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  • AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    A Embrapa Meio Ambiente lançou o AgroTagMFE, um aplicativo gratuito e de código aberto que permite mapear, registrar e monitorar em tempo real práticas sustentáveis de manejo florestal, com foco na castanha-da-amazônia e outros produtos da sociobiodiversidade amazônica. A tecnologia integra o sistema AgroTag e oferece transparência para mercados nacionais e internacionais. Além de agregar valor à cadeia produtiva da castanha, um dos principais pilares da bioeconomia na região.

    Desenvolvido a partir do módulo MFE (Manejo Florestal e Extrativismo), o AgroTagMFE atende projetos como “Manejo Florestal Extrativismo: criando referências para o desenvolvimento territorial na Amazônia” e “NewCast – Novas Soluções Tecnológicas para a Cadeia da Castanha-da-Amazônia”. O aplicativo conta com formulários específicos para espécies como açaí, andiroba, babaçu, bacuri, pau-mulato, pracaxi e, especialmente, a castanha-da-amazônia. Assim, possibilitando a coleta detalhada de dados espaciais e temporais das áreas manejadas.

    Segundo a pesquisadora Luciana Spinelli, o sistema registra informações com fotos, desenhos, coordenadas geográficas e dados sobre as etapas de pré-coleta, coleta e pós-coleta. Esses dados são sincronizados em uma plataforma online com mapas interativos (WebGIS). Isso permite gerar relatórios, cruzar informações com imagens de satélite e realizar análises robustas sobre a sustentabilidade das áreas extrativistas e as boas práticas adotadas.

    A rastreabilidade da castanha-da-amazônia é fundamental para garantir acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Especialmente após o Brasil perder espaço para a Bolívia na exportação do produto, devido a normas da União Europeia sobre aflatoxinas. Enquanto a Bolívia se adaptou rapidamente, o Brasil viu sua produção com casca ser exportada e processada no país vizinho.

    Cadeia produtiva

    Patricia Costa, também da Embrapa, destaca que cerca de 60 mil famílias amazônicas, entre indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, dependem da castanha para sua subsistência. A cadeia produtiva envolve mais de 100 organizações comunitárias e 60 empresas. Sendo, portanto, uma importante alternativa de renda e um vetor de conservação ambiental, ao valorizar a floresta em pé, evitar o desmatamento e contribuir para a regulação climática e o sequestro de carbono.

    Além de organizar dados, o AgroTagMFE oferece provas consistentes sobre a origem e qualidade do produto, promovendo ética, sustentabilidade e comércio justo. O sistema digital evita perdas de informações durante a coleta, enviando os dados diretamente a um servidor online. Outra inovação é a incorporação da espectroscopia de reflectância para análise físico-química das amostras de castanha. Essa técnica reduz custos e resíduos laboratoriais e fortalece a comprovação da origem e sanidade do produto, essencial para recuperar mercados externos.

    O sistema está em constante aprimoramento, com previsão de novas funcionalidades, como áreas de trabalho independentes para grupos parceiros e ampliação da rede de usuários, fortalecendo a colaboração entre instituições, comunidades locais e pesquisadores. A rastreabilidade é um caminho irreversível para os produtos da sociobiodiversidade. E gera confiança no mercado e mais renda para as comunidades extrativistas.

    O AgroTagMFE insere-se no contexto do fortalecimento da bioeconomia na Amazônia, modelo de desenvolvimento que aposta no uso sustentável da biodiversidade como motor econômico e social. Com a castanha-da-amazônia como símbolo desse movimento, o Brasil busca recuperar seu protagonismo e transformar a floresta em uma aliada do progresso sustentável.

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  • Própolis de abelha da Amazônia cicatriza feridas e reduz inflamação

    Própolis de abelha da Amazônia cicatriza feridas e reduz inflamação

    Um estudo recente conduzido por cientistas da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) revelou que um creme formulado com própolis produzida por abelhas sem ferrão nativas da Amazônia apresenta fortes propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias. A própolis, extraída da abelha-canudo (Scaptotrigona aff. postica), mostrou resultados em cobaias de laboratório semelhantes aos de pomadas cicatrizantes comerciais.

