O governo federal publicou, nesta quarta-feira (1), no Diário Oficial da União (DOU), a Medida Provisória (MP) 1.374, que autoriza a concessão de R$ 270 milhões em subvenções aos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste. A iniciativa busca amenizar os impactos enfrentados pelo setor após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a queda nos preços do açúcar.
A medida foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última terça-feira (1º), durante o lançamento do Plano Safra 2026/27 voltado à agricultura familiar.
Pelas regras da MP, o governo poderá conceder R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar produzida e comprovadamente entregue a usinas, destilarias ou cooperativas localizadas na região Nordeste durante a safra 2025/26.
Segundo a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), aproximadamente 16 mil agricultores serão contemplados pela medida. Atualmente, esse segmento gera cerca de 60 mil empregos na região Nordeste.
Para a União dos Produtores de Cana do Nordeste (Unida), a subvenção chega em um momento decisivo para aliviar a pressão financeira enfrentada pelos produtores.
Em nota, o presidente da entidade, Pedro Campos Neto, afirmou que o setor atravessa um período marcado pelo aumento dos custos de produção, pelos desafios climáticos e pela necessidade de manter a competitividade da atividade. Segundo ele, o auxílio contribui para preservar a sustentabilidade econômica de milhares de famílias que dependem da canavicultura.
A Unida também destacou a expectativa de que os recursos sejam operacionalizados rapidamente para que o benefício chegue aos produtores o quanto antes.
MP também libera recursos para inovação no campo
Além do apoio aos produtores de cana, a Medida Provisória autoriza a destinação extraordinária de R$ 10 bilhões do superávit financeiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Os recursos serão destinados ao financiamento de projetos voltados à disseminação de tecnologias e equipamentos nacionais para produtores rurais, com o objetivo de incentivar a modernização e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro.
Celebrado em 1º de julho, o Dia Mundial da Fruta chama a atenção para a importância do consumo desses alimentos na promoção da saúde e da qualidade de vida. A data foi criada em 2007, na Alemanha, em parceria com instituições de saúde, com o objetivo de incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e ampliar o consumo diário de frutas.
Além de fazer parte de uma alimentação equilibrada, as frutas ocupam um papel estratégico na agricultura brasileira. O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de frutas tropicais do mundo, com destaque para culturas como manga, banana, mamão, melão e uva.
Ricas em água, fibras, vitaminas e minerais, as frutas contribuem para o bom funcionamento do organismo e ajudam na prevenção de diversas doenças.
Entre os principais benefícios estão o fortalecimento do sistema imunológico, melhora da digestão, auxílio na hidratação do organismo e redução do risco de doenças cardiovasculares.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia, quantidade equivalente a aproximadamente cinco porções.
As frutas mais consumidas no Brasil
A banana lidera o ranking mundial de consumo e também figura entre as preferidas dos brasileiros.
O sucesso da fruta está relacionado à praticidade, ao alto valor energético, ao preço acessível e à disponibilidade durante praticamente todo o ano.
Na sequência aparecem as frutas cítricas, especialmente laranja e limão, seguidas por maçãs e uvas.
Essas frutas conquistaram espaço no mercado mundial por aliarem valor nutricional, facilidade de transporte e longa conservação após a colheita.
Por que essas frutas lideram o consumo?
Cada uma delas reúne características que favorecem sua produção e comercialização em larga escala.
Banana
Rica em potássio e carboidratos;
Fonte rápida de energia;
Cultivada em mais de 130 países;
Disponível durante praticamente todo o ano.
Laranja e limão
Fontes importantes de vitamina C;
Muito utilizados na produção de sucos;
Casca resistente facilita o transporte e armazenamento.
Maçãs e uvas
Possuem excelente vida útil pós-colheita;
São consumidas frescas e também processadas;
Dão origem a produtos como vinhos, geleias, doces e passas.
Brasil tem papel de destaque na fruticultura
Além de abastecer o mercado interno, o Brasil é um dos principais produtores de frutas tropicais do planeta.
