Categoria: Sustentabilidade

  • Manejo Florestal Sustentável gera R$ 31,7 milhões em Alta Floresta-MT

    Manejo Florestal Sustentável gera R$ 31,7 milhões em Alta Floresta-MT

    Uma semana de atividades e aprendizado junto à natureza amazônica resultou em R$ 31,7 milhões em negócios para o setor de Manejo Florestal Sustentável do Brasil. Essa foi a energia que marcou o encerramento da mais recente edição do Exporta Mais Brasil, programa da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e de Investimentos (ApexBrasil). O objetivo é conectar o comércio exterior a empreendedores de todo o país.

    Entre 17 e 21 de junho, 10 compradores de sete países, convidados pela ApexBrasil, estiveram em Alta Floresta, na Amazônia do Mato Grosso, para conhecer o setor e realizar negócios. Durante a semana, além das rodadas de negócios com 24 produtores brasileiros de madeira processada, os compradores viram de perto as técnicas brasileiras de manejo florestal sustentável em visitas técnicas a áreas florestais e fábricas locais.

    Imersão

    A programação intensa incluiu uma caminhada pela floresta nativa mato-grossense e visitas a indústrias do setor. Além disso, foram feitas rodadas de negócios entre importadores de madeira sustentável e empresas brasileiras. A região busca ser reconhecida como referência internacional em sustentabilidade. “Tivemos uma semana altamente produtiva. Mostramos aos compradores como é feita a rastreabilidade e todo o processo desde a identificação das árvores até o produto final“, afirmou Laudemir André Muller, gerente do Agronegócio da ApexBrasil. Ele destacou a importância de comprovar ao mundo a possibilidade de manejo florestal responsável.

    O evento contou com o apoio do governo do estado, do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (CIPEM), do Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal (FNFB) e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt). Frank Rogieri, presidente do FNFB, ressaltou que o manejo florestal sustentável é uma ferramenta efetiva no combate ao desmatamento ilegal e na preservação da fauna. “Hoje, o estado tem 5,2 milhões de hectares de área manejada. Nos últimos cinco anos, nessa região, não há registro de incêndio florestal, invasão de terra ou desmate ilegal”, destacou.

    Iniciativa inédita

    Pela primeira vez, a ApexBrasil promoveu o setor de madeira sustentável. Edinei Blasius, presidente do CIPEM, acredita que essa parceria tem potencial para crescer. “Esse é um evento que vai se consolidar de forma permanente no setor de base florestal, aumentando suas vendas e reconhecimento a nível mundial”, afirmou.

    Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Mato Grosso mantém 62% de suas florestas em pé. O secretário César Miranda explicou que cada hectare permite a colheita de 4 a 5 árvores de 46 espécies autorizadas, com controle rigoroso de extração. “Essa é mais uma demonstração de que Mato Grosso é um exemplo para o país”, complementou.

    Manejo florestal na prática

    No primeiro dia, os compradores participaram de uma imersão na floresta, conhecendo o processo de rastreabilidade da madeira. Em seguida, visitaram fábricas de laminados e pisos de alto valor agregado. “Vimos todo o processo e testemunhamos a meticulosidade das práticas seguidas. Temos segurança de que é uma operação sustentável”, afirmou Brad Anderson, importador sul-africano.

    Franky Heirman, comprador belga, elogiou a recepção e destacou a experiência do primeiro dia. “Foi incrível, começamos desde o início até a colheita”, disse.

    Rodadas de negócios e perspectivas

    Após as visitas técnicas, os dias seguintes foram dedicados às rodadas de negócios entre compradores internacionais e empresas brasileiras de madeira sustentável de Mato Grosso, Pará e Rondônia. Julla Brack, proprietária da Induforest, vê o programa como uma oportunidade de voltar a exportar. “Nunca vimos uma iniciativa similar; isso tudo é muito inovador”, afirmou.

    Siderlei Mason, da SM Madeiras e Laminados, já exporta para vários países e aproveitou a oportunidade para expandir ainda mais. “Estabelecemos novos contatos e fechamos alguns contratos. Estamos otimistas em gerar grandes negócios e agregar mais valor ao nosso produto”, destacou.

