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  • Cota de açúcar vira novo capítulo da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos

    Cota de açúcar vira novo capítulo da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos

    O governo de Donald Trump condicionou a devolução de uma cota de exportação de açúcar brasileira de quase 60 mil toneladas à apresentação de “propostas comerciais satisfatórias” por parte do Brasil. Caso o país não atenda à exigência, os Estados Unidos ameaçam redistribuir o volume a outros exportadores.

    plantação de cana de açúcar
    Foto: Nilza Patricia Ramos/Embrapa

     

    O subsecretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, fez a declaração durante um simpósio da American Sugar Alliance (Aliança Americana do Açúcar), na última segunda-feira (3). A adida do Ministério da Agricultura na embaixada brasileira em Washington, Ana Lucia Viana, registrou as falas de Vaden em um comunicado urgente enviado a Brasília. A Folha obteve o documento, que a equipe do Agro em Campo confirmou.

    Como funciona a cota americana de açúcar

    Os EUA abrem anualmente uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de açúcar bruto de cana, com base em compromissos assumidos junto à OMC (Organização Mundial do Comércio). Uma tarifa reduzida incide sobre o volume que entra no país dentro desse montante, enquanto uma barreira de aproximadamente US$ 340 por tonelada afeta o que fica de fora. Um obstáculo que, segundo o setor, compromete fortemente a competitividade do produto brasileiro.

    Ao anunciar as cotas para o próximo ciclo, a gestão Trump reduziu a parcela destinada ao Brasil de 155,9 mil toneladas para 100 mil toneladas, uma queda de 35,9%.

    Brasil pode recuperar volume ou perdê-lo para concorrentes

    Segundo o relato da representante do Ministério da Agricultura, Vaden afirmou durante o evento que o volume retirado do Brasil poderá retornar ao país, mas apenas mediante propostas comerciais consideradas satisfatórias pelos EUA. Na ausência de um entendimento, as 55.993 toneladas métricas em valor bruto poderão ir para outros países.

    O relatório da diplomata brasileira destaca que a coincidência exata entre o volume reduzido da cota brasileira. E a quantidade ainda não alocada reforça a percepção de que o governo americano usa a medida como instrumento de negociação comercial.

    No mesmo documento, a funcionária da Agricultura afirma ter procurado o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) para saber se o corte era permanente ou se haveria possibilidade de recomposição, ainda que parcial. Ela argumentou ao USTR que o Brasil preencheu integralmente a cota atual de quase 160 mil toneladas. Portanto, demonstra capacidade de fornecimento, confiabilidade e demanda por parte da indústria americana. O lado americano, segundo o relato, não forneceu detalhes adicionais aos já anunciados publicamente.

    Etanol pode entrar na negociação

    O comunicado da adida agrícola não especifica o que constituiria uma proposta comercial satisfatória para os EUA. Washington, porém, pressiona o Brasil há anos para reduzir a tarifa de 18% cobrada sobre a compra de etanol americano.

    De acordo com levantamento da Unica, que representa o setor, competitividade do biocombustível está no maior nível desde 2018 (Foto: Divulgação/Agência GOV)

    O governo Lula já sinalizou que aceitaria discutir a redução dessa barreira caso os EUA incluíssem nas conversas uma abertura comercial para o açúcar. Mas as partes nunca fecharam acordo nesse ponto.

    O Ministério da Agricultura e o Departamento de Agricultura dos EUA não responderam até a publicação desta reportagem aos questionamentos do Agro em Campo.

    Novas cotas entram em vigor em outubro

    As novas cotas tarifárias americanas vigorarão a partir de outubro, com duração de um ano. A República Dominicana recebeu o maior volume, com cerca de 189 mil toneladas de açúcar de cana em condições mais vantajosas, seguida pelas Filipinas, com 145 mil toneladas. O Brasil ficou com a terceira maior alocação.

    No ano passado, o Brasil exportou 292,4 mil toneladas de açúcar bruto para os EUA, segundo dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia). Produtores do Nordeste preenchem a cota, enquanto o Sudeste, com colheita mais mecanizada, fornece a maior parte do volume exportado acima dela.

