Tag: agro brasileiro

  • Conheça o herdeiro que comanda a JBJ e mira R$ 10 bilhões até 2027

    Conheça o herdeiro que comanda a JBJ e mira R$ 10 bilhões até 2027

    O agronegócio brasileiro acompanha o crescimento acelerado de um grupo que vem ganhando espaço no setor de proteína animal e genética equina. Sob o comando de Fabrício Batista, filho de José Batista Júnior (Júnior Friboi) — um dos herdeiros da família fundadora da JBS — , a JBJ Agropecuária ampliou operações e mira faturamento próximo de R$ 10 bilhões até 2027.

    A empresa nasceu em 2012, após a saída de Júnior Friboi da JBS. Desde então, a companhia deixou de atuar apenas na pecuária tradicional e passou a integrar diversas áreas do agro. Hoje, o grupo reúne fazendas, confinamentos, frigoríficos, exportação e investimentos em genética bovina e equina.

    Atualmente, a operação conta com 14 fazendas espalhadas entre Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ao todo, são cerca de 150 mil hectares produtivos e mais de 250 mil cabeças de gado.

    Além disso, a empresa se consolidou como uma das maiores operações de confinamento da América Latina. Segundo informações divulgadas pelo grupo, mais de 500 mil animais passam anualmente pelos confinamentos da companhia.

    Grupo agropecuário brasileiro amplia investimentos em genética, confinamento e mercado internacional — (Foto: Divulgação)

    Outro braço importante do negócio é a Prima Foods, responsável pelos frigoríficos do grupo. As unidades têm capacidade total para abater aproximadamente 6 mil animais por dia. Grande parte da produção segue para exportação, principalmente para China, Oriente Médio e Chile.

    Genética virou peça-chave na expansão

    A JBJ também intensificou investimentos em biotecnologia e melhoramento genético. A estratégia ajudou a reduzir o tempo de produção dos bovinos e aumentou a eficiência nas fazendas.

    Nos confinamentos da companhia, os animais chegam ao abate entre 24 e 30 meses, período bem menor do que o praticado décadas atrás na pecuária brasileira.

    Ao mesmo tempo, o grupo fortaleceu presença no mercado de cavalos Quarto de Milha. O que começou como hobby acabou se transformando em um negócio milionário. Hoje, a JBJ Ranch promove um dos maiores leilões da modalidade Rédeas no mundo.

    A edição mais recente do evento movimentou cerca de R$ 257 milhões em vendas e reuniu investidores, criadores, empresários e celebridades do universo sertanejo e country.

    Entre os destaques esteve a negociação envolvendo o garanhão americano Inferno Sixty Six, avaliado em aproximadamente R$ 88 milhões.

    Expansão internacional já entrou nos planos

    Além do crescimento no Brasil, o grupo também começou a expandir operações no exterior. Em 2024, a companhia adquiriu um rancho no Texas, nos Estados Unidos, considerado referência na criação de cavalos Quarto de Milha.

    A meta da empresa é fortalecer a genética equina em mercados internacionais e ampliar a presença global no setor de proteína bovina.

    Com forte investimento em tecnologia, exportação e mercado premium, a JBJ se tornou um dos principais símbolos da nova geração do agro brasileiro.

  • Agronegócio comemora aprovação de lei para safristas

    Agronegócio comemora aprovação de lei para safristas

    A aprovação do Projeto de Lei 715/2023 pela Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (19), foi recebida com entusiasmo por representantes do agronegócio. Conhecida como Lei dos Safristas, a proposta permite que trabalhadores temporários sejam contratados formalmente sem perder o acesso ao Bolsa Família. Agora, o texto segue para sanção presidencial.

    A medida busca ampliar a formalização no campo, especialmente em períodos de colheita, quando diferentes cadeias produtivas precisam reforçar a mão de obra. Com a nova regra, trabalhadores contratados por curto período poderão manter os benefícios sociais mesmo com a carteira assinada.

    O presidente da CitrusBR, Ibiapaba Netto, afirmou que a proposta traz mais equilíbrio para o setor. Segundo ele, a medida deve ampliar a oferta de trabalhadores dispostos a atuar formalmente durante as safras.

