Tag: agricultura brasileira

  • Embrapa lança nectarina que promete revolucionar produção nacional

    Embrapa lança nectarina que promete revolucionar produção nacional

    A Embrapa acaba de apresentar ao mercado brasileiro a BRS Carina, uma nova cultivar de nectarina que promete transformar o cenário da fruticultura de clima temperado no país. Desenvolvida por meio do programa de melhoramento genético de frutas de caroço da empresa, a variedade se destaca pela casca brilhante de vermelho intenso e sabor doce com acidez equilibrada.

    A principal inovação da BRS Carina está no período de maturação. Com colheita iniciada na última semana de novembro, a cultivar preenche uma lacuna importante no calendário produtivo, posicionando-se entre as variedades BRS Cathy e BRS Dani (colhidas em outubro e início de novembro) e a BRS Janita (colhida em dezembro).

    “Ela vem complementar algumas cultivares mais antigas, originárias de outros países e introduzidas no Brasil, que continuam sendo plantadas. É uma fruta mais atrativa, com mais coloração, melhor sabor e principalmente mais adaptada às condições de cultivo aqui do Brasil”, explica o pesquisador Rodrigo Franzon, da Embrapa Clima Temperado (RS).

    Brasil importa mais de 5 mil toneladas de nectarina por ano

    A produção nacional de nectarina ainda não atende à demanda interna. Entre 2020 e 2024, o Brasil importou em média 5,45 mil toneladas da fruta anualmente, com picos superiores a 10 mil toneladas em anos anteriores. Os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina lideram a produção doméstica, mas em escala reduzida comparada à do pêssego.

    A falta de cultivares bem adaptadas, produtivas e de alta qualidade era um dos principais obstáculos para expansão do cultivo. Com o lançamento da BRS Carina e das outras três variedades recentes da Embrapa, espera-se aumentar significativamente a oferta de nectarinas nacionais.

    Alta produtividade e adaptação ao clima brasileiro

    Avaliada em diferentes regiões do Sul e Sudeste, a BRS Carina demonstrou excelente adaptação. A cultivar apresenta características agronômicas favoráveis:

    • Peso médio: 80 a 110 gramas por fruta
    • Diâmetro: 5,5 a 6,5 centímetros
    • Teor de açúcar (Brix): entre 11 e 17 °Brix
    • Produtividade: superior a 20 toneladas por hectare, podendo ultrapassar 30 toneladas dependendo da região e manejo
    • Necessidade de frio: 200 a 300 horas (≤ 7,2 °C)

    A fruta possui película amarelo-esverdeada com mais de 90% de cobertura em vermelho intenso. A polpa amarela pode apresentar traços vermelhos ao redor do caroço semilivre, com sabor doce-ácido que agrada ao paladar brasileiro.

    Nectarina: fruta rica em nutrientes e de fácil consumo

    A nectarina é uma variedade do pêssego, diferenciando-se pela casca lisa e brilhante, enquanto o pêssego apresenta superfície aveludada. Além de ser ligeiramente mais doce, a nectarina pode ter maior concentração de vitamina C, vitamina A e potássio.

    “Nectarinas se adequam muito bem à dieta alimentar. São ricas em compostos benéficos à saúde, como antioxidantes e compostos fenólicos. São frutas sem pilosidade, sendo de mais fácil consumo porque não há necessidade de serem descascadas”, destaca Franzon.

    A fruta possui baixo valor calórico, baixo índice glicêmico e é fonte de fibras, minerais e vitaminas do complexo B.

    Oportunidades para produtores e mercado interno

    A demanda crescente por nectarinas no Brasil representa oportunidades concretas para diversificação da produção de frutas e geração de renda no campo. A sazonalidade da produção nacional, concentrada entre novembro e janeiro, abre espaço para ampliação do cultivo.

    A BRS Carina foi obtida do cruzamento entre as cultivares Sunred e Rayon, testada inicialmente como Necta 508. As plantas apresentam vigor médio, com floração entre fim de julho e início de agosto nas regiões Sul e Sudeste.

    Lançamento em dia de campo reúne produtores

    O lançamento oficial da cultivar ocorreu em 27 de novembro na propriedade do produtor José Nichetti, em Pinto Bandeira (RS). O evento foi organizado pela Embrapa em parceria com a Associação dos Produtores de Frutas de Pinto Bandeira (Asprofruta) e a empresa Silvestrin Frutas, com objetivo de divulgar a nova variedade ao mercado.

    Com a BRS Carina, a Embrapa consolida seu portfólio de nectarinas adaptadas ao Brasil, oferecendo aos produtores ferramentas para reduzir a dependência de importações e atender ao consumidor brasileiro com frutas de mesa de alta qualidade.

  • Nova espécie de cigarrinha ameaça plantações de cana-de-açúcar no Brasil

    Nova espécie de cigarrinha ameaça plantações de cana-de-açúcar no Brasil

    Uma nova espécie de cigarrinha que ataca lavouras de cana-de-açúcar foi identificada por pesquisadores brasileiros após produtores rurais relatarem resistência da praga aos defensivos químicos tradicionais. A descoberta, publicada no periódico científico Bulletin of Entomological Research da Universidade de Cambridge, representa um avanço crucial para o combate às ameaças que afetam uma das culturas mais importantes da economia nacional.

