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  • Agro brasileiro adota fertilizantes de baixo carbono para conter custos

    Agro brasileiro adota fertilizantes de baixo carbono para conter custos

    O mercado brasileiro de fertilizantes demonstra forte resiliência e crescimento, impulsionado pela busca do produtor por soluções mais inteligentes e sustentáveis. Dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA) mostram que as entregas ao mercado atingiram 40,95 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2025, um crescimento significativo de 8,4% frente ao mesmo período de 2024.

    Este movimento ocorre em um cenário de custos elevados e grande dependência de importações, que somaram 35,8 milhões de toneladas no mesmo período. A alta demanda evidencia uma mudança estratégica no campo: os produtores agora priorizam insumos que ofereçam maior eficiência nutricional, melhor custo-benefício e menor impacto ambiental.

    Especialistas do setor apontam que esta é uma resposta direta às pressões econômicas e à necessidade de uma agricultura mais sustentável. George Fernandes, CEO da Morro Verde Fertilizantes, confirma a tendência. “Mesmo diante de um cenário desafiador, tivemos um ano muito positivo. Isso demonstra claramente que o produtor está adotando alternativas mais eficientes e sustentáveis”, afirma.

    A busca por soberania produtiva e redução da pegada de carbono está colocando as soluções nacionais em destaque. Produtos como fosfato natural reativo (FNR), calcário dolomítico e bioinsumos minerais ganham espaço por combinarem produtividade e sustentabilidade.

    “Com essa linha de produtos, buscamos contribuir para solos mais produtivos e ao mesmo tempo fortalecer a produção nacional”, explica Fernandes. A empresa mantém colaboração com instituições de pesquisa de ponta, como ESALQ, Embrapa e UFV, para integrar ciência e tecnologia no desenvolvimento dessas soluções.

    O executivo acredita que esta transformação veio para ficar. “O agro brasileiro está se adaptando a um novo patamar de custos e, consequentemente, a um novo nível de exigência. Soluções que aumentem o aproveitamento de nutrientes e a produtividade serão diferenciais competitivos nos próximos anos”, projeta.

  • Genética e agricultura digital impulsionam o milho brasileiro

    Genética e agricultura digital impulsionam o milho brasileiro

    A combinação entre genética avançada e agricultura digital vem mudando, na prática, a forma como o milho é cultivado no Brasil. Ao integrar dados de campo, pesquisa genética e híbridos de alto desempenho, produtores têm conseguido extrair mais produtividade por hectare, com maior previsibilidade e melhor retorno econômico, mesmo em cenários climáticos desafiadores.

    Esse movimento marca uma nova fase no mercado de sementes de milho, baseada menos em volume e mais em eficiência. Em vez de soluções genéricas, a aposta está em recomendações personalizadas, ajustadas à realidade de cada talhão. O resultado aparece diretamente na lavoura, com ganhos consistentes de rendimento e uso mais racional de insumos.

    Dados e genética no centro das decisões

    Um dos exemplos dessa transformação é o uso combinado de agricultura digital e portfólio genético para definir densidade de semeadura, posicionamento de híbridos e manejo nutricional. Com base em dados históricos, variabilidade do solo e potencial produtivo de cada área, o sistema orienta o agricultor a tomar decisões mais precisas desde o plantio.

    Na prática, isso significa abandonar médias gerais e trabalhar com recomendações específicas para cada parte da lavoura. Ao considerar o comportamento individual dos híbridos e as condições locais, a tecnologia permite explorar melhor o potencial genético das sementes, reduzindo riscos e desperdícios.

    Segundo especialistas do setor, a estabilidade produtiva passa a ser tão importante quanto o teto de produtividade. “A integração entre genética, posicionamento e ferramentas digitais cria um sistema mais equilibrado, que responde melhor às variações do ambiente”, avalia Marco Túlio, líder do negócio de milho da Bayer no Brasil.

    Resultados comprovados na lavoura

    Os efeitos dessa abordagem já aparecem nos números. Na última safra de inverno, áreas que adotaram o modelo somaram mais de 180 mil hectares e registraram ganhos médios entre quatro e sete sacas por hectare. Além disso, a taxa de sucesso superou 80%, indicador considerado elevado para uma cultura altamente sensível a clima e manejo.