    Sobre o Exporta Mais Brasil

    A ApexBrasil criou o Exporta Mais Brasil, com o slogan “Rodando o país para as nossas empresas ganharem o mundo”, para potencializar as exportações do país. Em 2023, com um investimento de R$5 milhões, o programa realizou 13 rodadas de negócios em 13 estados brasileiros, movimentando R$275 milhões e promovendo 3.496 reuniões de negócios entre 143 compradores internacionais e 487 empresas brasileiras. Em 2024, o programa visitará outros 14 estados, além de retornar a São Paulo e ao Ceará.

  • Brasil lidera reunião do G20: futuro da pesca e aquicultura

    Brasil lidera reunião do G20: futuro da pesca e aquicultura

    O Grupo de Trabalho (GT) de Agricultura do G20, composto pelas 19 maiores economias mundiais e dois blocos regionais, realizou sua terceira reunião sob a presidência brasileira. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) coordenou o encontro na sede do G20 Brasil, em Brasília, com a participação do ministro André de Paula. Representantes de aproximadamente 30 países, incluindo membros do G20 e convidados, além de organizações internacionais discutiram soluções para um futuro sustentável e próspero na agricultura e nos sistemas alimentares.

    Produção pesqueira e aquícola

    O principal foco da reunião foi a pesca e aquicultura, com ênfase na promoção da integração sustentável dessas atividades nas cadeias produtivas locais e globais. Os países membros do G20 representam 80% do PIB global, 75% das exportações mundiais e quase 60% da população do planeta. Em 2020, a produção pesqueira e aquícola global atingiu um recorde de 214 milhões de toneladas, concentrada em poucas regiões. O Brasil, portanto, busca uma distribuição mais justa de cotas de captura e oportunidades para o desenvolvimento pesqueiro.

    Os participantes contribuíram com sugestões e debates para a declaração ministerial que será discutida numa  reunião entre os dias 10 e 13 de setembro, no Mato Grosso. A declaração final será apresentada na Cúpula de Líderes Mundiais, em novembro, no Rio de Janeiro.

    Pontos relevantes

    O documento destaca a importância da agricultura sustentável e resiliente para enfrentar desafios globais, como a pobreza, a fome e as mudanças climáticas. Os países reafirmaram a necessidade de políticas baseadas em evidências científicas para promover sistemas alimentares sustentáveis e inclusivos. A declaração enfatiza o papel crucial do comércio internacional na segurança alimentar e nutrição, a relevância das práticas agrícolas sustentáveis, o combate à pesca ilegal e a integração sustentável da aquicultura nas cadeias de valor. Além disso, sublinha a importância dos agricultores familiares, das comunidades indígenas e rurais, e do papel da inovação e do conhecimento tradicional na sustentabilidade agrícola.

    O GT de Agricultura inclui representantes do Mapa, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), MPA, Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O grupo foca em temas como segurança alimentar, agricultura sustentável, comércio, inovação tecnológica, adaptação às mudanças climáticas e ações contra a fome e a pobreza.

    G20

    Desde que assumiu a presidência temporária do G20 em 1º de dezembro, o Brasil planeja mais de 100 reuniões de grupos de trabalho. Além disso, acontecerão cerca de 20 reuniões ministeriais. Por fim, essas atividades culminarão na Cúpula de Chefes de Governo e Estado, em novembro de 2024, no Rio de Janeiro.

     

  • O poder da nutrição: desvendando os segredos da biofortificação

    O poder da nutrição: desvendando os segredos da biofortificação

    A biofortificação é uma estratégia inovadora e promissora no combate à desnutrição e deficiências nutricionais em populações vulneráveis. Diferente da fortificação tradicional, que adiciona nutrientes aos alimentos durante o processamento, a biofortificação enriquece os alimentos na fase de cultivo, através de técnicas de melhoramento genético e biotecnologia. Este processo visa aumentar o teor de vitaminas e minerais essenciais em culturas alimentares básicas, como arroz, feijão, milho, trigo, mandioca e batata-doce.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de dois bilhões de pessoas no mundo sofrem de deficiências de micronutrientes, frequentemente chamadas de “fome oculta”. A falta de nutrientes como ferro, zinco e vitamina A pode levar a sérios problemas de saúde, incluindo anemia, cegueira e menor resistência a doenças. A biofortificação surge como uma solução sustentável para esse desafio global, especialmente em regiões onde o acesso a uma alimentação diversificada e suplementação é limitado.

