Tag: 2026

  • Trigo gaúcho enfrenta risco de doenças após chuvas recordes em julho

    Trigo gaúcho enfrenta risco de doenças após chuvas recordes em julho

    As chuvas ganharam força nos últimos dias em parte do Brasil e elevaram o risco sanitário para as lavouras de trigo no Rio Grande do Sul. É o que aponta o relatório semanal da EarthDaily, empresa de sensoriamento remoto com dados de satélites.

    O levantamento mostra que a precipitação acumulada ficou acima da média em áreas do Centro-Oeste, em parte do Sudeste e no MATOPIBA. Os maiores volumes, porém, ocorreram na Região Sul: em algumas localidades gaúchas, os acumulados superaram 160 milímetros nos últimos 10 dias.

    Temperaturas revertem cenário de geadas

    O comportamento térmico também mudou de forma significativa. Na primeira quinzena de julho, termômetros marcaram até 5°C abaixo da média, com geadas em algumas regiões. Na última semana, esse quadro se inverteu: as temperaturas subiram até 7°C acima da normalidade, principalmente no Sul, o que reduz o risco de novos episódios de geada.

    Em contrapartida, o calor combinado à alta umidade do solo favorece a proliferação de doenças, sobretudo nas áreas que registraram excesso de chuvas.

    RS tem maior volume de chuva em 10 anos, diz especialista

    “No Rio Grande do Sul, a precipitação acumulada desde o início de julho atingiu o maior nível dos últimos 10 anos e deve permanecer elevada até o fim do mês. Apesar de um início mais seco, as chuvas intensas das últimas semanas mudaram o cenário. O excesso de chuvas tende a reduzir a radiação solar devido ao aumento da cobertura de nuvens. E pode favorecer a ocorrência de doenças, elevando o risco para as lavouras de trigo”, afirma Felippe Reis, analista de cultura da EarthDaily.

    trigo
    Foto: Arquivo Agro em Campo

    O índice de vegetação (NDVI) ainda indica condições favoráveis para as lavouras no estado, com valores superiores aos do ciclo anterior, quando a produtividade superou a tendência histórica. Contudo, a persistência do padrão úmido nos estádios finais da cultura pode comprometer o potencial produtivo e a qualidade dos grãos. Portanto, repetindo o que ocorreu em 2023.

    Paraná mantém boas condições, mas norte do estado preocupa

    No Paraná, o desenvolvimento do trigo segue favorável. Na maior parte do território, a precipitação acumulada nos últimos 30 dias superou tanto a média histórica quanto os volumes registrados nos últimos três anos, garantindo boa disponibilidade hídrica para a cultura.

    A exceção fica por conta do norte paranaense, onde os acumulados de chuva foram menores. Caso esse cenário de baixa precipitação persista nas próximas semanas, a região pode enfrentar redução da umidade do solo e aumento do risco de estresse hídrico.

    Chuvas reduzem ritmo da colheita da cana-de-açúcar no Sul

    Depois de cerca de 20 dias de tempo seco, a região Sul da zona canavieira, que reúne Paraná e Mato Grosso do Sul, voltou a registrar chuvas expressivas, com acumulados superiores a 20 milímetros nos últimos dias. O volume de precipitação reduziu o ritmo das operações de campo e chegou a interromper temporariamente a colheita em algumas áreas. A EarthDaily prevê normalização das atividades no início da próxima semana.

    Apesar da pausa momentânea, as lavouras de cana mantêm boas condições gerais. Na média, o NDVI aponta desenvolvimento satisfatório dos canaviais, com potencial produtivo semelhante ou até superior ao da safra passada.

    Modelos climáticos preveem novas chuvas fortes no Sul

    Os modelos ECMWF e GFS indicam continuidade das chuvas no Sul do país, com acumulados que devem superar 100 milímetros em parte do Rio Grande do Sul. O GFS projeta um cenário ainda mais chuvoso, com precipitações significativamente superiores às estimadas pelo ECMWF em algumas áreas da região.

    Os dois modelos também apontam temperaturas acima da média, o que reduz o risco de novas geadas no curto prazo e favorece tanto o desenvolvimento das lavouras quanto o avanço das operações de campo.

    A umidade do solo deve permanecer acima da média na maior parte das regiões produtoras de trigo, mantendo condições hídricas favoráveis à cultura. Em contrapartida, essa mesma umidade elevada continuará aumentando o risco de doenças nas lavouras de trigo do país.