A manga está entre os produtos agrícolas brasileiros de maior destaque nas exportações, chegando a diversos mercados internacionais graças à qualidade da produção nacional.
O clima favorável e a diversidade de regiões produtoras permitem que o país cultive uma ampla variedade de frutas ao longo do ano, fortalecendo o agronegócio e gerando empregos em diferentes estados.
A Embrapa anunciou o lançamento do projeto “Do risco à decisão”, iniciativa que pretende fortalecer o monitoramento dos principais riscos climáticos enfrentados pela agricultura brasileira e oferecer informações que auxiliem o produtor rural na tomada de decisões.
O projeto será iniciado em julho e terá duração de 48 meses, reunindo uma rede formada por 39 pesquisadores e analistas da empresa pública de pesquisa agropecuária. A coordenação ficará sob responsabilidade da Embrapa Agropecuária Oeste.
Projeto vai monitorar eventos climáticos que afetam a produção
O objetivo é ampliar a capacidade de prever e acompanhar fenômenos que causam prejuízos recorrentes às lavouras brasileiras.
Entre os principais eventos monitorados estão as geadas, secas, oscilações climáticas e riscos associados às mudanças no clima.
Segundo a Embrapa, as informações deverão contribuir para que produtores adotem medidas preventivas antes que os impactos climáticos causem perdas significativas.
O projeto concentrará esforços em algumas das principais culturas da agricultura brasileira.
Entre elas estão soja, milho, trigo, arroz, feijão-comum, feijão-caupi, mandioca, uva e maçã.
Essas culturas representam parte significativa da produção nacional e estão frequentemente expostas aos efeitos de eventos climáticos extremos.
Geadas e seca estão entre as maiores ameaças ao campo
A iniciativa ganha relevância em um momento em que diferentes regiões do país registram episódios de frio intenso e estiagem.
As geadas registradas recentemente em municípios como Lages (SC) reforçam a necessidade de sistemas capazes de antecipar riscos e fornecer informações técnicas para reduzir prejuízos nas lavouras.
Além das geadas, a seca continua sendo um dos fatores que mais comprometem a produtividade agrícola brasileira, afetando desde o desenvolvimento das plantas até a rentabilidade do produtor.
Objetivo é fortalecer a tomada de decisão no campo
Ao integrar pesquisadores de diversas unidades da Embrapa, o projeto busca transformar dados climáticos em informações práticas para apoiar o planejamento agrícola.
A expectativa é ampliar a capacidade de resposta do setor diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, aumentando a segurança das decisões tomadas pelos produtores rurais.
Uma propriedade rural de Brumadinho, em Minas Gerais, chamou atenção ao transformar a produção de hortaliças em uma homenagem à Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 2026.
O agricultor Djalma Cordeiro utilizou mais de 39 mil mudas de alface e almeirão para formar uma bandeira gigante do Brasil nos canteiros da lavoura. O projeto, que une criatividade, agricultura familiar e paixão pelo futebol, rapidamente ganhou repercussão na região.
Sonho guardado por quase 30 anos
Segundo Djalma, a ideia surgiu durante a Copa do Mundo de 1998.
Por quase três décadas, o agricultor manteve o sonho de criar uma bandeira brasileira utilizando plantas cultivadas na própria terra.
“Eu sonhava em fazer isso muito antes de chegar aqui, mas nunca tive a oportunidade. Também é uma demonstração da minha torcida pelo hexa.”
Além da confiança na Seleção Brasileira, Djalma afirma que a expectativa de ver Neymar em campo aumentou ainda mais o entusiasmo para realizar o projeto.
Como a bandeira foi construída
Para transformar a ideia em realidade, o agricultor contou com a ajuda do filho, Djordyan Cardoso.
A etapa de marcação do terreno levou aproximadamente dez dias e exigiu precisão para reproduzir o formato da bandeira.
Depois disso, foram plantadas cerca de 39,2 mil mudas de alface crespa, alface roxa e almeirão.