    A tarifa aplicada às exportações fora da cota já dificultava o acesso do açúcar brasileiro ao mercado americano. E a situação piorou com os sucessivos tarifaços que Trump impôs ao Brasil. Além dos US$ 340 por tonelada, o produto que entra no mercado americano fora da cota também enfrenta sobretaxas cumulativas de 37,5%, aplicadas com base em duas investigações comerciais conduzidas pelo USTR. O volume dentro da cota, por sua vez, paga uma tarifa extra de 25%, referente a uma das apurações do USTR.

    Corte se soma a crise diplomática entre Brasil e EUA

    A ameaça de Vaden representa mais um capítulo da crise diplomática e comercial entre os governos Lula e Trump. E que foi agravada pela revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Semanas antes, o governo Lula havia negado vistos a funcionários do Departamento de Estado que, segundo auxiliares do petista, pretendiam interferir nas eleições brasileiras. O Itamaraty também não autorizou o início da missão em Brasília de Daniel Perez, embaixador indicado por Trump.

    No campo comercial, os EUA impuseram ao Brasil, no ano passado, um tarifaço de até 50%, sob a justificativa de que o governo Lula e o Judiciário promoviam uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Suprema Corte dos EUA declarou ilegal a maior parte dessas sobretaxas. Mas Trump impôs novas sanções, de 25% e 12,5% em julho, agora amparadas pelo USTR.

    Questionada sobre o tema, a Unica classificou o Brasil como parceiro confiável para os EUA, capaz de assegurar um fornecimento regular e consistente de açúcar de alta qualidade. A entidade afirmou esperar que as tratativas avancem de forma construtiva. Assim, evitando a adoção de medidas que criem novas barreiras ao comércio entre os dois países.

  • Etanol garante economia de quase R$ 80 por tanque

    Etanol garante economia de quase R$ 80 por tanque

    O etanol hidratado atingiu a maior vantagem econômica em relação à gasolina desde 2018. A diferença de preços ampliou a competitividade do biocombustível e aumentou a economia para os consumidores brasileiros.

    Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o litro do etanol foi vendido, em média, a R$ 3,70 em São Paulo na última semana. Já a gasolina chegou a R$ 6,39 por litro.

    Segundo cálculos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), considerando o rendimento médio do etanol equivalente a 73% do da gasolina, o preço de equilíbrio do biocombustível seria de R$ 5,07 por litro.

    Na prática, a diferença representa uma economia de R$ 1,32 por litro abastecido. Em um tanque de 60 litros, a vantagem pode chegar a aproximadamente R$ 79.

    Etanol registra maior vantagem em oito anos

    De acordo com a Unica, esta é a maior vantagem econômica do etanol desde 2018. O resultado também representa a segunda melhor marca desde o início da série histórica da ANP, iniciada em 2013.

    A competitividade do combustível renovável não está restrita a São Paulo.

    Levantamento da ANP aponta que todos os municípios pesquisados nos principais estados produtores apresentaram vantagem econômica para o etanol:

    • São Paulo
    • Paraná
    • Goiás
    • Mato Grosso
    • Mato Grosso do Sul
    • Minas Gerais

    Em São Paulo, a relação entre os preços ficou em 57,9%. O índice está bem abaixo da faixa entre 70% e 73%, considerada referência para que o etanol seja financeiramente mais vantajoso.

    Já em Mato Grosso, a paridade chegou a 55%. No estado, o etanol foi comercializado a R$ 3,74 por litro, enquanto a gasolina atingiu R$ 6,80.

    Cenário internacional favorece o biocombustível

    Segundo a Unica, a diferença de preços ganha ainda mais relevância diante das oscilações do mercado internacional de petróleo.

    Com maior participação do etanol na matriz energética, o consumidor brasileiro reduz a exposição às variações externas que costumam impactar os combustíveis fósseis.

    “O aumento da participação do etanol na matriz energética representa uma alternativa eficiente para substituir combustível fóssil, importado e mais caro pelo biocombustível produzido domesticamente, com geração de renda, emprego, economia ao consumidor e menores emissões de gases de efeito estufa”, afirma Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial e Regulação da Unica.

    Mistura E32 reforça uso do etanol

    A entidade também relaciona a maior competitividade do combustível à entrada em vigor da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina, conhecida como E32.

    A medida passou a valer em 1º de agosto e está prevista na Lei do Combustível do Futuro.

    Segundo estimativas do setor, a ampliação da mistura poderá reduzir entre 800 milhões e 1 bilhão de litros por ano a necessidade de importação de gasolina pelo Brasil.