    Principais métodos de biofortificação:

    • Melhoramento Genético: Seleção e cruzamento de variedades de plantas da mesma espécie que naturalmente possuem maior teor de nutrientes e boas qualidades agronômicas.
    • Biotecnologia: Uso de técnicas de engenharia genética para introduzir genes que aumentam a concentração de micronutrientes nos alimentos.
    • Agronomia: Aplicação de fertilizantes e outras práticas agrícolas que aumentam a absorção de nutrientes pelas plantas.

    Cada método possui suas vantagens e desafios, mas todos contribuem para a produção de alimentos mais nutritivos sem alterar significativamente suas características sensoriais ou custo de produção.

    Exemplos de Sucesso

    Diversos programas de biofortificação têm mostrado resultados positivos ao redor do mundo. A iniciativa HarvestPlus, um consórcio internacional de pesquisas, tem sido pioneira na promoção da biofortificação. Ela apoia a pesquisa e distribuição de culturas biofortificadas em países da África, Ásia e América Latina, alcançando milhões de pessoas com alimentos mais nutritivos.

    No Brasil, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) coordena a Rede BioFORT que busca diminuir a desnutrição e a fome oculta garantindo maior segurança alimentar através do aumento do teor de nutrientes essenciais como ferro, zinco e vitamina A nos alimentos básicos de nossa alimentação como arroz, feijão, mandioca, batata doce, milho, abobora e trigo.

    tabela comparativa entre alimento convencional e biofortificado
    Reprodução Embrapa – Rede BioFORT

    Desafios e Perspectivas Futuras

    Apesar dos avanços, a biofortificação enfrenta desafios como a aceitação por parte dos agricultores e consumidores, a necessidade de políticas públicas favoráveis e a integração com outras estratégias de segurança alimentar. No entanto, o potencial de impacto positivo é enorme. Com o apoio adequado, a biofortificação pode contribuir significativamente para a erradicação da fome e a melhoria da saúde global.

    A continuação da pesquisa e desenvolvimento, juntamente com programas de educação nutricional e distribuição de sementes biofortificadas e cultivares, são cruciais para o sucesso desta abordagem. A colaboração entre governos, instituições de pesquisa, organizações internacionais e comunidades locais será essencial. Tanto para maximizar os benefícios da biofortificação como alcançar uma nutrição melhor para todos.

  • PANCs: Tendência Sustentável na Gastronomia

    PANCs: Tendência Sustentável na Gastronomia

    As Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) estão se destacando na culinária contemporânea pela sua diversidade de sabores, texturas e benefícios nutricionais. Estes super alimentos incluem uma vasta gama de espécies vegetais frequentemente ignoradas pela agricultura tradicional e pelo comércio alimentício.

    Encontradas em ambientes naturais e quintais domésticos, as PANCs são raramente cultivadas em larga escala, tornando-se uma opção lucrativa e sustentável para pequenos produtores e a agricultura familiar, devido à sua facilidade de cultivo e adaptabilidade a diferentes ambientes.

    Benefícios das PANCs para a Sustentabilidade e a Biodiversidade

    Além do valor culinário e nutricional, as PANCs desempenham um papel essencial na promoção da biodiversidade e na preservação de ecossistemas e culturas locais. Plantas comuns em uma região podem ganhar o status de PANCs em outra, o que reflete a riqueza e diversidade cultural e biológica.

    Essas plantas enriquecem a dieta com novos sabores e nutrientes, além de oferecerem potencial para diversificação e inovação na gastronomia.

