Categoria: Agricultura

  • Crédito rural despenca no início da safra 2026/27

    Crédito rural despenca no início da safra 2026/27

    O crédito rural começou a safra 2026/27 em ritmo muito abaixo do esperado. Dados do Banco Central mostram que os desembolsos somaram apenas R$ 12,7 bilhões em julho, uma queda superior a 55% em relação aos R$ 28,3 bilhões liberados no mesmo mês do ano passado. O resultado acende um sinal de alerta para produtores e instituições do setor, que já projetam uma temporada marcada por maior dificuldade de acesso ao financiamento.

    Mesmo com a redução das taxas de juros anunciada no novo Plano Safra, o atraso na regulamentação da equalização dos financiamentos pelo Tesouro Nacional e a postura mais conservadora das instituições financeiras limitaram a liberação dos recursos logo no primeiro mês da temporada.

    Queda atingiu todas as modalidades de financiamento

    A retração foi registrada em todas as principais linhas de crédito.

    As operações de custeio, utilizadas para financiar despesas da produção agrícola, passaram de R$ 19,9 bilhões para R$ 9,2 bilhões. Já os financiamentos destinados a investimentos tiveram uma redução ainda mais intensa, recuando de R$ 4,1 bilhões para menos de R$ 1 bilhão.

    Também houve queda nas linhas voltadas para comercialização, que passaram de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,4 bilhão, e para industrialização, que diminuíram de R$ 2,3 bilhões para R$ 1,1 bilhão.

    Além do menor volume financeiro, o número de contratos também caiu significativamente. Foram 77,2 mil operações registradas em julho, contra 179,2 mil no mesmo período da safra anterior.

    Os dados foram extraídos do sistema do Banco Central e ainda podem sofrer alterações, já que operações contratadas, mas ainda não desembolsadas, não aparecem nas estatísticas. As informações também não incluem as emissões de Cédulas de Produto Rural (CPRs).

    Recursos controlados concentraram a maior parte dos desembolsos

    Como tradicionalmente ocorre no início da safra, os recursos de fontes controladas responderam pela maior parte do crédito liberado.

    Segundo os dados, aproximadamente R$ 9,1 bilhões vieram de depósitos à vista, fundos constitucionais, poupança rural e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) com equalização. Outros R$ 3,5 bilhões foram provenientes de fontes não controladas, com juros livres.

    Atraso na equalização dificultou liberações

    Para especialistas, um dos principais fatores para o desempenho fraco foi a demora na publicação da portaria que autorizou o pagamento da equalização das operações, divulgada apenas em 23 de julho.

    A sócia-gerente da consultoria Agroicone, Leila Harfuch, avalia que o crédito rural já vinha perdendo força desde o Plano Safra 2023/24, embora a produção agropecuária tenha continuado crescendo com maior participação de instrumentos privados de financiamento.

    Segundo ela, o principal desafio agora será reduzir o endividamento do produtor para ampliar novamente o acesso ao crédito, seja por meio dos bancos ou das empresas que atuam no financiamento do agronegócio.

    A especialista também demonstrou preocupação com a previsão de um El Niño mais intenso, que poderá aumentar os riscos para a produção em um cenário já marcado pelo elevado custo do capital, alto endividamento e baixa cobertura do seguro rural.

    “Este ano o que preocupa muito é o El Niño mais forte. Ainda com custo de capital caro para o produtor, endividamento elevado e instrumentos de gestão de riscos como seguro rural com baixa penetração e pouco recurso para subvenção, teremos uma safra com exposição ao risco elevado.”

    Governo prevê maior cautela na contratação de financiamentos

    O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, reconheceu a redução no volume de financiamentos e afirmou que as instituições financeiras deverão atuar com mais cautela diante do atual cenário econômico.

    “É preciso ter cautela e muita responsabilidade. Quem pegar crédito, tem que ter muita responsabilidade em assumir a dívida, porque o financiamento está caro. O produtor tem que estar com convicção de que a conta fecha no final.”

    Segundo Campos, a falta de recursos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) pode reduzir o estímulo ao plantio em algumas regiões. Embora ele não espere diminuição da área cultivada, acredita que muitos produtores deverão cortar investimentos em adubação e em outras práticas de manejo para reduzir custos.

    “Os produtores vão investir menos para não gerar um custo muito alto já que não há perspectivas de melhora nos preços das commodities.”

    Renegociação das dívidas pode aliviar o mercado

    O governo também aposta na renegociação das dívidas autorizada pela Medida Provisória 1.376/2026 para ampliar a capacidade de contratação de novos financiamentos.

    Entretanto, o processo ainda depende da regulamentação da equalização dos juros e da definição dos procedimentos junto às instituições financeiras. Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, cerca de R$ 20 bilhões poderão ser renegociados nessa modalidade. Também será necessário um remanejamento de aproximadamente R$ 130 milhões para reforçar o caixa do Tesouro Nacional e permitir o avanço das operações.

    Especialistas alertam para problema estrutural no crédito rural

    Na avaliação de Pedro Loyola, coordenador do Observatório do Crédito e do Seguro Rural da FGV Agro, a retração observada nos últimos anos evidencia um problema estrutural do sistema de financiamento do agronegócio.

