Tag: agricultura brasileira

  • Colheita de amendoim ganha versão virtual no Farming Simulator

    Colheita de amendoim ganha versão virtual no Farming Simulator

    A colheita mecanizada do amendoim ganhou espaço nos videogames. A partir de 28 de agosto, quatro equipamentos da Indústrias Colombo poderão integrar o Farming Simulator 25, dentro do Cerrado Edition, novo mapa desenvolvido pela brasileira Connect Modding. Com a novidade, os jogadores poderão acompanhar diferentes etapas da produção da cultura, incluindo arranquio, colheita e transporte.

    Pela primeira vez, o Farming Simulator terá equipamentos voltados especificamente à cultura do amendoim. A MIAC, marca da Indústrias Colombo especializada em soluções para a mecanização agrícola, fornece as máquinas reproduzidas no game.

    Além disso, o conteúdo chegará gratuitamente como mod para quem já possui o Farming Simulator 25. O jogo está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Já a plataforma oficial de mods do game disponibilizará o download do novo conteúdo.

    Máquinas reproduzem operações do campo

    A experiência reúne quatro equipamentos utilizados na mecanização da colheita do amendoim: o Arrancador C600, as colhedoras Twin Master Peanut Combine e Avanti e o transbordo CTA 6500.

    No game, os jogadores poderão utilizar as máquinas em diferentes momentos da operação. Primeiro, o processo começa com o arranquio das plantas. Depois, segue para a colheita e, por fim, chega ao transporte da produção.

    A reprodução digital das máquinas leva para o ambiente do jogo características de equipamentos que já fazem parte das operações agrícolas. Assim, o jogador consegue conhecer, de forma interativa, uma sequência de atividades que exige planejamento, máquinas específicas e integração entre diferentes etapas.

    Para Neto Colombo, COO da Indústrias Colombo, a presença dos equipamentos no jogo também ajuda a mostrar a tecnologia envolvida na produção agrícola.

    “O amendoim faz parte da história e da expertise da Colombo. Há 53 anos, desenvolvemos tecnologias para tornar sua colheita cada vez mais eficiente e levar as nossas soluções para dentro do Farming Simulator nos permite transformar uma operação que acontece todos os dias no campo em uma experiência que pode ser vivenciada por milhões de pessoas.”

    A empresa atua há 53 anos no desenvolvimento de máquinas e implementos agrícolas. Além disso, a cultura do amendoim está entre as áreas de especialização da companhia.

    Amendoim ganha espaço no game

    A Connect Modding, empresa brasileira e embaixadora do Farming Simulator no país, desenvolveu o Cerrado Edition. O novo mapa busca representar características da agricultura brasileira e amplia as possibilidades para os jogadores conhecerem culturas e operações presentes no campo nacional.

    Nesse contexto, a inclusão do amendoim também ajuda a apresentar uma cadeia produtiva que vai além das principais commodities agrícolas conhecidas pelo público em geral. A cultura está presente em diferentes regiões produtoras do Brasil e também possui relevância internacional.

    O amendoim é cultivado em mais de 100 países, entre eles China, Índia, Estados Unidos e Argentina. Com o novo conteúdo, os jogadores poderão explorar características da produção da cultura dentro do game.

    A franquia Farming Simulator já ultrapassou 40 milhões de cópias vendidas e reúne jogadores em diferentes países. Além disso, o game conta com mais de 150 fabricantes de equipamentos agrícolas representados em suas experiências.

    Tecnologia aproxima novas gerações do agro

    A presença das máquinas de amendoim no jogo também cria uma oportunidade para aproximar o agronegócio de um público que nem sempre tem contato direto com uma propriedade rural.

    Para muitos jogadores, o ambiente do game pode representar um primeiro contato com culturas agrícolas, máquinas e operações realizadas no campo. Dessa forma, a simulação permite conhecer as funções dos equipamentos e compreender a sequência de atividades necessárias para transformar uma lavoura em produção colhida e transportada.

    Joel Backes, diretor comercial e de marketing da Indústrias Colombo, considera que a participação no Cerrado Edition amplia o alcance da tecnologia desenvolvida pela empresa no Brasil.

    “Estar no Farming Simulator vai além da presença da marca em um game. É levar a tecnologia brasileira para uma plataforma global, conectando a Colombo a milhões de pessoas de diferentes países e gerações, fortalecendo nossa internacionalização e mostrando a capacidade da indústria brasileira de desenvolver soluções para o agronegócio mundial.”

    Ao mesmo tempo, a aproximação com os mais jovens também aparece como parte da estratégia. Ao reproduzir operações agrícolas em um ambiente familiar para esse público, o setor consegue apresentar conceitos de mecanização, produção e tecnologia de maneira mais acessível.

    “Quando um jovem entra no jogo, conhece uma cultura, entende uma operação e começa a perceber toda a tecnologia envolvida naquele processo, estamos ajudando a aproximar uma nova geração do agronegócio”, afirma Backes.