    O creme à base dessa própolis não apenas acelerou a recuperação das feridas, como também reduziu a inflamação e promoveu uma regeneração tecidual de melhor qualidade em comparação a produtos disponíveis no mercado. Essa pesquisa destaca o potencial farmacêutico de um bioproduto tradicionalmente utilizado pelas populações amazônicas desde a antiguidade.

    Publicado na revista científica Molecules, o artigo “Healing Activity of Propolis of Stingless Bee (Scaptotrigona aff. postica), Reared in Monoculture of Açaí (Euterpe oleracea)” representa um esforço conjunto de instituições da Região Norte para valorizar os recursos naturais da biodiversidade amazônica.

    Influência do açaí na qualidade da própolis

    A abelha-canudo é reconhecida pela eficiência na polinização do açaizeiro. A pesquisa originou-se da observação da frequência dessa abelha nas flores de açaí. O professor Nilton Muto, da UFPA, explica que a grande produção de própolis pelas abelhas-canudo levantou a hipótese de que o ambiente de cultivo do açaí influencia a qualidade do produto.

    A própolis resulta da combinação de resinas vegetais, pólens coletados pelas abelhas e cera produzida por elas. Embora a origem exata das substâncias da própolis estudada não tenha sido determinada, os pesquisadores acreditam que o cultivo de açaí contribuiu para a uniformidade química da própolis. A palmeira do açaí (Euterpe oleracea) contém altos níveis de compostos fenólicos e antocianinas, reconhecidos por sua potente ação antioxidante.

    Análises químicas mostraram que a própolis da abelha-canudo coletada em áreas de açaí apresenta elevada concentração de compostos bioativos, essenciais para a promoção da saúde humana. A quantidade de compostos fenólicos superou em mais de 20 vezes o limite mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), enquanto os flavonoides ultrapassaram quase quatro vezes o índice mínimo regulamentar.

    Resultados detalhados da cicatrização

    Na avaliação macroscópica, o creme de própolis e a pomada comercial reduziram igualmente o tamanho das feridas. Porém, a análise microscópica revelou que o tratamento com própolis acelerou a recuperação das fibras colágenas tipo 1 e 3 e diminuiu a inflamação local. Essas fibras oferecem suporte estrutural ao tecido em regeneração, e a menor inflamação facilita a cicatrização. Os pesquisadores atribuem esses benefícios aos compostos bioativos presentes na própolis da abelha-canudo.

    Amostras apresentaram altas concentrações de compostos bioativos, como flavonoides e fenólicos. Fotos: Vinícius Braga/Embrapa

    Até hoje, nenhum creme à base de própolis oriundo de cultivo de açaí havia sido descrito. Esse biofármaco apresenta vantagens como menor risco de efeitos colaterais, baixa presença de resíduos químicos e uso reduzido de conservantes.

    Características e importância da abelha-canudo

    A própolis protege a colmeia contra microrganismos e invasores, cobrindo frestas e isolando o ambiente. Diferente de outras abelhas nativas amazônicas, como a uruçu-amarela e a uruçu-cinzenta, a abelha-canudo não utiliza barro em sua própolis, evitando contaminantes do solo.

    Essa abelha é uma polinizadora eficiente do açaí, visitando flores masculinas e femininas, o que a torna essencial para a produtividade do cultivo. A meliponicultura, criação de abelhas sem ferrão, cresce na região incentivada pela cadeia produtiva do açaí.

    No experimento, os pesquisadores instalaram caixas com abelhas-canudo em um raio de 450 metros no interior das plantações de açaí. O voo das abelhas para coleta de alimento alcançou até 300 metros, indicando forte influência do ambiente de açaí na produção da própolis.