    Como exemplos Populares de PANCs, temos algumas plantas bem conhecidas, como:

    • Ora-pro-nóbis: Trepadeira rica em fibras, proteínas, ferro, cálcio e outras substancias, é uma das mais conhecidas e famosas. Muitas empresas farmacêuticas utilizam a erva na fabricação de cápsulas.
    • Taioba: Planta de folhas verdes com sabor suave. Pode ser refogada e usada como ingrediente em omeletes, massas e saladas. Tem uma variante, a Taioba brava, que é tóxica.
    • Jambu: Folhas que provocam uma sensação de formigamento na boca. Também conhecida como agrião da Amazônia, a erva serve para preparar tortas, patês, bolos e carnes. Além disso, ela enriquece pratos típicos paraenses como o Pato no Tucupi e o Tacacá.
    • Peixinho da horta: Possui sabor semelhante ao de peixe. Rica em fibras e óleos essenciais, com ação anti microbiana e calmante.

    Consumo Responsável das PANCs

    É crucial explorar as PANCs de maneira responsável. Nem todas as plantas na natureza são comestíveis; algumas podem ser tóxicas.

    Portanto, é essencial buscar orientação de especialistas ou fontes confiáveis antes de incorporar novas espécies na alimentação. Para mais informações, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) disponibiliza materiais abrangentes sobre o tema, incluindo fotos, receitas e dicas de cultivo, no seu site oficial.

  • Sistema PPS: O futuro da produção de carne bovina

    Sistema PPS: O futuro da produção de carne bovina

    Um avanço inovador na produção agropecuária está sendo testemunhado com o Sistema Precocidade, Produtividade e Sustentabilidade (Sistema PPS) na produção de carne bovina. Ele une estratégias de integração lavoura-pecuária (ILP) e pecuária-floresta (IPF). É um esquema de rotação de rebanho nelore em sistema de cria, recria e terminação a pasto, conforme a categoria animal. Com isso, existem melhores resultados, por exemplo, em termos de ganho de peso, crescimento, desempenho reprodutivo e sanidade.

    O Sistema PPS não é apenas uma teoria; é um conjunto de práticas fundamentadas em mais de 15 anos de pesquisa pela Embrapa Agrossilvipastoril. Essa solução tecnológica, desenvolvida em parceria com outras instituições, representa um marco na otimização da produção de carne a pasto. Por exemplo, as fazendas de cria, recria e terminação localizadas nas regiões central e norte do Brasil.

    O produtor tem recomendações de rotação dos animais na propriedade ao longo do ano. O objetivo é obter as vantagens da ILP, como maior ganho de peso, quando essa característica é desejada, e dos sistemas com árvores, como melhor sanidade, precocidade sexual e menor estresse térmico em momentos específicos. Além disso, o sistema também contempla recomendações de manejo sanitário.

    Década de 80: onde tudo começou

    Esse sistema de produção não surgiu do nada; é o resultado de décadas de evolução e pesquisa contínua. Desde os primeiros estudos nos anos 80, com o consórcio entre arroz e pastagem no conhecido “Sistema Barreirão”, até a incorporação do componente arbóreo devido à demanda por madeira e aos benefícios da sombra para o conforto animal, o caminho até o Sistema PPS foi marcado por uma busca incessante por eficiência e sustentabilidade.

    Futuro mais próspero e sustentável com a sistema PPS na produção de carne bovina

    Portanto, o Sistema PPS não é apenas uma resposta aos desafios do passado; é uma solução para os desafios futuros. Ao aliar-se aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, especialmente os de Fome Zero e Agricultura Sustentável (ODS 2) e Ação contra a Mudança Global do Clima (ODS 13), ele não só promove uma produção bovina mais sustentável, mas também contribui para a segurança alimentar global. Outro ponto chave é que ao adotar sistemas integrados de produção, o Brasil está liderando o caminho para um futuro agrícola mais resiliente e próspero.

     

     

     

  • Projeto brasileiro: conheça pesquisa que permite alugar abelhas

    Projeto brasileiro: conheça pesquisa que permite alugar abelhas

    Alugar colmeias de abelhas sem ferrão para aumentar a produtividade da lavoura. Esta é a nova ferramenta já disponível aos produtores, que pretendem substituir a espécie Apis mellifera: a abelha com ferrão representa risco para trabalhadores rurais, além de ser menos eficiente em todas as culturas.

