Tag: agricultura brasileira

  • Prêmio Mulheres do Agro prorroga inscrições até 17 de junho

    Prêmio Mulheres do Agro prorroga inscrições até 17 de junho

    As produtoras rurais interessadas em participar da 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro ganharam mais tempo para efetuar a inscrição. A Bayer e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) ampliaram o prazo para a categoria Produtora Rural até 17 de junho. A iniciativa reconhece mulheres que lideram propriedades rurais e desenvolvem ações voltadas à gestão, à inovação e às boas práticas agrícolas.

    A premiação contempla propriedades de pequeno, médio e grande porte. As candidatas podem realizar a inscrição gratuitamente por meio do site oficial do prêmio. O objetivo é destacar trajetórias que fortalecem o agronegócio e ampliam a participação feminina em posições de liderança no campo.

    Sustentabilidade e gestão estão entre os critérios

    Para concorrer, as participantes precisam demonstrar resultados alinhados aos pilares de sustentabilidade, governança e impacto social. Além disso, devem apresentar iniciativas que contribuam para o desenvolvimento da atividade agropecuária dentro e fora da propriedade.

    Uma banca formada por especialistas de instituições públicas e privadas do setor agropecuário analisará as inscrições. Dessa forma, a avaliação considerará aspectos relacionados à gestão do negócio, à responsabilidade socioambiental e à capacidade de gerar impactos positivos nas comunidades envolvidas.

    Ao longo dos anos, o Prêmio Mulheres do Agro consolidou-se como uma das principais iniciativas de valorização da liderança feminina no setor. Por isso, a premiação reúne histórias de produtoras que investem em inovação, eficiência produtiva e práticas sustentáveis.

    Iniciativa busca ampliar protagonismo feminino

    O reconhecimento também incentiva a troca de experiências entre mulheres que atuam no agronegócio. Além disso, fortalece a presença feminina em espaços estratégicos de decisão dentro das propriedades rurais e das cadeias produtivas.

    Segundo os organizadores, o prêmio procura dar visibilidade a produtoras que desempenham papel relevante na condução dos negócios rurais. Ao mesmo tempo, busca estimular modelos de gestão que conciliem produtividade, responsabilidade social e preservação ambiental.

    Vencedoras serão conhecidas em agosto

    A organização anunciará as vencedoras durante uma cerimônia programada para agosto de 2026, na cidade de São Paulo. O evento fará parte das comemorações pelos 130 anos de atuação da Bayer no Brasil.

    A empresa atua nos segmentos de agricultura, farmacêutico e saúde do consumidor. Atualmente, mantém investimentos em pesquisa, inovação e sustentabilidade. Já a Abag reúne representantes de diferentes elos da cadeia produtiva e trabalha para fortalecer o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

    Com a prorrogação do prazo, as produtoras interessadas poderão reunir a documentação necessária com mais tranquilidade. Assim, a expectativa é ampliar o número de participantes e incentivar ainda mais o protagonismo feminino no campo.

  • Cartilha alerta para pragas quarentenárias nas exportações

    Cartilha alerta para pragas quarentenárias nas exportações

    A produção agrícola brasileira cresce em ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, aumentam os desafios relacionados à sanidade vegetal e às exigências dos mercados internacionais. Com esse objetivo, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e a Corteva Agriscience lançaram uma cartilha sobre pragas quarentenárias. O material orienta produtores rurais sobre prevenção, identificação e manejo desses organismos, que podem comprometer exportações e causar prejuízos ao agronegócio.

    A publicação foi apresentada nesta terça-feira (2), em Brasília, durante a programação que antecede a segunda edição do Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja. A iniciativa contou com apoio técnico do engenheiro agrônomo e professor da Universidade de Passo Fundo, Mauro Rizzardi. Além disso, foram realizados treinamentos práticos sobre boas práticas agrícolas por meio do Caminhão de Boas Práticas da Corteva.

    A cartilha reúne orientações para produtores, consultores e técnicos do setor. O objetivo é facilitar a identificação das pragas e reforçar medidas preventivas. Além disso, o material busca ampliar a conscientização sobre os impactos econômicos causados por esses organismos. A preocupação se intensificou à medida que a produção brasileira aumentou e a dependência do mercado externo se tornou ainda maior.

    Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pragas quarentenárias são organismos capazes de causar impactos econômicos significativos à agricultura. Entre eles estão insetos, fungos, bactérias, vírus e plantas daninhas. Esses organismos podem ameaçar a sanidade vegetal e gerar restrições comerciais impostas pelos países importadores.

    “As pragas quarentenárias são um tema crítico para a balança comercial brasileira, e a conscientização é o melhor caminho para proteger nossa produtividade”, afirma Jair Maggioni, coordenador de Boas Práticas Agrícolas da Corteva no Brasil.

    Devolução de navios acende alerta no setor

    A preocupação com o tema aumentou após episódios recentes envolvendo cargas brasileiras destinadas à China. Nos últimos meses, 20 navios carregados com grãos foram devolvidos ou tiveram suas operações interrompidas. O motivo foi a identificação de sementes de plantas daninhas e vestígios de organismos considerados indesejáveis pelo país asiático.

    Além dos prejuízos com fretes, multas e reprocessamento das cargas, esses episódios afetam a imagem do Brasil no mercado internacional. Como consequência, compradores podem ampliar exigências sanitárias e reforçar inspeções.

    O impacto é ainda mais relevante porque aproximadamente 80% da soja exportada pelo Brasil tem como destino o mercado chinês. Dessa forma, qualquer restrição pode gerar reflexos em toda a cadeia produtiva.

    A devolução de uma única embarcação pode representar perdas de milhões de dólares. Além disso, há risco de aumento das exigências de fiscalização. Como resultado, o escoamento da safra pode sofrer atrasos e a competitividade brasileira diminuir diante de outros exportadores.

    Para Mauro Rizzardi, a questão ultrapassa os limites da propriedade rural e se transforma em um tema estratégico para o país.