    Dados da ANP mostram que o país importou cerca de 3,5 bilhões de litros de gasolina em 2025.

    Benefícios para o agronegócio e para o consumidor

    Na avaliação da Unica, a expansão do etanol fortalece a segurança energética nacional ao ampliar o uso de um combustível renovável produzido no Brasil.

    Além de reduzir a dependência de derivados de petróleo importados, a medida ajuda a amortecer os efeitos das oscilações internacionais nos preços dos combustíveis.

    Com preços mais competitivos e maior participação na matriz energética brasileira, o etanol reforça seu papel como uma das principais alternativas para reduzir custos de abastecimento e fortalecer o agronegócio nacional.

  • Novo acordo assegura transparência no pagamento da cana-de-açúcar

    Novo acordo assegura transparência no pagamento da cana-de-açúcar

    Num dia que pode marcar um novo começo para o setor sucroenergético, as principais entidades do agro se reuniram em Piracicaba para fechar um acordo que promete acalmar os ânimos no campo. A AFOCAPI, ASSOCAP, CANASOL e a UNICA assinaram, nesta segunda (24), um Memorando de Entendimentos que praticamente sela a paz nos critérios de remuneração da cana-de-açúcar.

    Foto: Coplacana

    A cerimônia, realizada no Centro Canagro “José Coral”, não foi só um evento protocolar. Foi a confirmação de uma virada de página. Lá, líderes do setor e autoridades governamentais testemunharam o fim de uma era de possíveis conflitos sobre como calcular o que o produtor realmente merece receber.

    Do papel para o bolso: o que muda na prática

    A grande vitória desse memorando é a padronização. A partir de agora, não haverá mais espaço para dúvidas ou metodologias paralelas no cálculo de dois indicadores cruciais: o ATR (Açúcar Total Recuperável) e o VTC (Valor da Tonelada de Cana). As entidades vão divulgar os valores em conjunto, criando uma referência única e transparente para toda a cadeia.

    “Isso aqui é um marco de maturidade”, comemorou Evandro Gussi, presidente da UNICA. “Garantimos, de forma conjunta, que produtores e indústrias falem a mesma língua na hora de fechar a conta. É previsibilidade e segurança jurídica na veia.”

    E os efeitos são imediatos. O acordo assegura a manutenção da metodologia de cálculo que o setor já conhece, evitando surpresas desagradáveis. Um dos pontos mais aguardados, o ajuste para produtores elegíveis (o VTC-e), já tem data para entrar em cena: a safra 2025/2026, claro, respeitando as negociações individuais de cada um.

    Para blindar a credibilidade técnica de todo o processo, o CEPEA/USP-ESALQ mantem seu papel de “árbitro confiável”. A entidade continua responsável por apurar e divulgar os indicadores de preços, com total autonomia. O acordo também deixa a porta aberta para que outras associações de produtores, que queiram jogar pelo mesmo livro de regras, possam aderir no futuro.

    A mensagem que fica é clara: o setor aprendeu que a união é o melhor caminho para gerar negócios previsíveis e relações mais transparentes. E no final do dia, quem ganha é todo mundo que faz a bioenergia brasileira girar.

  • UNICA e CETESB unem forças por energia limpa

    UNICA e CETESB unem forças por energia limpa

    A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) firmaram, nesta terça-feira (4), um acordo de cooperação técnica que inaugura uma nova etapa de modernização regulatória, qualificação profissional e eficiência ambiental no setor sucroenergético paulista.

    A assinatura ocorreu durante o Summit Agenda SP + Verde, promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). Com isso, o acordo representa um avanço estratégico para fortalecer a segurança jurídica, incentivar a economia circular e acelerar a transição energética no estado.

    Regulação e inovação ambiental

    O documento estabelece uma agenda conjunta voltada à atualização técnica e à revisão de parâmetros ambientais, de modo a modernizar a gestão de resíduos da produção de etanol e açúcar. Além disso, a iniciativa busca ampliar o uso de biomassa como fonte renovável de energia, promovendo práticas de reaproveitamento industrial e fortalecendo a cadeia verde.

    Segundo Evandro Gussi, presidente da UNICA, a modernização regulatória reforça o papel do setor na economia de baixo carbono. “A produção sustentável de energia renovável pela cadeia sucroenergética tem ganhado novos contornos, com a ampliação dos energéticos extraídos da biomassa e a intensificação de práticas de economia circular, com o uso da vinhaça, da torta de filtro e, no futuro, o aproveitamento de resíduos de outros setores.”

