Tag: Zona da Mata

  • Nova rota de turismo rural na Zona da Mata impulsiona renda no campo

    Nova rota de turismo rural na Zona da Mata impulsiona renda no campo

    A Zona da Mata mineira ganha uma nova aposta no turismo rural com a inauguração da Rota Ferrovia da Bocaina, marcada para esta quarta-feira (3). O projeto conta com apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e da IGR Serras de Ibitipoca, além da parceria das prefeituras de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas. A iniciativa conecta produtores rurais, empreendedores e comunidades locais para estimular o desenvolvimento regional.

    A abertura oficial ocorre às 15h, no Rancho Minas Forno, em Cachoeira do São Bento, zona rural de Lima Duarte. A programação começa com a palestra “Turismo Rural e desenvolvimento: parcerias que transformam vidas no campo”, ministrada pela coordenadora estadual de turismo rural e artesanato da Emater-MG, Thatiana Daniella Garcia. As atividades seguem até sábado (6) e incluem passeio ciclístico, caminhada ecológica e lançamento de livro.

    A organização estima a participação de cerca de 300 turistas. Interessados em participar do ciclismo ou da caminhada devem se inscrever previamente pelos telefones (32) 99907-1819 e (27) 98844-2068.

    Rota

    A rota reúne 21 empreendimentos, entre restaurantes, pousadas, bares e propriedades rurais. Os pontos estão distribuídos nas comunidades de Cachoeira de São Bento, Rosa Gomes, Souza do Rio Grande, São José do Palmital, São Domingos da Bocaina, Capoeira Grande, Dois Córregos e Viegas, além dos municípios de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas.

    Segundo a extensionista da Emater-MG, Roberta Brangioni, a rota amplia as oportunidades de renda e fortalece o desenvolvimento rural sustentável. “A proposta consolida o turismo rural como alternativa complementar à atividade agropecuária”, afirma.

    O técnico da IGR Serras de Ibitipoca, Márcio Lucinda, destaca que o projeto pode impulsionar melhorias em infraestrutura e serviços públicos nas áreas rurais. “A iniciativa amplia a oferta de lazer, hospedagem e alimentação, além de incentivar novos empreendimentos turísticos”, explica.

    Origem do projeto

    A criação da Rota Ferrovia da Bocaina começou em 2024, durante o II Seminário Regional de Turismo Rural promovido pela Emater-MG. A proposta surgiu após uma produtora rural apresentar a ideia de estruturar um roteiro turístico na região.

    Em parceria com a IGR Serras de Ibitipoca e apoio das prefeituras, a Emater-MG realizou diagnósticos comunitários com base na metodologia Mexpar para mapear o potencial turístico das localidades. As equipes também conduziram visitas técnicas e orientaram produtores sobre boas práticas agropecuárias, manipulação de alimentos e serviços de hospedagem.

    Localizada entre a Serra Negra e a Serra do Ibitipoca, a rota possui cerca de 85 quilômetros de extensão e preserva vestígios de um antigo ramal ferroviário planejado para ligar Lima Duarte a Bom Jardim de Minas.

  • Certificação inédita impulsiona piscicultura ornamental

    Certificação inédita impulsiona piscicultura ornamental

    A piscicultura ornamental em Minas Gerais alcançou um marco inédito com a certificação da produtora Rosângela Aparecida Martins, de Vieiras, na Zona da Mata. Ela se tornou a primeira piscicultora do Brasil a receber reconhecimento oficial do Governo do Estado na atividade, por meio do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). A certificação foi concedida em 14 de maio e reforça o avanço da produção sustentável de peixes ornamentais no país.

    Piscicultora integrou um projeto do Sebrae Minas para produtores de peixes ornamentais na região por dois anos. Foto: Arquivo pessoal

    A iniciativa integra o Programa Certifica Minas, coordenado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), com execução da Emater-MG, Epamig e IMA. O selo estabelece critérios rigorosos relacionados à rastreabilidade, biosseguridade, sustentabilidade ambiental, bem-estar animal e boas práticas de produção.