    “Qualquer parte de planta, pólen, semente ou propágulo que possa sobreviver e se reproduzir no ambiente é um potencial dano tanto ao sistema produtivo local ou mesmo ao processo de exportação da produção agrícola”, explica.

    O especialista ressalta que o problema ocorre em duas direções. Enquanto a entrada de novas pragas ameaça a produção nacional, a presença de espécies proibidas em cargas exportadas também pode comprometer mercados já consolidados.

    “Tanto a entrada de pragas quanto a saída delas via exportação de espécies vegetais proibidas no país importador afeta o potencial exportador de grãos do Brasil”, destaca.

    Manejo outonal ganha papel estratégico

    Entre as principais recomendações da cartilha está a adoção do manejo outonal. A prática é realizada durante a entressafra, logo após a colheita das culturas de verão e antes da implantação da nova safra.

    A estratégia envolve o controle de plantas daninhas e das chamadas tigueras. Essas plantas permanecem no campo após a colheita. Por isso, acabam servindo de abrigo para pragas e doenças.

    Assim, a eliminação dessas chamadas “pontes verdes” interrompe ciclos biológicos e reduz a formação de bancos de sementes de espécies invasoras. Consequentemente, diminui o risco de contaminação das futuras lavouras.

    O Brasil projeta colher mais de 350 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Diante desse cenário, as medidas preventivas ganham importância estratégica. Afinal, pequenos problemas fitossanitários podem gerar grandes impactos econômicos.

    Perdas estimadas entre 10% e 15% da produção representam prejuízos significativos para produtores e para a economia nacional. Por isso, o manejo realizado na entressafra é apontado como uma ferramenta essencial para proteger a produtividade.

    “É uma janela de segurança vital, cujo objetivo é eliminar as chamadas pontes verdes. Ao realizar o controle químico e o manejo de solo nesse estágio, o produtor interrompe o ciclo de reprodução de plantas daninhas e reduz drasticamente o banco de sementes de invasoras que poderiam comprometer a qualidade do grão futuro”, explica Maggioni.

    Jair Maggioni, coordenador de Boas práticas da Corteva Agriscience; prof Mauro Rizzardi, da Universidade de Passo Fundo; e o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, mostram a cartilha lançada em Brasília – Foto: Divulgação

    De acordo com a Corteva, o manejo realizado logo após a colheita constitui a primeira barreira fitossanitária para evitar que organismos indesejáveis cheguem aos portos de exportação.

    Muitas das sementes de plantas daninhas proibidas em mercados exigentes proliferam justamente nesse período de transição. Portanto, manter a área limpa durante o outono reduz os riscos de contaminação e aumenta a segurança das cargas destinadas ao exterior.

    Capacitação leva conhecimento ao campo

    Além da cartilha, a iniciativa aposta na capacitação prática para ampliar a adoção de boas práticas agrícolas. Durante o evento em Brasília, produtores e técnicos participaram de treinamentos promovidos no Caminhão de Boas Práticas da Corteva.

    A unidade móvel utiliza tecnologias interativas para demonstrar técnicas de manejo integrado. Além disso, aborda temas como aplicação correta de defensivos, uso adequado de equipamentos de proteção individual e preservação de áreas de refúgio.

    Para Fabrício Morais Rosa, diretor executivo da Aprosoja Brasil, o trabalho de conscientização é fundamental para preservar a reputação da soja brasileira nos mercados internacionais.

    “Com esta cartilha, a Aprosoja Brasil continuará com o compromisso assumido de alertar os produtores sobre a identificação equivocada de pragas quarentenárias a fim de manter em alta a reputação da soja brasileira frente aos compradores externos”, afirma.

    O dirigente também destaca a importância da qualificação contínua dos profissionais do setor.

    “Treinamentos como os de boas práticas realizados pela Corteva são essenciais para que possamos capacitar cada vez mais produtores e profissionais do campo para que possam realizar o manejo de pragas e doenças da maneira correta, com o uso racional de insumos e utilizando todas as ferramentas e soluções necessárias”, completa.

    Nesse contexto, a expectativa das entidades é ampliar o alcance das informações e fortalecer a prevenção nas propriedades rurais. Dessa forma, o setor busca reduzir riscos fitossanitários, preservar mercados estratégicos e manter a competitividade da produção brasileira no cenário internacional.

  • Alho importado avança e produtores brasileiros reduzem cultivo

    Alho importado avança e produtores brasileiros reduzem cultivo

    A crescente entrada de alho importado no mercado brasileiro tem pressionado os produtores nacionais e levado à redução dos investimentos na cultura. Diante desse cenário, representantes do setor pretendem solicitar ao governo federal a adoção de medidas para restringir as importações oriundas da China e da Argentina, países que, segundo produtores, comercializam o produto no Brasil por valores inferiores aos custos de produção nacionais.

    De acordo com a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), a situação já afeta diretamente o planejamento da próxima safra. Como consequência, os agricultores projetam uma redução de 21% na área plantada, que deverá cair para aproximadamente 11 mil hectares neste ano.

    Setor pede revisão das regras para importação

    Nesta semana, a Anapa deverá apresentar ao Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) um pedido para extinguir o compromisso de preço atualmente aplicado ao alho chinês exportado por quatro grandes empresas do país asiático.

    As companhias Shandong Trans-High Imp & Exp Co. Ltd., Jining Foreign Trading Co. Ltd., Jining Freen Agri-Produces Co. Ltd. e Shandong Goodfarmer International Trading Co. Ltd. operam com preço mínimo fixado em US$ 15,80 por caixa de 10 quilos. Para os demais exportadores chineses, permanece em vigor uma tarifa antidumping de US$ 7,80 por caixa.

    Segundo Rafael Corsino, presidente da Anapa, a medida tem prejudicado a competitividade da produção nacional.

    “O nosso custo de produção é de US$ 25 por caixa. Esse compromisso de preço desestimulou o plantio no Brasil”, afirma.