    Para Marlon Denez, líder de soluções digitais para milho, os dados confirmam a maturidade da tecnologia. “Os resultados mostram que não se trata mais de promessa. Há retorno claro sobre o investimento, mesmo em safras desafiadoras”, afirma. Segundo ele, a combinação entre dados, genética e recomendações personalizadas tem se mostrado decisiva para aumentar produtividade e rentabilidade.

    Flexibilidade no manejo é diferencial

    Outro ponto que tem impulsionado a adoção da agricultura digital no milho é a flexibilidade. O agricultor pode escolher em quais áreas aplicar as recomendações e comparar os resultados com o manejo tradicional. Dessa forma, a tecnologia se adapta ao sistema produtivo da fazenda, e não o contrário.

    Além disso, o uso de plataformas digitais permite integrar informações de plantio, colheita e fertilização, facilitando ajustes ao longo do ciclo. Com isso, o produtor ganha autonomia para testar estratégias, escalar a tecnologia gradualmente e tomar decisões baseadas em dados reais da própria operação.

    Agilidade acompanha o ritmo do campo

    Atenta à dinâmica da lavoura, a entrega das prescrições passou a ocorrer em até 24 horas. Em muitos casos, as recomendações são geradas quase em tempo real. Essa agilidade faz diferença em um cenário de janelas curtas de plantio, no qual decisões atrasadas podem comprometer o desempenho da safra.

    “Sabemos que o tempo do campo é diferente. Por isso, a tecnologia precisa acompanhar o ritmo do produtor”, destaca Denez. A rapidez no acesso às informações reduz gargalos operacionais e aumenta a eficiência no momento mais crítico da cultura.

    Caminho para uma produção mais sustentável

    Ao integrar genética e agricultura digital, o cultivo do milho avança também no uso mais consciente de recursos. A aplicação de insumos em taxa variável e o melhor aproveitamento do potencial produtivo ajudam a reduzir excessos, melhorar a eficiência e contribuir para uma produção mais sustentável.

    Nesse contexto, a tendência é que soluções baseadas em dados ganhem cada vez mais espaço no campo. A expectativa do setor é ampliar significativamente a área cultivada com esse modelo nos próximos anos, consolidando a agricultura digital como um dos principais motores de competitividade do milho brasileiro.

  • Programa forma jovens líderes do agronegócio em Goiás

    Programa forma jovens líderes do agronegócio em Goiás

    A Academia de Jovens Líderes do Agro, iniciativa da Bayer em parceria com o Sistema Faeg-Senar (GO), ultrapassou a marca de 100 jovens formados desde sua criação. Com foco na preparação de novas lideranças para o agronegócio goiano, o programa chegou à quinta edição em 2025 e segue voltado à formação de profissionais ligados à inovação, sustentabilidade e sucessão no campo.

    Nesta edição, a academia recebeu mais de 200 inscrições de integrantes do Programa Faeg Jovem, rede que reúne cerca de 2.500 participantes distribuídos em 195 grupos em diferentes regiões de Goiás. Após processo seletivo, seis jovens foram escolhidos para participar da etapa final, que incluiu mentorias, atividades práticas e encontros presenciais.

    A cerimônia de reconhecimento foi realizada na sede da Bayer, em São Paulo, encerrando um ciclo de meses de capacitação e troca de experiências entre os participantes.

    Formação vai além da capacitação técnica

    A proposta da Academia de Jovens Líderes do Agro não se restringe ao conteúdo técnico. O programa inclui ações voltadas ao desenvolvimento pessoal, comunicação, liderança e tomada de decisão, áreas consideradas estratégicas para quem pretende atuar de forma mais ativa no setor agropecuário.

    Segundo Francila Calica, diretora de Assuntos Agrícolas e Sustentabilidade Latam da Bayer, a iniciativa busca ampliar o repertório dos jovens e fortalecer a atuação regional. “A ideia é que esses participantes consigam aplicar o que aprenderam em suas comunidades e organizações, promovendo avanços concretos no agro”, afirma.

    Ainda de acordo com a executiva, a parceria com o Sistema Faeg-Senar (GO) permite alcançar diferentes realidades do estado e aproximar os jovens das demandas do mercado.

    Experiência reflete na trajetória dos participantes

    Entre os selecionados da quinta edição está Átila Prado, engenheiro agrônomo de Goiânia. Para ele, o programa contribuiu para ampliar a visão sobre o papel do profissional no agronegócio. “O processo ajudou a desenvolver habilidades interpessoais e a entender melhor como posso atuar de forma mais estratégica”, relata.