    “É acima de tudo um projeto de conformidade setorial. Ao permitir que os safristas acumulem os benefícios do Bolsa Família traz um novo contingente de mão de obra que não estava disponível para trabalhar formalizada”, declarou.

    Além disso, o representante da entidade destacou que a mudança reduz inseguranças jurídicas para produtores e empresas.

    “Isso traz segurança jurídica e mitiga riscos trabalhistas que eventualmente possam existir. Então, é uma ótima para setor para colheita de laranja e para indústria de suco como um todo”, completou.

    Cafeicultura também apoia a nova medida

    O Conselho Nacional do Café (CNC) também comemorou a aprovação do projeto. O setor cafeeiro depende fortemente de trabalhadores temporários em determinadas épocas do ano, principalmente durante a colheita.

    Para o presidente do CNC, Silas Brasileiro, a medida fortalece tanto os trabalhadores quanto os produtores rurais.

    “Esta é uma vitória do safrista, do produtor rural, em especial do cafeicultor, e da formalização no campo. Desde o início da tramitação, o CNC acompanhou de perto essa pauta por entender que ela é fundamental para a cafeicultura brasileira. O trabalhador não pode ser penalizado por aceitar um contrato formal durante a safra. Isso indica que ele não pode se negar a assinar a sua carteira”, afirmou.

    Tanto a citricultura quanto a cafeicultura enfrentam desafios para contratar trabalhadores em períodos específicos do calendário agrícola. Por isso, entidades do setor avaliam que a nova legislação pode estimular a formalização e reduzir a escassez de mão de obra em épocas de maior demanda.

  • Revisão da lista de espécies invasoras ameaça agronegócio, alertam debatedores

    Revisão da lista de espécies invasoras ameaça agronegócio, alertam debatedores

    Parlamentares, representantes do agronegócio e pesquisadores demonstraram preocupação, nesta quarta-feira (20), com a revisão da lista nacional de espécies exóticas invasoras elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente. O tema foi discutido durante uma reunião conjunta das comissões de Agricultura e de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.

    Segundo os participantes, a proposta pode gerar impactos diretos em cadeias produtivas importantes para a economia brasileira. Isso porque espécies amplamente utilizadas no país, como tilápia, eucalipto e braquiária, passaram a ser classificadas como invasoras no documento em análise.

    Na avaliação do setor, essa mudança pode abrir caminho para restrições no licenciamento ambiental e até impedir o cultivo dessas espécies em determinadas situações. Como consequência, produtores temem prejuízos econômicos e insegurança jurídica.

    Durante o encontro, deputados defenderam a aprovação do Projeto de Lei 5900/25. A proposta pretende retirar a exclusividade do Ministério do Meio Ambiente na definição dessas regras e exigir participação obrigatória de órgãos ligados à Agricultura e à Pesca antes da publicação das normas.

    O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, autor do projeto, criticou a possibilidade de decisões ambientais afetarem cadeias produtivas estratégicas para o país.

    Segundo ele, incluir espécies como a tilápia na lista de invasoras pode comprometer a produção, a geração de empregos e até a balança comercial brasileira.

    Pedro Lupion criticou decisões que ignoram cadeias produtivas importantes no país — (Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados)

    Já o deputado Valdir Cobalchini, que solicitou o debate, afirmou que a revisão da lista desconsidera os impactos econômicos da medida. Além disso, ele questionou a composição da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), ligada ao Ministério do Meio Ambiente e responsável pela elaboração do documento.

    De acordo com o parlamentar, as análises não deveriam considerar apenas o aspecto ecológico. Para ele, decisões regulatórias precisam incluir avaliações socioeconômicas, jurídicas e técnicas, principalmente quando envolvem atividades essenciais para o abastecimento e a economia nacional.

    A assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Jaine Ariele Cubas, também apontou desequilíbrio na representatividade dentro da Conabio. Segundo ela, o setor privado possui pouca participação em comparação com organizações não governamentais e movimentos sociais.

    Ela defendeu a ampliação do debate e a realização de mais estudos antes da definição de medidas que possam afetar setores produtivos relevantes para o país.

