Tag: União Europeia

  • Exportações do agronegócio batem recorde em fevereiro

    Exportações do agronegócio batem recorde em fevereiro

    As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 12,05 bilhões em fevereiro de 2026, marcando o melhor resultado da série histórica para o mês, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O desempenho responde por 45,8% de todas as vendas externas do Brasil no período e garantiu superávit de US$ 10,5 bilhões na balança comercial do setor.

    Em relação a fevereiro de 2025, o avanço foi de 7,4%, impulsionado principalmente pelo aumento de 9% no volume exportado. A alta reflete o esforço conjunto do Mapa com instituições governamentais e o setor privado para ampliar e diversificar mercados do agro brasileiro.

    Apesar do crescimento expressivo em volume, o preço médio dos produtos exportados caiu 1,5%, acompanhando o movimento de queda nos índices globais de alimentos medidos por organismos como o Banco Mundial e a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura).

    As importações de produtos agropecuários somaram US$ 1,5 bilhão, retração de 9,1% na comparação anual, reforçando o saldo positivo das exportações.

    China segue como principal parceira

    A China manteve a liderança entre os destinos, com US$ 3,6 bilhões em compras do agro brasileiro (30,5% do total). Na sequência vieram a União Europeia (US$ 1,8 bilhão; 15,2%) e os Estados Unidos (US$ 802,9 milhões; 7%).

    Outros países asiáticos também ampliaram suas importações. O Vietnã comprou US$ 372,6 milhões (+22,9%), e a Índia destacou-se com US$ 357,3 milhões (+171,1%), ocupando o 4º e 5º lugares no ranking dos principais importadores do agro nacional.

    Mercados como Turquia, Egito, México, Tailândia, Reino Unido e Filipinas também registraram altas expressivas em suas compras de produtos brasileiros.

    Soja, carnes e café puxam exportações

    Entre os setores que mais contribuíram para o resultado, o complexo soja liderou com US$ 3,78 bilhões (31,4% do total e alta de 16,4%). As proteínas animais vieram em seguida, somando US$ 2,7 bilhões (+22,5%).

    Os produtos florestais, o café e o complexo sucroalcooleiro completam a lista dos principais grupos exportadores, com participações de 10,5%, 9,3% e 7,1%, respectivamente.

    Além dos produtos tradicionais, o agronegócio brasileiro também se destacou com o crescimento de itens de nicho, como:

    • Óleo essencial de laranja: US$ 47,8 milhões (+28,8%)
    • DDG de milho: US$ 36,2 milhões (+164,2%)
    • Farinhas e extratos de carne: US$ 20,1 milhões (+10,5%)
    • Manteiga e gordura de cacau: US$ 17,2 milhões (+25,9%)
    • Óleo de milho: US$ 15,9 milhões (+49,5%)

    Governo destaca ampliação de mercados

    De acordo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o resultado mostra a força do aumento produtivo do país. “O Brasil caminha para uma safra recorde e reforça sua capacidade de atender à demanda global com regularidade, qualidade e confiança”, afirmou.

    Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou o avanço na agenda de acesso a mercados. “Foram nove novas aberturas em fevereiro e 544 desde o início de 2023. O Brasil não apenas aumenta a oferta, mas também suas oportunidades de comércio”, disse.

  • Sustentabilidade e comunicação guiam o agro brasileiro no acordo com a União Europeia

    Sustentabilidade e comunicação guiam o agro brasileiro no acordo com a União Europeia

    A reputação do agronegócio brasileiro e a estratégia de comunicação internacional dominaram o debate sobre o acordo comercial entre Brasil e União Europeia, tema central do encontro ABMRA Ideia Café. O evento foi promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) em 27 de fevereiro. O evento reuniu autoridades e especialistas para discutir como o país pode usar dados e sustentabilidade para fortalecer sua imagem em um dos mercados mais exigentes do mundo.