  • Governo anuncia MP que renegocia dívidas rurais de até R$ 8 milhões por produtor

    Governo anuncia MP que renegocia dívidas rurais de até R$ 8 milhões por produtor

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, anunciaram nesta quarta-feira (15), em coletiva de imprensa, um acordo para viabilizar a renegociação de dívidas de produtores rurais. O governo formalizará as medidas por meio de uma medida provisória (MP), que Durigan prometeu publicar ainda nesta quarta.

    Segundo o ministro, a MP permitirá renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas do setor. O Ministério da Fazenda divulgará o impacto fiscal da medida somente após a publicação do texto.

    Quem pode aderir à renegociação

    A proposta beneficia produtores rurais e cooperativas de produção que registraram perdas entre 2019 e 2025. Na regra geral, poderão aderir os produtores que tiveram perdas em duas ou mais safras e redução de ao menos 30% da renda bruta. Para os casos de maiores perdas, o texto exige perdas em três ou mais safras e queda de 40% da renda bruta.

    Durigan afirmou que o governo desenhou as medidas para atender “a grande maioria dos agricultores”, especialmente os afetados por eventos climáticos ou quebras de safra, embora reconheça que nem todos os casos poderão ser contemplados. O ministro classificou o entendimento como resultado de cerca de um ano de negociações e destacou a participação técnica da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na construção da proposta.

    Quais dívidas entram na negociação

    A MP permitirá renegociar operações de crédito rural contratadas até 31 de maio de 2026. Para contratos adimplentes, o texto contemplará operações formalizadas até essa data. Já para contratos inadimplentes, poderão entrar na renegociação operações com vencimento entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026.

    Foto de uma grande plantação de trigo, vista de forma geral.
    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    Os recursos virão de linhas obrigatórias de crédito rural, equalizadas ou não, de recursos livres e de outras fontes que o Executivo ainda definirá. A proposta também autoriza o uso do Fundo Social e de fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda.

    Limites de renegociação por perfil de produtor

    A MP estabelece tetos diferentes conforme o perfil do produtor. Na regra geral, os limites chegam a:

    • R$ 400 mil para beneficiários do Pronaf, com possibilidade de ampliação para R$ 1 milhão;
    • R$ 2 milhões para operações do Pronamp, podendo alcançar R$ 4 milhões;
    • R$ 4 milhões para os demais produtores.

    Para os casos de maiores perdas, os limites sobem para:

    • R$ 500 mil no Pronaf, com possibilidade de chegar a R$ 1 milhão;
    • R$ 2,5 milhões no Pronamp, podendo alcançar R$ 4 milhões;
    • R$ 8 milhões para os demais produtores.

    Juros e prazos de pagamento

    As condições financeiras também mudam conforme o perfil do produtor e o nível de perdas. Para os casos gerais, a MP fixa juros de 6% ao ano no Pronaf, 9% no Pronamp e 12% para os demais produtores. Nos casos de maiores perdas, as taxas caem para 5%, 8% e 11% ao ano, respectivamente.

    Foto: Tony Oliveira/Sistema CNA/Senar

    Os produtores enquadrados na regra geral terão até oito anos para quitar os débitos. Já os que se enquadram nos critérios de maiores perdas contarão com prazo de até dez anos. Em ambos os casos, o texto prevê carência de até dois anos, período em que o produtor pagará apenas os juros, e dispensa a exigência de entrada.

    Garantias, CPRs e fundo garantidor

    A medida também permitirá o reaproveitamento das garantias já vinculadas às operações anteriores. Segundo Durigan, os bancos deverão ajustar essas garantias para adequá-las ao saldo renegociado. A MP ainda autorizará as instituições financeiras a prorrogar automaticamente, por até 30 dias, operações que estavam inadimplentes em 14 de julho de 2026, enquanto tramitam os pedidos de renegociação.

    O texto cria ainda regras específicas para as Cédulas de Produto Rural (CPRs). As instituições financeiras poderão substituir CPRs inadimplentes por novas operações com prazo de reembolso de até oito anos, e o Poder Executivo regulamentará outras regras posteriormente.