    Indústria brasileira amplia presença internacional

    A Indústrias Colombo possui unidades industriais em Pindorama e Catanduva, no interior de São Paulo. Além disso, o grupo mantém filiais internacionais em Adel, na Geórgia, nos Estados Unidos, e em Río Cuarto, na província de Córdoba, na Argentina.

    A companhia desenvolve máquinas para a colheita mecanizada de grãos, vagens e sementes por meio da MIAC. Também atua na produção de peças e componentes de transmissão agrícola pela AEMCO.

    Segundo a empresa, seus produtos estão presentes em mais de 60 países. Agora, parte dessa tecnologia também chega ao Farming Simulator 25, ampliando o contato do público internacional com soluções brasileiras para a mecanização do amendoim.

  • Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, mas seus efeitos sobre a agricultura não serão iguais em todo o mundo. Enquanto o fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de grãos no Brasil, os Estados Unidos tendem a encontrar condições mais favoráveis para a próxima temporada agrícola.

    A diferença está no comportamento das chuvas provocado pelo fenômeno em cada região. No Brasil, áreas importantes para a produção de soja e milho podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar condições mais úmidas.

    Já nos Estados Unidos, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas em parte do território, principalmente no Sul, o que pode melhorar a disponibilidade de água para a temporada seguinte.

    El Niño deve ficar mais forte no fim de 2026

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenômeno continue se fortalecendo ao longo de 2026.

    El Niño é causado pelo aquecimento acima da média das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. Mapa mostra o padrão de temperatura direcionado pelo fenômeno climático (Foto: NOAA/Via MetSul)

    Na atualização mais recente, a agência apontou 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A NOAA também estimou em 97% a possibilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

    A intensidade do El Niño, porém, não significa que todos os países enfrentarão os mesmos efeitos. O impacto depende da região, da época do ano e das condições climáticas locais.

    Brasil pode enfrentar maior risco para soja e milho

    O cenário preocupa o agronegócio brasileiro porque a intensificação do fenômeno ocorre justamente em um período importante para a safra 2026/27.

    No Cerrado, Centro-Oeste, regiões produtoras do Norte e na Amazônia, o El Niño tende a favorecer condições mais secas. Esse cenário pode reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar o risco de períodos de estiagem.

    O problema é especialmente relevante para culturas como soja e milho, que dependem de uma distribuição adequada das chuvas durante diferentes fases do ciclo.

    No Sul do país, o comportamento tende a ser diferente. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar condições mais úmidas associadas ao fenômeno.

    Isso, porém, não significa que todo o Sul terá uma safra melhor. O excesso de chuva também pode prejudicar o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

    Pesquisador estima perda de até 10% na safra brasileira

    O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa e da FGV Agro, avalia que um El Niño muito forte pode provocar perdas relevantes na produção brasileira.

    Segundo Assad, o cenário pode resultar em uma redução estimada de até 10% na produção de soja e milho do Brasil.

    A projeção, entretanto, deve ser interpretada como uma estimativa de risco, e não como uma previsão oficial de quebra da safra 2026/27.

    O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das temperaturas observadas em cada região produtora.

    Por que os EUA podem ser favorecidos pelo El Niño?

    Nos Estados Unidos, o cenário tende a ser diferente.

    O período de maior influência do El Niño costuma ocorrer entre setembro e março. Para boa parte das culturas norte-americanas, essa época coincide com a entressafra ou com um período de menor atividade agrícola.

    Além disso, o fenômeno costuma aumentar a umidade em áreas do Sul dos Estados Unidos, desde a Califórnia até as Planícies Centro-Sul e o Sudeste.

    A maior quantidade de chuva pode reduzir o risco de seca e melhorar os níveis de água em rios, reservatórios e outras fontes utilizadas na agricultura.

    Dessa forma, o El Niño pode deixar os Estados Unidos em uma posição mais favorável para a próxima temporada de cultivo.

    Efeito do El Niño muda de acordo com o país

    Os impactos sobre a agricultura também podem ser diferentes em outras partes do mundo.

    Na América Central, países como Guatemala, Panamá, El Salvador e Costa Rica podem enfrentar condições menos favoráveis para culturas como milho e arroz.

    Na América do Sul, Paraguai e Uruguai podem encontrar condições mais favoráveis em determinadas áreas. Já Peru, Equador e parte da Colômbia podem registrar períodos de chuva acima do normal.

    Na África, o fenômeno tende a reduzir as precipitações em algumas regiões.

    Na Austrália, por outro lado, a irregularidade das chuvas pode prejudicar as pastagens e aumentar o risco de veranicos e estiagens.

    “Neste momento, os impactos mais imediatos do El Niño provavelmente estão sendo sentidos na Indonésia, Filipinas, América Central, parte da África e Índia, onde a chuva tem estado abaixo do normal nos últimos um ou dois meses. Também notamos um aumento nas chuvas em partes do Chile. Todos esses impactos são condizentes com as condições do El Niño”, afirma a cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux.