    Com cerca de 20 anos de atuação, Rosângela conduz a propriedade Criando Vidas ao lado do filho e da mãe. Localizada em Vieiras, a unidade conta com 11 estufas e 122 viveiros destinados à criação de espécies como Betta, Colisa Lalia, Colisa Chuna, Colisa Sunset e Paraíso Albino.

    A atividade teve início como complemento de renda familiar, em paralelo à produção de café. A partir de 2019, a piscicultura ornamental passou a ser a principal fonte de sustento da família. Garantindo atualmente renda média mensal de aproximadamente R$ 6 mil. A produção abastece mercados locais e também é distribuída para diferentes regiões do Brasil.

    Aumento de valor

    Com a certificação, produtores da região poderão ampliar o valor agregado dos peixes ornamentais, acessar novos mercados e fortalecer a adoção de práticas sustentáveis. O reconhecimento também contribui para a otimização do uso de recursos naturais e para a padronização da produção.

    A trajetória da produtora inclui participação em capacitações promovidas pelo Sebrae Minas, com cursos, palestras e visitas técnicas voltadas ao aprimoramento da atividade. Segundo especialistas, a certificação tende a impulsionar toda a cadeia produtiva, estimulando outros piscicultores a adotarem padrões mais elevados de qualidade.

    A Zona da Mata mineira se destaca como o principal polo de produção de peixes ornamentais do estado. Ela é  responsável por cerca de 70% da produção nacional. A atividade é essencial para a economia regional, garantindo renda a aproximadamente 400 famílias em municípios como Muriaé, Eugenópolis, Miradouro e Vieiras, conforme levantamento do IF Sudeste MG.

    O Programa Certifica Minas tem como objetivo assegurar a qualidade dos produtos agropecuários e agroindustriais, promovendo a sustentabilidade e ampliando a competitividade dos produtos mineiros nos mercados nacional e internacional.

  • Chuvas na Zona da Mata deixam produtores ilhados e destroem mais de 63 mil hectares em Minas Gerais

    Chuvas na Zona da Mata deixam produtores ilhados e destroem mais de 63 mil hectares em Minas Gerais

    Levantamento do Sistema Faemg Senar, realizado com 376 produtores entre 28 de fevereiro e 2 de março, aponta perdas na produção, morte de animais e risco de inadimplência entre agricultores da Zona da Mata mineira

    As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais nas últimas semanas causaram estragos expressivos no campo. Dados levantados pelo Sistema Faemg Senar junto a 376 produtores rurais de diversas regiões do estado revelam que 26% tiveram suas propriedades afetadas. Entre os prejudicados, 61% relataram perda de produção e 23% precisaram paralisar completamente as atividades.

    A Gerência de Assistência Técnica e Gerencial (GATG) realizou o levantamento, e a Gerência do Agronegócio (GDA) analisou os dados entre os dias 28 de fevereiro e 2 de março de 2025.

    Sem seguro e com dívidas vencendo

    Um dado preocupa especialmente os técnicos: 95% dos produtores entrevistados não possuem qualquer ferramenta de gestão de risco, como o seguro rural. Isso significa que a grande maioria dos agricultores afetados terá de arcar com os prejuízos sem nenhuma rede de proteção financeira.

    A situação é agravada pelo endividamento. Entre os produtores prejudicados, 21% têm financiamento ativo e 12% deles têm parcelas com vencimento nos próximos 90 dias. Um cenário que pode resultar em inadimplência em massa e dificuldades para retomar a produção.

    Mais de 63 mil hectares devastados

    As chuvas impactaram mais de 63 mil hectares de áreas cultivadas, o equivalente a 63% do total de área declarada pelos produtores entrevistados. Além das lavouras, os animais também foram vítimas: 142 mortes foram registradas em 13 propriedades distribuídas por 12 municípios.