    Além disso, a proposta também cria um fundo garantidor voltado ao financiamento de médio e longo prazo para o setor agropecuário. Durigan afirmou que a União poderá aportar até R$ 2 bilhões nesse mecanismo e que o governo convidará outros participantes para integrar a estrutura. O texto ainda autoriza a União a participar de um fundo destinado a cobrir perdas decorrentes de eventos climáticos adversos.

    Próximos passos

    Com o acordo fechado, Durigan orientou os produtores a procurarem as instituições financeiras, especialmente o Banco do Brasil, para iniciar as renegociações e destravar a operacionalização do Plano Safra. “Encerramos esse debate hoje”, declarou o ministro.

    Hugo Motta explicou que a aprovação do projeto pelo Senado sem um entendimento prévio motivou a retomada das negociações entre governo e Congresso, na busca por uma solução que conciliasse as demandas dos produtores com as restrições fiscais. Segundo o presidente da Câmara, a proposta busca equilibrar o atendimento aos agricultores afetados pelas perdas com a preservação das contas públicas.

    A senadora Tereza Cristina (Progressistas-MS), vice-presidente da FPA, reconheceu que a MP não atenderá todos os produtores, mas afirmou que “a grande maioria estará incluída”. Segundo ela, parte do setor, especialmente no Rio Grande do Sul, defendia a aprovação do projeto de lei original, mas a MP já resolve o problema do acesso ao crédito. A parlamentar também destacou a criação do fundo garantidor, cuja implementação deverá avançar após o recesso parlamentar.

  • Seca ameaça segunda safra de milho no Centro-Oeste

    Seca ameaça segunda safra de milho no Centro-Oeste

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê seca mais intensa nas regiões centrais entre julho e setembro. Como resultado, a segunda safra de milho e as pastagens podem sofrer impactos. Ao mesmo tempo, o instituto espera chuvas fortes no centro e norte da Região Norte, na Região Sul e no litoral nordestino. Essas áreas devem manter boa disponibilidade de água no solo.

    O Boletim Agroclimatológico também analisa a influência do El Niño e das temperaturas do Atlântico. Além disso, o estudo avalia os reflexos sobre milho, feijão, algodão e pastagens.

    Norte terá menos chuva e temperaturas mais altas

    O Inmet prevê precipitações abaixo da média em grande parte da Região Norte. No norte do Amazonas, o déficit pode alcançar 100 milímetros. Além disso, as temperaturas devem superar a média histórica. As anomalias podem atingir até 2°C no Amazonas, Acre, Pará, Roraima, Tocantins e norte de Rondônia. Esse cenário favorece a redução dos níveis dos rios. Também aumenta o risco de incêndios e queimadas.

    Apesar disso, a boa reserva de água no solo beneficia o milho segunda safra e o sorgo. As lavouras estão em maturação e colheita. Segundo o Inmet, o clima seco reduz a umidade dos grãos. Além disso, amplia as janelas de colheita e preserva a qualidade da produção.

    Entretanto, setembro pode trazer dificuldades para lavouras tardias de milho e pastagens. Tocantins, Amapá e sudeste do Pará concentram maior preocupação. Nessas áreas, o déficit hídrico poderá atingir 130 milímetros.

    Chuvas irregulares já reduziram a umidade do solo

    Em junho, as chuvas ficaram concentradas no norte da Região Norte, litoral nordestino e parte da Região Sul. Essas regiões registraram acumulados superiores a 150 milímetros. Além disso, mantiveram armazenamento de água acima de 70% da capacidade disponível. As condições favoreceram o desenvolvimento do milho segunda safra e do feijão durante o enchimento dos grãos.

    Por outro lado, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Tocantins receberam menos de 40 milímetros de chuva. O mesmo ocorreu no norte de Minas Gerais, Espírito Santo, interior nordestino, sul do Pará e Rondônia. Além disso, o sudeste do Pará apresenta armazenamento de água inferior a 15% da capacidade disponível. Segundo o boletim, essa situação deve piorar nos próximos meses. Como consequência, as pastagens perderão vigor e poderão afetar os rebanhos.

    No Centro-Oeste, a baixa umidade favorece a maturação do algodão. Porém, aumenta o risco de perdas na segunda safra de milho. Esse cenário também pode elevar os custos da proteína animal no segundo semestre.

    Sul favorece milho, mas aumenta risco de doenças

    No Paraná, as chuvas favoreceram o desenvolvimento das lavouras de milho. As culturas de inverno também apresentam bom desempenho. No entanto, as chuvas frequentes elevam o risco de doenças fúngicas.

