Tag: agronegócio brasileiro

  • Gengibre ganha força no Brasil com nova política

    Gengibre ganha força no Brasil com nova política

    A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou o projeto que cria a Política Nacional de Incentivo à Produção de Gengibre de Qualidade. A proposta busca estruturar e fortalecer essa cadeia produtiva no Brasil, que ainda tem espaço relevante para crescimento. O texto agora segue para o Senado, etapa decisiva para que a medida se torne lei.

    Foco em qualidade e eficiência produtiva

    O projeto estabelece diretrizes claras para elevar o padrão do gengibre brasileiro. Entre os principais objetivos está melhorar a qualidade do produto ofertado ao mercado e aperfeiçoar os sistemas produtivos. Com isso, o setor pode ganhar competitividade, principalmente em mercados mais exigentes, tanto no Brasil quanto no exterior.

    Apoio direto ao produtor rural

    A proposta prevê instrumentos importantes para o desenvolvimento da atividade. Entre eles estão o acesso facilitado ao crédito rural, assistência técnica especializada e seguro agrícola. Essas medidas devem beneficiar principalmente pequenos produtores, cooperativas e agricultores familiares, que concentram boa parte da produção no país.

    Tecnologia e sustentabilidade como estratégias centrais

    O texto também incentiva a adoção de tecnologias em todas as etapas da cadeia, desde o plantio até o processamento. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de práticas sustentáveis, o que pode aumentar a eficiência produtiva e reduzir impactos ambientais. Essa combinação tende a elevar o nível técnico da produção nacional.

    Potencial de mercado e agregação de valor

    O gengibre apresenta demanda crescente, impulsionada pelo consumo interno e pelas exportações. No entanto, a falta de padronização ainda limita o acesso a mercados mais rentáveis. Com a nova política, produtores podem conquistar melhores preços e ampliar a participação no mercado.

    Além disso, o incentivo ao processamento abre espaço para produtos com maior valor agregado.

    Próximos passos e impacto no agronegócio

    O projeto ainda precisa da aprovação do Senado para entrar em vigor. Caso avance, a medida pode representar um marco para a diversificação do agronegócio brasileiro. A iniciativa fortalece uma cultura com potencial econômico e contribui para gerar renda, especialmente em regiões onde a produção já ocorre em pequena escala.

  • Segunda safra ganha peso e exige estratégia no campo

    Segunda safra ganha peso e exige estratégia no campo

    O calendário agrícola no Sudoeste de Goiás mudou de lógica: já não se fala mais em “safrinha”, mas em segunda safra como parte essencial da renda do produtor. Em 2026, o ciclo começou sob pressão, com atraso de até 15 dias no plantio e mais nove dias perdidos na colheita por excesso de chuvas em fevereiro, cenário que tirou parte das lavouras da janela ideal. Ainda assim, a expectativa é de recuperação com clima favorável em abril e início de maio, mantendo o potencial produtivo das áreas.

    A avaliação é de Dyogo Fonseca de Castro, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura, que acompanha de perto a dinâmica da região durante a Tecnoshow Comigo 2026, realizada em Rio Verde. Segundo ele, o produtor conseguiu reagir rapidamente aos imprevistos, reduzindo um atraso superior a 20 dias para cerca de uma semana.

    “O agricultor hoje está muito bem estruturado e equipado. Mesmo com adversidades, ele conseguiu encurtar esse intervalo e manter a operação dentro de um limite aceitável”, afirma.

    O impacto inicial veio do atraso no plantio da soja, provocado por chuvas no início da safra e períodos nublados que prolongaram o ciclo da cultura. Isso empurrou a colheita para além da janela ideal, coincidindo com chuvas intensas na primeira quinzena de fevereiro, período crítico para a retirada dos grãos do campo.

    Segunda safra deixa de ser complemento e vira pilar

    Mais do que um ajuste de calendário, a mudança reflete uma transformação estrutural no agronegócio. A segunda safra deixou de ser uma cultura de cobertura e passou a ser determinante para a rentabilidade anual.

    “O produtor não pensa mais em culturas isoladas. Ele trabalha com um calendário produtivo completo, seja soja e milho ou soja e sorgo. A segunda safra é fundamental para fechar essa conta”, explica Castro.

    Dyogo Fonseca de Castro, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Com custos elevados, especialmente de fertilizantes, a margem do produtor está mais apertada. Nesse contexto, manter produtividade nas duas safras tornou-se condição básica para viabilidade econômica.

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento reforçam a relevância do estado no cenário nacional. Goiás deve produzir mais de 36 milhões de toneladas de grãos, ocupando posição de destaque no país, embora com leve recuo na produtividade nesta temporada.

    Pressão de pragas cresce com “ponte verde”

    Outro desafio típico da região é a chamada “ponte verde”, resultado da sucessão contínua de culturas ao longo do ano. Esse cenário favorece a sobrevivência e multiplicação de pragas.

    No milho, a cigarrinha segue como principal preocupação, mas divide espaço com um novo protagonista: o pulgão, que ganhou relevância, especialmente em regiões mais quentes do Cerrado.

    “Hoje, o pulgão já está no mesmo nível de importância da cigarrinha. É uma praga que aparece cedo e exige atenção redobrada”, alerta.

    Para enfrentar esse cenário, a aposta está em tecnologia e inovação. Entre as soluções, o inseticida Efficon se destaca pelo efeito imediato no controle de pragas vetoras, reduzindo a transmissão de doenças como o enfesamento. No campo das doenças, o foco está no controle da Bipolaris, com novos fungicidas baseados na tecnologia Revysol.

