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  • Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Uma das pragas mais temidas da pecuária voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos. O governo americano anunciou um novo pacote de investimentos para impedir o avanço da mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo, inseto capaz de provocar ferimentos graves e até matar animais quando o tratamento não ocorre a tempo.

    Desta vez, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) destinou US$ 25 milhões para construir uma unidade de distribuição de moscas estéreis em Douglas, no Arizona. A medida fortalece a barreira sanitária na fronteira com o México e amplia a capacidade de resposta diante da ameaça.

    Como a mosca-da-bicheira ameaça os rebanhos

    O perigo não está na mosca adulta, mas nas larvas.

    As fêmeas procuram feridas abertas em bovinos, ovinos, caprinos, equinos e outros animais de sangue quente. Em seguida, depositam os ovos sobre esses machucados.

    Pouco tempo depois, as larvas eclodem e passam a consumir tecido vivo. Como consequência, a lesão aumenta rapidamente e favorece infecções secundárias.

    Sem tratamento imediato, o quadro se agrava. Além de perder peso, o animal sofre intenso estresse e pode morrer nos casos mais graves.

    Embora a pecuária concentre a maior parte dos prejuízos, o parasita também pode atingir animais silvestres, cães, gatos e, em situações raras, seres humanos.

    Técnica reduz a população do inseto

    Em vez de depender apenas de produtos químicos, os Estados Unidos apostam em uma estratégia biológica desenvolvida há décadas.

    O método consiste na criação de milhões de machos estéreis em laboratório.

    Depois disso, equipes especializadas liberam esses insetos nas áreas de risco.

    Ao cruzarem com as fêmeas selvagens, eles impedem o nascimento de novas gerações. Assim, a população da praga diminui gradualmente até desaparecer em determinadas regiões.

    Por isso, especialistas consideram essa tecnologia uma das ferramentas mais eficientes já utilizadas no controle da mosca-da-bicheira.

    Nova estrutura amplia a defesa na fronteira

    O novo centro funcionará em Douglas, cidade localizada na divisa entre os Estados Unidos e o México.

    A escolha não ocorreu por acaso. A região representa uma das principais portas de entrada para animais provenientes do território mexicano.

    Com a nova unidade, o USDA espera acelerar a distribuição das moscas estéreis sempre que surgirem focos da praga.

    Ao mesmo tempo, o governo mantém outro projeto estratégico em andamento: a construção de uma fábrica de grande porte no Texas, responsável pela produção em larga escala desses insetos.

    Juntas, as duas estruturas deverão ampliar significativamente a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.

    Avanço da praga elevou o nível de alerta

    Foto: USDA

    Nos últimos meses, a identificação de novos focos na América Central e no México aumentou a preocupação do setor pecuário americano.

    Diante desse cenário, o USDA endureceu temporariamente as regras para a entrada de bovinos mexicanos.

    Agora, entretanto, o governo iniciou uma reabertura gradual das importações.

    Douglas será o primeiro ponto autorizado a receber animais novamente. Ainda assim, cada etapa dependerá do cumprimento rigoroso das medidas sanitárias estabelecidas pelas autoridades americanas.

    Restrição também afetou o mercado

    As limitações impostas às importações reduziram a oferta de bovinos para frigoríficos dos Estados Unidos.

    Como resultado, os preços da carne permaneceram elevados durante vários meses.

    Mesmo assim, técnicos do governo avaliam que reforçar o controle sanitário continua sendo mais vantajoso do que enfrentar uma disseminação ampla da praga em regiões produtoras.

    Segundo eles, um surto de grandes proporções poderia provocar prejuízos muito superiores aos impactos temporários sobre o mercado.

    Brasil também acompanha a situação

    Embora o investimento tenha como foco o território americano, o assunto interessa diretamente aos pecuaristas brasileiros.

    A mosca-da-bicheira ocorre em diversos países das Américas e exige monitoramento permanente das propriedades rurais.

    Por isso, veterinários orientam os produtores a examinarem qualquer ferida identificada nos animais.

    Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores serão as chances de recuperação e menores tendem a ser os prejuízos econômicos.

    Além disso, boas práticas de manejo, inspeções frequentes e programas de vigilância sanitária continuam sendo fundamentais para preservar a saúde dos rebanhos e garantir a competitividade da pecuária no mercado internacional.

