Tag: Agrotóxicos

  • Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    O governo federal avalia a criação de uma lista de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAP) baseada em critérios internacionais relacionados à toxicidade para seres humanos e aos riscos para o meio ambiente.

    A proposta, porém, ainda está em análise e não significaria automaticamente a proibição dos produtos enquadrados na lista. Mesmo assim, representantes de produtores e fabricantes de defensivos temem que a classificação provoque restrições indiretas e impactos econômicos sobre a agricultura brasileira.

    Uma minuta de portaria conjunta dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, do Ibama e da Anvisa reúne 42 ingredientes ativos já proibidos no Brasil e outros 39 registrados e atualmente utilizados no país, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico.

    Lista atingiria centenas de defensivos agrícolas

    De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), os 39 ingredientes ativos registrados aparecem em 864 produtos comerciais de 89 fabricantes.

    Segundo nota técnica da entidade citada pelo Valor, eles representam 26,3% das formulações comerciais de herbicidas, inseticidas e fungicidas disponíveis no país.

    Esses defensivos são utilizados no manejo de diferentes problemas fitossanitários, entre eles:

    • ferrugem asiática da soja;
    • bicudo-do-algodoeiro;
    • antracnose;
    • mofo-branco no feijão;
    • percevejos;
    • cigarrinha-do-milho.

    Governo diz que classificação não significa proibição

    Segundo o material-base, a minuta foi assinada em abril pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama. Desde então, entidades ligadas ao agronegócio vêm se mobilizando contra a publicação.

    A Casa Civil informou que avaliações técnicas e jurídicas continuam sendo realizadas e que, diante da complexidade do assunto, a proposta permanece sob análise do governo federal.

    O Ministério do Meio Ambiente também afirmou que a inclusão de um ingrediente ativo na lista não implicaria vedação automática de seu uso.

    “A categorização de ingredientes ativos de agrotóxicos constitui importante subsídio para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à redução da exposição a agrotóxicos altamente perigosos ao meio ambiente e à saúde no Brasil”, afirmou a Pasta.

    O Ministério da Saúde informou que ainda não havia recebido o documento.

    Proposta está ligada ao Pronara

    A iniciativa está relacionada ao Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), política federal voltada à redução progressiva do uso desses produtos e ao estímulo a alternativas de menor impacto.

    O programa foi instituído pelo Decreto 12.538/2025 e prevê ações como monitoramento de resíduos em alimentos, incentivo à produção de base ecológica, pesquisa e desenvolvimento de bioinsumos.

    A discussão sobre os chamados Highly Hazardous Pesticides (HHPs) utiliza como referência critérios adotados internacionalmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme o material analisado.

    Uma ata do comitê gestor do Pronara também aponta que a classificação poderia auxiliar na priorização de alternativas e no incentivo à inovação tecnológica.

    Produtores temem restrições indiretas

    A Aprosoja Brasil classificou a proposta como um “banimento indireto disfarçado”.

    Segundo a entidade, mesmo sem uma proibição formal, a utilização da lista em políticas públicas poderia provocar consequências em áreas como:

    • crédito rural;
    • seguros agrícolas;
    • programas de certificação;
    • compras públicas;
    • comércio exterior;
    • cadeias de exportação.

    A associação também considera possível o surgimento de novas restrições estaduais ou municipais.

    A posição recebeu apoio de aproximadamente 50 entidades ligadas ao Instituto Pensar Agropecuária (IPA).

    Parte do setor também questiona a participação do Ministério da Agricultura na elaboração da medida e a compatibilidade da proposta com a Lei 14.785/2023, que estabeleceu novas regras para registro, controle e fiscalização de agrotóxicos no país.

    A legislação de 2023 efetivamente disciplina pesquisa, produção, registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização dos agrotóxicos no Brasil.

    Setor estima impacto bilionário sobre soja e milho

    Um dos principais argumentos contrários à medida envolve eventuais efeitos sobre a produtividade agrícola.

    Em estudo apresentado ao Ministério da Agricultura, a CropLife Brasil estimou que um cenário de restrição significativa na eficácia do controle fitossanitário poderia provocar perda de 12,8 milhões de toneladas de soja, com impacto financeiro de aproximadamente R$ 23,5 bilhões.

    Para o milho, a entidade projetou redução potencial de 92,9 milhões de toneladas, equivalente a cerca de R$ 102 bilhões.