    Segundo o Inmet, os produtores precisam intensificar o monitoramento fitossanitário. O cuidado é ainda mais importante nas lavouras mais avançadas. Além disso, as chuvas reduzem as janelas para fertilização e aplicação de defensivos agrícolas.

    Entre julho e setembro, o norte do Rio Grande do Sul e o sul de Santa Catarina devem registrar volumes superiores a 150 milímetros.

    Nordeste exige atenção ao milho e ao feijão

    O Nordeste continuará com temperaturas acima da média histórica. Em algumas áreas, os desvios podem alcançar 2°C. A faixa litorânea deve manter boa umidade. Os Distúrbios Ondulatórios de Leste continuarão favorecendo as chuvas. Entretanto, agosto intensificará o déficit hídrico no oeste da Bahia e no interior da Paraíba e Pernambuco. Em setembro, o déficit poderá superar 100 milímetros em grande parte do interior nordestino.

    Segundo o Inmet, o cenário exige atenção às lavouras de milho e feijão de terceira safra cultivadas em sistema de sequeiro. O aumento da evapotranspiração pode comprometer a floração, a formação de vagens e o enchimento dos grãos. O risco é maior no semiárido oriental e na região do Sealba, formada por Sergipe, Alagoas e leste da Bahia. Enquanto isso, o algodão deve ganhar qualidade. Em contrapartida, as pastagens tendem a perder produtividade.

    Centro-Oeste deve concluir colheita com clima seco

    O Centro-Oeste terá temperaturas cerca de 2°C acima da média histórica. As chuvas registradas no primeiro semestre favorecem boa colheita de milho, sorgo e algodão. Além disso, o clima seco deve acelerar a conclusão da colheita e preparar as áreas para a próxima safra.

    No Pantanal, o inverno deve permanecer equilibrado. Já o norte de Mato Grosso e o nordeste de Goiás podem enfrentar déficit hídrico.

    Sudeste terá pressão sobre reservatórios

    O Sudeste deve manter volumes de chuva próximos da média histórica. Entretanto, Espírito Santo e nordeste de Minas Gerais podem registrar déficit hídrico. As temperaturas devem permanecer cerca de 1°C acima da média.

    O cenário favorece a cafeicultura, as hortaliças e as culturas irrigadas de inverno. Por outro lado, a demanda por água deve aumentar. Assim, os reservatórios podem sofrer maior pressão.

    El Niño continuará influenciando o clima

    O Inmet afirma que o El Niño seguirá influenciando o clima brasileiro até fevereiro de 2027. O fenômeno favorece chuvas na Região Sul. Além disso, altera o comportamento climático em outras partes do mundo.

    Já o Atlântico Tropical deve permanecer em condição de neutralidade durante os próximos meses.

  • Exportação de frango bate recorde histórico em 2026

    Exportação de frango bate recorde histórico em 2026

    As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram recorde histórico no primeiro semestre de 2026. O resultado veio mesmo diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio, um dos principais destinos da proteína brasileira.

    Segundo pesquisadores do Cepea, o desempenho confirma a capacidade da avicultura nacional de ampliar mercados e reduzir os impactos das instabilidades internacionais. Em 2025, o Oriente Médio respondeu por quase 25% das exportações brasileiras de carne de frango. Neste ano, porém, os conflitos na região desafiaram o comércio internacional.

    Exportação de frango cresce apesar da crise no Oriente Médio

    O Cepea explica que os desdobramentos do conflito afetaram o tráfego no Estreito de Ormuz. Como consequência, o recebimento da carne de frango enfrentou dificuldades em diversos países da região. Mesmo assim, o Brasil manteve o ritmo das exportações ao ampliar as vendas para outros mercados estratégicos.

    Os embarques para os Emirados Árabes Unidos recuaram 8,3% no primeiro semestre, frente ao mesmo período de 2025. Por outro lado, as vendas ao Japão cresceram 21,2%. Além disso, os embarques para a África do Sul avançaram expressivos 38,3%. Segundo o Cepea, esse movimento demonstra a ampla diversificação da carteira de compradores da avicultura brasileira.

    Maior volume nas exportações de carne de frango

    O levantamento da Secex, analisado pelo Cepea, mostra que o Brasil exportou 2,9 milhões de toneladas de carne de frango, entre produtos in natura e processados, no primeiro semestre. O volume representa alta de 12,9% sobre as 2,6 milhões de toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.