    Outra participante, Lavinia Roma, estudante de Medicina Veterinária do Instituto Federal Goiano, destaca o impacto do programa no enfrentamento de desafios profissionais. “A experiência trouxe mais confiança e mostrou que é possível contribuir de maneira efetiva para o setor”, afirma.

    Desenvolvimento humano como eixo central

    De acordo com Murilo Borges de Almeida, representante técnico de vendas de soja da Bayer e um dos responsáveis pela iniciativa, o foco da academia está no desenvolvimento humano. “Trabalhamos competências como comunicação, liderança e resolução de problemas. São habilidades que fazem diferença no dia a dia do agro”, explica.

    Ele ressalta que a formação busca preparar os jovens para assumir responsabilidades em cooperativas, propriedades rurais, empresas e entidades ligadas ao setor produtivo.

    Retorno às comunidades é próximo passo

    Com o encerramento da quinta edição, a expectativa é que os jovens líderes retornem às suas regiões de origem e apliquem os conhecimentos adquiridos em projetos locais, associações, propriedades e iniciativas ligadas ao agronegócio.

    A Academia de Jovens Líderes do Agro integra um conjunto de ações voltadas à renovação do setor e à formação de profissionais capazes de lidar com os desafios atuais do campo, como produtividade, sustentabilidade e gestão.

  • Enmcoop 2025 reforça protagonismo feminino no cooperativismo

    Enmcoop 2025 reforça protagonismo feminino no cooperativismo

    O 6º Encontro Nacional das Mulheres Cooperativistas (Enmcoop) começou na manhã desta segunda-feira, 2 de dezembro, no White Pavilion, em Itupeva (SP), reunindo mulheres de 25 estados brasileiros e participantes de países da América do Sul. Considerado um dos principais eventos voltados ao fortalecimento da presença feminina no cooperativismo agrícola brasileiro, o encontro abriu sua programação com o auditório, mais de 520 lugares, completamente tomado. A cerimônia inicial foi conduzida por Tirso Meirelles, presidente da Faesp e do Senar-SP, seguida da saudação de Marco Vinholi, diretor técnico do Sebrae-SP, que destacou a importância do evento para a formação e integração de lideranças rurais.

    Em seu discurso, Marco Vinholi destacou o avanço da participação feminina no setor, ressaltou a relevância econômica do campo. “A agricultura brasileira é responsável por quase 30% do PIB nacional, mas é fundamental que a gente persiga essa igualdade de gênero.”

    Segundo Vinholi, dois eixos são determinantes nesse processo: integração cooperativista e empreendedorismo. “O cooperativismo precisa ser integrado e distributivo. E o empreendedorismo é o irmão do cooperativismo. Várias iniciativas têm sido feitas nesse sentido: apoiar a agricultura, o cooperativismo de crédito e o empreendedorismo.”

    “Em São Paulo, fizemos uma parceria com a Faesp e estamos fomentando o protagonismo feminino no campo. Identificamos que, na área de crédito, as mulheres têm mais dificuldade para conseguir financiamento do que os homens, o que é um absurdo, porque os índices de uso responsável e de adimplência são maiores entre as mulheres. Mesmo assim, essa dificuldade persiste dentro da nossa sociedade e do sistema financeiro brasileiro.”

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “Estamos lançando uma iniciativa para apoiar as mulheres a conseguirem crédito, levando aos parceiros do sistema financeiro a mensagem de que isso precisa mudar, que isso precisa melhorar, e rápido, no nosso país.”

    Economia, liderança e inovação abriram o primeiro dia

    A programação teve início com a palestra “Liderança da mulher no agro: oportunidades e desafios no cenário atual”, apresentada por Juliana Farah, Presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Faesp e do Sindicato Rural de Mineiros do Tietê, produtora rural, empresária e membro do Conselho Superior Feminino da Fiesp, da Comissão de Mulheres Empreendedoras do Sebrae-SP e da Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA.

    Logo depois, o painel Liderança feminina: sustentabilidade, inovação e o papel das mulheres nas transformações tecnológicas no campo” reuniu Dulce Ciochetta, Paula Curiacos e Teresa Vendramini.

    Painel Liderança Feminina – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O painel reforçou como a adoção de ferramentas digitais e práticas sustentáveis tem ampliado o espaço das mulheres nas cadeias produtivas.