    O inseto foi batizado de Mahanarva diakantha, termo que significa “dois espinhos”. E já foi encontrado em plantações de cana-de-açúcar em diversas regiões do Brasil. Cientistas do Instituto de Biociências da Unesp em Rio Claro e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul identificaram a espécie em colaboração.

    Problema nas lavouras motivou a pesquisa

    A investigação começou há uma década, quando empresas agrícolas procuraram o professor Diogo Cavalcanti Cabral-de-Mello, do Departamento de Biologia Geral e Aplicada da Unesp, relatando dificuldades no controle de cigarrinhas nas plantações. Os defensivos aplicados não apresentavam a eficácia esperada, gerando prejuízos significativos.

    Inicialmente, suspeitou-se que os insetos tivessem desenvolvido resistência aos produtos químicos. Porém, uma pesquisadora da Embrapa em Araras formulou uma hipótese diferente: poderia ser uma espécie ainda não catalogada pela ciência.

    Metodologia combinou análise genética e morfológica

    Para confirmar a descoberta, os pesquisadores adotaram duas abordagens complementares. A equipe da PUC-RS, liderada por Andressa Paladini e Gervásio Silva Carvalho, realizou análises morfológicas detalhadas. Enquanto isso, o grupo da Unesp conduziu estudos genéticos utilizando marcadores de DNA presentes nas mitocôndrias dos insetos.

    Mais de 300 indivíduos coletados entre 2012 e 2015 em usinas de cana-de-açúcar foram examinados. A análise genética revelou diferenças significativas em relação às espécies conhecidas de cigarrinha-da-raiz, como a Mahanarva fimbriolata e a Mahanarva spectabilis.

    O estudo morfológico identificou uma característica distintiva na genitália dos machos: uma estrutura bifurcada e pontiaguda, diferente do formato quadrangular não bifurcado presente nas outras espécies. Essa particularidade inspirou o nome científico do novo inseto.

    Impacto econômico da cana-de-açúcar no Brasil

    A cana-de-açúcar é fundamental para a economia brasileira. Em 2020, o setor gerou receita de aproximadamente US$ 8,7 bilhões em exportações. O Brasil produz cerca de 700 milhões de toneladas anuais da cultura desde 2010, sendo o maior exportador mundial de açúcar. Além disso, a planta é essencial para a produção de etanol e geração de energia a partir da queima do bagaço.

    As cigarrinhas-da-raiz representam uma das principais ameaças às plantações. Esses pequenos insetos de coloração marrom-avermelhada se alimentam da seiva da cana e transmitem toxinas que provocam a queima das folhas e perda de sacarose. Estima-se que a infestação possa causar prejuízos de até 36 toneladas por alqueire.

    Próximos passos para controle da praga

    A identificação da M. diakantha é apenas o primeiro passo. Segundo o professor Cabral-de-Mello, quando se trata de combater pragas agrícolas, as substâncias utilizadas podem ter ação direcionada para espécies específicas. Mesmo entre espécies próximas, um produto pode ser eficaz contra uma e ineficaz contra outra.

    Após a descrição inicial, a pesquisadora Andressa Paladini revisou coleções da Universidade Federal do Paraná e descobriu registros da década de 1960 de espécimes da nova espécie classificados incorretamente como M. fimbriolata. Isso sugere que o inseto pode estar presente nas lavouras há décadas sem o devido reconhecimento.

    Os próximos desafios envolvem compreender aspectos biológicos, populacionais e taxas reprodutivas da nova espécie, além de analisar amostras mais recentes, já que o cultivo de cana-de-açúcar mudou significativamente desde 2015.

    Controle biológico como alternativa

    Atualmente, o método mais utilizado para combater cigarrinhas é o controle biológico com o fungo Metarhizium anisopliae. O fungo é cultivado em laboratório, geralmente sobre grãos de arroz, e aplicado nas plantações misturado com água. Por ser um produto seletivo, ataca apenas insetos e não oferece riscos à cana ou ao ser humano.

    Odair Aparecido Fernandes, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp em Jaboticabal e líder do Centro de Pesquisa em Engenharia – Fitossanidade em Cana-de-Açúcar, acredita que as ferramentas de controle biológico continuarão eficazes. No entanto, será necessário avaliar o impacto dessas técnicas especificamente sobre a M. diakantha.

    Sequenciamento genômico promete agricultura de precisão

    O professor Cabral-de-Mello orienta atualmente uma pesquisa de doutorado que pretende realizar o sequenciamento genômico completo das três espécies de cigarrinha. Pela similaridade entre elas, a hipótese é que a separação evolutiva ocorreu nos últimos 100 mil anos.

    O sequenciamento do genoma abre possibilidades para o desenvolvimento de uma agricultura de precisão, permitindo identificar variações genéticas e estudar como elas afetam o controle de insetos. Assim, será possível desenvolver técnicas personalizadas para combater diferentes pragas de forma mais eficiente.