  • Congresso Andav reúne dados inéditos da distribuição de insumos

    Congresso Andav reúne dados inéditos da distribuição de insumos

    A 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição Andav será apresentada no 15º Congresso Andav. O evento ocorre de 11 a 13 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. A divulgação do estudo está marcada para o dia 13, às 14h15.

    O levantamento acompanha o mercado brasileiro de distribuição de insumos agropecuários. Além disso, reúne indicadores sobre o desempenho econômico e financeiro das empresas. A pesquisa também analisa crédito, investimentos, estoques, infraestrutura e tendências do setor.

    A Andav desenvolve o estudo em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). O levantamento reúne informações de pequenas, médias e grandes empresas associadas. Assim, os dados ajudam a mostrar a realidade da distribuição de insumos em diferentes regiões do país.

    Entre os indicadores avaliados estão faturamento, desempenho financeiro e modalidades de crédito. A pesquisa também considera estoques, investimentos e infraestrutura. Além disso, analisa o perfil dos colaboradores, a participação feminina e os planos de expansão das empresas.

    O estudo ainda acompanha os níveis de satisfação dos clientes e as tendências do mercado. Dessa maneira, a pesquisa oferece uma visão ampla sobre os caminhos da distribuição de insumos agropecuários no Brasil.

    Pesquisa mostra evolução do setor

    A edição divulgada no ano passado apresentou dados importantes sobre o desempenho das empresas associadas à Andav. Na ocasião, o levantamento apontou crescimento de 10,6% na receita.

    As empresas alcançaram R$ 167 bilhões em faturamento em 2024. O resultado ocorreu em um cenário de restrições de crédito. Além disso, parte do setor enfrentou processos de recuperação judicial.

    O segmento de insumos respondeu por R$ 104 bilhões desse total. Já a comercialização de grãos movimentou R$ 36 bilhões. Por sua vez, máquinas, serviços e outros negócios representaram R$ 27 bilhões.

    O estudo também identificou avanços na infraestrutura da distribuição. Ao mesmo tempo, aumentaram as perspectivas de expansão das empresas.

    Agora, a nova edição da Pesquisa Nacional da Distribuição Andav deve atualizar esse cenário. Com isso, o levantamento poderá mostrar as mudanças registradas pelo setor desde a última edição.

    Para Roberta Alves, gerente de Atendimento e Educação da Andav, a participação dos associados amplia a representatividade da pesquisa.

    “A participação dos associados da Andav na pesquisa reflete a nossa imensa capilaridade e diversidade. Ao reunirmos a visão e os dados de pequenas, médias e grandes empresas, revelamos a verdadeira dimensão da Distribuição de Insumos Agropecuários. Somos o elo que conecta a indústria de insumos ao produtor rural, garantindo o avanço contínuo de todo o agronegócio.”

    Indicadores ajudam nas decisões

    A Pesquisa Nacional da Distribuição ganhou importância ao longo da última década. Nesse período, o levantamento passou a apoiar o acompanhamento da evolução do setor.

    Os dados também ajudam as empresas a tomar decisões. Além disso, permitem identificar riscos e oportunidades no mercado.

    Por outro lado, os indicadores fortalecem o diálogo com autoridades. Eles ainda ajudam a destacar a importância da distribuição na cadeia do agronegócio.

    A Andav conta com a condução do Cepea/Esalq-USP para realizar o levantamento. A instituição responde pela coleta e pelo tratamento das informações.

    Segundo a Andav, a parceria garante uma base de dados para analisar o mercado. Além disso, fortalece as ações da entidade em defesa do setor.

    Os resultados também contribuem para o diálogo com órgãos reguladores. Dessa forma, a pesquisa amplia a representatividade dos distribuidores nas discussões sobre o setor.

    Para Mateus Elias, gerente de Inteligência de Mercado da Andav, o levantamento apoia decisões estratégicas em um mercado dinâmico.

    “A Pesquisa Nacional da Distribuição Andav é uma ferramenta estratégica para compreender a evolução da Distribuição de Insumos Agropecuários no Brasil. Ao consolidar informações de mercado, desempenho financeiro, estoques e tendências regionais, a pesquisa fortalece e gera indicadores confiáveis para todo o segmento. Atualmente, em um cenário desafiador, os dados contribuem para que distribuidores tomem decisões mais assertivas, identifiquem riscos e oportunidades e aprimorem seu planejamento estratégico, fortalecendo a sustentabilidade e a competitividade do setor”, explica.

    Congresso Andav discute futuro do agro

    A apresentação da pesquisa integra a programação do 15º Congresso Andav. O evento terá como tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”.

    Ao longo de três dias, lideranças do agronegócio, economistas, executivos, pesquisadores e especialistas participarão dos debates. A programação abordará fatores que influenciam a competitividade do setor.

    Entre os assuntos estão economia, geopolítica e crédito. O evento também terá discussões sobre mercado financeiro, reforma tributária e inteligência de mercado.