    Além disso, a entidade pretende solicitar que a sobretaxa antidumping seja aplicada a todas as importações de alho provenientes da China.

    Alho argentino também entra na mira

    Paralelamente, a Anapa deve protocolar ainda em junho um pedido para abertura de investigação antidumping sobre o alho argentino.

    Segundo Corsino, os valores praticados pelo país vizinho indicariam concorrência desleal. “A Argentina exporta o alho abaixo do custo de produção. O custo na Argentina é de US$ 18 por caixa e o alho chegou no Brasil a US$ 12,50”, diz.

    Além disso, a associação sustenta que a Argentina teria realizado subfaturamento das exportações destinadas ao Brasil ao longo dos últimos seis anos.

    Produção nacional não atende toda a demanda

    O mercado brasileiro consome cerca de 320 mil toneladas de alho por ano, enquanto a produção nacional alcança aproximadamente 170 mil toneladas, segundo dados da Anapa.

    A maior parte da produção está concentrada em Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Até o ano passado, cerca de 60% do alho importado tinha origem na Argentina, enquanto 36% vinham da China.

    Por outro lado, os números mais recentes mostram mudanças importantes nesse fluxo comercial.

    Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que as importações de alho somaram 62,4 mil toneladas entre janeiro e abril, volume 5,4% menor que o registrado no mesmo período de 2025.

    Em valor, a retração foi ainda maior. As compras externas totalizaram US$ 77 milhões, queda de 15,9%, o equivalente a uma média de US$ 12,34 por caixa.

    Argentina amplia participação no mercado brasileiro

    Apesar da redução geral nas importações, a participação da Argentina cresceu significativamente.

    Entre janeiro e abril, 92,7% do alho importado veio do país vizinho, enquanto apenas 5,6% teve origem chinesa.

    As importações da China recuaram 82,3%, totalizando 19,9 mil toneladas. Em contrapartida, as compras da Argentina avançaram 26,7%, alcançando 45,7 mil toneladas no período.

    Para os produtores brasileiros, esse aumento tem provocado perdas financeiras expressivas.

    “Esse aumento da importação culminou em prejuízo de R$ 5,50 por quilo vendido. O antidumping é necessário já”, defende Franchielli Motter, presidente da Associação dos Produtores de Alho do Rio Grande do Sul.

    Segundo ela, a área cultivada no estado deverá cair de 850 hectares para 750 hectares em 2026.

    Agricultores reduzem investimentos diante dos prejuízos

    No Sul do Brasil, a colheita do alho plantado entre junho e julho ocorre no final do ano. Posteriormente, a comercialização acontece no primeiro semestre, período em que a concorrência com o alho argentino é mais intensa.

    Já os produtores do Sudeste e do Centro-Oeste abastecem o mercado no segundo semestre, enfrentando principalmente a concorrência do alho chinês.

    Em São Marcos (RS), o produtor Jaime Menegon decidiu reduzir drasticamente sua área cultivada.

    “Tive prejuízo de R$ 5 por quilo. Já vi várias crises, mas nunca como esta”, lamenta.

    Após cultivar 14 hectares em 2025, ele pretende plantar apenas 4 hectares neste ano. Além disso, planeja concentrar a produção em terras próprias e devolver áreas arrendadas.

    Situação semelhante ocorre em Curitibanos (SC). O produtor Everson Tagliari afirma que precisou vender sua última safra abaixo dos custos de produção.

    “Um hectare de alho custa de R$ 120 mil a R$ 130 mil para ser produzido. Tivemos R$ 80 mil de receita por hectare”, conta.

    Diante desse cenário, ele reduzirá sua área de cultivo de 10 hectares para 4 hectares. Nos demais 6 hectares, pretende implantar pastagens e arrendar as áreas para pecuaristas.

    Santa Catarina prevê nova retração

    A Associação Catarinense dos Produtores de Alho estima que a área cultivada no estado recuará de 850 hectares em 2025 para 700 hectares neste ano.

    Segundo Tagliari, medidas de proteção comercial tornaram-se essenciais para garantir a viabilidade econômica da atividade.

    “O antidumping sobre o alho da Argentina é vital para nós. Também é importante que derrubem o compromisso de preço com o alho chinês. Sobra produto no mercado, é uma situação alarmante para o produtor”, afirma.

  • Greening desafia citricultura e domina debates na Expocitros

    Greening desafia citricultura e domina debates na Expocitros

    O avanço do greening dominou parte dos debates da 51ª Expocitros, que termina nesta sexta-feira (29), em Cordeirópolis (SP). Durante a feira, a Corteva Agriscience apresentou tecnologias voltadas ao controle do psilídeo, inseto responsável pela disseminação da doença. Além disso, reforçou a necessidade de manejo integrado para preservar a produtividade dos pomares brasileiros.

    Realizado no Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, o evento reuniu produtores, pesquisadores, consultores e empresas do setor. O encontro ocorreu em meio ao aumento da preocupação com os impactos do greening sobre a citricultura nacional. Paralelamente, aconteceu a 48ª Semana da Citricultura.

    Entre os destaques da companhia esteve o inseticida Incitro, desenvolvido para o manejo do psilídeo (Diaphorina citri) e do bicho-furão (Gymnandrosoma aurantianum). A tecnologia foi apresentada como uma ferramenta estratégica no combate à principal ameaça fitossanitária da cultura atualmente.

    Segundo Guilherme Ogata, líder de Portfólio de Citrus, Café e Hortifrúti da Corteva Agriscience, o greening atingiu um nível de criticidade que passou a impactar diretamente a sustentabilidade produtiva e econômica dos pomares.

    “O produtor vive hoje um cenário muito mais complexo. O greening deixou de ser um problema isolado e passou a exigir acompanhamento constante, tomada de decisão rápida e estratégias integradas dentro da propriedade”, afirmou.