    Perspectivas para produção e novos estudos

    Pesquisas futuras devem identificar os indivíduos mais aptos para produção de própolis e as melhores práticas de manejo para ampliar a escala do produto. Como a produção por colmeia é pequena, muitos produtores seriam necessários para viabilizar comercialmente a própolis.

    Além da própolis, o pólen coletado e processado pela abelha-canudo também apresenta alto valor nutricional, rico em aminoácidos. O mel produzido por essa espécie ainda não alcança quantidade comercial, mas apresenta diferenciais importantes em relação aos méis convencionais.

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  • Embrapa: cultivo sustentável de açaí-solteiro

    Embrapa: cultivo sustentável de açaí-solteiro

    A Embrapa lançou um novo protocolo de produção de mudas que promete transformar o cultivo do açaí-solteiro (Euterpe precatoria Mart.) em uma atividade agrícola planejada, sustentável e economicamente viável na Amazônia. A tecnologia, fruto de sete anos de pesquisas conduzidas pela Embrapa Acre, atende à crescente demanda por frutos dessa espécie nativa, com foco em produtores, viveiristas e técnicos da região que enfrentam desafios na implantação de pomares comerciais.

    Ao viabilizar a produção de mudas com alto padrão sanitário e vigor, adaptadas às condições amazônicas e mais resistentes a doenças como a antracnose — principal patógeno da cultura —, o protocolo oferece uma alternativa concreta ao extrativismo, ainda predominante em estados como Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. A iniciativa favorece o uso de áreas já alteradas e contribui para a conservação da biodiversidade, fortalecendo a bioeconomia regional.

    Solução para um gargalo produtivo

    Segundo a pesquisadora Aureny Lunz, da Embrapa Acre, o cultivo do açaí-solteiro ainda se baseia em técnicas desenvolvidas para o açaí-de-touceira (Euterpe oleracea), espécie de comportamento distinto quanto ao crescimento, exigências climáticas e tipo de solo. Isso compromete o desempenho das plantas e torna os cultivos mais vulneráveis a doenças.

    “Ao reunir informações técnicas específicas para o açaí-solteiro, o protocolo permite a produção de mudas mais vigorosas e resistentes, garantindo maior produtividade e sustentabilidade dos pomares”, afirma a pesquisadora.

    Pesquisa detalhada e orientada para o produtor

    O estudo integrou o projeto “Tecnologias para cultivo racional de açaizeiro”, iniciado em 2016. E avaliou diferentes tipos de recipientes, substratos, níveis de sombreamento, estratégias de adubação e controle fitossanitário, tanto em viveiro quanto em campo. A análise resultou em recomendações que otimizam o desempenho das mudas e reduzem perdas.

    Oferta de mudas de qualidade de açaí-solteiro permitirá a implantação de cultivos comerciais sustentáveis. Foto: Mauricilia Silva/Embrapa

    O pesquisador Romeu Andrade Neto, da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE), destaca que a espécie apresenta crescimento lento e exige até 14 meses para formar mudas aptas ao plantio. “Identificamos que substratos mais leves, sombreamento de 65% a 75% e fertilizantes de liberação controlada promovem maior sobrevivência e encurtam o ciclo de produção”, explica.

    As recomendações técnicas estão detalhadas na publicação “Recomendações para a Produção de Mudas de Açaizeiro-Solteiro”, que aborda desde o planejamento do viveiro até o manejo de sementes, pragas e doenças.

    Experiências de sucesso no campo

    Produtores já começam a colher resultados positivos com a adoção do protocolo. Em Vila Extrema, na divisa entre Acre e Rondônia, o agricultor Loy Maleski cultiva o açaí-solteiro em dez hectares. A produção atinge duas mil latas de frutos por safra, equivalentes a 30 toneladas de polpa comercializadas com agroindústrias da região.

    “Ao buscar informações adequadas para o cultivo, consegui dobrar o rendimento de polpa por lata em relação ao açaí-de-touceira”, relata Maleski. Para ele, o uso de mudas de qualidade, combinado a práticas de irrigação e adubação, é essencial para o sucesso da atividade.

