Tag: vitivinicultura

  • Consevitis-RS abre edital de R$ 120 mil para eventos sobre vinho e uva; inscrições até setembro

    Consevitis-RS abre edital de R$ 120 mil para eventos sobre vinho e uva; inscrições até setembro

    O Instituto de Gestão, Planejamento, Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do RS (Consevitis-RS) abriu, neste mês de agosto, um novo edital de chamada pública para apoio institucional e financeiro a ações técnicas voltadas à vitivinicultura gaúcha. A iniciativa busca promover a capacitação e a qualificação da produção de uvas, vinhos, espumantes e sucos de uva no estado.

    Os interessados devem enviar as inscrições e os documentos por e-mail até o dia 14 de setembro, para ações realizadas entre 1º de outubro de 2026 e 31 de março de 2027. O edital contempla ações técnicas como eventos, feiras, seminários, congressos, livros, artigos, revistas e documentários, entre outras iniciativas voltadas a viticultores, vinicultores, estudantes e técnicos do setor. Os interessados podem acessar o edital completo no site do Consevitis-RS.

    Valor de apoio chega a R$ 20 mil por projeto

    O Consevitis-RS vai destinar, no máximo, R$ 20 mil por projeto, valor limitado a até 50% do orçamento total da ação. Um comitê técnico avaliará cada proposta e emitirá parecer conforme os critérios de seleção definidos no edital. O montante total do edital soma R$ 120 mil.

    Produtores e interessados podem encaminhar dúvidas ao Setor Técnico do Consevitis-RS pelo WhatsApp (54) 99677-1458.

  • Sul de Santa Catarina mantém tradição vinícola italiana

    Sul de Santa Catarina mantém tradição vinícola italiana

    O Sul de Santa Catarina construiu sua identidade vitivinícola a partir de 1877, quando imigrantes italianos fundaram a Colônia Azambuja e trouxeram para a região um conhecimento ancestral sobre o cultivo de uvas. Essa herança consolidou o território como referência estadual na produção da fruta, condição que a região mantém até os dias atuais.

    O levantamento mais recente da Epagri, referente à safra 2020/21, revela que as regiões de Criciúma e Tubarão reúnem 118 produtores de uva. Isso tanto de mesa quanto destinada à produção de vinho. Juntos, eles cultivam 290,6 hectares e colhem 4.685,50 toneladas por safra, gerando um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 11.925.450,00.

    Eusébio Pasini Tonetto, extensionista e responsável pelo Programa de Fruticultura da Epagri no Sul Catarinense, explica que a empresa está atualizando esse levantamento neste ano. Mas destaca que os dados de 2021 ainda retratam bem a realidade regional.

    Curso capacita produtores em duas etapas

    A Epagri promoveu recentemente o Curso de Produção de Uvas, iniciativa que reuniu tanto produtores iniciantes quanto profissionais experientes. A extensionista Maria Eduarda Botelho de Souza, do escritório municipal da Epagri em Urussanga, organizou o evento em parceria com Eusébio Tonetto, dividindo a programação em duas etapas realizadas abril e maio.

    Na primeira etapa, voltada a produtores iniciantes, profissionais ministraram o Curso Básico de Produção de Uva. Stevan Arcari, gerente da Estação Experimental em Urussanga, o extensionista rural Henrique Viana e os pesquisadores Leandro Hahn e Mauro Ferreira apresentaram os fundamentos essenciais para implantação e condução de vinhedos.

    A segunda etapa, o Curso Avançado de Produção de Uva, aprofundou temas como estratégias de adaptação ao clima regional, técnicas de vinificação e o projeto de pesquisa Uvas Piwi, que desenvolve variedades adaptadas a Santa Catarina para produção de vinhos mais sustentáveis. Os pesquisadores da Epagri Henrique Petry, André Kulkamp, Valdecir Perezolli e Nelson Weber conduziram as apresentações, ao lado de Alberto Fontanella Brighenti, professor do Núcleo de Estudos da Uva e do Vinho (Neuvin), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

    Segundo Tonetto, as discussões incentivaram os participantes a implantar alternativas adaptadas às condições climáticas locais e às novas demandas da vitivinicultura.

