O Brasil se encontra em uma encruzilhada peculiar, onde duas de suas mais significativas conquistas legislativas recentes estão em rota de colisão. De um lado, a nação se prepara para sediar a COP30, armada com uma nova lei para seu mercado de carbono.
Do outro, uma Reforma Tributária, essencial para o país, avança com uma lógica que ameaça anular os incentivos recém-criados. Essa contradição é uma “bomba-relógio” fiscal que pode transformar nosso sonhado “pré-sal verde” na primeira grande vítima do novo sistema de impostos.
O diagnóstico: a doença do “fogo amigo”
O ponto de partida era promissor. A criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) foi um marco, e a lei trouxe consigo um incentivo crucial: a isenção de PIS e COFINS sobre a venda de créditos de carbono, um sinal claro de que o Estado entendia o carbono como um “remédio” a ser fomentado.
O problema, como aponta a análise, é que a Reforma Tributária opera com a lógica de um trator, eliminando exceções para simplificar. O novo Imposto sobre Valor Agregado (o IVA dual, com CBS e IBS) terá uma base de incidência amplíssima que, por padrão, engolirá a isenção. O resultado prático, se nada for feito, é um desastre: a alíquota sobre a venda de créditos pode saltar de zero para quase 27%, criando o “Custo Brasil Verde”. Nossa maior vantagem competitiva seria, ironicamente, sabotada por nós mesmos.
A “guerra surda” em Brasília
A contradição entre as duas leis deu início a uma “guerra surda” nos bastidores do poder. De um lado, a indústria, o agronegócio e a Faria Lima se unem para garantir uma “exceção do bem” na lei complementar da reforma, argumentando que taxar o carbono como um produto comum é suicídio econômico e climático. Do outro, a máquina arrecadatória do Estado, que vê em cada exceção uma perda de receita.
A COP30 funciona como o cronômetro para essa batalha. O Brasil não pode se apresentar ao mundo como o líder do clima sem ter resolvido uma questão tão fundamental sobre seu principal “produto” ambiental. A indefinição fiscal não é um problema abstrato; é um freio de mão puxado na economia real. O capital global, desesperado por créditos de alta qualidade, odeia a incerteza, e a dúvida sobre a tributação já está paralisando decisões de investimento de bilhões de dólares em projetos de reflorestamento e bioeconomia no Brasil.
O Brasil tem em mãos os ingredientes para se tornar o maior e mais respeitado mercado de carbono do mundo. A questão é se teremos a inteligência estratégica para impedir que a nossa própria e necessária reforma fiscal acabe por destruir a nossa maior oportunidade econômica do século. A batalha, agora, não é pela sustentabilidade, mas pela sanidade.
Pablo Feitosa é Presidente do Carbon Group (Portal Carbonfy , Carbon Business School e Carbon GT – Gestão Tributária Sustentável)
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.
A quantidade de pedidos de recuperação judicial no agro praticamente explodiu em 2024. Foram quase 1.300 solicitações no ano, mais que o dobro do registrado em 2023. O dado expõe uma realidade incômoda: a vulnerabilidade financeira do setor segue alta, e a urgência por proteção estratégica nunca foi tão clara. Entre as principais saídas, o seguro rural se consolida como ferramenta essencial para mitigar riscos e evitar prejuízos que podem comprometer toda uma operação.
Apesar de o seguro rural ter sido criado, por lei, em 2003, sua adesão ainda é muito baixa. Apenas cerca de 10% da área agrícola brasileira é segurada, em contraste com uma fatia de 80% nos Estados Unidos. A ferramenta é essencial para protegero produtor, o sistema financeiro, a cadeia de insumos e as finanças públicas, especialmente diante das mudanças climáticas e instabilidades de mercado. Além disso, globalmente, movimentos como o “tarifaço”, nos Estados Unidos, também aumentam as oscilações nos preços das commodities, encarecendo insumos essenciais para as operações no campo.
Mudanças climáticas
E é claro, não podemos esquecer das mudanças climáticas. Uma das pautas mais importantes em todo o mundo na atualidade, esses eventos extremos promovem várias imprevisibilidades para o agro, não apenas travando entregas, mas também prejudicando a cadeia produtiva como um todo do dia para a noite.
As enchentes que impactaram o Rio Grande do Sul em 2024 são exemplos disso. Não à toa, o Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural alterou a distribuição do orçamento de mais de R$ 1 bilhão do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural), disponibilizando R$ 210 milhões para auxiliar os produtores do estado, segundo o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).
O alto custo é um obstáculo, agravado pela falta de subsídios suficientes do governo para o prêmio do seguro. Por isso, iniciativas como o projeto de lei 2951/2024, que busca estruturar um fundo de catástrofe, são vistas como um avanço importante para o futuro do agronegócio brasileiro.
