Tag: açaí

  • Além dos grãos: maiores fazendas de frutas do mundo estão no Brasil

    Além dos grãos: maiores fazendas de frutas do mundo estão no Brasil

    O mercado conhece o Brasil como potência em grãos, carne e commodities tradicionais. Poucos sabem que o país lidera outro segmento com números ainda mais impressionantes: a fruticultura. O território brasileiro concentra as maiores fazendas de frutas do planeta, operações que colhem milhões de unidades mensalmente e abastecem os cinco continentes.

    Levantamentos setoriais do agronegócio e dados de empresas líderes comprovam: o Brasil não apenas produz em grande escala – define padrões globais de eficiência, tecnologia e logística agrícola.

    Citrosuco domina 25% do suco de laranja consumido no mundo

    A citricultura brasileira não tem rival. O país abriga a maior operação de laranja do mundo, um sistema integrado que une produção agrícola, processamento industrial e distribuição internacional. A Citrosuco comanda esse domínio: a empresa responde por 25% de todo o suco de laranja consumido globalmente e detém quase 50% da produção nacional.

    A companhia opera 25 fazendas de laranja em São Paulo e Minas Gerais. Essas propriedades somam mais de 80 mil hectares de pomares, número que cresce quando a empresa contabiliza os produtores parceiros que abastecem suas três grandes unidades industriais.

    A logística impressiona tanto quanto os números de produção. A Citrosuco mantém terminais portuários próprios no Brasil, Estados Unidos, Bélgica, Japão e Austrália. A empresa também opera uma frota exclusiva de seis navios desenvolvidos especificamente para transportar suco de laranja a granel.

    Cada laranjeira nas fazendas possui identificador individual. Drones, sensores e sistemas digitais monitoram pragas, nutrição e produtividade planta a planta. Esse controle transformou a empresa na primeira operação de citricultura totalmente digital do mundo. Inteligência artificial auxilia decisões de manejo, reduz custos e mitiga impactos ambientais – agricultura de escala global com precisão cirúrgica.

    Só Coco colhe 1 milhão de cocos por dia na maior fazenda do mundo

    Do litoral à Amazônia, o Brasil também lidera a produção de coco. A Só Coco, fundada no fim dos anos 1970 em Moju (PA), a 100 quilômetros de Belém, administra a maior fazenda de coco do planeta.

    Foto: Divulgação – Mapa

    A empresa gerencia aproximadamente 20 mil hectares. Desse total, 6 mil hectares abrigam coqueiros, mais de 15,5 milhões de árvores em produção. Outros 14 mil hectares destinam-se exclusivamente à preservação ambiental, um dos maiores exemplos brasileiros de equilíbrio entre produção em larga escala e conservação.

    Em períodos de pico, a colheita ultrapassa 1 milhão de cocos diários. A empresa utiliza variedades híbridas, que cruzam coqueiros gigantes e anões. Enquanto um coqueiro tradicional produz entre 40 e 120 frutos anuais, os híbridos da Só Coco alcançam até 220 frutos por planta. Essas variedades também entram em produção mais cedo e atendem tanto ao mercado de água de coco quanto ao de coco seco.

    O modelo se espalhou nacionalmente. Atualmente, cerca de 70% da área cultivada com coco no Brasil utiliza variedades híbridas semelhantes às adotadas pela Só Coco. Um novo padrão produtivo nacional.

    Shutz Agroambiental implanta maior fazenda de açaí do mundo no Amapá

    O açaí representa outro capítulo dessa liderança. Tradicionalmente consumido por povos indígenas, o fruto amazônico conquistou mercados na Europa, América do Norte e Ásia. Empresas como a Açaí Amazonas cultivam açaizais irrigados em áreas antes degradadas, recuperam solos improdutivos e os transformam em sistemas agrícolas eficientes e exportadores.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O projeto mais ambicioso do setor pertence à Shutz Agroambiental. A empresa implanta no Amapá o que promete ser a maior fazenda de açaí do mundo. O empreendimento ocupa milhares de hectares em região com índices pluviométricos superiores a 4.000 mm anuais, o que permite cultivo sem irrigação artificial.

    Atualmente, a fazenda conta com mais de 2 milhões de palmeiras de açaí plantadas em aproximadamente 2.730 hectares. O modelo consolida produção sustentável, de baixo impacto e altamente competitiva no mercado internacional.

    Fazenda Jabuticabal reúne 42 mil pés da fruta símbolo do Brasil

    A jabuticaba, fruta-símbolo brasileira, também brilha nos recordes mundiais. A maior plantação de jabuticaba do planeta fica em Goiás, a poucos quilômetros de Goiânia. A história da Fazenda Jabuticabal começou em 1947, quando Antônio Batista da Silva, então pedreiro e feirante, plantou as primeiras mudas ao observar o crescimento urbano da capital goiana.

    Foto: Jabuticaba – Embrapa/Neide Makiko Furukawa

    Décadas depois, a iniciativa familiar tornou-se gigante agrícola. Hoje, a fazenda abriga mais de 42 mil pés de jabuticaba distribuídos em 130 hectares. Muitas árvores descendem diretamente das plantadas nos anos 1940. Durante a safra, entre setembro e outubro, o local vira polo de turismo rural e recebe visitantes que colhem e consomem a fruta diretamente do pé.

    Com o aumento da produção, a família passou a industrializar o excedente. Atualmente, a fazenda produz geleias, doces, sorvetes, cachaças, cappuccinos e até molhos para churrasco – todos derivados da jabuticaba. A diversificação agrega valor e amplia a cadeia econômica da fruta.

    Brasil se consolida como maior laboratório de fruticultura global

    Laranja, coco, açaí e jabuticaba demonstram: o Brasil não é apenas grande produtor agrícola, é o maior laboratório de fruticultura em escala global. A combinação de áreas gigantescas, tecnologia digital, logística internacional e modelos sustentáveis coloca o país no centro da produção mundial de frutas.

    Mais do que números impressionantes, essas fazendas revelam um agronegócio que une tradição, inovação e responsabilidade ambiental. Uma questão permanece: o Brasil já reconhece o tamanho do poder estratégico que detém ao dominar a maior produção de frutas do planeta?

  • Lula sanciona lei que torna açaí fruta nacional

    Lula sanciona lei que torna açaí fruta nacional

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.330/2026, publicada no Diário Oficial da União em 8 de janeiro de 2026, que reconhece oficialmente o açaí como fruta nacional do Brasil. A medida integra um regime especial de proteção jurídica contra tentativas de apropriação por empresas estrangeiras e busca impedir registros de marcas ou patentes internacionais sobre produtos nativos da Amazônia.

    A nova legislação altera a Lei 11.675/2008, que já havia declarado o cupuaçu como fruta nacional após a empresa japonesa Asahi Foods registrar a marca em 1998, impedindo produtores brasileiros de usarem o nome em exportações. O registro japonês foi cancelado em 2004, após pressão do governo brasileiro.