    Outras ameaças à cultura da cana

    Além das cigarrinhas, a cultura da cana-de-açúcar enfrenta outras duas grandes ameaças no Brasil. A primeira é a síndrome do murchamento da cana, causada pela combinação de fatores climáticos, como seca e mudanças no clima, com fatores biológicos, como fungos e pragas. A doença pode reduzir a safra em até 40%.

    A segunda ameaça é o bicudo-da-cana, um besouro que se alimenta do tecido vegetal e causa perdas de cerca de 25 toneladas por hectare. O inseto tem se espalhado devido ao método mecanizado de colheita, que mantém a palha da cana no solo — prática benéfica para conservação da umidade, mas que favorece a proliferação da praga.

    Colaboração entre universidade e setor privado

    O professor Cabral-de-Mello destaca que os resultados alcançados só foram possíveis graças à colaboração entre universidades e o setor privado. Aliás, o próprio Centro de Pesquisa em Fitossanidade em Cana-de-Açúcar é um exemplo dessa cooperação, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e pelo Grupo São Martinho.

    O centro desenvolve atualmente 55 projetos na área de saúde vegetal e manejo de pragas, muitos em parceria direta com o setor produtivo e as indústrias sucroalcooleiras, demonstrando como a ciência básica pode contribuir para resolver problemas práticos da agricultura brasileira.

  • Brasil amplia presença na Ásia com gergelim e feijão-mungo

    Brasil amplia presença na Ásia com gergelim e feijão-mungo

    O crescimento das exportações de gergelim e feijão-mungo recolocou o Brasil no centro da estratégia de abastecimento asiática e abriu espaço para um novo ciclo de negócios no agronegócio. Dados do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (IBRAFE) mostram que, até setembro de 2025, o País embarcou 349,6 mil toneladas de gergelim e 171 mil toneladas de feijão-mungo, avanços que superaram 60% em relação ao mês anterior e consolidaram uma rota comercial em expansão.

    Esse movimento está ligado à combinação entre tecnologia de produção, rastreabilidade e maior demanda do mercado asiático por alimentos com origem comprovada.

    A ampliação de estabelecimentos brasileiros habilitados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) reforça esse cenário: já são 61 plantas autorizadas a exportar gergelim para a China, responsável por cerca de 38% do consumo mundial do produto.

    Para entender o impacto desse reposicionamento e os próximos passos do setor, o Portal Agro em Campo conversou com Daniel Pinheiro Barbosa, CEO da FEX Agro, empresa que atua no mercado de insumos e comercialização de grãos.

    A seguir, ele explica como o Brasil se tornou um parceiro de confiança da Ásia e por que culturas antes secundárias agora ganham protagonismo.

    “O Brasil deixou de ser apenas fornecedor e passou a ser parceiro estratégico”

    Como o senhor avalia o aumento das exportações de gergelim e feijão-mungo registradas em 2025?

    Esse crescimento mostra que o Brasil entrou em uma nova fase. Essas culturas tinham participação pequena na pauta exportadora e, de repente, passaram a conectar o produtor ao mercado asiático de forma muito mais direta. Quando o IBRAFE aponta um salto de mais de 60% em um único mês, isso revela um nível de confiança que não existia antes.

    Daniel Pinheiro Barbosa, CEO da Fex Agro – Arquivo Pessoal

    O que explica esse avanço tão rápido?

    Há dois fatores. Primeiro, a demanda asiática está mais sofisticada. O consumidor quer saber origem, manejo, sustentabilidade e estabilidade de fornecimento. Segundo, o Brasil tem capacidade de entregar isso. Produzimos com tecnologia, possuímos áreas adaptadas ao cultivo e garantimos volume com regularidade. Esse conjunto cria vantagem competitiva.

    Como a habilitação de 61 estabelecimentos para exportar gergelim à China impacta o setor?

    Essa habilitação é um marco. A China responde por quase 40% do consumo global e, para acessar esse mercado, é preciso ter credibilidade sanitária e institucional. Quando o MAPA amplia as plantas autorizadas, envia um recado claro: o Brasil é confiável e está alinhado aos padrões internacionais.

    Rastreabilidade e governança puxam novo ciclo de confiança

    A Fex Agro adotou a rastreabilidade como base do modelo operacional. Por quê?

    Porque a Ásia valoriza segurança alimentar. Quando apresentamos origem, lote, análise, histórico do produtor e logística, mostramos respeito pelo comprador. A rastreabilidade virou a nova moeda de confiança. Ela reduz ruído, diminui risco e fortalece relações de longo prazo.

    Os produtores estão preparados para essa nova exigência?

    Sim. O produtor brasileiro é tecnificado e sabe que rastreabilidade não é obstáculo — é ferramenta comercial. Muitos já entenderam que quem entrega transparência se posiciona melhor no mercado internacional.

    O gergelim e o feijão-mungo podem se tornar culturas permanentes no calendário nacional?

    Com certeza. São culturas eficientes, rentáveis e bem adaptadas ao clima. Além disso, dialogam com janelas estratégicas de plantio no Centro-Oeste, o que ajuda a melhorar a renda e distribuir melhor o uso do solo.