Isso reforça que o seguro rural é um mecanismo essencial de proteção para cobrir perdas. Só esse fator já traria mais previsibilidade de receita para as empresas, uma vez que a continuidade das operações estaria garantida. No entanto, a estabilidade na produção e no abastecimento é fortalecida por outras diversas vantagens, que ajudam as empresas a planejar uma jornada de crescimento sem surpresas negativas.
É o caso da facilidade de obtenção de crédito, por exemplo. Instituições financeiras enxergam com bons olhos os recursos que asseguram a confiabilidade das atividades dos produtores, confiando que os recursos disponibilizados trarão um bom retorno. Ou ainda podemos citar o próprio fortalecimento da cadeia de suprimentos, uma vez que reduz o risco de calote a fornecedores.
Por que a adesão ao seguro rural ainda é baixa no Brasil?
Apesar das suas inúmeras vantagens, o seguro rural ainda não foi abraçado como poderia no território brasileiro. O principal motivo disso é a assimetria de informações. Instituições financeiras têm dificuldades em obter dados básicos e atualizados sobre as propriedades rurais, como tipo de cultura, datas de plantio e aderência ao ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).
Isso sem entrar no mérito de outros agravantes, como as grandes distâncias físicas entre centros financeiros e áreas rurais, que impõe custos elevados e baixa capilaridade. Ou até mesmo a própria ineficiência da regulação de sinistros, que exige presença em campo e processos manuais.
A tecnologia como resposta
Hoje, já existem soluções digitais que podem sanar as dores dos seguros rurais tradicionais, conectando todos os elos da cadeia em uma plataforma integrada e com base em informações confiáveis, automatizadas e auditáveis. Basicamente, isso funciona como uma lente permanente sobre o campo, mostrando em poucos cliques os caminhos para trazer mais eficiência à operação.
A subscrição, por exemplo, passa a ser muito mais segura e personalizada com a tecnologia. Além disso, dados georreferenciados são capazes de avaliar riscos com maior precisão, permitindo a liberação de apólices com base em critérios técnicos. Já o monitoramento remoto e contínuo por satélite ajuda a prever adversidades — como tempestades e secas —, de forma que o produtor possa atuar preventivamente. Nesse sentido, o acesso a imagens e informações históricas de uma determinada região também promove controle automatizado e à distância de sinistros, apoiando e facilitando o trabalho dos peritos.
Menos burocracia
A própria contratação do seguro também passa a ser menos burocrática, uma vez que a digitalização acelera o processo e reduz a dependência de visitas in loco, inclusive com facilidades para liberação de subvenções.
Ou seja, todos os desafios operacionais, logísticos e informacionais que impedem a adoção dessa ferramenta em larga escala são solucionados. A longo prazo, isso não só protege o negócio, mas também alavanca o crescimento sustentável do setor.
Com o apoio da tecnologia, o seguro rural tem tudo para se tornar uma infraestrutura essencial para o agro brasileiro. O futuro do segmento já chegou, só precisa ser compreendido e colocado em prática por completo.
Créditos: Agrotools/Divulgação
*Sergio Rocha é CEO da Agrotools. Com mais de 30 anos de experiência em áreas como commodities agrícolas, serviços financeiros, tecnologia, comércio internacional, dados e geotecnologia.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.
Nos últimos anos, o Brasil tem promovido significativas transformações no setor agropecuário e na indústria de alimentos e bebidas. A implementação de normativas como a Lei 14.515/2022, que cria o Sistema Nacional de Política Agrícola (SNPA), e a Lei do Autocontrole, recentemente reforçada pelo Decreto 12.126/2024, que estabelece o dever para empresas do setor agropecuário em implementar sistemas próprios para garantir a qualidade e segurança dos seus produtos, são exemplos disso.
Esse arcabouço legal propõe uma modernização ampla da fiscalização e regulação da cadeia produtiva agroindustrial, reduzindo a necessidade da fiscalização direta do governo e tornando os processos mais ágeis, sem comprometer a segurança alimentar e a conformidade com as normas sanitárias.
Porém, com essas mudanças também surgem desafios, preocupações e oportunidades que precisam ser analisadas à luz do contexto jurídico e da realidade do setor produtivo brasileiro.
A Lei de Autocontrole estabelece programas de controle para agentes privados no setor agropecuário, auxiliando com diretrizes para a política agrícola no Brasil, no intuito de integrar as iniciativas públicas e privadas. Entre seus principais pilares estão a segurança alimentar, a competitividade, a sustentabilidade e o fomento à inovação tecnológica.
Essa Lei pode ser considerada uma espinha dorsal para a organização do setor, criando o contexto necessário para que legislações específicas possam ser implementadas de maneira eficiente e integrada.