    Local da feira livre de Ubá ficou destruída pela força das chuvas. Foto: Sistema Faemg Senar

    Um dos municípios mais afetados é Ubá, onde choveu cerca de 91 milímetros em poucas horas. A Prefeitura Municipal confirmou que 31 pontes foram destruídas, isolando moradores da zona rural e impedindo o escoamento da produção. Produtos perecíveis como frutas, verduras, legumes e leite, que precisa ser entregue em até 48 horas após a ordenha, ficaram retidos nas propriedades.

    As enchentes também destruíram o espaço onde funciona a feira livre da cidade e inviabilizaram a comercialização dos produtos que chegam ao município. Além disso, a água atingiu a sede do Serviço de Produção Rural (SPR) de Ubá.

    Além de Ubá, municípios como Juiz de Fora e Matias Barbosa também registraram consequências severas nas lavouras.

    Doenças nas plantações e atraso na colheita do milho

    De acordo com Emerson Simão, gerente regional do Sistema Faemg Senar, as enxurradas comprometem as culturas de diversas formas. “As enxurradas expõem as raízes das culturas, e a alta umidade, aliada a temperaturas elevadas, formam condições propícias ao desenvolvimento de doenças nas plantações”, explica o gerente.

    Outro ponto de alerta é o atraso na colheita do milho, especialmente o destinado à silagem. O solo encharcado impede a entrada de máquinas agrícolas nas lavouras, e a consequência pode ser uma queda tanto na quantidade quanto na qualidade da matéria-prima usada na alimentação animal. O que pode impactar a pecuária leiteira e de corte nos próximos meses.

  • Cafés especiais: concursos transformam produtores de Minas em exportadores

    Cafés especiais: concursos transformam produtores de Minas em exportadores

    Os concursos de qualidade de café estão revolucionando a vida de produtores rurais em Minas Gerais. Em 2025, o Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais registrou um crescimento extraordinário de 31% no número de inscrições, saltando de 1.406 participantes em 2024 para 1.847 neste ano.

    O fenômeno é explicado pela valorização excepcional dos lotes premiados no mercado. Os grãos vencedores chegam a ser comercializados por até três vezes o valor do café convencional, proporcionando aumentos de renda que transformam completamente a realidade das famílias produtoras.

    Valores recordes movimentam o mercado de cafés especiais

    Os números da última edição impressionam: o café vencedor do concurso de 2024 foi adquirido por uma rede de supermercados por R$ 6 mil a saca, além do prêmio de R$ 10 mil recebido pelo Grande Campeão. Os grãos do segundo e terceiro lugares foram comercializados por R$ 5 mil e R$ 4 mil por saca, respectivamente.

    “Como o café subiu bastante no último ano, comprado por R$ 2,5 mil a saca anteriormente, a diferença de preços foi menos acentuada, mas nos últimos anos tivemos o lote campeão sendo vendido por três vezes a cotação do dia”, explica Bernardino Cangussu, coordenador estadual de Cafeicultura da Emater-MG.

    Matas de Minas: de região esquecida a potência nacional

    A transformação é ainda mais notável na região das Matas de Minas, dentro da Zona da Mata mineira. Willem Araújo, coordenador estadual de Culturas da Emater-MG, destaca a evolução impressionante da área.

    “Há alguns anos, nas Matas de Minas, quase não havia café de qualidade, mas atualmente a região é uma das maiores produtoras de cafés finos do país”, afirma Araújo, ressaltando o papel fundamental dos concursos municipais, regionais e estaduais na melhoria da qualidade.

    O Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, agora em sua 22ª edição, consolidou-se como a maior e mais tradicional competição voltada exclusivamente para cafés especiais produzidos no estado.

    Família Lacerda: seis prêmios e exportação para quatro países

    Um dos casos de sucesso mais emblemáticos é o da família Lacerda, de Espera Feliz. José Alexandre Lacerda representa uma dinastia cafeeira que acumula seis prêmios estaduais (2012, 2014, 2017, 2019, 2022 e 2024) e três nacionais (2012, 2016 e 2020).

    Família Lacerda. Foto: Rafael Soal/Emater-MG

    “Nasci na cafeicultura, mas era uma vida muito difícil com o café convencional. Quando o extensionista da Emater-MG sugeriu entrarmos no concurso, já na primeira vez ganhamos um prêmio”, relembra José Alexandre.

