Tag: 2026

  • Carne bovina mantém preços elevados em março

    Carne bovina mantém preços elevados em março

    Os preços da carne bovina seguem elevados em março no atacado da Grande São Paulo. As exportações aquecidas sustentam o mercado, enquanto a oferta interna permanece limitada. Além disso, a carne bovina mostra comportamento diferente das proteínas concorrentes. Os preços de suínos e frango caem ao longo do mês.

    A carcaça casada bovina mantém firmeza mesmo durante a Quaresma. Nesse período, o consumo de carne bovina costuma recuar no mercado interno. Ainda assim, a proteína bovina resiste à maior competitividade das carnes substitutas. Esse cenário reforça a sustentação dos preços no atacado paulista.

    Segundo o Cepea, o mercado de suínos enfrenta pressão de oferta elevada. A produção supera o consumo e reduz os preços no setor. Como resultado, os produtores de suínos operam com margens mais apertadas.
    Os custos elevados também dificultam a recuperação da rentabilidade.

    Por outro lado, o mercado de frango segue em queda contínua. A oferta abundante e a demanda interna fraca pressionam as cotações. Na parcial de 27 de fevereiro a 24 de março, o Cepea aponta estabilidade na carne bovina. Enquanto isso, a carcaça suína recua 1,54% no período analisado. Além disso, o frango resfriado registra queda expressiva de 6,35% no mês.

  • Chuvas elevam expectativa de safra recorde de café

    Chuvas elevam expectativa de safra recorde de café

    O clima favorece a safra brasileira de café 2026/27 na maioria das regiões produtoras. Após um dezembro desafiador, 2026 trouxe condições climáticas mais favoráveis ao campo. Em dezembro, altas temperaturas e poucas chuvas prejudicaram o desenvolvimento das lavouras. Desde o início de 2026, no entanto, o cenário climático confirma perspectivas positivas aos produtores.

    Segundo pesquisadores do Cepea, chuvas marcaram a primeira quinzena de março nas regiões produtoras.
    Essas precipitações ajudaram o enchimento dos grãos de café arábica. Além disso, as chuvas contribuíram para o desenvolvimento final do café robusta.

    Com isso, o clima favorável reforça a expectativa de safra recorde de café em 2026/27. A produção de arábica deve impulsionar principalmente esse resultado positivo.

    No caso do robusta, pesquisadores indicavam uma expectativa inicial menos promissora para a temporada.
    Apesar disso, as condições climáticas também favoreceram o desenvolvimento dessa variedade.
    Embora março registre chuvas menos volumosas, o cenário ainda sustenta projeções otimistas. Assim, agentes do setor passaram a apostar em uma colheita próxima à safra passada.

  • Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Na madrugada deste sábado, EUA e Israel deflagraram ataques aéreos simultâneos contra Teerã, Qom, Isfahan, Tabriz e Kermanshah. O Irã respondeu com mísseis em bases americanas no Golfo e em Tel Aviv. O conflito não é apenas uma crise diplomática. Para o Brasil, representa uma ameaça concreta à cadeia produtiva do agronegócio, ao preço do combustível e à estabilidade do câmbio.

    O canal mais imediato entre a guerra e o bolso do brasileiro passa pelo barril de petróleo. Com o Estreito de Ormuz, por onde circula entre 20% e 30% de todo o petróleo do mundo, sob ameaça, analistas projetam que o preço pode saltar dos atuais US$ 71 para uma faixa entre US$ 120 e US$ 150. Cenários extremos, que envolvem o fechamento total do estreito, chegam a projetar valores acima de US$ 300.

    O Brasil depende fortemente do transporte rodoviário para escoar a produção do campo. Qualquer alta no diesel chega ao produtor rural antes mesmo de chegar ao consumidor final, e chega rápido. A inflação que começa no frete termina na prateleira do supermercado.

    Há um ângulo positivo, mas limitado: a Petrobras e os exportadores brasileiros de petróleo bruto ganham com a alta do barril. O risco, porém, é a pressão política por reajuste nos preços domésticos da gasolina, o que retroalimenta o ciclo inflacionário.

    Agronegócio: dois golpes em sequência

    O setor que mais sente o choque é o agronegócio, e por dois caminhos distintos. O primeiro é a dependência de fertilizantes importados. O Brasil compra do exterior cerca de 80% dos insumos que usa no campo. E o Irã figura entre os principais fornecedores de ureia, essencial para as safras de soja e milho. Um bloqueio nas rotas marítimas ou sanções ao comércio iraniano encarece esses insumos, aumenta o custo de produção e, no médio prazo, pressiona os preços dos alimentos.