    Somadas, as projeções chegam a R$ 125,5 bilhões.

    Os números, no entanto, são estimativas produzidas pelo setor de defensivos para um cenário hipotético de restrição relevante e não representam uma previsão oficial do governo ou uma consequência já estabelecida da criação da lista.

    Exportações também preocupam o setor

    A CropLife argumenta ainda que a classificação poderia produzir efeitos comerciais e reputacionais sobre produtos agrícolas brasileiros em mercados com regras ambientais mais rígidas, como a União Europeia.

    Segundo a entidade, a existência da lista poderia alimentar novos questionamentos sobre sustentabilidade e padrões produtivos brasileiros durante negociações comerciais e relações com compradores internacionais.

    Em manifestação técnica encaminhada à Casa Civil, o Ministério da Agricultura apresentou críticas à minuta.

    Segundo o documento, a Pasta avaliou que a proposta “apresenta graves inconsistências técnicas, jurídicas e institucionais, configurando risco a um sistema regulatório consolidado, ameaçando a segurança jurídica e a competitividade do agronegócio brasileiro”.

    Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário se posicionou favoravelmente à publicação da portaria em manifestação técnica mencionada no processo.

  • Herbicida banido na Suíça e na UE avança no Brasil. Saiba qual

    Herbicida banido na Suíça e na UE avança no Brasil. Saiba qual

    Um agrotóxico proibido na Europa vem ampliando sua presença no mercado brasileiro desde que autoridades nacionais baniram, há oito anos, outro pesticida da mesma família química por riscos associados a mutações genéticas e à doença de Parkinson.

    O Brasil proibiu o paraquate em 2017, após avaliação toxicológica da Anvisa apontar riscos de mutagenicidade e associação com Parkinson entre trabalhadores expostos ao produto. A decisão colocou o país na lista de mais de 70 nações que já haviam banido o herbicida.

    Produtores rurais brasileiros passaram então a recorrer ao diquate, herbicida quimicamente aparentado ao paraquate e também fabricado pela Syngenta. A substância, no entanto, segue proibida na Suíça e no restante da União Europeia por preocupações semelhantes com a saúde humana. Segundo o monitoramento do Ibama, o uso do diquate multiplicou-se por dez no Brasil entre 2017 e 2024.

    SUS registra 250 casos de intoxicação e ao menos 40 mortes

    Dados oficiais do SUS, levantados por uma investigação conjunta da Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye, mostram que o país registrou 250 casos de intoxicação por diquate entre 2018 e 2025. Do total, ao menos 40 pessoas morreram. Foram seis em acidentes e 34 por ingestão intencional do produto, em casos de suicídio.

    Uma apuração anterior, publicada pela Unearthed e pela Public Eye em parceria com a Repórter Brasil, já havia identificado 36 casos oficiais de intoxicação por diquate no Brasil entre 2018 e 2022, dos quais 17 eram tentativas de suicídio e quatro resultaram em morte. Pesquisadores ouvidos pela reportagem descreveram uma mudança no perfil das notificações, com o diquate substituindo progressivamente o paraquate nos registros de intoxicação em regiões agrícolas.

    Caso semelhante já se repetiu na China

    O Brasil não é o único país a enfrentar esse padrão. A China baniu o paraquate em 2016 e, desde então, o diquate se consolidou como o substituto mais usado no país. Porém, com centenas de mortes por intoxicação relatadas por médicos chineses após a proibição do paraquate entrar em vigor.

    Especialistas apontam que o diquate provoca predominantemente quadros de baixa gravidade, afetando principalmente pele e olhos, mas a ingestão do produto continua representando risco grave à saúde, sobretudo em casos de autoextermínio, dada a facilidade de acesso ao produto em propriedades rurais.

    Syngenta mantém fabricação e exportação do produto

    A Syngenta, multinacional suíça responsável pela fabricação do diquate, segue produzindo o herbicida mesmo com a proibição de uso vigente em seu país de origem. A empresa também mantém unidades de produção do paraquate no Reino Unido, ainda que o uso doméstico britânico do produto esteja proibido há mais de 15 anos. Portanto, isso caracteriza um padrão de exportação de agrotóxicos vetados nos mercados de origem para países com regulação mais permissiva, como o Brasil.