    Hoje, o sítio Di Lacerda vende para torrefações e cafeterias em vários estados brasileiros e exporta para Portugal, Espanha, Inglaterra e Japão. Os valores dos cafés especiais giram entre 60% e 100% acima do preço de uma saca comum.

    “Vem gente do mundo inteiro aqui. Passar de produtor de café convencional para o gourmet foi como se tivéssemos achado uma mina de ouro”, celebra o cafeicultor.

    Estratégias digitais impulsionam vendas diretas

    Também na Zona da Mata, a cafeicultora Silmara Emerick, de Alto Jequitibá, desenvolveu uma estratégia diferente para aproveitar o prestígio dos concursos. Premiada regularmente nas competições regionais das Matas de Minas e do Caparaó, ela optou pela venda direta ao consumidor através das redes sociais.

    “Temos nossa marca de café e usamos a internet, Instagram e WhatsApp para comercializar nosso produto”, explica Silmara. A família também participa anualmente da Semana Internacional de Café (SIC), importante vitrine do setor.

    Plataforma digital amplia alcance dos produtores

    A Emater-MG criou ainda o site “É do Campo”, uma plataforma de vendas online que conecta produtores da agricultura familiar diretamente aos consumidores. Muitos dos cafeicultores premiados nos concursos utilizam a ferramenta para comercializar seus produtos com suas próprias marcas.

    Thiago Oliveira, coordenador regional da Emater-MG em Manhuaçu, destaca que os concursos, com inscrições gratuitas, representam “a vitrine mais acessível de projeção do cafeicultor”.

    “Os concursos atraem a atenção do mercado pois facilitam que identifiquem bebidas de alta qualidade. Vale a pena participar também para estreitar relações com cafeterias e compradores”, conclui Oliveira.

    Sobre o Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais

    Promovido pelo Governo de Minas Gerais através da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), o concurso é gratuito e está em sua 22ª edição. A competição avalia exclusivamente cafés especiais produzidos no estado e se consolidou como a maior do gênero no Brasil.

  • Certificação inédita no Brasil abre mercados para peixes ornamentais mineiros

    Certificação inédita no Brasil abre mercados para peixes ornamentais mineiros

    O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) publicou uma portaria inédita no país. A nova norma regulamenta a certificação de peixes ornamentais dentro do Programa Certifica Minas. A medida fortalece toda a cadeia produtiva e amplia as oportunidades de mercado para os produtores.

    O governo anunciou a novidade durante a 3ª Exposição Estadual de Aquicultura Ornamental, em Muriaé. O selo oficial agrega valor ao produto e amplia a confiança do consumidor.

    Produtores certificados ganham o direito de usar o selo em seus produtos e divulgações. Eles alcançam ganhos concretos em rastreabilidade, boas práticas e eficiência. A certificação também facilita o acesso a políticas públicas. Uma delas é uma redução de 0,5% nas taxas de juros do Plano Safra.

    Zona da Mata consolida liderança nacional

    A nova certificação consolida a liderança de Minas Gerais na piscicultura ornamental. A Zona da Mata responde por cerca de 70% da produção nacional, segundo estudo do IF Sudeste MG.

    O governo estadual acelerou a regulamentação do setor. Em menos de dois meses, analisou contribuições de uma consulta pública e publicou a portaria. Em 2022, uma norma anterior já havia regulamentado a biosseguridade da atividade.

    “Muitas pisciculturas da região já estão adequadas. Agora, com essa nova etapa, acreditamos que o setor vai crescer ainda mais”, afirma Maria José Firmo, coordenadora regional do IMA em Viçosa.

    Como obter a certificação

    Para ingressar no programa, o produtor precisa ter Inscrição Estadual (IE) ativa em Minas Gerais. É necessário também estar cadastrado no IMA.

    O processo exige o preenchimento de um requerimento, a assinatura de contratos e o pagamento de taxas. Uma auditoria na unidade produtiva finaliza a avaliação. O certificado de conformidade tem validade de um ano.