Ao todo, foram utilizadas 140 bandejas de mudas, cada uma com capacidade para 280 plantas.
O resultado final superou as expectativas do agricultor.
A bandeira formada pelas hortaliças passou a atrair visitantes, moradores da região e até grupos de estudantes interessados em conhecer o trabalho desenvolvido na propriedade.
“Eu nunca imaginei que teria tanta repercussão. Parece algo simples, mas acabou virando uma atração.”
Há 26 anos trabalhando no local, Djalma também cultiva outras culturas agrícolas ao longo do ano, como pimentão, abobrinha e tomate.
Além de valorizar o trabalho no campo, iniciativas desse tipo aproximam a população urbana da realidade dos produtores e ajudam a destacar a importância do agronegócio brasileiro.
A transformação no perfil das famílias brasileiras tem provocado mudanças importantes nos hábitos de consumo. Com lares menores, rotinas cada vez mais corridas e um número crescente de pessoas vivendo sozinhas, diversos setores precisam se adaptar às novas demandas. No segmento de frutas, além da redução no volume das compras, uma tendência tem chamado a atenção: o crescimento da procura por minifrutas.
Versões reduzidas de frutas como kiwi, pera, maçã, banana-ouro e laranja kinkan refletem esse novo cenário demográfico. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada cinco domicílios brasileiros possui apenas um morador. Além disso, os lares formados por casais com filhos passaram a representar menos da metade do total de famílias do país pela primeira vez. A participação desse grupo caiu de 56,4% em 2000 para 42% em 2022.
Novas oportunidades aos produtores
Em meio a essa transformação, produtores rurais enxergam novas oportunidades de mercado. Em São Bento do Sapucaí (SP), na região da Serra da Mantiqueira, o produtor Rodrigo Veraldi, do Viveiro Frutopia, foi pioneiro na introdução do cultivo de minikiwis (Actnidia arguta) no Brasil.
A variedade se diferencia do kiwi tradicional (Actnidia deliciosa) pelo tamanho reduzido, semelhante ao de uma uva. Além disso, a fruta possui casca fina e sem pelos, permitindo o consumo sem a necessidade de descascá-la.
Segundo Veraldi, os primeiros exemplares chegaram ao país há mais de uma década por meio de produtores que importavam kiwis convencionais. No entanto, a importação da variedade arguta foi posteriormente proibida, o que motivou o desenvolvimento de um trabalho de adaptação genética e produtiva em território nacional.
O projeto teve início em 2015 e avançou após o produtor obter acesso às sementes da fruta. Atualmente, o interesse do mercado vem crescendo.
“Os produtores de kiwi estão em lista de espera pelas mudas.”
De acordo com ele, a comercialização das mudas deverá começar após a conclusão da última etapa de análises laboratoriais das plantas.
Rotina acelerada e grande número de pessoas morando sozinhas ampliam oferta de minifrutas — Foto: Divulgação/TripAdvisor
Disponíveis em feiras especializadas, empórios, supermercados premium e restaurantes, as minifrutas acompanham uma tendência global de valorização de alimentos que combinam praticidade, estética e conveniência.
Segundo a economista Marcela Cerrado, as mudanças sociais ajudam a explicar esse avanço.
“Com lares menores, rotina acelerada e mais preocupação com a saúde, cresce a demanda por alimentos fáceis de consumir, que reduzem o desperdício e têm apresentação atrativa. As minifrutas atendem exatamente essa expectativa.”
No caso das minimaçãs e miniperas, parte dos produtos disponíveis já possui tamanho naturalmente reduzido. Contudo, outras variedades são obtidas por meio de estratégias agronômicas específicas, incluindo seleção varietal, manejo de poda e controle da carga produtiva.
Pós-colheita e logística são fatores decisivos
A expansão desse segmento também exige investimentos em pós-colheita, padronização e logística especializada.
A Garden Fruit, empresa de Jundiaí (SP) especializada na importação de frutas frescas, comercializa minimaçãs portuguesas, miniperas da Espanha e de Portugal e minitangerinas provenientes do Chile, Uruguai e Espanha.