    O projeto teve origem no PLS 2/2011, do ex-senador Flexa Ribeiro, aprovado pelo Senado em 2011 e votado pela Câmara dos Deputados no final de 2025. Na Câmara, o projeto recebeu impulso do ex-deputado Paulo Bengtson, da bancada do Pará, em 2021.

    Pará lidera produção nacional

    O açaí representa um pilar fundamental da economia amazônica. O Pará concentra mais de 90% da produção nacional de açaí, segundo dados do IBGE, com média anual superior a 1,7 milhão de toneladas. Em 2024, o estado produziu cerca de 1,61 milhão de toneladas, volume que cresceu para quase 2 milhões de toneladas em 2025.

    Nove dos dez municípios maiores produtores de açaí estão no Pará, com destaque para Igarapé-Miri, responsável por 21,7% da produção nacional, equivalente a 422,7 mil toneladas anuais. Outros municípios importantes incluem Cametá, Abaetetuba, Limoeiro do Ajuru, Bagre, Mocajuba, Anajás, Bujaru e Barcarena.

    Mercado bilionário em expansão

    O açaí consolidou sua posição como ativo bilionário no mercado global. A produção de açaí no Brasil aumentou 70% nos últimos cinco anos, segundo o IBGE. Uma pesquisa da Scantech revelou crescimento de 12,9% no mercado de açaí entre janeiro e julho de 2024, em comparação com o ano anterior.

    Projeções indicam que o mercado global de açaí deve superar US$ 1,9 bilhão até 2028, com taxa média de crescimento superior a 8% ao ano. O Brasil responde por 85% da produção mundial de açaí.

    Os Estados Unidos consolidam-se como principal destino do açaí brasileiro, onde o fruto integra smoothies, tigelas e sobremesas, valorizado por suas propriedades nutricionais. Outros mercados importantes incluem Japão, Austrália e países europeus como Alemanha, França, Bélgica, Holanda e Portugal.

    Versatilidade e sustentabilidade

    Típico da Amazônia, o açaí é fruto do açaizeiro. Sua polpa serve como alimento e matéria-prima para cosméticos. As sementes alimentam o artesanato e substituem madeira como fonte de energia. Do caule extrai-se palmito, enquanto as raízes funcionam como vermífugo.

    Foto: Mauricilia Silva/Embrapa

    O consumo de açaí no Brasil aumenta 15% a cada ano, gerando mais de R$ 40 milhões em receita, segundo dados da Embrapa. Mais de 300 mil pessoas dependem diretamente do fruto, desde a coleta até o beneficiamento e distribuição.

    Expectativas da nova lei

    A expectativa é que a lei fortaleça a posição do Brasil em fóruns internacionais de propriedade intelectual e ofereça respaldo jurídico adicional para impedir que empresas estrangeiras registrem marcas ou patentes indevidas envolvendo o nome e características do fruto.

    Para produtores e comerciantes, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, o reconhecimento legal abre espaço para maior valorização da cadeia produtiva, que movimenta bilhões de reais anualmente, e pode auxiliar na promoção do produto no mercado internacional com garantias de autenticidade e origem brasileira.

  • O fenômeno do açaí e a revolução sustentável da Amazônia

    O fenômeno do açaí e a revolução sustentável da Amazônia

    Pense numa revolução silenciosa que começou nos palmeirais da Amazônia e hoje conquista o mundo. De uns anos pra cá, o açaí deixou de ser apenas um alimento tradicional das comunidades ribeirinhas e virou fenômeno global. Mas essa história vai muito além das tigelas de café da manhã – ela revela como o Brasil está construindo uma bioeconomia que valoriza a floresta em pé.

    Enquanto o mundo todo discute sustentabilidade, comunidades no Pará já mostram na prática como extrair valor da floresta sem derrubá-la. O açaí se transformou num caso de sucesso que ninguém previa. De repente, aquela frutinha que sempre alimentou populações locais virou commodity internacional – mas com uma diferença essencial: ela precisa da floresta em pé para existir.

    “O açaí representa um daqueles raros momentos onde todo mundo ganha”, analisa uma especialista do setor. “As comunidades aumentam sua renda, o mundo recebe um alimento nutritivo e a floresta se mantém de pé.”

    O sucesso do açaí abriu caminho para outros produtos da floresta. Cupuaçu, camu-camu e castanhas começam a seguir o mesmo caminho – e isso é crucial para diversificar a economia da região. A grande sacada está em mostrar que a Amazônia vale mais em pé do que derrubada.

    Mas a estrada não é sem obstáculos. O desafio maior é garantir que os benefícios cheguem de verdade para quem vive na floresta. Tem muito empresário de fora querendo ficar com a maior parte do bolo, enquanto as comunidades tradicionais ficam com as migalhas.

    O desafio que ainda persiste

    Apesar dos avanços, o desmatamento continua sendo a ameaça que ronda esse sucesso todo. Enquanto algumas áreas investem no açaí sustentável, outras ainda veem a floresta como obstáculo ao progresso. O grande teste da bioeconomia será provar que ela pode gerar mais riqueza que a destruição.

    Tem também a questão da regulamentação – falta uma estrutura que proteja melhor os pequenos produtores e garanta preços justos. Sem isso, o risco é do negócio se concentrar nas mãos de poucos.

    O futuro que já começou

    O caso do açaí prova que o Brasil tem todas as cartas na manga para liderar a nova economia verde. A pergunta que fica é: vamos saber jogar esse jogo? Enquanto isso, nas feiras de Belém, nos mercados de São Paulo e nas prateleiras da Europa, o açaí conta sua história de sucesso – uma história que ainda está só no começo.

    O que vem por aí? Muito mais que frutas. A próxima fronteira são os bioativos, cosméticos naturais e medicamentos derivados da biodiversidade. A Amazônia tem milhares de espécies esperando sua vez. E o açaí mostrou o caminho.

  • Brasil explora apenas 1% do mercado global de produtos florestais sustentáveis

    Brasil explora apenas 1% do mercado global de produtos florestais sustentáveis

    Um estudo recente conecta a riqueza da Amazônia com oportunidades no mercado internacional. Segundo ele, o Brasil explora apenas 1% do mercado global de produtos florestais sustentáveis

    O estudo identifica cinco produtos com maior potencial de expansão no mercado internacional: castanha-da-Amazônia, café, açaí, cacau e pescados. O manejo sustentável permite explorar esses itens, que se destacam pela importância econômica, ambiental e simbólica. Juntos, eles formam um retrato da nova economia da floresta, que alia tradição, inovação e conservação.

    Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, destaca que a floresta pode gerar renda e oportunidades. “A Apex contribui com dados, estudos e estratégias para transformar produtos amazônicos em motores de uma nova economia. Que é sustentável do ponto de vista social, ambiental e econômico”, afirma.

    “O mundo movimenta cerca de US$ 300 bilhões em produtos compatíveis com a floresta. O Brasil, que tem a maior floresta tropical do planeta, participa com apenas 1% desse total. Isso mostra o tamanho da oportunidade que temos”, explica Viana.