    Daniella Marques, chairwoman da Legend, com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. Após, foi a vez de por Simone Silotti, embaixadora Comlink, com “Em Breve”.

    Durante a tarde, foi realizado o Talk – “Do prato ao pasto” , com Helô Palácio, assadora, especialista em fogo de chão, empresária e produtora rural;o  painel – A força das mulheres: conectando realidades e potencializando resultados, com Fabiana Venzon (produtora rural e conselheira de administração da Cooperativa Cotrijal), Jussara Liebel (integrante da Comissão de Mulheres da Cooperativa Castrolanda), Leandra Miglioranza (coordenadora do Comitê de Mulheres do Sistema OCB – Elas pelo Coop) e
    Sônia Bonato (agropecuarista, embaixadora do agro, conselheira Embrapa Territorial – mediadora)

    Leandra falou sobre o sentimento em participar do encontro:

    É muito gratificante poder levar o nome do Comitê Nacional Elas pelo Coop e dialogar com representantes de tantos estados, diante de tantas mulheres presentes e engajadas no evento. Há inúmeras líderes envolvidas, e isso reforça nosso papel de inspiração para quem atua na gestão de suas cooperativas e na condução de suas propriedades.

    A nossa fala funciona como um estímulo para fortalecer essas mulheres, para que tomem posse de seus espaços e reconheçam a capacidade que têm de exercer, com autonomia, o que realizam no dia a dia.

    Outro aspecto essencial é o engajamento e o avanço de tantas mulheres no agronegócio brasileiro. O Enmcoop proporciona um momento valioso, marcado por aprendizado, trocas e compartilhamento de experiências que, certamente, gerarão frutos para todas as participantes”.

    Suleima Cury, médica, mãe e avó de sete netos levou ao público o tema: Saúde emocional para cuidar dos outros. Para fechar o primeiro dia,  a palestra “Posicionamento: Método Próspera”, apresentada por Luciana Martins, CEO do Grupo Conecta, tratou do equilíbrio entre propósito, profissionalização e autoconhecimento como eixos para fortalecer a atuação feminina no campo.

    Produtoras celebram intercâmbio de experiências

    Uma das participantes do encontro é Bruna Borriero, integrante da Cooperativa Agrícola Nossa Senhora das Vitórias, de Jundiaí (SP).

    “O cooperativismo ele une as pessoas. Aqui a gente pode compartilhar nossos valores e desafios. Quando estamos em uma cooperativa, a gente constrói e cresce junto”, afirmou.

    Edilene Barbi, Guilherme Lourençon, Bruna Borriero – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Para ela, a participação feminina nas cooperativas vive um momento de transformação.
    “Nesse encontro a gente percebe que o papel da mulher cooperativista tem se destacado cada vez mais. A gente lidera, empreende, está sempre inovando nos negócios”, disse.

    Bruna avalia que o pertencimento ao cooperativismo estimula novas decisões e amplia horizontes.  “O fato de ser mulher e estar em uma cooperativa hoje faz a gente ter coragem pra atingir novas oportunidades”, afirmou.

    Ela também relaciona a vivência atual ao futuro das propriedades familiares e das cooperativas.
    “O mais importante de estar em uma cooperativa e viver momentos como este é acreditar no futuro. Acreditar que ele vai ser cada vez melhor, que as próximas gerações terão mais oportunidades, e que a gente vai ver a sucessão familiar acontecendo na agricultura, dentro das cooperativas e isso vai garantir continuidade, crescimento e renovação. Então é muito gratificante.”

    Em entrevista ao Portal Agro em Campo, Luciana Martins, CEO do Grupo Conecta, responsável pela realização do evento, detalha os pilares que estruturam o Enmcoop 2025, fala sobre o papel das mulheres no agro e destaca a força do cooperativismo como motor de desenvolvimento.

    Luciana Martins – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
    Qual é a base conceitual do Enmcoop 2025?

    Este evento foi construído sobre três pilares.  O primeiro é gestão, trazer para essas mulheres a capacidade de gestão financeira, de governança, de sucessão. Queremos que elas possam rentabilizar, prosperar, verticalizar dentro da própria fazenda e monetizar mais por hectare.

    O segundo é o autoconhecimento. A ideia é abrir oportunidades para que cada mulher enxergue o quanto é capaz quando acredita em si, fortalecendo competências pessoais e profissionais.