    Vantagens da tecnologia

    Entre os principais benefícios da nova metodologia estão:

    • Uniformidade e produtividade: Mudas vigorosas promovem cultivos mais homogêneos e produtivos;
    • Sustentabilidade: Reduz a pressão sobre as florestas nativas e favorece o uso de áreas degradadas;
    • Controle fitossanitário: Técnicas adequadas diminuem a incidência de doenças;
    • Expansão da cultura: Permite maior escala de produção e planejamento da colheita.

    Como o açaí-solteiro não se multiplica por perfilhamento, a propagação depende exclusivamente de sementes. Aureny Lunz reforça que a escolha correta do material genético é determinante para garantir mudas de alta qualidade e produtividade.

    Perspectivas para a bioeconomia amazônica

    O açaí-solteiro já representa 93% da polpa processada por agroindústrias no Acre e Amazonas, mas o plantio comercial ainda é incipiente. Para o engenheiro florestal Vicente de Paula Simões, da Secretaria de Agricultura do Acre (Seagri), a ampliação da produção de mudas com base científica pode alavancar o setor e consolidar a cultura como fonte de renda e conservação ambiental.

    “O fortalecimento dessa cadeia produtiva depende da adoção de práticas tecnológicas que garantam qualidade e produtividade. Além da inserção do produto no mercado nacional e internacional”, observa Simões.

    Novos desafios para a pesquisa

    No município de Anori (AM), onde mais de 90% das plantações são de açaí-solteiro, os resultados já demonstram o potencial da cultura. A Embrapa trabalha agora na criação de um programa de melhoramento genético da espécie, com foco em produtividade, qualidade da polpa, menor altura das plantas e precocidade.

    A pesquisadora Maria do Rosário Lobato Rodrigues, da Embrapa Amazônia Ocidental, destaca que a produção de mudas com alto padrão pode beneficiar tanto áreas de cultivo quanto populações nativas em regime extrativista. “Reduzir a taxa de replantio, garantir precocidade e minimizar perdas são estratégias-chave para ampliar a rentabilidade e consolidar a cadeia do açaí-solteiro na Amazônia”, conclui.

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  • Cupuaçu: fruto de alto potencial lucrativo

    Cupuaçu: fruto de alto potencial lucrativo

    O cupuaçu, uma fruta nativa da Amazônia, continua a se destacar como um ativo valioso na bioeconomia brasileira, especialmente no estado do Pará. Com uma área plantada de 8.900 hectares e uma produção anual de 29 mil toneladas em 2024, o cultivo do cupuaçu envolve cerca de 1.400 propriedades, predominantemente de agricultores familiares, segundo dados do IBGE.

    Pesquisadores da Embrapa, como Alfredo Homma, apontam que a cadeia do cupuaçu tende a expandir cada vez mauis. Isso devido à crescente demanda pela polpa da fruta, utilizada na fabricação de doces, sucos e outros produtos de confeitaria. Além disso, as amêndoas do cupuaçu são cada vez mais valorizadas pela indústria cosmética, onde são transformadas em manteiga apreciada por suas propriedades em produtos de beleza.

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    Alberto Oppata, presidente da Cooperativa Mista de Cupuaçu (C.A.M.T.A), localizada em Tomé-Açu — o maior polo produtor do fruto —, destacou que a cooperativa produziu 530 mil quilos de polpa e cerca de 45 mil quilos de manteiga em 2024. No entanto, ele observou que a demanda por manteiga de cupuaçu frequentemente supera a capacidade de entrega. “Nossa demanda está acima de nossa capacidade de entrega pela ausência do fruto”, afirmou Oppata.

    Inovações tecnológicas e potencial lucrativo

    Um estudo intitulado “Bioeconomia da Sociobiodiversidade no Estado do Pará”, publicado em 2021, estima que a produção e comercialização do cupuaçu podem gerar mais de R$ 170 bilhões em renda até 2040. O cupuaçu-amêndoa foi classificado entre os dez produtos com maior potencial econômico para o estado nas próximas duas décadas.