    As diretrizes em construção tratam, por exemplo, do uso eficiente da vinhaça e das águas residuárias, bem como da definição de parâmetros técnicos para o emprego de Combustível Derivado de Resíduos (CDR) em caldeiras industriais. Desse modo, o acordo busca fortalecer o reaproveitamento de subprodutos, estimular o uso de biofertilizantes e apoiar iniciativas que convertam resíduos em energia limpa.

    Formação técnica e segurança regulatória

    Além da revisão regulatória, o acordo também avança na formação e capacitação profissional. Em parceria com a UNICA, a Escola Superior da CETESB lançará um curso de licenciamento ambiental voltado a engenheiros, gestores e técnicos do setor.

    A primeira turma deve reunir mais de 80 participantes. Assim, o projeto evidencia a forte demanda por atualização técnica e segurança regulatória. Para Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, o interesse demonstra o engajamento do setor com a agenda sustentável. “A rápida adesão ao programa reflete a confiança do setor no diálogo técnico com a CETESB. A capacitação das equipes é fundamental para fortalecer o modelo de desenvolvimento de baixo carbono e impulsionar a transição energética.”

    Cooperação e acompanhamento técnico

    Para Thomaz Toledo, diretor-presidente da CETESB, a parceria simboliza uma nova etapa de diálogo entre o órgão ambiental e a indústria. “O setor sucroenergético é uma peça-chave na transição energética do estado de São Paulo. Essa parceria é um marco no diálogo entre a CETESB e a indústria. Com isso podemos estabelecer mecanismos mais modernos, seguros e alinhados com as práticas internacionais de economia circular.”

    O acordo terá vigência inicial de 12 meses, podendo ser prorrogado. Além disso, a execução será acompanhada por um Comitê Técnico de Cooperação, composto por especialistas das duas instituições, responsável por supervisionar as entregas, propor planos de trabalho e monitorar resultados.

    Dessa forma, a iniciativa consolida um modelo de governança ambiental mais eficiente e colaborativo, reforçando o protagonismo do estado de São Paulo na transição energética e no desenvolvimento de soluções sustentáveis para o futuro do agro.

  • Setor sucroenergético brasileiro mira expansão global durante feira

    Setor sucroenergético brasileiro mira expansão global durante feira

    A 31ª Fenasucro & Agrocana abriu suas portas nesta terça-feira (12) em Sertãozinho, interior de São Paulo. A maior feira mundial de bioenergia reúne mais de 600 marcas expositoras. Visitantes de 60 países participam do evento, que deve superar os R$ 10,7 bilhões em negócios da edição anterior.

    Paulo Montabone, diretor da feira, destacou a relevância global do evento. “Este ano, a Fenasucro & Agrocana deve ser a melhor dos últimos cinco anos. O Brasil se consolida como protagonista mundial em bioenergia e biocombustíveis”, afirmou o executivo.

    Indústria de base impulsiona transição energética

    A presidente do CEISE Br, Rosana Amadeu, enfatizou a importância da indústria de base. “Sem essa indústria forte e inovadora, não existiria transição energética sólida. Ela garante competitividade em toda a cadeia”, declarou. O evento conecta fornecedores, prestadores de serviço, centros de pesquisa e mercado consumidor.

    O ministro Márcio França representou o Governo Federal na cerimônia. Ele destacou o papel da feira na promoção do etanol e da energia limpa. O secretário Guilherme Piai, que representou o governador Tarcísio de Freitas, citou a “revolução energética” em São Paulo. O estado desenvolve projeto de biometano em Presidente Prudente. A iniciativa vai abastecer mais de 5 mil residências, 50 comércios e oito indústrias.

    Alckmin aposta no “combustível do futuro”

    O vice-presidente Geraldo Alckmin enviou mensagem por vídeo. Ele reafirmou o compromisso de buscar novos mercados para o “combustível do futuro”. China e Japão aparecem como destinos estratégicos. Alckmin também mencionou as Rotas de Combustível Sustentável de Aviação (SAF). O programa Carro Sustentável zera o IPI para veículos compactos de alta eficiência energética fabricados no Brasil.