    E o terceiro é saúde mental e espiritualidade. Produtoras lidam com dificuldades todos os dias: turbulências, variações climáticas, intempéries. Queremos que encontrem força e equilíbrio emocional para atravessar tudo isso de forma mais tranquila.

    Quem são as mulheres que participam desta edição?

    São mais de 25 estados representados. Vieram produtoras do Pará, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul — do Oiapoque ao Chuí, literalmente. Recebemos também mulheres da Amazônia, do Paraguai, da Argentina, da Bolívia e do Chile. É um encontro realmente plural.

    O que a mulher agrega ao agronegócio?

    Eu sempre digo que a força está na união: o espírito empreendedor do homem e o equilíbrio da mulher. Ela traz gestão financeira, controle de custos, cuidado com as pessoas, organização e isso faz diferença dentro das fazendas.

    As mulheres sempre estiveram no campo, mas agora elas entenderam que o lugar delas também é ali liderando, gerindo, plantando. Estão fazendo uma grande transformação.

    O Brasil tem a chance de se tornar um dos principais provedores de alimentos do mundo, e as mulheres vão ser parte essencial desse movimento, entregando mais valor por hectare e mais produtividade. Da mesma forma que cuidam da gestação, elas cuidam da semente que lançam ao solo.

    Como você enxerga o papel do cooperativismo nesse processo?

    Meu primeiro trabalho, aos 19 anos, foi em uma cooperativa. O que aprendi é simples: onde há cooperativismo, há desenvolvimento. Uma cooperativa é, muitas vezes, o supermercado da região, o posto de combustível, a instituição financeira, o maior empregador.

    Onde existe cooperativismo, existe sustentabilidade, geração de renda, geração de emprego, aumento de IDH.
    Eu vejo no cooperativismo um grande caminho para o futuro do agro, especialmente para as mulheres.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Cooperativismo e diversidade produtiva ampliam conexões

    O encontro conta com a participação de lideranças femininas de todas as regiões do País, chamadas de “comandantes do Enmcoop”, que representam diferentes modelos produtivos — grãos, pecuária, flores, café, erva-mate, tabaco e agricultura regenerativa.

    A diversidade reforça o papel do cooperativismo como ponto de apoio para inovação e geração de renda no interior brasileiro. Além de uma ampla rede de cooperativas do país que reforça a capilaridade do sistema e a força do cooperativismo feminino no agro.

    A presença conjunta dessas organizações evidencia a representatividade do setor, a diversidade produtiva e o alcance nacional do Enmcoop, consolidando o encontro como ponto de convergência para lideranças femininas do cooperativismo brasileiro.

    Com realização do Grupo Conecta e parcerias da Faesp e do Sistema OCB, o evento segue nesta terça-feira, 3 com programação técnica, oficinas simultâneas, encontros de negócios e palestras sobre reforma tributária, gestão financeira, comportamento feminino e sucessão familiar.

     

  • Pastor da Mantiqueira: conheça o cão boiadeiro brasileiro

    Pastor da Mantiqueira: conheça o cão boiadeiro brasileiro

    Nas manhãs frias da Serra da Mantiqueira, a névoa cobre o pasto. O gado está quieto. E lá vem ele. O cão que se tornou símbolo do campo: o Pastor da Mantiqueira.

    Nasceu entre Minas, São Paulo e Rio. Aliás, nasceu no sobe-desce das encostas. No tilintar das cercas. Na rotina dos tropeiros. Ao mesmo tempo, carrega em si a mistura de pastores europeus — ibéricos e belgas — com cães que já sabiam lidar com a vida dura do interior. Assim, o resultado é simples e surpreendente: um cão único. De trabalho. De vigília. E, sobretudo, de uma lealdade que parece antiga.

    Reconhecido em 2022 pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC). Foi quando deixou de ser “o cão da serra” para virar raça oficial. Ainda assim, seu olhar permanece o mesmo: atento. Esperto. Calmo, mas alerta.

    https://www.instagram.com/p/Cp-IX2_KFDL/

    Criadores da Associação Brasileira do Cão Pastor da Mantiqueira (ABRAPAM) dizem que não era para menos. “A associação nasceu em 2015 para proteger, desenvolver e difundir o Pastor da Mantiqueira, porque entendemos que ele é patrimônio cultural e zootécnico da região”, afirma o documento da entidade. E completam: “Nosso objetivo é manter o tipo funcional que sempre trabalhou na serra.”