    Além da proteção química, a escolha de sementes com genética avançada também é estratégica. Cultivares mais resistentes a estresses climáticos e doenças ajudam a garantir estabilidade produtiva, mesmo em anos adversos.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Clima pode aliviar pressão no fim do ciclo

    Apesar dos desafios iniciais, a previsão climática traz alívio. A expectativa é de chuvas dentro da normalidade em abril e início de maio, o que deve favorecer o desenvolvimento das lavouras que ficaram fora da janela ideal.

    Esse cenário reforça a importância do manejo integrado e da tomada de decisão baseada em dados, prática cada vez mais comum entre produtores da região.

    Durante a feira, considerada uma das principais vitrines tecnológicas do país, empresas apresentam soluções que vão desde sementes até plataformas digitais de monitoramento, consolidando o evento como referência na difusão de conhecimento técnico.

    “A agricultura é dinâmica e cada região tem sua particularidade. Aqui, a intensidade do sistema produtivo exige soluções específicas e um olhar atento para cada detalhe”, conclui Castro.

    A Tecnoshow segue até o dia 10 de abril, reunindo produtores, técnicos e empresas em busca de alternativas para elevar a produtividade e garantir a sustentabilidade econômica das lavouras.

  • Tecnoshow Comigo 2026: feira do agro em Goiás projeta R$ 10 bilhões em negócios

    Tecnoshow Comigo 2026: feira do agro em Goiás projeta R$ 10 bilhões em negócios

    A Tecnoshow Comigo 2026 deve movimentar cerca de R$ 10 bilhões em negócios e reunir quase 700 expositores em Rio Verde, consolidando-se como uma das principais feiras agro do Brasil. O evento ocorre de 6 a 10 de abril, no Centro Tecnológico Comigo (CTC), referência em tecnologia agrícola aplicada ao agronegócio.

    Com 130 hectares, o espaço permite que empresas e instituições apresentem soluções em condições reais de produção. Esse formato aproxima a tecnologia agrícola da rotina do produtor rural, fator decisivo para acelerar a adoção de inovação no campo.

    A Comigo organiza a feira e mantém, há décadas, parcerias com a Embrapa e universidades. Esse investimento contínuo em pesquisa fortalece a base tecnológica do evento e consolida a Tecnoshow como vitrine estratégica do agronegócio no Centro-Oeste.

    Números mostram força da feira agro

    A edição de 2025 reforçou a dimensão da Tecnoshow no agronegócio brasileiro. O evento reuniu 695 expositores e atraiu cerca de 140 mil visitantes. Mais de 3 mil máquinas e equipamentos ficaram em exposição, com foco em tecnologia agrícola e mecanização.

    A programação incluiu mais de 100 palestras técnicas, com público superior a 7 mil pessoas. Além disso, a feira gerou aproximadamente 12,8 mil empregos diretos e indiretos e movimentou R$ 9,24 bilhões em negócios, consolidando seu papel como uma das maiores feiras agro do país.

    Termômetro do agronegócio no Centro-Oeste

    Mais do que uma vitrine de lançamentos, a Tecnoshow funciona como termômetro do agronegócio, especialmente no Centro-Oeste, região estratégica para a produção de grãos no Brasil.

    A presença de fabricantes de máquinas, empresas de insumos, soluções em tecnologia agrícola e crédito rural indica o nível de investimento do produtor rural e o avanço da tecnificação no campo.

    Diante de custos elevados e maior pressão por produtividade, o setor amplia a busca por eficiência. Nesse cenário, a adoção de tecnologia agrícola e ferramentas de gestão de risco se torna essencial para manter a competitividade do agronegócio brasileiro.

    A Tecnoshow Comigo 2026 deve refletir esse movimento e transformar inovação em negócios concretos para o produtor rural.

    Serviço Tecnoshow Comigo 2026

    • Datas: 6 a 10 de abril de 2026
    • Local: Centro Tecnológico Comigo (CTC), Rio Verde (GO)
    • Realização: Comigo — Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano
  • Centro de formação rural deve capacitar 7 mil por ano no RS

    Centro de formação rural deve capacitar 7 mil por ano no RS

    A Case IH, marca da CNH Industrial, e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar-RS) anunciaram uma parceria para ampliar o projeto Formação de Alta Performance. A iniciativa inclui a criação de um novo Centro de Formação Profissional Rural na cidade de Hulha Negra, com estrutura voltada à qualificação de operadores e técnicos do agronegócio. O anúncio foi formalizado durante a Expodireto Cotrijal 2026, realizada em Não-Me-Toque.

    O encontro que oficializou a cooperação reuniu o superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli; o diretor comercial da Case IH Brasil, Denny Perez; e o gerente de Treinamentos da Case IH para a América Latina, Gabriel Vieira. A parceria busca responder a uma demanda crescente do setor por profissionais qualificados para operar equipamentos agrícolas cada vez mais tecnológicos.

    Segundo Perez, a capacitação profissional tornou-se um desafio estratégico para o agronegócio. “Sabemos das dificuldades que nossos clientes têm para encontrar mão de obra comprometida. Por isso, buscamos ampliar cada vez mais nosso projeto de capacitação profissional. O Senar tem sido um parceiro importante nesse processo. Fortalecer o ensino de qualidade é essencial para garantir produtividade, segurança operacional e alta performance no cenário atual”, afirmou.

    Condorelli destacou que a iniciativa reforça o papel da formação técnica no campo. “Nesse sentido, uma parceria com a Case IH representa um avanço importante para preparar profissionais capazes de operar máquinas e tecnologias de última geração. Nosso objetivo é oferecer capacitação conectada às necessidades do produtor rural e às transformações que o agronegócio vem vivendo”, disse.

    Estrutura e formação técnica

    O novo centro de formação contará com uma área total de quase 36 hectares. Dentro desse espaço, a Case IH terá uma área exclusiva dedicada ao treinamento técnico. O local deverá reunir infraestrutura para aulas teóricas e práticas, incluindo áreas destinadas à operação e ao manejo de máquinas agrícolas.