    Foto: WTF Estúdio/Divulgação

    A UDOP e o Senai-SP assinaram protocolo de intenções durante a solenidade. A parceria visa executar o Programa de Formação Profissional e Serviços de Tecnologia e Inovação. O objetivo é qualificar mão de obra e acelerar a adoção de tecnologias no setor.

    Brasil lidera matriz energética limpa mundial

    Na 12ª Conferência DATAGRO Ceise Br Fenasucro, especialistas destacaram o protagonismo brasileiro. Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, lembrou o diferencial do país para a COP30. “O Brasil atinge um marco extraordinário: 50% da oferta interna de energia é renovável. É o país com a maior proporção de matriz energética limpa”, afirmou.

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    O deputado federal Arnaldo Jardim defendeu a bioenergia como prioridade nacional. “A transição energética é a bandeira que o Brasil precisa. Temos muito a mostrar ao mundo no biometano, biocombustíveis e combustível sustentável da aviação”, disse o parlamentar. Ele destacou que os combustíveis brasileiros podem ter pegada negativa, absorvendo carbono.

    Setor busca maior rentabilidade

    A programação matinal trouxe painel da Canaoeste sobre rentabilidade do setor sucroenergético. José Guilherme Nogueira (ORPLANA) e Antônio Eduardo Tonielo Filho (UNICA) defenderam maior integração entre produtores e usinas.

    Os especialistas debateram custos invisíveis e impactos externos. A safra 2025/2026 deve processar 594 milhões de toneladas de cana. O evento também entregou certificados do programa CanaoesteGreen.

    A feira segue até sexta-feira (15) com mais de 100 horas de conteúdo técnico. Os painéis estratégicos abordam transição energética, mobilidade de baixo carbono, biocombustíveis e energias renováveis. O evento consolida o Brasil como referência mundial no setor de bioenergia.

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  • Açúcar: entrega em março impulsiona volatilidade no mercado

    Açúcar: entrega em março impulsiona volatilidade no mercado

    O mercado de açúcar registrou uma entrega recorde de 1,7 milhão de toneladas em março, superando as expectativas e impulsionando a volatilidade nos preços. Apesar do relatório da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) vir em linha com as projeções, fatores externos e a antecipação do vencimento do contrato de março influenciaram o cenário.

    O Centro-Sul moeu apenas 245 mil toneladas de cana, produzindo 7 mil toneladas de açúcar e 381 milhões de litros de etanol. São volumes menores que em 2023/24, típicos da entressafra. Segundo Luciano Rodrigues, diretor da UNICA, a maior produção de etanol, tanto de cana quanto de milho, reduz os riscos de oferta no mercado interno. Portanto, reforçando a projeção de uma safra açucareira robusta em 2025/26. E indicando uma possível tendência de queda nos preços do açúcar no médio prazo.

    De acordo com Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, a volatilidade da semana passada foi causada pela antecipação do vencimento do contrato de março e por um cenário externo adverso, com queda no complexo energético e um dólar mais forte.

    O contrato de maio deve ser monitorado de perto. A oferta no Brasil ficou mais restrita e deve continuar a diminuir com o fim da entressafra. A produção de açúcar na Índia e na Tailândia está abaixo das expectativas, o que ajuda a sustentar os preços no curto prazo.

    Índia e Tailândia

    A produção de açúcar na Índia está 14% abaixo da temporada passada (total de 21,9Mt até 28 de fevereiro). Isso que pode resultar em um déficit global maior para 2024/25. Na Tailândia, a expectativa de produção foi revisada para 10,5Mt devido a condições climáticas adversas, limitando suas exportações.

    O início da safra do Centro-Sul brasileiro pode ser lento ou sofrer atrasos, oferecendo suporte ao contrato de maio. No entanto, se a demanda estiver confortável em esperar a próxima safra brasileira, essa recuperação nos preços pode ser mais lenta. Por exemplo, a Indonésia ainda não decidiu quando importará os 200kt aprovados, enquanto dados da China mostram que as importações, até dezembro do ano passado, caíram 36% para o açúcar e 24% se incluídas estimativas de xarope e contrabando.

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  • Brasil bate recorde de oferta de etanol em 2024

    Brasil bate recorde de oferta de etanol em 2024

    O Brasil registrou a maior oferta de etanol da história em 2024, com 36,83 bilhões de litros produzidos. Ou seja, o volume, divulgado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), supera em 4,4% a produção de 2023. Do total, 7,7 bilhões de litros vieram do milho, um crescimento de 32,8% em comparação ao ano anterior. Em resumo, esses resultados reafirmam o Brasil como o segundo maior produtor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.