    Entre os fatores apontados estão o aumento da inadimplência, maior seletividade dos bancos, redução da cobertura do seguro rural e dificuldades relacionadas às garantias exigidas nas operações de crédito.

    “O Plano Safra recorde deixou de ser sinônimo de política agrícola forte. Quando os anúncios crescem, mas o produtor acumula recordes de alavancagem, inadimplência, crédito problemático, leilões e recuperações judiciais, o que se revela não é sucesso, mas o esgotamento de um modelo sem funding de qualidade, direção estratégica e proteção securitária.”

    Para Loyola, a redução das taxas de juros representa um avanço, mas não resolve os problemas estruturais do sistema.

    “Juro menor reduz o custo financeiro, mas não cria funding, não recompõe garantias e não reduz automaticamente o risco da produção.”

    Cooperativas ganham espaço no financiamento do agro

    Os dados também mostram uma mudança no perfil das instituições que lideram as liberações de crédito.

    As cooperativas de crédito responderam pelo maior volume de desembolsos em julho, enquanto as instituições públicas perderam participação. O Banco do Brasil, por exemplo, liberou R$ 2,3 bilhões, bem abaixo dos R$ 10,9 bilhões registrados em julho de 2025.

    Segundo a instituição, o atraso na equalização impactou diretamente as operações, embora o volume efetivamente contratado seja superior ao já desembolsado.

  • Pulverizador agrícola: como escolher o equipamento certo?

    Pulverizador agrícola: como escolher o equipamento certo?

    Quem passa por uma grande lavoura costuma reparar primeiro no tamanho das máquinas. Entre elas, o pulverizador chama atenção pelas barras que, abertas, podem ultrapassar a largura de uma quadra esportiva. Mas a importância desse equipamento vai muito além da aparência. É dele que depende boa parte da eficiência das aplicações realizadas ao longo da safra.

    Na prática, uma pulverização mal executada pode significar desperdício de defensivos, aumento dos custos e menor controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Já um equipamento bem dimensionado para a realidade da propriedade ajuda a distribuir o produto de forma uniforme e melhora o aproveitamento de cada litro aplicado.

    Por isso, a escolha do pulverizador deixou de ser apenas uma decisão sobre máquinas. Hoje, ela faz parte do planejamento técnico e financeiro da fazenda.

    O que faz um pulverizador agrícola?

    O pulverizador é responsável por aplicar produtos líquidos nas lavouras, como defensivos agrícolas, fertilizantes foliares, bioinsumos e, em algumas culturas, reguladores de crescimento.

    O objetivo é simples: fazer com que o produto alcance o alvo na quantidade correta. Parece uma tarefa básica, mas pequenos erros de regulagem ou de operação podem comprometer toda a aplicação.

    Não basta colocar a calda no tanque e seguir para o campo. Pressão, velocidade, tipo de bico, altura da barra e até as condições climáticas interferem no resultado.

    Cada propriedade pede um equipamento diferente

    Não existe um pulverizador ideal para todas as fazendas. O modelo que funciona em uma pequena propriedade dificilmente será a melhor escolha para uma área com milhares de hectares.

    Pulverizador agrícola acoplado ao trator
    Foto: Embrapa/Christiane Congro Comas

    Os pulverizadores costais continuam bastante presentes na horticultura, na fruticultura e em pequenas lavouras. São equipamentos simples, de baixo custo e fáceis de transportar, embora tenham rendimento limitado.

    Nas culturas de grãos, o cenário muda completamente. O pulverizador de barra domina as operações por oferecer maior capacidade de trabalho e uma distribuição mais uniforme da calda. Dependendo da necessidade, ele pode ser montado no trator ou operar em sistema de arrasto.

    Já nas grandes propriedades, os autopropelidos passaram a ocupar espaço cada vez maior. Eles trabalham em alta velocidade, cobrem grandes áreas diariamente e costumam sair de fábrica equipados com piloto automático, controle eletrônico de vazão, desligamento automático de seções e integração com plataformas de agricultura de precisão.

    Nos últimos anos, outro equipamento entrou definitivamente nessa lista: o drone pulverizador. Ele ganhou espaço principalmente em áreas inclinadas, cultivos perenes e locais onde a passagem de máquinas pode causar danos às plantas. Ainda assim, na maior parte das lavouras de grãos, atua como complemento aos pulverizadores convencionais.

    Quanto custa investir em um pulverizador?

    O preço varia bastante conforme o porte do equipamento e o nível de tecnologia embarcada.

    Pulverizador agrícola de costas em propriedade rural
    Foto: Embrapa/Eliana Lima

    Um pulverizador costal manual pode ser encontrado por menos de R$ 200. Já um modelo motorizado costuma custar entre R$ 1.200 e R$ 4 mil.

    Os pulverizadores de barra montados em tratores normalmente variam entre R$ 12 mil e R$ 60 mil. Os modelos de arrasto podem superar R$ 250 mil, dependendo da capacidade e dos opcionais.