    Pesquisadores alertam para possíveis efeitos regulatórios

    O chefe da Embrapa Pesca e Aquicultura, Roberto Flores, destacou que o enquadramento generalizado de espécies aquícolas como invasoras pode causar impactos regulatórios importantes.

    Segundo o pesquisador, é necessário diferenciar regiões, sistemas de cultivo e níveis de risco antes da adoção de medidas amplas. Ele ressaltou ainda que o setor aquícola já segue instrumentos específicos de controle ambiental.

    Roberto Flores alertou para os riscos de incluir peixes comerciais — (Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados)

    Outro ponto discutido durante a reunião envolveu o cultivo de eucalipto. O pesquisador do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), Paulo Henrique Miller, apresentou estudos que indicam a existência de barreiras naturais para conter o avanço da espécie.

    Conforme explicou o engenheiro florestal, formigas nativas, como saúvas e quem-quens, acabam consumindo sementes e brotos de eucalipto logo após a germinação. Dessa forma, esses insetos funcionariam como um mecanismo natural de controle ecológico.

    O debate segue em andamento na Câmara dos Deputados, enquanto representantes do agro pedem maior participação técnica e econômica nas decisões relacionadas à classificação das espécies.

    Contém dados de Agência Câmara de Notícias

  • Missão à China impulsiona cooperativas brasileiras e fortalece agro no mercado asiático

    Missão à China impulsiona cooperativas brasileiras e fortalece agro no mercado asiático

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou neste domingo (17), em Xangai, de um encontro com lideranças de cooperativas do agronegócio brasileiro e reforçou a importância estratégica da China para o setor.

    Foto: Beatriz Batalha/Mapa

    A reunião integrou a missão técnica “Asia Expert”, iniciativa que conecta o cooperativismo agrícola brasileiro aos mercados asiáticos. A programação inclui visitas à China, Coreia do Sul e Japão, com foco na ampliação de negócios e parcerias internacionais.

    Expansão

    Durante o encontro, André de Paula destacou a necessidade de manter e expandir as agendas estratégicas do agronegócio brasileiro no exterior. Segundo o ministro, a China segue como principal parceiro comercial do Brasil e peça-chave para o crescimento do setor.

    “Assumi o Ministério da Agricultura e Pecuária há cerca de 45 dias com o compromisso de dar continuidade a um trabalho consistente. Não por acaso, uma das primeiras agendas internacionais ocorre na China, nosso maior parceiro comercial. Precisamos fortalecer essa relação e ampliar oportunidades para consolidar o agro brasileiro como pilar da segurança alimentar global”, afirmou.

    O CEO da Ourofino Agrociência, Marcelo Abdo, apresentou o programa Asia Expert e destacou o protagonismo crescente da Ásia no cenário global. Segundo ele, o continente deixou de ser um mercado complementar e passou a ocupar posição central nas estratégias do agronegócio brasileiro.

    “O Asia Expert prepara lideranças para compreender as transformações em curso na Ásia e construir relações sólidas e duradouras com parceiros da região”, disse.

    Participaram do encontro representantes de importantes cooperativas agroindustriais brasileiras, como C.Vale, Lar Cooperativa Agroindustrial, Comigo, Copacol, Coopercitrus, Integrada, Cotrijal, Copasul e Coplacana.

    A missão reforça o movimento de internacionalização do cooperativismo brasileiro e amplia o acesso a mercados estratégicos, especialmente diante da crescente demanda asiática por alimentos e insumos agrícolas.

  • Agronegócio pressiona governo para mudar financiamento de safra

    Agronegócio pressiona governo para mudar financiamento de safra

    Com inadimplência rural em nível recorde e dívidas que já ultrapassam R$ 800 bilhões, o agronegócio pressiona o governo federal por mudanças no modelo de financiamento do setor no próximo Plano Safra 2026/2027. O novo pacote deve ser anunciado em junho pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O cenário preocupa produtores e parlamentares ligados ao agro. No Plano Safra 2025/2026, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para a agropecuária, mas o Tesouro Nacional conseguiu equalizar juros para apenas R$ 113,8 bilhões do total. Na prática, grande parte dos recursos prometidos não chegou ao produtor rural.