  • Soja sobe com demanda aquecida no mercado brasileiro

    Soja sobe com demanda aquecida no mercado brasileiro

    As cotações da soja avançaram no mercado brasileiro diante do ritmo intenso dos negócios. A demanda externa seguiu firme e as indústrias nacionais ampliaram as compras nos últimos dias. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional. Mesmo assim, a ampla oferta global limitou altas mais expressivas nos preços.

    Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçam esse cenário. O órgão elevou a estimativa da produção mundial de soja na safra 2025/26 para 429,2 milhões de toneladas, novo recorde histórico. O volume projetado supera em 0,4% a previsão anterior e fica 0,3% acima da temporada passada.

    Entre os principais produtores, o Brasil deve colher 180 milhões de toneladas de soja. A estimativa do USDA ficou ligeiramente abaixo das 180,25 milhões de toneladas projetadas pela Conab.

    Na Argentina, o USDA elevou a previsão para 50 milhões de toneladas. O volume representa alta de 4,2% frente à estimativa de maio. Apesar do aumento, a produção argentina ainda ficará 2,2% abaixo da safra anterior.

    O Brasil também deve manter a liderança global nas exportações de soja. Para a safra 2025/26, o USDA projeta embarques de 115 milhões de toneladas.

    Oferta de milho pressiona mercado

    No mercado de milho, a expectativa de maior oferta tem pressionado as cotações em grande parte do país. Embora a colheita esteja concentrada em poucos estados, agentes do mercado já consideram o aumento da disponibilidade do cereal nas próximas semanas.

    Segundo o Cepea, compradores reduziram o volume de negociações enquanto aguardam possíveis quedas mais acentuadas nos preços.

    Ao mesmo tempo, vendedores adotaram maior flexibilidade para fechar negócios. Muitos reduziram preços pedidos ou ajustaram condições de entrega e pagamento. O objetivo é acelerar o escoamento da produção neste início de colheita.

    A postura mais cautelosa dos consumidores ganhou força após as novas projeções divulgadas pela Conab e pelo USDA. Os relatórios apontam aumento da produção brasileira na safra 2025/26 e expansão da oferta mundial na temporada 2026/27.

    De acordo com o Cepea, o crescimento da produção brasileira resulta da melhora da safra de verão.

    No cenário internacional, países como a Índia devem ampliar a produção de milho. Como consequência, os estoques globais também tendem a crescer, aumentando a pressão sobre os preços.

     

     

     

  • Pecuária dos EUA enfrenta praga considerada altamente perigosa

    Pecuária dos EUA enfrenta praga considerada altamente perigosa

    A pecuária dos EUA voltou a acender o alerta sanitário após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmar um novo caso de mosca-varejeira-do-novo-mundo no estado do Texas. O animal afetado é um bezerro de apenas um mês de idade, localizado a cerca de 9 quilômetros do primeiro foco registrado na região.

    Segundo o USDA, a ocorrência já era esperada pelos especialistas que monitoram a disseminação da praga.

    “Todos os modelos previam a entrada da mosca-varejeira-do-novo-mundo no país em 2025”, afirmou Dudley Hoskins, subsecretário de marketing e programas regulatórios do órgão.

    Além disso, Hoskins destacou que a chegada da praga ao território americano era considerada provável pelos órgãos de vigilância. No entanto, ressaltou que a cooperação entre os estados e o setor privado tem contribuído para conter o avanço da infestação.

    Mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma praga perigosa, com potencial de causar grandes prejuízos — Foto: USDA

    Para reforçar o combate, o USDA informou que uma equipe especializada do serviço de inspeção foi enviada à área onde os focos foram identificados. Além disso, um entomologista passou a atuar diretamente na região para acelerar os processos de confirmação dos diagnósticos.

    Outra medida adotada pelas autoridades americanas envolve a liberação de mais de 2 milhões de larvas estéreis da mosca-varejeira-do-novo-mundo. Dessa forma, o governo busca interromper o ciclo reprodutivo do inseto e reduzir sua capacidade de propagação.

    Risco econômico para a pecuária

    A mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma das pragas de maior impacto para a produção animal. As larvas penetram na pele dos hospedeiros, provocando feridas, infecções, sofrimento e prejuízos produtivos.

    Além dos rebanhos comerciais, a praga também pode atingir animais domésticos e espécies silvestres. Por isso, as autoridades sanitárias mantêm vigilância constante para evitar a expansão dos focos.