Maior responsabilidade às empresas
O propósito da Lei do Autocontrole, por sua vez, é transferir maior responsabilidade às empresas da cadeia produtiva, exigindo que desenvolvam sistemas próprios de monitoramento e controle, para garantir qualidade e segurança de seus produtos e desburocratizar a fiscalização estatal. Desse modo, o Decreto 12.126/2024, publicado em agosto de 2024, detalha os requisitos da Lei do Autocontrole e operacionaliza sua aplicação. Ele exige que os agentes econômicos implementem programas de autocontrole com registros auditáveis de todo o processo produtivo, planos de recolhimento (recall) em caso de não conformidades, procedimentos para correção de desvios e prevenção de falhas e adequação a normas higiênico-sanitárias.
Além disso, o decreto introduz a fiscalização baseada em risco, permitindo ao Estado concentrar seus recursos nas situações de maior vulnerabilidade. Na prática, isso significa que o governo dará maior atenção a empresas ou setores com maior histórico de não-conformidades. Companhias que aderirem ao Programa de Incentivo à Conformidade Agropecuária tendem a se beneficiar com menor frequência de inspeções presenciais.
Enquanto o arcabouço legal pode gerar custos iniciais de adequação, como implementação de sistemas de autocontrole e treinamentos, a longo prazo, as empresas tendem a obter vantagens em redução de custos operacionais com fiscalizações estatais, maior previsibilidade e segurança jurídica e melhor acesso a mercados internacionais que exigem altos padrões de qualidade. Além disso, também promove práticas mais responsáveis e sustentáveis na produção de alimentos e bebidas.
A falta de preparo técnico para gestores e trabalhadores na adoção das novas práticas exigidas e fiscalização efetiva, que ainda depende de estrutura adequada do Estado, também são desafios que podem ser superados com o tempo.
Como superar os obstáculos
Além disso, a implementação de subsídios ou incentivos fiscais para que pequenos e médios produtores possam aderir aos sistemas de autocontrole sem comprometer sua viabilidade econômica, a expansão de programas de extensão rural e treinamento e o investimento na modernização de sistemas digitais para acompanhamento em tempo real das cadeias produtivas são aspectos que podem acelerar a superação desses obstáculos iniciais.
A Lei do Autocontrole, aprimorada recentemente pelo Decreto 12.126/2024, marca um passo significativo para modernizar e tornar mais eficiente a regulação do setor agroindustrial brasileiro. No entanto, o sucesso dessas medidas depende de um equilíbrio entre exigências regulatórias e suporte ao setor produtivo. Assim, garantindo que os avanços sejam inclusivos e sustentáveis.
Além do mais, como o decreto regulamentador introduz a possibilidade de fiscalização privada, já começaram a surgir ruídos políticos sobre o tema a exemplo do Grupo de Trabalho (GT) recentemente criado pelo Governo Federal para avaliar os impactos que essa delegação à iniciativa privada poderá ter no crivo necessário para avaliação do cumprimento das exigências regulatórias.
Com ajustes pontuais e um diálogo constante entre o governo, o setor privado e a sociedade civil, o Brasil tem a oportunidade de consolidar sua posição como um líder global na produção de alimentos e bebidas com qualidade, segurança e responsabilidade ambiental.
*João Máximo é advogado cível do Marcos Martins Advogados
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.
A pecuária paulista e brasileira chega a um novo patamar. Conquistas de mais de três décadas construídas pelo setor finalmente foram alcançadas. Estas medalhas chegam nesta semana quando, pelo segundo ano consecutivo, depois de um intervalo de dez anos, São Paulo sedia a Feicorte – Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne – , a maior feira da América Latina dedicada à genética, rastreabilidade, tecnologia da carne e mercados.
A primeira e maior das vitórias é coletiva de todos os pecuaristas do país: o certificado de reconhecimento do Brasil como livre de aftosa sem vacinação, recebido no último dia 29 de maio na França. Ninguém é dono desta conquista sozinho. Sair na foto todos querem, mas o vitorioso mesmo foi quem sempre trabalhou pela sanidade (vacinou seu gado por décadas) e lutou pelos ganhos econômicos deste novo status: ninguém mais do que o nosso pecuarista e a nossa indústria da carne.
São Paulo lidera as exportações de carne bovina no país. Este setor representa quase 83% das vendas de carne do agro paulista para o exterior. Rendeu R$ 1,5 bilhão somente nos primeiros quatro meses do ano. Agora, vivemos um novo momento com o status conquistado.
Feicorte
Mas não é só isso. Durante a Feicorte, o governador Tarcísio de Freitas, atento à demandas históricas, regulamentou o Fundo Indenizatório da Pecuária Paulista ( Fundesa), que permite proteção e ressarcimento aos prejuízos para os produtores diante de crise sanitária. Lançou também um crédito de R$ 150 mil por produtor para financiar a atividade pecuária. Numa parceria inédita do governo com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), um sistema inovador de rastreabilidade no transporte de animais a ser desenvolvido pela Fundepag (Fundação para Desenvolvimento da Agropecuária) será implementado . A iniciativa utilizará dados das Guias de Trânsito Animal (GTA) em conjunto com o Endereçamento Rural Digital (ERD), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O sistema permitirá mapear com precisão os deslocamentos dos animais, cruzando essas informações com a localização georreferenciada das propriedades rurais.