    De acordo com o executivo, o principal desafio atual está no controle contínuo do psilídeo. Isso ocorre, principalmente, diante da velocidade de disseminação da praga e das mudanças observadas no comportamento do inseto nos últimos anos.

    Resistência preocupa produtores e exige novas estratégias

    Outro ponto que ganhou destaque durante a feira foi a preocupação crescente com a resistência aos inseticidas tradicionais. Segundo Ogata, o manejo de resistência passou a ser indispensável para manter a eficiência das aplicações ao longo das safras.

    Além disso, o executivo afirmou que o controle contínuo do psilídeo exige maior planejamento dentro das propriedades. Isso porque o comportamento da praga mudou nos últimos anos. Com isso, produtores passaram a intensificar o monitoramento nos pomares.

    Nesse cenário, a Corteva apresentou o Incitro como uma solução desenvolvida especificamente para a citricultura. O inseticida possui a molécula Jemvelva Active, exclusiva da empresa. Segundo a companhia, o produto apresenta um modo de ação único no mercado.

    Entre os diferenciais apontados estão o alto poder de choque, o amplo espectro de controle e o efeito residual prolongado. Além disso, a tecnologia possui seletividade e curto intervalo de segurança. Assim, a colheita pode ser realizada um dia após a aplicação.

    Equipe da Corteva na Expocitros 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “O produtor precisa de ferramentas eficientes no controle imediato da praga. No entanto, também precisa de tecnologias que contribuam para a sustentabilidade do manejo no longo prazo”, destacou Ogata.

    A empresa também levou para a Expocitros o Verter SC, inseticida foliar com tecnologia Isoclast active. A solução atua no controle de mosca-branca e pulgões. Além disso, integra as estratégias de manejo do psilídeo.

    Segundo a Corteva, o combate ao greening não depende apenas de novas tecnologias. Pelo contrário. O alinhamento regional entre produtores passou a ser decisivo. Da mesma forma, o monitoramento constante e a eliminação de plantas contaminadas ganharam ainda mais importância.

    “A atuação isolada já não resolve mais. Por isso, o manejo integrado virou peça-chave para preservar a produtividade e reduzir a pressão do greening nos cinturões citrícolas”, reforçou o executivo.

    Citricultura busca preservar competitividade

    A edição de 2026 da Expocitros aprofundou debates sobre sanidade vegetal, bioinsumos, sustentabilidade, energia, inovação tecnológica e gestão dentro das propriedades rurais.

    Além das tecnologias para manejo fitossanitário, a Corteva também apresentou durante o evento a campanha “Puro Suco do Brasil”. A iniciativa foi criada para valorizar a importância econômica da citricultura brasileira.

    A ação destaca a geração de mais de 200 mil empregos e a movimentação anual de cerca de US$ 14 bilhões pelo setor.

    Além disso, a empresa informou que pretende ampliar o relacionamento com produtores e agroindústrias. Para isso, a campanha deve ganhar novas ações voltadas ao fortalecimento da cadeia citrícola.

    Para Guilherme Ogata, o futuro da citricultura brasileira dependerá diretamente da capacidade do setor em controlar o avanço do greening nos próximos anos.

    “O Brasil segue como referência mundial na produção de citros. No entanto, o avanço da doença exige respostas rápidas e integradas. Sem controle eficiente, os impactos sobre produtividade, longevidade dos pomares e competitividade tendem a crescer”, concluiu.

  • Brasil tem só uma raça de galinha genuinamente brasileira? Entenda a polêmica

    Brasil tem só uma raça de galinha genuinamente brasileira? Entenda a polêmica

    Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Galinha Sertaneja Balão (GSB) repercutiu nos últimos dias após ele afirmar, durante a chegada de novas aves à Granja do Torto, que a espécie seria a “única raça genuinamente brasileira”. Apesar da fala, o Brasil possui mais de dez raças de galinhas catalogadas, estudadas e preservadas em diferentes regiões do país.

    A definição de uma raça genuinamente brasileira, porém, ainda gera debate. Isso porque o Ministério da Agricultura não reconhece oficialmente aves como nativas da mesma forma que ocorre com bovinos, por exemplo.

    Nesse contexto, a definição mais aceita é a da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Segundo a entidade, aves nativas são populações domésticas que, ao longo de várias gerações, se adaptaram a ambientes específicos, condições climáticas locais e sistemas de criação utilizados por pequenos produtores.

    Atualmente, o mercado avícola comercial brasileiro trabalha majoritariamente com linhagens de origem estrangeira, principalmente dos Estados Unidos. Essas aves são selecionadas para oferecer maior produtividade e volume de produção.

    Por outro lado, as raças nativas brasileiras apresentam características valorizadas por pequenos criadores. De acordo com Marcos Jacob, analista de transferência de tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, essas aves se destacam pela resistência ao clima quente e seco das regiões Norte e Nordeste, além de exigirem menos insumos para criação.

    Segundo o especialista, embora tenham produção em menor escala, essas galinhas desempenham papel importante na segurança alimentar de comunidades locais. Além de garantirem fonte de proteína para pequenos produtores, elas também fazem parte da culinária tradicional brasileira, sendo utilizadas em pratos típicos como galinha ao molho pardo e pirão de parida.

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária mantém projetos de conservação genética dessas aves em diferentes estados brasileiros. O objetivo é preservar materiais genéticos considerados estratégicos para a segurança alimentar e para a manutenção da biodiversidade avícola nacional.

    Conheça algumas das principais raças brasileiras de galinha

    • Carijó
    • Pescoço Pelado
    • Pedrês
    • Rabo de Leque
    • Sura
    • Canela-Preta
    • Barbuda
    • Peloco
    • Frisada
    • Caneluda do Catolé
    • Perna Curta
    • Azulega
    • Caracuta
  • O impasse da reforma agrária que pode afetar a produção de alimentos

    O impasse da reforma agrária que pode afetar a produção de alimentos

    A reforma agrária volta ao debate político não por avanços, mas por impasses que sangram o campo há décadas. Nesta quarta-feira (15), a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara promoveu audiência pública pelo Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, instituído em 2002 para lembrar o Massacre de Eldorado do Carajás. Ali, em 17 de abril de 1996, uma operação militar matou 19 trabalhadores sem-terra.