Segundo a companhia, a composição do portfólio resulta de um monitoramento constante das tendências globais de consumo.
“Um ponto importante é a necessidade de investimento em pós-colheita e logística. Por serem comercializadas como produtos premium, aparência, padronização e conservação tornam-se fatores decisivos para a aceitação do mercado”, afirma Gustavo Steck, gerente de pesquisa da Garden Fruit.
Além das frutas importadas, a empresa também adquire maçãs menores produzidas no Brasil, de diferentes variedades. As embalagens são comercializadas mediante acordo de licenciamento com personagens da Disney, estratégia voltada especialmente ao público infantil.
A força-tarefa criada após a confirmação do primeiro caso de greening no Rio Grande do Sul já realizou a vistoria de 522 imóveis e promoveu a erradicação de 201 árvores cítricas em Palmitinho, município localizado no norte do estado. O foco da doença foi identificado em 8 de junho, conforme informações divulgadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
As equipes concluíram os trabalhos de fiscalização e eliminação de plantas no raio de 500 metros ao redor do foco inicial. Além disso, as ações de monitoramento na área ampliada de 2,4 quilômetros já estão em fase final.
A próxima etapa poderá incluir a ampliação da vigilância para municípios vizinhos. O objetivo é detectar rapidamente possíveis novos registros da doença e evitar sua disseminação para outras regiões produtoras.
Força-tarefa já vistoriou 522 imóveis em Palmitinho (RS) — Foto: Divulgação/Seapi
As medidas seguem os protocolos estabelecidos pelo Programa Nacional de Prevenção e Controle do Huanglongbing (PNCHLB). Nesse contexto, as ações concentram esforços no combate ao psilídeo Diaphorina citri, inseto responsável pela transmissão da bactéria associada ao greening.
Segundo o diretor do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi, Ricardo Felicetti, a grande quantidade de plantas cítricas encontradas em quintais e áreas urbanas levou o Estado a reforçar a estratégia de monitoramento.
“Optamos por ampliar o monitoramento na área urbana e, nas próximas semanas, faremos novas prospecções na área rural”, afirmou durante reunião da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Doença representa risco à produção de citros
Considerado uma das maiores ameaças à citricultura mundial, o greening não possui cura. Por isso, especialistas apontam a identificação precoce e a eliminação rápida das plantas infectadas como as principais ferramentas para reduzir os impactos da doença.
Além de comprometer a produtividade dos pomares, o greening reduz a qualidade dos frutos e pode provocar a morte das plantas. Em consequência, a doença representa um desafio significativo para produtores e para toda a cadeia de produção de citros.
Com aparência marcante e cores que lembram a bandeira brasileira, a BRS Brasileirinha se destaca entre as variedades de abóbora. Criada pela Embrapa em 2006, ela surgiu com o objetivo de oferecer ao mercado um produto inovador.
A história da variedade começou ainda na década de 1990, quando pesquisadores identificaram um fruto incomum em uma plantação de abóboras verdes no Distrito Federal. Ao observarem uma abóbora com coloração bicolor, os especialistas coletaram sementes e iniciaram uma série de estudos para entender a origem da característica.
Por que isso acontece?
As análises revelaram que o diferencial é resultado de uma mutação genética espontânea. As tonalidades vibrantes estão associadas à composição nutricional do fruto, que apresenta teores de betacaroteno e luteína.
A partir dessa descoberta, os pesquisadores realizaram cruzamentos, seleção de plantas e diversas avaliações de campo. Dessa forma, conseguiram preservar a característica bicolor dos frutos e, ao mesmo tempo, aprimorar aspectos como intensidade das cores, formato e resistência a doenças.
Caracterizada por sua casca lisa e brilhante, a BRS Brasileirinha pode ser consumida como conserva, abobrinha verde ou abóbora seca — Foto: Reprodução/Embrapa
Para alcançar bom desempenho produtivo, a Embrapa recomenda o cultivo com espaçamento de três metros entre as fileiras e 0,60 metro entre as plantas.