    Além disso, a previsão é que o complexo comece a operar ainda no primeiro semestre deste ano. O modelo de capacitação prevê suporte completo aos alunos, com transporte, alimentação, hospedagem e organização pedagógica oferecidos pela instituição. A estimativa é atender cerca de 7 mil estudantes por ano.

    Entre os equipamentos disponíveis para treinamento estarão máquinas da nova geração da marca, como a colheitadeira Axial-Flow Série 160 Automation, o pulverizador Patriot Série 50, além de drones de aplicação e tratores das linhas Farmall tractor series, Puma tractor series e Magnum tractor series.

    Foto: Reprodução/ Divulgação CASE IH

    De acordo com Perez, a companhia pretende investir aproximadamente R$ 9 milhões nesta fase do projeto, incluindo máquinas, tecnologias e a disponibilização de equipes técnicas para formar instrutores na região. “A Case IH assume como missão preparar o mercado de trabalho para toda essa tecnologia que entrega ao produtor rural”, afirmou.

    Expansão do projeto de capacitação

    O programa Formação de Alta Performance faz parte da estratégia da empresa para ampliar a qualificação profissional no setor agrícola. A marca já realizava treinamentos voltados aos clientes por meio da rede de concessionárias, mas decidiu expandir o modelo para a sociedade em 2022.

    Naquele ano, a companhia firmou uma parceria com o Senai e o Senar no estado de Mato Grosso, dando início à nova fase do projeto. Dois anos depois, em 2024, a iniciativa chegou ao estado de São Paulo, onde a empresa mantém duas fábricas estratégicas localizadas em Sorocaba e Piracicaba. As unidades produzem, respectivamente, colheitadeiras de grãos e a linha completa de colhedoras de cana-de-açúcar da marca para o mercado global.

    Até o momento, mais de 5 mil pessoas já foram capacitadas. Com isso, a expectativa é ampliar a oferta de qualificação no Sul do País. A expectativa é que a nova unidade em Hulha Negra amplie a oferta de qualificação técnica no Sul do País e contribua para formar profissionais preparados para lidar com a crescente complexidade tecnológica do agronegócio.

  • Boas práticas e tecnologia marcam debate da Corteva

    Boas práticas e tecnologia marcam debate da Corteva

    A Corteva Agriscience reuniu especialistas, produtores rurais e jornalistas durante a Expodireto Cotrijal 2026, em Não-Me-Toque (RS), para discutir dois temas centrais da próxima safra de grãos: a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas e o impacto das doenças iniciais da soja na produtividade. O encontro ocorreu no dia 11 de março e destacou a importância da inovação, do treinamento e das boas práticas agrícolas para reduzir perdas no campo.

    Participaram da coletiva o professor Adriano Arrué Melo, da Universidade Federal de Santa Maria, o consultor agronômico Maurício De Bortoli, o produtor rural Pedro Basso, da região de Vacaria (RS), e Maxwell Borges, líder comercial de tratamento de sementes da empresa. Ao longo do debate, os convidados abordaram desafios técnicos da produção agrícola e estratégias para melhorar a eficiência das lavouras.

    Além disso, representantes da companhia apresentaram projetos voltados à disseminação de conhecimento técnico no campo. A iniciativa busca aproximar pesquisadores, técnicos e produtores, ampliando o acesso a informações sobre manejo e aplicação correta de insumos agrícolas.

    Treinamento e tecnologia para aplicação responsável

    Um dos focos da apresentação foi a difusão de boas práticas agrícolas. A empresa destacou programas de capacitação voltados à aplicação responsável de defensivos, com treinamentos teóricos e práticos para agricultores e operadores de máquinas.

    Nesse contexto, uma das iniciativas utiliza uma caminhonete equipada para levar cursos diretamente às propriedades rurais. O objetivo é orientar trabalhadores sobre a pulverização correta, garantindo que o produto seja aplicado na dose adequada e atinja o alvo desejado.

    Desde 2006, mais de 45 mil pessoas já participaram de mais de 2 mil treinamentos promovidos pela empresa em diferentes regiões do país. Os cursos têm duração de 16 horas, divididas entre teoria e prática, e abordam temas como regulagem de pulverizadores, segurança do trabalhador e manejo eficiente de defensivos.

    Além disso, as ações fazem parte de uma estratégia baseada em cinco pilares: manejo integrado de plantas daninhas, manejo integrado de pragas, manejo integrado de doenças, tecnologia de aplicação e segurança do trabalhador rural.

    Deriva

    Outro ponto discutido foi a deriva de herbicidas, fenômeno que ocorre quando o produto aplicado se desloca para áreas vizinhas. Esse problema pode atingir outras culturas e gerar prejuízos para produtores rurais.

    Para reduzir esse risco, a empresa apresentou tecnologias como o herbicida Enlist Colex-D, desenvolvido com sal colina. Segundo a companhia, a formulação reduz a volatilidade e pode diminuir o risco de deriva em até 90% durante a aplicação.

    O professor Adriano Arrué Melo destacou que a evolução da tecnologia de aplicação tem papel decisivo para conciliar produtividade e responsabilidade ambiental. Segundo ele, defensivos agrícolas continuam sendo ferramentas importantes para o controle de pragas e doenças, desde que utilizados com critérios técnicos.

    “A pesquisa busca garantir que os produtos sejam aplicados de forma eficiente. Assim, o agricultor evita perdas e a sociedade também se beneficia”, afirmou.

    De acordo com o pesquisador, o Rio Grande do Sul foi pioneiro ao estabelecer normas específicas sobre tecnologia de aplicação em 2018. A regulamentação ampliou o controle sobre a atividade e estimulou programas de capacitação de operadores.