    Degustação encerrou atividades com vinhos Piwi

    Ao final do curso, os participantes degustaram vinhos elaborados com variedades Piwi cultivadas em Urussanga e vinificadas na Estação Experimental da Epagri em Videira. Viveiristas, produtores de uva e de vinho, além de pesquisadores do projeto Piwi, acompanharam a atividade. Entre eles Rubens Onofre Nodari e Emilio Dalla Bruna, referências na área de vitivinicultura.

    Tonetto afirma que iniciativas como essa “reforçam o compromisso da Epagri com o fortalecimento da cadeia produtiva da uva e com o desenvolvimento da vitivinicultura regional”.

    A busca histórica por variedades adaptadas

    Segundo o extensionista, produtores do Sul catarinense buscam variedades de uva adaptadas ao clima local desde o período da colonização italiana. Coautor da obra “Colônia Azambuja: a imigração italiana no sul de Santa Catarina”, Tonetto conta que os primeiros colonos já testavam variedades adequadas às condições climáticas e de solo da região.

    Entre as diversas uvas cultivadas pelos imigrantes, a Goethe se adaptou especialmente bem ao território e sofreu até uma mutação genética espontânea na região. Um processo que Tonetto descreve como “a uva se adaptando”. Ele explica que essa variedade permaneceu no Sul catarinense porque produzia um vinho muito semelhante ao que os imigrantes conheciam no Norte da Itália. Portanto, criando um vínculo direto entre a fruta e as pessoas que colonizaram a região.

    Uva Goethe carrega valor histórico e cultural

    Para Tonetto, o vinho produzido com a uva Goethe ultrapassa o valor material e carrega um significado histórico importante, já que representa o processo de colonização italiana e a ocupação do território sul-catarinense.

    Com base nesse patrimônio histórico e cultural, o extensionista projeta um futuro promissor para a produção de uva na região. Impulsionado também pelo potencial de crescimento do turismo rural local.

  • Vinhos de inverno ganham escala e qualidade na safra 2026

    Vinhos de inverno ganham escala e qualidade na safra 2026

    A safra de inverno 2026 confirma a expansão da vitivinicultura brasileira e consolida a produção de vinhos finos de alta gama fora das regiões tradicionais. Atualmente, 56 vinícolas associadas à Anprovin (Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno) utilizam a técnica da dupla poda em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, estabelecendo um novo calendário agrícola e fortalecendo um modelo de negócio competitivo no agronegócio.

    Essas vinícolas somam 1,49 milhão de pés de uva e produziram cerca de 1,1 milhão de garrafas. A colheita ocorre entre junho e agosto, período marcado por clima seco e maior incidência solar, fatores que favorecem a qualidade da matéria-prima.

    O setor mantém forte presença de propriedades familiares, responsáveis por 90% das vinícolas. Esse perfil estimula a diversificação produtiva em áreas antes ocupadas por café, grãos e pecuária leiteira, além de abrir espaço para a vitivinicultura de precisão como alternativa de renda e sucessão no campo.

    Desenvolvida a partir de pesquisas iniciadas em 2000 pelo pesquisador Murilo Regina, a técnica da dupla poda inverte o ciclo da videira com duas podas anuais. Com isso, a maturação ocorre no inverno seco, o que garante uvas com maior sanidade e maturação fenólica completa, fatores decisivos para a produção de vinhos de alta qualidade.

    Suporte estrutural e controle rigoroso

    A qualidade dos vinhos também conta com suporte estrutural e controle rigoroso. O Centro de Análises e Pesquisa da Anprovin/ABDI, instalado em Brasília com investimento de R$ 3,4 milhões, atua na padronização e certificação. Além disso, o selo da Anprovin assegura informações como altitude, lote e origem, ampliando a rastreabilidade do produto.