    “A Ásia já não vê o Brasil apenas como vendedor, mas como parceiro”

    Como o senhor enxerga essa relação nos próximos anos?

    Vejo como uma parceria madura. A Ásia não está buscando apenas toneladas. Ela busca previsibilidade, segurança e compromisso ambiental. O Brasil tem capacidade de entregar tudo isso — e tem feito isso cada vez melhor. Por isso o relacionamento evoluiu: deixou de ser transacional e se tornou estratégico.

    O que ainda falta para consolidar essa posição?

    Continuar investindo em governança, comunicação e coordenação da cadeia produtiva. Cada grão exportado carrega a reputação do País. Quando mantemos padrão, mostramos que somos mais do que um celeiro mundial: somos guardiões da segurança alimentar global.

  • Conab abre compra de 137 mil toneladas de arroz

    Conab abre compra de 137 mil toneladas de arroz

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) iniciou a compra de até 137 mil toneladas de arroz da safra 2024/25, com investimento de R$ 200 milhões. A operação busca garantir o preço mínimo aos produtores rurais que enfrentam a desvalorização do cereal no mercado nacional.

    Os Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Fazenda (MF) autorizaram a iniciativa por meio da Aquisição do Governo Federal (AGF).

    “Estender a mão amiga ao produtor é parte do compromisso da Conab e do Governo Federal com o fortalecimento da agricultura, do abastecimento e da segurança alimentar”, afirma Edegar Pretto, presidente da Conab.

    A Conab estabeleceu o limite de 189 toneladas por produtor, equivalente a 3.150 sacas de 60 quilos ou 3.780 sacas de 50 quilos. A medida deve beneficiar pelo menos 700 agricultores em estados onde o preço do arroz está abaixo do mínimo federal.

    A operação atende produtores que sofrem com a queda nos preços, resultado do crescimento da produção mundial, do Mercosul e nacional, além da suspensão das barreiras de exportação pela Índia.

    Como vender arroz para a Conab

    Os produtores interessados devem seguir estas etapas:

    • Cadastrar-se no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican)
    • Procurar a regional da Conab em seu estado
    • Preencher os formulários exigidos e apresentar documentos adicionais
    • Aguardar a convocação da Conab antes de depositar o produto no armazém

    A Conab só finalizará a compra se o arroz atender aos padrões de qualidade estabelecidos. O cereal será estocado em unidades armazenadoras próprias ou credenciadas pela estatal.

    Operações anteriores somam mais de 200 mil toneladas

    O Governo Federal já realizou outras ações de apoio aos produtores de arroz. No final de 2024, leilões de Contrato de Opção de Venda (COV) resultaram em 3.396 contratos, com 91,7 mil toneladas negociadas, principalmente no Rio Grande do Sul.

    Em agosto deste ano, a Conab adquiriu outras 110 mil toneladas por meio de leilões de Contratos de Opção, firmando 4.044 contratos com agricultores do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Uma primeira rodada de AGF, também autorizada em agosto, resultou na compra de 956 toneladas.

    O Governo Federal prepara iniciativas para facilitar o escoamento do arroz. Ainda neste mês, a expectativa é que ocorram leilões públicos para oferecer o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP).

    O que é a AGF

    A Aquisição do Governo Federal é um instrumento da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). O mecanismo apoia produtores rurais, agricultores familiares e cooperativas quando o preço de mercado fica abaixo do mínimo estabelecido. O Tesouro Nacional repassa os recursos necessários para operacionalizar as aquisições.

  • Exportações do agronegócio batem recorde histórico em setembro de 2025

    Exportações do agronegócio batem recorde histórico em setembro de 2025

    O agronegócio brasileiro conquistou um marco inédito em setembro de 2025, registrando o maior valor de exportações para o mês desde o início da série histórica. O setor exportou US$ 14,95 bilhões, um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024, consolidando-se como responsável por 49% de todas as exportações nacionais.

    O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo aumento de 7,4% nos volumes embarcados, compensando uma leve queda de 1,1% nos preços médios internacionais. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 126,6 bilhões, avanço de 0,7% na comparação anual.

    Carnes lideram crescimento das exportações

    Entre os destaques do mês, a carne bovina in natura alcançou US$ 1,77 bilhão, alta expressiva de 55,6%. A carne suína estabeleceu novo recorde histórico ao atingir US$ 346,1 milhões, crescimento de 28,6%, com volume embarcado quase dobrando (78,2%).

    O milho também apresentou desempenho robusto, com exportações de US$ 1,52 bilhão, incremento de 23,5% em relação a setembro de 2024.

    Café e pescados mantêm trajetória positiva

    Produtos tradicionalmente afetados por barreiras tarifárias mostraram resiliência. O café manteve-se acima da marca de US$ 1 bilhão, com US$ 1,3 bilhão exportados e crescimento de 9,3%. Os pescados somaram US$ 38,7 milhões, com aumento de 6,1% em volume.

    A estratégia de diversificação da pauta exportadora gerou resultados expressivos. Produtos menos tradicionais registraram recordes históricos de volume: sementes de oleaginosas (exceto soja) cresceram 92,3%, melancias frescas avançaram 65%, feijões tiveram alta de 50,8% e lácteos expandiram 13,7%.