É tudo que o setor pecuário necessita para conquistar de vez o mercado mundial de carne bovina, onde o nosso país já é protagonista. O avanço de São Paulo é o avanço do Brasil. Portanto, inovar, incorporar novas tecnologias, parceria com a iniciativa privada são políticas que nos norteiam sob o comando do governador Tarcísio.
A nossa Feicorte já respira os novos momentos da pecuária paulista e brasileira, ela dobrou de tamanho de um ano para outro. Hoje, qualquer visitante pode degustar um churrasco com carne de 14 raças diferentes nos estandes da Feira. Mais do que isso, queremos essa mesma carne na mesa dos brasileiros e nos cardápios do mundo todo.
*Por Guilherme Piai, Secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, presidente do Conseagri (Conselho de Secretários de Agricultura). Produtor rural e empresário.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.
Um dos setores mais estratégicos da economia brasileira, o agronegócio, vem presenciando uma transformação em sua cadeia de produção e exportação. Com cada vez mais demandas por alimentos, eficiência, agilidade e sustentabilidade, empresas do segmento investem em ferramentas tecnológicas para atender as demandas do negócio.
Segundo a McKinsey, a adoção tecnológica na agricultura brasileira cresceu mais de 10 pontos percentuais entre 2022 e 2023, posicionando o Brasil como o segundo país com maior crescimento entre os pesquisados.
No centro desse movimento, está a Inteligência Artificial. Soluções que até pouco tempo pareciam futuristas já fazem parte da rotina de muitas operações agrícolas. Essas ferramentas são capazes de identificar, com precisão, a presença de pragas nas plantações, muitas vezes em estágios iniciais. E assim, permitir uma ação rápida e eficaz, assim como pode ser empregada na análise da qualidade dos alimentos, desde a colheita até o processamento. Portanto, garantindo padrões elevados de segurança e conformidade com as exigências do mercado consumidor.
No campo, a IA também desempenha um papel essencial na proteção das pessoas, ao monitorar áreas de risco e alertar para situações perigosas, como a aproximação de maquinários pesados, e até condições ambientais adversas por meio do monitoramento contínuo de temperatura, umidade e outros indicadores, possibilitando a prevenção de incêndios.
Integradas a plataformas de dados meteorológicos, é possível cruzar informações climáticas com dados históricos de produção para a tomada de decisão mais precisa. Assim como é possível saber o melhor momento para adubar, aplicar defensivos ou colher, o que significa aumentar a produtividade e, consequentemente, a rentabilidade da fazenda. Com a IA os produtores conseguem antecipar problemas, agir de forma preditiva e evitar perdas que, muitas vezes, só seriam percebidas tardiamente.
Comércio exterior
E a transformação não para nas porteiras. O comércio exterior, que sempre foi estratégico para o agronegócio brasileiro, também entra nessa jornada de automação. Plataformas de gestão de comércio exterior hoje são capazes de automatizar processos burocráticos, como a DUIMP (Declaração Única de Importação) e a DU-E (Declaração Única de Exportação), totalmente integradas ao Portal Único Siscomex.
Essa automação é relevante no agronegócio, atendendo demandas como importação de commodities e exportação de produtos de origem animal e vegetal. Especialmente em um cenário global instável, com mudanças nas cadeias de fornecimento e medidas como o recente “tarifaço” norte-americano, que vem redesenhando os fluxos de comércio mundial. Quem tiver agilidade e eficiência para se adaptar a essas novas rotas e exigências estará melhor posicionado para ampliar suas exportações. E assim, garantir competitividade no mercado global.
Inovar os processos de monitoramento das lavouras, proteção ambiental ou automação do comércio exterior é um diferencial competitivo para posicionar o Brasil como um dos líderes globais diante de um cenário cada vez mais dinâmico e exigente, que requer um agro cada vez mais conectado e inteligente.
Marcelo Maekawa. Foto: Divulgação
*Por Marcelo Maekawa, consultor de desenvolvimento de negócios na SONDA do Brasil
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O agronegócio brasileiro vive um novo momento. Mais do que produtividade e escala — atributos historicamente associados ao setor —, a nova fronteira da competitividade passa pela capacidade de utilizar dados de forma inteligente. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta um crescimento de 7,4% no VBP do agronegócio, totalizando uma receita de R$ 1,43 trilhão até o final de 2025. O segmento agrícola deve alcançar R$ 937,55 bilhões, enquanto o valor bruto da produção pecuária deve crescer 9,2%, chegando a R$ 495,13 bilhões.
Os investimentos no setor reforçam essa tendência: R$25,6 bilhões devem ser aplicados em soluções tecnológicas no campo no próximo ano, um aumento de 21% em relação a 2024, segundo projeções da CNA em parceria com o CEPEA-USP. Desse total, cerca de 45% será direcionado a tecnologia de coleta e análise de dados, integração de plataformas e aplicação de inteligência artificial (IA) nas operações agrícolas.