    O presidente da ApexBrasil calcula que o país pode expandir significativamente sua presença no mercado. “Se conseguirmos ampliar a participação dos nossos produtos da biosocioeconomia e da floresta, podemos transformar a realidade da Amazônia. Em vez de movimentar cerca de US$ 300 milhões, poderíamos gerar mais de US$ 2 bilhões aqui na região”, acrescenta.

    Castanha-da-Amazônia enfrenta desafio de agregação de valor

    A castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa) representa um dos produtos mais emblemáticos da Amazônia. Além de seu alto valor nutricional e econômico, a castanheira funciona como espécie-chave para a floresta. A árvore alimenta a fauna e sustenta modos de vida tradicionais há séculos.

    As castanheiras vivem mais de mil anos. A lei proíbe o corte dessas árvores — uma conquista histórica para a conservação. Jorge Viana alerta, porém, que “ainda falta uma política de incentivo ao plantio de castanheiras. A regeneração natural é lenta e precisamos garantir que essa cadeia continue viva.”

    O Brasil exporta cerca de US$ 20 milhões em castanha atualmente. O valor fica pequeno quando comparado à Bolívia, que ultrapassa US$ 100 milhões. Viana identifica o desafio: agregar valor, ampliar o beneficiamento local e fortalecer cooperativas. A Cooperacre serve como referência em industrialização sustentável do produto.

    Café amazônico combina produtividade com preservação

    O café entrou no Brasil pela Amazônia em 1727. Quase 300 anos depois, a região protagoniza uma nova fase com o café amazônico, que a Embrapa desenvolveu em Rondônia.

    A Embrapa adaptou essa variedade ao clima tropical. A alta produtividade representa uma oportunidade única para pequenos produtores e para a recuperação de áreas degradadas.

    “O café amazônico é um produto compatível com a floresta, que pode ser 50 a 100 vezes mais rentável que a pecuária. Ele simboliza uma nova economia amazônica, que gera renda sem destruir”, destaca Viana.

    Rondônia e Acre lideram o avanço desse café, com exportações superiores a US$ 130 milhões. O produto alia tecnologia, sustentabilidade e alto potencial no mercado de cafés especiais.

    Açaí evolui de alimento regional para superalimento global

    O açaí (Euterpe oleracea) evoluiu de alimento tradicional das populações ribeirinhas para o status de superalimento global. O fruto representa o exemplo mais bem-sucedido de um produto compatível com a floresta. A Amazônia toda cultiva açaí, e o fruto movimenta cadeias produtivas que envolvem milhares de famílias, sobretudo no Pará e no Amapá.

    Jorge Viana coloca o açaí como peça central na agenda climática: “Com a COP30 no Brasil, teremos recursos inéditos para restauração florestal e sistemas agroflorestais. O açaí precisa estar no centro dessas políticas.”

    Além de ativo econômico, o açaí desempenha papel estratégico na recuperação de áreas degradadas. O fruto consolida sistemas agroflorestais (SAFs), que combinam produção e conservação. O Brasil também avança em soluções tecnológicas e sanitárias para ampliar exportações e agregar valor.

    Cacau amazônico busca reconquistar mercado global

    A floresta amazônica originou o cacau (Theobroma cacao), uma das bases da biosocioeconomia brasileira. Embora a produção africana tenha transformado o fruto em seu símbolo — Costa do Marfim e Gana respondem por cerca de 70% da produção mundial —, a Amazônia guarda as raízes genéticas e culturais do cacau.

    Viana destaca uma distorção no mercado: apenas 6% a 7% do valor do chocolate global permanece com os produtores de cacau. Indústrias da Europa e dos Estados Unidos capturam a maior parte. “Isso precisa mudar. O produtor amazônico precisa receber melhor remuneração, e o Brasil tem que voltar a ocupar seu espaço como referência em cacau de origem”, defende.

    Após décadas de retração causada pela vassoura-de-bruxa, o setor vive um renascimento. O Brasil voltou a produzir centenas de milhares de toneladas. O país investe em tecnologias de cultivo a pleno sol, inovação que pode revolucionar o setor e ampliar a produção nacional.

    O cacau amazônico compõe sistemas agroflorestais junto com o açaí e a castanha. Esse tripé de sustentabilidade une recomposição florestal e geração de renda local. “O cacau está vivendo uma nova fase: é cultura, é economia e é inclusão social”, resume Viana.

    Piscicultura amazônica representa fronteira econômica inexplorada

    A Amazônia detém 12% da água doce do planeta e um dos maiores potenciais pesqueiros do mundo. Com 4 mil quilômetros de rios navegáveis e 25% da biodiversidade global, a região funciona como berço natural de espécies e alimentos sustentáveis.

    Jorge Viana defende que o Brasil transforme esse patrimônio em nova fronteira econômica sustentável: “Se temos 12% da água doce do planeta, precisamos manejar essa água para produzir proteína.”

    Espécies emblemáticas como pirarucu, tambaqui e tilápia sustentam a piscicultura amazônica. A atividade representa uma fonte estratégica de renda, alimentação e exportação, ainda pouco explorada.

    A ApexBrasil apoia o avanço dessa cadeia. A agência promove o pescado brasileiro em novos mercados e integra projetos-modelo de manejo sustentável, especialmente na Bacia dos Solimões. Comunidades extrativistas já lideram exemplos de sucesso na região.

    “A piscicultura pode se tornar o maior ativo econômico da Amazônia, unindo conservação da água, produção de proteína e geração de renda local”, conclui Viana.

    COP30 abre janela de oportunidade para biosocioeconomia

    O trabalho da ApexBrasil com esses produtos exemplifica a visão de uma biosocioeconomia de floresta em pé. Essa abordagem une saber tradicional, inovação tecnológica e acesso a mercados internacionais.

    Com a COP30 em Belém, o mundo volta seus olhos à Amazônia. O Brasil tem a oportunidade de mostrar que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos. “A floresta pode ser nossa maior fonte de riqueza e de equilíbrio climático. Cabe a nós transformar esse potencial em realidade”, finaliza Jorge Viana.

  • Cerrado se torna nova fronteira do açaí com tecnologia de irrigação e pesquisa

    Cerrado se torna nova fronteira do açaí com tecnologia de irrigação e pesquisa

    A Embrapa Cerrados realizou nos dias 30 e 31 de outubro um workshop que capacitou cerca de 50 técnicos extensionistas do Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Bahia para o cultivo de açaizeiro irrigado no Cerrado. O evento “Sistema de produção sustentável de açaizeiro irrigado no Cerrado: capacitação e experiências” marca um avanço na expansão dessa cultura tipicamente amazônica para novas regiões produtoras.

    Foto: Embrapa

    Os participantes assistiram a palestras técnicas e visitaram tanto a área experimental da Embrapa Cerrados quanto propriedades rurais do DF que cultivam açaí com mudas desenvolvidas pela instituição. Os pesquisadores Wanderlei de Lima e Fábio Faleiro coordenaram a programação.