    No conjunto, os produtos não tradicionais cresceram 9,2% em setembro e 19,1% no acumulado do ano.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, atribuiu os resultados à estratégia de abertura e diversificação de mercados iniciada em 2023. “Foram abertas 444 novas oportunidades para produtores e exportadores brasileiros, demonstrando a competitividade do agronegócio mesmo em cenário externo desafiador”, afirmou.

    O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, enfatizou que mais de 60 missões internacionais foram realizadas em 2025, além de feiras e iniciativas como a Caravana do Agro Exportador, desenvolvidas em parceria com ApexBrasil e Ministério das Relações Exteriores.

    Superávit comercial beneficia economia brasileira

    O agronegócio acumulou superávit comercial superior a US$ 111 bilhões nos primeiros nove meses do ano, contribuindo significativamente para o equilíbrio das contas externas do Brasil. As importações do setor cresceram 7,3% em setembro e 5,4% no acumulado anual.

    A expansão das exportações, aliada à manutenção da oferta interna, gera empregos, atrai divisas estrangeiras e estimula investimentos em inovação e sustentabilidade, fortalecendo a posição do Brasil como fornecedor confiável para a segurança alimentar global.

  • China suspende compra de soja dos EUA e Brasil mantém liderança no mercado global

    China suspende compra de soja dos EUA e Brasil mantém liderança no mercado global

    A China praticamente paralisou as importações de soja dos Estados Unidos em 2025, abrindo uma oportunidade histórica para o Brasil consolidar sua posição como principal fornecedor do grão ao maior importador mundial. Os dados foram divulgados pela American Farm Bureau Federation, entidade que representa 6 milhões de agricultores norte-americanos desde 1919.

    Segundo o levantamento, a China adquiriu apenas 5,8 milhões de toneladas de soja americana em 2025, uma redução abrupta em comparação às 26,5 milhões de toneladas importadas em 2024 — quando o país representava metade de todas as compras chinesas do produto.

    “Os mercados de soja tornaram-se o sinal mais claro de estresse no comércio agrícola dos EUA”, afirmou a entidade em seu relatório. Durante os meses de junho, julho e agosto, praticamente não houve embarques de soja americana para território chinês, e nenhuma compra foi registrada para a próxima safra.

    Brasil domina o mercado com 77 milhões de toneladas

    Enquanto os produtores americanos enfrentam dificuldades, o Brasil registrou vendas superiores a 77 milhões de toneladas de soja para a China no período analisado de 2025. Os números evidenciam como a América do Sul assumiu a liderança absoluta no fornecimento, deslocando completamente os agricultores norte-americanos.

    A Argentina também buscou aumentar sua participação no mercado ao remover temporariamente o imposto de exportação de soja, restabelecendo-o dias depois após as receitas ultrapassarem US$ 7 bilhões.

    Governo Trump promete apoio aos produtores

    Diante da pressão crescente dos agricultores americanos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou na semana passada que o governo Donald Trump prepara um “apoio substancial aos nossos agricultores, especialmente aos produtores de soja”, com possível anúncio nesta terça-feira.

    O próprio presidente Trump reconheceu o problema em sua rede social Truth Social: “Os produtores de soja do nosso país estão sendo prejudicados porque a China, por razões de ‘negociação’ apenas, não está comprando. Ganhamos tanto dinheiro com tarifas que vamos pegar uma pequena parte desse dinheiro e ajudar os nossos agricultores”.

    Durante a primeira guerra comercial com a China em 2019, Trump destinou mais de US$ 22 bilhões em pagamentos de ajuda aos agricultores americanos.

    Transformação estrutural no comércio global

    A American Farm Bureau Federation alerta que a situação vai além da disputa tarifária atual. As importações chinesas de soja não diminuíram — na verdade, atingiram níveis recordes. A diferença é que a demanda agora é atendida por concorrentes dos Estados Unidos.

    “Mesmo quando os agricultores americanos produzem safras com preços competitivos, a China tem reduzido gradualmente sua dependência dos Estados Unidos. Voltando-se para o Brasil, a Argentina e outros fornecedores”, destacou a entidade.

    Impacto nos preços e outros produtos agrícolas

    A ampla oferta global e a demanda reduzida estão pressionando os preços do milho, soja e trigo americanos, reduzindo as receitas agrícolas apesar das fortes colheitas. A situação é agravada pelos baixos níveis de água no Rio Mississippi, que elevam os custos de transporte.

    A mudança não se limita à soja. A China não comprou milho, trigo ou sorgo dos EUA em 2025, e as exportações de carne suína e algodão permanecem em níveis mínimos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta que as exportações agrícolas totais para o país asiático alcançarão US$ 17 bilhões em 2025. Uma queda de 30% em relação a 2024 e mais de 50% comparado a 2022.

    Para 2026, a projeção é ainda mais preocupante: apenas US$ 9 bilhões, o menor patamar desde 2018.

    Histórico de dependência e diversificação

    Em 2012, a China comprava mais de US$ 25 bilhões em produtos agrícolas americanos, representando quase 20% de todas as exportações do setor. Em 2018, as vendas despencaram para aproximadamente US$ 9 bilhões, o menor nível em uma década.