    Os drones agrícolas destinados à pulverização aparecem em uma faixa intermediária. Hoje, equipamentos profissionais custam, em média, entre R$ 70 mil e R$ 350 mil.

    No topo da lista estão os autopropelidos. Máquinas com grande capacidade operacional e tecnologias de agricultura de precisão ultrapassam facilmente R$ 2 milhões, podendo chegar perto de R$ 2,5 milhões nas versões mais completas.

    Esses valores são apenas uma referência e variam conforme fabricante, capacidade do tanque, largura das barras, recursos eletrônicos e condições comerciais.

    O investimento vai além da compra

    Quem olha apenas para o preço da máquina pode acabar fazendo uma conta incompleta.

    Pulverizador Agrícola em vinhedo
    Foto: Embrapa/Renato Teodoro de Souza

    Todo pulverizador exige manutenção periódica. Bicos sofrem desgaste, filtros precisam de limpeza, mangueiras envelhecem e bombas trabalham sob grande esforço durante a safra.

    Somam-se a isso despesas com combustível, lubrificantes, pneus — quando aplicável — e revisões preventivas. Técnicos do setor costumam estimar que esses gastos representem algo entre 2% e 5% do valor do equipamento por ano, embora esse percentual varie conforme a intensidade de uso.

    Ignorar essas despesas geralmente sai mais caro do que manter a manutenção em dia.

    Tecnologia ajuda, mas não faz milagres

    Os fabricantes investiram pesado em eletrônica embarcada nos últimos anos. GPS, sensores, mapas de aplicação e controladores eletrônicos passaram a fazer parte da rotina de muitas fazendas.

    Esses recursos reduzem sobreposições, evitam falhas e ajudam a economizar produtos. Em algumas situações, sensores identificam plantas daninhas e liberam herbicidas apenas onde existe necessidade.

    Mesmo assim, nenhuma tecnologia compensa uma regulagem mal feita.

    Velocidade excessiva, pressão inadequada, bicos desgastados ou aplicações realizadas sob vento forte continuam entre as principais causas de perdas no campo.

    Pequenos cuidados fazem diferença

    Antes de iniciar qualquer operação, vale conferir se o pulverizador está calibrado.

    Também é importante inspecionar os bicos, limpar filtros, verificar possíveis vazamentos e acompanhar a previsão do tempo. Aplicar produtos durante períodos de calor intenso ou baixa umidade aumenta o risco de deriva e reduz a eficiência da pulverização.

    São medidas simples, mas que costumam fazer diferença no bolso do produtor.

    Como escolher o equipamento certo

    A decisão deve levar em conta muito mais do que o preço.

    Área cultivada, relevo, culturas produzidas, disponibilidade de assistência técnica, custo das peças e capacidade diária de trabalho precisam entrar na conta.

    Em algumas propriedades, um equipamento seminovo pode atender perfeitamente à demanda. Em outras, investir em uma máquina mais moderna reduz desperdícios suficientes para compensar o valor desembolsado ao longo dos anos.

    No fim das contas, o melhor pulverizador não é o mais caro nem o mais tecnológico. É aquele que entrega uma aplicação eficiente, cabe no orçamento da fazenda e acompanha o ritmo da produção sem comprometer a rentabilidade da safra.

  • 5 hortaliças ideais para plantar em agosto

    5 hortaliças ideais para plantar em agosto

    Agosto marca uma transição importante para a agricultura em boa parte do Brasil. Com o aumento gradual das temperaturas e da incidência de luz solar, diversas hortaliças encontram condições favoráveis para iniciar o desenvolvimento.

    Para quem deseja renovar a horta, seja em casa ou na propriedade rural, este é um dos períodos mais indicados para o plantio de algumas espécies.

    Confira abaixo quais hortaliças podem ser cultivadas neste mês.

    Abóbora

    Originária do continente americano, a abóbora é sensível ao frio intenso e não tolera geadas.

    Por isso, a Embrapa recomenda o plantio durante este período principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Em condições favoráveis, a colheita acontece entre 90 e 120 dias após a semeadura.

    Alface

    A alface é uma das hortaliças mais consumidas pelos brasileiros e pode ser cultivada em todas as regiões do país.

    Entre as variedades mais conhecidas estão a crespa, lisa, americana, romana, mimosa e roxa. Em geral, a colheita ocorre cerca de dois meses após o plantio, tornando a cultura uma excelente opção para hortas domésticas.

    Beterraba

    A beterraba se desenvolve melhor em solos leves, bem drenados e sob temperaturas amenas.

    Nas regiões Sul e Sudeste, o cultivo pode ser realizado durante todo o ano. Já nas demais regiões brasileiras, a Embrapa recomenda a semeadura entre abril e agosto. A colheita costuma ocorrer aproximadamente dois meses depois do plantio.

    Cebolinha

    Muito utilizada como tempero, a cebolinha apresenta boa adaptação a temperaturas amenas e frias.

    O cultivo é simples, exige poucos cuidados e ainda permite rebrotas após a colheita. Em condições adequadas, as folhas podem ser colhidas em cerca de 70 dias, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

    Nabo

    O nabo pertence à mesma família do repolho, da couve e do rabanete.