    O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Luis Rua, destacou que o bloco europeu reúne mais de 450 milhões de consumidores, soma um PIB de cerca de US$ 20 trilhões e responde por 14% das importações globais de produtos agropecuários. Segundo ele, consolidar a presença brasileira nesse mercado é fundamental tanto pelo volume de negócios quanto pela influência da União Europeia nas normas internacionais de comércio.

    “A União Europeia é um mercado extremamente relevante, não só pelo tamanho, mas pelo poder aquisitivo e pelo grau de exigência regulatória”, afirmou Rua. Ele também ressaltou que o acordo dá mais previsibilidade, reduz tarifas de forma gradual e fortalece a inserção do Brasil em um ambiente comercial mais estável e transparente.

    O secretário reforçou que o tratado não modifica os padrões sanitários já praticados pelo país. “Exportamos para a União Europeia há mais de 40 anos cumprindo todas as exigências”, lembrou.

    Reputação do agro

    Além dos aspectos comerciais, o debate mostrou que o cumprimento de regras ambientais, de rastreabilidade e bem-estar animal pode se transformar em ativo de reputação para o Brasil. “A imagem se constrói com dados concretos, não com apresentações”, afirmou Rua. Ele defendeu que o país deve mostrar resultados, corrigir percepções equivocadas e sustentar o discurso de sustentabilidade com números verificáveis.

    Presidente da ABMRA Ricardo Nicodemos e Secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Luis Rua. Foto: ABMRA

    Entre os dados apresentados, destacou-se o potencial brasileiro de recuperar 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, uma área superior ao território da Alemanha. O número reforça que o país pode expandir sua produção agrícola sem abrir novas áreas, combinando eficiência e sustentabilidade.

    Para o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, o acordo amplia a vitrine internacional do agro brasileir. E aumenta a responsabilidade do setor com sua imagem global. “O Brasil precisa liderar a construção da sua reputação no exterior. Temos escala, tecnologia e resultados. Agora, precisamos transformar isso em uma narrativa estratégica”, afirmou.

    Os participantes do encontro ainda destacaram que o processo de ratificação do acordo Brasil-União Europeia depende de aprovação política nos países europeus. O que exige do Brasil diálogo técnico contínuo e cooperação institucional com o bloco.

  • Acordo UE–Mercosul entra em aplicação provisória apesar de impasse

    Acordo UE–Mercosul entra em aplicação provisória apesar de impasse

    A União Europeia decidiu avançar com a aplicação provisória do acordo comercial com o Mercosul. Isso mesmo sob contestação do Parlamento Europeu no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE). O tratado com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai busca diversificar parceiros e fortalecer a segurança econômica do bloco europeu. Além de criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

    A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o órgão executivo da UE vai iniciar a aplicação provisória do acordo com o Mercosul. Ela ressaltou que essa etapa tem caráter temporário e que a conclusão plena do tratado ainda depende do consentimento formal do Parlamento Europeu. A decisão ocorre após o Conselho da UE autorizar esse mecanismo, permitindo o início da aplicação assim que pelo menos um país do Mercosul concluir sua ratificação interna.

    Em janeiro, eurodeputados aprovaram um pedido de parecer ao TJUE para verificar se o formato jurídico do acordo e o procedimento usado pela Comissão Europeia respeitam os tratados da União. O questionamento foca na divisão de competências entre Bruxelas e os Estados-membros e no uso da aplicação provisória em um acordo de grande alcance.

    Esse movimento suspende a votação final no Parlamento. E pode empurrar a decisão política para além de um ano, aumentando a incerteza em torno do calendário de ratificação completa.

    Zona de livre comércio

    O acordo UE–Mercosul deve formar uma mega zona de livre comércio, com um mercado potencial de mais de 700 milhões de pessoas. O tratado prevê a eliminação da maioria das tarifas entre os dois blocos. Com isso, abrindo espaço para maior acesso de produtos agropecuários do Mercosul ao mercado europeu. Em contrapartida, empresas europeias ganham mais oportunidades para vender automóveis, máquinas, químicos, farmacêuticos e outros bens industriais nos países sul-americanos.