    Além disso, o resultado estabelece o maior volume para um primeiro semestre desde o início da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior, em 1997.

    Exportação de ovos cresce com aumento das compras do Chile

    As exportações brasileiras de ovos voltaram a avançar em junho. Segundo o Cepea, o principal fator foi o aumento da demanda do mercado chileno.

    Dados da Secex mostram que o Brasil embarcou 2,59 mil toneladas de ovos in natura e processados no mês. O volume cresceu 19% em relação a maio. Contudo, permaneceu 60% abaixo do registrado em junho de 2025.

    Chile lidera importações de ovos brasileiros pelo quinto mês

    O Chile permaneceu como principal destino dos ovos brasileiros pelo quinto mês consecutivo. Em junho, o país importou 1,87 mil toneladas do produto. O volume representa crescimento de 41% frente ao mês anterior.

    Segundo pesquisadores do Cepea, o avanço das compras ocorreu após o Chile confirmar, em abril, o primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial. Desde então, o mercado chileno intensificou as importações de ovos do Brasil, fortalecendo o desempenho das exportações brasileiras da proteína.

  • Preço do boi gordo sobe no primeiro semestre de 2026

    Preço do boi gordo sobe no primeiro semestre de 2026

    O preço do boi gordo encerrou o primeiro semestre de 2026 em alta. A baixa oferta de animais para abate, a valorização do bezerro e a demanda aquecida da China sustentaram as cotações em toda a cadeia pecuária.

    Os pesquisadores do Cepea destacam que o elevado abate de fêmeas também influenciou o mercado. Esse cenário reduz a disponibilidade futura de animais terminados e reforça a tendência de preços firmes.

    Baixa oferta impulsiona o mercado do boi gordo

    Durante os seis primeiros meses do ano, a oferta restrita de boi gordo pronto para abate deu sustentação aos preços. Ao mesmo tempo, a valorização do bezerro fortaleceu o mercado de reposição. Além disso, o elevado número de fêmeas destinadas ao abate deve limitar a oferta de animais nos próximos meses.

    A demanda internacional também contribuiu para esse movimento. A China manteve forte interesse pela carne bovina brasileira e ajudou a sustentar as cotações. Segundo o Cepea, esses fatores garantiram valorização em todos os segmentos da cadeia pecuária.

    Indicador do boi gordo registra alta no semestre

    Em junho, o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ, no estado de São Paulo, fechou com média à vista de R$ 347,59 por arroba. O valor representa alta real de 4,6% sobre janeiro. Naquele mês, a média foi de R$ 332,14 por arroba, considerando a correção pelo IGP-DI de maio de 2026.

    Abril teve a maior cotação da arroba

    O Cepea informa que abril registrou o maior preço do semestre. Naquele mês, a arroba do boi gordo atingiu média real de R$ 365,93 em São Paulo. Os pesquisadores explicam que a transição da safra para a entressafra reduziu a oferta de animais terminados. Como resultado, os preços avançaram.

    Mercado contraria comportamento histórico

    A série histórica do Cepea, iniciada em 1997, mostra que os preços da arroba costumam cair entre janeiro e junho. Esse comportamento reflete a maior disponibilidade de animais para abate no primeiro semestre.

    Em 2026, porém, o mercado seguiu direção diferente. A oferta restrita de boi gordo manteve os preços elevados e contrariou a sazonalidade do setor pecuário.

     

     

  • Lua Cheia de junho: entenda a origem do nome “Lua de Morango”

    Lua Cheia de junho: entenda a origem do nome “Lua de Morango”

    A Lua Cheia de junho ganhou um nome chamativo, mas a denominação não tem relação com a aparência do satélite natural. Nesta segunda-feira (29), o fenômeno conhecido como Lua de Morango atingiu sua fase máxima às 20h56 (horário de Brasília), com o disco lunar 100% iluminado. E sem qualquer tonalidade rosada ou avermelhada.

    O termo remete a tradições de povos indígenas da América do Norte, que usavam os ciclos lunares como calendário agrícola. Esses povos associavam a Lua Cheia de junho ao período de colheita dos morangos silvestres, e o nome se popularizou com o tempo. Para a Astronomia, porém, trata-se de uma Lua Cheia comum, sem particularidades físicas que a diferenciem das demais ao longo do ano.

