Categoria: Pecuária

  • Mato Grosso coloca carne na mesa de 1 em cada 8 brasileiros

    Mato Grosso coloca carne na mesa de 1 em cada 8 brasileiros

    Quando o apito inicial soa nos estádios da Copa do Mundo de 2026, milhões de brasileiros já estão em frente às grelhas. E boa parte da carne que vai chegar às mesas nesses dias de jogo atravessou as fazendas, frigoríficos e rodovias de Mato Grosso antes de chegar ao prato.

    O estado responde por 13% de toda a carne bovina disponível para consumo no Brasil. A conta é simples e expressiva: a cada oito quilos ingeridos pelo brasileiro, um quilo teve origem mato-grossense.

    Os dados são do Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e cobrem o ano de 2025. Mato Grosso produziu 2,006 milhões de toneladas de equivalente carcaça bovina no período. Desse total, 978 mil toneladas seguiram para 92 países: uma presença no mercado externo que coloca o estado entre os principais exportadores de proteína animal do mundo. Mas o dado que chama atenção desta vez é o que ficou dentro do país: 1,027 milhão de toneladas, suficiente para garantir uma oferta média de 4,82 quilos de carne bovina por habitante ao longo do ano.

    A discussão sobre exportação costuma dominar o noticiário do agronegócio mato-grossense, e não sem razão. Os números de 2025 deixam evidente que o mercado interno também depende da produção do estado de forma estrutural.

    “Esses dados mostram algo igualmente importante: a contribuição da nossa cadeia
    produtiva para a alimentação dos brasileiros”, diz Bruno de Jesus Andrade, diretor
    de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

    Para ele, a Copa amplifica esse papel.

    “Em um período de grande mobilização, quando aumenta o consumo de carne em confraternizações e eventos, Mato Grosso segue desempenhando um papel estratégico para garantir o abastecimento do mercado interno”, afirma.

    O fluxo que transforma o campo em proteína envolve fazendas de criação, plantas frigoríficas e uma extensa rede logística — tudo concentrado em um estado que ocupa posição de liderança no rebanho nacional há anos. A Copa passa. A demanda por carne, não.

  • Brasil celebra 20 anos sem febre aftosa

    Brasil celebra 20 anos sem febre aftosa

    Em 2026, o Brasil completa 20 anos sem registros de focos de febre aftosa. A conquista ocorre um ano após o país receber o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, consolidando um dos avanços sanitários mais importantes para o setor pecuário.

    O último registro da doença em território brasileiro ocorreu em 2006, quando focos foram identificados nos estados do Paraná e de Mato Grosso do Sul.

    No entanto, especialistas alertam que o cenário exige atenção permanente. Segundo o auditor fiscal federal agropecuário João Cavallero, a doença continua presente em diferentes partes do mundo e pode voltar a atingir países que já haviam conseguido controlá-la.

    “A febre aftosa continua sendo uma preocupação em diversos países. Mesmo nações que já haviam controlado a doença voltaram a registrar surtos nos últimos anos. Isso demonstra que a vigilância não pode ser relaxada”, observa.

    Um exemplo é o Uruguai, país vizinho da região Sul do Brasil. A nação chegou a conquistar o certificado de área livre de febre aftosa sem vacinação, mas posteriormente registrou novos casos da enfermidade. Como consequência, retomou a vacinação dos rebanhos, prática que permanece em vigor até hoje.

    Além disso, a preocupação com a circulação do vírus permanece em outras regiões do mundo. Em abril deste ano, a China comunicou a ocorrência de dois focos da doença em duas províncias. O episódio envolveu mais de 6 mil bovinos, dos quais 219 apresentaram sintomas compatíveis com a febre aftosa.

    Diante desse cenário, Cavallero destaca que a condição sanitária alcançada pelo Brasil resulta de um esforço contínuo de monitoramento e controle.

    “O status sanitário brasileiro não é permanente nem acontece por acaso. Ele depende de um sistema estruturado, baseado em vigilância ativa e análise de risco para impedir a entrada de enfermidades que possam comprometer a pecuária nacional”, explica.