    A UNICA também destacou a competitividade do etanol em 2024. A paridade de preços do etanol hidratado em relação à gasolina C foi de 65,3%, a melhor registrada desde 2010. Ao mesmo tempo, o consumo de combustíveis no Brasil totalizou 59,3 bilhões de litros pela frota de veículos leves. O consumo de etanol hidratado subiu 5,4 bilhões de litros no período.

    Etanol como solução sustentável

    Evandro Gussi, presidente da UNICA, ressaltou o papel do etanol no combate às mudanças climáticas. “O etanol oferece uma solução tecnológica para uma mobilidade sustentável. Ele pode ser usado puro ou misturado à gasolina, reduzindo emissões de gases que agravam o efeito estufa e gerando economia aos consumidores”, afirmou.

    O setor bioenergético também avançou em 2024 com a sanção de leis como o Combustível do Futuro, o Mover, o Paten, a reforma tributária e o aperfeiçoamento do RenovaBio. “Essas medidas do Congresso e do Governo Federal representam um avanço importante rumo à economia de baixo carbono”, destacou Gussi.

    Campanha Vai de Etanol reforça consumo consciente

    A segunda fase da campanha #Vai de Etanol, lançada pela UNICA, busca educar e incentivar o consumo consciente do biocombustível. Estrelada por Tadeu Schmidt, a campanha segue o lema: “É bom para todo mundo e pro mundo todo também”. Os pilares da iniciativa são Sustentabilidade, Biocombustíveis, Brasil e Motor.

    Schmidt entrevista especialistas para explicar os benefícios do etanol para o carro, o bolso, o meio ambiente e a economia brasileira. A campanha inclui conteúdos educativos em várias mídias e convida o público a refletir sobre o impacto positivo do biocombustível.

    “Queremos mostrar que o Brasil já possui uma solução viável para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O etanol é um ativo sustentável que fortalece a indústria e movimenta o mercado interno”, explicou Gussi.

    Impactos ambientais e econômicos

    Desde o lançamento da tecnologia flex no Brasil, mais de 710 milhões de toneladas de CO2eq deixaram de ser emitidas. Portanto, essa redução equivale ao plantio de cinco bilhões de árvores nativas mantidas por 20 anos. Além disso, os brasileiros economizaram cerca de R$ 130 bilhões com o uso do etanol desde 2003.

    Ou seja, esses números reforçam o protagonismo do etanol como alternativa sustentável, que combina benefícios ambientais, econômicos e sociais.

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  • Moagem de cana cresce 2,46% em setembro no Centro-Sul

    Moagem de cana cresce 2,46% em setembro no Centro-Sul

    As usinas do Centro-Sul do Brasil processaram 42,93 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de setembro. Ou seja, o volume representa um crescimento de 2,46% em relação às 41,90 milhões de toneladas registradas na safra 2023/2024. Em resumo, no acumulado da safra 2024/2025, até 16 de setembro, a moagem atingiu 466,26 milhões de toneladas, frente a 448,55 milhões de toneladas no mesmo período do ciclo anterior.

    Atualmente, 259 unidades permanecem em operação na região, sendo 240 dedicadas à cana-de-açúcar, nove ao etanol de milho e dez usinas flex. Apenas uma unidade encerrou a moagem na primeira quinzena de setembro, enquanto nenhuma havia interrompido a operação na mesma data do ciclo anterior.

    Qualidade da matéria-prima

    O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançou 159,52 kg por tonelada de cana na primeira quinzena de setembro. Ou seja, o valor representa um aumento de 3,98% em comparação com os 153,41 kg por tonelada registrados na safra passada. No acumulado da safra, o índice de ATR é de 139,35 kg por tonelada, uma variação positiva de 0,43%.

    Produção de açúcar e etanol

    A produção de açúcar somou 3,123 milhões de toneladas na primeira quinzena de setembro, praticamente o mesmo volume do ano anterior. Desde o início da safra até 16 de setembro, a fabricação totalizou 30,29 milhões de toneladas, 3,49% a mais do que no ciclo anterior. A proporção de cana destinada ao açúcar caiu para 47,86%, ante 51,04% na mesma quinzena da safra anterior, devido à qualidade da matéria-prima.