    O USDA orienta produtores rurais e tutores de animais a observarem sinais como aumento de ferimentos, presença de larvas ou massas de ovos, comportamento de desconforto e lesões em áreas sensíveis, incluindo nariz, orelhas e região umbilical.

    Em relação à saúde humana, o órgão esclarece que os casos são incomuns:

    “Embora não seja comum em humanos, se você notar uma lesão suspeita em seu corpo ou suspeitar que possa ter contraído a mosca-da-berne, procure atendimento médico imediatamente”.

    Abastecimento de alimentos segue sem impacto

    Por outro lado, o USDA reforçou que não existem riscos para o abastecimento de alimentos nos Estados Unidos. Segundo o comunicado, a praga não afeta carnes, frutas ou hortaliças destinadas ao consumo.

    Além disso, os diagnósticos são confirmados durante processos de inspeção sanitária. Assim, produtos provenientes de animais infectados não chegam ao mercado consumidor, garantindo a segurança da cadeia de abastecimento.

     

  • Safra bilionária faz café perder valor no mercado global

    Safra bilionária faz café perder valor no mercado global

    Os preços do café voltaram a cair no mercado internacional. Na última sexta-feira (28), o contrato do café arábica recuou 3,15%, enquanto o robusta perdeu 2,19%. Já na segunda-feira (1), o arábica atingiu o menor patamar dos últimos 1,5 ano no contrato futuro mais próximo.

    A principal pressão veio das previsões meteorológicas para as regiões produtoras do Brasil. Segundo os modelos climáticos, o tempo mais seco previsto para esta semana deve favorecer o avanço da colheita do café, que sofreu atrasos nos últimos dias devido às chuvas intensas registradas em importantes áreas produtoras.

    Safra será maior?

    Além das condições climáticas favoráveis, o mercado também reage às projeções de uma oferta global mais robusta nos próximos meses.

    A Coffee Trading Academy estima que a safra brasileira de café 2026/27 alcançará 71,4 milhões de sacas, volume 12% superior ao registrado no ciclo anterior.

    Por sua vez, o Marex Group Plc divulgou uma projeção ainda mais otimista. A consultoria prevê uma colheita recorde de 75,9 milhões de sacas no Brasil, superando a estimativa da Sucafina, que calcula uma produção de 75,4 milhões de sacas, equivalente a uma alta anual de 15,5%.

    Da mesma forma, a StoneX revisou para cima suas projeções. Em março, a empresa elevou sua estimativa para a safra brasileira de 2026/27 para 75,3 milhões de sacas, acima das 70,7 milhões de sacas previstas em novembro.

    Além disso, a consultoria projeta que o superávit global de café chegará a 10 milhões de sacas em 2026, ante 1,8 milhão de sacas em 2025. Caso a previsão se confirme, será o maior excedente mundial dos últimos seis anos.

    Vietnã amplia exportações do robusta

    O crescimento da oferta também vem do Vietnã, maior produtor mundial de café robusta.

    Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país, as exportações vietnamitas cresceram 15,8% entre janeiro e abril de 2026, totalizando 810 mil toneladas métricas.

    O café robusta possui maior teor de cafeína e costuma apresentar sabor mais intenso e encorpado que o arábica — Foto: Embrapa

    No ano anterior, os embarques já haviam registrado forte expansão, avançando 17,5% e alcançando 1,58 milhão de toneladas métricas.

    Enquanto isso, a produção vietnamita de café em 2025/26 deve atingir 1,76 milhão de toneladas métricas, o equivalente a 29,4 milhões de sacas. O volume representa crescimento de 6% em relação à safra anterior e marca o maior nível em quatro anos.

    Estoques menores limitam quedas mais acentuadas

    Apesar da pressão baixista causada pelo aumento da oferta, a redução dos estoques monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) tem ajudado a sustentar parte das cotações.

    Os estoques de café arábica armazenados pela bolsa recuaram para 434.930 sacas, o menor nível em aproximadamente três meses e meio.

    Já os estoques de robusta atingiram uma mínima de dois anos ao registrar 3.631 lotes em maio. Posteriormente, houve leve recuperação para 3.864 lotes.

    El Niño ainda preocupa mercado

    Por outro lado, o risco climático continua no radar dos investidores. A possível formação do fenômeno El Niño pode atrasar as chuvas previstas para setembro e outubro no Brasil, período considerado crucial para a floração dos cafeeiros.