    Dados oficiais da União Europeia apontam que o Mercosul reúne população superior a 260 milhões de pessoas. Além de um Produto Interno Bruto na casa dos trilhões de euros, com forte presença de comércio e investimentos europeus. Milhares de pequenas e médias empresas da UE já atuam na região e sustentam centenas de milhares de empregos ligados às exportações para o bloco sul-americano. A Comissão Europeia aposta que a aplicação provisória do acordo pode ampliar esse fluxo, mesmo com o cenário de disputa jurídica e resistência política dentro do Parlamento.

  • Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento

    Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento

    Na manhã da última terça-feira (24/02), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Plataforma Parque Cafeeiro para certificar o café brasileiro como livre de desmatamento. A Conab apresentou a ferramenta em cerimônia na sede da estatal, em Brasília (DF), com autoridades do Governo Federal e lideranças do setor cafeeiro.

    ​A plataforma apoia o cumprimento do Regulamento (UE) 2023/1115, conhecido como EUDR, que exige comprovação de que produtos como o café não venham de áreas com desmatamento após 31 de dezembro de 2020. Com isso, o sistema busca ampliar a rastreabilidade do café nacional e dar mais segurança para produtores, cooperativas, exportadores e importadores.

    Com chancela do Governo Federal, a ferramenta permite que produtores emitam uma declaração de conformidade ao não-desmatamento quando atendem às diretrizes europeias. Outros elos da cadeia também podem acessar relatórios para comprovar aos compradores europeus a origem regular dos lotes.

    ​Diferencial

    A Conab destacou como diferencial a arquitetura tecnológica baseada em integração com bases governamentais oficiais por meio de APIs. Isso viabiliza atualização quase em tempo real, acompanhamento contínuo e consistência dos dados. A plataforma também verifica informações ambientais e territoriais para apoiar o alinhamento às regras nacionais e internacionais.

    No monitoramento, o sistema utiliza dados do PRODES e checa se áreas de café cadastradas no CAR registraram desmatamento superior a meio hectare após 2020, além de identificar sobreposições com Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação, segundo a Conab.

    ​O mapeamento das lavouras ocorreu entre 2021 e 2025 com uso de inteligência artificial aplicada a imagens de satélites de alta resolução, de acordo com a estatal. A Conab informou que estruturou o sistema com articulação interministerial e apoio de órgãos vinculados para fortalecer a credibilidade da solução.

    ​A Plataforma Parque Cafeeiro já está em funcionamento e pode ser acessada em https://sistemas.conab.gov.br/conab_parque_cafe.

  • União Europeia e Mercosul assinam acordo histórico neste sábado

    União Europeia e Mercosul assinam acordo histórico neste sábado

    Após mais de duas décadas de negociações, União Europeia e Mercosul assinam neste sábado (17) acordo comercial histórico. A cerimônia ocorre em Assunção, no Paraguai, e marca passo decisivo rumo à maior zona de livre comércio. O tratado busca integrar mercados, reduzir tarifas e ampliar o fluxo de bens e investimentos entre os blocos.

    Assinatura ocorre sem presença de Lula

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará da cerimônia em Assunção. Ele será o único chefe de Estado sul-americano ausente no evento. Estarão presentes líderes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai.
    Também participam Ursula von der Leyen e António Costa, principais representantes da União Europeia.

    Lula comenta demora nas negociações

    Na sexta-feira, Lula recebeu Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro. Durante o encontro, ele criticou a longa duração das negociações. Segundo o presidente, foram “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”. Lula afirmou que o acordo reunirá cerca de 720 milhões de pessoas. Ele destacou que o tratado envolve um PIB estimado em US$ 22 trilhões.

    Assinatura não encerra o processo

    Apesar da assinatura, o acordo ainda não entra em vigor. O texto seguirá para ratificação nos parlamentos dos países envolvidos. Esse processo tende a ser longo e politicamente sensível, sobretudo na União Europeia.