Já a colheita começa entre 60 e 70 dias após o plantio, período em que os frutos atingem comprimento entre 12 e 18 centímetros, considerado ideal para a comercialização e consumo.
O potencial produtivo da cultivar varia conforme o estágio de desenvolvimento dos frutos no momento da colheita. Quando destinados ao consumo verde, a produção pode alcançar até 10 frutos por planta.
Além disso, a Embrapa ressalta que a presença de abelhas polinizadoras é fundamental para garantir melhor pegamento das flores e elevar a produtividade das lavouras.
Como transformar o potencial da Amazônia em oportunidades econômicas e sustentáveis? Essa foi a principal discussão durante o lançamento da Agenda Zona Franca de Manaus (ZFM) 2050, realizado na última terça-feira (10), em Brasília (DF).
Desenvolvido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), o documento reúne diagnósticos e propostas para os próximos 25 anos, visando ampliar a competitividade regional, diversificar a economia e transformar a combinação entre biodiversidade, ciência, tecnologia e indústria em um vetor permanente de crescimento.
Coração do Brasil
A iniciativa parte do entendimento de que a Amazônia concentra ativos estratégicos para o Brasil e para o mundo. No entanto, a região ainda enfrenta gargalos históricos relacionados à infraestrutura, logística, inovação e desenvolvimento social.
Ao apresentar a importância econômica da Zona Franca de Manaus, Antônio Silva, presidente da Fieam, ressaltou números expressivos registrados pelo modelo em 2025.
“Em 2025, tivemos um faturamento superior a US$ 41 bilhões e mais de 132 mil empregos diretos. Além de 600 mil postos de trabalhos indiretos induzidos em toda a Zona Franca de Manaus.”
Estratégia a longo prazo
Pensar o desenvolvimento amazônico exige planejamento de longo prazo. O presidente do Conselho Superior do Cieam, Luiz Augusto Rocha, afirmou que o documento representa um compromisso estratégico com o futuro da região e do país.
Além disso, Rocha destacou que a manutenção das garantias constitucionais da Zona Franca durante a tramitação da Reforma Tributária permitiu ampliar o debate para temas como inovação, competitividade e diversificação produtiva.
“A Zona Franca de Manaus é uma política de Estado. O documento nos convida a olhar além das urgências e além dos ciclos eleitorais. Construir uma visão de longo prazo é uma estratégia sólida e ambiciosa.”
Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho Superior do Cieam, e Antônio Silva, presidente da Fieam — Foto: Divulgação
Desindustrialização preocupa especialistas
O diagnóstico econômico que sustenta a proposta foi apresentado por Márcio Holland, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Durante sua análise, o economista alertou para os impactos da desaceleração econômica e para a perda de participação da indústria na economia nacional.
“O Brasil desacelera e faz uma desindustrialização de forma prematura, antes mesmo de atingir uma renda per capita alta. Corremos o risco de nos tornar um país envelhecido e pobre.”
Segundo Holland, iniciativas como a Agenda ZFM 2050 tornam-se ainda mais relevantes ao oferecer caminhos para ampliar a competitividade e estimular novos investimentos produtivos.
De acordo com a empresária Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes e ex-deputada federal , muitos debates sobre a Amazônia ignoram as particularidades territoriais, sociais e logísticas da região.
“Há um grande equívoco em querer comparar a Amazônia com o resto do país. Nós vivemos em uma região que tem desafios permanentes.”
Ao abordar as perspectivas da bioeconomia, a empresária ressaltou que a Amazônia abriga uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, mas ainda enfrenta obstáculos que limitam seu aproveitamento econômico.
Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes — Foto: Divulgação
Além disso, ela defendeu maior integração entre setor produtivo e governo para garantir uma gestão mais eficiente dos recursos destinados ao desenvolvimento regional.
“O que a gente precisa é de planejamento. É uma contribuição da indústria, e ao lado da indústria precisa do acompanhamento do governo. Precisa ser compartilhada essa governança.”