    Além disso, a programação inclui temas como bioenergia, inovação e distribuição de insumos. A gestão empresarial também estará entre os assuntos tratados durante o congresso.

    O evento contará com quatro pavilhões e mais de 24 mil metros quadrados de área de exposição. Centenas de empresas, instituições e especialistas participarão da programação.

    Nesse ambiente, o congresso busca promover conhecimento, relacionamento e oportunidades de negócios. A pesquisa, por sua vez, acrescenta dados para a análise do mercado de distribuição de insumos.

    A 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição Andav será apresentada no dia 13 de agosto, às 14h15. Portanto, o levantamento será um dos destaques da programação do último dia do evento.

    A expectativa é que os novos indicadores ajudem a compreender o momento atual da distribuição de insumos agropecuários. Além disso, os dados poderão apontar tendências e perspectivas para o setor no Brasil.

    Serviço

    15º Congresso Andav

    Data: 11 a 13 de agosto de 2026
    Horário da plenária: Dias 11 e 12, das 10h às 16h45; dia 13, das 10h às 16h
    Apresentação da 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição Andav: 13 de agosto, às 14h15
    Horário da exposição: Dias 11 e 12, das 9h às 21h; dia 13, das 9h às 18h
    Local: Transamerica Expo Center
    Endereço: Avenida Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, Santo Amaro, São Paulo (SP) – entrada pelo Pavilhão G
    Outras informações: eventosandav.com.br

  • El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    O El Niño pode favorecer a produção agrícola brasileira nos próximos meses, mas seus efeitos positivos sobre as lavouras não devem representar, necessariamente, maior rentabilidade para o produtor rural. A expectativa é de aumento na oferta de grãos e café, cenário que tende a pressionar os preços das commodities e elevar os custos de armazenagem.

    A análise faz parte de um estudo divulgado pela Allianz Trade, que avaliou os impactos do fenômeno climático sobre a agricultura da América Latina, com destaque para Brasil e Argentina. Segundo a empresa, episódios anteriores mostram que o fenômeno costuma criar condições favoráveis para importantes culturas agrícolas, principalmente nas regiões produtoras do Sul do continente.

    Produção pode crescer, mas preços tendem a cair

    Os dados reunidos pela Allianz Trade indicam que, durante eventos anteriores de El Niño, a produção de soja no Brasil chegou a ficar até 4% acima da tendência observada nos cinco anos anteriores. No caso do café arábica, o avanço foi de até 5% em relação à média histórica.

    Embora o aumento da produtividade seja visto como um fator positivo para o agronegócio, ele também pode gerar um efeito contrário sobre a renda dos produtores. Com mais produtos disponíveis no mercado, a tendência é que os preços internacionais das commodities agrícolas recuem, reduzindo as margens de lucro ao longo da comercialização da safra.

    Além disso, uma colheita mais volumosa exige maior capacidade de armazenagem. O estudo destaca que esse cenário pode elevar significativamente os custos logísticos para produtores e tradings, especialmente em períodos de maior concentração da oferta.

    Impactos variam conforme a região do Brasil

    Os efeitos do El Niño não devem ocorrer de forma uniforme em todo o país. De acordo com a Allianz Trade, as regiões Sul e parte do Centro-Sul tendem a registrar aumento das chuvas, favorecendo o desenvolvimento de culturas como soja, milho e café.

    Já o Norte do Brasil e a região amazônica podem enfrentar condições mais secas. Esse cenário amplia os riscos para a produção de alimentos, dificulta a logística em algumas áreas e pode afetar até a geração de energia elétrica.

    Segundo o levantamento, essa assimetria coloca Brasil, Colômbia e Peru entre os países latino-americanos mais vulneráveis a impactos inflacionários provocados pelas alterações climáticas associadas ao fenômeno.

    Efeitos também podem alcançar o mercado internacional

    No cenário global, a expectativa é que o aumento da oferta de soja e milho produzido na América Latina contribua para aliviar parte das pressões sobre os preços mundiais dos alimentos.

    Ao mesmo tempo, outras regiões produtoras continuam enfrentando condições climáticas adversas. O estudo cita que países do Leste Asiático e da África Ocidental permanecem sob risco de seca, situação que pode comprometer culturas estratégicas, como cacau, óleo de palma e arroz.

    Exportadores podem sair fortalecidos

    A Allianz Trade avalia que exportadores agrícolas brasileiros poderão se beneficiar do maior volume de produção, fortalecendo suas operações e ampliando a capacidade de acesso ao crédito.

    Por outro lado, empresas ligadas ao processamento de alimentos e intermediários do mercado de commodities podem enfrentar um ambiente mais desafiador. A combinação entre excesso de oferta e queda nas cotações internacionais tende a aumentar a pressão sobre as margens financeiras do setor.

    Na avaliação da seguradora, o El Niño reforça que uma safra recorde nem sempre significa maior lucro para o agronegócio. Apesar do potencial de elevar a produtividade em diversas culturas, fatores como preços internacionais, custos de armazenagem e dinâmica do mercado continuarão sendo determinantes para o resultado financeiro dos produtores brasileiros.