    A ideia parece óbvia: redistribuir terras improdutivas para famílias, gerando justiça e mais produção. Na prática, emperra feio. Grandes fazendas dominam 80% das terras agricultáveis, enquanto pequenos produtores ocupam 20% do território rural, mas botam 70% do feijão, 48% do milho e 38% do café na nossa mesa. O Brasil ostenta uma das piores concentrações fundiárias do mundo, herança colonial misturada com pressão do agronegócio.

    Para não esquecer

    O Massacre de Eldorado do Carajás foi o ataque de policiais militares do Pará contra um grupo de 1,5 mil sem‑terra, em 17 de abril de 1996. Os trabalhadores faziam uma marcha pacífica de 900 km até Belém exigindo a desapropriação da Fazenda Macaxeira, considerada ociosa, para reforma agrária. A polícia cercou e abriu fogo contra o acampamento, matando 21 camponeses (19 na hora e 2 dias depois nos hospitais) e ferindo dezenas de pessoas.

    O episódio ficou conhecido por sua extrema violência, com execuções a queima‑roupa e uso de ferramentas de trabalho, como facões e foices, para matar os trabalhadores. Ele se tornou um símbolo da brutalidade do Estado contra o povo do campo e influenciou o debate pela terra, com o 17 de abril sendo declarado Dia Internacional de Luta pela Terra pela Via Campesina. Até hoje, o caso é lembrado como um marco de impunidade e de resistência na luta por reforma agrária no Brasil.

    Massacre ecoa, violência persiste

    Os deputados Padre João (PT-MG), João Daniel (PT-SE), Valmir Assunção (PT-BA) e Marcon (PT-RS) pediram a reunião. Eles querem discutir entraves reais, além de homenagear as vítimas. No requerimento, o tom é direto: “Três décadas já se passaram e a questão da Reforma Agrária no Brasil permanece como uma das principais bandeiras de Luta dos Trabalhadores, enquanto a violência contra camponeses, povos indígenas e comunidades tradicionais continua a ser um instrumento de manutenção de estruturas de poder arcaicas e concentradoras da propriedade da terra”. É um soco no estômago do sistema.

    O que trava o Brasil hoje?

    Burocracia, cortes no orçamento e insegurança jurídica freiam desapropriações. Movimentos como o MST denunciam paralisação de políticas; produtores rurais temem invasões que espantam investimento. Assentamentos ficam sem crédito, assistência técnica ou estrada para escoar. O que era solução vira peso morto, com judicializações que duram anos e conflitos explodindo no dia a dia.

    Falta de orçamento, burocracia e insegurança jurídica travam política que afeta produtores e alimentos.
    (Foto: Agência Câmara de Notícias)

    Agronegócio sente a tensão sem fim

    É claro: indefinição fundiária trava modernização e cadeias produtivas inteiras. Se bem feita, a reforma impulsiona a agricultura familiar e segura o preço dos alimentos.

    No entanto, o governo ainda esbarra em rombo fiscal e racha no Congresso. Sem resolver a terra, o Brasil carrega um conflito que machuca produtores, famílias e o bolso de todos.

  • Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    A agricultura brasileira entrou em um novo patamar de exigência técnica, no qual produzir mais não é mais suficiente: é preciso produzir melhor. Essa foi a principal mensagem apresentada por Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde (GO). Nesse contexto, a pressão por produtividade aumenta, e o sucesso no campo passa a depender de inovação, manejo assertivo e escolha correta de tecnologias.

    Segundo ele, a IHARA atua como uma ponte entre a tecnologia japonesa e o agricultor brasileiro, trazendo moléculas inovadoras adaptadas à realidade tropical. “A agricultura é capricho. Não basta plantar, é preciso entender o ambiente, o momento da planta e o problema a ser enfrentado”, afirmou.

    A necessidade de inovação, explicou, está diretamente ligada às características do sistema produtivo brasileiro. Com possibilidade de segunda safra e condições climáticas favoráveis, o mesmo ambiente que beneficia as culturas também favorece pragas e doenças. “Tudo que é bom para a planta também é bom para os fatores que limitam a produtividade”, ressaltou. Por isso, investir em tecnologia deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

    Hoje, o Brasil possui cerca de 50 milhões de hectares de soja. No entanto, a área tratada com defensivos ultrapassa 1,4 bilhão de hectares ao longo dos anos, considerando múltiplas aplicações. Esse dado evidencia um movimento claro: o agricultor trata cada vez mais sua lavoura para proteger o potencial produtivo.

    Produtividade exige estratégia e precisão

    No Cerrado, a média de produtividade gira em torno de 55 sacas por hectare — ponto de equilíbrio para muitos produtores. A margem de lucro, porém, só aparece acima disso. Para alcançar ganhos mais expressivos, é necessário atingir patamares entre 70 e 75 sacas por hectare.

    Esse salto produtivo, segundo Valdumiro, depende de uma combinação de fatores: melhoramento genético, acesso a crédito e, principalmente, manejo eficiente. “É impossível imaginar a prosperidade da agricultura brasileira sem investimento em tecnologia”, afirmou.

    Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O avanço das doenças e pragas também exige um olhar mais detalhado. Se no passado o foco estava em problemas visíveis, como a ferrugem asiática, hoje o cenário é mais complexo. A mancha-alvo, por exemplo, vem ganhando protagonismo e já apresenta maior tolerância a fungicidas tradicionais.

    Diante desse cenário, a IHARA apresentou o fungicida SEIV, desenvolvido especificamente para o controle dessa doença. De acordo com dados da empresa, a tecnologia pode alcançar até 95% de eficácia, contribuindo diretamente para a manutenção da produtividade.