    A semeadura deve ser feita diretamente no solo, preferencialmente em áreas de textura argilosa. Segundo a Embrapa, o plantio é indicado durante o outono e o inverno na maior parte do país. Em regiões de maior altitude, onde as temperaturas permanecem entre 15°C e 25°C, o cultivo pode ocorrer durante todo o ano.

    A colheita é rápida e normalmente acontece a partir de 50 dias após a semeadura.

    Como ter melhores resultados na horta?

    Independentemente da espécie escolhida, alguns cuidados ajudam a aumentar a produtividade:

    • Utilize sementes ou mudas de boa procedência.
    • Mantenha o solo fértil e bem drenado.
    • Faça irrigação regular, evitando encharcamentos.
    • Respeite o espaçamento recomendado para cada cultura.
    • Observe as condições climáticas da sua região antes do plantio.

    Com planejamento e os cuidados adequados, agosto pode ser um excelente período para iniciar uma nova produção.

  • Alface sobe até 90% e seca muda mercado de alimentos na Europa

    Alface sobe até 90% e seca muda mercado de alimentos na Europa

    A alface virou um dos principais símbolos da crise climática que atinge a agricultura europeia neste verão.

    No Reino Unido, a combinação de seca prolongada e calor intenso derrubou a produção da hortaliça, reduziu a oferta no mercado e fez o preço no atacado subir cerca de 90%. O cenário levou redes de supermercados, distribuidores e restaurantes a recorrerem a fornecedores da Espanha para manter o abastecimento.

    O problema ocorre justamente no período em que o país normalmente concentra sua produção de verão, diminuindo a necessidade de importações.

    Calor interrompe o desenvolvimento das plantas

    A falta de chuva chegou em um dos momentos mais importantes do ciclo das hortaliças.

    Embora muitos produtores utilizem sistemas de irrigação, a escassez de água reduziu a capacidade de manter o solo úmido durante as sucessivas ondas de calor.

    Como consequência, parte das plantações apresentou crescimento irregular, folhas menores e perda de qualidade comercial.

    Em diversas propriedades, agricultores passaram a colher menos unidades por hectare, reduzindo a oferta disponível para o mercado.

    Espanha volta a abastecer o Reino Unido

    Diante da quebra de safra, distribuidores precisaram reorganizar rapidamente a cadeia de abastecimento.

    Em vez de comprar a produção britânica, empresas voltaram a importar alface cultivada na Espanha, país acostumado a produzir em condições de temperaturas mais elevadas.

    A mudança representa uma situação incomum para esta época do ano, quando a maior parte da demanda costuma ser atendida pelos agricultores locais.

    Além da Espanha, fornecedores da Holanda também passaram a complementar o abastecimento de algumas regiões.

    Preços sobem e pressionam toda a cadeia

    A alta da alface não ocorreu de forma isolada.

    O tomate acumulou aumento superior a 60% no mercado atacadista britânico. A batata também ficou mais cara, enquanto outras hortaliças apresentam tendência de valorização caso o tempo seco continue.

    Para supermercados e restaurantes, o aumento dos custos representa um desafio adicional justamente durante o período de maior consumo de saladas e refeições leves no verão europeu.

    Ao mesmo tempo, produtores enfrentam despesas maiores com irrigação e redução na produtividade.

    Agricultura sente os efeitos das mudanças climáticas

    Plantação de Alface
    Foto: Embrapa/Italo Ludke

    Especialistas avaliam que episódios de calor extremo tendem a se tornar mais frequentes nas próximas décadas.

    As hortaliças estão entre as culturas mais sensíveis às variações de temperatura porque dependem de grande disponibilidade de água e apresentam ciclos curtos de desenvolvimento.

    Quando o solo perde umidade rapidamente, as plantas reduzem o crescimento para preservar energia. Como resultado, a produtividade cai e parte da produção perde valor comercial.

    Esse comportamento já preocupa agricultores em diferentes regiões da Europa.

    Supermercados pedem medidas ao governo

    A crise mobilizou produtores, indústrias e grandes redes varejistas.

    Mais de uma centena de empresas do setor alimentício solicitaram ao governo britânico medidas para fortalecer a produção nacional e reduzir a vulnerabilidade provocada pelos eventos climáticos extremos.

    Entre as reivindicações estão investimentos em infraestrutura hídrica, ampliação da capacidade de armazenamento de água e incentivos para tornar a agricultura mais resiliente.

    O objetivo é diminuir a dependência de importações durante períodos de clima severo.

    Brasil acompanha o cenário

    Embora o problema esteja concentrado na Europa, o mercado brasileiro observa a situação com atenção.

    Além disso, oscilações na oferta internacional podem alterar fluxos comerciais, influenciar preços e criar oportunidades para exportadores de alimentos.