    Formalização dos votos na União Europeia

    Antes da assinatura, o Comitê de Representantes Permanentes aprovou o texto provisoriamente. Os Estados-membros confirmaram seus votos por escrito até o prazo oficial. O Chipre confirmou a adesão europeia por ampla maioria.

    Assinatura formal do acordo

    Com a maioria qualificada, Ursula von der Leyen recebeu autorização para assinar o tratado. Inicialmente prevista para segunda-feira, a assinatura foi antecipada para este sábado. O Paraguai exerce atualmente a presidência rotativa do Mercosul.

    Quando o acordo entra em vigor

    Na União Europeia, o Parlamento Europeu analisará o texto. Algumas partes também podem exigir aprovação dos parlamentos nacionais. No Mercosul, o tratado seguirá para os Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O acordo cria obrigações legais, como redução de tarifas e mudanças regulatórias. Os blocos podem aplicar provisoriamente partes do tratado antes da ratificação completa.

    Principais pontos do acordo UE-Mercosul

    Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê redução gradual de tarifas. O texto estabelece regras comuns para produtos industriais, agrícolas e investimentos. O tratado criará um mercado integrado com mais de 700 milhões de consumidores.

    Divisões internas na União Europeia

    Alemanha e Espanha apoiam o acordo por enxergarem oportunidades comerciais. Esses países buscam reduzir a dependência da China e acessar minerais estratégicos. A França lidera a oposição ao tratado dentro do bloco europeu. Polônia, Irlanda e Áustria também demonstram resistência. O principal temor envolve prejuízos à agricultura europeia.

    Exigências ambientais e papel do Brasil

    O texto final inclui salvaguardas para a agricultura europeia. O acordo também impõe exigências ambientais mais rigorosas. Para o Mercosul, o Brasil tem papel central na ratificação. O país precisa comprovar avanços em sustentabilidade e controle ambiental.

  • Brasil lança plataforma digital para mapear oportunidades de exportação com União Europeia

    Brasil lança plataforma digital para mapear oportunidades de exportação com União Europeia

    O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou nesta sexta-feira, 16 de janeiro, o Painel de Oportunidades Mercosul–União Europeia. A plataforma digital reúne dados do comércio entre os dois blocos e mapeia as oportunidades que o acordo comercial cria para exportadores brasileiros.

    A ferramenta consolida informações sobre países compradores, produtos que o Brasil exporta, distribuição regional das vendas externas, tarifas vigentes e o cronograma de redução tarifária previsto no tratado. O sistema busca apoiar exportadores brasileiros e orientar políticas públicas de comércio exterior.

    “O acordo com a União Europeia é o mais relevante que o Mercosul já firmou. Para que ele alcance todo o seu potencial, precisamos transformar os compromissos assumidos em oportunidades concretas. O Painel representa uma primeira contribuição em um esforço contínuo de implementação do acordo a partir de sua assinatura. Ele organiza informações estratégicas e as coloca à disposição de quem decide, produz e exporta”, afirmou Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC.

    Democratização de dados estratégicos

    A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) desenvolveu o painel como instrumento de política pública para democratizar o acesso à informação, reduzir assimetrias e apoiar decisões de empresas, estados e entidades setoriais.

    “Ao dar transparência aos ganhos tarifários, aos prazos de eliminação das tarifas e aos fluxos comerciais, a ferramenta fortalece a implementação do acordo e orienta políticas públicas de apoio às exportações”, destacou a secretária.

    A visualização por Unidade da Federação permite identificar como cada estado já atua no mercado europeu e onde estão as novas possibilidades de expansão, alinhando a política comercial ao desenvolvimento regional. Com filtros que cruzam estado e produto, o painel apoia o planejamento estratégico e contribui para decisões baseadas em dados.

    Indústria de alimentos projeta incremento de até R$ 3,5 bilhões ao ano com acordo

    A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) avalia o Acordo Mercosul-União Europeia como um instrumento estratégico para o fortalecimento da segurança alimentar, da previsibilidade comercial e da capacidade de agregação de valor das cadeias produtivas.