    Segundo Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, o teor de sacarose por tonelada foi semelhante ao ciclo passado, apesar do aumento de 6 kg de ATR por tonelada. Além disso, ele destaca que a queda de pureza do caldo e fatores climáticos adversos influenciaram os resultados.

    A produção de etanol pelas usinas do Centro-Sul alcançou 2,43 bilhões de litros na primeira metade de setembro. Desse total, 1,60 bilhão corresponde a etanol hidratado (+26,66%) e 833,77 milhões a etanol anidro (-3,90%). No acumulado da safra, foram produzidos 22,95 bilhões de litros de etanol, alta de 8,15%. A produção de etanol de milho subiu 17,78%, totalizando 336,06 milhões de litros na primeira quinzena de setembro.

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    Vendas de etanol

    As vendas de etanol no mercado interno cresceram 0,70% na primeira quinzena de setembro, atingindo 1,32 bilhão de litros. O volume de etanol hidratado vendido foi de 811,22 milhões de litros, um aumento de 2,04%. Já o etanol anidro registrou vendas de 475,50 milhões de litros, avanço de 3,64%.

    Desde o início da safra 2024/2025, as vendas de etanol no Centro-Sul somam 16,21 bilhões de litros, crescimento de 16,76% em relação ao ciclo anterior. O volume de etanol hidratado vendido totalizou 10,52 bilhões de litros, uma alta de 32,61%, enquanto o etanol anidro somou 5,69 bilhões de litros, uma queda de 4,37%.

    Mercado de CBios

    Os produtores de biocombustíveis emitiram 30,03 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) até 23 de setembro. Em resumo, o estoque disponível para negociação totaliza 29,60 milhões de créditos. Portanto, o diretor da UNICA afirma que, considerando os créditos aposentados, já foram alcançados 86% da meta estabelecida para o ano.

     

  • Orplana e UNICA rebatem declarações sobre queimadas

    Orplana e UNICA rebatem declarações sobre queimadas

    Em entrevista ao programa Especial de Domingo, exibido no último domingo pela GloboNews, Luciana Gatti, coord. Do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), levantou questionamentos sobre os prejuízos causados pelas queimadas aos produtores de cana-de-açúcar. Durante sua fala, Gatti afirmou que o uso de fogo nas lavouras ainda é uma prática comum no setor durante a colheita.

    A UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), entidade que representa o setor sucroalcooleiro, condenou veementemente as declarações de Gatti. Em comunicado, a UNICA solicitou direito de resposta à GloboNews, o qual foi concedido e exibido no programa GloboNews Mais do dia 16.

    “É lamentável que uma pessoa, desconhecendo a realidade do plantio e manejo da cana-de-açúcar, venha a público disseminar inverdades sobre um setor reconhecido globalmente por suas práticas sustentáveis. E também pela redução de emissões de gases de efeito estufa”, afirmou a UNICA em nota oficial.

    A repercussão do caso demonstra a preocupação do setor com a preservação de sua imagem frente à sociedade. Ressaltando o compromisso com a sustentabilidade e o cumprimento de normas ambientais rigorosas. O setor sucroalcooleiro busca se posicionar como um exemplo de boas práticas agrícolas e de mitigação dos impactos ambientais.

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    Outra entidade que se manifestou contra a fala foi a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA), que enviou uma nota oficial de repudio a fala, considerada irresponsável e infundada.

    Leia a nota abaixo

     A ORPLANA (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil) repudia veemente a declaração feita pela coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Luciana Gatti, durante o programa Especial de Domingo, exibido pela Globo News, no dia 15 de setembro. As informações apresentadas por ela durante a reportagem sobre a ‘Crise Climática: Fogo, seca e calor atingem o Brasil’ são falsas e infundadas. Demonstram, inclusive, profundo desconhecimento sobre o tema.

     Com a máxima ênfase, a ORPLANA reitera que toda a cadeia de produção da cana-de-açúcar está firmemente comprometida com a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente. Este compromisso é evidenciado pelo rigoroso cumprimento das diretrizes estabelecidas pelo Protocolo Agroambiental – Etanol Mais Verde. Que inclui a proibição do uso de fogo na colheita de cana no Estado de São Paulo desde 2017.