    Passados oito anos da proibição do paraquate, o diquate segue autorizado para uso agrícola no Brasil, sem sinalização pública de reavaliação toxicológica por parte da Anvisa. Enquanto isso, o crescimento no número de registros de intoxicação reacende o debate sobre os critérios de liberação de agrotóxicos já vetados por autoridades sanitárias europeias.

    Nota: este texto trata de dados sobre suicídio em contexto informativo e jornalístico. Se você ou alguém que você conhece estiver passando por sofrimento emocional, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

  • Fertilizantes ou agrotóxicos? Especialista desfaz mitos sobre o insumo agrícola

    Fertilizantes ou agrotóxicos? Especialista desfaz mitos sobre o insumo agrícola

    Grande parte da população brasileira não sabe diferenciar fertilizantes, adubos, agrotóxicos e defensivos agrícolas. É o que revela uma pesquisa qualitativa encomendada pela Nutrientes Para a Vida (NPV) e conduzida pelo Instituto de Pesquisa Ipeso, que ouviu 600 pessoas em todo o país. O levantamento aponta que os brasileiros conhecem esses insumos apenas superficialmente e não se consideram bem-informados sobre suas funções na produção de alimentos e na conservação dos recursos naturais.

    Para o engenheiro agrônomo Valter Casarin, coordenador-geral e científico da NPV, iniciativa da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), entender como esses elementos atuam é essencial para qualificar o debate sobre segurança alimentar e sustentabilidade.

    “É importante que a sociedade conheça o verdadeiro papel que os fertilizantes desempenham nos sistemas de produção. Esses insumos não substituem práticas como a conservação do solo e o manejo adequado, mas fazem parte de um conjunto de tecnologias que permite produzir mais alimentos com eficiência e responsabilidade ambiental”, afirma o especialista.

    A seguir, Casarin separa mito de verdade sobre cinco crenças comuns a respeito dos fertilizantes.

    Fertilizantes e agrotóxicos são a mesma coisa: mito

    Fertilizantes e agrotóxicos cumprem funções opostas, embora a confusão entre os dois termos seja frequente. Os fertilizantes fornecem nutrientes essenciais, como nitrogênio, fósforo e potássio, para o crescimento das plantas.

    Já os agrotóxicos, também chamados de defensivos agrícolas, protegem as lavouras contra pragas, doenças e plantas daninhas. Em resumo: os fertilizantes nutrem a planta, enquanto os defensivos a protegem.

    Fertilizantes empobrecem o solo: mito

    O uso correto de fertilizantes faz o oposto do que muitos imaginam. A cada safra, o solo perde parte de seus nutrientes junto com grãos, frutas, fibras e outros produtos colhidos. Os fertilizantes repõem justamente esses elementos minerais, e ajudam a manter a fertilidade e a capacidade produtiva da terra.

    A ausência dessa reposição, ou o manejo inadequado da área, é o que de fato compromete a qualidade do solo, não o uso responsável do insumo.

    Fertilizantes ajudam a preservar as florestas: verdade

    O aumento da produtividade em áreas já cultivadas permite produzir mais alimentos sem expandir continuamente a fronteira agrícola. Essa dinâmica reduz a pressão por abertura de novas áreas e favorece a conservação de ecossistemas naturais.

    Nas últimas décadas, os ganhos de produtividade no Brasil possibilitaram ampliar significativamente a produção agropecuária sem um crescimento proporcional da área cultivada. Um fenômeno que pesquisadores da Embrapa costumam chamar de “poupança de florestas”.

    Quanto mais fertilizante, maior a produção: mito

    A quantidade aplicada não determina, sozinha, o resultado da colheita. Assim como na alimentação humana, tanto a falta quanto o excesso de nutrientes podem prejudicar o desenvolvimento das plantas.

    A dosagem correta deve considerar a análise do solo, as necessidades específicas de cada cultura e o estágio de desenvolvimento da lavoura. Esse equilíbrio garante maior eficiência no uso dos nutrientes, melhor desempenho produtivo e menor risco de impactos ambientais.

    A agricultura orgânica não usa fertilizantes: mito

    Sistemas de produção orgânica também dependem de fertilizantes. A diferença está na origem dos insumos permitidos. As normas da produção orgânica priorizam fontes como esterco, compostos orgânicos e determinados minerais naturais.