    Embora tenha havido recuperação parcial em 2020 e 2021, o movimento foi temporário. “Desde então, a China tem diversificado constantemente seus fornecedores. Voltando-se mais para o Brasil e a Argentina em busca de soja, grãos e proteína”, informou a federação.

    “As metas de política interna da China, incluindo segurança alimentar e gestão de preços, também incentivam a distribuição das compras entre vários países para evitar a dependência dos Estados Unidos”, explicou a American Farm Bureau Federation.

    A entidade conclui que a desaceleração de 2025 não é um evento isolado. Mas parte de uma trajetória de longo prazo na qual a China se afasta estrategicamente da agricultura americana. “Para os agricultores americanos, essa mudança significou menos vendas, um crescente déficit comercial agrícola e maior incerteza sobre o futuro papel da China como mercado para a agricultura americana”, finalizou.

  • Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    A chegada da primavera 2025, iniciada nesta segunda-feira (22) às 15h19, marca um divisor de águas para a agricultura brasileira. Conhecida como a estação das flores, a primavera marca transição entre o inverno seco e o verão chuvoso no Brasil, trazendo oportunidades e desafios únicos para diferentes regiões produtoras do país.

    No Espírito Santo, a transição promete ser especialmente significativa. Após um inverno caracterizado por tempo seco e temperaturas amenas, a Coordenação de Meteorologia do Incaper projeta cenário otimista com aumento gradual das temperaturas e retomada das chuvas, principalmente a partir de outubro.

    “Este é o momento de os agricultores se prepararem para essa estação. Independentemente do volume de chuvas, é essencial revisar equipamentos, planejar o uso eficiente da água e adotar boas práticas de manejo”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

    A cafeicultura arábica capixaba, cultivada em regiões de altitude, enfrenta momento crucial. A irregularidade das chuvas no início da primavera pode comprometer a uniformidade da florada – fator determinante para a produtividade futura. Produtores devem intensificar práticas que reduzam impactos de períodos curtos de estiagem.

    No cultivo do conilon, predominante no Norte e áreas de baixada no Sul do estado, a irrigação eficiente torna-se essencial. Com temperaturas mais altas previstas, o manejo hídrico adequado garantirá boa frutificação e evitará perdas significativas.

    Culturas tropicais demandam atenção redobrada

    O mamão, cultivado principalmente no Norte capixaba, pode enfrentar maior susceptibilidade à antracnose e mosca-das-frutas com o aumento da umidade. A pimenta-do-reino está mais vulnerável à fusariose, demandando manejo fitossanitário rigoroso. O cacau requer atenção especial contra a vassoura-de-bruxa, enquanto a banana necessita monitoramento constante contra sigatoka-negra e nematoides.

    Para a pecuária de corte e leite, a primavera apresenta cenário duplo. Enquanto as condições favorecem o crescimento das pastagens, melhorando a oferta de alimento, o calor acima da média pode gerar estresse térmico nos animais, reduzindo produtividade leiteira e comprometendo ganho de peso.

    O Incaper recomenda reforçar acesso dos animais à água de qualidade, disponibilizar áreas de sombra e adotar suplementação mineral adequada.

    Rio Grande do Sul: normalidade com variações sazonais

    No Rio Grande do Sul, a primavera 2025 tende a seguir padrão próximo da normalidade, segundo Flávio Varone, coordenador do Simagro-RS. “A primavera vai começar com condição bem típica da estação, com passagem de sistemas meteorológicos que provocam chuva regular e grande amplitude térmica”, explica.

    A previsão indica outubro úmido, com chuvas dentro ou acima da média na metade Norte do estado, seguido por novembro mais seco. As temperaturas devem apresentar grande amplitude térmica no início, com noites frias e tardes quentes, evoluindo para temperaturas mais elevadas em novembro e dezembro.

    Norte do Brasil: protagonismo na bioeconomia nacional

    A região Norte, responsável por significativa parcela da produção agrícola nacional, enfrenta cenários específicos durante a primavera. A primavera 2024 traz temperaturas acima da média e secas intensas, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, demandando estratégias adaptadas para cultivos regionais.

    O Estado comemora, por exemplo, a liderança na produção de açaí e dendê, respondendo por 90% do volume nacional. O Pará mantém posição de destaque, com 95% da produção do açaí se concentra no estado do Pará. A primavera representa período crucial para a safra, exigindo monitoramento constante das condições hídricas.

    A produção de 100% da área nacional de guaraná, 75% de açaí, 24% de cacau e 56% do dendê estão dentro do Bioma amazônico. R$ 24,4 bilhões (20,5%) foram gerados pela produção de açaí, mandioca, café, cacau, banana, cana, dendê, abacaxi, arroz, feijão e outros produtos da região, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas.

    Desafios climáticos regionais

    No entanto, em áreas do Matopiba, a expectativa de precipitação abaixo da média eleva o risco de dificuldades para a implantação da soja, conforme previsões do Inmet. A região Norte deve enfrentar chuvas irregulares e abaixo da média, dificultando o abastecimento hídrico e pressionando setores como agricultura e geração de energia.