    Hoje, segundo dados apresentados no encontro, o número de aplicadores cadastrados no Estado passou de 3.348 em 2022 para mais de 32 mil em 2026. Além disso, a certificação exige reciclagem a cada cinco anos.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças iniciais da soja preocupam produtores

    Outro tema discutido foi o impacto das doenças iniciais da soja, que podem comprometer o desenvolvimento das plantas logo nas primeiras fases da cultura. O consultor agronômico Maurício De Bortoli apresentou um panorama dos principais patógenos presentes na safra 2025/26 e destacou que fatores como solo, clima e qualidade das sementes influenciam diretamente o desempenho das lavouras.

    Segundo ele, a janela de plantio considerada ideal no Rio Grande do Sul costuma ocorrer entre 20 de outubro e 20 de novembro. Esse período reúne condições favoráveis de temperatura e umidade para o estabelecimento inicial da cultura.

    No entanto, variações climáticas podem trazer desafios adicionais ao produtor. Em muitas regiões, o início da safra apresenta temperaturas mais baixas e maior umidade. Já no final do ciclo, o cenário costuma mudar, com calor mais intenso e menor disponibilidade de água.

    Por isso, especialistas defendem que o produtor adote estratégias preventivas para proteger a lavoura desde o início do cultivo. Nesse contexto, o tratamento de sementes surge como uma ferramenta fundamental para reduzir riscos e garantir melhor desenvolvimento das plantas.

    Maxwell Borges, líder comercial de tratamento de sementes da Corteva, destacou que a proteção inicial da semente pode influenciar diretamente o estabelecimento da cultura no campo. Segundo ele, a adoção de tecnologias específicas ajuda a reduzir o impacto de patógenos presentes no solo.

    Além disso, o manejo adequado contribui para fortalecer o sistema radicular das plantas e aumentar o potencial produtivo das lavouras.

    Experiência no campo reforça importância do manejo

    A visão prática do campo foi apresentada pelo produtor rural Pedro Basso, que cultiva soja na região de Vacaria (RS), área caracterizada por altitudes mais elevadas e variações climáticas frequentes.

    Segundo ele, as lavouras enfrentam diferentes adversidades ao longo da safra, como frio, chuvas intensas e períodos de estiagem. Por isso, a escolha de tecnologias adequadas se torna decisiva para reduzir perdas.

    Basso relatou experiências com doenças como a podridão radicular causada por Phytophthora sojae, patógeno que pode comprometer o desenvolvimento das plantas ainda nos estágios iniciais da cultura.

    Para enfrentar esse cenário, o produtor afirmou que o tratamento de sementes tem se mostrado uma estratégia importante para aumentar a segurança da lavoura. Ele destacou resultados obtidos após testar a tecnologia LumiTreo.

    Segundo o agricultor, o produto apresentou efeito mais duradouro em comparação ao manejo anterior. “Observamos cerca de 21 dias adicionais de proteção, o que trouxe mais segurança no estabelecimento da lavoura”, relatou.

    Por fim, os participantes do encontro ressaltaram que a integração entre pesquisa, inovação tecnológica e capacitação de produtores será fundamental para enfrentar os desafios da próxima safra. A troca de conhecimento entre universidades, empresas e agricultores deve continuar impulsionando práticas mais eficientes e sustentáveis no agronegócio brasileiro.

  • Imigração, crise e recomeço: a história da Stara

    Imigração, crise e recomeço: a história da Stara

    A história da Stara começa muito antes da indústria instalada em Não-Me-Toque, no interior do Rio Grande do Sul. Ela tem origem na Holanda, entre pequenos agricultores da tradicional família Stapelbroek que precisaram atravessar o oceano para recomeçar a vida no Brasil.

    Durante visita de jornalistas à fábrica da empresa, realizada paralelamente à Expodireto Cotrijal, a trajetória da companhia foi apresentada pela gerente de marketing da Stara, Cíntia Dal Vesco, revelando como uma pequena oficina familiar se transformou em uma das principais fabricantes de máquinas agrícolas do país.

    Uma família em busca de recomeço

    O ponto de partida remonta ao final da década de 1930 e início dos anos 1940, quando a família Stapelbroek vivia da agricultura de subsistência na Holanda. Além de agricultor, o patriarca também atuava como ferreiro, produzindo ferramentas e pequenas máquinas utilizadas na lavoura.

    Com a Segunda Guerra Mundial e a crise humanitária que atingiu a Europa, a família decidiu migrar para o Brasil. Assim, com apoio da igreja, vendeu tudo o que possuía e embarcou rumo ao país sul-americano em busca de uma nova oportunidade.

    A chegada ocorreu pelo porto de Santos. Em seguida, os imigrantes seguiram para a Fazenda Ribeirão, região que hoje corresponde ao município de Holambra, no interior de São Paulo. A proposta era reconstruir a vida em comunidade, trabalhando em um modelo cooperativo.

    Johannes Bernardus Stapelbroek e sua esposa, Johanna – Foto: Arquivo/ Stara

    Durante quatro anos, a família viveu em condições simples, em uma casa de pau a pique e chão batido. Na bagagem trouxeram sementes e mudas que pretendiam cultivar no Brasil. No entanto, o clima e as características do solo eram muito diferentes da realidade holandesa, o que dificultou a adaptação das culturas.

    Diante das dificuldades, a família decidiu tentar novamente e buscar um novo lugar para recomeçar.

    Da pequena oficina à inovação no campo

    O destino escolhido foi Não-Me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul, município conhecido por reunir colônias de imigrantes holandeses. Foi ali que, por volta de 1960, surgiu a primeira oficina criada pela família em sociedade com os Rauwers. Nascia a Stapelbroek Rauwers & Cia Ltda., dedicada inicialmente a adaptações em máquinas agrícolas.