    Caso esse cenário se confirme, a produtividade da safra brasileira de 2026/27 poderá ser afetada.

    A preocupação ganhou força após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicar 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho. Além disso, o órgão aponta 67% de chance de ocorrência de um Super El Niño até o final do ano.

    Exportações brasileiras recuam

    Outro fator que oferece suporte aos preços é a redução das exportações brasileiras.

    Segundo dados divulgados pela Cecafé em 12 de maio, os embarques de café verde do Brasil somaram 2,76 milhões de sacas em abril, resultado 1,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

    Além disso, o mercado também acompanha os impactos do fechamento contínuo do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo.

    Produção mundial deve bater recorde

    Mesmo diante dos desafios logísticos e climáticos, a perspectiva para a oferta global continua positiva.

    A Organização Internacional do Café (OIC) informou que as exportações mundiais recuaram apenas 0,3% no atual ano comercial, que vai de outubro a setembro, totalizando 138,658 milhões de sacas.

    Além disso, relatório divulgado pelo Serviço de Agricultura Exterior (FAS) projeta que a produção mundial de café em 2025/26 alcançará um recorde de 178,848 milhões de sacas, crescimento de 2% em relação ao ciclo anterior.

    Segundo o levantamento, a produção global de arábica deverá cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacas. Em contrapartida, a produção de robusta deverá crescer 10,9%, chegando a 83,333 milhões de sacas.

    O USDA também estima que a safra brasileira de café em 2025/26 recue 3,1%, totalizando 63 milhões de sacas. Já a produção do Vietnã deve avançar 6,2%, alcançando 30,8 milhões de sacas, o maior volume em quatro anos.

    Por fim, o órgão projeta que os estoques finais globais diminuam 5,4%, passando de 21,307 milhões para 20,148 milhões de sacas no ciclo 2025/26.

  • Além dos palcos, Shakira investiu no agro para impulsionar o café da Colômbia

    Além dos palcos, Shakira investiu no agro para impulsionar o café da Colômbia

    Enquanto milhares vão às praias do Rio para ver Shakira cantar, um detalhe passa longe dos holofotes: a artista já está mexendo na cadeia do café colombiano muito antes de qualquer show. A cantora deixou de ser só consumidora de café e virou investidora em um grande negócio que conecta sua fama à vida de milhares de pequenos produtores rurais.

    Ao apostar na High Brew Coffee, uma marca de café gelado em lata sediada em Austin, nos Estados Unidos, Shakira decidiu que parte do lucro das vendas voltaria diretamente para as famílias de caficultores da Cooperativa Los Andes, no interior da Colômbia.

    Do camarim ao agronegócio

    Shakira conheceu o café gelado durante a turnê mundial El Dorado, quando a bebida virou item fixo no camarim dela. O produto, com seis sabores diferentes, conquistou a equipe e despertou na própria cantora uma visão de negócio.

    Em entrevista à revista Forbes, a colombiana explicou o que a atraiu na marca: “Comecei como fã da marca. Tínhamos um estoque do café no meu camarim durante a turnê. Eu acho que é um momento empolgante para poder fazer investimentos em empresas inovadoras que dão mais importância aos valores do consumidor. A High Brew usa grãos de café premium da Colômbia e coloca a qualidade em primeiro lugar”.

    A decisão não foi apenas financeira, mas também de identidade: Shakira viu na High Brew uma forma de valorizar a agricultura de seu país natal, enquanto ampliava sua presença em um mercado que cresce rápido no formato de ready‑to‑drink e bebidas prontas para consumo.

    Cooperativa Los Andes

    O grande diferencial que atraiu Shakira para a High Brew está na cadeia de suprimentos. A empresa usa grãos de café arábica premium produzidos pela Cooperativa Los Andes, sediada na região de Antioquia, na Colômbia.

    A cooperativa reúne cerca de 3.600 membros que, juntos, gerenciam mais de 86 mil acres de fazendas de café. Esses produtores vivenciaram crises históricas, incluindo dívidas pesadas e problemas de gestão, mas seguem na luta para manter a produção e a qualidade.

    Ao se tornar investidora e embaixadora da marca, Shakira fez questão de que parte dos lucros das vendas das latas de café revertesse diretamente para essas famílias.

    Colômbia, Brasil e o peso do café no mundo

    A iniciativa de Shakira ganha ainda mais peso quando se olha para as estatísticas globais. A Colômbia é uma das maiores potências cafeeiras do planeta e a maior fornecedora mundial de café arábica lavado, conhecido pela suavidade e alta qualidade.

    Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que a produção colombiana atingiu cerca de 13,8 milhões de sacas de 60 quilos, representando cerca de 8% de toda a produção mundial. O país fica atrás apenas do Vietnã, com aproximadamente 17% do mercado, e do líder absoluto, o Brasil, responsável por cerca de 35% do café produzido mundialmente.

  • Exportações de soja dos EUA afundam 18% e abrem brecha no mercado

    Exportações de soja dos EUA afundam 18% e abrem brecha no mercado

    Você, produtor, já sentiu essa freada no mercado de soja? O USDA jogou um balde de água fria nos números americanos. As vendas externas despencaram 18% no acumulado, e isso mexe direto no tabuleiro global do grão.

    Como a queda na soja americana impacta a sua safra?
    (Foto: Embrapa)

    Números que preocupam o produtor

    Na semana encerrada em 16 de abril, os EUA venderam 364,6 mil toneladas de soja. O volume cresceu 47% ante a semana anterior, mas ficou 7% abaixo da média das últimas quatro semanas. O Japão liderou as compras, embora o mercado contasse com algo entre 200 mil e 600 mil toneladas.

    O acumulado da temporada pinta o quadro real. Os americanos bateram 38,517 milhões de toneladas até agora, 18% menos que no mesmo período do ano passado.

    Soja patina, milho dispara

    Enquanto a soja americana engasga, o milho decola. Os EUA exportaram 1,316 milhão de toneladas na mesma semana, puxados pela Coreia do Sul, e o total da temporada já supera o ano anterior em 28%.

    Esse descompasso cria instabilidade. O Brasil ganha espaço, especialmente na China, mas a concorrência acirrada pressiona preços e estoques em todo lado.

    Motivos da freada nos EUA

    Tarifas entre EUA e China travam as compras chinesas de soja americana. Produtores do outro lado do oceano lidam com estoques parados e vendas mornas para a nova safra.

    O USDA estima exportações totais em 41,9 milhões de toneladas pros EUA. Aqui no Brasil, isso impulsiona nossos embarques, mas aperta a oferta interna para esmagamento.

    Oportunidade e risco para o Brasil

    Nossos exportadores avançam na Ásia com força. No entanto, esse ritmo acelerado pode encarecer o grão para a indústria local e corroer margens no esmagamento. Fique ligado nos próximos dados do USDA. Uma virada americana ameaça nossa fatia, mas por ora, o jogo favorece quem embarca mais rápido

  • EUA perdem 15 mil fazendas em 2025 e registram menor número em mais de um século

    EUA perdem 15 mil fazendas em 2025 e registram menor número em mais de um século

    A crise na pecuária e as tarifas comerciais impulsionadas pelo governo Donald Trump voltaram a impactar o campo norte-americano. O número de propriedades rurais nos Estados Unidos diminuiu mais uma vez em 2025, de acordo com o relatório Farms and Land in Farms 2025 Summary, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

    O país encerrou o ano com 1,865 milhão de fazendas, cerca de 15 mil a menos que em 2024, mantendo uma tendência de retração observada na última década. Segundo o USDA, a área total dedicada à agricultura caiu para 353,7 milhões de hectares. O que representa uma redução anual de 1,02 milhão de hectares.

    Mesmo com menos propriedades e menor área produtiva, o tamanho médio das fazendas aumentou para 190 hectares, frente a 189 hectares no ano anterior. O dado evidencia a ampliação da concentração fundiária, que avança à medida que pequenos produtores deixam a atividade e grandes grupos agropecuários expandem sua presença.

    Especialistas apontam que a alta nos custos de produção, as incertezas de mercado e as medidas protecionistas adotadas pelo governo Trump desde 2025 têm pressionado o setor. As tarifas sobre importações e o enfraquecimento das exportações de carne bovina e grãos para mercados como China e México contribuíram para agravamento da crise rural.

    De acordo com o USDA, o número de fazendas nos Estados Unidos já é o menor registrado em mais de 170 anos. Refletindo um movimento estrutural de consolidação e mecanização no campo norte-americano. Estados do Meio-Oeste, como Iowa, Kansas e Nebraska, concentram a maior parte das propriedades e áreas agrícolas do país.