    Quando e como observar o fenômeno

    O melhor momento para acompanhar a Lua de Morango não é necessariamente o horário exato da fase Cheia, mas sim o instante em que ela nasce no horizonte leste, pouco depois do pôr do Sol.

    Nesse momento, a Lua pode aparecer com tons amarelados ou alaranjados, efeito causado pela maior quantidade de atmosfera terrestre atravessada pela luz nesse ângulo. Ela também tende a parecer maior do que realmente é, fenômeno conhecido como Ilusão da Lua, uma percepção visual e não uma alteração real de tamanho.

    A Lua de Morango ocorre durante a Lua cheia deste mês e promete encantar observadores de todas as regiões do Brasil.

    Especialista recomenda observação a olho nu

    O astrônomo Marcos Calil, professor e referência em divulgação científica, destaca que o evento é uma porta de entrada acessível para o público se conectar com a Astronomia. Segundo ele, basta olhar para o horizonte leste logo após o pôr do Sol e aguardar o surgimento da Lua, que aparecerá grande e cheia, ideal para observação e até para fotos feitas com celular.

    Calil reforça que não é necessário ter telescópios ou equipamentos sofisticados para aproveitar o espetáculo. Para quem quiser se aprofundar no tema, a Urânia Planetário realiza transmissões ao vivo semanais, sempre às terças-feiras, às 19h30, em seu canal no YouTube, com orientações de observação do céu e conteúdo voltado à divulgação científica.

  • Agro em Campo fica entre os mais admirados do segmento na maior premiação de jornalismo agro

    Agro em Campo fica entre os mais admirados do segmento na maior premiação de jornalismo agro

    O Agro em Campo conquistou destaque nacional ao chegar à final da premiação +Admirados da Imprensa do Agronegócio 2026. Além disso, o repórter PH Lopes garantiu vaga entre os 50 jornalistas mais admirados do setor. O Portal dos Jornalistas realizou a cerimônia de premiação nesta segunda-feira (22), em São Paulo. O evento reuniu os principais veículos e profissionais especializados na cobertura do agronegócio.

    PH Lopes. Foto: divulgação – Mais Admirados da Imprensa do Agronegócio

    Reconhecimento

    Criado há dois anos, o Agro em Campo nasceu com a missão de levar informações relevantes do setor aos brasileiros. Desde então, o portal ampliou sua audiência e consolidou sua presença no jornalismo agropecuário.

    Foto dos premiados no  Mais Admirados da Imprensa do Agronegócio 2026
    Foto: divulgação – Mais Admirados da Imprensa do Agronegócio 2026

    A indicação entre os finalistas reforça o crescimento do veículo. Além disso, reconhece o trabalho desenvolvido na cobertura de um setor que responde por cerca de 25% do PIB nacional.

    A sexta edição da premiação também entrou para a história. A jornalista Kelly Godoy, da Record News, conquistou o título de mais admirada do agronegócio pela terceira vez consecutiva. Com a vitória, Kelly tornou-se a maior vencedora da premiação. Antes dela, o reconhecimento ficou com Renata Maron, em 2023, Beatriz Gunther, em 2022, e Sidnei Maschio, em 2021. Durante o evento, Kelly agradeceu aos colegas e destacou a presença feminina no jornalismo agropecuário. Segundo ela, o prêmio incentiva a participação das mulheres na editoria. Além disso, reforça a importância do trabalho coletivo realizado diariamente.

    Kelly Godoy recebendo premio
    Foto: Mais Admirados da Imprensa do Agronegócio 2026 / Divulgação

    O ranking dos dez jornalistas mais admirados contou com Gabriel Azevedo, em segundo lugar. Aleksander Horta ficou na terceira posição. Fernanda Pressinott ocupou o quarto lugar. Já Isadora Duarte terminou na quinta colocação. Nayara Figueiredo apareceu em sexto lugar. Isadora Camargo ficou na sétima posição. Alessandra Mello conquistou o oitavo lugar. Victor Faverin e Fabiano Reis completaram o grupo dos dez mais admirados.

    Homenageado do ano

    A cerimônia também homenageou Johnny Saad, presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Durante o discurso, Saad destacou a importância dos jornalistas na divulgação das informações do setor. Ele também ressaltou a relevância estratégica do agronegócio para o Brasil.