    Independentemente do sistema de cultivo, toda planta precisa de nutrientes para crescer, completar seu ciclo biológico e produzir alimentos.

    Informação como ferramenta de sustentabilidade

    Para Casarin, disseminar informações confiáveis sobre o tema é fundamental para qualificar o debate sobre produção agrícola sustentável. “Fertilizantes não são vilões, nem soluções mágicas. São ferramentas que, quando utilizadas corretamente, ajudam a garantir alimentos na mesa, renda no campo e maior preservação dos recursos naturais”, conclui o coordenador da NPV.

  • Tecnologia amplia detecção de agrotóxicos e fármacos na água

    Tecnologia amplia detecção de agrotóxicos e fármacos na água

    Um método desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) elevou a precisão na detecção de contaminantes emergentes em água. A técnica amplia a sensibilidade das análises e permite identificar substâncias em concentrações extremamente baixas, o que fortalece o monitoramento ambiental e a segurança hídrica.

    A fusão das técnicas de cromatografia líquida e espectrometria de massas viabiliza monitoramentos ambientais mais abrangentes. Foto: Bianca Ferreira

    O estudo integra uma tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Química da Unicamp, com coorientação da Embrapa. A proposta viabiliza análises mais completas e automatizadas, com potencial de aplicação em órgãos de fiscalização e sistemas de abastecimento.

    A pesquisa parte de um cenário crescente de preocupação: além dos poluentes tradicionais, como metais pesados e resíduos industriais, cientistas já detectam contaminantes emergentes em rios, lagos e até na água potável. Entre eles estão agrotóxicos, fármacos, hormônios, surfactantes, presentes em detergentes, xampus e cosméticos e outros compostos de uso doméstico.

    Essas substâncias, muitas vezes fora das legislações atuais, podem causar impactos à saúde humana e à vida aquática. Segundo a pesquisadora Bianca Ferreira, autora da tese, o principal desafio está na complexidade química desses compostos e nas baixas concentrações em que aparecem, geralmente na faixa de nanogramas por litro.

    Técnica amplia capacidade de detecção

    Para superar essas limitações, a pesquisa utiliza a cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas sequencial (LC-MS/MS). A técnica separa misturas complexas e identifica moléculas com alta precisão, permitindo tanto análises direcionadas, para compostos já conhecidos, quanto triagens que detectam substâncias suspeitas sem padrão prévio.

     

    O rio Mogi Guaçu foi um dos analisados no estudo. Foto: Robson Barizon / Embrapa

    De acordo com a professora Carla Bottoli, orientadora do trabalho na Unicamp, o método integra essas duas abordagens em um único protocolo analítico. Isso amplia a capacidade de identificar compostos presentes em baixos níveis e que não fazem parte das rotinas tradicionais de monitoramento.

    A pesquisadora Sonia Queiroz, da Embrapa Meio Ambiente, destaca que a metodologia pode apoiar estudos de impacto ambiental e o controle da qualidade da água, especialmente em regiões sob influência de atividades agrícolas e urbanas, onde há maior diversidade de contaminantes.

    Principais avanços da pesquisa:

    • Desenvolvimento de método analítico com preparo de amostras otimizado para extrair e concentrar contaminantes
    • Integração de análises direcionadas e triagem de compostos suspeitos
    • Uso de espectrometria de massas de alta resolução, que aumenta a seletividade e reduz erros analíticos

    Impactos para o monitoramento ambiental

    A nova abordagem oferece aplicação direta em políticas públicas e rotinas laboratoriais. O método pode auxiliar agências reguladoras na atualização de protocolos de análise da água, incluindo substâncias que hoje não entram nos testes convencionais.

    Com isso, o estudo contribui para aprimorar o controle da qualidade da água, reduzir riscos à saúde e fortalecer estratégias de gestão sustentável dos recursos hídricos. Um tema cada vez mais relevante para o agronegócio e para a segurança ambiental.

  • Anvisa endurece controle de agrotóxicos

    Anvisa endurece controle de agrotóxicos

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo significativo na regulação de agrotóxicos no Brasil. A agência definiu uma estratégia para incluir, nas monografias dos ingredientes ativos, a classificação toxicológica conforme o Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), modelo adotado por dezenas de países para padronizar a comunicação de riscos químicos.

    A medida amplia a transparência das informações sobre substâncias presentes em alimentos cultivados no país e fortalece a avaliação de riscos à saúde da população e de trabalhadores expostos a essas substâncias.