    Impactos econômicos preocupam o setor

    A febre aftosa é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de casco fendido. Devido à sua rápida disseminação, surtos da doença costumam gerar elevados prejuízos econômicos, principalmente pelos custos relacionados ao controle sanitário e pelas restrições impostas ao comércio internacional de carnes e produtos pecuários.

    Por isso, representantes do setor defendem a manutenção dos investimentos em vigilância e prevenção.

    De acordo com o vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Saúde Animal (Sindan), Emílio Salani, o retorno do vírus é considerado uma possibilidade concreta. O principal desafio, segundo ele, é garantir que o país esteja preparado para responder rapidamente a uma eventual emergência sanitária.

    “A dúvida não é se a aftosa vai reaparecer no Brasil, mas quando ela vai retornar e como vamos reagir”, afirma o vice-presidente do Sindan.

    Vizinhos seguem no radar das autoridades

    Entre os países vizinhos, a maior preocupação dos especialistas está relacionada à Venezuela, que ainda não possui reconhecimento sanitário oficial para a doença e apresenta limitações na divulgação de informações sobre sua situação epidemiológica.

    Por outro lado, a Bolívia recebeu há duas semanas o certificado de país livre de febre aftosa sem vacinação concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

    Status sanitário aumenta responsabilidade da cadeia pecuária

    Na avaliação dos auditores fiscais agropecuários, a conquista do reconhecimento internacional amplia a responsabilidade de toda a cadeia produtiva na preservação da sanidade animal.

    Além da atuação dos produtores rurais, o trabalho de fiscalização, monitoramento e controle de fronteiras é considerado essencial para evitar a entrada de enfermidades que possam comprometer a competitividade da pecuária brasileira.

    Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Janus Pablo Macedo, a manutenção desse patrimônio sanitário exige investimentos permanentes.

    “A credibilidade sanitária do Brasil é um ativo estratégico. A manutenção desse status depende de investimentos contínuos, estrutura adequada e valorização dos auditores fiscais federais agropecuários que atuam na proteção dos rebanhos, da economia e da imagem do país perante o mundo”, completa.

  • Brasil busca acordo com a UE para manter exportações de carne bovina

    Brasil busca acordo com a UE para manter exportações de carne bovina

    A indústria frigorífica acredita que as negociações entre Brasil e União Europeia permitirão a retomada das exportações de carne ao bloco antes da entrada em vigor das novas restrições sobre antimicrobianos, prevista para setembro.

    A expectativa do setor se apoia no avanço das negociações sobre um protocolo para segregação de animais livres dos antimicrobianos vetados e na possível concessão de um período de transição pela UE.

    Outro fator considerado relevante é a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações diplomáticas, movimento que pode contribuir para acelerar as tratativas.

    Na quinta-feira (18), o CEO da Friboi e presidente do conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Renato Costa, reconheceu que houve certa demora na reação da cadeia produtiva e do próprio governo diante das exigências europeias, já que a regulamentação não é recente.

    Segundo ele, o cenário também exige maior participação da indústria farmacêutica veterinária para ampliar a oferta de alternativas aos antimicrobianos proibidos no mercado europeu.

    “Estamos confiantes. Teve que ter uma escalada política para ver se acelerava isso [negociações]. O presidente Lula agora, no G7, apresentou não só o nosso pleito. E [tem] também o trabalho que o Ministério da Agricultura está fazendo para convencer a comunidade europeia a aceitar o protocolo”, afirmou.

    Avanços sanitários

    De acordo com o executivo, o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, além de outros avanços sanitários conquistados recentemente, pode reforçar os argumentos brasileiros nas negociações.

    A proposta de transição permitiria a implementação gradual do protocolo de rastreabilidade exigido pela UE, incluindo a comprovação da ausência dos antimicrobianos durante todo o ciclo produtivo do animal. Atualmente, o setor estima que esse monitoramento precisaria abranger cerca de 30 meses, período que vai do nascimento ao abate dos bovinos.