    Outro ponto destacado foi a importância da especificidade no manejo. Enquanto o produtor costuma escolher fungicidas considerando o tipo de doença e o estágio da planta, o mesmo cuidado nem sempre ocorre no controle de pragas.

    Pressão de pragas e plantas daninhas aumenta

    Entre os principais desafios atuais estão os percevejos, especialmente o barriga-verde, que vem se adaptando à soja e causando danos mais severos que o percevejo-marrom. Além disso, a presença de mosca-branca em anos chuvosos rompe antigos padrões e exige novas estratégias de controle.

    Para esse cenário, o inseticida ZEUS surge como uma solução de amplo espectro, com atuação eficiente tanto em percevejos quanto em mosca-branca, além de efeito residual prolongado.

    No manejo de plantas daninhas, o alerta é para a crescente resistência. Espécies como capim-pé-de-galinha, caruru e capim-amargoso apresentam menor sensibilidade aos herbicidas convencionais, exigindo novas abordagens.

    Uma das estratégias defendidas é o uso de herbicidas pré-emergentes, como o Yamato, que atuam antes mesmo da germinação das plantas invasoras. Ainda assim, há espaço para crescimento: cerca de metade das lavouras brasileiras de soja não utiliza esse tipo de manejo.

    “A planta daninha precisa ser combatida antes de aparecer. O produtor precisa surpreender o problema, não reagir a ele”, explicou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Cooperativismo e futuro da agricultura

    A relevância da Tecnoshow Comigo também aparece como ponto de conexão entre tecnologia e produtor. A cooperativa atua em cerca de 22% da área de soja e milho de Goiás, reforçando o papel do cooperativismo na difusão de conhecimento e inovação.

    Ao mesmo tempo, a IHARA mantém um pipeline robusto, com 22 novos ativos em desenvolvimento e potencial para até 240 produtos. Entre os lançamentos previstos está o Fusão Fix, que promete mais praticidade e eficiência no manejo da soja.

    A mensagem final reforça a mudança de mentalidade no campo. Se antes produzir 70 sacas era referência, hoje já se fala em 100 sacas por hectare. Assim, o novo cenário exige mais conhecimento, planejamento e precisão.

    “Cada vez mais, o agricultor precisa conhecer o alvo e escolher a solução adequada. Esse é o caminho para garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo”, concluiu Valdumiro.

  • Manejo antecipado evita perdas de até 90% nas lavouras

    Manejo antecipado evita perdas de até 90% nas lavouras

    Decisões tomadas ainda no início do ciclo da lavoura podem definir o sucesso da safra. Esse foi um dos principais recados apresentados por especialistas da IHARA durante a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. A empresa levou à feira um conjunto de tecnologias voltadas ao manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, três fatores que seguem entre os principais desafios enfrentados pelo produtor nas culturas de soja, milho e trigo.

    De acordo com o engenheiro agrônomo Rudimar Spannemberg, que atua no desenvolvimento de mercado da companhia, o cenário atual da agricultura exige planejamento técnico cada vez mais preciso. Segundo ele, reduzir investimentos em momentos críticos pode comprometer toda a produtividade da lavoura.

    “Em um cenário de custos pressionados, pode parecer tentador reduzir investimentos. No entanto, insetos, doenças e plantas daninhas precisam ser controlados desde o início do ciclo da cultura. O manejo realizado no momento adequado garante estabilidade produtiva e evita perdas que comprometem os resultados”, afirma.

    Além disso, o especialista lembra que o Rio Grande do Sul ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos. O estado aparece entre os principais polos agrícolas do país e é o segundo em área plantada de soja no Brasil, o que reforça a importância de decisões técnicas bem planejadas.

    Fernando Socolovski e Rudimar Spannemberg – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Plantas daninhas avançam e preocupam produtores

    Entre os temas que mais despertaram atenção na apresentação está o avanço das plantas daninhas resistentes. Estudos técnicos indicam que algumas espécies já estão presentes em mais de 50% das áreas agricultáveis do Brasil.

    Entre as mais comuns estão o capim-amargoso, capim-pé-de-galinha, azevém, corda-de-viola, capim-colonião, caruru e capim-braquiária.

    Segundo o gerente comercial distrital da empresa, Fernando Socolovski, a presença dessas espécies pode provocar impactos significativos na produtividade.

    “O potencial de perdas causado pela matocompetição pode ultrapassar 90% quando o manejo não é feito de forma adequada”, explica.

    No Rio Grande do Sul, uma das plantas daninhas que mais preocupam os agricultores é o caruru. Em algumas regiões, a espécie já está presente em metade das áreas cultivadas. Além disso, a resistência ao glifosato tem dificultado o controle, reduzindo o rendimento das lavouras de soja e outras culturas.

    Nesse cenário, o manejo antecipado torna-se fundamental. Entre as tecnologias apresentadas na feira está o herbicida Yamato SC, desenvolvido para atuar ainda na fase de germinação das plantas daninhas.

    O produto funciona como pré-emergente. Ou seja, ao absorver água no solo, a planta daninha também absorve o produto, o que permite o controle ainda no início do desenvolvimento, antes que a competição com a cultura principal se intensifique.

    Doenças e insetos pressionam a produtividade

    Ao mesmo tempo, as doenças continuam representando um dos maiores riscos à produção agrícola. Entre elas, a ferrugem asiática da soja segue como uma das mais temidas pelos produtores.

    De acordo com especialistas, quando o manejo não é realizado de forma adequada, as perdas podem chegar a 90% da produção.

    Além da ferrugem, outras doenças aparecem em diferentes fases do ciclo da cultura. No início da safra, por exemplo, são comuns problemas como mancha parda, oídio, cercosporiose, crestamento bacteriano e fitóftora.

    Já durante o meio do ciclo surgem doenças como míldio, antracnose, mancha-alvo e mofo branco. No fim do desenvolvimento da lavoura, por sua vez, podem aparecer novamente mancha parda, cercospora, crestamento e ferrugem.