    Por que isso importa?

    A classificação toxicológica determina como os perigos de cada substância são comunicados, das embalagens às bulas técnicas. Ao adotar o GHS, o Brasil passa a usar a mesma linguagem de risco reconhecida internacionalmente, facilitando a comparação com produtos regulados na União Europeia, nos Estados Unidos e em outros mercados.

    A Anvisa priorizou efeitos com maior impacto à saúde humana, como desregulação endócrina, toxicidade reprodutiva, mutagenicidade e carcinogenicidade. Para embasar as classificações, a agência recorreu a bases de dados consolidadas internacionalmente, como as da Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) e do European Pesticide Database, da Comissão Europeia. Referências reconhecidas pela robustez científica e transparência.

    71 ingredientes ativos na primeira fase

    Num primeiro momento, a Anvisa trabalha com 71 ingredientes ativos que apresentam classificações convergentes entre as bases pesquisadas. Esses compostos foram agrupados para consultas públicas e selecionados com base em critérios como:

    • maior potencial de exposição da população, segundo dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA);
    • número de produtos registrados com cada substância;
    • volume de comercialização divulgado pelo Ibama.

    A Anvisa classificará de forma escalonada o conjunto total de ingredientes ativos aprovados no país.

    Risco ocupacional também entra no radar

    Além da classificação toxicológica, a Anvisa passará a incorporar parâmetros internacionais para a avaliação de risco não-dietético. Ou seja, os riscos decorrentes do contato direto com agrotóxicos fora da alimentação. Isso inclui trabalhadores rurais que manuseiam os produtos, moradores de áreas próximas às lavouras e pessoas que transitam por regiões de aplicação.

    Para isso, a agência adotará os níveis aceitáveis de exposição ocupacional (AOEL e AAOEL) definidos pela Comissão Europeia, dando continuidade à implementação da RDC nº 998/2025, publicada recentemente.

    Consultas públicas com prazo mínimo de 60 dias

    A Anvisa incorporará as novas classificações às monografias de ingredientes ativos e submeterá o conteúdo à consulta pública por no mínimo 60 dias, o que garantirá a participação da sociedade civil, de pesquisadores e do setor produtivo no processo regulatório.

    A agência ressaltou que o planejamento seguirá de forma dinâmica e poderá sofrer ajustes conforme evoluírem as informações técnicas e regulatórias disponíveis.

  • Fiscalização apreende 70 litros de agrotóxicos irregulares

    Fiscalização apreende 70 litros de agrotóxicos irregulares

    A Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada), por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (Adapi), desencadeou uma operação de fiscalização que resultou na apreensão de 70 litros de agrotóxicos irregulares nos municípios de Campo Maior, Jatobá do Piauí e Sigefredo Pacheco, localizados na região norte do estado. A ação teve como alvo principal o comércio e a utilização de defensivos agrícolas.

    A iniciativa foi um desdobramento de uma primeira operação realizada em fevereiro, atendendo a uma solicitação do Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI). Desta vez, os fiscais retornaram aos locais para verificar o cumprimento de notificações que haviam sido emitidas anteriormente.

    Balanço da operação

    Durante a fiscalização, os agentes da Adapi lavraram seis autos de infração contra estabelecimentos que descumpriam a legislação. A equipe também emitiu uma nova notificação, enquanto os comerciantes cumpriram quatro notificações anteriores, o que resultou na emissão de quatro termos de desinterdição.

    O principal foco da operação foi verificar a regularidade dos documentos dos estabelecimentos, as condições de armazenamento dos produtos e o uso adequado dos defensivos por parte dos produtores rurais. As irregularidades encontradas levaram à apreensão dos 70 litros de agrotóxicos, que apresentavam problemas ligados à comercialização, armazenamento inadequado ou riscos na aplicação.

    “Nosso objetivo é assegurar que os defensivos agrícolas sejam comercializados e utilizados dentro das normas legais. Esse trabalho protege os trabalhadores rurais, os consumidores e o meio ambiente, além de fortalecer a qualidade da produção agropecuária do Piauí”, destacou o secretário da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária, Fábio Abreu.

    Educação e fiscalização

    Segundo a Adapi, ações como essa contribuem de forma decisiva para frear a circulação de produtos vencidos ou sem procedência. E reduzem significativamente os riscos de contaminação do solo, dos alimentos e dos recursos hídricos na região.