    Recentemente, o lançamento do kit clonal Cupuaçu 5.0 pela Embrapa promete aumentar a produtividade e resistência das plantações. Com essa tecnologia, é possível produzir até 14 toneladas por hectare, um aumento significativo em relação à média anterior de apenas 2,5 toneladas por hectare. Essa inovação não só melhora o rendimento das colheitas, mas também expande o período de safra de quatro para seis meses.

    As exportações de produtos derivados do fruto também estão em ascensão. Em 2024, as vendas externas da polpa e manteiga do cupuaçu aumentaram consideravelmente, refletindo a valorização crescente deste fruto no mercado internacional. A versatilidade dele permite sua utilização em uma variedade de produtos como sorvetes, geleias e cosméticos.

    O cupuaçu se estabelece como um fruto com alto potencial para impulsionar a bioeconomia na Amazônia. Com o apoio contínuo da pesquisa e inovação tecnológica, espera-se que o cultivo e a comercialização do cupuaçu contribuam significativamente para o desenvolvimento econômico sustentável do Pará. E também para a valorização dos produtos da sociobiodiversidade brasileira. O futuro é promissor para este fruto icônico da Amazônia!

  • Transformação na produção de açaí no Maranhão

    Transformação na produção de açaí no Maranhão

    A introdução de uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) para o manejo sustentável de açaizais nativos está promovendo uma transformação significativa na produção de açaí em terras altas na região do Alto Turí/Gurupi, Amapá do Maranhão. Essa área, que abrange 13 municípios e representa 66% do açaí comercializado no estado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enfrenta desafios devido à degradação dos açaizais locais.

    Liderado pela Embrapa Cocais (MA), o projeto visa reverter os efeitos da degradação ambiental causada pela falta de manejo adequado. A equipe do projeto enfrentou o desafio de adaptar a tecnologia de manejo de açaí, historicamente voltada para áreas de várzea, para os açaizais que predominam em terras altas da Pré-Amazônia Maranhense. A degradação resultante da exploração madeireira e do avanço das pastagens impactou negativamente a produtividade das palmeiras nativas.

    A instalação da URT foi precedida por um estudo que determinou o local mais adequado para sua implementação, considerando que o açaí é encontrado na maioria dos municípios da região. A alta demanda pelo fruto, especialmente durante a entressafra do Pará, tornou a recuperação desses açaizais uma prioridade econômica e ambiental.

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    O projeto inclui capacitações práticas para técnicos e extrativistas. Em uma área inicial de 0,25 hectare, os participantes aprenderam técnicas de limpeza do terreno, inventário de espécies e elaboração de planos de manejo que envolvem a seleção e o corte de touceiras para aumentar a produtividade.

    O agricultor familiar Lauro Paiva se destacou ao implementar as práticas em sua propriedade. E assim, se tornar um multiplicador da tecnologia, atraindo outros produtores interessados em replicar o modelo. Ele ampliou sua área cultivada para 7 hectares.

    Restauração ambiental

    Além da recuperação da produtividade dos açaizais, o projeto promove ações de restauração ambiental. Um viveiro foi criado com sementes coletadas na área manejada, com o objetivo de produzir cerca de 4 mil mudas de espécies florestais nativas. E assim, proteger as bordas da área manejada e atender outros produtores interessados em restauração florestal.

    A equipe também buscou parcerias institucionais nas esferas municipal e estadual, integrando as atividades das secretarias municipais de agricultura e do órgão estadual de extensão rural ao trabalho da URT.

    José Mário Frazão, pesquisador da Embrapa Cocais, destacou que Lauro Paiva se tornou uma referência na divulgação das práticas adotadas pela Embrapa na região. Agricultores relataram que, se tivessem conhecido essa tecnologia antes, não teriam transformado áreas de açaizais degradados em pastagens.