    Naquele período, a agricultura brasileira começava a ganhar escala comercial. Muitas máquinas eram importadas e precisavam de ajustes para funcionar nas condições do campo brasileiro. Dessa forma, a pequena oficina passou a atender justamente essa demanda.

    Em 29 de agosto de 1960 surgiu oficialmente a Stara. A estrutura era simples: um galpão de madeira com cerca de 400 metros quadrados. O nome da empresa nasceu da união dos sobrenomes Stapelbroek e Rauwers.

    Nos primeiros anos, a empresa produzia pulverizadores e adaptava equipamentos agrícolas. A oficina também fabricava itens variados, como camas hospitalares, cozinhas, cadeiras de dentista e até baterias musicais, mostrando a capacidade técnica dos fundadores.

    Proximidade com produtor

    A proximidade com o produtor rural sempre foi uma característica da empresa. Na fase inicial da mecanização agrícola, um problema comum ocorria durante a capina entre as linhas de plantio: o operador do trator não conseguia visualizar corretamente a posição do equipamento e acabava danificando parte da lavoura.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Por isso, a Stara desenvolveu um sistema de orientação que permitia conduzir a ferramenta com mais precisão entre as linhas da cultura. Para a época, a inovação representou um avanço importante e ajudou a projetar o nome da empresa no setor agrícola.

    O crescimento levou à inauguração de uma nova planta industrial em 1978, com cerca de 8 mil metros quadrados. Com isso, a empresa ampliou sua capacidade de produção. No entanto, o investimento foi financiado com empréstimos em dólar e acabou provocando uma das maiores crises da história da companhia.

    Em 1982, a forte valorização da moeda norte-americana quadruplicou o valor da dívida da empresa praticamente da noite para o dia. Diante desse cenário, a venda da Stara passou a ser considerada como única saída.

    A decisão que salvou a empresa

    Foi nesse momento que entrou em cena Franciscus Johannes Stapelbroek, conhecido na região como “Seu Chico”. Filho do fundador da empresa, ele havia deixado a indústria para realizar o sonho de se tornar agricultor.

    Chamado pelos irmãos para ajudar no processo de venda, Seu Chico tomou uma decisão que mudaria o rumo da história. Produtor respeitado na região e adepto da filosofia de sempre guardar parte da safra como segurança financeira, decidiu investir suas economias na empresa para evitar que o sonho da família terminasse ali.

    Assim, o aporte permitiu que a Stara reorganizasse suas finanças e iniciasse um novo ciclo de crescimento.

    Alguns anos depois, outro personagem passaria a marcar a trajetória da companhia: Gilson Trennepohl. De origem humilde, ele chegou a Não-Me-Toque com poucos pertences e o sonho de trabalhar como radialista.

    Inicialmente trabalhou como garçom em um restaurante em troca de comida. Foi nesse período que conheceu Susana Stapelbroek, filha de Seu Chico. Os dois se casaram e, posteriormente, Gilson pediu uma oportunidade para trabalhar na empresa da família.

    A condição para ingressar na Stara era clara: começaria de baixo e seu crescimento dependeria do desempenho, não do parentesco.

    Ele iniciou como demonstrador de máquinas agrícolas, viajando de fazenda em fazenda para apresentar os equipamentos aos produtores. Com o tempo, destacou-se pela habilidade de comunicação e negociação e acabou assumindo a diretoria comercial.

    Sob sua atuação, a empresa ampliou a linha de produtos, iniciou exportações e passou a investir em novas tecnologias.

    O símbolo do “positivo”

    Desde a década de 1980, Gilson Trennepohl passou a adotar o gesto do polegar levantado como forma de transmitir confiança e otimismo dentro da empresa. O símbolo aparecia frequentemente em fotografias e encontros da companhia.

    Família Stapelbroek Trennepohl (4ª Geração) – Foto: Arquivo/ Stara

    Com o passar dos anos, o gesto ganhou significado dentro da cultura organizacional. Em 2010, durante as comemorações dos 50 anos da Stara, um estudo de marketing indicou a necessidade de um símbolo que representasse a identidade da empresa. Assim, o gesto do “positivo” acabou adotado oficialmente.

    Mais do que uma estratégia de comunicação, o símbolo passou a representar a filosofia de acreditar, seguir em frente e enfrentar desafios com confiança.

    Hoje, prestes a completar 66 anos de história, a Stara mantém sua matriz em Não-Me-Toque, onde reúne milhares de colaboradores e uma ampla estrutura industrial voltada ao desenvolvimento de máquinas agrícolas. A empresa exporta para 35 países e possui unidades industriais e centros de tecnologia no Brasil e no exterior.

    Mesmo com a expansão, a companhia preserva valores ligados à simplicidade e ao relacionamento próximo com produtores rurais e colaboradores. Um exemplo é o bairro planejado criado pela empresa para facilitar o acesso de funcionários à moradia, oferecendo terrenos a preços abaixo do custo.

    Dessa forma, a iniciativa reflete um princípio que acompanha a Stara desde sua origem: construir máquinas é importante, mas construir pessoas é essencial para manter viva a cultura e o legado da empresa.

  • Exportações do agronegócio batem recorde em fevereiro

    Exportações do agronegócio batem recorde em fevereiro

    As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 12,05 bilhões em fevereiro de 2026, marcando o melhor resultado da série histórica para o mês, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O desempenho responde por 45,8% de todas as vendas externas do Brasil no período e garantiu superávit de US$ 10,5 bilhões na balança comercial do setor.

    Em relação a fevereiro de 2025, o avanço foi de 7,4%, impulsionado principalmente pelo aumento de 9% no volume exportado. A alta reflete o esforço conjunto do Mapa com instituições governamentais e o setor privado para ampliar e diversificar mercados do agro brasileiro.