    A entidade destaca que o valor econômico central do acordo reside menos na redução tarifária isolada e mais na previsibilidade institucional, na estabilidade das regras de acesso a mercado e na mitigação de incertezas regulatórias. Fatores decisivos para a atração de investimentos produtivos de médio e longo prazo.

    Projeções de crescimento para o setor alimentício

    Projeções setoriais indicam que, uma vez implementado, o acordo poderá elevar as exportações brasileiras de alimentos industrializados para a União Europeia entre 1% e 2% no curto prazo. E entre 3% e 5% no médio prazo e entre 6% e 8% no longo prazo.

    Esses percentuais correspondem a incrementos anuais estimados entre R$ 400 milhões e R$ 3,5 bilhões. Com potencial de sustentar entre 3 mil e 30 mil empregos diretos e indiretos ao longo do tempo. Isso associados a investimentos, ganhos de produtividade e maior agregação de valor.

    Resiliência em cenário internacional instável

    Em um cenário internacional caracterizado por instabilidade geopolítica, choques climáticos, fragmentação do comércio e uso crescente de barreiras comerciais, o acordo amplia a resiliência dos sistemas de abastecimento ao consolidar regras estáveis de acesso a um dos mercados consumidores mais exigentes do mundo.

    O tratado integra dois dos maiores blocos econômicos do mundo. E consolida o acesso a mercados de elevado poder aquisitivo e alta densidade regulatória. Portanto, com efeitos diretos sobre a sofisticação da pauta exportadora, a diferenciação de produtos e a inserção da indústria brasileira em segmentos de maior valor agregado.

    Ao reforçar a previsibilidade regulatória, a cooperação institucional e a integração entre cadeias produtivas, o Acordo Mercosul–União Europeia contribui para a resiliência dos sistemas alimentares. E também para o fortalecimento da segurança alimentar em ambos os blocos.

    O acordo amplia oportunidades de internacionalização e estimula investimentos em segmentos associados à bioeconomia, a ingredientes alimentares e a alimentos processados de maior valor agregado. Além de criar um ambiente mais favorável à inovação industrial.

    Relevância da indústria alimentícia brasileira

    A indústria brasileira de alimentos constitui um dos principais pilares estruturais da economia nacional. Em 2024, o setor registrou faturamento aproximado de R$ 1,27 trilhão. Isso é o equivalente a 10,8% do Produto Interno Bruto, mantendo-se como o maior segmento da indústria de transformação.

    O setor emprega diretamente cerca de 2,1 milhões de trabalhadores formais, processa aproximadamente 62% da produção agropecuária brasileira. E desde 2022 lidera as exportações mundiais de alimentos industrializados em volume.

    Em 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 66,8 bilhões, dos quais cerca de US$ 8,7 bilhões tiveram como destino a União Europeia. O que reforça a relevância estratégica do acordo para o setor.

  • Exportação brasileira de frutas para Europa cresce 19%

    Exportação brasileira de frutas para Europa cresce 19%

    O Brasil vendeu 19,1% mais frutas em volume para a Europa em 2025 na comparação com o ano anterior. A receita com essas exportações cresceu 12,8% no mesmo período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Midic). O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que os blocos devem assinar no sábado (17), no Paraguai, promete acelerar ainda mais esses números.

    O tratado, negociado há pelo menos 25 anos, vai reduzir ou eliminar tarifas de importação entre os dois blocos e facilitar o comércio de bens agrícolas e alimentos frescos.

    “O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um divisor de águas para o agro brasileiro. A redução e a eliminação de tarifas vão ampliar a competitividade das nossas frutas no mercado europeu e criar condições para que o crescimento já observado em 2025 se acelere nos próximos anos, com mais previsibilidade, investimentos e geração de valor ao longo da cadeia produtiva”, afirma Patrícia Cesarino, engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil.