    Entidades do setor e integrantes da bancada ruralista alertam que o atual modelo de subsídios está perto do limite e pode afetar a oferta agrícola nos próximos anos.

    A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro, afirmou que o agronegócio enfrenta uma “tempestade perfeita”. Segundo ela, a combinação de preços internacionais baixos, custos elevados de produção e crédito restrito agravou a situação financeira dos produtores.

    Durante o Congresso da Abramilho, realizado em Brasília, a parlamentar destacou que muitos agricultores já não conseguem oferecer garantias para acessar financiamentos. “Os juros não cabem mais no bolso do produtor”, declarou.

    Fundo de investimentos

    Entre as propostas defendidas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) está a criação de um Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) voltado ao setor rural. A medida prevê um aporte federal de R$ 20 bilhões para ampliar o acesso ao crédito e facilitar a renegociação das dívidas do agro.

    A proposta foi incluída no relatório do senador Renan Calheiros sobre o PL 5.122/2023, em análise na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A votação está prevista para a próxima terça-feira (19).

    Segundo Tereza Cristina, o fundo pode destravar até R$ 200 bilhões em crédito para o setor. Ela também pediu maior sensibilidade do governo federal para que as mudanças avancem já no próximo Plano Safra.

  • Clima vira ameaça silenciosa a produtores de Mato Grosso

    Clima vira ameaça silenciosa a produtores de Mato Grosso

    O agronegócio de Mato Grosso começou a mudar de comportamento diante das incertezas climáticas que avançam sobre o estado. Nos últimos dias, produtores rurais passaram a reduzir investimentos, rever compras de máquinas e adiar decisões estratégicas para a próxima safra. Isso ocorre, sobretudo, por causa do aumento da preocupação com irregularidade nas chuvas e possíveis impactos sobre a produtividade.

    O movimento acontece justamente no principal polo agrícola do país. 

    Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o plantio da safra 2025/26 perdeu ritmo em algumas regiões e ficou abaixo da média dos últimos cinco anos. 

    Chuva irregular muda humor do agro em Mato Grosso

    Diante desse cenário, a Aprosoja Mato Grosso enviou um ofício ao Ministério da Agricultura pedindo revisão das estimativas oficiais da safra e alertando para os efeitos da crise hídrica sobre as lavouras.

    Segundo a entidade, a falta de chuva já provocou germinação irregular, crescimento lento das plantas, falhas de estande e, em alguns casos, necessidade de replantio. O problema atingiu municípios ligados ao eixo da soja, como Sorriso, Nova Mutum e áreas do leste mato-grossense.

    No campo, entretanto, a preocupação vai além da produtividade. O humor do produtor também começou a mudar. Se antes predominava um ambiente de expansão e confiança, agora cresce a sensação de cautela diante da possibilidade de perdas e aumento dos custos operacionais.

    Além disso, boletins meteorológicos recentes reforçaram a percepção de risco no setor. Afinal, períodos de estiagem seguidos por chuvas intensas dificultam o planejamento agrícola e aumentam a insegurança sobre o comportamento da safra.

    Produtores reduzem compras e seguram investimentos

    Nos bastidores do setor agrícola, o efeito já aparece nas negociações. Revendas relatam queda no ritmo de fechamento de contratos para compra de máquinas e implementos agrícolas. Em vez da corrida por expansão observada nos últimos anos, muitos produtores passaram, agora, a priorizar preservação de caixa.

    Ao mesmo tempo, parte do setor prefere alongar investimentos até que exista maior clareza sobre o comportamento climático nos próximos meses.

    O receio, porém, não está ligado apenas à produtividade das lavouras. Existe também preocupação com a capacidade de absorver novos financiamentos em um cenário ainda marcado por juros elevados e margens mais apertadas.

    Com isso, a desaceleração começou a atingir diferentes segmentos ligados ao campo, incluindo armazenagem, transporte e venda de equipamentos agrícolas.