    Apesar do crescimento expressivo em volume, o preço médio dos produtos exportados caiu 1,5%, acompanhando o movimento de queda nos índices globais de alimentos medidos por organismos como o Banco Mundial e a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura).

    As importações de produtos agropecuários somaram US$ 1,5 bilhão, retração de 9,1% na comparação anual, reforçando o saldo positivo das exportações.

    China segue como principal parceira

    A China manteve a liderança entre os destinos, com US$ 3,6 bilhões em compras do agro brasileiro (30,5% do total). Na sequência vieram a União Europeia (US$ 1,8 bilhão; 15,2%) e os Estados Unidos (US$ 802,9 milhões; 7%).

    Outros países asiáticos também ampliaram suas importações. O Vietnã comprou US$ 372,6 milhões (+22,9%), e a Índia destacou-se com US$ 357,3 milhões (+171,1%), ocupando o 4º e 5º lugares no ranking dos principais importadores do agro nacional.

    Mercados como Turquia, Egito, México, Tailândia, Reino Unido e Filipinas também registraram altas expressivas em suas compras de produtos brasileiros.

    Soja, carnes e café puxam exportações

    Entre os setores que mais contribuíram para o resultado, o complexo soja liderou com US$ 3,78 bilhões (31,4% do total e alta de 16,4%). As proteínas animais vieram em seguida, somando US$ 2,7 bilhões (+22,5%).

    Os produtos florestais, o café e o complexo sucroalcooleiro completam a lista dos principais grupos exportadores, com participações de 10,5%, 9,3% e 7,1%, respectivamente.

    Além dos produtos tradicionais, o agronegócio brasileiro também se destacou com o crescimento de itens de nicho, como:

    • Óleo essencial de laranja: US$ 47,8 milhões (+28,8%)
    • DDG de milho: US$ 36,2 milhões (+164,2%)
    • Farinhas e extratos de carne: US$ 20,1 milhões (+10,5%)
    • Manteiga e gordura de cacau: US$ 17,2 milhões (+25,9%)
    • Óleo de milho: US$ 15,9 milhões (+49,5%)

    Governo destaca ampliação de mercados

    De acordo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o resultado mostra a força do aumento produtivo do país. “O Brasil caminha para uma safra recorde e reforça sua capacidade de atender à demanda global com regularidade, qualidade e confiança”, afirmou.

    Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou o avanço na agenda de acesso a mercados. “Foram nove novas aberturas em fevereiro e 544 desde o início de 2023. O Brasil não apenas aumenta a oferta, mas também suas oportunidades de comércio”, disse.

  • Tecnologia de grandes máquinas chega ao pequeno produtor

    Tecnologia de grandes máquinas chega ao pequeno produtor

    A tecnologia que antes era restrita a máquinas de grande porte começa a ganhar espaço também nas propriedades menores. Durante a 26ª Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, a Massey Ferguson apresentou três novas séries de tratores que ampliam o acesso a recursos de agricultura de precisão para produtores de diferentes perfis.

    Os lançamentos incluem modelos voltados desde pequenas propriedades até operações de maior escala. Entre os destaques estão sistemas de piloto automático, telemetria e monitoramento remoto embarcados diretamente de fábrica, tecnologias que até poucos anos atrás estavam disponíveis apenas em máquinas de alta potência.

    Segundo a empresa, a estratégia é tornar os recursos digitais cada vez mais presentes no dia a dia da agricultura brasileira, independentemente do tamanho da propriedade.

    “Estamos lançando três séries novas de tratores aqui na Expodireto. A proposta é atender desde o pequeno produtor até operações maiores, com máquinas versáteis e tecnologia embarcada”, explica Eder Pinheiro, coordenador de marketing de produto tratores da marca.

    Novas séries ampliam acesso à tecnologia

    Entre as novidades apresentadas está a série MF 3700, voltada principalmente a produtores de menor escala. Os modelos possuem 75 e 85 cavalos de potência e foram projetados para atividades variadas no campo.

    Segundo Pinheiro, a proposta é oferecer uma máquina versátil, capaz de atender diferentes etapas do ciclo produtivo.

    “É um trator pensado no pequeno produtor que precisa de uma máquina mais versátil, um trator ‘faz tudo’, que ele vai utilizar desde o preparo de solo até o plantio e outras operações da propriedade”, afirma.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Os modelos podem contar com transmissões de 15 por 15 ou 30 por 15 marchas, oferecendo maior flexibilidade de uso conforme a necessidade da propriedade.

    Outro destaque da marca na feira é a nova série MF 5M, considerada um lançamento nacional apresentado pela primeira vez durante a Expodireto.

    Os tratores dessa linha possuem potências entre 105 e 145 cavalos e chegam ao mercado para substituir duas séries já consolidadas da fabricante: MF 5700 e MF 6700.

    De acordo com o coordenador da empresa, a nova geração mantém características que já eram bem avaliadas pelos produtores.

    “Mantivemos pontos que o agricultor já aprovava, como a transmissão 12×12 com reversão eletro-hidráulica. Uma novidade importante é o motor de quatro cilindros em um trator de 105 cavalos, que era uma demanda recorrente dos produtores”, destaca.

    Outro diferencial da série é a vazão hidráulica de até 100 litros por minuto, que permite operar diversos tipos de implementos agrícolas com maior eficiência.

    Além disso, os modelos já podem sair de fábrica equipados com piloto automático hidráulico, tecnologia que contribui para maior precisão nas operações agrícolas.

    Segundo a fabricante, o sistema ajuda a reduzir sobreposições de linhas de trabalho e melhora o rendimento operacional, além de favorecer a economia de combustível no dia a dia da propriedade.

    Série MF 6M mira operações mais exigentes

    A terceira linha apresentada na feira é a MF 6M, voltada a operações que demandam maior potência e robustez.