     A ORPLANA, que atualmente representa 35 associações de fornecedores de cana e mais de 12 mil produtores de cana-de-açúcar, também reafirma seu compromisso com práticas agrícolas responsáveis e ambientalmente sustentáveis.

     É também de imensa irresponsabilidade, da parte da coordenadora do INPE, acusar a cadeia produtiva da cana-de-açúcar de se beneficiar em um contexto tão crítico e caótico. Uma injúria que contribui para a desinformação em um momento delicado e cujo foco deveria ser a resolução deste grave problema. 

     “As queimadas prejudicam o meio ambiente, a segurança das pessoas e também a rentabilidade dos produtores rurais. Toda a cadeia de produção da cana-de-açúcar está mobilizada contra os incêndios e comprometida com a preservação do meio ambiente”. Afirma o CEO da ORPLANA, José Guilherme Nogueira. “Continuaremos a trabalhar em prol da transparência, mantendo nosso foco na qualidade e sustentabilidade do setor”, conclui.

  • Moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul avança 12,99% na segunda quinzena de junho

    Moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul avança 12,99% na segunda quinzena de junho

    Na segunda quinzena de junho, as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 48,80 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Um aumento de 12,99% em comparação com a safra 2023/2024, quando foram moídas 43,19 milhões de toneladas no mesmo período.

    No acumulado desde o início da safra 2024/2025 até 1º de julho, a moagem atingiu 238,40 milhões de toneladas. Foram 210,48 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo 2023/2024 – um avanço de 13,27%.

    Segundo Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA “o avanço de moagem registrado até o momento está relacionado à antecipação de início das operações nos primeiros meses da safra. Especialmente, à condição climática que tem favorecido a colheita no atual ciclo”.

    Ao término da segunda metade de junho, 256 unidades estavam em operação no Centro-Sul. 238 unidades com processamento de cana-de-açúcar, nove empresas que fabricam etanol a partir do milho e nove usinas flex.

    O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) registrado na segunda quinzena de junho atingiu 139,96 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, contra 133,10 kg por tonelada na safra 2023/2024 – variação positiva de 5,16%.

    No acumulado da safra, o indicador marca 128,31 kg de ATR, o mesmo índice registrado no ciclo anterior em igual posição.

    Produção de açúcar e etanol

    A produção de açúcar na segunda quinzena de junho totalizou 3,25 milhões de toneladas, registrando aumento de 20,11% na comparação com a quantidade registrada em igual período na safra 2023/2024 (2,70 milhões de toneladas).

    No acumulado desde o início da safra até 1º de julho, a fabricação do adoçante totalizou 14,20 milhões de toneladas, contra 12,27 milhões de toneladas do ciclo anterior (+15,70%).

    Ainda segundo Rodrigues, “até o momento o crescimento da fabricação do adoçante atingiu 1,93 milhões de toneladas. 1,63 milhões decorre do avanço na moagem de cana-de-açúcar e apenas 300 mil toneladas associada à mudança no mix de produção das unidades produtoras”.

    Na segunda metade de junho, a fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 2,31 bilhões de litros.  Destes, 1,42 bilhão de litros (+32,84%) de etanol hidratado e 887,96 milhões de litros (+1,06%) de etanol anidro.

    No acumulado desde o início do atual ciclo agrícola até 1º de julho, a fabricação do biocombustível totalizou 11,02 bilhões de litros (+13,52%), sendo 7,06 bilhões de etanol hidratado (+27,27%) e 3,96 bilhões de anidro (-4,83%).

    Vendas de etanol crescem 10,95% em junho

    No mês de junho, as vendas de etanol totalizaram 2,84 bilhões de litros. Isso representa uma variação positiva de 10,95% em relação ao mesmo período da safra 2023/2024.

    O etanol hidratado registrou crescimento de 27,84% (1,81 bilhão de litros), enquanto o anidro apresentou queda de 10,02% no volume comercializado (1,03 bilhão de litros).

    No mercado interno, o volume de etanol hidratado vendido pelas unidades do Centro-Sul totalizou 1,77 bilhão de litros em junho deste ano. Um aumento de 33,95% em relação ao mesmo período da safra anterior.

    A venda mensal de etanol anidro atingiu a marca de 978,52 milhões de litros, retração de 10,10%.

    No acumulado desde o início da safra até 1º de julho, a comercialização de etanol pelas unidades do Centro-Sul somou 8,65 bilhões de litros, registrando crescimento de 22,13%.