    No entanto, o Brasil ainda não dispõe dessas informações de forma ampla e estruturada para atender às exigências até setembro.

    Setor cobra medidas mais rápidas

    Na semana passada, a Abiec e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) solicitaram ao governo federal a ampliação das restrições ao uso de determinados antimicrobianos. Até o momento, segundo a indústria, não houve resposta oficial.

    Costa afirmou que a proposta teve como objetivo chamar atenção para a necessidade de ações mais efetivas diante do risco de perda de um mercado considerado estratégico para a rentabilidade das exportações brasileiras.

    No entanto, a iniciativa recebeu críticas de pecuaristas e empresas do setor de saúde animal. Um dos principais questionamentos envolve a disponibilidade limitada de produtos substitutos no mercado brasileiro.

    1,2 mil fazendas estão habilitadas para exportação

    Renato Costa destacou que cerca de 1,2 mil fazendas brasileiras estão habilitadas a exportar carne bovina à União Europeia por meio da Lista Traces, cumprindo exigências de rastreabilidade, mas ainda sem atender às novas regras sobre medicamentos veterinários. Segundo Damian Lluna, representante da UE no Brasil, essas exigências já são conhecidas pelo setor há anos.

    “A União Europeia tem, desde o início dos anos 2000, regras de proibição desses produtos. Já é obrigação a todos os produtores europeus desde 2022, e agora tem para países terceiros que queiram exportar para lá”, afirmou.

    Mercado europeu tem alto valor agregado

    Embora a União Europeia tenha absorvido apenas 3,5% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, o mercado possui grande relevância econômica devido à compra de cortes de maior valor agregado.

    Neste ano, as vendas ao bloco somaram US$ 1 bilhão e 128 mil toneladas de carne bovina.

    Por isso, um eventual bloqueio poderia reduzir a rentabilidade das operações exportadoras. Ainda assim, Costa avalia que os volumes embarcados poderiam ser redirecionados para outros mercados compradores, minimizando os impactos sobre o setor.

  • JBS encerra produção voltada à China diante de tarifas

    JBS encerra produção voltada à China diante de tarifas

    A JBS, uma das maiores empresas globais do setor de carne bovina, deve interromper a partir deste sábado (20) a produção de cortes específicos destinados ao mercado chinês. A medida busca evitar que cargas brasileiras desembarquem na China após o preenchimento da cota de importação, o que resultaria em elevadas sobretaxas.

    Segundo Renato Costa, CEO da Friboi, marca pertencente ao grupo JBS, a companhia passará a priorizar a logística de exportação e a organização dos embarques.

    “Nós estamos organizados para, a partir do dia 20, só concentrar embarques, não produção. Então, a partir do dia 20, concentra os embarques, define os portos, organiza, porque se chegar fora da cota, tem uma sobretaxa muito alta”, afirmou o executivo.

    De acordo com estimativas da indústria, as exportações brasileiras seguem seguras até o final de junho, sem risco de ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas estabelecida para 2026. No entanto, dados consolidados pelo governo chinês indicam que o Brasil já havia utilizado mais de 50% do volume autorizado até 9 de maio.

    Além disso, o elevado número de cargas em trânsito aumenta a cautela entre frigoríficos e importadores. Somente no mês passado, o Brasil embarcou quase 154 mil toneladas de carne bovina para o mercado externo.

    Costa alertou que o impacto tarifário pode inviabilizar operações fora da cota.

    “O que entra hoje é 12% dentro da cota, fora da cota são mais 55%, vai para 67%. Aí realmente inviabiliza”, destacou.

    No início de junho, algumas plantas habilitadas para exportar à China já haviam reduzido o ritmo de abates e a produção de cortes específicos destinados ao país asiático.

    Estratégias variam

    Além de comandar a Friboi, Renato Costa preside o conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Segundo ele, cada empresa vem adotando estratégias próprias diante da proximidade do esgotamento da cota chinesa.

    “Nós, como JBS, não vemos impacto de volume, nós distribuímos isso. Já o preço é o mercado que vai ditar”, afirmou.