    Jhonny Saad
    Foto: Mais Admirados da Imprensa do Agronegócio 2026 / Divulgação

    Outro reconhecimento especial ficou com David Cardoso. O repórter e produtor da AgroBand Bahia recebeu o Troféu Revelação do Ano.

    A edição 2026 dos +Admirados da Imprensa do Agronegócio contou com apoio de empresas, entidades e instituições ligadas ao setor. O prêmio consolidou-se como uma das principais homenagens ao jornalismo agropecuário brasileiro.

  • Exportações de carne bovina batem recorde em 2026

    Exportações de carne bovina batem recorde em 2026

    As exportações brasileiras de carne bovina registraram recorde nos cinco primeiros meses de 2026. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram o melhor resultado da série histórica iniciada em 1997.

    Entre janeiro e maio, o Brasil embarcou 1,36 milhão de toneladas da proteína. O volume supera em 14,4% o registrado no mesmo período de 2025. Além disso, o resultado fica 26,6% acima do observado nos cinco primeiros meses de 2024. A receita também atingiu nível recorde no período. As vendas externas somaram R$ 40,207 bilhões até maio. O valor representa avanço de 20,24% em comparação aos R$ 33,44 bilhões registrados um ano antes.

    Segundo pesquisadores do Cepea, o dólar valorizado e o aumento do preço por tonelada favoreceram o desempenho. Na média, a carne bovina exportada foi negociada a R$ 29,5 mil por tonelada.

    Maio registra maior faturamento do ano

    Somente em maio, o Brasil exportou 290,453 mil toneladas de carne bovina. O volume cresceu 2,5% frente a abril e avançou 17,2% na comparação com maio de 2025. O preço médio alcançou R$ 31.135,21 por tonelada no mês. Com isso, o faturamento chegou a R$ 9,04 bilhões.

    O resultado ficou 5,35% acima do registrado em abril. Além disso, superou em 28,08% o faturamento obtido em maio do ano passado.

    Mercado internacional fortalece pecuária brasileira

    O forte avanço das exportações reforça a importância do mercado internacional para a pecuária brasileira. Os pesquisadores do Cepea destacam que os preços historicamente elevados da proteína sustentam o crescimento dos embarques e da receita.

    Além disso, o cenário ganha relevância durante a transição entre safra e entressafra. Nesse período, a oferta de animais prontos para abate aumenta ligeiramente.

    Ao mesmo tempo, o consumo doméstico segue enfraquecido. As proteínas concorrentes também ampliam a competitividade no mercado interno. Diante desse contexto, as exportações continuam como um dos principais sustentáculos da cadeia da carne bovina no Brasil.

  • Mais turistas, mais demanda: o impacto direto no agronegócio brasileiro

    Mais turistas, mais demanda: o impacto direto no agronegócio brasileiro

    O turismo doméstico brasileiro mantém trajetória de crescimento em 2026 e, ao mesmo tempo, começa a gerar efeitos concretos sobre o agronegócio. Dados recentes mostram que o país ultrapassou 17 milhões de passageiros em voos nacionais apenas no primeiro bimestre, o que representa alta de 8% em relação ao mesmo período de 2025.

    Esse avanço reflete uma mudança clara no comportamento do consumidor. Com o dólar valorizado e um cenário internacional instável, os brasileiros passaram a priorizar viagens dentro do país. Como resultado, destinos consolidados registram aumento no fluxo turístico e, consequentemente, ampliam a demanda por alimentos, insumos e serviços ligados ao agro.

    Novo cenário global redireciona consumo e fortalece o mercado interno

    A atual conjuntura internacional tem papel decisivo nessa transformação. De acordo com Márcio Piccoli, diretor de operações do Amazon Parques & Resorts, o contexto global influencia diretamente o turismo nacional.

    “A valorização da moeda americana encarece viagens ao exterior, enquanto conflitos no Oriente Médio elevam a volatilidade do setor aéreo, o que impacta o custo das passagens e a previsibilidade das viagens internacionais. Esse quadro tem direcionado o fluxo para destinos nacionais e ampliado a demanda por hospedagens mais estruturadas”, afirma.

    Nesse sentido, o aumento do turismo interno não apenas movimenta o setor de serviços, mas também fortalece o mercado interno como um todo. Portanto, o agronegócio passa a se beneficiar de uma demanda mais previsível e regionalizada.