  • Morre Ademerval Garcia, ex-presidente do Fundecitrus

    Morre Ademerval Garcia, ex-presidente do Fundecitrus

    Faleceu nesta terça-feira (7), o pesquisador e ex-presidente do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), Ademerval Garcia. A entidade confirmou a informação e destacou a importância do pesquisador para o fortalecimento da citricultura brasileira.

    Em nota, o Fundecitrus prestou solidariedade aos familiares e amigos de Garcia. Além disso, ressaltou sua trajetória marcada pela liderança, pelo incentivo à pesquisa e pelas contribuições que ajudaram a transformar a instituição em uma referência internacional.

    “O Fundecitrus manifesta solidariedade aos familiares e amigos de Ademerval Garcia e presta homenagem à sua visão, liderança e contribuição para a história da instituição e da citricultura brasileira. Seu legado permanece vivo na ciência produzida, no conhecimento compartilhado e nos avanços que continuam fortalecendo o setor.”

    Ademerval Garcia impulsionou a pesquisa na citricultura

    Ademerval Garcia presidiu o Fundecitrus entre 1994 e 2004. Durante sua gestão, criou o Departamento Científico da instituição, iniciativa que ampliou os investimentos em pesquisa e fortaleceu a produção de conhecimento voltada ao setor citrícola.

    Nesse período, Garcia também trabalhou em parceria com o pesquisador francês Joseph Marie Bové. Juntos, contribuíram para importantes estudos voltados à citricultura.

    Segundo o Fundecitrus, essas ações fortaleceram a cooperação com centros de pesquisa brasileiros e internacionais. Como resultado, a instituição conquistou reconhecimento científico em âmbito mundial.

    Sequenciamento da Xylella marcou a história da instituição

    O principal marco dessa trajetória ocorreu em 2000. Naquele ano, pesquisadores do Fundecitrus concluíram o sequenciamento genético da Xylella fastidiosa.

    O feito representou a primeira decodificação do genoma de um fitopatógeno registrada até então. Além disso, colocou a ciência brasileira em destaque internacional e consolidou o Fundecitrus como uma das principais referências mundiais em pesquisa sobre sanidade vegetal.

  • El Niño desestimula plantio e pode derrubar safras brasileiras

    El Niño desestimula plantio e pode derrubar safras brasileiras

    A safra brasileira de trigo em 2026 deve registrar forte retração. Além dos preços baixos do trigo, o aumento dos custos de produção e a previsão de um ano marcado pelo El Niño reduziram o interesse dos produtores pelo cultivo.

    Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada de trigo deve cair 13,4% em relação ao ano passado, totalizando 2,117 milhões de hectares.

    Já a consultoria Safras & Mercado projeta uma redução ainda maior. Nesse cenário, a área cultivada com trigo pode encolher 17%, passando de 2,3 milhões para 1,9 milhão de hectares. Como consequência, a produção de trigo no Brasil poderá recuar quase 27%, refletindo o impacto do El Niño, dos custos elevados e da menor rentabilidade para os produtores.

    El Niño aumenta preocupação no campo

    Além dos fatores econômicos, o clima pesa na decisão dos produtores.

    Segundo especialistas, o El Niño deve provocar temperaturas e chuvas acima da média na Região Sul. Dessa forma, aumentam os riscos de perdas durante o desenvolvimento da lavoura e, principalmente, na colheita.

    O excesso de umidade também pode reduzir a qualidade dos grãos e dificultar os trabalhos no campo.

    Rio Grande do Sul deve registrar maior queda

    O Rio Grande do Sul, principal produtor de trigo do país, deverá apresentar a maior redução de área.

    A Emater-RS estima o plantio de 814 mil hectares em 2026. O número representa uma queda de cerca de 30% em comparação com a safra anterior e corresponde à menor área cultivada desde 2019.

    Além das previsões climáticas, muitos agricultores ainda enfrentam dificuldades financeiras após sucessivas perdas provocadas por eventos climáticos nos últimos anos.

    Produtores reduzem investimentos

    Em Ciríaco (RS), o produtor João Carlos Bilibio decidiu diminuir significativamente o plantio.

    No ano passado, ele cultivou 140 hectares de trigo. Agora, pretende semear apenas 25 hectares.

    Segundo o agricultor, os custos seguem elevados. Além disso, os preços continuam baixos e as dificuldades para contratar seguro rural também desestimulam novos investimentos.

    Rentabilidade perde espaço para outras culturas

    O aumento dos custos dos fertilizantes e a queda dos preços reduziram a competitividade do trigo.

    Por isso, muitos produtores passaram a investir em culturas consideradas mais rentáveis e menos arriscadas.

    Em Santa Bárbara do Sul (RS), por exemplo, o produtor Tales Pezzini decidiu não plantar trigo nesta safra. Segundo ele, o custo de produção supera a receita esperada, tornando o cultivo economicamente inviável.

