A colheita de uvas de 2026 segue ativa na Serra do Sudeste, no Rio Grande do Sul, mesmo com o calendário avançando para abril. O clima ameno e as amplitudes térmicas elevadas prolongaram a maturação dos vinhedos, permitindo às vinícolas colher frutos com maior equilíbrio e qualidade.
Enquanto a Serra Gaúcha enfrentou condições mais desafiadoras, Encruzilhada do Sul consolidou sua posição como destaque nacional na vitivinicultura. A região registrou volumes expressivos e uvas com excelente sanidade, reforçando seu status como um dos principais terroirs brasileiros para vinhos tintos.
“A vindima de 2026 está sendo espetacular. As temperaturas mais amenas, especialmente à noite, favoreceram uma maturação lenta e completa das uvas”, afirma Juliano Carraro, diretor-comercial da Lidio Carraro. Ele destaca que a colheita avança com variedades como Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Malbec e Cabernet Franc, que serão finalizadas até o fim de abril.
O enólogo e diretor técnico Giovanni Carraro explica que a safra se destaca pela concentração das uvas. “Estamos observando altos índices de polifenóis e açúcares. Isso garante vinhos equilibrados, com potência, frescor e grande potencial de envelhecimento”, comenta.
Clima favorecendo
As condições climáticas ao longo do ciclo favoreceram o resultado. Chuvas no início da safra estimularam brotação uniforme e vigorosa. O tempo estável durante a floração formou cachos homogêneos, enquanto a estiagem e a grande amplitude térmica reduziram o tamanho das bagas e concentraram compostos, elevando a qualidade final.
Mesmo com episódios localizados de granizo no estado, os vinhedos da Lidio Carraro não sofreram danos graças ao uso de sistemas de proteção. Na Serra do Sudeste, os fenômenos climáticos ocorreram de forma isolada, preservando a produção.
O desempenho da região confirma uma tendência dos últimos anos: a Serra do Sudeste vem se consolidando como alternativa consistente à Serra Gaúcha na produção de tintos estruturados. O clima mais seco, as amplitudes térmicas amplas e a regularidade das safras sustentam o avanço de Encruzilhada do Sul como referência em vinhos de identidade e longevidade.
O Rio Grande do Sul, maior produtor de uvas do Brasil, projeta uma safra de 905.291 toneladas para a temporada 2025/2026, superando a média histórica tanto em volume quanto em regularidade produtiva. O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Thompsson Didone, acompanha o desenvolvimento da cultura no Estado e confirma as perspectivas positivas para a colheita.
A viticultura gaúcha movimenta 15 mil famílias, em sua maioria agricultores familiares, que cultivam diretamente as parreiras. O setor tem forte impacto social e econômico na região.
O Estado cultiva aproximadamente 42,4 mil hectares de uva, sendo que a Serra Gaúcha concentra 36,6 mil hectares dessa área. A região consolida sua posição como o maior polo de produção e processamento de uvas do país.
“A maior parte dessa área destina-se à uva para processamento industrial, que a indústria utiliza na elaboração de vinhos, sucos e espumantes. No entanto, o Estado também conta com uma área expressiva de mais de 3 mil hectares de uva de mesa, voltada ao consumo in natura”, detalha Didone.
O extensionista rural mantém expectativas positivas para a safra atual. “Em termos de quantidade, a safra deve superar uma safra considerada normal. Tivemos um inverno com frio adequado e de boa qualidade, o que é fundamental para o bom desenvolvimento das videiras”, explica.
Inverno com 400 horas de frio impulsiona desenvolvimento das videiras
As condições climáticas do inverno de 2025 determinaram o bom desempenho da safra. Segundo Didone, as videiras necessitam de um número mínimo de horas de frio abaixo de 7,2 °C para garantir brotação uniforme e boa formação dos cachos. As variedades americanas demandam entre 150 e 250 horas, enquanto algumas uvas viníferas exigem até 400 horas de frio.
“Nesse ano, em várias regiões do Estado, superamos as 400 horas de frio, com temperaturas estáveis, sem oscilações bruscas. Isso permitiu uma excelente emissão de brotos e cachos, refletindo diretamente no potencial produtivo da safra”, destaca Didone.
Colheita atrasa 15 dias, mas mantém qualidade elevada
Apesar do bom desenvolvimento das plantas, a colheita começou com um atraso de 10 a 15 dias em relação a uma safra considerada normal. As temperaturas mais baixas e a menor incidência de sol no mês de setembro retardaram o desenvolvimento vegetativo das videiras.