    Por outro lado, o executivo reconheceu que não há expectativa de ampliação da cota brasileira ainda em 2026. Mesmo assim, o setor produtivo e o governo brasileiro solicitaram às autoridades chinesas a redistribuição de volumes não utilizados por outros países exportadores.

    A cota total destinada a todos os fornecedores internacionais soma 2,6 milhões de toneladas.

    “O ministro [da Agricultura] André de Paula, na feira Sial na China, já colocou isso, para que, no final, quem não cumpriu a cota, faz-se a redistribuição da cota. Aí a gente vê como possibilidade, mas dentro desse ano, não”, explicou.

    Enquanto isso, a China informou nesta quinta-feira (18) que a Austrália atingiu integralmente sua cota de 205 mil toneladas. Dessa forma, a partir de sábado (20), as cargas australianas que chegarem aos portos chineses passarão a pagar uma sobretaxa de 55%.

    Mudanças de hábitos alimentares favorecem consumo de proteína

    Outro fator apontado pela companhia para o fortalecimento das vendas é a mudança nos hábitos de consumo da população, incluindo o uso crescente das chamadas canetas para emagrecimento.

    Segundo Costa, esse movimento tem reforçado a procura por alimentos ricos em proteína.

    “Isso tem tido um efeito e vem comprovar o que a gente sempre acreditou, que a proteína é a principal fonte de tudo, de energia do corpo humano como um todo. O futebol e essa mudança do hábito alimentar têm incentivado muitas vendas”, concluiu.

  • Júnior Friboi desiste de negócio com Fazenda Conforto

    Júnior Friboi desiste de negócio com Fazenda Conforto

    A JBJ Agropecuária, empresa controlada por José Batista Júnior, conhecido como Júnior Friboi, comunicou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em conjunto com a Fazenda Conforto, a desistência da operação que previa a aquisição dos ativos da propriedade rural localizada em Nova Crixás (GO).

    Júnior Friboi é irmão mais velho de Wesley Batista e Joesley Batista, acionistas controladores da JBS. A transação vinha sendo acompanhada pelo mercado pecuário devido à relevância das empresas envolvidas.

    Em petição protocolada junto ao Cade na segunda-feira (15), as partes formalizaram a decisão de encerrar as negociações.

    “As requerentes informam que, de forma livre, mútua e consensual, decidiram pelo encerramento definitivo das tratativas relativas à operação objeto do presente Ato de Concentração, desistindo da realização do negócio”, declararam as empresas no documento encaminhado ao órgão regulador.

    Entraves na análise do Cade

    Embora o comunicado não tenha apresentado detalhes sobre os motivos que levaram à desistência, segundom informações, a decisão teria sido influenciada por um despacho emitido em 5 de maio pelo superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto de Souza.

    Na ocasião, o órgão rejeitou o pedido para que a análise da operação ocorresse pelo rito sumário, procedimento mais rápido de avaliação. Dessa forma, o processo passou a tramitar pelo rito ordinário, que costuma demandar um prazo maior para conclusão.

    Além disso, as empresas teriam concordado em aguardar cerca de 40 dias para acompanhar a evolução da análise. Entretanto, como não houve avanços significativos no período e persistiam incertezas sobre o prazo de apreciação e a decisão final do Cade, os controladores da JBJ e da Fazenda Conforto decidiram manter suas operações independentes.

    Negociações da Fazenda Conforto

    A possibilidade de aquisição havia sido confirmada no fim de abril, quando a Fazenda Conforto informou que avaliava uma proposta apresentada pela JBJ Agropecuária. A propriedade é considerada uma das maiores fornecedoras de gado bovino para a JBS, o que conferia relevância estratégica à operação.

    Fundada na década de 1990, a Fazenda Conforto pertence ao empresário Alexandre Funari Negrão, conhecido como Xandy Negrão. Além de sua atuação no agronegócio, ele ganhou notoriedade por ter criado a farmacêutica Medley e a fabricante de pás eólicas Aeris, bem como por sua trajetória como piloto da Stock Car.