    Crédito rural mais caro amplia tensão no campo

    Além do clima, produtores enfrentam um ambiente financeiro mais duro. O custo do crédito rural segue pressionando parte do setor, principalmente agricultores que carregam dívidas acumuladas de ciclos anteriores.

    Na prática, o mercado passou a operar em uma espécie de efeito dominó. Quando o risco climático aumenta, os bancos endurecem análises para concessão de crédito. Consequentemente, financiamentos ficam mais caros, investimentos perdem força e produtores passam a operar com ainda mais cautela.

    Em Mato Grosso, onde o agronegócio movimenta grande parte da economia regional, qualquer desaceleração no campo costuma provocar reflexos rápidos em toda a cadeia produtiva.

    Soja de MT volta ao centro da preocupação global

    O cenário também ganhou atenção internacional porque Mato Grosso ocupa posição estratégica no mercado global de alimentos. A China, principal compradora da soja brasileira, acompanha de perto qualquer mudança relacionada à produção do estado.

    Uma combinação entre clima irregular, custos elevados e pressão logística poderia, portanto, reduzir margens e afetar o ritmo das exportações brasileiras nos próximos meses.

    Mesmo assim, entidades do setor evitam falar em crise consolidada. O próprio Imea revisou recentemente para cima a estimativa da safra estadual e projetou produção recorde de soja, apesar dos desafios climáticos registrados ao longo do ciclo.

    Imea e Aprosoja acendem alerta sobre clima no estado

    Boletins recentes continuam apontando irregularidade nas chuvas em partes do Centro-Oeste. Em algumas regiões, períodos de estiagem alternam com precipitações intensas. Como resultado, operações no campo ficam mais difíceis e produtores ampliam o nível de atenção.

    O alerta das entidades do agro mostra, portanto, que o clima voltou ao centro das decisões econômicas do setor.

    Entre tratores desacelerados, negociações mais cautelosas e produtores atentos ao céu, Mato Grosso começa a atravessar um período de observação silenciosa — daqueles em que o mercado prefere esperar antes de apostar no próximo passo

  • Análise: Guerra ameaça transformar 2026 no pior ano do agro brasileiro

    Análise: Guerra ameaça transformar 2026 no pior ano do agro brasileiro

    O agro brasileiro entrou em alerta máximo. E desta vez o problema não nasceu da seca, do dólar ou de uma quebra de safra.

    A nova tensão no Oriente Médio começou a espalhar incerteza pelos corredores do agronegócio mundial, elevando o preço do petróleo, pressionando fertilizantes e reacendendo o medo de uma crise global de alimentos.

    O reflexo já chegou ao Brasil.

    Produtores rurais, cooperativas e especialistas do setor passaram os últimos dias monitorando o avanço do conflito entre Irã e Israel e seus possíveis impactos sobre uma engrenagem delicada que conecta combustível, logística, fertilizantes e comida.

    Quando aquela região do planeta entra em ebulição, o agro sente primeiro o cheiro da fumaça. Depois vem a conta.

    Petróleo vira gatilho para aumento de custos

    O principal temor do setor envolve o petróleo.

    Em análise publicada pela agência Reuters, especialistas alertaram que qualquer bloqueio prolongado na região pode provocar “forte choque nos custos globais de energia e transporte”.

    Na prática, isso significa um efeito dominó imediato no agronegócio brasileiro.

    Com diesel mais caro, sobe:

    • o frete;
    • o custo da produção;
    • a armazenagem;
    • a exportação;
    • o preço final dos alimentos.

    E aí a inflação do campo atravessa a cidade e chega ao supermercado.

    Fertilizantes colocam o Brasil em posição vulnerável

    Mas o petróleo é apenas uma peça do quebra-cabeça.

    O maior temor do mercado hoje envolve os fertilizantes.

    O Brasil importa cerca de 85% dos insumos usados na agricultura. Uma parcela importante dessa cadeia depende justamente de regiões afetadas pela instabilidade no Oriente Médio.

    Em reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times, analistas afirmaram que a tensão na região já provoca “preocupação crescente sobre o fornecimento global de fertilizantes nitrogenados”.