    Com vigência até 2025, espera-se que os aprendizados dessa URT sirvam como base para publicações científicas e para a replicação da tecnologia em outras regiões. O manejo sustentável do açaí se consolida como uma alternativa viável para geração de renda e conservação ambiental na Amazônia Maranhense.

    Em janeiro de 2025, a comunidade do Maracanã receberá capacitação voltada para o manejo e boas práticas no processamento de açaí. Essa iniciativa é fruto da parceria entre a Embrapa e o Instituto de Formação, que está auxiliando na seleção dos produtores participantes. O projeto inclui acompanhamento técnico contínuo e busca engajar os agricultores locais, formalizando um acordo que destaca a importância do compromisso de longo prazo.

  • Pesquisa aponta benefícios do mel da florada do açaí

    Pesquisa aponta benefícios do mel da florada do açaí

    O mel produzido por abelhas africanizadas (Apis mellifera L.) a partir da florada do açaizeiro se destaca por seus elevados níveis de compostos bioativos, que são derivados da palmeira amazônica. Essas substâncias desempenham um papel importante na promoção e manutenção da saúde humana. A descoberta, fruto de uma análise comparativa de méis provenientes de diferentes regiões do Brasil, abre novas oportunidades para valorizar um produto da sociobiodiversidade amazônica.

    O artigo intitulado “Evaluation of the Bioactive Compounds of Apis mellifera Honey Obtained from the Açai (Euterpe oleracea) Floral Nectar” foi publicado na revista científica Molecules e é resultado da colaboração entre pesquisadores da Embrapa, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

    Classificação do mel monofloral

    Para que um mel seja classificado como monofloral, deve haver predominância do néctar de uma única espécie vegetal em sua composição. A legislação brasileira estabelece que o pólen de uma única espécie deve representar mais de 45% em uma amostra de mel. Essa concentração confere ao produto características únicas em sabor, aroma e cor, além de propriedades funcionais específicas.

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    No caso do mel de açaí, pesquisadores analisaram amostras coletadas em Breu Branco (PA) e Santa Maria (PA) e as compararam com méis monoflorais de quatro origens: mel de aroeira, de Minas Gerais; mel de cipó-uva, do Distrito Federal; mel de Timbó, do Rio Grande do Sul; e mel do mangue, do Pará.

    Mel da florada do açaí apresenta altos teores de compostos antioxidantes

    Segundo Daniel Santiago, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental e um dos autores do estudo, a escolha dos méis para comparação se baseou nas reconhecidas propriedades funcionais e na presença de compostos bioativos.

    Benefícios à saúde

    As análises mostraram que o mel de açaí possui uma capacidade antioxidante elevada. O mel monofloral da palmeira amazônica superou em quatro vezes o mel de aroeira na avaliação dessa atividade. “Isso sugere que os méis predominantemente compostos pela florada do açaizeiro têm uma capacidade antioxidante mais forte, provavelmente devido à maior concentração de polifenóis e outros compostos bioativos”, afirmam os autores.

    Nilton Muto, professor da UFPA e coautor do artigo, explica que os polifenóis encontrados no mel de açaí são substâncias presentes em alimentos que podem oferecer benefícios à saúde. “Os polifenóis atuam como antioxidantes, neutralizando radicais livres, e podem apresentar propriedades anti-inflamatórias, anticancerígenas e cardioprotetoras”, afirma Muto.

    A coloração mais escura do mel está relacionada à maior concentração desses compostos bioativos. As amostras de mel de açaí variaram entre tons âmbar e âmbar escuro. Muto observa que outros fatores também influenciam essa coloração, como os processos de desumidificação e maturação do produto.

    Sabor e aceitação

    Voluntários e analistas sensoriais analisaram o sabor do mel de açaí por grupos e o resultado foi positivo. O produto apresenta notas menos doces em comparação com outros méis e possui nuances de café. “É um mel diferenciado que acredito será bem aceito pelo público em geral e facilmente incorporável na gastronomia”, comenta Muto.