Infraestrutura e logística
A necessidade de investimentos em infraestrutura também esteve no centro das discussões.
O deputado federal Capitão Alberto Neto ressaltou que o Amazonas preserva cerca de 97% da cobertura florestal e argumentou que as particularidades amazônicas precisam ser consideradas na formulação das políticas públicas.
Segundo o parlamentar, a ausência de investimentos contínuos em hidrovias e dragagem compromete tanto o abastecimento quanto o transporte de pessoas durante os períodos de seca.
Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o subsecretário de Ciência e Tecnologia para a Amazônia, Dorival da Costa dos Santos, destacou os impactos econômicos e sociais gerados pela Zona Franca ao longo das últimas décadas.
“É o maior experimento de desenvolvimento do mundo. Produzimos bens de ponta e geramos retorno econômico, industrial e social.”
Ao mesmo tempo, o representante do governo reforçou que a preservação ambiental deve permanecer como eixo central da estratégia regional.
‘Sem floresta em pé não há economia’, garante Dorival da Costa dos Santos — Foto: GOV
Desenvolvimento e preservação
O futuro da Amazônia dependerá da capacidade de transformar sua biodiversidade e estrutura produtiva em oportunidades concretas.
Para os defensores da Agenda ZFM 2050, esse processo exigirá planejamento de longo prazo, investimentos estruturantes e políticas capazes de conciliar crescimento econômico, inovação, bioeconomia e preservação ambiental.
A busca por maior produtividade e qualidade tem levado os citricultores a ampliar o uso de tecnologias nutricionais nos pomares. Além disso, a necessidade de enfrentar períodos de estiagem, altas temperaturas e outros eventos climáticos extremos reforça a adoção de ferramentas que aumentam a eficiência do manejo e a resistência das plantas.
O tema ganha relevância em um momento de desafios para a produção agrícola. Por isso, soluções como fertirrigação, bioinsumos e programas de nutrição balanceada passaram a ocupar espaço estratégico na citricultura brasileira.
Segundo Bruno Dittrich, especialista agronômico da Yara Brasil, a produtividade dos pomares depende diretamente do fornecimento adequado de nutrientes ao longo de todo o ciclo produtivo.
“Para obter maior produtividade e qualidade das frutas cítricas é preciso investir em uma combinação equilibrada de nutrientes. O produtor precisa trabalhar com soluções específicas para cada etapa de desenvolvimento da planta, desde o manejo do solo e desenvolvimento radicular até o enchimento final dos frutos”, afirma.
De acordo com a empresa, programas nutricionais voltados especificamente para a cultura dos citros apresentam resultados expressivos quando o produtor adota um manejo técnico e integrado. Em áreas acompanhadas pela companhia, técnicos registraram ganhos médios de até 110 caixas por hectare.
Brasil mantém liderança mundial
O Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional de citros. Atualmente, o país responde por cerca de 30% da produção mundial de laranjas. Além disso, lidera as exportações globais de suco de laranja, concentrando aproximadamente 85% do comércio mundial do produto.
Esse protagonismo resulta de décadas de investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, a integração entre produtores, empresas e instituições de pesquisa fortalece a competitividade do setor.
Para especialistas, a manutenção dessa liderança depende da adoção contínua de tecnologias capazes de elevar a produtividade e melhorar a qualidade dos frutos. Dessa forma, a cadeia produtiva consegue atender às exigências dos mercados nacional e internacional.
Clima exige manejo mais eficiente
As mudanças climáticas também influenciam as decisões dentro das propriedades rurais. Ondas de calor, estiagens prolongadas e oscilações nas condições climáticas afetam diretamente o desenvolvimento dos pomares.
Por isso, produtores têm buscado soluções que aumentem a tolerância das plantas aos chamados estresses abióticos. Entre elas estão tecnologias que combinam nutrição mineral, bioinsumos e ferramentas de monitoramento.