    Nesse contexto, o uso de fungicidas com diferentes mecanismos de ação torna-se uma estratégia importante para garantir eficiência no controle e reduzir o risco de resistência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Tecnologia e inovação no campo

    Outro desafio recorrente nas lavouras brasileiras é o ataque de insetos, especialmente percevejos. Esses insetos podem comprometer diretamente o desenvolvimento das plantas e reduzir a produtividade final.

    Segundo dados apresentados pela empresa, testes realizados em campo indicaram que o inseticida Zeus alcançou até 95% de eficácia no controle do percevejo-marrom em lavouras de soja.

    Além disso, o portfólio da companhia inclui o inseticida Terminus, desenvolvido para o controle de diferentes espécies de percevejos, como o percevejo-marrom e o percevejo barriga-verde.

    A empresa, que possui 62 anos de atuação e sede em Sorocaba, no interior de São Paulo, destaca ainda sua forte ligação com a pesquisa agrícola japonesa. Atualmente, cerca de 60% das novas moléculas que chegam à agricultura brasileira têm origem em empresas japonesas.

    Segundo Socolovski, esse perfil inovador deve resultar em uma nova geração de tecnologias para o campo.

    “Nos próximos anos, a companhia tem potencial para lançar cerca de 240 novos produtos, entre herbicidas, fungicidas e inseticidas”, afirma.

    Por fim, os especialistas reforçam que a agricultura moderna exige cada vez mais conhecimento técnico e planejamento estratégico. A natureza é dinâmica, novas pragas surgem e a resistência a moléculas já conhecidas avança.

    Por isso, o produtor que antecipa decisões e investe em tecnologia tende a proteger melhor sua lavoura e garantir maior estabilidade produtiva nas próximas safras.

  • Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    A Ihara apresentou suas principais apostas em inovação, novos produtos e estratégias para ampliar a produtividade agrícola no Brasil durante a 38ª edição da Show Rural Coopavel, realizada de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR). Em coletiva de imprensa no evento, o gerente distrital e comercial da empresa, Rafael Scapini, detalhou tendências de mercado, desafios do manejo e os próximos lançamentos previstos no portfólio da companhia.

    Inovação japonesa aplicada ao campo brasileiro

    Reconhecida como uma das principais plataformas de inovação agrícola do Japão no Brasil, a Ihara atua com acionistas majoritariamente ligados ao fornecimento de moléculas. Esse modelo permite que soluções desenvolvidas no maior polo de pesquisa agrícola do mundo cheguem ao campo brasileiro de forma direcionada às necessidades do produtor.

    Rafael Scapini, gerente distrital e comercial da Ihara – Foto: Pedro H, Lopes

    Além disso, a empresa mantém o foco em transformar tecnologia em resultado prático na lavoura. O objetivo, segundo Scapini, é garantir que a inovação chegue até o produto final, com impacto direto na produtividade e na rentabilidade.

    Crescimento do portfólio e novos lançamentos

    O avanço da Ihara no País ocorre de forma consistente. Em 2017, a empresa registrou seu maior crescimento histórico, com o lançamento de 15 produtos em um único ano. Já em 2025, o portfólio alcançou 79 produtos disponíveis, atendendo todas as culturas e segmentos do agronegócio.

    Atualmente, a companhia avalia e desenvolve 22 moléculas, com potencial para originar até 240 novos produtos. Além disso, quatro soluções — dois fungicidas e dois inseticidas — avançam para a fase final de desenvolvimento. “Tem muita coisa nova para vir por aí”, afirmou Scapini.

    Entre os produtos que devem chegar em breve ao agricultor estão o Fusão Fix, fungicida voltado à cultura da soja; o Alecto, inseticida com molécula inédita para o controle de lagartas; e o Olympo, mistura tripla para soja, com ação contra lagartas, percevejos e outras pragas.

    Recentemente, a Ihara também lançou o SEIV, fungicida desenvolvido com tecnologia própria para o controle da mancha-alvo. Segundo a empresa, o produto permite máximo controle da doença e pode elevar a produtividade em até quatro sacas por hectare.

    Custos de produção e busca por eficiência

    De acordo com Scapini, o produtor rural tem ampliado o investimento em tecnologia como resposta às margens cada vez mais apertadas. Atualmente, cerca de 20% dos recursos vão para fungicidas, 25% para inseticidas, 20% para herbicidas e 7% para tratamento de sementes, além de outros custos de manejo.

    No custo total de produção, os fertilizantes representam aproximadamente 25%, enquanto os defensivos somam 15% e as sementes ficam entre 7% e 8%. Para alcançar o ponto de equilíbrio, o produtor precisa colher cerca de 55 sacas de soja por hectare ao adotar um pacote tecnológico completo.

    Nesse contexto, o investimento em manejo adequado deixou de ser opção e passou a ser necessidade. “Novos patamares de produtividade exigem capricho e planejamento”, destacou o gerente.

    Manejo de plantas daninhas e resistência

    O manejo de plantas daninhas se consolidou como um dos maiores desafios da agricultura moderna. A resistência ao glifosato acelerou o uso de herbicidas pré-emergentes, especialmente no Sul do País. Espécies como caruru, buva e capim-pé-de-galinha ganharam espaço com as condições climáticas favoráveis.

    Diante desse cenário, o herbicida Yamato SC ganhou importância no manejo da resistência. O produto oferece maior período de controle, alta seletividade e segurança para o agricultor iniciar a lavoura no limpo.

    Enquanto isso, a evolução genética também transformou o campo. Se antes uma mesma genética atendia grandes regiões, hoje a escolha ocorre por propriedade. Assim, o produtor alia genética, seletividade e tecnologia para alcançar maior eficiência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças e controle de pragas

    Entre as doenças da soja, a ferrugem asiática segue como a principal preocupação. Dados da Aprosoja indicam que a doença pode comprometer até 90% da produção. Na última safra, o Brasil registrou mais de 240 focos, o maior número já observado.