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    A pesquisa também confirmou a presença de compostos bioativos no mel de açaí associados a propriedades anti-inflamatórias, antibacterianas, antimicrobianas e antitumorais. De acordo com Muto, investigações adicionais sobre essas capacidades estão em andamento.

    Potencial para expansão

    Impulsionados pelo aumento nos preços do fruto, os plantios de açaizeiro têm se expandido no Pará. Os produtores buscam incrementar a produtividade por meio da polinização dirigida, introduzindo abelhas nos locais de plantio para realizar a polinização.

    As abelhas nativas sem ferrão são as mais eficazes na polinização do açaizeiro. No entanto, Santiago observa que a falta de um mercado estabelecido para colmeias dessas abelhas tem dificultado o acesso dos agricultores interessados na polinização dirigida. “Em algumas regiões, uma colmeia pode custar até 600 reais”, exemplifica.

    Como alternativa, muitos produtores têm adotado abelhas africanizadas (Apis mellifera), híbridos resultantes do cruzamento entre raças europeias e africanas. Embora sejam maiores que as nativas — o que pode ser uma desvantagem ao interagir com as pequenas flores do açaí — essas abelhas possuem um raio de ação maior, podendo alcançar até 1.500 metros.

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    Santiago ressalta que ainda não existem dados científicos sobre a eficácia da polinização dirigida com abelhas africanizadas no cultivo do açaí. “Os resultados da caracterização do mel indicam que novos estudos devem ser realizados para avaliar o impacto das abelhas Apis mellifera nessa cultura”.

    Em 2023, o Brasil produziu 64 mil toneladas de mel, com aproximadamente 2% desse total vindo da região amazônica — sendo 1,5% proveniente do Pará. Santiago acredita que a apicultura no estado tem grande potencial para expansão e envolve cerca de 3 mil famílias atualmente. “Com o açaí se tornando um produto internacionalmente conhecido, os derivados relacionados à identidade dessa fruta podem contribuir para aprimorar ainda mais a apicultura na região”, conclui.

  • 3 frutas brasileiras entre as preferidas do mundo; veja quais

    3 frutas brasileiras entre as preferidas do mundo; veja quais

    Três frutas brasileiras conquistaram destaque no ranking das 100 melhores do mundo, elaborado pelo TasteAtlas. A jabuticaba, o açaí e o guaraná foram as escolhidas, refletindo a diversidade e riqueza da nossa biodiversidade.

    A jabuticaba ocupa a 11ª posição, com uma nota impressionante de 4,4. Essa fruta, nativa da Mata Atlântica, é conhecida por sua casca roxa e polpa branca. Além disso, é rica em ferro e vitaminas. Cultivada principalmente em Minas Gerais, São Paulo e Goiás, a jabuticaba é um símbolo da cultura brasileira.

    Foto: Jabuticaba – Embrapa/Neide Makiko Furukawa

    O açaí aparece na 26ª posição, com uma nota de 4,3. As pessoas consomem amplamente este “superalimento” em forma de polpa. A região amazônica valoriza essa fruta por seu alto valor nutricional, onde ela cresce em abundância.

    O guaraná ficou em 57º lugar, com uma nota de 4,1. As pessoas conhecem o guaraná por seu sabor único e propriedades energéticas. Elas utilizam essa fruta em diversas bebidas e produtos alimentícios. Ou seja, ele conquista paladares tanto no Brasil quanto no exterior.

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    Outras Frutas

    A lista inclui a Physális peruana, que ocupa a posição de número 80. Embora seja nativa do Peru, também é cultivada no Brasil e foi considerada uma fruta brasileira.

    Topo da lista

    O ranking é liderado pelo pêssego da Grécia, que obteve a maior pontuação. Em seguida, estão frutas cítricas da Espanha e morangos da Polônia. A inclusão das frutas brasileiras neste ranking internacional celebra a riqueza da gastronomia local. Além disso, promove a cultura e os sabores do Brasil no exterior.

    O público do TasteAtlas avalia os rankings de alimentos, e o sistema usa uma série de mecanismos para reconhecer usuários reais.