O agronegócio brasileiro já se destaca globalmente pela produtividade e pela escala. Mas o próximo salto competitivo está diretamente ligado à capacidade de transformar dados em decisões mais rápidas e precisas através do uso da Inteligência Artificial.
Além disso, o mercado global de IoT agrícola, por exemplo, deve atingir US$ 20,9 bilhões, impulsionado pela demanda por maior eficiência e sustentabilidade, conforme dados da McKinsey. No Brasil, a conectividade no campo já é tendência consolidada, mas o custo ainda limita a adoção em larga escala.
Impactos reais no campo
A aplicação dessas tecnologias vai além da teoria: ela já gera resultados concretos. Um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), publicado em fevereiro de 2025, aponta que a digitalização nas lavouras monitoradas resultou em um aumento médio de 18,7% na produtividade, além de reduzir em 12,3% o consumo de insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos.
O mesmo levantamento mostra que propriedades com alto grau de digitalização apresentam rentabilidade 23% superior em relação àquelas que operam com modelos tradicionais de gestão. Os produtores estão conseguindo reduzir o uso de insumos e, ao mesmo tempo, aumentar o desempenho das lavouras. Isso se traduz em operações mais sustentáveis, rentáveis e resilientes.
Uma abordagem integrada: antes, dentro e depois da porteira
A verdadeira inovação no agronegócio moderno reside na compreensão de que a digitalização deve abranger toda a cadeia produtiva, não apenas as operações no campo. Essa visão sistêmica divide-se em três frentes principais:
Antes da porteira: nesta etapa, o foco está na digitalização de processos que antecedem a produção, incluindo o desenvolvimento de cultivares com auxílio de inteligência artificial, planejamento estratégico de safras e otimização da cadeia de suprimentos de insumos.
Dentro da porteira: no campo propriamente dito, as tecnologias incluem centros de operações agrícolas (COA), monitoramento de máquinas com telemetria, modelos preditivos para aplicação precisa de insumos e sistemas de visão computacional para detecção precoce de pragas e doenças.
Depois da porteira: esta fase engloba a agroindústria, logística, distribuição e varejo, com soluções como plataformas de e-commerce especializadas, otimização de rotas de transporte, previsão de demanda utilizando machine learning e gestão inteligente de estoques.
Hoje, é fundamental enxergar o agronegócio como um ecossistema integrado. Não adianta digitalizar apenas uma etapa do processo produtivo se as outras continuarem desconectadas. A transformação precisa ser sistêmica para gerar eficiência real. Por isso, é importante contar com clientes e parceiros, principalmente antes e depois da porteira, que levam as melhores soluções em tecnologia aos produtores rurais.
Casos de sucesso demonstram o potencial da tecnologia
Entre os exemplos que confirmam o potencial dessas inovações está a Tereos, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do país. A empresa implementou um Centro de Operações Agroindustriais (COA) para unificar as áreas agrícola e industrial, com apoio da Keyrus, multinacional líder em consultoria de inteligência de dados e transformação de negócios. A estimativa é de economizar R$25 milhões por ano com a iniciativa.
Na Cooperativa Agroindustrial Holambra, a Keyrus apoiou o desenvolvimento de uma plataforma digital voltada à interação com cooperados. O projeto fortaleceu o relacionamento com os produtores e modernizou o acesso a informações sobre produção, crédito e compras de insumos.
Além disso, um dos cases mais avançados envolveu a criação de um sistema de IA generativa voltado à área jurídica de uma grande empresa do setor. Utilizando modelos de linguagem treinados com documentos legais da companhia, a solução permite buscas e consultas automatizadas a contratos complexos, aumentando a produtividade da equipe e reduzindo riscos.
Outro caso emblemático é o de uma grande companhia do setor que enfrentava gargalos na gestão de contratos com fornecedores. A solução envolveu a implementação de um pipeline automatizado de dados — um fluxo digital para organizar e processar informações — combinado com o uso de modelos de linguagem natural (LLMs), semelhantes ao ChatGPT, adaptados ao vocabulário jurídico da empresa. O sistema permite consultas conversacionais instantâneas a documentos complexos, economizando horas de trabalho manual.
Essa transformação na gestão contratual mostra como a inteligência artificial pode ser aplicada em frentes diversas — de tarefas simples, como um assistente virtual, até sistemas avançados capazes de analisar imagens em tempo real para detectar pragas no campo.
Perspectivas e desafios até 2030
Segundo uma pesquisa da McKinsey & Company, divulgada em abril de 2025, o mercado brasileiro de tecnologias agrícolas deve movimentar R$ 42 bilhões até 2030. Apesar dos avanços, a digitalização no campo ainda esbarra em gargalos importantes, sendo o principal deles a conectividade em áreas remotas. Infelizmente, ainda existem produtores com sensores de última geração, mas sem sinal de internet estável, fazendo com que a entrega do valor pleno da tecnologia trave.