    Paraná também prevê redução da área

    No Paraná, a expectativa é semelhante.

    De acordo com a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Estado deve plantar cerca de 722 mil hectares. O volume representa uma redução de aproximadamente 12% em relação ao ciclo anterior.

    Além disso, muitos produtores passaram a ampliar o cultivo de cevada, considerada uma alternativa mais segura diante das condições climáticas previstas para este ano.

  • Cooperativas agrícolas quase dobram participação no PIB do agronegócio

    Cooperativas agrícolas quase dobram participação no PIB do agronegócio

    As cooperativas agrícolas ampliaram significativamente sua importância na economia do campo. Um levantamento da L.E.K. Consulting mostra que a participação dessas organizações no PIB do agronegócio brasileiro passou de 8,1% em 2019 para 15,4% em 2024, crescimento de aproximadamente 90% em cinco anos.

    O avanço ocorreu em meio a um cenário de queda nos preços de commodities, aumento da inadimplência rural e dificuldades financeiras enfrentadas por parte das revendas de insumos, reforçando o papel das cooperativas como fonte de crédito, assistência técnica e comercialização para os produtores.

    O que impulsionou o crescimento das cooperativas

    Segundo Eric Emiliano, sócio da L.E.K. Consulting responsável pelos setores de agronegócio e alimentos, o movimento reflete mudanças profundas no financiamento do campo.

    “O Plano Safra vem perdendo representatividade ao longo dos anos, principalmente entre os grandes produtores. Durante muito tempo a cadeia financiou o agro por meio de barter e crédito comercial. Nos últimos anos, esse modelo sofreu um choque importante com o aumento da inadimplência.”

    A mudança ocorreu justamente quando parte das empresas privadas do setor enfrentou dificuldades para manter a oferta de crédito aos produtores.

    Crise das revendas abriu espaço para cooperativas

    A retração dos preços da soja e do milho aumentou a pressão financeira sobre distribuidoras de insumos.

    Empresas como AgroGalaxy, Lavoro e Belagrícola entraram em processos de recuperação judicial ou extrajudicial, enquanto as cooperativas seguiram ampliando sua presença no mercado.

    Segundo Bruno Brandi, senior manager da consultoria, muitas revendas assumiram um papel semelhante ao de instituições financeiras.

    “Em muitos casos as revendas estavam funcionando como bancos. Elas financiavam o produtor por meio de barter e prazos estendidos. Quando a inadimplência aumentou, esse modelo mostrou suas limitações.”

    O estudo aponta que a inadimplência do crédito ligado ao agronegócio, historicamente próxima de 3%, atualmente se aproxima de 15%, superando os níveis registrados durante a crise de 2016 e 2017.

    Para Eric Emiliano, duas safras consecutivas com custos elevados e menor rentabilidade comprometeram a capacidade de pagamento dos produtores, pressionando toda a cadeia.

    Cooperativas oferecem um ecossistema completo

    Com maior solidez financeira, as cooperativas ampliaram sua atuação e passaram a oferecer um conjunto mais amplo de serviços aos produtores. Além do crédito, elas atuam com assistência técnica, operações de barter, armazenagem da produção, compra de insumos e comercialização dos grãos.

    Segundo Bruno Brandi, esse modelo integrado fortalece o relacionamento com os cooperados, reduz o risco de inadimplência e aumenta a eficiência ao reunir diferentes etapas da cadeia produtiva.

    Industrialização e biocombustíveis lideram nova fase

    O levantamento da L.E.K. Consulting aponta que a diversificação das receitas tem fortalecido a resiliência das cooperativas agrícolas.

    Capitalizadas após anos de crescimento, essas organizações vêm concentrando investimentos na industrialização da produção, na expansão para o mercado de biocombustíveis, no avanço para novas regiões e na aquisição de ativos de empresas em dificuldades financeiras.

    Segundo a consultoria, a industrialização permite agregar valor aos produtos do campo, enquanto a entrada no setor de biocombustíveis amplia as fontes de receita. Além disso, a compra de empresas em recuperação judicial pode acelerar a expansão territorial das cooperativas e gerar ganhos operacionais.

    Sul lidera crescimento, mas expansão continua

    O estudo mostra que a Região Sul concentra o maior crescimento absoluto no número de cooperativas agrícolas do país.

    Ao mesmo tempo, Centro-Oeste e Sudeste aparecem como as regiões com maior potencial de expansão, devido ao tamanho do mercado agropecuário e à participação ainda relativamente baixa do cooperativismo nessas áreas.

    Com um modelo mais diversificado e resiliente, as cooperativas vêm ampliando sua relevância na cadeia do agronegócio e consolidando espaço como protagonistas no financiamento, na industrialização e na comercialização da produção agrícola brasileira.