    A adaptabilidade da dupla poda se destaca em diferentes regiões produtoras. No Centro-Oeste, estados como Goiás e o Distrito Federal realizam colheitas entre julho e agosto, com variedades como Syrah, Sauvignon Blanc, Cabernet Franc e Chardonnay. No Nordeste, a Chapada Diamantina (BA) inicia a colheita em junho, com destaque para Sauvignon Blanc, Pinot Noir e Cabernet Sauvignon. Já no Sudeste, especialmente em São Paulo e Minas Gerais, a colheita ocorre entre junho e julho, com vinhos que já ultrapassam 90 pontos em guias especializados.

    O crescimento do setor também aparece nos números. Em 2025, a produção alcançou 1,49 milhão de garrafas, com destaque para a Syrah, que representou 42% do total. Na sequência, aparecem Sauvignon Blanc (17%), Cabernet Franc (12%) e Cabernet Sauvignon (10%). Outras variedades relevantes incluem Malbec, Marselan, Pinot Noir, Chardonnay e Merlot.

    Para 2026, a expectativa é de crescimento de 15% na produção. A Anprovin projeta triplicar a capacidade até 2029, impulsionada pelo reconhecimento internacional dos vinhos de inverno brasileiros e pelo avanço tecnológico no campo.

    Para o produtor rural, a vitivinicultura de inverno já se apresenta como uma alternativa consolidada. Em regiões com altitude adequada, solos bem drenados e inverno seco, a dupla poda oferece um sistema produtivo com suporte técnico, certificação e alta rentabilidade, ampliando as possibilidades de diversificação no agronegócio brasileiro.

  • Vinho brasileiro fica entre melhores do mundo; conheça o rótulo

    Vinho brasileiro fica entre melhores do mundo; conheça o rótulo

    A vitivinicultura brasileira ganhou destaque internacional com a conquista de uma importante premiação em um dos concursos mais tradicionais do setor. Nesta segunda-feira (8), o Aurora Desalcoolizado Cabernet Sauvignon Não Adoçado, da Vinícola Aurora, recebeu medalha de bronze no International Wine & Spirit Competition (IWSC) 2026, realizado em Londres, na Inglaterra.

    O rótulo garantiu a terceira colocação após passar por avaliações às cegas que reuniram bebidas sem álcool de diversos países. Além disso, foi o único vinho desalcoolizado brasileiro a conquistar premiação na competição.

    Sem alcóol?

    Responsável pelo projeto de bebidas desalcoolizadas da cooperativa, o enólogo Christian Bernardi destacou que os vinhos dessa categoria seguem o mesmo processo de elaboração dos vinhos tradicionais.

    Segundo ele, diferentemente das bebidas classificadas como “zero álcool”, produzidas a partir de suco de uva, os vinhos desalcoolizados passam por todas as etapas da vinificação antes da retirada do álcool.

    No entanto, Bernardi explica que o maior desafio está justamente na fase final do processo. Isso porque é necessário remover o álcool sem comprometer os aromas, sabores e demais características sensoriais desenvolvidas durante a produção.

    “A tecnologia foi desenvolvida dentro da Aurora, utilizando equipamentos que permitem a extração completa do álcool com rigoroso controle de temperatura e pressão. A premiação valida esse esforço de inovação”, afirmou Bernardi, em nota.

    Bebida mantém teor alcoólico inferior a 0,5% — Foto: Vinícola Aurora

    Uvas selecionadas

    De acordo com as especificações técnicas da vinícola, o produto é elaborado com uvas Cabernet Sauvignon da safra 2025 e passa por um breve período de maturação em barris de carvalho. Além disso, apresenta perfil seco e, segundo a empresa, não possui dulçor, característica que reforça sua proposta de oferecer uma experiência mais próxima dos vinhos tradicionais.

    O reconhecimento internacional reforça o avanço da inovação na cadeia vitivinícola brasileira e evidencia o potencial dos produtos nacionais em um mercado global cada vez mais atento às alternativas sem álcool.

