Tag: vinícola Lidio Carraro

  • Vinícola gaúcha cria Novo Malbec com clones da França e da Argentina

    Vinícola gaúcha cria Novo Malbec com clones da França e da Argentina

    Uma vinícola do Rio Grande do Sul apresenta um novo capítulo na trajetória da Malbec no Brasil. A Lidio Carraro, empresa sediada em Encruzilhada do Sul, selecionou clones originários de Cahors, na França, e de tradicionais regiões produtoras da Argentina para desenvolver o Lidio Carraro Novo Malbec, vinho concebido para investigar como a variedade se expressa em terroir nacional.

    A Malbec nasceu no sudoeste da França, mas foi na Argentina que a uva se consolidou como uma das variedades tintas mais reconhecidas do mundo. O estilo argentino também conquistou o paladar brasileiro, transformando a Malbec em uma das preferidas dos consumidores do país.

    Com o Novo Malbec, a Lidio Carraro propõe uma terceira via: nem o perfil elegante do Velho Mundo, nem a intensidade típica do Novo Mundo, mas uma expressão própria, construída a partir da vitivinicultura brasileira e da filosofia purista que orienta os vinhos da casa. O lançamento reúne anos de pesquisa, estudos de solo e testes com diferentes materiais genéticos da variedade no terroir de Encruzilhada do Sul.

    Clones vindos de Mendoza e do sudoeste francês

    A equipe técnica da vinícola percorreu regiões emblemáticas da vitivinicultura argentina, como Perdriel, Agrelo e Gualtallary, na área de Mendoza, em busca de clones considerados referência para a Malbec. O projeto também incorporou material genético originário de Cahors, na França, historicamente conhecido como Côt Noir.

    Todo esse conjunto de clones foi implantado em um novo vinhedo na Serra do Sudeste gaúcha, o que permitiu à vinícola acompanhar como cada material genético responderia às condições brasileiras de solo, clima e manejo.

    Uma trajetória que começou há mais de duas décadas

    A iniciativa dá continuidade a um trabalho iniciado há mais de 20 anos. A Lidio Carraro foi uma das pioneiras no cultivo da Malbec no Brasil, com os primeiros vinhedos implantados em 2002 e a primeira safra comercial lançada em 2005.

    O Novo Malbec representa uma etapa mais recente dessa trajetória, desenvolvida especificamente para entender o potencial da variedade em solo nacional. Segundo a vinícola, o projeto nunca teve como objetivo reproduzir o estilo francês ou argentino, mas investigar como a Malbec pode construir identidade própria quando cultivada no Brasil, preservando as características do terroir e seguindo a filosofia purista de mínima intervenção adotada pela casa.

    A vinícola decidiu registrar todo o processo de criação do vinho em uma série de vídeos publicada nas redes sociais. O conteúdo acompanha desde a escolha dos clones e a implantação dos vinhedos até a elaboração final do rótulo, permitindo que o público siga a construção do Novo Malbec desde a origem.

    Perfil sensorial marcado por frutas negras e especiarias

    O Novo Malbec apresenta perfil profundo e sofisticado, com aromas de amora, ameixa-preta, violeta e especiarias. Com maior oxigenação e evolução em garrafa, o vinho ganha camadas adicionais de complexidade, como notas de couro, café e toques terrosos. Assim, na boca, a textura envolvente combina volume expressivo, taninos macios e final saboroso e persistente.

    A vinícola projeta diferentes momentos de evolução para o rótulo. A intensidade da fruta se destaca nos primeiros cinco anos, enquanto os aromas terciários ganham força a partir dos oito anos de guarda.

    A produção será restrita a 16.100 garrafas numeradas. O rótulo busca provocar uma nova compreensão sobre o potencial da Malbec em solo brasileiro. Portanto, reafirmando a capacidade da vitivinicultura nacional de produzir vinhos autorais de classe mundial.

  • Conheça as mulheres por trás de uma das maiores vinícolas do Brasil

    Conheça as mulheres por trás de uma das maiores vinícolas do Brasil

    No universo do vinho brasileiro, poucas histórias combinam tradição familiar e visão de mercado com tanta coerência quanto a da vinícola Lidio Carraro. E no centro dessa trajetória estão duas mulheres: Isabel Carraro, matriarca da família, e Patricia Carraro, diretora criativa de marketing. Mãe e filha. Posturas distintas. Um mesmo propósito.

    Isabel Carraro. Divulgação vinícola Lidio Carraro

    No Dia Internacional da Mulher, a vinícola gaúcha, sediada no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, escolhe reconhecer o papel concreto dessas duas figuras, não com discursos genéricos, mas com uma narrativa construída ao longo de décadas de trabalho, decisões difíceis e muito vinho.

    A liderança que acolhe

    Isabel Carraro é esposa de Lidio Carraro e mãe de Patricia, Giovanni e Juliano. Avó de nove netos, ela exerce a liderança de forma natural, firme nos momentos de crise, sensível no cotidiano da empresa familiar.