    Europa concentra 79% das frutas exportadas pelo Brasil

    A União Europeia recebeu 79% das frutas que o Brasil exportou em 2025. Atualmente, produtores brasileiros pagam tarifas que variam entre 4% e 14% para vender no bloco europeu. O acordo vai reduzir e extinguir essas cobranças, o que amplia a abertura aos produtos nacionais.

    “Os resultados da fruticultura brasileira na Europa mostram que o setor está preparado para dar um salto com o acordo comercial. Estamos falando de um mercado maduro, exigente e de alto valor agregado, no qual o Brasil tem espaço para crescer de forma sustentável, ampliando volumes, receita e a presença de produtos frescos de alta qualidade”, diz a executiva da Ascenza Brasil.

    No total, as exportações brasileiras para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025, comparado a 2024, segundo o Midic.

    Faturamento pode chegar a US$ 1,8 bilhão até 2029

    A Apex estima que o faturamento da fruticultura brasileira aumente 40% e alcance US$ 1,8 bilhão até 2029. Em 2025, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, com receita de cerca de US$ 1,3 bilhão.

    Manga, melão, limão, melancia, uva e mamão lideraram as exportações para a Europa no ano passado. Essas seis frutas geraram receita de US$ 967 milhões, contra US$ 857,6 milhões no ano anterior. Em volume, o Brasil exportou 949 mil toneladas dessas frutas para a Europa em 2025 e 796,6 mil toneladas em 2024.

    Melão e manga lideram; melancia tem melhor desempenho

    Agricultores brasileiros enviaram 269,5 mil toneladas de melão (US$ 221,7 milhões) e 226,3 mil toneladas de manga (US$ 262,8 milhões) para o continente europeu no ano passado. Essas frutas registraram os melhores resultados em valor absoluto.

    Foto: Divulgação – Isla Sementes

    A melancia, no entanto, teve o melhor desempenho relativo em 2025. As exportações cresceram 44,3% em volume (de 115,8 mil toneladas em 2024 para 167,1 mil toneladas em 2025) e 60,5% em receita (de US$ 68,4 milhões para US$ 109,9 milhões).

    Café valoriza em receita, mas recua em volume

    O café, outro importante produto agrícola que o Brasil exporta para a Europa, registrou alta de 34,2% em receita: de US$ 6,5 bilhões em 2024 para US$ 8,7 bilhões em 2025. No entanto, o volume exportado caiu de 1,6 milhão de toneladas em 2024 para 1,3 milhão de toneladas no ano passado.

    Assim, a expectativa para 2026 é de que a receita continue elevada devido aos preços internacionais. A Europa mantém-se como mercado-chave do café brasileiro, com Alemanha e Itália entre os principais importadores.

    Como o acordo vai reduzir tarifas

    Segundo o tratado entre os dois blocos, a tarifa sobre uvas frescas será zerada assim que o acordo entrar em vigor. Melões, melancias e limões terão as tarifas reduzidas em etapas até chegar a zero em cerca de sete anos. Mamão e manga já têm tarifas zeradas na União Europeia devido à forte dependência que o bloco tem da importação dessas frutas do Brasil.

    “Após a assinatura, depois de mais de 25 anos de negociação, o acordo Mercosul-União Europeia chega em um momento estratégico. Ele fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, amplia o acesso a um mercado que já responde pela maior parte das nossas exportações de frutas e cria uma base sólida para expansão de longo prazo, com ganhos para produtores, exportadores e consumidores”, aponta Patrícia.

    Os principais concorrentes do Brasil nos envios à União Europeia, como Peru, Chile e México, já exportam frutas sem pagar tarifas. O acordo torna-se, portanto, fundamental para nivelar as condições de competição e permitir que produtores brasileiros disputem o mercado europeu em igualdade de condições.

  • Vinho, chocolate e azeite devem ficar mais baratos no Brasil

    Vinho, chocolate e azeite devem ficar mais baratos no Brasil

    O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, anunciado nesta sexta-feira (9), promete revolucionar o acesso dos brasileiros a produtos importados europeus. Vinhos, chocolates finos, queijos especiais e azeites de oliva poderão chegar às prateleiras com preços significativamente menores nos próximos anos, beneficiando principalmente consumidores das classes A e B.