  • Vinho: conheça a Merlot gaúcha que surpreende o mercado nacional

    Vinho: conheça a Merlot gaúcha que surpreende o mercado nacional

    A uva Merlot sempre ocupou lugar central na história dos vinhos finos brasileiros. Originária de Bordeaux, na França, a variedade encontrou na Serra Gaúcha um dos melhores terroirs fora da Europa. E dentro da região, um município se destaca cada vez mais: Monte Belo do Sul, considerada a maior produtora per capita de uvas viníferas da América Latina.

    Foto: Divulgação

    O município integra a Indicação de Procedência Monte Belo e parte da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos. A combinação de altitude elevada, solos bem drenados e significativa amplitude térmica cria condições ideais para o amadurecimento lento e completo da Merlot, uma variedade sensível ao excesso de umidade e ao vigor vegetativo descontrolado.

    “O solo basáltico e semi argiloso de Monte Belo propicia melhor absorção de nutrientes e confere profundidade às raízes das videiras. Aliada à altitude e à brisa constante nos vinhedos, essa combinação permite conduzir o amadurecimento sem grandes riscos”, explica Felipe Marques Pereira, vinhateiro e proprietário da Casa Marques Pereira.

    A Quinta da Orada e o segredo do Cru Jerivás

    Os vinhedos da Quinta da Orada, propriedade da família Marques Pereira, ocupam 15 hectares entre 466 e 543 metros de altitude. O relevo acidentado favorece a circulação de ar e acelera a dissipação da umidade. Enquanto as encostas garantem exposição solar equilibrada ao longo do ciclo vegetativo.

    Foto: Divulgação

    O destaque da propriedade é a parcela Cru Jerivás, situada na parte mais alta do vinhedo. Ali, onde a ventilação é maior e o subsolo revela ágatas, ametistas e cristais de quartzo, a Merlot atinge concentrações fora do comum.

    Safra 2026 histórica: 27 °Brix raramente vistos no Brasil

    A safra de 2026 marcou um novo patamar para a vitivinicultura gaúcha. Em algumas parcelas da Casa Marques Pereira, a Merlot alcançou até 27 °Brix, índice de maturação raramente registrado para a variedade no país. O resultado foi impulsionado por um inverno frio e prolongado. Isso assegurou boa dormência das videiras, seguido de um período de amadurecimento com baixa incidência de chuvas. O que garantiu concentração, sanidade e qualidade superior das uvas.

    8 medalhas de ouro e reconhecimento nacional

    O desempenho no campo se refletiu diretamente nas avaliações especializadas. Na edição de 2026 da Grande Prova Vinhos do Brasil, uma das principais avaliações às cegas do país, promovida pelo crítico Marcelo Copello, a Casa Marques Pereira conquistou oito medalhas de ouro.

    Entre os rótulos premiados, o Casa Marques Pereira Merlot Reserva 2022 recebeu medalha de ouro, consolidando o reconhecimento tanto da vinícola quanto do município como referências na produção da variedade no Brasil.

    O avanço técnico de Monte Belo do Sul, aliado às condições naturais excepcionais do terroir, coloca a região entre as que mais evoluíram na Serra Gaúcha nos últimos anos. E a Merlot segue como protagonista dessa história.

  • Câmara aprova criação do Dia Nacional do Vinho

    Câmara aprova criação do Dia Nacional do Vinho

    A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3801/04, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que cria o Dia Nacional do Vinho, a ser celebrado no primeiro domingo de junho.

    O texto recebeu alterações no Senado para retirar o trecho que previa a inclusão da data no calendário oficial de diferentes ministérios. Agora, a proposta segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), responsável pela redação final, antes de ser encaminhada para sanção presidencial.

    Segundo Paulo Pimenta, a produção de vinhos no Brasil teve início com a chegada dos imigrantes italianos ao Rio Grande do Sul, em 1875.

    “O Brasil, portanto, é um país jovem na elaboração de vinhos, comparado a outras tradicionais nações produtoras. Contudo, é evidente o interesse cada vez maior dos brasileiros pelo produto”, afirmou o parlamentar.