    O chefe-geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro, destacou o potencial extraordinário do açaí para a região. “O Cerrado pode se tornar uma nova fronteira produtiva para essa espécie tipicamente amazônica”, afirmou. Ele classificou o açaí como “a cultura do momento” devido ao seu valor econômico, agronômico e nutricional.

    A Embrapa Cerrados completa 50 anos de atuação em 2024 e agora inicia uma fase voltada à diversificação agrícola com a introdução de culturas tropicais de alto valor. O cultivo do açaí no Cerrado começou em 2022 no âmbito da Rota da Fruticultura na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE-DF).

    Desafios climáticos exigem pesquisa e inovação

    Sebastião Pedro reconheceu que adaptar uma planta de ambiente úmido às condições do Cerrado apresenta desafios climáticos significativos. “Precisamos pesquisar e produzir ao mesmo tempo. Por ser uma planta perene, essa iniciativa foi muito ousada, mas topamos o desafio”, explicou o gestor.

    O pesquisador Wanderlei Lima ressaltou que os plantios de açaizeiro no DF e região já são realidade, enquanto os trabalhos de pesquisa avançam simultaneamente. O plantio mais antigo voltado à pesquisa na Embrapa Cerrados completa dois anos em 2024.

    A Embrapa Cerrados conduz atualmente dois experimentos de campo em 2,3 hectares: um voltado ao manejo de irrigação e outro à avaliação agronômica de progênies geneticamente superiores de açaí provenientes de Tomé-Açu (PA).

    “O estudo busca compreender o comportamento das plantas desde a germinação até o plantio definitivo”, explicou Wanderlei Lima. O trabalho inclui definição de sistemas de produção de mudas, manejo de irrigação, monitoramento de doenças e nutrição. A instituição também forma uma população base para melhoramento genético, com objetivo de desenvolver cultivares adaptadas ao Cerrado.

    No Brasil, três espécies principais de açaí são conhecidas: Euterpe edulis, E. precatoria e E. oleracea. “Compreender a adaptação dessas plantas às diferentes condições ambientais é essencial para o sucesso da cultura no Cerrado”, avaliou o pesquisador.

    Mercado em crescimento supera oferta

    O pesquisador João Tomé de Farias Neto, da Embrapa Amazônia Oriental, apresentou dados econômicos que demonstram o potencial da cultura. O açaí é o segundo produto agrícola mais importante do Pará, com cerca de 1,6 milhão de toneladas anuais, ficando atrás apenas da mandioca.

    Foto: Alexandre Veloso/Embrapa

    O setor enfrenta desequilíbrio entre oferta e demanda: o comércio do fruto cresce cerca de 15% ao ano, enquanto a produção aumenta apenas 5%. Esse descompasso eleva o preço do produto, que chega a R$ 80 por lata de 14kg em períodos de entressafra.

    “Quem quer ganhar dinheiro deve plantar açaí”, afirmou Tomé, especialista em melhoramento genético da cultura. Segundo ele, o mercado mundial ainda está longe de conhecer plenamente o potencial do fruto.

    Irrigação é fator essencial para sucesso

    Entre 70% e 80% da produção paraense ocorre no segundo semestre, o que provoca escassez e encarece o produto no início do ano. O cultivo em terra firme com irrigação permite escalonar a produção e garantir oferta constante.

    “Se não tem como irrigar, não deve plantar açaí”, alertou Tomé. O pesquisador enfatizou que a irrigação é fator essencial para o sucesso da cultura fora das várzeas amazônicas.

    O programa de melhoramento genético da Embrapa já lançou as cultivares BRS Pará (2005), primeira cultivar de açaí para terra firme no Brasil, e BRS Pai d’Água (2019), que se destaca por produção na entressafra e frutos menores. “Frutos menores produzem maior rendimento de polpa e melhor qualidade sensorial”, explicou Tomé.

    O especialista destacou a importância das abelhas nativas na polinização do açaizeiro. “A presença desses insetos aumenta a produtividade e a qualidade dos frutos, o que torna a apicultura uma atividade complementar estratégica para os produtores”, afirmou.

    Tomé prevê que a migração do açaí das várzeas para a terra firme irrigada é inevitável, tanto na Amazônia quanto em novas regiões como o Cerrado e o Nordeste, onde já há registros de produtividades superiores às do Pará.

    Produtores compartilham experiências de sucesso

    No segundo dia do evento, os participantes visitaram duas propriedades rurais que implantaram açaí há aproximadamente três anos. Os produtores compartilharam experiências relacionadas à implantação e ao acompanhamento da cultura.

    O extensionista da Emater DF, Felipe Camargo, observou que produtores têm migrado da produção de hortaliças para frutas. “Depois que apresentamos as questões relacionadas à possibilidade de receita e aos ganhos com a venda do açaí, muitos produtores têm se interessado. O açaí surge hoje como uma alternativa viável para a nossa região”, destacou.

    Foto: Embrapa

    Para o pesquisador Fábio Faleiro, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, o workshop foi um momento histórico. “A realização do evento foi importante para compartilhar as experiências de sucesso na pesquisa, transferência de tecnologia, extensão rural e políticas públicas, promovendo a inovação no campo”, afirmou.

    A Embrapa Cerrados tem promovido nos últimos anos a capacitação de agentes multiplicadores e produtores rurais em Fruticultura Tropical. Em 2024, a instituição lançou o livro “Fruticultura Tropical – capacitação e experiência de sucesso”, que registra a memória dessas capacitações sobre diferentes frutíferas, incluindo o açaí.

    Rota da Fruticultura impulsiona desenvolvimento

    A Rota da Fruticultura busca impulsionar o desenvolvimento sustentável da fruticultura no Distrito Federal e região. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) coordena o projeto, desenvolvido em conjunto com a Embrapa Cerrados e a Conab.

    A iniciativa envolve também o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a Superintendência Federal de Agricultura do DF, o Senar-DF, a Emater-DF e a Organização das Cooperativas do DF (OCDF). O objetivo é ampliar a produção e o fornecimento de frutas aos mercados interno e externo, gerar emprego e renda, e atrair novos agricultores para o setor.

    Mais informações:

    Acesse aqui a gravação do primeiro dia do evento:

    Acesse aqui o livro Fruticultura Tropical – capacitação e experiência de sucesso

    https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1174039/1/CPAC-2025-Fruticultura-tropical.pdf

    Plataforma e-campo (procurar por açaí): https://e-campo.sede.embrapa.br/

  • Tarifaço trava exportação de açaí para os EUA e força produtores a buscar novos mercados

    Tarifaço trava exportação de açaí para os EUA e força produtores a buscar novos mercados

    O aumento de 50% na tarifa de exportação para os Estados Unidos, imposto pelo governo de Donald Trump em agosto de 2024, travou as vendas de açaí para o mercado norte-americano. Produtores e cooperativas agora correm contra o tempo para encontrar novos destinos e evitar prejuízos que ameaçam milhares de empregos na Amazônia.