    Para enfrentar esse desafio, a Ihara destaca os fungicidas Sugoy e Fusão. O Sugoy reúne uma mistura tripla com ação contra ferrugem, mancha-alvo, antracnose e outras doenças. Dessa forma, o produtor não precisa adicionar outros produtos ao manejo. Já o Fusão combina alta performance com baixo investimento, o que o torna indispensável na rotina do campo.

    No controle de insetos, o Zeus se consolidou como referência no manejo de percevejos. Segundo dados apresentados, apenas um percevejo por metro quadrado pode gerar prejuízos superiores a R$ 11 mil em uma área de 100 hectares. “Não é promessa, é resultado de campo”, reforçou Scapini.

    Com foco em inovação contínua, tecnologia japonesa e soluções adaptadas à realidade brasileira, a Ihara projeta um novo ciclo de crescimento no País. A estratégia prioriza eficiência no manejo, controle preciso de pragas e doenças e aumento da rentabilidade. “É o detalhe que faz a diferença dentro do manejo produtivo”, concluiu o gerente.

  • Show Rural Coopavel abre calendário nacional do agronegócio

    Show Rural Coopavel abre calendário nacional do agronegócio

    A 38ª edição do Show Rural Coopavel começou nesta segunda-feira (9), em Cascavel, no Oeste do Paraná, e segue até sexta-feira (13), consolidando-se mais uma vez como uma das principais vitrines de inovação do agronegócio brasileiro. A expectativa da organização é movimentar R$ 6 bilhões em negócios, volume 14% inferior ao recorde de R$ 7 bilhões registrado na edição anterior, reflexo de um cenário mais cauteloso no campo, especialmente com a queda nos preços da soja e de outros grãos.

    Promovido pela Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel), o evento abre o calendário nacional das grandes feiras agropecuárias e deve receber entre 350 mil e 400 mil visitantes ao longo dos cinco dias, reunindo produtores rurais, cooperativas, empresas, pesquisadores, estudantes e representantes do poder público.

    Cenário conservador, mas com otimismo no setor

    Segundo o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, a projeção mais conservadora leva em conta a capacidade atual de investimento do produtor rural. “Há um otimismo na cadeia produtiva, tendo em vista que crescemos mais do que os outros setores econômicos do país. Mas temos esse norte conservador porque o dinheiro do produtor para investimentos vem dessa produção”, afirmou.

    Ratinho Jr, governador do Paraná e Dilvo Grolli, presidente da Coopavel – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Ainda assim, Grolli não descarta a possibilidade de o volume de negócios superar as estimativas iniciais. Para ele, o próprio perfil da feira cria um ambiente favorável. “As empresas do setor apostam no crescimento do agronegócio e entendem que a tomada de decisão do produtor rural é baseada em resultado. A produtividade vem aumentando em torno de 3% ao ano nas lavouras, muito em função da aquisição de tecnologia e inovação. Não dá para ficar com o freio de mão puxado”, analisou.

    Estrutura robusta e lançamentos tecnológicos

    Com mais de 600 expositores nacionais e internacionais, o Show Rural 2026 chama a atenção pelo porte dos estandes e pelo volume de lançamentos. Há novas variedades de grãos, soluções digitais, máquinas agrícolas e equipamentos voltados a diferentes perfis de propriedades rurais.

    “Chama a atenção o investimento robusto das empresas, tanto nos produtos e serviços quanto na estrutura para receber os produtores, com estandes que ultrapassam 4 mil metros quadrados”, destacou Grolli. Aproximadamente 5,7 mil profissionais atuam direta ou indiretamente nas etapas de planejamento e execução do evento.

    Fé, tradição e abertura oficial

    Antes mesmo da abertura oficial para negócios, o Show Rural teve início simbólico no domingo (8), com uma missa celebrada às 11h, que reuniu centenas de pessoas. A celebração foi conduzida pelo arcebispo de Cascavel, Dom José Mário Angonese, com a participação do padre Marcelo Dalmagro, do diácono Pedro Guerra e do arcebispo emérito Dom Adelar Baruffi, em um momento de fé, reflexão e gratidão.

    Na manhã desta segunda-feira, o ato inaugural contou com a presença do governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), acompanhado do vice-governador Darci Piana e de secretários de Estado. Eles foram recepcionados pelo presidente da Coopavel.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Em entrevista coletiva, Ratinho Junior destacou investimentos históricos do Estado no meio rural. “Realizamos a maior compra de maquinários para os municípios do Paraná, com mais de 2 mil máquinas para atender as estradas rurais. São 389 estradas rurais com convênios assinados, mais de 3 mil quilômetros e um investimento que passa de R$ 3 bilhões. É o maior programa de pavimentação de estradas rurais do mundo”, afirmou.

    O governador também ressaltou o papel do agronegócio na economia estadual. “Nosso PIB está na marca de R$ 800 bilhões, ou seja, vamos entregar o mandato com o PIB dobrado. O Paraná se transformou no supermercado do mundo, exportando para mais de 180 países. Somos o segundo maior produtor de grãos do Brasil e líderes em proteína animal, o que gera emprego, renda e fortalece a economia”, completou.

    Tradição, crescimento e futuro do agro

    Criado em 1989, quando reuniu apenas 15 empresas e recebeu 110 visitantes, o Show Rural Coopavel se transformou em referência nacional na difusão de tecnologias e no fortalecimento do setor agropecuário. Em 2025, a feira atraiu mais de 407 mil visitantes e movimentou R$ 7 bilhões.

    Nesta edição, o evento traz como tema “A força que vem de dentro”, destacando a resiliência do produtor rural diante dos desafios do campo. Entre os destaques está o Show Rural Digital, realizado desde 2019 como polo de inovação, com cerca de 60 apresentações e dezenas de expositores voltados à transformação tecnológica do agro.