    O Inmet afirma que o período é de “transição entre as estações seca e chuvosa no setor central do Brasil”, marcado pela convergência de umidade vinda da Amazônia. A ausência de influência significativa dos fenômenos El Niño ou La Niña mantém cenário de neutralidade climática, mas com variações regionais importantes.

    Temperaturas e precipitações previstas

    No Espírito Santo, as temperaturas máximas médias devem variar entre 24°C e 26°C na Região Serrana e entre 28°C e 30°C nas demais regiões. As mínimas ficam entre 15°C e 16°C na Serrana e cerca de 19°C nas outras áreas. O volume de precipitação deve ultrapassar 400mm no Caparaó, Grande Vitória e leste da Região Serrana.

    Hugo Ramos, coordenador de Meteorologia do Incaper, enfatiza: “O produtor rural deve adotar estratégias de manejo hídrico eficiente, intensificar o monitoramento fitossanitário e investir em práticas de bem-estar animal”.

    A primavera 2025 exige planejamento estratégico, aproveitando oportunidades de crescimento das lavouras e recuperação de pastagens, enquanto minimiza riscos de doenças, pragas e estresse térmico.

  • Agricultura regenerativa fortalece manejo e reduz emissões de CO2

    Agricultura regenerativa fortalece manejo e reduz emissões de CO2

    Na Fazenda Estância, em Pirassununga, interior de São Paulo, a agricultura regenerativa deixou de ser teoria para se tornar prática diária de manejo. Integrante do programa Bayer ForwardFarming, a propriedade conduzida por Nathalia Vick, administradora e gestora de agronegócios, e Aline Vick, economista, se tornou referência em sustentabilidade ao unir produtividade agrícola, conservação do solo e redução expressiva das emissões de gases de efeito estufa.

    Com 1.200 hectares dedicados às culturas de soja, milho, sorgo, mandioca e cana-de-açúcar, a fazenda tem mostrado resultados consistentes. As análises de pegada de carbono, realizadas entre fevereiro de 2024 e março de 2025, comprovaram que a média da safra 24/25 da soja atingiu 616,4 kg CO2 eq./t, valor 60% menor do que a média nacional (1.526 kg CO2 eq./t). Em um dos talhões avaliados, o índice chegou a 373 kg CO2 eq./t, redução de 76% em relação à média brasileira.

    Ferramenta inédita de medição por talhão

    O cálculo foi feito por meio da Footprint PRO Carbono, ferramenta desenvolvida pela Bayer em parceria com a Embrapa, baseada na metodologia internacional de avaliação do ciclo de vida (ACV). Dessa forma, a tecnologia permite calcular a pegada de carbono por talhão, diferencial em relação a outras ferramentas disponíveis no mercado.

    Aline e Nathalia Vick – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “É importante ressaltar que cada talhão possui um perfil de solo e histórico de manejo diferente, o que influencia a pegada. Ainda assim, o talhão com maior pegada registrada ainda representa 22% menos do que a média nacional”, afirma Felipe Albuquerque, diretor de Sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer para a América Latina.

    No milho segunda safra, a análise também seguiu a mesma metodologia e concluiu que a média da Fazenda Estância foi de 751,71 kg CO2 eq./t, resultado 46% menor que a média brasileira da cultura (1.387 kg CO2 eq./t).

    Manejo regenerativo como caminho sustentável

    As irmãs Vick apostam em técnicas como sucessão milho-soja, integração com braquiária e manutenção da palhada para proteger o solo e melhorar sua fertilidade. “Falar em carbono é falar na medida de vida do solo. Onde tenho mais carbono, tenho mais produtividade”, resume Aline.

    Ela explica que pequenas mudanças fazem diferença. “No caso da soja, substituímos a aplicação de ureia pelo nitrato, que emite menos gases de efeito estufa. Também adotamos tecnologias de precisão que reduzem manobras de maquinário, gerando economia de combustível e, consequentemente, menor emissão”, diz.

    Palhada no solo garante proteção e mantém umidade – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A transição exigiu convencimento dentro da família, mas hoje os resultados falam por si. “Foi um desafio mostrar que a mudança era positiva. Enfim, todos defendem as práticas regenerativas porque vemos na prática a resiliência da lavoura e os ganhos ambientais”, afirma Aline.

  • Estudo da Embrapa revela preço do carbono na agricultura brasileira: US$ 11,54 por tonelada

    Estudo da Embrapa revela preço do carbono na agricultura brasileira: US$ 11,54 por tonelada

    Um estudo da Embrapa Territorial estimou em US$ 11,54 por tonelada de CO₂ equivalente (tCO₂e) o preço das emissões de carbono na agropecuária brasileira. Publicado na Revista de Economia e Sociologia Rural da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural (Sober), o trabalho oferece uma base científica para programas de incentivo à sustentabilidade e políticas públicas no setor. Leia o artigo completo aqui.

    Como a Embrapa chegou a esse valor?