    A cooperativa Amazonbai, que reúne 161 ribeirinhos produtores de açaí do Amapá, cancelou o envio de polpa para os Estados Unidos. A decisão deixou 20 toneladas do produto paradas, sem destinação para venda.

    “O cliente disse que não arcaria com o custo adicional. Para não perder a carga e ter um prejuízo maior, conseguimos enviar para outro cliente em Portugal”, relata Amiraldo Picanço, presidente da cooperativa.

    Segundo Picanço, a Amazonbai também encontrou alternativas no mercado interno, em Santa Catarina e Brasília. “Mas ainda é pouco. Os EUA compravam 60% da nossa produção”, afirma.

    Cooperativas negociam com China e buscam reduzir dependência dos EUA

    A estratégia da Amazonbai agora passa pela abertura de novos mercados internacionais. Com apoio da Secretaria de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Amapá, a cooperativa já negocia com duas empresas da China.

    “Esperamos que, daqui a três ou quatro meses, estejamos aptos para vender para lá. Não podemos ficar dependentes do mercado norte-americano”, diz Picanço.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Os produtores do Pará, que detém cerca de 95% da produção nacional de açaí, enfrentam a mesma situação. Alex Carvalho, presidente da Fiepa (Federação das Indústrias do Estado do Pará), projeta retração de até 20,1% no volume total exportado aos EUA, com 8% concentrados apenas no açaí.

    Queda nas exportações ameaça 20 mil empregos na cadeia produtiva

    Os Estados Unidos representam o principal destino das exportações de açaí do Pará, com mais de 75% do total exportado. De janeiro a junho de 2025, o valor enviado ao mercado norte-americano alcançou US$ 43,6 milhões, crescimento de 59,34% em relação ao mesmo período de 2024.

    “Esse cenário compromete a competitividade do fruto, reduz a produtividade e ameaça milhares de empregos. Também atinge comunidades amazônicas que dependem da coleta, transporte e beneficiamento do açaí”, afirma Carvalho.

    Para Nazareno Alves, presidente da Amaçaí (Associação de Produtores de Açaí da Amazônia) e proprietário do restaurante Point do Açaí, em Belém, exportar açaí para os Estados Unidos tornou-se inviável. “Os empresários estão buscando outros mercados porque a conta não fecha”, diz.

    Alves ressalta que outros mercados “importam muito pouco em comparação com os EUA”.

    Impacto atinge toda a cadeia: da coleta ao beneficiamento

    O presidente da Fiepa destaca que o impacto não se restringe às indústrias exportadoras. A medida afeta toda a cadeia do açaí, desde a coleta até o beneficiamento, atingindo milhares de famílias amazônicas, incluindo agricultores familiares, cooperativas e ribeirinhos.

    No auge da safra, a colheita de açaí pode movimentar de R$ 15 a R$ 20 milhões por dia, com cerca de 250 mil latas produzidas diariamente. Esse ciclo virtuoso de emprego e renda beneficia barqueiros, carregadores e trabalhadores da floresta.

    “A retração nas exportações ameaça diretamente essa rede socioeconômica, pressionando para baixo os preços pagos ao produtor e comprometendo a renda de comunidades que têm no açaí uma das principais fontes de subsistência”, alerta Carvalho.

    O açaí gera cerca de 5 mil postos de trabalho diretos e 15 mil indiretos, que podem ser comprometidos pela queda nas exportações. Sem contar os milhares de trabalhadores informais envolvidos nas etapas de coleta, transporte e beneficiamento do fruto na floresta.

    Para Carvalho, a medida ameaça ainda o modelo de desenvolvimento sustentável da Amazônia, que combina geração de renda, inclusão produtiva e conservação da floresta.

    Mercados alternativos crescem, mas ainda não compensam perda

    Jhoy Gerald Silva, conhecido como Rochinha Jr., diretor de comunicação da Acpab (Associação da Cadeia Produtiva do Açaí de Belém), acredita que o tarifaço não afetará tanto os produtores e exportadores do fruto.

    “Com o aumento da demanda interna e a pouca produção nas áreas ribeirinhas, devido às mudanças climáticas, de dois anos para cá, acho que o impacto será mínimo”, avalia.

    Para ele, há uma sobrevalorização do mercado norte-americano. “Temos o Japão, a Europa, Portugal, Emirados Árabes Unidos. Além disso, com mais de 140 países vindo para a COP 30, que vão conhecer o açaí, a tendência é que novos mercados sejam criados”, argumenta.

    Rochinha Jr. é parceiro comercial da empresa Maná Açaí, que exportava cerca de 2% de açaí congelado para os Estados Unidos. “A maior parte da nossa produção vai para outros estados do Brasil, cerca de 75%, além de 12% para Portugal e o resto para o mercado paraense”, detalha.

    Ele também acredita que o programa anunciado em agosto pelo governo federal, de compra de açaí diretamente de produtores afetados pelo tarifaço, vai ajudar a aliviar os efeitos da interrupção da exportação para os EUA.

    Austrália e Holanda registram crescimento explosivo nas importações

    Dados da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) revelam que mercados como Austrália e Holanda vêm exibindo crescimento expressivo no interesse pelo açaí amazônico.

    Os Estados Unidos ainda lideram, com 58% do volume exportado. A Austrália responde por 15,6% do total, a Holanda aparece com 12,7% e o Japão com 11,2%.

    De janeiro a agosto de 2025, a Austrália importou 2.111 toneladas, ante 1.493 toneladas no mesmo período de 2024 — aumento de 41%. A Holanda apresentou alta ainda maior, passando de 260 toneladas para 1.726 toneladas no primeiro semestre — crescimento de 565%. O Japão também registrou variação de 563%, pulando de 229 para 1.515 toneladas.

    Na Austrália, o açaí tem sido consumido com toppings como granola, chocolate, frutas, Nutella, pistache e mel — bem diferente do hábito paraense. Holandeses relatam que, quando o produto chega ao mercado, o estoque esgota rapidamente, mesmo distribuído para vários supermercados.

    China e Rússia entram na disputa pelo superfruit amazônico

    Dados do Comex Stat mostram crescimento consistente das exportações de açaí para a China e Rússia no último ano. O volume movimentado ultrapassa toneladas mensais, sinalizando mudanças importantes na pauta exportadora brasileira.

    Mercados asiáticos mostram apetite crescente por produtos funcionais. O açaí compete diretamente com outras superfrutas globais, como blueberry e mirtilo, mas ganha destaque pelo apelo sustentável e pela rica identidade cultural da Amazônia.

    Transportar o açaí para longas distâncias exige rigor no controle de temperatura e um cronograma preciso desde o processamento até a entrega no destino final. Produtores investem em soluções inovadoras, como ultracongelamento e embalagens biodegradáveis, para preservar sabor e propriedades até o consumidor final.