    Setor aposta em crescimento do consumo

    De acordo com o deputado, a criação da data busca fortalecer o setor vitivinícola brasileiro e incentivar o turismo nas regiões produtoras.

    Atualmente, cerca de 10% dos gaúchos consomem vinho, percentual acima da média nacional, estimada em 1,8% da população brasileira.

    “Acreditamos que a criação da data oficial possa estimular a população brasileira a adotar este hábito, que, como é comprovado pela ciência, é benéfico à saúde – desde que o consumo seja moderado, regular, junto das refeições”, declarou Pimenta.

    Cadeia do vinho gera milhares de empregos

    O setor vitivinícola brasileiro reúne mais de 16 mil famílias de produtores rurais, principalmente em pequenas propriedades familiares.

    Além disso, o país possui mais de 600 vinícolas, responsáveis por gerar cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos em toda a cadeia produtiva.

    As vitivinícolas controlam todas as etapas da produção, desde o cultivo das uvas até o engarrafamento do vinho.

  • Produção de uvas cresce 30% e eleva padrão de qualidade na Serra Gaúcha

    Produção de uvas cresce 30% e eleva padrão de qualidade na Serra Gaúcha

    A safra de uvas de 2026 em Monte Belo do Sul, na Serra Gaúcha, entrou para a história da vitivinicultura local. A avaliação é da vinícola Casa Marques Pereira, que registrou aumento expressivo na produção e qualidade considerada excepcional ao longo do ciclo.

    Com o encerramento da colheita em abril, o município mantém a sequência de safras de alto desempenho. Segundo a vinícola, as condições climáticas favoreceram todas as etapas do desenvolvimento das videiras e garantiram resultados acima da média.

    O sócio-proprietário Felipe Marques Pereira destaca que a vindima cresceu 30% em comparação com 2025. Além do volume maior, as uvas do vinhedo Quinta da Orada atingiram alto nível de maturação.

    https://www.instagram.com/p/DXZTyAMlS2u/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Seis variedades alcançaram graduação compatível com vinhos nobres, o que indica maturação polifenólica completa e teor de açúcar suficiente para gerar vinhos com mais de 14,1% de álcool, conforme a legislação brasileira.

    Destaques

    Entre os principais destaques, a Merlot atingiu 15,7% de graduação alcoólica. Segundo o produtor, a permanência prolongada das uvas na videira intensificou a concentração, criando características semelhantes ao estilo Amarone, algo inédito para a vinícola.

    Foto: Divulgação Casa Marques

    A Pinot Noir também surpreendeu. A variedade chegou a 14,3% de graduação alcoólica, índice considerado raro no Brasil devido à sua sensibilidade climática.

    O desempenho da safra resulta diretamente das condições climáticas ao longo do ciclo. O inverno com mais dias frios favoreceu a dormência das videiras. Já o volume de chuvas antes da frutificação estimulou o desenvolvimento uniforme das plantas. Durante a maturação, a baixa incidência de chuvas garantiu sanidade, concentração e qualidade das uvas.

    Para a Casa Marques Pereira, os resultados reforçam o potencial de Monte Belo do Sul como um dos principais polos produtores de uva do Brasil. A região consegue unir volume elevado e alta qualidade no mesmo ciclo, uma combinação rara na vitivinicultura nacional.

    Dados recentes indicam que o município possui mais de 2 mil hectares dedicados à viticultura e lidera a produção de uvas per capita na América Latina.

  • Evento destaca acordo Mercosul-UE e tendências do vinho

    Evento destaca acordo Mercosul-UE e tendências do vinho

    A Wine South America 2026 vai reunir profissionais e especialistas do setor vitivinícola entre os dias 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS), com foco em negócios, qualificação e tendências do mercado de vinhos. A feira reforça seu papel como um dos principais pontos de conexão do setor ao integrar conteúdo técnico e oportunidades comerciais.

    A programação contará novamente com a curadoria da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS), responsável pelas masterclasses. Ao longo dos três dias, o evento oferecerá 12 aulas exclusivas, com quatro sessões diárias voltadas à análise de regiões produtoras, estilos de vinhos e novas tendências do mercado.