“Hoje, a nutrição precisa ser tratada como um componente estratégico do manejo. As soluções integradas ajudam os citricultores a mitigar os efeitos da seca e das altas temperaturas, além de contribuir para a saúde e longevidade dos pomares”, explica Dittrich.
Além disso, o fortalecimento do sistema radicular permite que as plantas aproveitem melhor a água e os nutrientes disponíveis no solo. Como resultado, os pomares conseguem manter o desenvolvimento mesmo durante períodos de maior estresse hídrico.
Fertirrigação amplia eficiência no campo
A fertirrigação também avança na citricultura brasileira. A técnica permite aplicar água e nutrientes ao mesmo tempo, de forma precisa e alinhada às necessidades da planta em cada fase do desenvolvimento.
Dessa maneira, o produtor reduz perdas, melhora o aproveitamento dos fertilizantes e aumenta o controle sobre o manejo nutricional. Além disso, a tecnologia diminui a dependência da regularidade das chuvas, fator cada vez mais importante diante das alterações climáticas.
Um estudo realizado pela Yara em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) identificou ganhos relevantes com o uso da fertirrigação em pomares cítricos. Segundo a empresa, a técnica elevou a produtividade em aproximadamente um terço e reduziu em cerca de 30% a incidência de podridão floral.
Os pesquisadores também verificaram aumento da estrutura reprodutiva das plantas. Consequentemente, os pomares apresentaram maior potencial produtivo e melhor uniformidade dos frutos.
Bioinsumos ganham espaço nos pomares
Os bioinsumos também conquistam espaço na citricultura. Esses produtos contribuem para a fertilidade do solo e aumentam a eficiência no aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.
Além disso, a tecnologia fortalece o desenvolvimento vegetal e auxilia o produtor na busca por sistemas mais sustentáveis. Por esse motivo, especialistas apontam crescimento contínuo da utilização desses insumos nos próximos anos.
A combinação entre nutrição equilibrada, fertirrigação, bioinsumos e agricultura de precisão deve ganhar ainda mais relevância. Assim, os produtores poderão enfrentar os desafios climáticos com maior eficiência, preservar a produtividade e manter a competitividade da citricultura brasileira.
O avanço da cannabis medicinal no Brasil tem impulsionado investimentos e ampliado áreas de cultivo. Um dos exemplos é a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), que se prepara para operar na maior área de cultivo de cannabis medicinal do país.
Há pouco mais de um ano, o empresário Cassiano Gomes investiu R$ 1 milhão na aquisição de um terreno de 17 hectares no município de Conde (PB), na região metropolitana de João Pessoa. A nova estrutura deverá consolidar a Abrace, uma das principais referências nacionais no setor.
Embora seja uma organização sem fins lucrativos, a Abrace opera de forma integrada, controlando todas as etapas da cadeia produtiva, desde o cultivo até a distribuição dos medicamentos. Atualmente, a entidade conta com 100 colaboradores e atende aproximadamente 60 mil pacientes.
O canabidiol (CBD), composto extraído da cannabis, tem eficácia em tratamentos relacionados à ansiedade, dor crônica, epilepsia e distúrbios do sono — Foto: Divulgação
Segundo Cassiano Gomes, a associação está na reta final para obter uma autorização especial de funcionamento que poderá abrir novas oportunidades de mercado.
“Estamos em fase final para conseguir um alvará especial de funcionamento. Depois, vamos atrás do certificado de boas práticas, que nos tornaria aptos a participar de licitação ou venda direta para o governo. Esse não é nosso objetivo principal, mas como temos essa capacidade de fornecimento, vejo isso como uma forma até de baratear os medicamentos para os nossos associados”, afirmou.
Regulamentação impulsiona expansão
O crescimento da Abrace reflete a expansão de um novo mercado no Brasil. Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a regulamentação para o plantio e a comercialização de cannabis medicinal, medida que aumentou a visibilidade do segmento e trouxe maior segurança jurídica para as entidades que atuam na área.