    O jornal destacou que o mercado internacional teme dificuldades logísticas e novas altas de preços caso o conflito avance sobre rotas marítimas estratégicas.

    A preocupação faz sentido.

    Fertilizante caro significa produção mais cara. Produção mais cara significa alimento mais caro.

    E isso atinge praticamente tudo:

    • soja;
    • milho;
    • café;
    • carnes;
    • leite;
    • hortifrúti.

    É como se a guerra começasse a atravessar continentes escondida dentro de sacos de ureia e barris de combustível.

    Mercado internacional já fala em risco para alimentos

    O alerta deixou de ser local.

    Nas últimas 72 horas, veículos internacionais passaram a discutir o risco de uma nova onda global de inflação alimentar.

    O jornal espanhol Cinco Días afirmou que o mundo pode enfrentar uma “potencial grande crise alimentar” caso o conflito comprometa o fluxo internacional de fertilizantes e energia.

    A publicação destacou que países agrícolas do hemisfério sul, como o Brasil, estão entre os mais vulneráveis devido à dependência de importações de insumos.

    Já a revista britânica The Economist avaliou que os mercados agrícolas globais “voltaram a operar sob lógica de guerra”, especialmente diante do risco de disparada do petróleo.

    O impacto psicológico também pesa.

    Isso porque, quando o mercado começa a precificar medo, os contratos futuros sobem, o crédito encarece e, consequentemente, produtores passam a operar em modo defensivo.

    Além disso, em períodos de forte instabilidade internacional, investidores tendem a buscar proteção em ativos mais seguros, o que aumenta ainda mais a volatilidade das commodities agrícolas.

    Com isso, o ambiente de negócios no campo fica mais cauteloso. Aos poucos, decisões que antes pareciam naturais — como ampliar área plantada, investir em tecnologia ou antecipar compras de insumos — passam a ser revistas com mais prudência.

    E, nesse cenário, até o planejamento da próxima safra começa a carregar um peso maior de incerteza.

    Produtores começam a rever investimentos

    Nos bastidores do agronegócio brasileiro, o clima mudou rapidamente.

    Diante desse cenário, produtores começaram a revisar compras de máquinas, renegociar financiamentos e recalcular custos para a próxima safra.

    A preocupação, no entanto, é clara: uma escalada prolongada do conflito pode comprimir ainda mais as margens do setor justamente em um momento em que parte do agro ainda tenta recuperar fôlego financeiro após ciclos de juros elevados e oscilações climáticas.

    Em análise recente, a agência Bloomberg afirmou que o agro global enfrenta “um ambiente de volatilidade crescente impulsionado por riscos geopolíticos e energéticos”.

    O relatório destaca, por exemplo, que países exportadores, como o Brasil, podem sofrer pressão dupla:

    • aumento do custo de produção;
    • maior instabilidade nos preços internacionais.

    É uma conta difícil.

    Porque, ao mesmo tempo em que o dólar elevado favorece exportações, ele também encarece insumos importados.

    Por fim, parte do lucro evapora antes mesmo da colheita.

    Alimentos podem voltar ao centro da inflação

    O consumidor brasileiro talvez ainda não perceba o efeito imediato nas gôndolas. Mas o mercado já começou a ligar os sinais de alerta.

    Historicamente, crises envolvendo petróleo e fertilizantes acabam pressionando o preço dos alimentos alguns meses depois.

    E o Brasil conhece bem esse roteiro.

    O custo sobe silenciosamente no campo. Depois aparece no arroz, no óleo, no leite, na carne e até no cafezinho da manhã.

    Pouco a pouco, o orçamento doméstico vai sendo corroído sem fazer barulho.

    O problema é que agora o cenário mistura guerra, energia, logística global e insegurança internacional ao mesmo tempo.

    Uma combinação que costuma deixar os mercados nervosos — e o agro ainda mais exposto.

    Porque hoje uma explosão no Oriente Médio consegue ecoar no preço da soja em Mato Grosso, no frete do milho em Goiás e na carne servida no almoço de milhões de brasileiros.