    O segundo golpe vem do lado das exportações. O Irã foi, em 2025, o segundo maior destino do agronegócio brasileiro em volume, com US$ 2,9 bilhões em compras. O milho sozinho respondeu por US$ 1,9 bilhão, quase 68% do total. E a soja contribuiu com outros 19,3%. Um conflito prolongado fecha esse mercado de maneira abrupta, sem substituto imediato no horizonte.

    Câmbio e juros: o impacto macroeconômico

    Crises geopolíticas globais favorecem o dólar em detrimento de moedas emergentes. O real tende a se desvalorizar, o que encarece as importações, entre elas, os fertilizantes. E obriga o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

    O cenário mais preocupante é aquele em que o conflito se prolong. Nesse caso, o Fed americano deve manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% por mais tempo, reduzindo o fluxo de capital para países emergentes. O PIB brasileiro, que já enfrenta projeção de crescimento de apenas 1,8% em 2026, ficaria ainda mais pressionado.

    Há algum lado positivo?

    Sim, mas circunscrito. Uma mudança de regime no Irã poderia, no médio prazo, ampliar a oferta global de petróleo e derrubar os preços. O que favoreceria a competitividade do agronegócio brasileiro. Por ora, porém, a incerteza domina o cenário e os riscos superam as oportunidades.

    O impacto mais imediato e certo já chegou: o preço do petróleo sobe e o diesel encarece. O risco mais grave, ainda incerto, é a combinação entre a perda do mercado iraniano para milho e soja e o encarecimento dos fertilizantes. Tudo depende de quanto tempo o conflito durar e se o Estreito de Ormuz de fato fechar. O Brasil torce para que seja uma crise curta. O agronegócio, mais do que qualquer outro setor, sabe o que está em jogo.

  • Oferta restrita eleva preços do feijão carioca

    Oferta restrita eleva preços do feijão carioca

    Os preços do feijão carioca registram forte alta em fevereiro no mercado brasileiro. Além disso, janeiro foi marcado pela recuperação do feijão preto no Brasil.

    O levantamento do Cepea mostra que a média parcial de fevereiro supera em mais de 20% janeiro.
    Além disso, em algumas regiões, a valorização do feijão carioca ultrapassa 30%. Os pesquisadores atribuem a alta às dificuldades na colheita da primeira e segunda safras. Eles também destacam as restrições de área cultivada nesta temporada. Com isso, a disponibilidade de feijão no Brasil deve atingir o menor nível em uma década.

    Estimativa de safra

    Os dados divulgados pela Conab estimam a safra brasileira em 2,97 milhões de toneladas.
    Esse volume representa a menor produção desde a temporada 2021/22. No entanto, quando se somam estoques iniciais e importações, a oferta interna alcança 3,09 milhões de toneladas. Ainda assim, esse total configura a menor disponibilidade em dez anos. O último volume semelhante ocorreu na safra 2015/16, quando o país registrou 3,04 milhões de toneladas disponíveis.

     

  • Exportação de suínos começa o ano com novo recorde

    Exportação de suínos começa o ano com novo recorde

    As exportações brasileiras de carne suína atingiram recorde histórico para janeiro, apontam pesquisadores do Cepea. Embora os embarques tenham recuado frente a dezembro, o setor registrou o maior volume já exportado para o mês.

    Dados da Secex, analisados pelo Cepea, mostram que o Brasil embarcou 115 mil toneladas em janeiro. O volume ficou 15% abaixo de dezembro, quando o País exportou 136 mil toneladas. Além disso, essa foi a maior retração mensal para o período desde 2022. Ainda assim, o resultado superou em 10% o volume de janeiro de 2025. Naquele mês, o Brasil havia embarcado 104 mil toneladas de carne suína.

    Com isso, janeiro de 2026 registrou o maior volume da série histórica da Secex. A série começou em 1997 e acompanha os dados oficiais de exportação. Segundo o Cepea, o desempenho reforça a expectativa de novo recorde anual. Portanto, o setor exportador de suínos mantém perspectiva positiva para 2026.

  • Alta global de fertilizantes aperta o bolso do produtor rural brasileiro

    Alta global de fertilizantes aperta o bolso do produtor rural brasileiro

    A forte demanda internacional por fertilizantes mantém os preços em patamares elevados no início de 2026, pressionando o custo de produção no campo e reduzindo o poder de compra do agricultor brasileiro. Dados da consultoria StoneX mostram uma piora significativa nas relações de troca, obrigando os produtores a desembolsar mais sacas de grãos para adquirir a mesma quantidade de insumos.

