Tag: Agrotóxicos

  • Operação apreende agrotóxicos ilegais em terras indígenas Guarani Kaiowá

    Operação apreende agrotóxicos ilegais em terras indígenas Guarani Kaiowá

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) apreendeu agrotóxicos, um trator e um pulverizador durante operação realizada na Terra Indígena Yvy Katu. Ela fica localizada no município de Japorã (MS), e a operação ocorreu entre os dias 8 e 12 de setembro de 2025. A ação aconteceu no âmbito das articulações conduzidas pelo Gabinete de Crise Guarani Kaiowá. E foi coordenado pelo Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (Demed) do Ministério dos Povos Indígenas.

    Os fiscais lavraram seis autos de infração durante a operação, aplicando multas que somaram mais de R$ 79 mil para não indígenas envolvidos na exploração ilegal do território. Além disso, dois indígenas possivelmente vinculados à prática de arrendamento também foram multados em quase R$ 17 mil por irregularidades no uso de agrotóxicos.

    Terra indígena enfrenta problemas com arrendamento ilegal

    A Terra Indígena Yvy Katu vem enfrentando sérios problemas relacionados ao arrendamento ilegal de parcelas do seu território, prática que tem gerado graves danos ambientais e coletivos. A situação motivou reiteradas reivindicações da comunidade para que o Estado intensificasse sua atuação na região, combatendo essas práticas irregulares.

    O arrendamento de terras indígenas é expressamente vedado pelo artigo 18 da Lei nº 6.001/73 e pelo artigo 231 da Constituição Federal de 1988, que determina que as terras tradicionalmente ocupadas são de usufruto exclusivo dos povos indígenas. A prática pode configurar o crime de usurpação de bens da União, previsto no artigo 2º da Lei nº 8.176/91.

    Operação descobre contrabando de agrotóxicos do Paraguai

    Em uma ação anterior, realizada no dia 1º de julho de 2025, uma operação coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF) e com participação da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Ibama apreendeu mais de 200 quilos de agrotóxicos contrabandeados do Paraguai. Os produtos estavam escondidos em área de mata nas terras indígenas da comunidade Gyuraroká, localizada no município de Caarapó (MS).

    O Gabinete de Crise Guarani Kaiowá foi criado especificamente para enfrentar a situação de violação de direitos humanos vivenciada pelo povo Guarani e Kaiowá na região sul de Mato Grosso do Sul. O órgão atua com base em três eixos estratégicos fundamentais: território, direitos sociais e segurança pública, orientando ações integradas e interinstitucionais voltadas à garantia de direitos e ao fortalecimento da coletividade Guarani e Kaiowá.

    Desde junho de 2024, o Gabinete coordena ações interinstitucionais de fiscalização para combater o uso irregular de agrotóxicos em diversos territórios indígenas do sul do Mato Grosso do Sul, demonstrando o compromisso contínuo com a proteção desses territórios.

    Eixo território prioriza combate aos agrotóxicos

    No eixo território, uma das principais prioridades estabelecidas é o enfrentamento à contaminação e ao uso irregular de agrotóxicos em terras indígenas. Para alcançar esse objetivo, o Demed tem promovido, desde o ano passado, reuniões periódicas com os órgãos públicos para articular ações de fiscalização relacionadas ao uso irregular de agrotóxicos e ao plantio de transgênicos. Com atenção especial às especificidades das pulverizações terrestres e aéreas.

    As estratégias de fiscalização são elaboradas de forma conjunta e coordenada, tendo como base o calendário agrícola da soja e do milho. E tem o objetivo de coibir o uso indevido de agrotóxicos em territórios tradicionalmente ocupados pelos povos Guarani e Kaiowá. Essas ações visam contribuir diretamente para a promoção do bem-viver nos territórios indígenas, incluindo o cuidado essencial com o meio ambiente e com a saúde dos povos Guarani e Kaiowá.

    As articulações para combate ao uso irregular de agrotóxicos envolvem diversos órgãos federais e estaduais, cada um contribuindo com suas competências específicas. Participam dessas ações coordenadas o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul (Iagro/MS).