    Penha (SC) exemplifica como turismo impacta o agro

    O município de Penha, no litoral norte de Santa Catarina, já demonstra na prática os efeitos desse crescimento. Conhecida por abrigar o parque temático Beto Carrero World, a cidade registrou um aumento expressivo na chegada de turistas por via aérea.

    Na última temporada, o modal aéreo cresceu 46,9% e passou a representar 14,2% do total de visitantes. Além disso, o gasto médio por turista atingiu R$ 8.224, o segundo maior da série histórica. Já a despesa média com hospedagem chegou a R$ 4.359, valor 26% acima da média histórica.

    Esses números revelam um ponto estratégico para o agronegócio. Turistas com maior poder de consumo tendem a demandar alimentos de melhor qualidade, produtos diferenciados e experiências gastronômicas. Dessa forma, produtores rurais encontram espaço para agregar valor e diversificar a produção.

    Expansão da hotelaria impulsiona cadeias produtivas rurais

    Ao mesmo tempo, o crescimento do turismo estimula novos investimentos em infraestrutura. O Amazon Parques & Resorts, em construção em Penha, ilustra essa tendência. O empreendimento terá mais de 20 mil metros quadrados de área construída, com três torres, mais de 200 unidades de multipropriedade, 420 leitos e capacidade para até 1.056 hóspedes.

    Para o agronegócio, isso representa uma oportunidade direta. Hotéis e resorts desse porte necessitam de fornecimento contínuo de alimentos, bebidas e insumos. Assim, produtores locais podem estabelecer parcerias estratégicas, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade.

    Cadeias curtas ganham força e valorizam o produtor local

    Com o aumento do fluxo turístico, cresce também a valorização de produtos regionais. Restaurantes e hotéis buscam diferenciação por meio da gastronomia local, o que impulsiona cadeias curtas de abastecimento.

    Além disso, esse movimento reduz a dependência de grandes centros distribuidores. Por outro lado, exige maior profissionalização dos produtores, especialmente em aspectos como regularidade de entrega, padronização e certificações.

    Ainda assim, o cenário é positivo. Regiões que integram turismo e agro tendem a capturar mais valor econômico. Portanto, o avanço do turismo doméstico pode se consolidar como um vetor importante de desenvolvimento rural.

    Oportunidade estratégica para o agro brasileiro em 2026

    Diante desse contexto, o agronegócio brasileiro encontra uma nova frente de crescimento. O aumento do turismo interno amplia o mercado consumidor e cria canais alternativos de comercialização.

    Além disso, produtores que atuam próximos a polos turísticos podem reduzir a exposição a oscilações do mercado externo. Dessa forma, o fortalecimento do consumo interno contribui para maior estabilidade e previsibilidade no setor. 

  • Exportações de frango batem recorde no primeiro trimestre

    Exportações de frango batem recorde no primeiro trimestre

    As exportações brasileiras de carne de frango atingiram recorde no primeiro trimestre de 2026. Mesmo assim, o cenário geopolítico seguiu desafiador e exigiu atenção do setor.

    De janeiro a março, o Brasil embarcou 1,45 milhão de toneladas de carne de frango. Assim, o volume superou em 0,7% o recorde anterior, de 1,44 milhão de toneladas, registrado em 2025.

    A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou os dados analisados pelo Cepea. Além disso, a série histórica do Cepea começou em 1997. O resultado surpreendeu agentes do setor consultados pelo Cepea.  Isso ocorreu porque o início do ano costuma registrar menor demanda internacional.

    Nesse contexto, as exportações geralmente ganham força apenas no segundo semestre. Ainda assim, o desempenho positivo contrariou essa tendência sazonal. Em março, o setor monitorou possíveis impactos do conflito no Oriente Médio. Por isso, agentes mantiveram cautela diante de riscos ao mercado brasileiro.

    Apesar do avanço nas exportações, os preços internos da carne de frango caíram em março. Ou seja, o bom desempenho externo não sustentou as cotações domésticas.

    Agora, em abril, o Cepea registra aumento nos valores de negociação. Esse movimento reflete o reajuste dos fretes, impulsionado pela alta dos combustíveis. Além disso, a demanda costuma crescer no início do mês, o que fortalece os preços. Com isso, os valores atuais se aproximam dos níveis observados em fevereiro. Esse cenário indica recuperação recente das cotações no mercado interno.