  • Brasil projeta safra recorde de laranja em 2026/27

    Brasil projeta safra recorde de laranja em 2026/27

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) traçou as primeiras projeções para a safra global de laranja 2026/27, revelando um cenário de extremos. Enquanto o Brasil se prepara para uma safra robusta, a produção dos Estados Unidos, especialmente na Flórida, deve permanecer em níveis historicamente baixos.

    Os dados, compilados no relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA, mostram que a produção norte-americana deve continuar próxima das mínimas da série histórica. A estimativa para a Flórida, principal região produtora do país, é de uma safra de apenas 12 milhões de caixas, uma queda de 1,6% em relação ao ciclo anterior.

    Desse total, a variedade Valência, principal matéria-prima para suco, deve responder por 7,5 milhões de caixas. O setor enfrenta um encolhimento drástico da base produtiva: o número de árvores produtivas na Flórida caiu 18% em um ano. Um aumento na produtividade por árvore não será suficiente para reverter o quadro de escassez.

    Brasil na direção oposta com clima e comércio a favor

    Para o Brasil, maior exportador mundial de suco de laranja, o USDA projeta um panorama completamente diferente. A produção nacional de laranja na safra 2026/27 deve atingir 330 milhões de caixas, um crescimento de 3,7% frente à estimativa para 2025/26. A expectativa de condições climáticas mais favoráveis em 2026 impulsiona esta projeção.

    Com maior oferta de fruta, a produção do suco concentrado congelado (FCOJ) no Brasil deve alcançar 1,03 milhão de toneladas, alta de 1,9%.

    O cenário positivo ganha ainda mais força no longo prazo com a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Segundo a CitrusBR, entidade que representa as exportadoras, o setor pode acumular uma economia tarifária de cerca de US$ 320 milhões em um período de cinco anos.

    O impacto será mais rápido para o suco não concentrado (NFC), que deve ter as tarifas eliminadas em até quatro anos. Para o FCOJ, a redução ocorrerá de forma gradual, entre cinco e dez anos, consolidando uma vantagem competitiva duradoura para o produto brasileiro no maior mercado importador mundial.

  • USDA amplia estimativas de oferta e estoques de soja, milho e trigo em 2026

    USDA amplia estimativas de oferta e estoques de soja, milho e trigo em 2026

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado ao divulgar, em 12 de janeiro, o primeiro relatório WASDE de 2026 com fortes revisões de alta na produção e nos estoques de grãos. A Hedgepoint Global Markets analisou o documento e destacou o viés baixista que deve dominar as cotações de soja, milho e trigo nos próximos meses.

    Segundo a consultoria, os ajustes indicam uma oferta mais robusta do que a esperada, tanto nos Estados Unidos quanto em grandes produtores do hemisfério Sul, ampliando o cenário de pressão sobre os preços internacionais.

    Soja: aumento de produção e estoques reforça tendência de baixa

    O USDA elevou a produção norte-americana de soja para 116 milhões de toneladas, acima dos 115,7 milhões estimados em dezembro. A área colhida e a produtividade também subiram, alcançando 3.564 kg/ha.

    Nos estoques, o avanço foi expressivo: os Estados Unidos devem encerrar o ciclo com 9,5 milhões de toneladas, alta de 20,7% em relação ao mês anterior.

    No Brasil, a projeção subiu de 175 para 178 milhões de toneladas, configurando uma oferta global mais ampla. O conjunto desses fatores consolidou o viés baixista para o mercado de soja.

    Milho: revisões reforçam pressão sobre preços

    O relatório também trouxe revisões importantes para o milho. A produção norte-americana agora soma 432,4 milhões de toneladas, ante 425,5 milhões no mês passado. A produtividade média subiu para 11.707 kg/ha, enquanto a área colhida foi revisada para 36,9 milhões de hectares.

    Os estoques finais dos Estados Unidos atingiram 56,6 milhões de toneladas, alta de 9,8%. Os dados indicam que o mercado segue com fundamentos de oferta fortes e tendência de baixa sustentada.

    Trigo: movimentos leves, mas com viés negativo

    No caso do trigo, as alterações foram menores, mas mantêm o sinal de pressão. Os estoques finais norte-americanos subiram para 25,2 milhões de toneladas, enquanto os estoques mundiais chegaram a 278,3 milhões. Ambos acima das expectativas de estabilidade. Mesmo discretos, esses ajustes reforçam um cenário levemente baixista para o cereal.