    Além disso, a sequência de eventos extremos reforça um alerta que também vale para o Brasil: investir em irrigação, manejo da água e adaptação das lavouras tornou-se uma estratégia cada vez mais importante para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

  • Guerra no Oriente Médio ameaça oferta de fertilizantes para a safra 2026/27

    Guerra no Oriente Médio ameaça oferta de fertilizantes para a safra 2026/27

    A guerra no Oriente Médio já começa a produzir reflexos concretos sobre o agronegócio brasileiro. Cinco meses após o início do conflito, empresas do setor de fertilizantes estimam uma redução de pelo menos 10% nas entregas para a safra 2026/27.

    Além dos impactos logísticos provocados pela instabilidade na região, produtores enfrentam um cenário marcado por crédito mais caro, aumento do endividamento rural e menor rentabilidade de culturas importantes como soja e milho.

    Compras seguem abaixo do ritmo esperado

    Para a próxima safra de soja, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões do país, aproximadamente 80% das compras de fertilizantes já foram realizadas.

    O percentual está cinco pontos abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior.

    No caso do milho de segunda safra, as aquisições alcançam 30%, contra 35% observados um ano atrás.

    Segundo Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic Fertilizantes para Brasil e Paraguai, houve uma melhora recente no ritmo das negociações.

    Nas últimas três semanas, cerca de 3 milhões de toneladas de fertilizantes foram comercializadas no mercado brasileiro.

    A recuperação dos preços da soja ajudou a melhorar a relação de troca entre grãos e insumos, favorecendo novos negócios.

    “As últimas três semanas trazem uma dose de otimismo dentro desse contexto, mas não tiram toda a complexidade que temos ao navegar nesse cenário”, afirmou Monteiro.

    Mercado deve encolher em 2026

    Em 2025, o Brasil registrou recorde de aproximadamente 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues.

    Para este ano, empresas e consultorias projetam uma redução entre 5 milhões e 10 milhões de toneladas.

    As maiores quedas devem ocorrer nos fertilizantes nitrogenados e fosfatados.

    Apesar do cenário mais cauteloso, a Mosaic acredita que a retração poderá ficar próxima do limite inferior das projeções.

    Fertilizantes ficaram mais caros

    Um dos fatores que mais preocupa o setor é a disparada dos preços.

    Segundo a indústria, o produtor rural precisa desembolsar atualmente entre duas e quatro sacas adicionais de soja para adquirir a mesma quantidade de fertilizante em comparação ao ano passado.

    Guerra afeta preços globais

    Desde o início do conflito, os mercados internacionais de fertilizantes vêm registrando forte volatilidade.

    A situação no Estreito de Ormuz e em outras rotas estratégicas de transporte influencia diretamente os preços de matérias-primas essenciais para a produção de adubos.

    Dados da StoneX mostram que:

    • O enxofre passou de US$ 435 para US$ 1.152 por tonelada.
    • O MAP (fosfato monoamônico) subiu de US$ 635 para cerca de US$ 890 por tonelada.
    • A ureia avançou de US$ 404 para US$ 461 por tonelada.

    O aumento do preço do enxofre se tornou um dos principais desafios para fabricantes globais.

    Mosaic reduz operações temporariamente

    A escassez de enxofre levou a Mosaic a anunciar, em julho, uma nova redução temporária de operações no Brasil.

    Segundo a empresa, não existe prazo definido para retomada total das atividades.

    O retorno dependerá principalmente da evolução dos preços internacionais da matéria-prima.

    Concorrência com a indústria de baterias preocupa

    Outro fator de pressão é o crescimento da demanda global por enxofre para a fabricação de baterias.

    De acordo com Guilherme Schmitz, vice-presidente de marketing e agronomia da Yara Brasil, o segmento de baterias possui maior capacidade de pagamento e disputa o mesmo insumo utilizado na produção de fertilizantes.

    Logística internacional entra em alerta

    A indústria também acompanha com preocupação possíveis novos gargalos logísticos.

    Entre a importação da matéria-prima e o processamento dos fertilizantes no Brasil, o ciclo pode durar cerca de três meses.

    Nesse período entram etapas como embarque internacional, desembarque nos portos brasileiros, liberação aduaneira e distribuição interna.

    Por isso, empresas recomendam que produtores façam planejamento antecipado das compras.

    Importações atrasadas elevam preocupação

    A StoneX avalia que as importações brasileiras seguem abaixo do ritmo necessário para recompor estoques.

    Segundo o analista Tomás Pernías, o país precisará acelerar as compras nos próximos meses caso queira manter níveis adequados de abastecimento.

    Além do Estreito de Ormuz, o mercado monitora a possibilidade de interrupções no Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para exportações de fertilizantes provenientes da Arábia Saudita.

  • Dia do Agricultor: Entenda a origem da data

    Dia do Agricultor: Entenda a origem da data

    Todos os anos, em 28 de julho, o Brasil celebra o Dia do Agricultor. A data homenageia os milhões de trabalhadores responsáveis pela produção de alimentos, fibras e matérias-primas essenciais para o dia a dia da população. No entanto, poucas pessoas conhecem a verdadeira origem dessa comemoração.

    Ela não surgiu por acaso nem está ligada ao calendário agrícola. A escolha do dia faz referência a um momento histórico que ajudou a organizar a administração da agricultura brasileira ainda durante o Império.