    Seu espírito empreendedor esteve presente nos três grandes momentos da vinícola: implantação, expansão e consolidação. Nos períodos mais difíceis, foi Isabel quem manteve o equilíbrio entre as decisões de negócio e a coesão familiar. Afinal, nenhuma estratégia empresarial sustenta uma empresa de origem familiar sem o suporte humano que vem de dentro de casa.

    Além do papel interno, Isabel é o rosto da hospitalidade da Lidio Carraro. Frequentemente, recebe clientes, parceiros e visitantes na sede da vinícola boutique, transformando cada visita em uma experiência que vai além do vinho na taça. Esse gesto repetido ao longo dos anos criou algo raro no setor: uma comunidade de pessoas que se sentem parte da família Carraro.

    A guardiã da identidade da marca

    Se Isabel firmou as bases, Patricia Carraro assumiu a missão de projetar esse legado para o mercado nacional e internacional. Como diretora criativa de marketing, ela zela pela identidade visual, pelo posicionamento estratégico e pela narrativa que acompanha cada rótulo da vinícola.

    Internamente, Patricia carrega a descrição de “guardiã dos valores da família”, e o papel justifica o título. Cada campanha, cada lançamento e cada reposicionamento de marca passam pelo seu olhar, com uma premissa clara: inovar sem descaracterizar, crescer sem perder a essência.

    Com uma visão feminina e contemporânea, Patricia transformou a comunicação da Lidio Carraro em extensão direta da filosofia purista que orienta a produção dos vinhos. Para ela, o desafio permanente é “preservar quem somos enquanto avançamos” — especialmente num setor em que o novo parece, cada vez mais, disputar espaço com o autêntico.

    Um legado a quatro mãos

    A história da Lidio Carraro poderia se resumir à trajetória de uma vinícola que cresceu e ganhou reconhecimento. Mas ela é, antes de tudo, a história de uma família que soube permanecer unida. E de duas mulheres com perfis complementares que ajudaram a construir não apenas uma empresa, mas uma cultura organizacional.

    Isabel representa a base: a segurança, o acolhimento e a força silenciosa que sustenta decisões importantes. Patricia representa o movimento: a estratégia, a criatividade e o olhar que conecta o passado ao futuro.

    Juntas, elas sintetizam o que a Lidio Carraro celebra neste 8 de março: a liderança feminina que une gerações, preserva valores e projeta crescimento, com autenticidade e sem abrir mão de quem se é.

  • Rio Grande do Sul projeta safra recorde de uva para 2025/2026

    Rio Grande do Sul projeta safra recorde de uva para 2025/2026

    O Rio Grande do Sul, maior produtor de uvas do Brasil, projeta uma safra de 905.291 toneladas para a temporada 2025/2026, superando a média histórica tanto em volume quanto em regularidade produtiva. O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Thompsson Didone, acompanha o desenvolvimento da cultura no Estado e confirma as perspectivas positivas para a colheita.

    A viticultura gaúcha movimenta 15 mil famílias, em sua maioria agricultores familiares, que cultivam diretamente as parreiras. O setor tem forte impacto social e econômico na região.

    O Estado cultiva aproximadamente 42,4 mil hectares de uva, sendo que a Serra Gaúcha concentra 36,6 mil hectares dessa área. A região consolida sua posição como o maior polo de produção e processamento de uvas do país.

    “A maior parte dessa área destina-se à uva para processamento industrial, que a indústria utiliza na elaboração de vinhos, sucos e espumantes. No entanto, o Estado também conta com uma área expressiva de mais de 3 mil hectares de uva de mesa, voltada ao consumo in natura”, detalha Didone.

    O extensionista rural mantém expectativas positivas para a safra atual. “Em termos de quantidade, a safra deve superar uma safra considerada normal. Tivemos um inverno com frio adequado e de boa qualidade, o que é fundamental para o bom desenvolvimento das videiras”, explica.

    Inverno com 400 horas de frio impulsiona desenvolvimento das videiras

    As condições climáticas do inverno de 2025 determinaram o bom desempenho da safra. Segundo Didone, as videiras necessitam de um número mínimo de horas de frio abaixo de 7,2 °C para garantir brotação uniforme e boa formação dos cachos. As variedades americanas demandam entre 150 e 250 horas, enquanto algumas uvas viníferas exigem até 400 horas de frio.

    “Nesse ano, em várias regiões do Estado, superamos as 400 horas de frio, com temperaturas estáveis, sem oscilações bruscas. Isso permitiu uma excelente emissão de brotos e cachos, refletindo diretamente no potencial produtivo da safra”, destaca Didone.

    Colheita atrasa 15 dias, mas mantém qualidade elevada

    Apesar do bom desenvolvimento das plantas, a colheita começou com um atraso de 10 a 15 dias em relação a uma safra considerada normal. As temperaturas mais baixas e a menor incidência de sol no mês de setembro retardaram o desenvolvimento vegetativo das videiras.