    Mudanças climáticas reduzem produção em até 90% em comunidades

    Mudanças climáticas têm impacto direto na produção de açaí. Rochinha Jr. relata queda de cerca de 30% em relação ao ano passado. “O fruto está escasso. Os ribeirinhos estão perdendo muito devido à estiagem, porque não há irrigação, e porque não fazem o remanejo de terreno”, afirma.

    Na comunidade de Itacoan Miri, no município paraense de Acará, o açaí sustenta cerca de 600 famílias, segundo o produtor quilombola Adelino Cardoso. Com a estiagem do ano passado, ele estima queda de 90% na produção do fruto. “Tive que fazer praticamente uma nova plantação, com um novo sistema de irrigação”, conta.

    Nazareno Alves, da Amaçaí, também aponta os desafios trazidos pelas mudanças climáticas. “Para produzir bem o açaí, não pode ter nem muito sol nem muita chuva. Mas quando chega o inverno amazônico, são pancadas gigantes de água, o primeiro semestre todo. E no verão, é sol que não acaba mais”, explica.

    Setor articula com governo federal alternativas ao mercado americano

    Alex Carvalho, da Fiepa, diz que a instituição tem atuado de forma institucional e diplomática, articulando-se com o governo do Pará, o governo federal e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para dialogar com autoridades norte-americanas e buscar alternativas que preservem a competitividade do açaí amazônico.

    A federação analisa medidas de apoio, como linhas de financiamento específicas, seguro de crédito à exportação e incentivos à abertura de novos mercados.

    “No entanto, a diversificação exige tempo, já que envolve barreiras sanitárias, certificações, custos logísticos e negociações contratuais. Ainda assim, trata-se de uma prioridade para reduzir a dependência de um único destino e fortalecer a resiliência da bioeconomia regional”, afirma.

    O governo do Pará tem investido em modernização — da produção à logística — além de incentivar a certificação por Indicação Geográfica (IG) para valorizar o açaí paraense. Apesar do crescimento da exportação, 90% do açaí produzido permanece no Brasil.

    A tendência é que produtos como mix de açaí (mistura com frutas, granola etc.) e polpa em pó ganhem espaço, pois diminuem custos de transporte e permitem explorar novos nichos de mercado.

  • Café de açaí fortalece agricultores e conquista consumidores

    Café de açaí fortalece agricultores e conquista consumidores

    O café de açaí é uma bebida funcional inovadora produzida a partir do caroço do açaí, fruto típico da região amazônica. O processo envolve a torrefação e moagem do caroço seco, resultando em um pó que se assemelha ao café tradicional, porém sem cafeína.

    Essa bebida tem ganhado destaque pela combinação singular de sabor leve e amargo com múltiplos benefícios à saúde, conquistando espaço no mercado nacional e contribuindo para a sustentabilidade da produção familiar.

    Estudos científicos recentes demonstram que o café de açaí possui compostos bioativos importantes, como polifenóis, antioxidantes poderosos que combatem os radicais livres, causadores do envelhecimento celular e de doenças crônicas.

    Além disso, o caroço do açaí é rico em vitaminas A, D, E e K, que fortalecem o sistema imunológico, promovem a saúde dos ossos e melhoram a saúde cardiovascular. Um ponto de destaque é a presença de inulina. Ela é uma fibra solúvel que atua como prebiótico, ajudando a equilibrar a microbiota intestinal. Além de melhorar a digestão, reduzir o colesterol e contribuir para o controle da glicemia, beneficiando especialmente diabéticos.

    Sem cafeína

    Diferente do café convencional, o café de açaí não contém cafeína e, portanto, não provoca os efeitos colaterais associados ao estimulante, como ansiedade ou insônia. Pesquisas apontam que essa bebida pode ajudar na redução dos níveis de glicose e insulina no sangue, controle do peso corporal e redução da inflamação, além de promover a saúde cerebral com propriedades anti-inflamatórias e proteção contra doenças neurodegenerativas.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O preparo do café de açaí é simples e versátil: basta adicionar quatro colheres do pó em água quente ou fria, adoçando conforme a preferência. A bebida é uma alternativa saudável para quem busca energia e nutrientes sem os impactos negativos da cafeína. Além do benefício individual, sua produção aproveita resíduos do fruto, contribuindo para a economia circular e fortalecendo a agricultura familiar na região amazônica.

    Produtor do Espírito Santo conquista mercado

    No Espírito Santo, o produtor rural Clayton Nascimento é um exemplo de sucesso dessa inovação. Inicialmente, ele cultivava açaí para consumo próprio, mas a pandemia impulsionou seu empreendedorismo. Incentivado pela esposa, Clayton começou vendendo polpa de açaí em feiras livres. E logo descobriu o potencial do caroço torrado para a saúde, especialmente para diabéticos, após a recomendação de um cliente.

    Ele iniciou a produção do “Café de Açaí” de forma artesanal, torrando e moendo o caroço e embalando o produto para venda. O sucesso foi rápido: o produto conquistou consumidores fiéis, ganhou destaque e hoje é comercializado em diversas regiões do país, com produção que envolve toda a família. Além do café, Clayton também oferece mudas para cultivo do açaí e polpa do fruto.

    O crescimento do negócio permitiu investimentos em maquinário e aumento da produção, que já chega a mil quilos de pó de café de açaí por mês. A bebida é vendida em feiras, lojas de produtos naturais e na Central de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa). Clayton revela que seu sonho é expandir a presença do café de açaí em todo o estado, consolidando a bebida como fonte de renda e fortalecendo a agricultura familiar local.

  • Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    A chegada da primavera 2025, iniciada nesta segunda-feira (22) às 15h19, marca um divisor de águas para a agricultura brasileira. Conhecida como a estação das flores, a primavera marca transição entre o inverno seco e o verão chuvoso no Brasil, trazendo oportunidades e desafios únicos para diferentes regiões produtoras do país.

    No Espírito Santo, a transição promete ser especialmente significativa. Após um inverno caracterizado por tempo seco e temperaturas amenas, a Coordenação de Meteorologia do Incaper projeta cenário otimista com aumento gradual das temperaturas e retomada das chuvas, principalmente a partir de outubro.

    “Este é o momento de os agricultores se prepararem para essa estação. Independentemente do volume de chuvas, é essencial revisar equipamentos, planejar o uso eficiente da água e adotar boas práticas de manejo”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

    A cafeicultura arábica capixaba, cultivada em regiões de altitude, enfrenta momento crucial. A irregularidade das chuvas no início da primavera pode comprometer a uniformidade da florada – fator determinante para a produtividade futura. Produtores devem intensificar práticas que reduzam impactos de períodos curtos de estiagem.

    No cultivo do conilon, predominante no Norte e áreas de baixada no Sul do estado, a irrigação eficiente torna-se essencial. Com temperaturas mais altas previstas, o manejo hídrico adequado garantirá boa frutificação e evitará perdas significativas.