    Com o objetivo de aumentar a polinização nas lavouras,  a Embrapa desenvolveu uma tecnologia para multiplicação de colônias de abelhas sem ferrão. Portanto, a investida vai ampliar a produção de rainhas e colmeias para uso da polinização agrícola.

    A solução permite produzir – in vitro – cerca de 2 mil rainhas por mês a partir de uma única colônia, além de colmeias em escala comercial para culturas como berinjela, morango e tomate.

    Aluguel de Colmeias

    Divulgação – Epagri

    A solução é direcionada a meliponicultores, instituições e empresas de planejamento, transferência de tecnologia, extensão e assistência técnica. A tecnologia está disponível para transferência e capacitação, fortalecendo a meliponicultura e qualificando os meliponicultores.

    O projeto foi desenvolvido pela Embrapa em parceria com outras instituições, ampliando as possibilidades de uso em polinização agrícola.

    Abelhas sem Ferrão: Um Mundo Fascinante

    No Brasil, existem centenas de espécies de abelhas sem ferrão. Elas são conhecidas como indígenas e são fundamentais para a biodiversidade dos biomas brasileiros. De acordo com os estudos, as abelhas são responsáveis por polinizar cerca de 90% das espécies da Mata Atlântica.

    Características e Hábitos

    Primeiramente, é preciso saber: essas espécies de abelhas têm ferrão, mas é atrofiado. Portanto, é o que torna essas abelhas incapazes de ferroar. Dessa forma, não há problemas em criadar as abelhas sem ferrão nos quintais das casas, praças e áreas urbanas. Por isso, elas já são tão vistas nas cidades. No ambiente natural, as abelhas se alojam em cavidades de árvores, ninhos abandonados de cupins ou formigas ou em galhos.

    Organização Social

    A organização social das abelhas sem ferrão é composta por operárias que mantém a colmeia, alguns zangões e uma rainha, responsável pela postura, nascimento de novas abelhas e manutenção da colônia unida. Sendo assim, as colônias vivem em caixas pequenas, disponibilizadas pelo meliponicultor, e ali mantêm o controle da produção e a família fortalecida.

    Meliponicultura

    A meliponicultura é a criação racional de abelhas sem ferrão. Ela é uma alternativa de geração de renda em muitas propriedades. As abelhas sem ferrão são dóceis e de fácil manejo. Isso torna a produção dessas colmeia uma opção atraente para produtores. Além disso, a meliponicultura contribui para a conservação da biodiversidade e a produção de produtos como mel, própolis, geoprópolis, pólen e cera.

    Divulgação – Embrapa/Ronaldo Rosa

    Importância

    Essas abelhas são fundamentais para a reprodução de muitas plantas com flores, promovendo a polinização cruzada e a formação de frutos e sementes. Portanto, sem a colaboração dessas abelhas, a reprodução de muitas plantas com flores têm impacto negativo, ocasionando uma diminuição em suas populações, podendo inclusive chegar à extinção.

  • Jeans sustentável: tecido criado a partir de algas marinhas

    Jeans sustentável: tecido criado a partir de algas marinhas

    A indústria têxtil brasileira, a quinta maior do mundo e a quarta maior produtora de denim, tecido usado na confecção do jeans, enfrenta um desafio cada vez mais urgente: a geração de cerca de 160 mil toneladas de resíduos por ano no país. Com isso, cresce a pressão por soluções sustentáveis que reduzam o impacto ambiental sem comprometer a competitividade do setor.

    Fibra biodegradável feita de algas

    Para mitigar esse problema, a startup Phycolabs desenvolveu uma fibra têxtil biodegradável a partir do hidrocoloide extraído de algas marinhas vermelhas. Segundo a empresa, a inovação representa um avanço importante para reduzir o volume de descarte e ampliar a circularidade na moda.

    “Estou ansiosa para ver o tecido no mercado da moda”, afirma Thamires Pontes, estilista e CEO da Phycolabs. De acordo com ela, o produto deve chegar em breve às coleções de marcas preocupadas com sustentabilidade.