    Homenagem criada para lembrar um marco da agricultura

    O Dia do Agricultor foi instituído em 1960, por decreto do então presidente Juscelino Kubitschek, durante as comemorações do centenário do Ministério da Agricultura.

    A origem da pasta, porém, é ainda mais antiga. Em 28 de julho de 1860, Dom Pedro II criou a Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, responsável por coordenar políticas voltadas ao desenvolvimento do setor em um período de expansão econômica do país.

    Ao oficializar a homenagem, Juscelino destacou a importância dos trabalhadores que transformam os recursos naturais em riqueza e impulsionam o crescimento nacional

    Agricultura moldou a economia brasileira

    Na segunda metade do século XIX, a agricultura era a principal atividade econômica do Brasil. O café liderava as exportações e impulsionava o desenvolvimento de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

    Ao lado do café, culturas como cana-de-açúcar, algodão e tabaco também sustentavam boa parte da economia brasileira, consolidando o país como um importante produtor agrícola desde o período imperial.

    O agro continua sendo um dos pilares do Brasil

    Mais de 160 anos após a criação da estrutura que deu origem ao Ministério da Agricultura, o setor segue desempenhando papel decisivo na economia nacional.

    Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o PIB do agronegócio alcançou R$ 2,72 trilhões em 2024, respondendo por 23,2% da economia brasileira.

    Além da geração de empregos e renda, o campo abastece indústrias de alimentos, vestuário, papel, energia e biocombustíveis, demonstrando que sua importância vai muito além das lavouras.

    Brasil alimenta milhões

    A relevância da agricultura brasileira ultrapassa as fronteiras nacionais. Um levantamento da Embrapa estima que a produção agropecuária do país seja capaz de alimentar aproximadamente 10% da população mundial.

    O estudo aponta que, somente em 2020, a produção brasileira de grãos e oleaginosas foi suficiente para abastecer cerca de 212 milhões de brasileiros e outros 424 milhões de pessoas em diferentes países.

  • Etanol de milho pode impulsionar demanda global com uso em navios

    Etanol de milho pode impulsionar demanda global com uso em navios

    O etanol produzido a partir do milho pode abrir um novo mercado para os produtores e ampliar a demanda mundial pelo grão nos próximos anos. A National Corn Growers Association, entidade que representa os produtores de milho dos Estados Unidos, defende o uso do biocombustível no transporte marítimo como alternativa para acelerar a descarbonização da navegação.

    A proposta aproveita uma infraestrutura já existente de produção, armazenamento e distribuição do etanol, reduzindo custos para a adoção do combustível pelo setor naval. Além disso, a iniciativa integra a estratégia da NCGA para ampliar os mercados consumidores da safra norte-americana, que alcançou o recorde de 17 bilhões de bushels em 2025, com valor estimado em US$ 70,1 bilhões.

    Transporte marítimo busca reduzir emissões

    O transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. Por isso, empresas do setor buscam alternativas aos combustíveis derivados do petróleo para atender às metas de descarbonização estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).

    Nesse cenário, o etanol de milho ganha espaço por apresentar características semelhantes às do metanol, outro combustível renovável utilizado na indústria naval. Além disso, sua cadeia logística já está consolidada em diversos mercados, o que facilita uma eventual expansão do uso em escala comercial.

    Segundo a empresa de navegação Maersk, essa infraestrutura existente pode acelerar a adoção do etanol como combustível marítimo.

    Mercado pode ampliar o consumo de milho

    A NCGA estima que, caso o etanol conquiste 10% do mercado global de combustíveis para navios, a demanda adicional poderá chegar a aproximadamente 3 bilhões de bushels de milho.

    O volume é semelhante às exportações anuais de milho dos Estados Unidos, indicando um potencial significativo para fortalecer a renda dos produtores e ampliar a competitividade da cadeia agrícola.

    Testes reforçam a viabilidade do combustível

    Empresas ligadas à navegação já iniciaram projetos para validar o uso do etanol em embarcações comerciais.

    Entre os principais avanços estão o abastecimento de um navio movido integralmente a etanol realizado pela Maersk; o desenvolvimento de motores marítimos movidos a etanol pela fabricante suíça WinGD e encomendas da nova tecnologia por armadores interessados em reduzir emissões.

    Esses resultados indicam que a adoção do combustível pode ocorrer sem a necessidade de construir uma cadeia logística completamente nova.

    Expansão ainda depende de políticas públicas

    Apesar dos avanços tecnológicos, a expansão do etanol de milho no transporte marítimo dependerá da criação de políticas públicas e de regras internacionais para avaliação das emissões de carbono dos combustíveis.

    A NCGA defende que os modelos utilizados reconheçam os ganhos de sustentabilidade obtidos pela produção de milho nas últimas décadas.

    Entre as prioridades apontadas pela entidade estão:

    • adoção de metodologias científicas para medir emissões;
    • reconhecimento internacional dos combustíveis renováveis produzidos a partir de culturas agrícolas;
    • fortalecimento das políticas de incentivo às exportações de etanol;
    • integração entre agricultura, energia e meio ambiente.