    E, diante desse cenário, cresce dentro do setor uma preocupação que ninguém gosta de verbalizar em público: se o conflito continuar avançando, 2026 pode, por exemplo, se transformar em um dos anos mais difíceis para o agronegócio brasileiro na última década.

  • Grande nome do sertanejo é dono de fazenda de R$ 60 milhões com lago, haras e 5 mil bois

    Grande nome do sertanejo é dono de fazenda de R$ 60 milhões com lago, haras e 5 mil bois

    Longe dos holofotes, o cantor Leonardo construiu um verdadeiro império rural no interior goiano. Não se trata de hobby de celebridade. Estamos falando de um negócio sólido, com escala, estrutura e estratégia dentro do agronegócio brasileiro.

    A Fazenda Talismã fica em Jussara, no interior de Goiás, e se tornou uma das propriedades rurais mais conhecidas entre artistas brasileiros, reunindo estrutura de alto padrão e operação rural ativa. Aos 62 anos, Leonardo segue ativo nos palcos e, ao mesmo tempo, firme na gestão de uma das fazendas mais comentadas do setor.

    De R$ 4,6 milhões para R$ 60 milhões

    Adquirida por cerca de R$ 4,6 milhões, a propriedade vale hoje aproximadamente R$ 60 milhões, trajetória que qualquer investidor rural reconhece bem.

    A área ocupa cerca de mil hectares e integra natureza preservada, criação de animais e espaços de descanso, formando praticamente uma pequena cidade privada. No plantel, cerca de 5 mil cabeças de gado compõem a base produtiva da operação. Além da pecuária, parte das terras segue para o cultivo de soja e milho por arrendamento, o que reforça ainda mais o caráter estratégico da propriedade.

    Virginia Fonseca curtindo lago da fazenda — (Foto: Reprodução/Instagram)

    Haras, lago e pista de pouso

    A infraestrutura chama atenção por onde se olha. A fazenda conta com mansão ampla, lago com praia artificial, pista de pouso, capela e espaços para eventos. O lago, além do lazer, compõe o visual característico das grandes fazendas modernas do Centro-Oeste.

    Um haras de alto padrão abriga cavalos selecionados e reforça o vínculo do artista com o universo do campo. Estruturas como essa deixaram de ser símbolo de status e passaram a funcionar como negócios rentáveis, especialmente diante da explosão dos leilões equinos nos últimos anos.

    Nome que conecta música e campo

    O nome da fazenda homenageia um dos maiores sucessos da dupla Leandro e Leonardo, conectando diretamente o patrimônio à trajetória artística do cantor. Mesmo após alcançar fama nacional e estabilidade financeira, Leonardo preserva a conexão com suas raízes rurais, algo que ele próprio aponta como fonte de equilíbrio. A fazenda, assim, funciona em dois níveis ao mesmo tempo: como negócio consolidado no agronegócio e como âncora pessoal de um artista que cresceu nesse ambiente e nunca se afastou dele.

  • Guerra no Irã ameaça 10 bilhões de refeições por semana

    Guerra no Irã ameaça 10 bilhões de refeições por semana

    O conflito no Oriente Médio parou de ser apenas um problema geopolítico e já bate na porta do campo, nos estoques de insumos e no prato de bilhões de pessoas ao redor do mundo.

    A interrupção do fornecimento de fertilizantes causada pela guerra no Irã pode custar até 10 bilhões de refeições por semana em todo o mundo, segundo o CEO da Yara, uma das maiores produtoras de fertilizantes do planeta. O número impressiona, mas o mecanismo por trás dele é direto: sem fertilizante nitrogenado, a produção agrícola cai.

    O estrangulamento começa em Ormuz

    Tudo passa pelo Estreito de Ormuz: cerca de um terço dos fertilizantes do mundo, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, normalmente transita por essa via marítima. Com as hostilidades no Golfo bloqueando o tráfego, a cadeia de suprimentos global trava.

    Svein Tore Holsether, CEO da Yara, foi direto ao ponto em entrevista à BBC: “Até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas no mundo no momento devido à situação em que estamos. O que isso significa para a produção de alimentos? Eu estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado da falta de fertilizantes.”