  • Frigoríficos brasileiros negociam retomada de embarques à Venezuela

    Frigoríficos brasileiros negociam retomada de embarques à Venezuela

    O Brasil intensificou os esforços para retomar as exportações de carne bovina para a Venezuela, mercado que já esteve entre os principais destinos do produto brasileiro no exterior. Nesta semana, uma missão multissetorial organizada pelo Ministério das Relações Exteriores cumpre agenda em Caracas para discutir oportunidades comerciais.

    As vendas de carne bovina brasileira para o país vizinho permanecem praticamente interrompidas desde meados de 2015. Naquele período, a forte queda dos preços internacionais do petróleo, somada ao início das sanções impostas pelos EUA, agravou a crise econômica venezuelana e reduziu significativamente o poder de compra local.

    Antes desse cenário, a Venezuela representava um mercado relevante para a proteína brasileira. Em 2014, auge da relação comercial entre os dois países nesse segmento, os embarques alcançaram 160 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 852 milhões.

    A programação, iniciada nesta semana, inclui encontros de negócios entre empresas brasileiras e venezuelanas. Durante as reuniões, os participantes avaliam possibilidades de ampliação do comércio bilateral e oportunidades de investimentos.

    Consumo ainda é desafio para o setor

    Apesar das perspectivas positivas, a retomada do mercado enfrenta obstáculos importantes. Entre eles estão a continuidade das dificuldades econômicas no país e o baixo consumo de carne bovina pela população.

    Antes da crise, cada venezuelano consumia, em média, 21 quilos de carne bovina por ano. No entanto, esse volume caiu drasticamente nos anos seguintes. Em 2019, o consumo per capita atingiu apenas três quilos por habitante.

    Desde então, houve recuperação gradual. Ainda assim, a média atual permanece em torno de nove quilos por pessoa ao ano, número bastante inferior ao registrado no Brasil, onde o consumo médio anual é de aproximadamente 35 quilos por habitante.

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    Mercado estratégico para a carne brasileira

    Mesmo diante das dificuldades, a indústria exportadora considera que a Venezuela continua oferecendo oportunidades relevantes no longo prazo.

    Segundo Julio Ramos, diretor de Assuntos Estratégicos da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e integrante da missão empresarial em Caracas, o mercado vizinho não deve ser ignorado.

    “Temos uma tendência natural de olhar para mercados muito distantes, e, muitas vezes, deixamos de observar oportunidades importantes em nossa própria região. A Venezuela já foi um grande mercado para a carne bovina brasileira e continua sendo um país estratégico”, afirmou.

    Além disso, a estrutura exportadora já está preparada para atender uma eventual ampliação da demanda. Atualmente, quase 80 frigoríficos brasileiros possuem habilitação para exportar carne bovina ao mercado venezuelano.

    De acordo com dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura que reúne estatísticas do comércio exterior do agronegócio, a Venezuela importou 25,3 mil toneladas de carne bovina brasileira entre 2016 e 2026.

  • Exportações de carne bovina batem recorde em 2026

    Exportações de carne bovina batem recorde em 2026

    As exportações brasileiras de carne bovina registraram recorde nos cinco primeiros meses de 2026. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram o melhor resultado da série histórica iniciada em 1997.

    Entre janeiro e maio, o Brasil embarcou 1,36 milhão de toneladas da proteína. O volume supera em 14,4% o registrado no mesmo período de 2025. Além disso, o resultado fica 26,6% acima do observado nos cinco primeiros meses de 2024. A receita também atingiu nível recorde no período. As vendas externas somaram R$ 40,207 bilhões até maio. O valor representa avanço de 20,24% em comparação aos R$ 33,44 bilhões registrados um ano antes.

    Segundo pesquisadores do Cepea, o dólar valorizado e o aumento do preço por tonelada favoreceram o desempenho. Na média, a carne bovina exportada foi negociada a R$ 29,5 mil por tonelada.

    Maio registra maior faturamento do ano

    Somente em maio, o Brasil exportou 290,453 mil toneladas de carne bovina. O volume cresceu 2,5% frente a abril e avançou 17,2% na comparação com maio de 2025. O preço médio alcançou R$ 31.135,21 por tonelada no mês. Com isso, o faturamento chegou a R$ 9,04 bilhões.