    Características do Pastor da Mantiqueira

    Ele tem porte médio. Pesando entre 18-25 kg. Altura de 50-60 cm. Pelagem que varia – curta, média ou longa. Cor “azulego” preferida: dourado acinzentado à luz fria da manhã na montanha. Mas também há pretos, brancos, castanhos, dourados. Cada exemplar com sua marca. Cada exemplar com sua história.

    Foto: Império da Mantiqueira

    Ele trabalha. Surge no pasto antes do homem. Entende. Sente. Age. Não faz alarde — simplesmente está lá. No campo, com o gado. Em casa, vira companheiro que segue o dono até o portão. Dorme no quintal. Ou ao lado da cama. Depende. Mas não repousa se não tiver função.

    Ele se move com agilidade, sobe, desce terrenos que assustariam muitos cavalos. No frio, no vento, sob a neblina — sem hesitar. E, ainda assim, mantém aquela postura serena que só ele tem. Porque, quando o trabalho chama, ele não vacila.

    Ele representa o Brasil que resiste — o Brasil rural. Afinal, é o Brasil que conhece o cheiro da terra, o mugido do gado, o som das cercas se abrindo. E, por isso, sua presença diz muito mais do que qualquer descrição. O cão é parte da paisagem. Por outro lado, não se confunde com ela: se destaca. Sente a neblina, identifica o perigo, protege o rebanho e, ao mesmo tempo, observa o dono com olhar que diz “que bom estar contigo”. No fim das contas, ele é exatamente isso — instinto, parceria e silêncio que entende tudo.

    E, enquanto houver gado nas encostas e manhãs de neblina na serra, ele estará lá. Firme. Leal. De olhos atentos. De coração tranquilo. Um pedaço vivo da cultura do campo brasileiro.

  • Mulheres no agronegócio ampliam protagonismo e inovação no campo

    Mulheres no agronegócio ampliam protagonismo e inovação no campo

    A presença feminina no agronegócio cresce com ritmo acelerado. Uma pesquisa conduzida pela Quiddity, em parceria com a Bayer, revelou que 93% dos entrevistados reconhecem o aumento da influência das mulheres no setor rural. O levantamento foi apresentado em São Paulo por Rebeca Gharibian, Managing Director Quiddity, Daniela Barros, Diretora de Comunicação da divisão agrícola da Bayer e Marina Menin, Diretora do Negócio de
    Carbono da Bayer para América Latina que destacaram o avanço em liderança, inovação e sustentabilidade.

    O estudo ouviu 90 produtores rurais, metade deles mulheres, de várias regiões do país. Apesar do progresso, 39% ainda percebem resistência à liderança feminina no agro. As produtoras se destacam em marketing (70%), gestão administrativa (74%) e liderança (68%). No entanto, a presença masculina continua maior na atuação direta no campo.

    Além disso, 82% dos participantes acreditam que homens e mulheres têm olhares complementares, o que reforça a importância da diversidade na gestão das propriedades.

    Sustentabilidade e inovação fortalecem o agro

    As mulheres no agronegócio impulsionam a sustentabilidade com ações práticas. Quase 9 em cada 10 produtoras fazem rotação de culturas (89%), e 87% preservam áreas nativas e mananciais. Outras práticas incluem plantio direto (82%), uso de bioinsumos (80%) e agricultura regenerativa (80%).

    Entre as inovações desejadas estão softwares de gestão (33%), energia renovável (27%), drones de precisão (22%) e ações para compensar emissões de carbono (24%). Além disso, 93% afirmam que sustentabilidade e rentabilidade caminham juntas, mostrando a maturidade da gestão feminina.

    As principais motivações incluem preservar o meio ambiente (82%), melhorar a produtividade (76%) e garantir um futuro melhor (76%). Por outro lado, 64% percebem redução de custos e 33% apontam facilidade no acesso a crédito e certificações.

    Em resumo, as mulheres estão conectando eficiência produtiva e responsabilidade ambiental, transformando o campo em um espaço mais equilibrado.

    Pesquisa foi apresentada durante coletiva de imprensa em São Paulo. Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Capacitação constante e redes de apoio fortalecem produtoras

    O estudo também destacou o perfil de aprendizado contínuo entre as mulheres do agronegócio. Mais de 96% afirmam buscar capacitação regularmente, e 51% realizam cursos sempre que possível.