    Os modelos trabalham na faixa de 160 a 190 cavalos de potência e contam com motores de quatro cilindros e transmissão automática.

    De acordo com Pinheiro, o sistema permite maior eficiência durante o trabalho no campo.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “A transmissão automática trabalha com três marchas e pode operar em rotação fixa. O trator identifica a melhor marcha para aquela condição de trabalho, o que também contribui para a economia de combustível”, explica.

    Com isso, a série atende propriedades que exigem maior capacidade operacional, como grandes áreas de cultivo ou atividades agrícolas intensivas.

    Tecnologia como tendência no campo

    O conjunto de lançamentos reforça uma tendência cada vez mais evidente no agronegócio: a ampliação do acesso às tecnologias de agricultura de precisão.

    Ao incorporar sistemas digitais e recursos de conectividade em máquinas de diferentes categorias, fabricantes buscam atender produtores de variados perfis, desde pequenas propriedades familiares até grandes operações agrícolas.

    Na avaliação da empresa, essa evolução tecnológica tende a impactar diretamente a produtividade e a eficiência das lavouras.

    A expectativa do setor é que, nos próximos anos, ferramentas como piloto automático, monitoramento remoto e análise de dados passem a fazer parte da rotina de um número cada vez maior de produtores brasileiros.

  • Do passado ao futuro: o avanço das mulheres no agronegócio brasileiro

    Do passado ao futuro: o avanço das mulheres no agronegócio brasileiro

    Assim as Etimologias de Santo Isidoro de Sevilha descreviam a origem da palavra mulher: “A mulher, mulier, deriva a sua denominação de mollities, moleza, como se disséssemos mollier“. Essa definição medieval não é gratuita: ajudou a consolidar, por séculos, uma percepção misógina acerca do feminino.

    É o mesmo autor que, por outro lado, explorava a definição da palavra latina agricultura, originada em “ager”: o lugar do trabalho e do agir. As palavras nunca são vazias: elas escondem sentidos, intenções e visões de mundo.

    Entretanto, nem sempre a realidade e a palavra concordam. Inúmeros exemplos cotidianos, ao gosto do leitor, desmentem sem dificuldade a definição das Etimologias.

    A presença feminina no agronegócio

    O último Censo Agropecuário brasileiro, no distante ano de 2017 (o próximo deve ocorrer a partir de 2027) apontou alguns dados em relação ao número de estabelecimentos agropecuários por sexo do produtor: 19% eram comandados por mulheres. Quando se observa a distribuição por idade, os gráficos indicam a faixa etária feminina predominante: as produtoras tinham entre 45 e 54 anos.

    Mais recentemente, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), no seu Boletim Mercado de Trabalho do agronegócio brasileiro, comparativo entre o segundo trimestre de 2024-2025, apontou dados e perspectivas.

    O perfil da mão de obra no agronegócio mostra o crescimento da presença feminina de 1,9% (203.093) em comparação à masculina, 0,2% (41.554). O Boletim conclui que o crescimento da presença feminina no agronegócio é mais acelerado em comparação aos homens.

    Mas e o futuro?

    O futuro não apenas do trabalho em geral, mas também do agronegócio, está no desenvolvimento tecnológico. Esse quase lugar-comum implica que a mecanização e, em particular, a presença da IA fazem com que o mercado de trabalho esteja profundamente ligado à qualificação.

    O Boletim do CEPEA observa as consequências desse panorama. De um lado, a migração da mão de obra para a agroindústria; de outro, o impulsionamento do profissionalismo e da formação tecnológica. Enfim, as próprias mudanças sociais colaboram com a perspectiva. O êxodo, especialmente dos jovens, para regiões urbanas altera a configuração do trabalho agrícola, sobretudo entre pequenos produtores.

    Nesse cenário, a resposta à pergunta sobre o futuro do agronegócio passa pela ação de gestores e operadores cada vez mais qualificados, em um mundo que se afirma tão incerto quanto duramente competitivo. Os últimos dados nacionais indicam que a presença feminina deve ser parte essencial e transformadora desse processo.

  • Crescimento das cooperativas de crédito desafia grandes bancos

    Crescimento das cooperativas de crédito desafia grandes bancos

    A Cresol iniciou 2026 reforçando sua atuação junto ao produtor rural durante a 38ª edição do Show Rural Coopavel, realizada em Cascavel, no Oeste do Paraná. Presente no evento há mais de dez anos, a cooperativa participa do primeiro grande compromisso do calendário do agronegócio brasileiro celebrando seus 30 anos de história, apresentando resultados expressivos de 2025 e detalhando um portfólio completo de soluções financeiras voltadas ao campo.

    O Show Rural Coopavel chega à sua 38ª edição consolidado como um dos principais ambientes para discussão de inovação tecnológica, sustentabilidade, financiamento e desenvolvimento regional. Nesse contexto, os temas dialogam diretamente com a atuação da Cresol, que mantém foco na proximidade com o produtor, no fortalecimento das comunidades rurais e no acesso ao crédito em diferentes realidades produtivas.

    A coletiva de imprensa contou com a participação de Marcio Falcão, diretor-executivo da Cresol Confederação; Alzimiro Thomé, presidente da Central Cresol Baser; e Adriano Michelon, vice-presidente da Cresol Confederação. Segundo os dirigentes, a presença na feira simboliza o primeiro grande compromisso institucional do ano e reforça a parceria histórica com a Coopavel e com o agro paranaense.

    Além disso, o Paraná foi apontado como estratégico para o agronegócio nacional, ao criar um ambiente favorável para investimentos, expansão dos negócios e fortalecimento da cadeia agroindustrial. Por isso, a Cresol intensifica sua atuação no Estado, apoiando produtores e empreendedores em diferentes estágios de desenvolvimento.