    O resultado ficou 5,35% acima do registrado em abril. Além disso, superou em 28,08% o faturamento obtido em maio do ano passado.

    Mercado internacional fortalece pecuária brasileira

    O forte avanço das exportações reforça a importância do mercado internacional para a pecuária brasileira. Os pesquisadores do Cepea destacam que os preços historicamente elevados da proteína sustentam o crescimento dos embarques e da receita.

    Além disso, o cenário ganha relevância durante a transição entre safra e entressafra. Nesse período, a oferta de animais prontos para abate aumenta ligeiramente.

    Ao mesmo tempo, o consumo doméstico segue enfraquecido. As proteínas concorrentes também ampliam a competitividade no mercado interno. Diante desse contexto, as exportações continuam como um dos principais sustentáculos da cadeia da carne bovina no Brasil.

  • Churrasco ganha força com a Copa e anima mercado de carnes

    Churrasco ganha força com a Copa e anima mercado de carnes

    As principais empresas brasileiras de proteína animal enxergam na Copa do Mundo uma oportunidade estratégica para fortalecer vendas e ampliar o consumo interno.

    Enquanto o setor de aves e suínos projeta um aumento expressivo na comercialização de produtos, a indústria da carne bovina acredita que o torneio pode marcar uma nova fase para o consumo per capita da proteína no país.

    Sadia aposta em crescimento de até 50% como patrocinadora BR

    A Sadia, marca de aves e suínos da MBRF, reforça sua presença no evento como patrocinadora oficial da seleção brasileira. A empresa estima que o volume de vendas durante a competição alcance níveis comparáveis aos registrados em datas tradicionalmente fortes para o varejo, como o Dia das Mães e as festas de fim de ano.

    Além disso, a marca firmou parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 2030. Dessa forma, será responsável pelo fornecimento de proteínas aos atletas da seleção principal e também a outras 19 equipes ligadas à entidade, incluindo categorias de base e seleções femininas.

    A previsão é distribuir cerca de duas toneladas mensais de produtos para aproximadamente 160 integrantes das equipes. Ao longo de quatro anos, o volume pode se aproximar de 100 toneladas.

    “A seleção, independentemente do período, é uma paixão nacional. Por isso, estamos muito felizes de ver nossa marca ligada à seleção, ainda mais agora com a Marfrig e a BRF em uma empresa única, as oportunidades são potencializadas”, afirmou Miguel Gularte, diretor-executivo da MBRF.

    ‘Lek Trek’ e ‘Canarinho’ em campanha da Sadia — Foto: CBF

    Após encerrar o primeiro trimestre com vendas domésticas 5,5% menores na comparação anual, a empresa vê a Copa como um dos principais vetores de crescimento em 2026.

    Por isso, a expectativa é ampliar em até 50% o volume comercializado durante o torneio em relação à edição de 2022. O desempenho deverá ser impulsionado principalmente por produtos como linguiças, salames, empanados e itens destinados ao churrasco.

    Engajamento digital

    Segundo levantamento da plataforma de inteligência de consumo Winnin, o interesse pelo torneio cresceu de forma significativa entre os consumidores. O volume de interações relacionadas à Copa nas redes sociais saltou de cerca de 20 milhões por mês no início do ano para 240 milhões em maio.

    Para aproveitar esse cenário, a Sadia desenvolveu uma linha especial com 20 produtos temáticos e lançou uma promoção que oferece brindes oficiais da seleção brasileira aos consumidores participantes.

    De acordo com a empresa, o planejamento das ações começou ainda em janeiro.

    “A procura pelos nossos produtos aumenta de forma significativa nos dias de jogos. Por isso, começamos a nos preparar com bastante antecedência”, destacou Manoel Martins, vice-presidente de Mercado Brasil e Marketing da MBRF.