    Os temas mais procurados envolvem sustentabilidade (76%), inovação e novas tecnologias (64%), melhoria da produção (56%), liderança e gestão de pessoas (53%) e finanças rurais (51%). Além disso, elas participam de forma ativa em eventos, palestras e grupos técnicos.

    Entre os principais motivos para investir em capacitação estão melhorar o dia a dia na propriedade (78%), trazer novas ideias (73%) e argumentar com mais segurança nas decisões (62%). Por isso, o estudo confirma que o conhecimento é ferramenta de empoderamento e competitividade.

    A troca entre mulheres também é fundamental. Cerca de 89% valorizam as redes femininas como espaços de inspiração e crescimento. Para ampliar a presença no setor, 78% pedem mais visibilidade ao trabalho feminino, 69% querem mais mulheres em associações e 60% defendem mais voz nas decisões.

    A Bayer foi apontada por 76% das entrevistadas como a principal apoiadora das mulheres do agro, com programas de formação e sustentabilidade.

    Um novo olhar sobre o campo brasileiro

    O levantamento mostra que as mulheres no agronegócio estão mudando a forma de produzir, gerir e inovar. Elas unem sustentabilidade, tecnologia e colaboração, gerando impacto real na economia rural.

    Por isso, o agro brasileiro se transforma em um ambiente mais diverso, produtivo e humano. A presença feminina, antes secundária, agora é força de liderança e símbolo de renovação no campo.

  • Plano Safra 2025/2026 investirá R$ 516,2 bilhões no agro

    Plano Safra 2025/2026 investirá R$ 516,2 bilhões no agro

    O Governo Federal lançou nesta terça-feira (1º), no Palácio do Planalto, o Plano Safra 2025/2026, que destina R$ 516,2 bilhões para impulsionar a agricultura empresarial no Brasil. O valor supera em R$ 8 bilhões o montante da safra anterior e marca o maior investimento já feito no setor. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, além do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participaram da cerimônia de lançamento, que reforçou o compromisso com o crescimento do agro nacional sob o slogan “Força para o Brasil crescer”.

    Crédito ampliado e foco em sustentabilidade

    O Plano Safra 2025/2026 oferece crédito para médios e grandes produtores, abrangendo operações de custeio, comercialização e investimento. As condições de financiamento variam conforme o perfil do produtor e o programa acessado. Os detalhes sobre taxas de juros e prazos estão disponíveis nas tabelas oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    Foto: Ricardo Stuckert / PR

    A nova edição traz medidas inéditas para promover segurança e sustentabilidade no campo. Agora, o crédito rural de custeio agrícola exige o cumprimento das recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ampliando a exigência para operações acima de R$ 200 mil e para contratos sem Proagro. A medida busca evitar financiamentos fora dos períodos indicados e em áreas com restrições, fortalecendo a produção sustentável.

    O plano também permite financiar rações, suplementos e medicamentos adquiridos até 180 dias antes da formalização do crédito, facilitando o acesso a insumos. Além disso, produtores podem destinar recursos à produção de sementes e mudas de essências florestais, nativas ou exóticas. E investir em plantas de cobertura para proteger o solo no período de entressafra.

    Renegociação de dívidas e acesso ampliado ao Funcafé

    Para apoiar produtores que enfrentaram dificuldades em safras anteriores, o Plano Safra facilita a renegociação de dívidas, proporcionando mais flexibilidade para reorganizar passivos e manter o fluxo produtivo.

    O Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) ampliou o acesso nesta edição. Agora, portanto, os beneficiários do Pronaf e do Pronamp podem acessar o fundo mesmo com contratos ativos pelo Plano Safra, fortalecendo o setor cafeeiro e ampliando as opções de crédito.

    O governo manteve a taxa de desconto de 0,5 ponto percentual nos juros do crédito rural de custeio até junho de 2026 para produtores do Pronamp e para quem investir em práticas sustentáveis. Além disso, os programas Moderagro e Inovagro foram unificados, aumentando o limite para investimentos em granjas e facilitando a modernização das estruturas.

    O subprograma RenovAgro Ambiental agora inclui ações de prevenção e combate a incêndios, além da recuperação de áreas protegidas. Assim, produtores podem financiar caminhões-pipa, carretas-pipa e mudas de espécies nativas para recompor áreas de preservação permanente e reservas legais.

    O Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) dobrou o limite de capacidade por projeto, passando de 6 mil para 12 mil toneladas. Assim, melhorando a infraestrutura de estocagem e escoamento da produção rural.