    Mesmo que o estreito reabrisse amanhã, os preços elevados tendem a persistir, já que parte da produção e das matérias-primas já foi perdida.

    Queda de até 50% na produtividade das lavouras

    O impacto vai além dos números abstratos. Não aplicar fertilizante nitrogenado reduziria a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra. Isso significa menos grãos, menos colheita e menos comida chegando ao mercado, tudo ao mesmo tempo.

    Os principais destinos afetados seriam Ásia, Sudeste Asiático, África e América Latina, regiões onde o impacto imediato seria mais visível. Holsether ainda alertou que áreas da África subsaariana, onde já há subfertilização crônica, poderiam registrar “quedas significativas” na produção agrícola.

    Para o agronegócio brasileiro, o cenário exige atenção redobrada. O Brasil importou 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes no ano passado, enquanto a produção nacional ficou em 7,2 milhões de toneladas, com a importação ainda responsável por 85% do abastecimento interno.

    O Ministério da Agricultura identificou o risco com urgência. Notas técnicas da secretaria-executiva apontam “alto risco real de um déficit de volume estimado entre 1 e 3 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados em 2026, suficiente para comprometer a produtividade das safras 2026/2027.”

    Os mais vulneráveis pagam a conta mais alta

    O CEO da Yara foi enfático ao alertar os países europeus sobre um detalhe que costuma passar despercebido nos debates sobre segurança alimentar: “Se há uma disputa por alimentos e uma que a Europa é robusta o suficiente para lidar, o que precisamos ter em mente é: nessa situação, de quem estamos tirando comida ao comprarmos? Essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto, em nações em desenvolvimento que não podem se dar ao luxo de acompanhar.”

    O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio poderiam levar 45 milhões de pessoas a mais à fome aguda em 2026. Na Ásia e no Pacífico, a insegurança alimentar deve crescer 24%, o maior aumento relativo de qualquer região.

  • IBGE lança mapa com Brasil no centro e territórios invertidos

    IBGE lança mapa com Brasil no centro e territórios invertidos

    O IBGE acaba de lançar um novo mapa‑múndi que coloca o Brasil bem no centro e inverte a posição dos territórios, deixando o hemisfério Sul na parte de cima. O material recebeu o título “Riqueza de Espécies 2025” e trata da biodiversidade global. A presidência do órgão está sob o comando do economista Marcio Pochmann, indicado para o cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) .

    A nova projeção cartográfica mostra o Brasil virado para cima, com o Sul no topo e o Norte na parte de baixo da imagem. Segundo o instituto, o mapa muda a perspectiva que tradicionalmente privilegia a América do Norte na parte superior.

    O material é vendido em versões física e digital, com preços entre cerca de R$ 25 e R$ 90, e já está sendo divulgado como recurso didático e de comunicação institucional. A intenção é que escolas, governos e meios de comunicação usem a imagem para discutir geopolítica, ciência do clima e a posição do Brasil em organismos internacionais.

    Por que o Brasil no centro?

    A escolha de colocar o Brasil no centro busca reforçar a liderança do país em fóruns como BRICS, Mercosul e na COP 30 sobre clima. O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, afirmou que o mapa quer “ressaltar a posição atual de liderança do Brasil em importantes fóruns internacionais”, destacando também países de língua portuguesa e a área da Amazônia.  “Estamos falando de um planeta que não é plano e, portanto, permite variações do ponto de vista do olhar”, afirmou ele. “Inovamos e fortalecemos o espírito público de refletir as transformações que estão em curso no mundo e o papel protagonista que o Brasil tem e pode ter ainda mais”.

    Além disso, o recorte do mapa dá mais destaque às regiões tropicais e de alta biodiversidade, reforçando a importância ambiental do país para o resto do planeta. Em termos práticos, isso significa que territórios que costumam aparecer pequenos e periféricos em mapas tradicionais passam a ocupar um espaço visual muito maior.

    Representação política

    O mapa invertido é um lembrete de que qualquer representação do mundo é uma escolha política e cultural, não apenas técnica. A configuração clássica, com o “Norte” em cima, naturaliza uma hierarquia de poder que o novo material do IBGE tenta questionar visualmente.