    Portfólio completo e soluções financeiras no campo

    A Cresol apresentou todo o seu portfólio de soluções financeiras na feira. Para o produtor rural, estão disponíveis linhas de crédito pré-aprovado, custeio, crédito rotativo e investimentos. Já para pessoas jurídicas, a cooperativa oferece crédito sustentável, financiamento de veículos e investimentos, além de consórcios sustentáveis e de veículos.

    Ao longo da exposição, o estande da Cresol recebeu produtores de diversas regiões. Com isso, a cooperativa reforçou o atendimento técnico, a orientação financeira e o planejamento de crédito adequado a cada perfil produtivo.

    Crédito sustentável e desempenho histórico

    Outro destaque da participação da Cresol foi o crédito sustentável. A cooperativa mantém uma carteira baseada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas, alinhada à taxonomia da Febraban, que identifica, monitora e mensura atividades econômicas sustentáveis, além de riscos socioambientais e climáticos nas carteiras de crédito.

    Em 2025, essa carteira sustentável somou R$ 12 bilhões. No mesmo ano em que completou 30 anos de fundação, a Cresol atingiu a marca de 1 milhão de cooperados, com a entrada de mais de 130 mil novos associados, crescimento de 13,4%. Ainda assim, a expectativa para 2026 segue positiva, com previsão de mais de 120 mil novos cooperados.

    A rede física também avançou de forma consistente. O sistema alcançou 1.000 agências após a abertura de 90 novos pontos de atendimento em 2025. Atualmente, a Cresol está presente em 20 estados brasileiros, com expansão principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além da chegada ao Tocantins.

    Mais de 75% das unidades estão localizadas em municípios com até 50 mil habitantes. Dessa forma, a cooperativa reforça a estratégia de interiorização do crédito. Para 2026, das 180 novas agências previstas, 135 devem ser abertas em pequenos municípios.

    Por que as cooperativas de crédito crescem no Brasil

    Durante a coletiva de imprensa, o vice-presidente da Cresol Confederação, Adriano Michelon, explicou os fatores que impulsionam o crescimento das cooperativas de crédito no país, mesmo com a forte concentração do sistema financeiro.

    Nesse contexto, ele destacou que o movimento começa com a mudança de estratégia dos bancos tradicionais. “Os bancos estão digitalizando tudo e se deslocando dos municípios e de outras regiões do agro. As cooperativas entram nesse espaço, e isso está muito pujante”, afirmou.

    Cooperado no centro e crédito que fica na comunidade

    Além disso, Michelon ressaltou que as cooperativas colocam o cooperado no centro das decisões. “As cooperativas elegem o cooperado como o centro das atenções. Todas as ações são focadas nele. Em um mundo cada vez mais digitalizado, o relacionamento é fundamental. Fazer serviços bancários é possível on-line, mas uma consultoria para um bom negócio exige conversar com pessoas”, disse.

    Ao mesmo tempo, ele chamou atenção para a qualificação das equipes. “Os gerentes e as estruturas das cooperativas estão cada vez mais especializadas, atuando quase como uma consultoria para o cooperado. Isso faz a diferença”, completou.

    Adriano, Alzimiro e Marcio durante coletiva na Feira Rural Coopavel – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Por outro lado, a governança também contribui para esse avanço. “Estamos com uma governança muito forte e especializada, com licenças administrativas. Todo o segmento vem se fortalecendo e, com isso, surgem custos menores, que são repassados ao quadro social”, explicou.

    Por fim, Michelon destacou o diferencial do cooperativismo na distribuição dos resultados. “O cooperado é dono do banco. Enquanto nos grandes bancos o resultado vai para os acionistas, no cooperativismo o resultado volta para o dono, que é o associado. As sobras ficam na comunidade”, afirmou.

    Como exemplo, ele citou Cascavel e a região Sudoeste do Paraná. “Aqui, o resultado financeiro das cooperativas permanece na cidade, para as pessoas que moram aqui. No Sudoeste, hoje praticamente todos os ativos giram dentro do contexto das cooperativas. Há dez anos isso representava cerca de 10%”, observou.

    Nesse cenário, o dirigente resumiu: “O sistema financeiro está centralizado em cinco grandes bancos, que concentram a maior fatia. As cooperativas, que eram 3%, 4%, 5%, já estão chegando a 10% e têm um caminhar muito forte pela frente”.

    Cresol no agro, Plano Safra e parceria com o BNDES

    No Plano Safra 2025/26, até 10 de fevereiro, a Cresol já havia liberado R$ 10,2 bilhões em crédito rural, em mais de 87 mil propostas para cooperados de todo o Brasil. As operações de custeio somaram R$ 6,6 bilhões, enquanto os investimentos alcançaram R$ 3,2 bilhões.

    As linhas mais acessadas foram o Pronaf, com R$ 4,2 bilhões; o Pronamp, com R$ 2,7 bilhões; e outras linhas, que somaram R$ 2,9 bilhões. Assim, a cooperativa mantém foco no pequeno e médio produtor rural.

    Ao longo de 30 anos, a Cresol já liberou mais de R$ 56,5 bilhões em crédito agro, em mais de 1,2 milhão de contratos. Além disso, destaca-se na parceria com o BNDES, sendo o agente com maior número de operações em 2025.

    Cooperativismo como motor do desenvolvimento rural

    Para a Cresol, o cooperativismo financeiro vai além da concessão de crédito. O modelo busca capacitar o produtor, melhorar a gestão da propriedade, identificar oportunidades de inovação e gerar renda no campo.

    Com presença consolidada no Show Rural Coopavel, a cooperativa inicia 2026 reforçando seu compromisso com o produtor rural, com o desenvolvimento regional e com um sistema financeiro mais próximo, sustentável e conectado à realidade do agronegócio brasileiro.