    Outra novidade é o aumento do limite de renda anual para enquadramento no Pronamp, que subiu de R$ 3 milhões para R$ 3,5 milhões. Portanto, ampliando o acesso às condições diferenciadas do programa.

    Agro fortalecido para o futuro

    O Plano Safra 2025/2026 reforça o papel estratégico da agropecuária no desenvolvimento do Brasil. Ao ampliar o crédito, incentivar práticas sustentáveis e modernizar o campo, o governo aposta em um setor mais eficiente, competitivo e alinhado às demandas ambientais, consolidando o agro brasileiro como referência mundial.

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    + Agro em Campo: Embrapa lança novas variedades de mandioca

  • Dia do Meio Ambiente: uso sustentável da água no agro

    Dia do Meio Ambiente: uso sustentável da água no agro

    Mato Grosso do Sul é um dos estados brasileiros que mais se destacam na gestão de águas.

    Com um Índice de Segurança Hídrica (ISH) extremo bom, segundo o pesquisador Danilton Luiz Flumignan, da Embrapa Agropecuária Oeste, o estado apresenta um modelo de sustentabilidade que pode ser replicado em outras regiões.

    “Nosso objetivo é desenvolver tecnologias que aprimorem o uso da água, conciliando a sustentabilidade dos sistemas de produção agrícola com a proteção ambiental, mitigando a contaminação da água e preservando os ecossistemas aquáticos”, afirma Rafael Zanoni Fontes, chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste.

    Divulgação – Embrapa/Saulo Coelho Nunes

    Para atingir esse objetivo, a Embrapa Agropecuária Oeste realiza pesquisas em várias frentes, incluindo manejo de irrigação, adoção de práticas agrícolas conservacionistas, implementação de sistemas agroflorestais e recuperação de áreas degradadas.

    “Essas iniciativas não apenas beneficiam os agricultores, garantindo a disponibilidade de água para as lavouras, mas também têm um impacto positivo na segurança alimentar e hídrica da região, contribuindo para o desenvolvimento sustentável a longo prazo”, destaca Fontes.

    Divulgação – Embrapa/Rômulo Penna Scorza Júnior

    Entre as pesquisas mais relevantes estão:

    Irrigação: Um projeto de pesquisa está em seu terceiro ano de execução para realizar a competição de diferentes materiais de soja na safra de verão e de milho na safrinha de outubro e inverno.

    “Nós estamos trabalhando com uma estratégia de manejo de irrigação que promete ser economizadora no uso da água, ou seja, ela usa em torno de 50% da água que seria utilizada numa irrigação nos métodos tradicionais recomendados. Com a pesquisa pretendemos mostrar que é possível manter o nível de água ótimo por meio da técnica de déficit hídrico controlado, em que se deixa a planta experimentar o déficit hídrico, a planta colhe os benefícios, mas sem que esse déficit cause prejuízo”, explica Danilton Luiz Flumignan.

    ILP e SPD: A Embrapa Agropecuária Oeste iniciou pesquisas com Integração Lavoura-Pecuária (ILP) a partir da safra de 1995/1996, lideradas pelo pesquisador Júlio Cesar Salton e colaboradores. “A ILP permite maior infiltração da água no solo devido à presença de plantas vivas ou de palhada”, destaca Salton.

    Plantas de cobertura: Pesquisas realizadas pela Embrapa Agropecuária Oeste mostram que o uso de plantas de cobertura em SPD tem um papel fundamental para o aumento do armazenamento de água no solo.

    “Muitas vezes as culturas comerciais, por exemplo, soja, milho, têm um baixo potencial em produzir grande quantidade de massa, fazer cobertura do solo, produzir um volume muito grande de raízes que trazem uma série de benefícios para a qualidade do solo”, afirma Rodrigo Arroyo Garcia, que conduz experimentos com plantas de cobertura.

    Qualidade da água: Outra pesquisa realizada na Embrapa Agropecuária Oeste é quanto à qualidade de águas superficiais (rios, lagos, riachos), especialmente no Rio Dourados, e possíveis impactos causados por agrotóxicos utilizados na agropecuária.

    Divulgação – Embrapa/Reynaldo Sidney Brandão Pereira

    “A grande novidade do trabalho de monitoramento neste ano é que a Embrapa foi acionada para fornecer esses dados para subsidiar a reformulação de política pública”, destaca Rômulo Penna Scorza Júnior, líder do projeto.