    Autoridades destacam importância da cooperação institucional

    “A articulação interinstitucional é condição indispensável para enfrentar os desafios complexos que incidem sobre os territórios indígenas. Promovendo ações coordenadas em defesa da vida, da saúde e dos direitos dos povos Guarani e Kaiowá”, declarou Avanilson Karajá, diretor do Demed. Segundo ele, cada órgão, dentro de suas competências específicas, exerce papéis estratégicos e complementares na implementação de políticas públicas voltadas à proteção ambiental e à garantia de direitos territoriais.

    Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama, ressaltou que a fiscalização do uso irregular de agrotóxicos em terras indígenas representa uma ação fundamental para proteger não apenas o meio ambiente, mas também a saúde das comunidades que vivem nesses territórios. “O Ibama seguirá atuando de forma integrada com outros órgãos do Estado para coibir práticas ilegais. Que comprometem a biodiversidade e a qualidade de vida dos povos indígenas”, afirmou.

    A Funai destacou que o objetivo principal da operação foi coibir práticas ilegais como o uso irregular de agrotóxicos, crimes ambientais e o arrendamento ilegal de terras. Durante as ações, a Coordenação Regional da Funai de Ponta Porã (CR-PP) acompanhou todas as diligências visando garantir a interlocução adequada em prol da proteção e segurança das comunidades indígenas da região.

  • Comissão da Câmara aprova proibição do uso de fipronil

    Comissão da Câmara aprova proibição do uso de fipronil

    A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4592/23. O texto proíbe o uso do inseticida fipronil na pulverização foliar de plantas. O produto é usado contra insetos-praga em lavouras de soja e milho, mas também mata insetos benéficos, especialmente abelhas.

    O deputado Padre João (PT-MG) apresentou o projeto devido à preocupação com o impacto do fipronil sobre as abelhas. O relator da proposta, deputado Nilto Tatto (PT-SP), defendeu a proibição. Ele afirmou que o fipronil é um dos principais causadores da morte em massa de polinizadores. Esses insetos são essenciais para o equilíbrio ambiental e para a produção agrícola.

    Além dos riscos ambientais, Tatto destacou danos à saúde humana e animal. Pesquisas indicam que o uso prolongado do produto pode estar ligado ao desenvolvimento do mal de Parkinson em agricultores. Países como União Europeia, Vietnã, Uruguai, Colômbia e Costa Rica já proibiram o uso agrícola do fipronil.

    O Ibama suspendeu desde 2023 a aplicação foliar de agrotóxicos que contenham o fipronil. A proposta aprovada mantém outras formas de uso do inseticida, como o tratamento de sementes.

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural rejeitou o projeto, o que fez a proposta perder o caráter conclusivo. Agora, o texto seguirá para análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e, depois, para votação no Plenário da Câmara. Se os parlamentares aprovarem a medida, o Senado ainda precisará avaliar o conteúdo antes que ele se transforme em lei.

  • Suplemento alimentar garante sobrevivência de abelhas sem ferrão

    Suplemento alimentar garante sobrevivência de abelhas sem ferrão

    Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram um suplemento alimentar experimental para abelhas nativas sem ferrão da espécie mandaçaia (Melipona quadrifasciata). O objetivo é garantir a sobrevivência desses polinizadores durante períodos de escassez de recursos naturais. O estudo foi publicado na revista científica Agriculture e representa um avanço importante para a conservação das abelhas, essenciais à manutenção dos ecossistemas brasileiros.

    A pesquisa foi conduzida por Patrícia Miranda Pinto, ex-aluna do programa de pós-graduação em Biotecnologia da Unifesp. E teve orientação da professora Michelle Manfrini Morais. Além da colaboração de especialistas da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) e da Universidade de São Paulo (EACH-USP). O objetivo foi criar um alimento que simulasse as propriedades nutricionais do pólen fermentado. Ele é fundamental para o desenvolvimento das colônias de mandaçaia, espécie amplamente encontrada na Mata Atlântica e no Cerrado, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do país.