    Além do caráter punitivo, a operação também atuou na conscientização. Durante as visitas técnicas, comerciantes e produtores rurais receberam orientações sobre as normas legais e os procedimentos corretos para o manuseio, armazenamento e aplicação segura dos agrotóxicos. Portanto, reforçando a parceria entre o órgão fiscalizador e o setor produtivo.

  • Agrotóxicos e vinhaça destroem predadores aquáticos e desequilibram rios e lagoas

    Agrotóxicos e vinhaça destroem predadores aquáticos e desequilibram rios e lagoas

    Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) identificou que a combinação de agrotóxicos e vinhaça, resíduo líquido da produção de etanol de cana-de-açúcar, elimina predadores aquáticos, compromete funções ecológicas essenciais e desequilibra ecossistemas de rios, lagos e lagoas. O estudo ganha relevância diante da expansão do setor sucroenergético brasileiro, que depende do uso intensivo de defensivos agrícolas em áreas próximas a corpos d’água.

    Pesquisadores enchendo os tanques experimentais (mesocosmos) instalados a céu aberto próximo a áreas agrícolas para análise da água e monitoramento dos macroinvertebrados como larvas, insetos, moluscos e minhocas. Foto: Allan Pretti Ogura

    Os pesquisadores testaram os efeitos do inseticida fipronil, do herbicida 2,4-D e da vinhaça, aplicados isoladamente e em conjunto,sobre macroinvertebrados bentônicos, grupo que inclui larvas de insetos, moluscos e minhocas. Esses organismos desempenham papéis críticos no ecossistema aquático: decompõem matéria orgânica, ciclam nutrientes e controlam populações de outras espécies. Nos experimentos, a exposição aos contaminantes provocou o desaparecimento de predadores e perturbou profundamente o equilíbrio ecológico.

    Os resultados integram o artigo científico “Impacts of pesticides and vinasse on the composition and functional diversity of aquatic macroinvertebrates exposed in a mesocosm system”, assinado pela professora Raquel Aparecida Moreira, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA/USP), e pelo pesquisador Thandy Junio da Silva Pinto, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre outros autores.

    Experimento monitorou fauna aquática por 150 dias em área rural de São Paulo

    A equipe conduziu o estudo em tanques experimentais a céu aberto, chamados mesocosmos. Eles estão instalados no município de Itirapina (SP), onde a cana-de-açúcar domina a economia local. Os pesquisadores coletaram e analisaram amostras de água e monitoraram os macroinvertebrados aos 7, 14, 28, 75 e 150 dias após a exposição aos contaminantes.

    A professora Raquel Moreira destaca que os resultados confirmaram a toxicidade da vinhaça e seu elevado potencial de impacto ambiental, especialmente quando agricultores a aplicam junto com agrotóxicos. Uma prática corrente na agricultura brasileira. Amplamente usada como fertilizante por fertirrigação, a vinhaça concentra altos níveis de potássio, magnésio, fósforo e nitrogênio.

    “É justamente a elevada carga de nutrientes e de matéria orgânica que compromete o ecossistema aquático”, afirma a pesquisadora. A vinhaça analisada apresentou Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) de 46.500 miligramas por litro e Demanda Química de Oxigênio (DQO) de 107.000 mg/L. Valores que indicam enorme quantidade de matéria orgânica e alto consumo de oxigênio na água.

    “A redução do oxigênio pode ter consequências graves. Se os níveis caem muito, peixes e outros organismos aquáticos morrem por asfixia. Por isso, a DBO é um dos principais parâmetros para medir a qualidade da água e o grau de poluição de rios e lagoas”, explica Raquel.

    Vinhaça prolonga ação do fipronil e acelera formação de subprodutos tóxicos do 2,4-D

    Thandy da Silva Pinto identificou outro efeito preocupante: nos tanques em que os pesquisadores aplicaram a vinhaça junto aos agrotóxicos, o fipronil permaneceu mais tempo na água, enquanto o 2,4-D se degradou mais rapidamente em metabólitos que podem ser tão ou mais tóxicos do que a molécula original.

    “Na prática, o ecossistema deixa de funcionar de forma equilibrada, mesmo que nem todas as espécies desapareçam”, diz o pesquisador.