    Estratégia pode fortalecer o mercado global do milho

    Para o presidente da NCGA, Jed Bower, desenvolver novos mercados para o etanol representa uma estratégia de longo prazo para garantir demanda consistente pelo milho produzido nos Estados Unidos.

    Segundo ele, a diversificação dos mercados consumidores contribui para aumentar a renda dos agricultores e criar perspectivas para as futuras gerações permanecerem na atividade rural.

    Se a tecnologia avançar e as políticas de incentivo forem implementadas, o uso do etanol de milho no transporte marítimo poderá representar um novo capítulo para a cadeia global dos biocombustíveis, unindo inovação, sustentabilidade e novas oportunidades para o agronegócio.

  • Urucum: como o Brasil lidera a produção mundial

    Urucum: como o Brasil lidera a produção mundial

    Urucum! Esse nome é conhecido pela maioria dos brasileiros por causa do colorau, ingrediente na cozinha, ou pelas brincadeiras de criança. Mas o papel dessa planta vai muito além do tempero caseiro ou das boas memórias. Da semente é extraída a bixina, pigmento natural usado pela indústria para colorir queijos, embutidos, doces, bebidas e sorvetes, além de aplicações em cosméticos.

    Brasil lidera a produção mundial

    O país é o maior produtor global de urucum, respondendo por cerca de 57% da produção mundial. Segundo dados do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), com base em levantamento do IBGE referente a 2020, o Brasil colheu aproximadamente 13,6 mil toneladas de sementes naquele ano.

    Em território nacional, São Paulo concentra a principal região produtora, com destaque para a Nova Alta Paulista, onde a cultura tem papel relevante na economia agrícola local.

    Safra, preço e manejo

    A safra principal do urucum ocorre entre junho e agosto. Segundo levantamento mais recente disponível junto a produtores, o valor pago pela saca gira em torno de R$ 12,50 a R$ 13,00 por quilo de sementes.

    O urucum é rico em antioxidantes, além de possuir propriedades anti-inflamatórias e protetoras contra raios solares

    Pontos de manejo relevantes:

    Algumas variedades, como o urucum-anão, podem gerar uma segunda safra entre dezembro e março, dependendo da época de plantio e do manejo adotado.

    Por ser uma cultura perene, o estabelecimento da lavoura exige planejamento de médio prazo.

    A recomendação técnica é plantar as mudas entre a primavera e o verão, aproveitando o período de chuvas para o desenvolvimento inicial das plantas.

    Embora seja uma espécie nativa da Amazônia, o urucum se adaptou bem às condições de cultivo em diferentes regiões do país, especialmente em São Paulo.

    Pesquisa busca variedades mais produtivas

    O avanço da cultura no Brasil tem apoio direto de pesquisa científica. Desde a década de 1980, o Instituto Agronômico (IAC-APTA) trabalha no melhoramento genético do urucum, buscando plantas com maior produtividade e teor de bixina nas sementes.

    Segundo a pesquisadora Eliane Fabri, do IAC, o desafio central da pesquisa é reunir essas características em uma única variedade:

    “A maior demanda dos produtores é obter plantas que combinem porte baixo, alta produtividade e elevado teor de bixina. Esse continua sendo o principal foco do nosso trabalho.”

    Além do melhoramento genético, o instituto também estuda manejo, espaçamento entre plantas e adaptação da cultura a diferentes regiões produtoras.

    Maior banco genético de urucum do mundo

    O IAC mantém o maior banco de germoplasma de urucum do planeta, com 378 genótipos catalogados. Esse acervo é a base para o desenvolvimento de novas cultivares mais produtivas e resistentes, sustentando a liderança brasileira na produção da cultura nos próximos anos.

  • El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    O El Niño pode favorecer a produção agrícola brasileira nos próximos meses, mas seus efeitos positivos sobre as lavouras não devem representar, necessariamente, maior rentabilidade para o produtor rural. A expectativa é de aumento na oferta de grãos e café, cenário que tende a pressionar os preços das commodities e elevar os custos de armazenagem.

    A análise faz parte de um estudo divulgado pela Allianz Trade, que avaliou os impactos do fenômeno climático sobre a agricultura da América Latina, com destaque para Brasil e Argentina. Segundo a empresa, episódios anteriores mostram que o fenômeno costuma criar condições favoráveis para importantes culturas agrícolas, principalmente nas regiões produtoras do Sul do continente.

    Produção pode crescer, mas preços tendem a cair

    Os dados reunidos pela Allianz Trade indicam que, durante eventos anteriores de El Niño, a produção de soja no Brasil chegou a ficar até 4% acima da tendência observada nos cinco anos anteriores. No caso do café arábica, o avanço foi de até 5% em relação à média histórica.

    Embora o aumento da produtividade seja visto como um fator positivo para o agronegócio, ele também pode gerar um efeito contrário sobre a renda dos produtores. Com mais produtos disponíveis no mercado, a tendência é que os preços internacionais das commodities agrícolas recuem, reduzindo as margens de lucro ao longo da comercialização da safra.