    O desmatamento e o uso intensivo de agrotóxicos têm ameaçado a sobrevivência das abelhas nativas, reduzindo a oferta de pólen, néctar e habitats adequados. Para enfrentar esse desafio, os pesquisadores analisaram a microbiota do “saburá”. Ele é um pólen fermentado consumido naturalmente pelas abelhas sem ferrão. E formularam um suplemento à base de farelo proteico e xarope de açúcar. Testes laboratoriais indicaram que o novo alimento foi bem aceito pelas abelhas e apresentou composição nutricional semelhante ao alimento natural, tornando-se uma alternativa viável para períodos críticos.

    Motivo do sucesso

    Segundo a professora Michelle Manfrini Morais, o sucesso do suplemento dependeu não só da escolha criteriosa dos ingredientes, como albumina em pó, farinha de arroz e levedura de cerveja. Mas também de um processo de fermentação que respeitou as necessidades específicas das abelhas. “Selecionamos ingredientes que oferecem um perfil nutricional completo, aliados a fontes energéticas como o açúcar. A fermentação com microrganismos presentes no pólen fermentado foi essencial para aproximar a formulação do alimento natural, respeitando a microbiota e as necessidades nutricionais das abelhas”, explica Morais.

    Além de suprir a alimentação em períodos de escassez, a pesquisa contribui para práticas sustentáveis de manejo e conservação das abelhas nativas. “Nosso trabalho amplia o conhecimento sobre a alimentação das abelhas e propõe intervenções conscientes para preservar espécies essenciais aos ecossistemas brasileiros”, destaca Patrícia Miranda Pinto.

    A iniciativa reforça a importância de soluções inovadoras para proteger polinizadores ameaçados, fundamentais para a produção agrícola e a biodiversidade do país.

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  • Paraná mapeia pomares de uva para prevenir deriva de agrotóxicos

    Paraná mapeia pomares de uva para prevenir deriva de agrotóxicos

    O Governo do Paraná, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), iniciará o cadastramento de propriedades com cultivo de uvas no estado. O objetivo é obter informações sobre a localização e as características de todos os pomares. E com isso, planejar ações preventivas e educativas que reduzam a deriva de agrotóxicos.

    A proposta foi apresentada durante reunião com produtores e autoridades em Marialva, o maior produtor de uva do estado, em 15 de maio, durante a ExpoIngá. O presidente do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater), Natalino Avance de Souza, e o diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Young Blood, conduziram o encontro.

    Natalino Avance de Souza ressaltou a importância de buscar a convergência entre os produtores de uva e de grãos, que utilizam herbicidas no manejo das culturas para evitar a deriva de agrotóxicos. O governo busca um equilíbrio entre o cuidado com a cultura da uva, importante para o estado e para Marialva, e a principal cultura de exportação.

    Propostas

    A Associação Norte Paranaense de Pesquisa e Fruticultura (Anpef) apresentou um documento com propostas para avaliaçãoo. Incluindo um cadastro de herbicidas com informações sobre a influência em culturas sensíveis e uma fiscalização preventiva.

    Renato Young Blood, da Adapar, informou que a verificação dos bicos de equipamentos de aplicação de herbicidas reverteu a situação. De 90% considerados ruins para 90% seguros. Apesar da redução na severidade da contaminação por deriva, a incidência ainda é alta.

    O Estado pretende intensificar os trabalhos em unidades de referência. E com isso, demonstrar a eficácia de produtos não hormonais no controle de ervas daninhas, o que também favorece a produção de uvas.

    Em 2023, o Valor Bruto de Produção (VBP) da uva no Paraná foi de R$ 261,7 milhões, totalizando 45,8 mil toneladas da fruta. Marialva liderou a produção com um VBP de R$ 70,4 milhões. Além de uma produção de mais de 10 mil toneladas, seguida por Uraí e Rosário do Ivaí.