    Sadia lançou ação promocional em parceria com a seleção brasileira — Foto: Divulgação

    Seara aposta no conceito do “primeiro tempo do churrasco”

    A Seara, marca de aves e suínos da JBS, também projeta forte crescimento nas vendas durante o torneio. A expectativa é registrar aumento de aproximadamente 40% em comparação à Copa anterior.

    Diferentemente da estratégia adotada em 2022, quando o foco estava em produtos específicos, a empresa decidiu concentrar sua campanha na valorização da etapa inicial do churrasco brasileiro.

    Segundo o presidente da Seara, João Campos, a proposta foi batizada de “1º tempo do churrasco”.

    “O churrasco brasileiro tem dois momentos. Tem a abertura, que é a linguiça, o frango, o suíno, às vezes um pão de alho, o petisco. Depois vai para o bovino. Fazendo alusão ao futebol, estamos dando foco na ideia de que o primeiro tempo do churrasco é tão importante quanto o segundo”, explicou.

    Além disso, a companhia lançou kits churrasco, inspirados nos tradicionais kits natalinos.

    Friboi vê oportunidade

    No segmento de carne bovina, a Friboi, operação da JBS, também trabalha com expectativas positivas. A expectativa é elevar em cerca de 10% as vendas.

    Base atual de consumo da marca já é superior à observada durante a Copa de 2022 — Foto: Friboi

    Nos dias em que houver partidas, entretanto, a projeção é ainda mais otimista. A empresa espera comercializar pelo menos 20% mais produtos em relação aos dias sem jogos.

    Segundo o diretor-executivo comercial da empresa, Leonardo Monteiro, a Copa pode representar um marco importante para a expansão do consumo de carne bovina no país.

  • Embarques de frango batem recorde e superam US$ 1 bilhão

    Embarques de frango batem recorde e superam US$ 1 bilhão

    As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram um recorde histórico em maio de 2026. Pela primeira vez, a receita mensal do setor superou US$ 1 bilhão. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as vendas externas somaram US$ 1,009 bilhão no período. O valor representa alta de 36,1% sobre maio de 2025.

    Além do avanço na receita, o volume exportado atingiu 509,9 mil toneladas. O resultado foi o maior já registrado para um mês de maio. Na comparação anual, os embarques cresceram 29,6%. Em maio do ano passado, o Brasil exportou 393,4 mil toneladas. A base de comparação foi menor devido ao impacto do único caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade já registrado no setor brasileiro.

    No acumulado de janeiro a maio, as exportações de carne de frango alcançaram 2,453 milhões de toneladas. O volume supera em 8,7% o registrado no mesmo período de 2025. A receita acumulada chegou a US$ 4,714 bilhões. O valor representa crescimento de 11,3% em relação ao ano passado.

    China lidera compras de carne de frango

    A China permaneceu como principal destino da carne de frango brasileira em maio. O país importou 48,3 mil toneladas, avanço de 34,7%. Na sequência aparecem Japão, com 43,2 mil toneladas, e União Europeia, com 40,2 mil toneladas.

    Também figuram entre os principais compradores a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, a África do Sul e o México. Coreia do Sul e Reino Unido também ampliaram as compras do produto brasileiro.

    Paraná mantém liderança nacional

    Entre os estados exportadores, o Paraná liderou os embarques com 213,9 mil toneladas. Santa Catarina ocupou a segunda posição com 113,9 mil toneladas. Em seguida aparecem Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.

    De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o setor enfrentou desafios logísticos globais durante o período. Segundo ele, as tensões no Oriente Médio e as incertezas nas rotas ligadas ao Estreito de Ormuz elevaram a complexidade das operações. Mesmo assim, o Brasil ampliou sua presença em mercados estratégicos e de maior valor agregado.

    Carne suína registra melhor maio da história

    As exportações brasileiras de carne suína também alcançaram desempenho histórico em maio. Os embarques totalizaram 129,4 mil toneladas. O volume superou em 9% o registrado no mesmo mês de 2025.

    A receita chegou a US$ 302,1 milhões. O resultado representa crescimento de 3,8% na comparação anual. Segundo a ABPA, tanto o volume quanto a receita estabeleceram recordes para meses de maio.