    Culturas tropicais demandam atenção redobrada

    O mamão, cultivado principalmente no Norte capixaba, pode enfrentar maior susceptibilidade à antracnose e mosca-das-frutas com o aumento da umidade. A pimenta-do-reino está mais vulnerável à fusariose, demandando manejo fitossanitário rigoroso. O cacau requer atenção especial contra a vassoura-de-bruxa, enquanto a banana necessita monitoramento constante contra sigatoka-negra e nematoides.

    Para a pecuária de corte e leite, a primavera apresenta cenário duplo. Enquanto as condições favorecem o crescimento das pastagens, melhorando a oferta de alimento, o calor acima da média pode gerar estresse térmico nos animais, reduzindo produtividade leiteira e comprometendo ganho de peso.

    O Incaper recomenda reforçar acesso dos animais à água de qualidade, disponibilizar áreas de sombra e adotar suplementação mineral adequada.

    Rio Grande do Sul: normalidade com variações sazonais

    No Rio Grande do Sul, a primavera 2025 tende a seguir padrão próximo da normalidade, segundo Flávio Varone, coordenador do Simagro-RS. “A primavera vai começar com condição bem típica da estação, com passagem de sistemas meteorológicos que provocam chuva regular e grande amplitude térmica”, explica.

    A previsão indica outubro úmido, com chuvas dentro ou acima da média na metade Norte do estado, seguido por novembro mais seco. As temperaturas devem apresentar grande amplitude térmica no início, com noites frias e tardes quentes, evoluindo para temperaturas mais elevadas em novembro e dezembro.

    Norte do Brasil: protagonismo na bioeconomia nacional

    A região Norte, responsável por significativa parcela da produção agrícola nacional, enfrenta cenários específicos durante a primavera. A primavera 2024 traz temperaturas acima da média e secas intensas, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, demandando estratégias adaptadas para cultivos regionais.

    O Estado comemora, por exemplo, a liderança na produção de açaí e dendê, respondendo por 90% do volume nacional. O Pará mantém posição de destaque, com 95% da produção do açaí se concentra no estado do Pará. A primavera representa período crucial para a safra, exigindo monitoramento constante das condições hídricas.

    A produção de 100% da área nacional de guaraná, 75% de açaí, 24% de cacau e 56% do dendê estão dentro do Bioma amazônico. R$ 24,4 bilhões (20,5%) foram gerados pela produção de açaí, mandioca, café, cacau, banana, cana, dendê, abacaxi, arroz, feijão e outros produtos da região, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas.

    Desafios climáticos regionais

    No entanto, em áreas do Matopiba, a expectativa de precipitação abaixo da média eleva o risco de dificuldades para a implantação da soja, conforme previsões do Inmet. A região Norte deve enfrentar chuvas irregulares e abaixo da média, dificultando o abastecimento hídrico e pressionando setores como agricultura e geração de energia.

    O Inmet afirma que o período é de “transição entre as estações seca e chuvosa no setor central do Brasil”, marcado pela convergência de umidade vinda da Amazônia. A ausência de influência significativa dos fenômenos El Niño ou La Niña mantém cenário de neutralidade climática, mas com variações regionais importantes.

    Temperaturas e precipitações previstas

    No Espírito Santo, as temperaturas máximas médias devem variar entre 24°C e 26°C na Região Serrana e entre 28°C e 30°C nas demais regiões. As mínimas ficam entre 15°C e 16°C na Serrana e cerca de 19°C nas outras áreas. O volume de precipitação deve ultrapassar 400mm no Caparaó, Grande Vitória e leste da Região Serrana.

    Hugo Ramos, coordenador de Meteorologia do Incaper, enfatiza: “O produtor rural deve adotar estratégias de manejo hídrico eficiente, intensificar o monitoramento fitossanitário e investir em práticas de bem-estar animal”.

    A primavera 2025 exige planejamento estratégico, aproveitando oportunidades de crescimento das lavouras e recuperação de pastagens, enquanto minimiza riscos de doenças, pragas e estresse térmico.

  • Exporta Mais Amazônia conecta empresas a compradores de cinco continentes

    Exporta Mais Amazônia conecta empresas a compradores de cinco continentes

    Rio Branco recebe de 28 de setembro a 2 de outubro a terceira edição do Exporta Mais Amazônia. O programa da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) conecta empresas brasileiras a compradores internacionais em rodadas de negócios focadas em produtos sustentáveis.

    A edição 2025 marca a maior expansão do programa desde 2023. Mais de 60 empresas da região Norte encontram 22 compradores estrangeiros de cinco continentes. Os importadores chegam ao Brasil interessados em produtos amazônicos sustentáveis.

    Programa já movimentou R$ 85 milhões em negócios

    Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, destaca o papel estratégico da iniciativa. “Criamos esse programa para reforçar o protagonismo da região amazônica na promoção de negócios sustentáveis”, afirma. “Demonstramos que é possível gerar oportunidades de exportação que impulsionam cadeias produtivas compatíveis com a floresta.”

    O Exporta Mais Amazônia comprova seu impacto significativo. Duas edições anteriores movimentaram mais de R$ 85 milhões em negócios. A primeira edição (2023) reuniu 35 empresas nortistas e importadores de 15 países no Acre. A segunda (2024) aconteceu em Belém com 33 empresas participantes e 15 compradores de 12 países, totalizando 231 reuniões de negócios.

    Empresas oferecem produtos florestais autênticos

    As empresas participantes apresentam açaí e frutas processadas, castanha-do-brasil, café robusta, artesanato, carnes suína e bovina, além de farinha de mandioca. Todos os produtos seguem práticas compatíveis com a floresta e beneficiam centenas de famílias extrativistas, agricultores e artesãos regionais.

    Os 22 compradores representam China, Bulgária, Indonésia, Irlanda, Holanda, Reino Unido, Rússia, Suíça, Colômbia, África do Sul, Peru, Chile, Japão, Índia e Moçambique. Os escritórios internacionais da ApexBrasil selecionaram e convidaram esses importadores.

    Experiência imersiva aproxima compradores da realidade amazônica

    Pedro Netto, representante do Escritório Regional Norte da ApexBrasil, explica a estratégia diferenciada. “Aproximamos compradores internacionais da realidade amazônica”, afirma. “Mostramos que os produtos da região carregam muito mais do que qualidade: eles representam modos de vida compatíveis com a floresta.”

    Os compradores participam de visitas a indústrias alimentícias locais e comunidades extrativistas. A experiência imersiva reforça o caráter sustentável e cultural da iniciativa.

    Rodadas de negócios acontecem no Sebrae Acre

    Igor Celeste, gerente Regional da ApexBrasil, destaca o momento principal do evento. “As rodadas de negócios representam uma grande oportunidade para que empresas brasileiras apresentem seus produtos, negociem preços e contem suas histórias”, explica. O contato direto facilita a concretização de negócios e fortalece relações de confiança.

    As rodadas acontecem nos dias 30 de setembro e 1º de outubro no auditório do Sebrae Acre. No dia 29 de setembro, o evento Diálogos reúne autoridades e especialistas para discutir oportunidades e desafios do comércio internacional.