    Os professores da ABS-RS conduzirão as atividades, com participação de convidados especiais. Segundo o sommelier Maurício Roloff, a curadoria busca equilibrar temas como produto, mercado, serviço, tendências e história, alinhando o conteúdo ao perfil do público e dos expositores.

    A programação atende desde iniciantes até profissionais experientes. Entre os destaques estão os vinhos do Norte da Itália, o protagonismo da uva Chardonnay no Vale dos Vinhedos e as diferentes expressões do vinho brasileiro. O evento também inclui conteúdos sobre análise sensorial e formação profissional, ampliando o foco para além do produto.

    Jornada do Sommelier

    Outra novidade será a realização da Jornada do Sommelier dentro da feira. A iniciativa da ABS-RS passa a integrar oficialmente a programação e amplia o debate entre profissionais do setor. O encontro também celebra o Dia do Sommelier e o Dia do Vinho Brasileiro, promovendo troca de experiências e valorização da cultura do vinho.

    A presidente da ABS-RS, Caroline Dani, afirma que a integração da Jornada ao evento fortalece o diálogo e amplia o alcance das discussões. Nesta edição, o principal tema será o impacto do acordo entre Mercosul e União Europeia no mercado de vinhos.

    O debate reunirá produtores, importadores e especialistas para analisar possíveis cenários e estratégias diante das mudanças no comércio internacional. A proposta é compreender como o setor pode se preparar para os efeitos do acordo, considerando o vinho como produto cultural, agrícola e econômico.

    Além disso, especialistas vão discutir tendências globais que devem influenciar o futuro da vitivinicultura, reforçando a importância de adaptação e planejamento estratégico no setor.

  • Uva no sertão? João Gomes explica aposta no Vale do São Francisco

    Uva no sertão? João Gomes explica aposta no Vale do São Francisco

    Durante uma viagem pela Suíça, João Gomes movimentou as redes sociais ao brincar que teria comprado uma fazenda no país europeu. A piada acabou sendo levada a sério por parte do público, levando o artista a se pronunciar em vídeo. O que veio depois da negativa, porém, chamou ainda mais atenção do que o boato.

    Ao esclarecer que a declaração não era verdadeira, o cantor revelou que já possui duas propriedades rurais no Brasil. “As fazendas que eu tenho mesmo são de uva, em Petrolina, e de gado, na Bahia”, disse. Direto, sem rodeios e com uma revelação que diz muito sobre como o artista escolheu guardar o dinheiro que o forró lhe trouxe.

    Uma aposta no Vale do São Francisco

    A propriedade que mais chamou atenção fica em Petrolina, no tradicional Vale do São Francisco, região conhecida nacionalmente pela produção de frutas irrigadas. A fazenda é avaliada em cerca de R$ 2 milhões e reúne área produtiva voltada ao cultivo de uvas, amplos terrenos cercados pela paisagem característica do sertão nordestino e estrutura rural moderna.

    Não é por acaso que João Gomes escolheu exatamente essa região. O Vale do São Francisco é hoje um dos polos vitivinícolas mais relevantes do Brasil, e a lógica produtiva do semiárido tem uma vantagem que surpreende quem ainda associa uva ao sul do país: com sol o ano inteiro e um sistema de irrigação por gotejamento, os produtores da região conseguem simular o período de hibernação da planta em tempo menor, o que permite duas safras de uvas por ano. Dois ciclos anuais, no mesmo hectare: isso muda completamente a conta.

    O campo como ponto de retorno

    O que diferencia João Gomes de outros artistas do gênero é a sua capacidade de dialogar com o público jovem sem perder a essência da cultura nordestina. Além do talento musical, a trajetória do artista é marcada pela humildade. Ele frequentemente menciona em entrevistas que seu maior desejo através da música sempre foi mudar a realidade de sua família e honrar suas origens.