    O fipronil se mostrou o contaminante mais letal. Nos tanques expostos ao inseticida, predadores desapareceram completamente. Resultado que se repetiu quando os dois agrotóxicos atuaram em conjunto. Nos tanques com 2,4-D, os pesquisadores registraram aumento de coletores-catadores, organismos que consomem partículas orgânicas, e queda acentuada de raspadores, grupo fundamental no controle de algas. Sobretudo na amostragem dos 75 dias.

    Nos ambientes com vinhaça exclusiva, predadores dominaram o ambiente e coletores-catadores regrediram. Quando a combinação de vinhaça e agrotóxicos entrou em cena, os coletores-catadores resistiram até o sétimo dia. Mas depois os grupos funcionais sofreram mudanças significativas, evidenciando o efeito potencializado dos poluentes combinados.

    Pesquisadores defendem monitoramento contínuo e regras mais rígidas para uso próximo a rios

    Diante dos resultados, os pesquisadores reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e de critérios mais rigorosos para o uso combinado de agrotóxicos e fertilizantes em áreas próximas a corpos d’água.

    Visão geral dos mesocosmos instalados próximos a áreas agrícolas. Foto: Allan Pretti Ogura

    Para eles, a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis é fundamental para reduzir os riscos de contaminação e evitar impactos duradouros sobre a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.

    Baseado no texto de Ivanir Ferreira/Jornal da USP

  • Mapa apreende mais de 1 tonelada de agrotóxicos ilegais e interdita fábrica

    Mapa apreende mais de 1 tonelada de agrotóxicos ilegais e interdita fábrica

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deflagrou, na última quarta-feira (11), a Operação Terra Prometida no município de Patrocínio, em Minas Gerais. A ação resultou na apreensão de mais de uma tonelada de agrotóxicos irregulares, na interdição de uma fábrica de fertilizantes e na prisão em flagrante do responsável pelos estabelecimentos. O valor estimado dos produtos apreendidos supera R$ 1,1 milhão.

    A operação integra a Ronda Agro CXXIV, parte do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras), e foi conduzida em parceria com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o Ibama. Também participaram da ação a Receita Federal, a Polícia Civil de Minas Gerais, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, além de órgãos de inteligência dos estados de Goiás e São Paulo.

    Depósito clandestino e produtos com rótulos suspeitos

    Durante a fiscalização, os agentes identificaram um depósito clandestino contendo mais de uma tonelada de defensivos agrícolas irregulares e cerca de 200 litros de produtos com prazo de validade vencido. Os materiais estavam acondicionados em embalagens com rotulagem em língua estrangeira incompatível com a tradução impressa, em desacordo com a legislação brasileira.

    Análises realizadas por espectroscopia no infravermelho médio portátil apontaram fortes indícios da presença dos princípios ativos metsulfuron, abamectina e tiametoxam nas amostras coletadas — substâncias utilizadas no controle de pragas e doenças em lavouras. O estabelecimento foi interditado e todos os produtos, apreendidos.

    No mesmo local, os fiscais também recolheram cerca de 6,5 toneladas de melaço líquido que produtores destinariam ilegalmente à alimentação animal.

    Fábrica de fertilizantes também é alvo

    A operação se estendeu a uma fábrica de fertilizantes ligada ao mesmo responsável pelo depósito clandestino. A equipe encontrou, no local, substâncias incompatíveis com a formulação registrada para o tipo de produto fabricado. As autoridades suspenderam imediatamente as atividades. Ao todo, os fiscais apreenderam 320 kg e 416 litros de matérias-primas, além de aproximadamente 10 toneladas de fertilizantes acabados.

    Agentes prenderam em flagrante o responsável pelos estabelecimentos. Ele poderá responder pelos crimes de contrabando e falsificação de agrotóxicos e também poderá sofrer sanções administrativas, como autuação e suspensão das atividades. No campo ambiental, as multas podem chegar a R$ 3 milhões, com possibilidade de abertura de procedimentos civis e penais para reparação de danos.

    Por que isso importa para o agronegócio

    O uso de agrotóxicos irregulares representa um risco direto à saúde dos trabalhadores rurais, ao meio ambiente e à segurança alimentar dos consumidores. Produtos sem registro adequado ou com princípios ativos não declarados fogem ao controle de dosagem e eficácia, podendo contaminar solos, águas e colheitas.