    A ideia surgiu após a constatação de que as algas vermelhas do tipo Rhodophyta, abundantes no litoral do Nordeste, podem gerar um material com alta performance. Além disso, essas algas capturam de cinco a vinte vezes mais carbono da atmosfera que as plantas terrestres, o que reforça o ganho ambiental da iniciativa.

    Parceria e reconhecimento

    A tecnologia foi desenvolvida em parceria com a Unidade Embrapii do Instituto SENAI, o que garantiu apoio técnico e estrutura laboratorial para a inovação. Graças a essa colaboração, a startup criou uma fibra biodegradável capaz de viabilizar o jeans sustentável em escala industrial.

    “Já recebemos prêmios e reconhecimentos com essa iniciativa, e tudo indica que o produto é diferenciado e ecológico”, afirmam os pesquisadores Adriano Alves Passos e Igor Lopes Soares, que integram o projeto.

    Economia azul

    O uso de algas marinhas na indústria têxtil também se conecta à economia azul, conceito que valoriza o aproveitamento sustentável dos recursos oceânicos. Dessa forma, o projeto estimula a criação de empregos e meios de subsistência, enquanto preserva os ecossistemas marinhos. Por outro lado, o modelo ainda enfrenta desafios para escalar a produção e reduzir custos.

    Substituição de materiais poluentes

    Ao mesmo tempo, a nova fibra pode substituir materiais derivados do petróleo, como poliéster, nylon, acrílico e elastano — todos poluentes e de origem não renovável. Portanto, a iniciativa representa não apenas uma alternativa técnica, mas também um posicionamento ético diante da crise climática.

    “Adotar uma abordagem ecológica na linha de produtos atrai consumidores conscientes e alinhados com a sustentabilidade”, afirma Thamires Pontes. Segundo ela, o futuro da moda depende de inovação com responsabilidade.

  • Dia do Meio Ambiente: uso sustentável da água no agro

    Dia do Meio Ambiente: uso sustentável da água no agro

    Mato Grosso do Sul é um dos estados brasileiros que mais se destacam na gestão de águas.

    Com um Índice de Segurança Hídrica (ISH) extremo bom, segundo o pesquisador Danilton Luiz Flumignan, da Embrapa Agropecuária Oeste, o estado apresenta um modelo de sustentabilidade que pode ser replicado em outras regiões.

    “Nosso objetivo é desenvolver tecnologias que aprimorem o uso da água, conciliando a sustentabilidade dos sistemas de produção agrícola com a proteção ambiental, mitigando a contaminação da água e preservando os ecossistemas aquáticos”, afirma Rafael Zanoni Fontes, chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste.

    Divulgação – Embrapa/Saulo Coelho Nunes

    Para atingir esse objetivo, a Embrapa Agropecuária Oeste realiza pesquisas em várias frentes, incluindo manejo de irrigação, adoção de práticas agrícolas conservacionistas, implementação de sistemas agroflorestais e recuperação de áreas degradadas.

    “Essas iniciativas não apenas beneficiam os agricultores, garantindo a disponibilidade de água para as lavouras, mas também têm um impacto positivo na segurança alimentar e hídrica da região, contribuindo para o desenvolvimento sustentável a longo prazo”, destaca Fontes.

    Divulgação – Embrapa/Rômulo Penna Scorza Júnior

    Entre as pesquisas mais relevantes estão:

    Irrigação: Um projeto de pesquisa está em seu terceiro ano de execução para realizar a competição de diferentes materiais de soja na safra de verão e de milho na safrinha de outubro e inverno.

    “Nós estamos trabalhando com uma estratégia de manejo de irrigação que promete ser economizadora no uso da água, ou seja, ela usa em torno de 50% da água que seria utilizada numa irrigação nos métodos tradicionais recomendados. Com a pesquisa pretendemos mostrar que é possível manter o nível de água ótimo por meio da técnica de déficit hídrico controlado, em que se deixa a planta experimentar o déficit hídrico, a planta colhe os benefícios, mas sem que esse déficit cause prejuízo”, explica Danilton Luiz Flumignan.

    ILP e SPD: A Embrapa Agropecuária Oeste iniciou pesquisas com Integração Lavoura-Pecuária (ILP) a partir da safra de 1995/1996, lideradas pelo pesquisador Júlio Cesar Salton e colaboradores. “A ILP permite maior infiltração da água no solo devido à presença de plantas vivas ou de palhada”, destaca Salton.