    A equipe analisou 32 estudos internacionais sobre precificação de carbono na agricultura, publicados entre 2004 e 2024 em plataformas como Science Direct e Web of Science. Países como China, Austrália e Reino Unido lideram as pesquisas na área. Os valores globais variaram de US$ 2,60 e US$ 157,50 /tCO₂e, refletindo diferenças metodológicas e níveis tecnológicos entre nações.

    Para adaptar os dados ao Brasil, os pesquisadores usaram um modelo econométrico que considerou fatores-chave:

    • PIB nacional: Economias maiores tendem a ter preços de carbono mais baixos.
    • Emissões de CO₂: Mercados voluntários podem não refletir aumentos de emissões no preço.
    • Uso de fertilizantes nitrogenados e participação do agro no PIB.

    Por que precificar o carbono no agro?

    O carbono é usado como indicador ambiental para uniformizar o impacto de todos os gases do efeito estufa (GEE). Segundo Daniela Tatiane de Souza, economista da Embrapa e autora do estudo, a precificação cria incentivos financeiros para:

    • Reduzir o uso de nitrogênio em fertilizantes (que emitem óxido nitroso).
    • Adotar tecnologias que aumentem a produtividade e o sequestro de carbono.
    • Balizar programas de pagamento por serviços ambientais (PSA).

    Gustavo Spadotti, chefe-geral da Embrapa Territorial, destaca: “A sustentabilidade exige visão completa: medimos tanto as emissões quanto o carbono capturado pelos sistemas produtivos brasileiros”.

    Impacto para o mercado e políticas públicas

    O valor de US$ 11,54/tCO₂e aproxima-se do observado em mercados voluntários internacionais, servindo como referência para:

    • Negociações de créditos de carbono: Certificados de emissão reduzida (CER) podem superar esse preço.
    • Programas governamentais: Como o PSA, que já está em implementação no Brasil.
    • Empresas: Que buscam compensar emissões ou investir em agro sustentável.

    Lauro Nogueira Júnior, pesquisador da Embrapa, ressalta: “Esse preço ajuda a calcular custos sociais e ambientais da descarbonização, direcionando investimentos para onde são mais urgentes”.

    • Apesar do avanço, o estudo alerta para a complexidade do tema:
    • Tecnologia: Sistemas mais eficientes podem elevar emissões no curto prazo, mas compensar com ganhos futuros.
    • Regulação: Mercados voluntários carecem de padronização, exigindo critérios claros para evitar greenwashing.

    Com a agropecuária respondendo por 25% das emissões globais de GEE, o Brasil posiciona-se não apenas como produtor de alimentos, mas como protagonista na transição para o baixo carbono. A precificação é um passo estratégico para alinhar produtividade e sustentabilidade.

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  • Clima seco eleva preço da mandioca

    Clima seco eleva preço da mandioca

    A seca preocupa produtores de mandioca. Mesmo assim, muitos continuaram o plantio na última semana, enquanto outros diminuíram a colheita, especialmente em áreas com menor umidade. Com menor oferta e maior disputa pela matéria-prima, os preços da raiz seguiram em alta. As fecularias relataram dificuldade de esmagamento, mesmo com a demanda enfraquecida pelas farinheiras. Segundo pesquisa da Cepea, a falta de chuva faz o preço subir para o consumidor.

    Mandioca na agricultura brasileira

    A mandioca é um tubérculo essencial para a agricultura brasileira, especialmente para os agricultores familiares e comunidades tradicionais.

    O Brasil é o segundo maior produtor mundial da raiz ficando atrás apenas da Nigéria. A produção anual é de cerca de 19 milhões de toneladas cultivadas em uma área de 1,36 milhão de hectares.

    Foto: Divulgação – Embrapa/Felipe Santos Rosa

    A mandioca se destaca por sua versatilidade e valor nutricional.  A raiz é um alimento básico na culinária de diversas regiões brasileiras. Portanto, pode ser utilizada na produção de embutidos de carnes, fármacos e até mesmo em embalagens biodegradáveis.

    Benefícios da raiz

    A mandioca é rica em carboidratos, potássio, vitamina C e polifenóis, sendo uma importante fonte de energia e nutrientes.

    De acordo com as pesquisas, um dos principais benefícios da mandioca é sua fácil adaptação a diferentes climas e solos, o que permite seu cultivo em diversas regiões do país. Sendo assim, garante a segurança alimentar de muitas comunidades, especialmente no Norte e Nordeste, onde a planta é cultivada principalmente por agricultores familiares.

    Apesar dos desafios, como a preparação adequada do solo e as condições climáticas, o cultivo da mandioca vem ganhando espaço em outras regiões, como no litoral do Paraná. Ou seja, demonstra a importância da raiz para a agricultura brasileira e a busca por sua “redescoberta” pelos pesquisadores e consumidores.

    Foto: Divulgação – Embrapa/Léa Cunha

    Antes de mais nada, a mandioca é um patrimônio alimentar do Brasil. Associada a cultura gastronômica brasileira, desempenha um papel fundamental na segurança alimentar e no sustento de milhares de famílias agricultoras. Dessa forma, valorizar e incentivar o cultivo da mandioca é fundamental como uma alternativa sustentável e nutritiva na agricultura brasileira.