    A atuação integrada entre diferentes órgãos federais e estaduais reforça a capacidade do Estado de proteger o setor agropecuário. E também garantir que produtores tenham acesso a insumos seguros e certificados.

  • Operação combate falsificação de agrotóxicos

    Operação combate falsificação de agrotóxicos

    Uma operação deflagrada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nos dias 9 e 10 de março resultou na apreensão de aproximadamente 28 toneladas de defensivos agrícolas com indícios de irregularidades em um galpão na cidade de Patos de Minas, no Alto Paranaíba.

    Batizada de “Operação Dólos”, correspondente à Ronda Agro CXXIV, a ação do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras) localizou um depósito usado para armazenamento clandestino, sem qualquer registro nos órgãos competentes. No local, parte dos produtos estava em galões sem rotulagem, o que indica possível falsificação.

    Além dos defensivos, os fiscais encontraram 10,5 toneladas de sementes e 20,5 toneladas de fertilizantes também com indícios de irregularidades. Totalizando mais de 50 toneladas de insumos apreendidos.

    A força-tarefa reuniu o Mapa, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A Polícia Civil de Patos de Minas, a Seção de Inovação Tecnológica da Superintendência de Inteligência Integrada da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SIT/SII/SSP-GO) e o Centro Integrado de Inteligência, Segurança Pública e Proteção Ambiental (CIISPA), do Ministério da Justiça, também participaram da operação.

    Saúde pública

    Para Marcela Ferreira Rocha, coordenadora de Fiscalização de Agrotóxicos do IMA, a apreensão demonstra a importância da fiscalização para proteger a saúde pública, o meio ambiente e a produção agrícola. “O uso de produtos falsificados pode causar danos irreversíveis às lavouras, além de contaminar o solo e os recursos hídricos”, alertou.

    No local, as equipes interditaram e autuaram o estabelecimento, além de iniciarem os procedimentos para apuração criminal. O prejuízo estimado aos infratores ultrapassa R$ 3,2 milhões, considerando o valor dos produtos apreendidos.

    A diretora do Departamento de Serviços Técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa, Graciane Castro, destacou a importância da atuação conjunta. “Os resultados reforçam a importância da cooperação entre os órgãos de fiscalização e forças policiais. Fortalecendo o combate ao comércio ilegal e ampliando a capacidade do Estado de coibir práticas criminosas”, afirmou.

    As operações do Vigifronteiras atuam estrategicamente para retirar de circulação insumos agrícolas irregulares que não oferecem garantia de qualidade. Portanto, representando riscos diretos aos produtores rurais, à sanidade vegetal e à saúde pública.

  • Ação intensifica fiscalização da aviação agrícola

    Ação intensifica fiscalização da aviação agrícola

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçou, entre os dias 2 e 5 de março, a fiscalização da aviação agrícola e do uso de agrotóxicos no Maranhão. A operação, realizada em 19 municípios, contou com o apoio da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (AGED-MA) e teve como foco o combate a irregularidades no registro e na aplicação aérea de defensivos.

    Foto: Mapa

    Durante a ação, as equipes verificaram a situação cadastral de operadores aeroagrícolas e proprietários rurais. Com atenção especial aos pilotos de drones sem registro no Mapa. Segundo Uéllen Duarte, chefe da Divisão de Aviação Agrícola do Ministério, a força-tarefa também atendeu denúncias sobre o uso irregular de aeronaves não autorizadas. Reforçando o compromisso com a segurança e a conformidade das operações no campo.

    Além das inspeções, o Mapa promoveu reuniões com produtores rurais e entidades do setor agrícola para orientar sobre as exigências legais que regulam a aviação agrícola e o uso responsável de insumos.

    O trabalho resultou na emissão de 33 Termos de Fiscalização, 26 Intimações e 6 Autos de Infração. O número de autuações pode aumentar conforme o andamento das intimações. As penalidades seguem a Lei nº 14.515/2022, que prevê multas de até R$ 150 mil para infratores.

    Foto: Mapa

    A operação mobilizou sete auditores fiscais federais agropecuários, três técnicos do Mapa  vindos de diferentes estados e uma equipe da AGED-MA. A fiscalização da aviação agrícola faz parte das ações permanentes do Ministério para garantir o uso regular de insumos e o cumprimento da legislação nas atividades agropecuárias.