    Além disso, esses mecanismos ignoram avaliações de bots, nacionalistas ou patriotas locais, e atribuem valor adicional às avaliações de usuários que o sistema identifica como conhecedores.

    Na lista “Top 100 Frutas no Mundo” até 15 de agosto de 2024, o sistema registrou 6.568 avaliações, mas apenas 4.492 foram consideradas legítimas.

    Embora muitos considerem os rankings do TasteAtlas como uma referência, seu objetivo principal é promover excelentes alimentos locais, instilar orgulho nos pratos tradicionais e, ao mesmo tempo, despertar a curiosidade por pratos que você ainda não experimentou.

  • Empresas brasileiras movimentam mais de US$ 2 milhões na Africa’s Big 7

    Empresas brasileiras movimentam mais de US$ 2 milhões na Africa’s Big 7

    Empresas brasileiras movimentam mais de US$ 2 milhões na Africa’s Big 7

    A participação de 19 empresas brasileiras na feira Africa’s Big 7 gerou um volume de negócios superior a US$ 2,3 milhões, marcando a retomada da presença do Brasil em eventos de negócios no continente africano. Lideradas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), as empresas apresentaram produtos da agroindústria entre os dias 11 e 13 de junho, em Joanesburgo, África do Sul.

    Expansão no mercado africano

    A feira Africa’s Big 7 é o principal evento de alimentos e bebidas na África. Durante a feira, as empresas brasileiras reportaram US$ 2,336,000 em negócios, combinando vendas imediatas e projeções para os próximos 12 meses. Esta participação integra a missão Brasil-Africa Solutions da ApexBrasil, que visa fomentar o comércio entre o Brasil e os países do sul da África. As empresas brasileiras realizaram 160 contatos com potenciais compradores durante o evento.

    Destaques na feira

    A Africa’s Big 7, em sua 21ª edição, contou com aproximadamente 200 expositores globais, atraindo compradores e líderes da indústria alimentícia e de bebidas. A feira foca em alimentos secos, congelados, bebidas, e equipamentos de processamento e embalagens, oferecendo uma plataforma para explorar novos produtos, identificar tendências e estabelecer conexões no mercado africano, que movimenta cerca de US$ 313 bilhões.

    A diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Repezza, destacou a importância do retorno à Africa’s Big 7 após um planejamento estratégico das prioridades brasileiras na região. Por outro lado, a embaixadora Ligia Maria Scherer ressaltou o novo momento da diplomacia brasileira no continente africano. Enquanto isso, o adido agrícola Carlos Muller mencionou o grande potencial do mercado africano para produtos brasileiros, especialmente após a recente abertura do mercado de pescados na África do Sul.

    Iniciativas e oportunidades

    A empresa capixaba Café Meridiano, por exemplo, serviu seu café aos visitantes, buscando parceiros no mercado africano. Tatiana Reis, CEO da Samerica Trade, destacou também a importância de estreitar laços com o continente daqui em diante, e Bonifácio Sena, da Ecofoods, enfatizou o potencial do açaí no mercado sul-africano. Ao mesmo tempo, Rafael Soares, da Embaré, comentou ainda sobre a relevância da presença brasileira para entender as demandas locais.

    Crescimento das exportações

    Em 2023, as exportações brasileiras para a África atingiram um recorde histórico de US$ 13,2 bilhões. Os países africanos já são o quarto principal destino das exportações brasileiras. Os mais procurados são os produtos do complexo de alimentos e bebidas, minério de ferro e óleos combustíveis de petróleo. Argélia, Egito, África do Sul, Marrocos e Nigéria foram os principais compradores.

    O estudo da ApexBrasil identifica mais de 6 mil oportunidades no continente. Os destaques são combustíveis minerais, produtos alimentícios e máquinas e equipamentos de transporte como áreas de crescimento. A participação na Africa’s Big 7 reforça também o compromisso do Brasil em expandir e diversificar suas exportações para a África.