    Atualmente, o agricultor precisa vender cerca de 36 sacas de milho para comprar uma tonelada de uréia. Um aumento de cinco sacas em relação a janeiro. No caso da soja, a situação se repete: são necessárias quase 29 sacas para adquirir uma tonelada de MAP, também cinco sacas a mais que no começo do ano.

    Fatores globais que sustentam os preços

    O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, explica que o movimento reflete a valorização dos fertilizantes no mercado internacional. “Os principais países consumidores se preparam para a temporada de adubação da primavera no Hemisfério Norte. Este movimento sustenta os preços e impacta diretamente o Brasil”, destaca.

    Dois gigantes influenciam fortemente o mercado:

    • Estados Unidos: buscam garantir estoques para as aplicações da primavera, aumentando a demanda.
    • China: amplia suas compras internas e reduz o volume de exportações, restringindo a oferta global.

    Outro agente crucial é a Índia, que realiza grandes licitações de compra de ureia. “A expectativa de novas compras indianas reforçou a percepção de um mercado firme”, completa Pernías.

    Cautela e incerteza no mercado doméstico

    No Brasil, com o fim da janela de compra para a safrinha e um longo intervalo até a safra 2026/27 de soja, os produtores adotam postura cautelosa e tendem a adiar decisões, na esperança de condições mais favoráveis.

    No entanto, o analista da StoneX faz um alerta: não há garantias de melhora significativa no curto prazo. “A demanda norte-americana e chinesa pode perder força em algum momento, mas o apetite comprador do Brasil e da Índia tende a crescer ao longo do ano. Isso pode continuar sustentando os preços”, avalia Pernías.

    O cenário indica que os agricultores brasileiros continuarão enfrentando um ambiente de decisões complexas e custos elevados com fertilizantes. Pelo menos durante os primeiros meses de 2026.

  • Clima favorável reduz preços do café

    Clima favorável reduz preços do café

    Os pesquisadores do Cepea apontam melhora nas condições climáticas que beneficiaram as lavouras de café em janeiro. As chuvas regulares devem favorecer o enchimento dos grãos. Fevereiro começa com expectativa de continuidade da umidade. Esse período é crucial para a temporada de café.

    O cenário produtivo mais positivo pressiona as cotações. Os preços do café registram queda no mercado brasileiro. O indicador CEPEA/ESALQ do arábica recuou 3,7%. O preço caiu R$ 80,19 por saca em janeiro. O indicador encerrou janeiro a R$ 2.094,55 por saca. Já a média mensal atingiu R$ 2.178,82 por saca. O valor foi o menor desde outubro de 2025.

    Dentro da porteira

    No campo, produtores esperam safra maior em 2026/27. O clima adverso ainda pode trazer riscos à produção.
    O mês de dezembro teve calor intenso e baixa umidade. Ou seja, essas condições podem gerar grãos mal formados. Os especialistas alertam para possibilidade de cafés chochos.

  • Põe mais água no feijão: preços disparam em janeiro

    Põe mais água no feijão: preços disparam em janeiro

    Os preços do feijão avançaram com força no fim de janeiro. O movimento ocorreu em quase todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. O feijão preto e o carioca de melhor qualidade lideraram as altas.

    A restrição de oferta impulsionou as cotações no mercado interno. A colheita lenta da primeira safra também pressionou os valores. A produção menor em relação a 2025 reforçou o cenário altista. O problema afeta especialmente os estados do Sul do Brasil.

    No balanço do mês, o feijão carioca teve forte valorização. A média mensal registrou a maior alta dos últimos quatro meses. O feijão preto apresentou a variação mais intensa da série. O Cepea iniciou esse levantamento em setembro de 2024. Os pesquisadores comparam o quadro atual ao de janeiro passado. Naquele período, os preços do feijão mostraram retração. Agora, o mercado segue direção oposta e registra disparada.

    Dentro da porteira

    No campo, produtores enfrentam dificuldades na colheita nacional. Interferências climáticas atrasam os trabalhos em várias regiões. A Conab acompanha o ritmo da safra em todo o país. Até o dia 24, a colheita alcançou 28,3% da área. No ano passado, o índice atingiu 39% no mesmo período. A média dos últimos cinco anos chegou a 38,1%. O atraso reduz a oferta disponível no mercado brasileiro. Com menos produto, compradores disputam lotes de melhor qualidade. Esse cenário sustenta a alta dos preços do feijão.