No entanto, para contornar as limitações, será necessário adotar soluções que funcionem parcialmente offline, sincronizando dados assim que o sinal retorna. Outro ponto de atenção é a maturidade digital das equipes. Mais do que tecnologia, é preciso formar profissionais capazes de interpretá-la, por isso, as organizações precisarão investir em treinamentos, programas de capacitação e soluções com interfaces intuitivas, porque a transformação digital também é uma transformação humana.
A margem para decisões baseadas apenas na intuição ou na experiência está diminuindo. Entramos em uma era em que a capacidade analítica definirá o sucesso ou o fracasso das operações agrícolas. E isso vale para pequenos, médios e grandes empresas do agronegócio.
Rodrigo Cruz
*Por Rodrigo Cruz é Vice-presidente de Estratégia de Crescimento e Inovação de Portfólio da Keyrus no Brasil
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A transformação digital tem revolucionado o agronegócio brasileiro, impulsionando o setor rumo a uma nova era marcada por automação, conectividade e inteligência de dados. Com o avanço da chamada Agricultura 4.0, propriedades rurais têm adotado tecnologias, como sensores de solo, drones, softwares de gestão agrícola, inteligência artificial e dispositivos de Internet das Coisas (IoT), para otimizar processos, reduzir custos e tomar decisões mais estratégicas. Esse movimento tem dado origem às chamadas “fazendas inteligentes”. São operações agrícolas altamente tecnológicas. E capazes de monitorar em tempo real cada etapa da produção, desde o preparo do solo até a colheita e a logística de distribuição.
Ao permitir o monitoramento preciso de variáveis, como clima, umidade do solo, desempenho de máquinas e ocorrência de pragas, a Agricultura 4.0 melhora significativamente a produtividade e a sustentabilidade da atividade agropecuária. Dados coletados por sensores são analisados por algoritmos de inteligência artificial que sugerem ações para antecipar riscos e aumentar os rendimentos. Máquinas autônomas realizam tarefas com maior precisão, e os gestores conseguem visualizar todas as operações da fazenda em painéis integrados na nuvem. No entanto, toda essa digitalização também acarreta um novo desafio silencioso, mas crítico: ameaças digitais.
Pensar em cibersegurança é questão vital para produtores.
Com o aumento da conectividade no campo, o agronegócio passou a lidar com grandes volumes de dados sensíveis, como informações sobre safras, contratos comerciais, estoques, logística e dados financeiros. Ativos digitais que hoje se tornaram alvos valiosos para criminosos cibernéticos, e os ataques virtuais têm se tornado cada vez mais frequentes e sofisticados. Sistemas de irrigação automatizada, softwares de gestão de fazendas e plataformas de exportação podem ser“invadidos”, paralisando operações inteiras e gerando prejuízos milionários.
Ataques ao setor
Nos últimos anos, o Brasil assistiu a casos reais de ciberataques contra importantes nomes do setor. Em 2023, um grande produtor agrícola do Mato Grosso, teve suas operações afetadas por um ataque de ransomware que paralisou sistemas logísticos e de produção. A suspeita recai sobre uma variante do grupo criminoso LockBit, conhecido por ataques complexos e pedidos de resgate milionários. No ano seguinte, uma multinacional sofreu um vazamento de dados internos, supostamente obtidos por acesso indevido a seus sistemas corporativos. Documentos estratégicos e informações de compliance teriam sido expostos em fóruns da dark web. Já uma tradicional cooperativa enfrentou, também em 2023, um incidente que afetou os serviços digitais oferecidos a seus cooperados. A origem do ataque foi a exploração de vulnerabilidades em servidores mal protegidos, o que gerou a interrupção de sistemas e exigiu um esforço manual de recuperação.
Esses episódios ilustram como a nova era da cibersegurança, se não acompanhada de medidas adequadas de proteção, pode representar uma ameaça para o próprio funcionamento do agronegócio. Muitos produtores, principalmente de pequeno e médio porte, ainda não possuem políticas estruturadas de segurança da informação, o que os torna alvos fáceis para ataques virtuais. Em um setor que movimenta bilhões e tem papel vital na segurança alimentar do país e do mundo, a fragilidade digital pode ter efeitos profundos e duradouros.
Mudança de mentalidade e cibersegurança
Por isso, proteger o ambiente digital das fazendas inteligentes exige mais do que ferramentas técnicas; requer uma mudança de mentalidade. É preciso investir em firewalls, backups periódicos, autenticação de múltiplos fatores e atualizações constantes de sistemas. Mas, sobretudo, é necessário promover a capacitação das equipes. Criando uma cultura de segurança digital que envolva todos os níveis da operação, desde os gestores até os colaboradores no campo. A proteção contra ameaças cibernéticas deve ser encarada com a mesma seriedade que se dedica à escolha de sementes, à manutenção de máquinas ou ao planejamento de uma safra.