    Investir em terra, nesse contexto, não é apenas estratégia financeira. É uma forma de manter os pés fincados onde tudo começou. Imagens divulgadas pelo próprio artista mostram visitas em família à propriedade, contato com a natureza e uma rotina mais tranquila longe dos palcos. No fundo, a fazenda parece cumprir um papel que vai além da produção: é o ponto de retorno.

    O Vale do São Francisco e o agronegócio

    A escolha de Petrolina também revela um movimento maior. A agricultura irrigada na região não só possibilitou a produção de uvas, como também de vinhos que passaram a ter seus rótulos premiados, além de outros produtos derivados como sucos, doces e geleias. A vitivinicultura no sertão nordestino saiu do improvável para virar referência nacional e vem atraindo olhares de fora do setor, inclusive de quem, como João Gomes, enxergou na terra uma aplicação tão sólida quanto qualquer outro ativo.

    Desde que ganhou projeção nacional, em 2021, o cantor ampliou seu patrimônio e investiu em diferentes imóveis. Mas foi na uva do sertão que ele deixou a aposta mais simbólica: a de que o Nordeste produz, e produz bem.

  • Brasil ganha força e atrai produtores de vinho do mundo

    Brasil ganha força e atrai produtores de vinho do mundo

    O Brasil vem ganhando espaço no mercado global de vinhos e, com isso, passa a atrair cada vez mais interesse de produtores internacionais.

    Esse movimento deve se refletir na Wine South America 2026, que acontece entre os dias 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves. A edição contará com a participação de países que ainda não integravam o evento, o que reforça o avanço do setor no país.

    Brasil entra no radar global

    Nos últimos anos, o mercado brasileiro passou a chamar atenção pela combinação entre consumo crescente e potencial de expansão.

    Além disso, a diversificação de mercados e o avanço de acordos comerciais têm direcionado o interesse de produtores estrangeiros para a América Latina. Nesse cenário, o Brasil se consolida como um ponto estratégico para negócios no continente.

    Por isso, eventos do setor ganham força como espaços de conexão entre oferta internacional e demanda local.

    Novos países ampliam presença

    A entrada de novos participantes reforça esse movimento. Países como Nova Zelândia e Alemanha passam a integrar o evento, enquanto outros mercados tradicionais ampliam sua presença.

    Ao mesmo tempo, produtores buscam não apenas apresentar seus rótulos, mas também entender o perfil do consumidor brasileiro e criar parcerias comerciais. Com isso, a feira se posiciona como porta de entrada para marcas que desejam expandir atuação na região.

    Produção brasileira ganha espaço

    Enquanto cresce o interesse internacional, a produção nacional também avança.

    Além do protagonismo do Rio Grande do Sul, outras regiões começam a ganhar destaque, como Santa Catarina, Bahia e até áreas do Centro-Oeste.

    Esse avanço ocorre porque produtores exploram diferentes condições de clima, solo e altitude. Como resultado, surgem vinhos com características próprias e maior reconhecimento no mercado.

    Diversidade de terroirs impulsiona setor

    A expansão da vitivinicultura brasileira mostra que o setor vai além das regiões tradicionais. Hoje, novos polos produtivos investem em tecnologia e manejo para melhorar a qualidade. Além disso, a diversidade de terroirs permite maior variedade de estilos, o que amplia o interesse do consumidor.

    Dessa forma, o Brasil fortalece sua posição tanto na produção quanto no consumo de vinhos.

    Serra Gaúcha segue como referência

    Mesmo com a expansão, a Serra Gaúcha continua como principal polo do setor.

    A região concentra grande parte da produção nacional e mantém reconhecimento pela qualidade dos vinhos e espumantes. Além disso, áreas como o Vale dos Vinhedos possuem certificações que reforçam esse padrão.
    Assim, o local segue como centro estratégico para negócios e eventos do segmento.

    Mercado deve seguir em expansão

    A combinação entre consumo interno, interesse internacional e diversificação produtiva indica um cenário de crescimento para os próximos anos.

    Por isso, o Brasil tende a consolidar seu papel no mercado global de vinhos, tanto como produtor quanto como destino estratégico para novos investimentos.