“Esse atraso não interferiu na qualidade da uva. Apenas alongou o ciclo”, ressalta o extensionista rural. As primeiras vinícolas já iniciaram o processo de industrialização, que deve se intensificar nas próximas semanas.
A previsão indica uma safra com duração de um mês e meio a dois meses, dependendo das condições climáticas ao longo do período de colheita.
Uvas americanas dominam 85% da produção estadual
Aproximadamente 85% da produção estadual compõe-se de uvas americanas e híbridas, enquanto as viníferas representam entre 12% e 15% da área plantada. As variedades americanas e híbridas apresentam, em geral, produção superior à média.
Entre as viníferas, a produção também se mostra acima do normal, com destaque para a Chardonnay, variedade importante para a elaboração de vinhos finos e, especialmente, de espumantes, um dos principais produtos da Serra Gaúcha.
Thompsson Didone ressalta que as avaliações de qualidade ainda são parciais. “A uva que as vinícolas recebem até o momento apresenta boa qualidade. Ainda é cedo para uma avaliação definitiva, pois a qualidade depende muito das condições climáticas semana a semana, como períodos de chuva ou maior insolação”, explica.
Emater estima aumento de até 10% na safra 2025/2026
A estimativa preliminar da Emater/RS-Ascar indica que a safra 2025/2026 deverá apresentar um acréscimo de 5% a 10% em relação a uma safra normal. Se comparada à safra passada, que já alcançou bons resultados, o aumento deve ficar em torno de 5%.
“São informações iniciais. Ao longo da safra, seguiremos acompanhando e divulgando novos informativos sobre a evolução da colheita e da qualidade da uva”, conclui Didone.
Regularidade climática e desenvolvimento indicam possibilidade de safra histórica
A vindima, que é a colheita da uva, da vinícola Lidio Carraro ainda está em andamento, mas os sinais que vêm do vinhedo animam os produtores. A colheita segue até março e, até agora, o ciclo tem apresentado regularidade, sanidade e um desenvolvimento que agrada quem acompanha a videira de perto.
Foto: Vinhedos Lidio Carraro
Juliano Carraro, diretor comercial da vinícola, avalia positivamente o início do ano. As brotações ocorreram de forma uniforme, a produtividade alcança bons níveis e a sanidade das plantas chama atenção. “Tivemos um comportamento climático favorável em todos os aspectos até o momento, o que indica que podemos ter uma safra com excelentes resultados”, resume.
Vinhedos escapam de granizo que atingiu outras regiões do sul
Mesmo com registros de granizo em outras áreas do Sul do país, os vinhedos da Lidio Carraro passaram ilesos. “Esses eventos não atingiram nossas áreas, felizmente”, explica Juliano. Um detalhe que faz diferença quando se pensa em qualidade lá na frente.
Do ponto de vista técnico, Giovanni Carraro, enólogo da casa, destaca que a safra teve um ritmo muito correto de desenvolvimento, sem extremos. “A videira se desenvolveu nos tempos certos, com uma velocidade média de maturação. Não tivemos períodos prolongados de temperaturas abaixo da média, o que é muito positivo”, explica.
Esse comportamento climático tende a impactar diretamente o estilo dos vinhos. De acordo com Giovanni, a expectativa aponta para uvas com bagas menores e plantas com menor vigor vegetativo. Na prática, isso costuma resultar em vinhos mais concentrados. “Em termos gerais, deveremos ter vinhos com alta concentração aromática e polifenólica”, afirma.
Para as variedades mais tardias, cuja colheita acontece ao longo de março, ainda é cedo para conclusões definitivas. Mas o cenário segue favorável. A tendência, segundo o enólogo, aponta para uma safra acima da média em qualidade e, para muitas uvas, também em produtividade.
Safra 2026 pode entrar para linha especial
Naturalmente, começa a surgir a pergunta que sempre ronda anos promissores: existe chance de termos vinhos da linha Grande Vindima? Na Lidio Carraro, esse selo fica reservado a safras realmente especiais, como 2012, 2013, 2018 e 2020. Giovanni prefere manter a cautela. “Essa definição só pode ocorrer no dia da colheita. São muitos fatores envolvidos. A expectativa é boa, mas só poderemos confirmar nos próximos 60 dias”, pondera.
Foto: Vinhedos Lidio Carraro
Além do aspecto técnico, 2026 carrega também um simbolismo especial para a vinícola. O ano marca mais uma Copa do Mundo, e a Lidio Carraro tem uma relação histórica com o futebol. Em 2014, a vinícola forneceu os vinhos oficiais da Copa do Mundo no Brasil, um marco que projetou a marca internacionalmente e reforçou sua vocação para grandes momentos.