A Agricultura 4.0 veio para ficar e seu potencial de transformação é imenso, tornando o agro mais eficiente, sustentável e competitivo. No entanto, para que esse futuro digital se concretize plenamente, o setor precisa encarar a cibersegurança como mais um pilar estratégico. As fazendas do futuro já estão conectadas, agora, precisam estar também protegidas.
*Marcelo Branquinho é CEO e fundador da TI Safe, uma empresa especializada em segurança cibernética para infraestruturas críticas. Graduado em Engenharia Elétrica, especialista em segurança de sistemas SCADA e membro da International Society of Automation (ISA).
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O Brasil tem vocação para alimentar o mundo e para gerar fontes limpas em larga escala. Somos líderes na produção de grãos, carnes e fibras e contamos com uma das matrizes mais renováveis do planeta. No entanto, ainda há um abismo entre o potencial que temos e o uso efetivo que fazemos dessas vantagens no campo. É hora do agronegócio assumir seu protagonismo também na transição energética. A boa notícia é que os elementos estão todos à disposição: radiação solar abundante, propriedades com grande disponibilidade de área, linhas de crédito específicas e tecnologia acessível. O que falta, muitas vezes, é visão estratégica.
A geração solar fotovoltaica, em particular, representa uma das maiores oportunidades de modernização e redução de custos para o agro nacional. Com mais de 80% do território brasileiro recebendo radiação solar superior à média da Europa, onde a tecnologia já está consolidada, o Brasil reúne todas as condições para tornar o campo uma usina energética descentralizada, inteligente e limpa.
Em contraponto, o custo da energia elétrica no Brasil é historicamente elevado, especialmente em zonas rurais mais isoladas, onde a infraestrutura é deficiente e a distribuição é cara. Usinas solares instaladas nas próprias fazendas ou em cooperativas são capazes de suprir demandas energéticas intensivas, como irrigação, resfriamento de leite, secagem de grãos, armazenamento frigorificado, automação e tecnologia de precisão, com previsibilidade de custo e impacto ambiental praticamente nulo.
Sobrevivência
Mas não se trata apenas de economia na conta de luz ou autossuficiência no abastecimento. Liderar essa transformação no campo é uma questão de competitividade e sobrevivência a longo prazo. Em tempos de instabilidade climática, pressões regulatórias globais e mercado cada vez mais exigente, produtores e agroindústrias que não se adaptarem às novas exigências de sustentabilidade ficarão para trás. A agenda ESG (Ambiental, Social e Governança, em português) deixou de ser um diferencial para se tornar um pré-requisito. Grandes compradores, fundos internacionais e mesmo consumidores finais já impõem critérios ambientais na escolha de seus fornecedores. E nada comunica melhor o compromisso com o meio ambiente do que a adoção de tecnologias limpas na própria base produtiva.
Outro ponto essencial é a democratização do acesso. A energia solar não é exclusividade dos grandes produtores. Com o avanço da tecnologia, queda de preços e novas linhas de crédito, como as do BNDES, Pronaf e programas estaduais, pequenos e médios produtores podem se beneficiar. Isso exige articulação, assistência técnica e políticas públicas voltadas ao campo energético, integradas ao planejamento agrícola nacional.
Produtividade
O agronegócio brasileiro já mostrou ao mundo do que é capaz em produtividade e escala. Agora, tem a chance e a responsabilidade de provar que pode ser também líder global em sustentabilidade energética rural. O sol já nasce para todos. Cabe ao agro decidir se quer apenas se beneficiar dele ou também conduzir o futuro com sua energia.
* Rodrigo Bourscheidt é formado em Administração e Negócios pela Faculdade Sul Brasil. Atuou em equipes comerciais e estratégicas de empresas como AmBev, Grupo Embratel (Embratel, Claro e Net) e Grupo L’oreal, antes de se dedicar ao empreendedorismo. Em 2019 fundou a Energy+, rede de tecnologia em energias renováveis que oferece soluções voltadas para a geração de energia distribuída, onde atua como CEO.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.
O agroturismo é uma modalidade de turismo rural que oferece aos viajantes a oportunidade de vivenciar o dia a dia das atividades agrícolas e pecuárias. Esse braço do turismo geralmente acontece em propriedades rurais, estâncias e fazendas, onde os turistas podem participar de atividades como ordenha de vacas, colheita de frutas, produção e degustação de queijos e vinhos, cavalgadas, trilhas ecológicas e outras experiências ligadas ao campo.
A modalidade é muito importante por ser uma fonte de renda complementar para pequenos e médios produtores rurais. Além de valorizar a cultura local, preservar o meio ambiente e promover a gastronomia regional. No Brasil, essa prática é bastante comum em estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarin. Onde existe uma forte tradição agropecuária e também produção de alimentos artesanais.