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  • Poder público combate uso e descarte irregular de agrotóxicos no RS

    Poder público combate uso e descarte irregular de agrotóxicos no RS

    Na manhã de ontem, quinta-feira (24), uma operação conjunta da 1ª Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato de Bagé (Decrab), do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDV/Seapi) e da equipe da Operação Protetor das Divisas e Fronteiras resultou na fiscalização de uma propriedade rural em Bagé, no Rio Grande do Sul. A ação teve como objetivo apurar denúncias de manipulação e aplicação irregular de insumos agrícolas, especialmente agrotóxicos estrangeiros proibidos no Brasil.

    No local, as equipes identificaram o descarte inadequado de embalagens de agrotóxicos, armazenamento irregular de insumos e a presença de embalagens de “paraquat”. Esse é um herbicida banido em diversos países devido à sua alta toxicidade. O produto está proibido no Brasil desde 2017 por decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após estudos comprovarem graves riscos à saúde humana, incluindo potencial letalidade mesmo em casos de exposição acidental.

    Denúncia

    A fiscal estadual agropecuária Michelle Rodrigues informou que o canal oficial do DDV recebeu a denúncia, posteriormente confirmada durante a fiscalização, que identificou produtos contrabandeados e não autorizados para uso no país. As equipes autuaram o proprietário da área pelas infrações ambientais e sanitárias.

    A presença e o uso de agrotóxicos ilegais, além do descarte irregular de resíduos, configuram crime ambiental grave. E são alvo de operações constantes das autoridades estaduais e federais na região de Bagé e outros municípios gaúchos. Ações como essa visam coibir a circulação de produtos perigosos, proteger o meio ambiente e garantir a segurança alimentar. Além de reforçar a importância do cumprimento rigoroso da legislação sobre defensivos agrícolas.

    O paraquat, em particular, é reconhecido internacionalmente por sua extrema periculosidade e já foi proibido em mais de 50 países. Isso incluindo membros da União Europeia e Suíça, devido à sua toxicidade aguda e crônica. A fiscalização e o combate ao uso e comércio de agrotóxicos ilegais seguem como prioridade para órgãos de defesa agropecuária e segurança pública no Rio Grande do Sul.

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  • Brasil bate recorde na liberação de defensivos agrícolas em 2024

    Brasil bate recorde na liberação de defensivos agrícolas em 2024

    O Brasil registrou um recorde na aprovação de agrotóxicos e defensivos biológicos em 2024, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O avanço ocorre após uma queda inédita nas liberações em 2023, que interrompeu uma sequência de sete anos de alta.

    No total, o governo aprovou 663 produtos em 2024, um crescimento de 19% em comparação aos 555 liberados no ano anterior. A nova lei dos agrotóxicos, sancionada no final de 2023 pelo governo federal, acelerou os processos de análise e impulsionou o número de liberações.

    Produtos aprovados: destaque para os genéricos e biológicos

    Do total aprovado, 541 produtos são agrotóxicos genéricos, equivalentes a cópias de princípios ativos inéditos ou de fórmulas já existentes. Além disso, o Brasil também liberou 15 produtos químicos inéditos e 106 defensivos biológicos. Entre os biológicos, 15 são novos no mercado.

    Os defensivos biológicos, classificados como de baixo risco, são feitos a partir de componentes naturais, como hormônios, insetos e vírus. Desde dezembro de 2024, a lei dos bioinsumos excluiu esses produtos da categoria de agrotóxicos, redefinindo sua classificação no setor agropecuário.

    Liberações atendem prazos e decisões judiciais

    A aprovação dos defensivos envolve a análise de três órgãos: Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura. O governo informou que decisões judiciais motivaram grande parte das liberações e que a priorizou produtos de baixo risco.

    A nova legislação reduziu os prazos de registro. Os órgãos responsáveis analisam produtos inéditos em até 24 meses, enquanto fórmulas idênticas já aprovadas têm prazo de até 60 dias. Antes, o processo podia levar até sete anos.

    Polêmica e críticas ambientais

    A nova lei gerou controvérsias. Em geral, ambientalistas criticaram a retirada de restrições relacionadas a riscos teratogênicos, carcinogênicos e hormonais. Eles consideram as mudanças um retrocesso, afirmando que a exigência de “risco inaceitável” enfraquece as regras de proteção ambiental e à saúde.

