 2025, os EUA podem perder ainda mais participação no mercado chinês. O Brasil tende a se consolidar como principal fornecedor, mas sem o mesmo impacto da primeira fase da guerra comercial, iniciada em 2018.

    Fim da isenção fiscal nos EUA pode influenciar consumo global

    Outro fator que pode alterar o mercado é o fim da isenção fiscal “De Minimis” nos Estados Unidos. Essa regra permitia importações de até US$ 800 sem tributação. Com a mudança, a competitividade dos produtos têxteis chineses à base de poliéster pode cair, favorecendo a demanda por algodão. “Isso pode reduzir a importação de produtos sintéticos de baixa qualidade via correios e estimular a compra de itens de algodão por canais convencionais de importação”, avaliou Duarte.

    Exportações e concorrência global

    De julho de 2024 a março de 2025, o Brasil já embarcou 2,2 milhões de toneladas de algodão. No último ano comercial, o volume total exportado foi de 2,58 milhões de toneladas. O presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Miguel Faus, destacou que o mercado global enfrenta preços pressionados devido à demanda enfraquecida, influenciada pela inflação e pelas baixas taxas de juros.

    A China continua sendo o principal destino do algodão brasileiro, mas a concorrência dos Estados Unidos pode aumentar em mercados estratégicos. “Os EUA negociam um acordo de livre comércio com a Índia para isentar 60 mil toneladas de algodão da tarifa de importação. Isso pode afetar a participação brasileira nesse mercado”, alertou Faus.

    Logística favorece escoamento da safra

    A infraestrutura logística tem sido um diferencial para o Brasil manter o ritmo das exportações. “Se houver disponibilidade de navios, contêineres e rotas de transporte, não teremos grandes problemas. Atualmente, cerca de 50% da safra já foi vendida”, afirmou Faus. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil continua sendo o maior exportador mundial de algodão.

    O mercado segue ajustando preços, já que a produção global ainda supera o consumo. Isso limita valorizações expressivas, mas cria um efeito regulador: quando os preços caem, a demanda tende a crescer, ajudando a equilibrar as cotações.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Melancia preta atrai mercado com sabor único e aparência exótica
    + Agro em Campo: Cacau: Fundo busca R$ 1 bi para investir em produtores no Brasil

     

  • Proalminas: produção de algodão em Minas Gerais avança

    Proalminas: produção de algodão em Minas Gerais avança

    No ano em que o Brasil se tornou o maior produtor de algodão do mundo, Minas Gerais celebra os avanços do Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas). Criado em 2003, o programa é uma parceria entre a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e sindicatos, e tem sido fundamental para a retomada da produção em regiões onde ela estava praticamente extinta.

    Minas Gerais se destaca pela qualidade da fibra de algodão, principalmente em comprimento, finura e resistência. A previsão para a safra 2024/2025 é de 190,2 mil toneladas de algodão em caroço e 78 mil toneladas em pluma. Iss deve colocar o estado como o terceiro maior produtor nacional, segundo a Conab.

    “De 2020 a 2025 houve uma evolução na produção, com crescimento exponencial nos últimos três anos. Isso é fruto da adoção de práticas que aumentam a produtividade, do investimento no melhoramento de sementes, do manejo para aprimorar a qualidade da pluma e da otimização dos recursos”, detalha o secretário de Agricultura, Thales Fernandes.

    Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha

    Entre 2019 e 2024, o Governo de Minas investiu R$ 12,8 milhões no Proalminas/Fundo Algominas. Esses recursos foram utilizados em eventos, desenvolvimento de pesquisas e tecnologias, controle de pragas e doenças, treinamento de técnicos, beneficiando tanto pequenos quanto grandes produtores.

    Nessas regiões, o Proalminas trouxe tecnologias de irrigação e combate a enfermidades, além de capacitação dos agricultores. Isso permitiu um aumento na produtividade por hectare, tornando os agricultores familiares mais competitivos no mercado interno. Os produtores preferem vender localmente, pois conseguem um ágio de 7,85%, condições mais atrativas do que exportar.

    A sustentabilidade é uma característica forte do Proalminas. Mais de 70% do algodão produzido em Minas tem certificação ABR (Algodão Brasileiro Responsável) e BCI (Better Cotton Initiative). Portanto, garantindo rastreabilidade e cumprimento de legislações trabalhistas e ambientais. Em 2023, houve uma redução de 120 mil litros no uso de insumos químicos, graças ao uso de inimigos naturais do Bicudo-do-Algodoeiro.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Entenda o que é o óleo de bagaço de oliva, confundido com azeite
    + Agro em Campo: Femagri 2025 apresentará soluções tecnológicas para produtore

     

  • Preço de importação do arroz atinge menor patamar em dois anos

    Preço de importação do arroz atinge menor patamar em dois anos

    As importações brasileiras de arroz em equivalente casca alcançaram 141,27 mil toneladas em fevereiro, segundo dados da Secex analisados pelo Cepea. Ou seja, o volume é o maior em oito meses e representa alta de 28,47% em relação a janeiro e de 4,47% na comparação anual. Ao mesmo tempo, o preço médio de importação caiu para US$ 326,04 por tonelada, o menor nível em dois anos. Além disso, os pesquisadores do Cepea apontam que a queda nos preços, aliada ao avanço da colheita no Sul, pressiona as cotações internas.

    Arroz no mercado doméstico

    No mercado doméstico, a liquidez segue baixa. Produtores mantêm o foco nas atividades de campo e aguardam uma possível valorização do câmbio para impulsionar as exportações. Já as unidades de beneficiamento compram apenas o necessário, apostando em novas quedas nos preços com o avanço da safra.

    Cotação do algodão atinge maior valor em um ano

    Os preços do algodão em pluma seguem em alta e atingiram o maior nível nominal em um ano. No dia 6 de março, o Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em oito dias, chegou a R$ 4,2337 por libra-peso, o maior valor desde 14 de março de 2024. Pesquisadores do Cepea afirmam que os vendedores mantêm postura firme para novos negócios no mercado spot, favorecidos pelas valorizações internacionais. Enquanto isso, os embarques seguem priorizando contratos a termo, especialmente para o mercado externo. Na demanda interna, as indústrias compram lotes pontuais para reposição de estoques e atendimento imediato. Agentes do setor relatam sinais de recuperação nas vendas de produtos manufaturados.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: USDA reduz estoques de milho e eleva previsão para produção de trigo
    + Agro em Campo: Governo Federal lança programa “Piscicultura Mais Vida”