Principais países do Agroturismo na América do Sul
O agroturismo é um setor promissor em alguns países da América do Sul. Entre os principais países que se destacam nessa modalidade do turismo, estão a Argentina e o Peru com uma forte tradição agrícola, além de paisagens propícias para essa atividade.
Foto: Divlugação Giulia Sampgona/Fischer
A Argentina tem um dos setores do agroturismo mais desenvolvidos da América do Sul, impulsionado principalmente pela viticultura (enoturismo) e pela pecuária. As principais regiões com atividades turísticas nessa modalidade, são: Mendonza e San Juan, duas referências no turismo do vinho, com vinícolas abertas para visitação com degustações em fazendas.
Na Argentina também é importante destacar que a Patagônia tem uma ligação com a criação de ovelhas e com a produção de laticínios artesanais. Já a região dos Pampas é conhecida por estâncias (fazendas tradicionais) que oferecem experiências ligadas à cultura dos gaúchos argentinos, com passeios a cavalo e assados típicos da região.
Peru
O Peru é outro país da América do Sul com tradição nessa modalidade do turismo. O país tem um grande potencial devido à sua agricultura diversificada e riqueza cultural. O Vale Sagrado dos Incas em Cusco conta com comunidades locais que oferecem experiências de plantio e colheita de milho e batata, além de oficinas de tecidos artesanais. Outro destaque é a região de Arequipa que é voltada para o turismo rural em fazendas produtoras de alpaca e laticínios. Além disso, o Peru também tem incentivado o turismo comunitário, onde famílias camponesas recebem turistas para vivências agrícolas no Lago Titicaca.
O que é mais interessante nessa modalidade do turismo é a valorização da cultura local, algo que atrai turistas nacionais e estrangeiros. Tanto a Argentina quanto o Peru contam com um mercado em constante crescimento no agroturismo, impulsionado pela demanda dos turistas por experiências autênticas para aproveitar a viagem de uma maneira muito diferenciada e única.
Giulia Sampgona
*Giulia Sampgona, Escritora e Especialista em Viagens
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.
O agronegócio brasileiro não é apenas um setor relevante: é a espinha dorsal da economia nacional, representando cerca de um quarto do PIB do país. Em um cenário de crescimento contínuo, com aumento da produtividade acima da expansão de área plantada, o setor tem se mostrado resiliente, eficiente e cada vez mais estratégico. No entanto, há um novo movimento em curso que pode impulsionar ainda mais esse gigante: a entrada definitiva do franchising no campo.
As franquias, tradicionalmente associadas a áreas urbanas e segmentos como alimentação, beleza e serviços, ganham força no agro. Essa tendência não é fruto do acaso. Com o avanço tecnológico e a crescente especialização da cadeia produtiva, o campo brasileiro se tornou um terreno fértil para modelos de negócios replicáveis, escaláveis e com alto potencial de impacto.
Franquias voltadas ao agronegócio conseguem atender, com eficiência, as demandas regionais específicas, aproveitando o conhecimento local dos franqueados e oferecendo soluções padronizadas com qualidade garantida pela marca. Essa combinação é poderosa: une a força do agro com a inteligência estratégica do franchising, criando um novo ecossistema de empreendedorismo no interior do país.
Empreendedorismo
O modelo é especialmente atrativo para profissionais que já atuam no setor rural e desejam empreender com menor risco. Ao contar com um negócio testado, com suporte técnico e estrutura comercial bem definida, o franqueado ganha vantagem competitiva em um mercado que valoriza tanto a inovação quanto a confiança e a proximidade com o produtor rural.
Além disso, há uma nova geração de microfranquias surgindo com foco em serviços como concessão de crédito, nutrição vegetal, assistência agronômica e pulverização com drones. Esses formatos mais acessíveis em termos de investimento democratizam o empreendedorismo rural. E permitem a interiorização de soluções tecnológicas que antes estavam concentradas nos grandes polos.
Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes
Diante do aumento global da demanda por alimentos e das limitações na expansão da área de plantio, é cada vez mais urgente investir em produtividade. Nesse contexto, o papel das franquias torna-se ainda mais relevante. Ao oferecer tecnologia, know-how e presença regional, elas se tornam instrumentos fundamentais para disseminar boas práticas e inovações de forma ágil e eficiente.
Caminho estratégico
O franchising no agronegócio não é uma tendência passageira, mas sim um caminho estratégico para o Brasil potencializar ainda mais sua vocação agrícola, descentralizar oportunidades e criar uma nova geração de empreendedores rurais. O campo está pronto para essa transformação e quem souber semear agora, colherá frutos duradouros no futuro.
*Luis Schiavo é engenheiro agrônomo, formado pela Unic (Universidade de Cuiabá), CEO e fundador da Naval Fertilizantes e acumula 20 anos de experiência no mercado de fertilizantes especiais
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