    Uso e comercialização: maioria sem movimentação

    Apesar do elevado número de liberações, nem todos os produtos chegam ao mercado. O Ibama revelou em um estudo que, em 2023, 62% dos defensivos autorizados não tiveram fabricação, importados ou comercialização.

    Divisão das liberações

    Entre os produtos aprovados, 464 estão disponíveis para uso dos agricultores, sendo 358 químicos e 106 biológicos. Além disso, os outros 199 são destinados à indústria como matérias-primas, incluindo uma pré-mistura usada na fabricação de pesticidas.

    Em resumo, com o avanço nas liberações e mudanças legislativas, o Brasil segue na liderança mundial em registros de defensivos agrícolas. Porém, especialistas continuam debatendo sobre os impactos ambientais e de saúde pública.

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  • 25% dos agrotóxicos utilizados no Brasil podem ser falsos

    25% dos agrotóxicos utilizados no Brasil podem ser falsos

    Uma recente estimativa alarmante divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Agrícolas (INPA) revela que aproximadamente 25% dos agrotóxicos utilizados no Brasil são falsos. Esta constatação levanta sérias preocupações sobre a segurança alimentar, a saúde pública e os impactos ambientais decorrentes do uso de produtos químicos de origem duvidosa na agricultura.

    O Problema dos Agrotóxicos Falsificados

    A falsificação de agrotóxicos é um problema grave e crescente no Brasil. Esses produtos ilegais geralmente não passam por controle de qualidade, não possuem certificações e podem conter substâncias proibidas, em concentrações inadequadas ou com datas de validade adulteradas. Isso compromete a eficácia no combate a pragas e aumentando os riscos para agricultores, consumidores e o meio ambiente.

    Segundo o relatório do INPA, a falsificação desses produtos incluem a adulteração de produtos legítimos e fabricação clandestina utilizando fórmulas não autorizadas. Vendem frequentemente produtos falsificados a preços mais baixos, atraindo produtores rurais que buscam reduzir custos de produção.

    Impactos na Saúde e no Meio Ambiente

    O uso de agrotóxicos falsificados pode ter sérias consequências. Para a saúde pública, há riscos de intoxicação  uma vez que resíduos de substâncias não regulamentadas podem permanecer nos alimentos consumidos. Entretanto, os agricultores que manuseiam esses produtos também estão sujeitos a intoxicações agudas e crônicas.

    No âmbito ambiental, os agrotóxicos falsificados podem causar danos irreversíveis ao solo, à água e à biodiversidade. A ausência de controle sobre os ingredientes ativos e suas dosagens pode levar à contaminação de lençóis freáticos e à morte de espécies não-alvo, incluindo polinizadores essenciais como abelhas.

    Além disso, outra preocupação importante é o prejuízo a economia.  É estimado que 20 bilhões de impostos não são recolhidos. A produção agrícola pode sofrer embargos internacionais por contaminação de produtos por resíduos e substancias desconhecidas ou proibidas.

    Medidas de Combate e Prevenção

    Diante desse cenário preocupante, o governo e as entidades do setor agrícola estão intensificando os esforços para combater a falsificação de agrotóxicos. Entre as medidas adotadas estão:

    • o fortalecimento da fiscalização,
    • a implementação de tecnologias de rastreamento de produtos
    • conscientização dos agricultores sobre os riscos associados ao uso de produtos ilegais.

    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) está investindo em parcerias com órgãos de segurança pública para desmantelar redes de produção e distribuição de agrotóxicos falsificados. Além disso, campanhas educativas estão sendo realizadas para informar os produtores rurais sobre a importância de adquirir produtos de fornecedores certificados e de confiança.

    A estimativa de que 25% dos agrotóxicos utilizados no Brasil são falsificados é um alerta grave que exige ações coordenadas e eficazes para proteger a saúde pública, a segurança alimentar e o meio ambiente. A colaboração entre governo, setor privado e sociedade civil é essencial para erradicar essa prática ilegal e garantir a sustentabilidade da agricultura brasileira.