  • Dia Mundial da Fruta: conheça as mais consumidas no Brasil

    Dia Mundial da Fruta: conheça as mais consumidas no Brasil

    Celebrado em 1º de julho, o Dia Mundial da Fruta chama a atenção para a importância do consumo desses alimentos na promoção da saúde e da qualidade de vida. A data foi criada em 2007, na Alemanha, em parceria com instituições de saúde, com o objetivo de incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e ampliar o consumo diário de frutas.

    Além de fazer parte de uma alimentação equilibrada, as frutas ocupam um papel estratégico na agricultura brasileira. O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de frutas tropicais do mundo, com destaque para culturas como manga, banana, mamão, melão e uva.

    Frutas são aliadas da saúde

    Ricas em água, fibras, vitaminas e minerais, as frutas contribuem para o bom funcionamento do organismo e ajudam na prevenção de diversas doenças.

    Entre os principais benefícios estão o fortalecimento do sistema imunológico, melhora da digestão, auxílio na hidratação do organismo e redução do risco de doenças cardiovasculares.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia, quantidade equivalente a aproximadamente cinco porções.

    As frutas mais consumidas no Brasil

    A banana lidera o ranking mundial de consumo e também figura entre as preferidas dos brasileiros.

    O sucesso da fruta está relacionado à praticidade, ao alto valor energético, ao preço acessível e à disponibilidade durante praticamente todo o ano.

    Na sequência aparecem as frutas cítricas, especialmente laranja e limão, seguidas por maçãs e uvas.

    Essas frutas conquistaram espaço no mercado mundial por aliarem valor nutricional, facilidade de transporte e longa conservação após a colheita.

    Por que essas frutas lideram o consumo?

    Cada uma delas reúne características que favorecem sua produção e comercialização em larga escala.

    Banana

    • Rica em potássio e carboidratos;
    • Fonte rápida de energia;
    • Cultivada em mais de 130 países;
    • Disponível durante praticamente todo o ano.

    Laranja e limão

    • Fontes importantes de vitamina C;
    • Muito utilizados na produção de sucos;
    • Casca resistente facilita o transporte e armazenamento.

    Maçãs e uvas

    • Possuem excelente vida útil pós-colheita;
    • São consumidas frescas e também processadas;
    • Dão origem a produtos como vinhos, geleias, doces e passas.

    Brasil tem papel de destaque na fruticultura

    Além de abastecer o mercado interno, o Brasil é um dos principais produtores de frutas tropicais do planeta.

    A manga está entre os produtos agrícolas brasileiros de maior destaque nas exportações, chegando a diversos mercados internacionais graças à qualidade da produção nacional.

    O clima favorável e a diversidade de regiões produtoras permitem que o país cultive uma ampla variedade de frutas ao longo do ano, fortalecendo o agronegócio e gerando empregos em diferentes estados.

  • Projeto pode pagar R$ 100 por cada javali abatido no Brasil

    Projeto pode pagar R$ 100 por cada javali abatido no Brasil

    Os javalis voltaram ao centro do debate no campo brasileiro. Desta vez, não por uma nova invasão de lavouras ou ataques a rebanhos, mas por um projeto de lei que pode colocar dinheiro no bolso de quem ajuda a controlar a espécie. A proposta prevê o pagamento de R$ 100 por javali abatido.

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou o Projeto de Lei 287/2026, que cria um incentivo financeiro para pessoas físicas e jurídicas autorizadas a controlar a população de javalis.

    Os deputados votaram a matéria durante uma sessão do programa Alesc Itinerante, realizada em Araranguá, no Sul catarinense. A comissão aprovou o parecer por unanimidade.

    O deputado Camilo Martins (PL) apresentou o projeto com o objetivo de fortalecer o combate a uma espécie que ameaça a agropecuária e o meio ambiente em diversas regiões do País.

    Se o projeto avançar nas próximas etapas, o governo utilizará os recursos para compensar despesas com combustível, deslocamentos, equipamentos, munições e outros custos operacionais do manejo.

    Quem poderá receber o pagamento

    O projeto permite a participação apenas de pessoas físicas e jurídicas devidamente autorizadas.

    Além disso, os interessados deverão manter cadastro junto ao órgão ambiental competente e comprovar o abate conforme critérios que o governo definirá em regulamento específico, com pagamento de R$ 100 por javali abatido.

    Como funcionará o pagamento por javali abatido

    Em propriedades privadas, os controladores precisarão obter autorização formal do proprietário, possuidor ou arrendatário da área.

    O texto também permite que o governo estadual firme convênios com municípios e entidades parceiras para ampliar as ações de controle. Ao mesmo tempo, o Estado poderá definir regiões prioritárias de atuação conforme o nível de infestação.

    Como os javalis chegaram ao Brasil

    Espécie chegou ao Brasil nas décadas de 1980 e 1990 e hoje está presente em praticamente todo o território nacional
    Foto: Divulgação – FAEP/Senar-PR/CNA

    A história dos javalis no Brasil começou há décadas e ajuda a explicar por que o problema se tornou tão difícil de controlar.