    Plantas de cobertura: Pesquisas realizadas pela Embrapa Agropecuária Oeste mostram que o uso de plantas de cobertura em SPD tem um papel fundamental para o aumento do armazenamento de água no solo.

    “Muitas vezes as culturas comerciais, por exemplo, soja, milho, têm um baixo potencial em produzir grande quantidade de massa, fazer cobertura do solo, produzir um volume muito grande de raízes que trazem uma série de benefícios para a qualidade do solo”, afirma Rodrigo Arroyo Garcia, que conduz experimentos com plantas de cobertura.

    Qualidade da água: Outra pesquisa realizada na Embrapa Agropecuária Oeste é quanto à qualidade de águas superficiais (rios, lagos, riachos), especialmente no Rio Dourados, e possíveis impactos causados por agrotóxicos utilizados na agropecuária.

    Divulgação – Embrapa/Reynaldo Sidney Brandão Pereira

    “A grande novidade do trabalho de monitoramento neste ano é que a Embrapa foi acionada para fornecer esses dados para subsidiar a reformulação de política pública”, destaca Rômulo Penna Scorza Júnior, líder do projeto.

  • Sensor para irrigação impulsiona economia e produtividade

    Sensor para irrigação impulsiona economia e produtividade

    Um novo avanço tecnológico no campo da irrigação está transformando a forma como os agricultores lidam com o manejo da água. O sensor IGstat, desenvolvido com melhorias significativas em seu processo de fabricação e controle, está se destacando pela capacidade de aumentar a produtividade das culturas e reduzir o consumo de água e energia, tanto em ambientes protegidos quanto em campo aberto.

    Este dispositivo de baixo custo opera de forma automatizada, ajustando o fornecimento de água com base na umidade do solo. Ao garantir que as plantas recebam a quantidade ideal de água no momento certo, o sensor otimiza a produção tanto para pequenos quanto grandes produtores, tornando o manejo da irrigação mais eficiente. Os estudos para aperfeiçoar o sensor IGstat envolveram três pesquisadores da Embrapa Instrumentação, um pesquisador da iniciativa privada e recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

    Foram implementadas melhorias na robustez e confiabilidade do controlador Irriga Fácil, incluindo aprimoramentos no regulador de pressão de ar, pressostato e temporizador programável”, conta o pesquisador da Embrapa Instrumentação, Carlos Manoel Pedro Vaz, coordenador da pesquisa.

    Uma das vantagens significativas do sensor IGstat é sua capacidade de operar mesmo na ausência de informações técnicas específicas sobre o tipo de solo e as lâminas de irrigação recomendadas. Isso o torna altamente adaptável a diversas condições e culturas agrícolas, incluindo horticultura, fruticultura, floricultura, cereais e culturas anuais em geral. Além disso, pode ser integrado a diferentes sistemas de irrigação, como aspersão, gotejamento e inundação, permitindo seu uso em diversos cenários, desde pequenos jardins até grandes áreas de produção.

    Uma característica fundamental do sensor IGstat é seu princípio de funcionamento inovador. Com apenas 6 centímetros de comprimento e 2 centímetros de diâmetro, o dispositivo utiliza um sistema pneumático para medir a umidade do solo. Quando o solo atinge um valor crítico de umidade, o sensor aciona automaticamente o sistema de irrigação, garantindo que as plantas recebam água na medida certa.

    Experimentos realizados em diversas culturas, como tomate, alface, pimenta, banana, morango e café, demonstraram aumentos significativos na produtividade e reduções no consumo de água e energia. Em uma fazenda em Brotas (SP), por exemplo, a adoção da tecnologia resultou em uma economia de água de aproximadamente 20 mil litros por hectare, além de uma redução de mais de 65% no consumo de energia.

    Com sua capacidade de aumentar a eficiência hídrica e energética na agricultura, o sensor IGstat está se consolidando como uma ferramenta estratégica para os agricultores modernos. Seus benefícios econômicos e ambientais contribuem para o avanço sustentável do agronegócio, promovendo uma produção mais inteligente e responsável.