    Para Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o relatório de janeiro trouxe surpresas relevantes, especialmente para soja e milho. “O aumento inesperado na produção e nos estoques reforça a pressão sobre os preços no curto prazo”, afirma.

    O coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, Luiz Roque, avalia que as revisões indicam fundamentos consistentes de oferta. “Esse quadro deve manter o viés baixista predominante e serve de alerta para produtores e indústrias ajustarem suas estratégias de hedge”, orienta.

  • Brasil ultrapassa EUA e torna-se maior produtor de carne bovina do mundo

    Brasil ultrapassa EUA e torna-se maior produtor de carne bovina do mundo

    O Brasil produziu 12,35 milhões de toneladas da proteína em 2025, enquanto os Estados Unidos registraram 11,81 milhões de toneladas, considerando o peso equivalente carcaça. A diferença de mais de 500 mil toneladas marca a primeira vez que o país ultrapassa os norte-americanos desde o início da série histórica do USDA, iniciada na década de 1960.

    Os dados revelam que o Brasil nunca havia superado os Estados Unidos no ranking de produção desde 2021, período coberto pelo relatório atual. A conquista representa um avanço significativo para o agronegócio brasileiro, que já detinha a liderança mundial nas exportações há mais de duas décadas.

    Projeções para 2026 indicam equilíbrio entre Brasil e EUA

    O cenário competitivo deve se intensificar no próximo ano. Para 2026, os dois países devem produzir praticamente a mesma quantidade de carne. O Brasil deverá fornecer 11,7 milhões de toneladas e os EUA, 11,71 milhões de toneladas, segundo projeções do USDA.

    A expectativa de queda na produção brasileira para 2026 reflete o ciclo natural da pecuária de corte, enquanto os Estados Unidos sofrem com uma baixa histórica no rebanho, que resultou em inflação para a carne dos americanos. Os estoques de gado norte-americanos caíram em janeiro para o nível mais baixo em quase 75 anos.

    Dados brasileiros divergem das estimativas americanas

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou números mais conservadores para a produção nacional. A estimativa brasileira aponta 11,38 milhões de toneladas para 2025, volume inferior aos 12,35 milhões registrados pelo USDA. Mas ainda assim superior ao resultado de 2024.

    Além de assumir a liderança na produção, o Brasil consolidou sua posição no mercado internacional. O país bateu recorde nas exportações em 2025, com 4,25 milhões de toneladas métricas embarcadas, segundo o relatório “Pecuária e Avicultura: Mercados e Comércio Mundial” do USDA.

    A Austrália ocupa a segunda posição no ranking de exportações com 2,18 milhões de toneladas, seguida pela Índia (1,61 milhões) e Estados Unidos (1,17 milhões).

    Crescimento expressivo nas vendas internacionais

    No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o país exportou 3,15 milhões de toneladas de carne bovina, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram embarcadas 2,66 milhões de toneladas. A receita alcançou US$ 16,18 bilhões, avanço de 37,5% na comparação anual.

    Foto: Secom/SC

    O Brasil exportou mais de 357 mil toneladas de carne bovina em outubro de 2025, o maior volume mensal já registrado desde o início da série histórica, em 1997. Isso segundo dados compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

    China lidera demanda pela carne brasileira

    A China permanece como principal mercado comprador da proteína nacional. No acumulado do ano, a China lidera com 1,52 milhão de toneladas e US$ 8,08 bilhões, representando 48,3% do volume e 49,9% da receita total das exportações brasileiras.

    Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 244,5 mil toneladas e US$ 1,46 bilhão, seguidos pela União Europeia, Chile, México, Rússia, Egito, Hong Kong, Filipinas e Arábia Saudita.

    Diversos mercados ampliaram suas compras em 2025, com variações expressivas como Indonésia (alta de 579%), Canadá (96%), México (105%), China (43%) e Rússia (306%), segundo registrou a Abiec.

    Cenário global da produção de carne bovina

    O ranking mundial de produção coloca China em terceiro lugar, com 7,79 milhões de toneladas. Seguida pela União Europeia (6,47 milhões) e Índia (4,63 milhões de toneladas). A produção global totalizou 61,94 milhões de toneladas métricas em 2025.

    A conquista brasileira reflete investimentos em produtividade, condições sanitárias reconhecidas internacionalmente e capacidade de atendimento contínuo aos mercados globais. E consolida o país como potência mundial no setor pecuário.