    Além disso, uma colheita mais volumosa exige maior capacidade de armazenagem. O estudo destaca que esse cenário pode elevar significativamente os custos logísticos para produtores e tradings, especialmente em períodos de maior concentração da oferta.

    Impactos variam conforme a região do Brasil

    Os efeitos do El Niño não devem ocorrer de forma uniforme em todo o país. De acordo com a Allianz Trade, as regiões Sul e parte do Centro-Sul tendem a registrar aumento das chuvas, favorecendo o desenvolvimento de culturas como soja, milho e café.

    Já o Norte do Brasil e a região amazônica podem enfrentar condições mais secas. Esse cenário amplia os riscos para a produção de alimentos, dificulta a logística em algumas áreas e pode afetar até a geração de energia elétrica.

    Segundo o levantamento, essa assimetria coloca Brasil, Colômbia e Peru entre os países latino-americanos mais vulneráveis a impactos inflacionários provocados pelas alterações climáticas associadas ao fenômeno.

    Efeitos também podem alcançar o mercado internacional

    No cenário global, a expectativa é que o aumento da oferta de soja e milho produzido na América Latina contribua para aliviar parte das pressões sobre os preços mundiais dos alimentos.

    Ao mesmo tempo, outras regiões produtoras continuam enfrentando condições climáticas adversas. O estudo cita que países do Leste Asiático e da África Ocidental permanecem sob risco de seca, situação que pode comprometer culturas estratégicas, como cacau, óleo de palma e arroz.

    Exportadores podem sair fortalecidos

    A Allianz Trade avalia que exportadores agrícolas brasileiros poderão se beneficiar do maior volume de produção, fortalecendo suas operações e ampliando a capacidade de acesso ao crédito.

    Por outro lado, empresas ligadas ao processamento de alimentos e intermediários do mercado de commodities podem enfrentar um ambiente mais desafiador. A combinação entre excesso de oferta e queda nas cotações internacionais tende a aumentar a pressão sobre as margens financeiras do setor.

    Na avaliação da seguradora, o El Niño reforça que uma safra recorde nem sempre significa maior lucro para o agronegócio. Apesar do potencial de elevar a produtividade em diversas culturas, fatores como preços internacionais, custos de armazenagem e dinâmica do mercado continuarão sendo determinantes para o resultado financeiro dos produtores brasileiros.

  • Colheita de café arábica avança 40% no Cerrado Mineiro

    Colheita de café arábica avança 40% no Cerrado Mineiro

    A colheita de café arábica atingiu 40% da área de atuação da Expocacer, no Cerrado Mineiro, até 10 de julho. O clima seco acelerou os trabalhos e favoreceu a qualidade das operações. A cooperativa informou que 22% do café colhido já passou pelo beneficiamento. Além disso, o rendimento médio alcançou cerca de 520 litros por saca beneficiada.

    Nas lavouras, 35% dos frutos permanecem no estágio cereja. Esse ponto é considerado ideal para a colheita de café arábica. Mesmo com o avanço, a colheita segue atrás do ritmo registrado em 2025. No mesmo período do ano passado, os trabalhos já alcançavam 45% da área. O atraso ocorreu porque a safra de 2026 é maior. Além disso, as chuvas de junho reduziram o ritmo da colheita de café arábica. Para esta temporada, a cooperativa estima uma produção de 2,859 milhões de sacas de 60 quilos.

    Influência do clima

    O boletim semanal da Expocacer destaca que o tempo seco registrado na última semana acelerou a colheita e a pós-colheita. As condições climáticas também favoreceram a secagem dos grãos nos terreiros e o beneficiamento.

    A cooperativa informou que o índice médio de catação permanece próximo de 15%. No entanto, parte dos lotes ainda apresenta reflexos das chuvas anteriores. Esses cafés tiveram dificuldades durante a secagem nos terreiros. Por isso, alguns lotes registraram índices de catação próximos de 25%.

    Em contrapartida, a classificação por peneiras confirma a boa formação dos grãos. Os técnicos destacam o elevado percentual de cafés classificados nas peneiras 17 e 18.

    Chuva preocupa

    Agora, a maior preocupação envolve a previsão de chuva no Cerrado Mineiro. As precipitações previstas para esta semana exigem atenção dos produtores durante a pós-colheita. Segundo a Expocacer, o manejo correto na secagem e no armazenamento será decisivo para preservar a qualidade do café arábica e reduzir perdas.

    Os modelos meteorológicos indicam aumento da instabilidade nos próximos dias. A previsão inclui chuvas em Patrocínio, Araxá, Uberaba, Serra do Salitre, Patos de Minas e Monte Carmelo. Caso as precipitações se confirmem, elas poderão atrasar a colheita de café arábica, o transporte e a secagem dos grãos. O impacto será maior nas áreas com café espalhado nos terreiros.

    Diante desse cenário, a Expocacer recomenda que os produtores antecipem, sempre que possível, o recolhimento do café dos terreiros. A cooperativa também orienta o planejamento das operações de colheita, transporte e secagem para preservar a qualidade dos lotes e evitar atrasos no campo.