Dados da Kaya Mind, startup especializada em inteligência de mercado para cannabis, mostram que o setor movimentou R$ 970 milhões em 2025, valor 14% superior ao registrado no ano anterior. Além disso, a expectativa é que o mercado alcance R$ 1,2 bilhão até 2027.
Expansão da produção
A Abrace foi a primeira organização brasileira a obter autorização judicial para cultivar cannabis medicinal, em 2017. Há três anos, a produção era realizada em uma área de quatro hectares em Campina Grande (PB). Agora, dos 17 hectares adquiridos em Conde, sete hectares serão destinados ao cultivo da planta.
Além das lavouras, o novo espaço receberá o laboratório da associação, atualmente instalado em João Pessoa. A mudança permitirá reduzir custos operacionais, incluindo despesas de aluguel que hoje chegam a R$ 40 mil por mês. O projeto completo para implantação da nova estrutura exigirá investimentos estimados em R$ 8 milhões.
Única entidade autorizada a plantar maconha no país fica na Paraíba — Foto: Divulgação/Abrace
Apepi aposta em crescimento planejado no RJ
Enquanto isso, no interior do Rio de Janeiro, a Associação de Apoio à Pesquisa e a Pacientes de Cannabis Medicinal (Apepi) também amplia sua capacidade produtiva.
“Nossa intenção no início não era fornecer o óleo, sobretudo cobrar por ele. A associação nasce como um coletivo de mães para conseguir acesso ao produto importado. Eu plantava em casa para tratar minha filha, e o que sobrava dava para quem precisava”, relembrou Margarete Brito, fundadora.
Ideia surgiu a partir de um grupo de mães que buscava tratamentos alternativos para seus filhos — Foto: Apepi
A propriedade rural da Apepi possui 70 hectares, dos quais um hectare é destinado atualmente ao cultivo da cannabis. Outros seis hectares são utilizados para culturas agrícolas como girassol, crotalária e feijão-de-porco, empregadas no manejo e recuperação do solo.
Planejamento agrícola e manejo sustentável
De acordo com Marcelo Marega Vinhel, gerente de produção da Apepi, a entidade trabalha com planejamento revisado a cada seis meses e pretende ampliar gradualmente a área cultivada.
“Pretendemos nos próximos cinco anos, ou talvez antes, ocupar toda a área agrícola da fazenda com cannabis. Mas isso não será feito sem planejamento. Não dá para só tirar a maconha do pé sem colocar nada no lugar. Eu tenho que deixar o solo descansar e rotacionar essa cultura”, explicou.
A fundadora da Apepi avalia que a regulamentação da Anvisa trouxe maior respaldo para as associações e pode acelerar o crescimento da atividade em diferentes regiões do país. No entanto, ela alerta para os riscos de expansão desordenada.
“Todo segmento novo tem esse boom no começo e depois uma queda até o mercado se estabilizar. Se isso acontecer vai sobrar mais planta do que a gente consegue consumir, ainda mais no Brasil, com toda essa quantidade de terras que tem”, afirmou.
Apesar das perspectivas positivas para o mercado, Margarete Brito destaca que a entidade pretende preservar sua atuação focada no atendimento aos pacientes e descarta, por enquanto, alianças com grandes grupos industriais.
Mercado pode alcançar 6,9 milhões de consumidores
O levantamento da Kaya Mind identificou um novo impulso na criação de associações ligadas à cannabis medicinal. O movimento é resultado do aumento de profissionais especializados, da ampliação das autorizações judiciais para cultivo e da regulamentação publicada pela Anvisa.
Atualmente, o Brasil possui 315 CNPJs ativos de associações ligadas à cannabis medicinal, sendo que 47 entidades têm autorização para cultivar a planta. Juntas, essas organizações ocupam aproximadamente 21 hectares de cultivo.
Hoje, o mercado brasileiro atende cerca de 870 mil pessoas, mas o potencial de crescimento é muito superior. Segundo as projeções, o número de consumidores poderá alcançar 6,9 milhões de pessoas no longo prazo.