    Criadores trouxeram os primeiros exemplares da Europa principalmente a partir da década de 1980 para produzir carne considerada exótica e de alto valor agregado.

    Com o passar dos anos, muitos criadouros encerraram as atividades ou perderam animais por falhas de contenção. Além disso, alguns proprietários abandonaram exemplares deliberadamente.

    A partir daí, a espécie iniciou uma rápida expansão pelo território nacional.

    Quando cruzaram com porcos domésticos, os javalis deram origem aos chamados javaporcos. Esses animais herdaram a rusticidade dos javalis e a alta capacidade reprodutiva dos suínos. Como resultado, produtores rurais e autoridades ambientais passaram a enfrentar um desafio ainda maior.

    Hoje, os registros da espécie alcançam praticamente todas as regiões brasileiras.

    Prejuízos que vão muito além das lavouras

    No campo, os prejuízos aparecem de forma evidente.

    Durante a noite, grupos de javalis avançam sobre plantações e deixam um rastro de destruição. Milho, soja, trigo, arroz e hortaliças figuram entre os principais alvos.

    https://www.instagram.com/reel/DZ-DXv-Ssai/?igsh=YmF4d2R3Z3J4a2Ji

    Entretanto, os danos não se limitam às lavouras.

    Os animais revolvem o solo em busca de alimento, destroem nascentes, degradam áreas de preservação e disputam espaço com espécies nativas. Em algumas regiões, produtores relatam ataques a cordeiros recém-nascidos, aves e pequenos animais.

    Além disso, a presença dos javalis amplia os riscos sanitários.

    Especialistas alertam que a espécie pode disseminar doenças capazes de atingir a produção pecuária brasileira. Entre as principais preocupações estão enfermidades que afetam rebanhos de suínos e podem comprometer mercados de exportação.

    Por esse motivo, os órgãos ambientais autorizam o controle populacional e tratam a medida como estratégica para proteger a agropecuária nacional.

    Santa Catarina concentra preocupação crescente

    Santa Catarina convive há anos com o avanço dos javalis.

    A combinação de áreas agrícolas, fragmentos florestais e condições climáticas favoráveis impulsionou a expansão da espécie. Em várias regiões, produtores acumulam perdas e enfrentam dificuldades para conter a proliferação.

    Nesse contexto, surgiu a proposta de incentivo financeiro.

    Os defensores do projeto argumentam que os custos do manejo afastam parte dos controladores habilitados. Por isso, eles acreditam que o pagamento poderá estimular novas ações de controle e reduzir os prejuízos acumulados no campo.

  • Soja sobe com demanda aquecida no mercado brasileiro

    Soja sobe com demanda aquecida no mercado brasileiro

    As cotações da soja avançaram no mercado brasileiro diante do ritmo intenso dos negócios. A demanda externa seguiu firme e as indústrias nacionais ampliaram as compras nos últimos dias. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional. Mesmo assim, a ampla oferta global limitou altas mais expressivas nos preços.

    Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçam esse cenário. O órgão elevou a estimativa da produção mundial de soja na safra 2025/26 para 429,2 milhões de toneladas, novo recorde histórico. O volume projetado supera em 0,4% a previsão anterior e fica 0,3% acima da temporada passada.

    Entre os principais produtores, o Brasil deve colher 180 milhões de toneladas de soja. A estimativa do USDA ficou ligeiramente abaixo das 180,25 milhões de toneladas projetadas pela Conab.

    Na Argentina, o USDA elevou a previsão para 50 milhões de toneladas. O volume representa alta de 4,2% frente à estimativa de maio. Apesar do aumento, a produção argentina ainda ficará 2,2% abaixo da safra anterior.

    O Brasil também deve manter a liderança global nas exportações de soja. Para a safra 2025/26, o USDA projeta embarques de 115 milhões de toneladas.

    Oferta de milho pressiona mercado

    No mercado de milho, a expectativa de maior oferta tem pressionado as cotações em grande parte do país. Embora a colheita esteja concentrada em poucos estados, agentes do mercado já consideram o aumento da disponibilidade do cereal nas próximas semanas.

    Segundo o Cepea, compradores reduziram o volume de negociações enquanto aguardam possíveis quedas mais acentuadas nos preços.

    Ao mesmo tempo, vendedores adotaram maior flexibilidade para fechar negócios. Muitos reduziram preços pedidos ou ajustaram condições de entrega e pagamento. O objetivo é acelerar o escoamento da produção neste início de colheita.

    A postura mais cautelosa dos consumidores ganhou força após as novas projeções divulgadas pela Conab e pelo USDA. Os relatórios apontam aumento da produção brasileira na safra 2025/26 e expansão da oferta mundial na temporada 2026/27.

    De acordo com o Cepea, o crescimento da produção brasileira resulta da melhora da safra de verão.

    No cenário internacional, países como a Índia devem ampliar a produção de milho. Como consequência, os estoques globais também tendem a crescer, aumentando a pressão sobre os preços.