    Entre janeiro e maio, as exportações de carne suína somaram 661,7 mil toneladas. O número é 13,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita acumulada atingiu US$ 1,546 bilhão. O avanço foi de 11,9% sobre os primeiros cinco meses de 2025.

    Filipinas seguem como principal mercado

    As Filipinas lideraram as importações de carne suína brasileira em maio, com 27,2 mil toneladas. O Japão ocupou a segunda posição e registrou forte crescimento de 83,2% nos embarques. Chile, México, Hong Kong, Argentina e Uruguai também aparecem entre os principais destinos.

    No ranking dos estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança com 62,5 mil toneladas embarcadas. Rio Grande do Sul e Paraná completam as três primeiras posições.

    Para Ricardo Santin, a diversificação dos mercados continua sustentando o crescimento das exportações brasileiras. Segundo ele, a expansão em destinos estratégicos fortalece a demanda internacional e aumenta as perspectivas para novos recordes em 2026.

     

     

     

     

     

  • Pecuária dos EUA enfrenta praga considerada altamente perigosa

    Pecuária dos EUA enfrenta praga considerada altamente perigosa

    A pecuária dos EUA voltou a acender o alerta sanitário após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmar um novo caso de mosca-varejeira-do-novo-mundo no estado do Texas. O animal afetado é um bezerro de apenas um mês de idade, localizado a cerca de 9 quilômetros do primeiro foco registrado na região.

    Segundo o USDA, a ocorrência já era esperada pelos especialistas que monitoram a disseminação da praga.

    “Todos os modelos previam a entrada da mosca-varejeira-do-novo-mundo no país em 2025”, afirmou Dudley Hoskins, subsecretário de marketing e programas regulatórios do órgão.

    Além disso, Hoskins destacou que a chegada da praga ao território americano era considerada provável pelos órgãos de vigilância. No entanto, ressaltou que a cooperação entre os estados e o setor privado tem contribuído para conter o avanço da infestação.

    Mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma praga perigosa, com potencial de causar grandes prejuízos — Foto: USDA

    Para reforçar o combate, o USDA informou que uma equipe especializada do serviço de inspeção foi enviada à área onde os focos foram identificados. Além disso, um entomologista passou a atuar diretamente na região para acelerar os processos de confirmação dos diagnósticos.

    Outra medida adotada pelas autoridades americanas envolve a liberação de mais de 2 milhões de larvas estéreis da mosca-varejeira-do-novo-mundo. Dessa forma, o governo busca interromper o ciclo reprodutivo do inseto e reduzir sua capacidade de propagação.

    Risco econômico para a pecuária

    A mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma das pragas de maior impacto para a produção animal. As larvas penetram na pele dos hospedeiros, provocando feridas, infecções, sofrimento e prejuízos produtivos.

    Além dos rebanhos comerciais, a praga também pode atingir animais domésticos e espécies silvestres. Por isso, as autoridades sanitárias mantêm vigilância constante para evitar a expansão dos focos.

    O USDA orienta produtores rurais e tutores de animais a observarem sinais como aumento de ferimentos, presença de larvas ou massas de ovos, comportamento de desconforto e lesões em áreas sensíveis, incluindo nariz, orelhas e região umbilical.

    Em relação à saúde humana, o órgão esclarece que os casos são incomuns:

    “Embora não seja comum em humanos, se você notar uma lesão suspeita em seu corpo ou suspeitar que possa ter contraído a mosca-da-berne, procure atendimento médico imediatamente”.

    Abastecimento de alimentos segue sem impacto

    Por outro lado, o USDA reforçou que não existem riscos para o abastecimento de alimentos nos Estados Unidos. Segundo o comunicado, a praga não afeta carnes, frutas ou hortaliças destinadas ao consumo.

    Além disso, os diagnósticos são confirmados durante processos de inspeção sanitária. Assim, produtos provenientes de animais infectados não chegam ao mercado consumidor, garantindo a segurança da cadeia de abastecimento.