    Empresas locais se preparam para exportar

    A Fruit Life, empresa de Rio Branco especializada em polpas de açaí, exemplifica o sucesso do programa. Fundada em 2020, a empresa participou do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) entre 2024 e 2025.

    “Nos sentimos prontos para a exportação após a qualificação oferecida pela Apex”, afirma Patrícia Coelho Galdino, sócia da empresa. “Nossa expectativa é apresentar os produtos, formalizar propostas e caminhar para efetivar as exportações com foco inicial no mercado latino-americano.”

    Biojoias amazônicas conquistam mercado italiano

    A Seiva Amazon Design, de Ananindeua (PA), transforma borracha amazônica nativa em biojoias sustentáveis. Lídia Abrahim, artesã e empreendedora, lidera a empresa em parceria com 40 mulheres de comunidades ribeirinhas.

    Lídia Abrahim e artesãs da Seiva Amazon Design. Foto: João Albuquerque

    “Nosso primeiro cliente de exportação foi conquistado através da rodada de negócios de artesanato em Mato Grosso do Sul”, conta Lídia. A empresa atualmente produz pedidos para um cliente italiano com envio previsto para outubro.

    A participação no programa elevou o padrão de produção e fortaleceu a rede de artesãs envolvidas. Para esta edição, Lídia prevê boas oportunidades no mercado europeu. “Essa clientela entende bem nosso produto e a questão sustentável, além de se identificar com o design das peças”, ressalta.

  • Cooperativa de Tomé-Açu impulsiona agrofloresta sustentável

    Cooperativa de Tomé-Açu impulsiona agrofloresta sustentável

    O cooperativismo na Amazônia assume múltiplas faces e mostra que há caminhos possíveis para conciliar produção agrícola, inclusão social e preservação ambiental. Enquanto na comunidade de Anã, em Santarém, o turismo ecológico fortalece famílias ribeirinhas e protege o ecossistema; em Tomé-Açu, no nordeste do Pará, agricultores encontraram na agrofloresta a resposta para frear a degradação causada pela expansão da pecuária e da soja. Neste município, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) se tornou símbolo de inovação, tradição e desenvolvimento sustentável — um modelo replicável para toda a Amazônia.

    Quase um século de cooperação

    Fundada em 1929 por imigrantes japoneses, a cooperativa nasceu em meio ao desafio de adaptar cultivos tropicais ao clima e ao solo amazônicos. Com o tempo, consolidou-se como protagonista na difusão de técnicas agrícolas e na criação de alternativas sustentáveis para crises enfrentadas pela região. Hoje, reúne mais de 600 famílias cooperadas e alcança um faturamento anual superior a R$ 124 milhões.

    Alberto Oppata, Presidente da CAMTA – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Seu parque agroindustrial permite beneficiamento e exportação de cacau, açaí, pimenta-do-reino, cupuaçu, maracujá e outras frutas tropicais. Os produtos chegam a mercados como da Europa, Ásia e América do Norte. Cada um leva consigo não apenas qualidade e rastreabilidade, mas também a marca de uma agricultura que respeita o meio ambiente e valoriza a diversidade cultural local.

    “Estamos celebrando também os 96 anos da imigração japonesa, que trouxe conhecimento agrícola e visão de comunidade para esta região”, recorda o presidente da cooperativa, Alberto Oppata. Para ele, o segredo da longevidade está na resiliência: depois da praga que dizimou a pimenta-do-reino nos anos 1960, os produtores aprenderam que diversificação e inovação eram o único caminho.

    Agrofloresta como alternativa de futuro

    O grande diferencial da cooperativa está na difusão dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), em que culturas agrícolas se misturam com espécies nativas da floresta. Essa integração recupera áreas degradadas, melhora o microclima, protege a biodiversidade e garante renda contínua ao agricultor.

    Ernesto Suzuki, Cooperado CAMTA/ CEO Casa Suzuki – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Um exemplo emblemático é o SAF dendê, conduzido pelo cooperado Ernesto Suzuki. Desde 2008, em parceria com a Natura, a Embrapa e instituições de pesquisa, ele testa técnicas de cultivo sustentável da palmeira, combinada a espécies como cacau, açaí e andiroba. O resultado é produção sem queimadas, com adubação orgânica e baixo custo de manutenção. “Hoje, conseguimos produzir dendê, cacau, açaí e andiroba juntos, mantendo equilíbrio ecológico e garantindo receita desde o primeiro ano”, explica Suzuki.

    Além da produção agrícola, Suzuki criou a Casa Suzuki em 2023, espaço dedicado à valorização da biodiversidade. Lá, cacau é transformado em chocolates finos, pesquisas com cogumelos avançam em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e turistas vivenciam experiências únicas, como o banho de floresta.

    Histórias que preservam a memória e a floresta

    A diversidade também marca a trajetória da família Mineshita, que há mais de três décadas aposta no sistema consorciado como forma de enfrentar pragas e garantir renda estável. Em 20 hectares, sendo 15 cultivados, o engenheiro agrônomo Armando Tamotsu Mineshita produz cacau, açaí, cupuaçu, banana, pitaya, rambutan e mangostão.

    Armando Mineshita, agricultor e cooperado CAMTA – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O modelo adotado cria um microclima que mantém a umidade, reduz o uso de adubos químicos e proporciona conforto até na hora da colheita. “Trabalhar no sol é difícil, mas aqui, pela manhã ou à tarde, a temperatura é sempre agradável”, comenta o agricultor. A produção atual chega a 10 toneladas de cacau, 7 de açaí e 7 de cupuaçu por ano.

    Para Mineshita, a grande lição é que a diversificação gera riqueza. “Aqui, aprendemos que é possível produzir em grande escala e, ao mesmo tempo, cuidar da floresta. A diversidade protege e fortalece a produção.”

    Inovação, inclusão e bioeconomia

    A Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu não é apenas uma associação de produtores. É também espaço de pesquisa, formação técnica e valorização social. A organização promove cursos de capacitação, mantém parcerias com universidades e empresas privadas e incentiva a participação feminina na gestão, com um comitê voltado para mulheres cooperadas.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Com esse trabalho, a cooperativa se tornou exemplo da bioeconomia amazônica, em que biodiversidade e conhecimento científico se transformam em geração de renda e oportunidades. Reconhecida nacional e internacionalmente, a experiência de Tomé-Açu é estudada por universidades e organismos multilaterais como modelo de agricultura tropical sustentável.

    Símbolo da Amazônia que dá certo

    As histórias de Oppata, Suzuki e Mineshita mostram que o futuro da Amazônia pode ser construído com base em tradição, ciência e cooperação. Mais que produzir alimentos, a cooperativa e seus associados criam uma narrativa de resistência e esperança: a de que é possível conciliar floresta em pé, qualidade de vida no campo e desenvolvimento econômico.

    Com quase um século de história, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu permanece como símbolo vivo de que a agricultura amazônica não precisa repetir o modelo predatório. Ao contrário: pode ser inspiração para o Brasil e para o mundo.