    “Esse atraso não interferiu na qualidade da uva. Apenas alongou o ciclo”, ressalta o extensionista rural. As primeiras vinícolas já iniciaram o processo de industrialização, que deve se intensificar nas próximas semanas.

    A previsão indica uma safra com duração de um mês e meio a dois meses, dependendo das condições climáticas ao longo do período de colheita.

    Uvas americanas dominam 85% da produção estadual

    Aproximadamente 85% da produção estadual compõe-se de uvas americanas e híbridas, enquanto as viníferas representam entre 12% e 15% da área plantada. As variedades americanas e híbridas apresentam, em geral, produção superior à média.

    Entre as viníferas, a produção também se mostra acima do normal, com destaque para a Chardonnay, variedade importante para a elaboração de vinhos finos e, especialmente, de espumantes, um dos principais produtos da Serra Gaúcha.

    Thompsson Didone ressalta que as avaliações de qualidade ainda são parciais. “A uva que as vinícolas recebem até o momento apresenta boa qualidade. Ainda é cedo para uma avaliação definitiva, pois a qualidade depende muito das condições climáticas semana a semana, como períodos de chuva ou maior insolação”, explica.

    Emater estima aumento de até 10% na safra 2025/2026

    A estimativa preliminar da Emater/RS-Ascar indica que a safra 2025/2026 deverá apresentar um acréscimo de 5% a 10% em relação a uma safra normal. Se comparada à safra passada, que já alcançou bons resultados, o aumento deve ficar em torno de 5%.

    “São informações iniciais. Ao longo da safra, seguiremos acompanhando e divulgando novos informativos sobre a evolução da colheita e da qualidade da uva”, conclui Didone.

    Regularidade climática e desenvolvimento indicam possibilidade de safra histórica

    A vindima, que é a colheita da uva, da vinícola Lidio Carraro ainda está em andamento, mas os sinais que vêm do vinhedo animam os produtores. A colheita segue até março e, até agora, o ciclo tem apresentado regularidade, sanidade e um desenvolvimento que agrada quem acompanha a videira de perto.

    Foto: Vinhedos Lidio Carraro

    Juliano Carraro, diretor comercial da vinícola, avalia positivamente o início do ano. As brotações ocorreram de forma uniforme, a produtividade alcança bons níveis e a sanidade das plantas chama atenção. “Tivemos um comportamento climático favorável em todos os aspectos até o momento, o que indica que podemos ter uma safra com excelentes resultados”, resume.

    Vinhedos escapam de granizo que atingiu outras regiões do sul

    Mesmo com registros de granizo em outras áreas do Sul do país, os vinhedos da Lidio Carraro passaram ilesos. “Esses eventos não atingiram nossas áreas, felizmente”, explica Juliano. Um detalhe que faz diferença quando se pensa em qualidade lá na frente.

    Do ponto de vista técnico, Giovanni Carraro, enólogo da casa, destaca que a safra teve um ritmo muito correto de desenvolvimento, sem extremos. “A videira se desenvolveu nos tempos certos, com uma velocidade média de maturação. Não tivemos períodos prolongados de temperaturas abaixo da média, o que é muito positivo”, explica.

    Esse comportamento climático tende a impactar diretamente o estilo dos vinhos. De acordo com Giovanni, a expectativa aponta para uvas com bagas menores e plantas com menor vigor vegetativo. Na prática, isso costuma resultar em vinhos mais concentrados. “Em termos gerais, deveremos ter vinhos com alta concentração aromática e polifenólica”, afirma.

    Para as variedades mais tardias, cuja colheita acontece ao longo de março, ainda é cedo para conclusões definitivas. Mas o cenário segue favorável. A tendência, segundo o enólogo, aponta para uma safra acima da média em qualidade e, para muitas uvas, também em produtividade.

    Safra 2026 pode entrar para linha especial

    Naturalmente, começa a surgir a pergunta que sempre ronda anos promissores: existe chance de termos vinhos da linha Grande Vindima? Na Lidio Carraro, esse selo fica reservado a safras realmente especiais, como 2012, 2013, 2018 e 2020. Giovanni prefere manter a cautela. “Essa definição só pode ocorrer no dia da colheita. São muitos fatores envolvidos. A expectativa é boa, mas só poderemos confirmar nos próximos 60 dias”, pondera.

    Foto: Vinhedos Lidio Carraro

    Além do aspecto técnico, 2026 carrega também um simbolismo especial para a vinícola. O ano marca mais uma Copa do Mundo, e a Lidio Carraro tem uma relação histórica com o futebol. Em 2014, a vinícola forneceu os vinhos oficiais da Copa do Mundo no Brasil, um marco que projetou a marca internacionalmente e reforçou sua vocação para grandes momentos.