     

     

  • Descubra como aproveitar a abóbora e o inhame de forma integral

    Descubra como aproveitar a abóbora e o inhame de forma integral

    No estado de Alagoas, agricultores familiares estão encontrando um novo caminho para diversificar seus produtos e aumentar a renda. A solução está em receitas de abóbora e inhame, desenvolvidas por uma equipe do Laboratório de Gastronomia do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) em parceria com a Embrapa Alimentos e Territórios (AL) e apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

    Essas receitas incluem o uso da polpa, sementes, talos e até das cascas de inhame e abóbora, reduzindo o desperdício e melhorando o aproveitamento integral desses alimentos tradicionais da dieta nordestina.

    Além disso, elas também incluem preparos culinários diferenciados, estimulando o aproveitamento integral das hortaliças e oferecendo mais uma oportunidade de geração de renda.

    “Observamos que há outras variedades cultivadas na região. Esses frutos podem apresentar variações na sua composição não só nutricional, mas sensorial quando preparados para consumo. Assim, buscamos explorar essas características e conhecer melhor as propriedades benéficas à saúde, pois tanto o ambiente como o manejo, a coleta e o manuseio também interferem na qualidade dos produtos”, explica a pesquisadora da Embrapa Priscila Zaczuk Bassinello.

     

    Divulgação – Embrapa

    A abóbora é um produto consumido no País todo, mas no Nordeste, o consumo é diferenciado, pois compõe o cardápio do café da manhã ao jantar.

    Há várias variedades comerciais sendo plantadas oriundas da seleção das sementes tradicionais, ou crioulas, que abastecem o mercado de outros estados da região.

    Duas espécies se destacam: a moranga ou jerimum caboclo (Cucurbita maxima) e a abóbora ou jerimum de leite (Cucurbita moschata D.).O inhame, ou cará, é fonte de fibras e vitaminas, e é um alimento nutritivo rico em energia, fibras e uma fonte de vitaminas (A, C, E e complexo B) e de minerais, como potássio, ferro e cálcio.

    Ele é um produto de fácil conservação, que pode durar até mais de 15 dias se for mantido em local fresco, seco, escuro e arejado.

    Também pode ser congelado cru, fatiado ou cozido na forma de purê. “Foi um desafio gratificante fazer os testes, elaborar essas receitas e ministrar as oficinas”, diz a professora Ingrid Tavares de Lima, do Ifal. “A proposta foi diversificar ao máximo o consumo integral desses ingredientes, gerando uma nutrição mais completa e despertando o interesse dos agricultores e suas famílias por novas formas de preparo”, explica.

    As receitas incluem desde empadinhas, bolinhos, pães, bolos, panquecas, biscoitos e chips de inhame e abóbora, até sucos e cremes. Com limão, maçã e gengibre, é possível fazer suco de inhame.

    Divulgação – Embrapa/Elias Rodrigues

    As sementes e as cascas também podem ser usadas para fazer farinha, chips e sucos, entre outros preparos.

    Alagoas tem uma grande oportunidade de ampliar a sua produção de inhame para abastecer o mercado interno, que vem apresentando demanda crescente pelo produto.

    Em Maceió, são comercializadas cerca de 850 toneladas de inhame por mês somente na Ceasa. Sendo que mais de 90% dos produtos comercializados no município são produzidos em outros estados.

    “Nosso trabalho busca, ainda, resgatar as cultivares tradicionais de inhame barba de arame e gereba, entre outras variedades presentes na região”, conta o pesquisador da Embrapa João Gomes. “Estamos avaliando essas variedades, que são raras, para verificar se elas podem ser menos suscetíveis a doenças como a casca-preta e pinta-preta, que têm causado muitos prejuízos à cultura”, complementa.

    O resgate dessas variedades tradicionais é fundamental para a manutenção da variabilidade genética e a soberania e segurança alimentar das famílias da região nordestina. Outro objetivo é incentivar o uso integral dos tubérculos a partir das variadas receitas desenvolvidas pelo Ifal, campus Marechal Deodoro.