  • Café lidera alta da cesta básica em 2025

    Café lidera alta da cesta básica em 2025

    O café foi o item da cesta básica que mais encareceu em 2025, segundo levantamento da Abic. O estudo foi divulgado nesta quinta-feira (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café. Além disso, a indústria projeta manutenção dos preços elevados do café em 2026. Isso ocorre porque os estoques globais seguem baixos, mesmo com expectativa de boa safra. Segundo Pavel Cardoso, presidente da Abic, a colheita deve recompor estoques mundiais. Assim, a maior oferta não deve reduzir os preços no curto prazo.

    Faturamento cresce apesar da queda no consumo

    O faturamento da indústria de café torrado cresceu 25,6% em 2025 frente a 2024. Com isso, a receita do setor alcançou R$ 46,24 bilhões. A Abic atribui o crescimento ao aumento do preço do café no varejo. Entre 2021 e 2025, o valor ao consumidor subiu 116%. No mesmo período, o preço pago ao produtor avançou ainda mais.
    O café arábica registrou alta acumulada de 212%.

    Clima reduz oferta e pressiona preços

    Problemas climáticos afetaram a produção de café nos últimos anos. Geadas, secas e altas temperaturas reduziram a disponibilidade de grãos. Como resultado, os preços subiram no mercado interno e externo. Com menos oferta, o consumo caiu 2,31% em 2025. Apesar disso, Cardoso avalia que o consumo brasileiro permanece resiliente. Segundo ele, a demanda se mantém estável mesmo após altas expressivas.

    Café encarece mais que outros itens da cesta básica

    O levantamento da Abic analisou seis produtos da cesta básica. Açúcar, leite, arroz e feijão ficaram mais baratos em 2025. O óleo de soja subiu 1,2%, enquanto o café avançou 5,8%. Assim, o café liderou a alta entre os itens analisados.

    Tarifas e estoques globais explicam alta

    Diversos fatores pressionaram os preços do café em 2025. O tarifaço de 50% dos EUA elevou as cotações em Nova York. Além disso, os estoques globais seguem baixos após quatro safras menores. Problemas climáticos afetaram principalmente o café arábica. A indústria também repassou parte dos custos ao consumidor. Segundo Cardoso, o café subiria mais 70% com repasse integral.

    Expectativa para o café em 2026

    Mesmo sem balanços oficiais, a Abic projeta boa safra em 2026. O La Niña trouxe condições climáticas mais equilibradas às lavouras. No entanto, Cardoso afirma que duas boas safras são necessárias. Somente assim os preços podem recuar de forma consistente. O foco atual da indústria é recompor os estoques globais. Ainda assim, o setor vê espaço para recuperação do consumo.

    Quedas pontuais já aparecem no varejo

    Em dezembro, alguns preços já recuaram no varejo. O café tradicional extraforte caiu 7,1% frente a novembro.
    O café em cápsulas registrou queda mensal de 13,2%. Na comparação anual, a redução chega a 16,8%. Segundo a Abic, isso ocorre pela menor quantidade de café por quilo. Além disso, acordos comerciais podem reduzir preços a partir de abril.

  • Chuvas retornam, mas clima preocupa citricultura

    Chuvas retornam, mas clima preocupa citricultura

    Apesar do retorno das chuvas em janeiro, o clima ainda preocupa a citricultura brasileira, segundo análises do Cepea. De acordo com o Centro de Pesquisas, o clima pode afetar o desenvolvimento da safra 2026/27 em diferentes regiões produtoras.

    Calor provoca queda de frutos

    Em algumas áreas, as altas temperaturas provocaram queda de frutos em vários estágios de desenvolvimento.
    Além disso, a entrada recente de uma frente fria trouxe ventos e ampliou a variação térmica. Esse cenário, portanto, também pode prejudicar o desenvolvimento das plantas ao longo do ciclo produtivo.

    Clima amplia incertezas para a safra

    Segundo agentes consultados pelo Cepea, ainda é cedo para projeções mais precisas sobre a safra. No entanto, o clima permanece como o principal fator de incerteza para o setor citrícola.

    Mercado reage ao aumento da demanda

    No mercado, o calor elevou a demanda por laranja de mesa em várias regiões. Em alguns momentos, os vendedores tiveram dificuldade para atender aos pedidos. Frutas com boa qualidade, bom tamanho e ratio adequado, portanto, alcançaram preços mais elevados.