    A diminuição nos valores não acontecerá imediatamente. O tratado estabelece um cronograma escalonado para eliminar as alíquotas de importação, com prazos que variam entre 4 e 15 anos, dependendo do setor.

    Produtos da gastronomia europeia terão o maior prazo de adaptação. Vinhos, queijos premium, azeites extravirgem e chocolates artesanais levarão até 15 anos para atingir tarifa zero de importação.

    Atualmente, essas categorias enfrentam impostos que encarecem drasticamente os produtos. O vinho, por exemplo, paga 20% de tarifa e terá redução de 11,1% já no primeiro ano, zerando completamente em 8 anos. Chocolates, também taxados em 20%, verão a alíquota cair gradualmente ao longo de 15 anos, com redução inicial de 6,3%.

    Quem mais se beneficia

    Apesar da redução tarifária, a cotação do euro (R$ 6,24) ainda representa um obstáculo para produtos muito caros. Especialistas avaliam que marcas europeias de preço médio, populares na Europa mas caras no Brasil devido aos impostos, devem liderar o desembarque por aqui.

    chocolate amargo
    Foto: Sigmund/Unsplash

    Chocolates belgas, suíços e franceses de categorias premium podem chegar em volume reduzido, focando lojas especializadas e consumidores de alto poder aquisitivo. No entanto, marcas mais acessíveis teriam dificuldade de competir com produtores nacionais, especialmente considerando que o Brasil é o maior produtor de cacau do mundo.

    Outros produtos do cotidiano impactados

    Medicamentos: Analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios levarão até 10 anos para zerar tarifas que hoje variam entre 8% e 14%. O setor farmacêutico brasileiro, representado pelo Grupo FarmaBrasil e Abifina, defende que o governo mantenha compras públicas de medicamentos nacionais para o SUS.

    Automóveis: A tarifa de 35% sobre carros europeus cairá a zero em 15 anos. Marcas de luxo e fabricantes populares com produção na Europa (Volkswagen, Fiat, Renault) serão diretamente impactados. Peças automotivas, com alíquotas entre 14% e 18%, terão redução completa em 7 a 10 anos.

    Bebidas: Cervejas artesanais europeias, taxadas em 20%, terão redução de 9,1% no primeiro ano para zerar em 10 anos. Bebidas não alcoólicas seguem o mesmo cronograma.

    Oportunidades para exportadores brasileiros

    O acordo não beneficia apenas importações. João Dornellas, presidente da Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), vê o tratado como oportunidade para produtores nacionais. “É a chave para dar o salto de exportador de matéria-prima para exportador de valor agregado. A Europa é um mercado de 450 milhões de consumidores que queremos acessar com produtos processados nas nossas fábricas”, afirmou durante o Global Agribusiness Fórum.

    A Anfavea, que representa montadoras, também avalia o acordo como “ganha-ganha”, destacando que o mercado de reposição de peças pode se expandir significativamente.

    Dimensões do acordo

    Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o tratado reunirá cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de mais de US$ 22 trilhões.

    Foto: Divulgação ExpoQueijo

    O presidente Lula destacou em redes sociais que o texto “amplia alternativas para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais para os dois lados”.

    Cronograma completo de redução tarifária

    • Panettone: 18% de taxa, redução entre 4 e 7 anos
    • Perfume: 18% de taxa, redução em 4 anos
    • Pêssego em calda: 55% de tarifa, redução de 12,5% no primeiro ano, zerando em 7 anos
    • Queijo mozzarella: 28% de taxa, limitada em cota de 30 mil toneladas
    • Queijo azul: 16% de tarifa, zerada ao atingir 30 mil toneladas importadas
    • Azeite de oliva virgem: 10% de taxa, redução de 6,3% no primeiro ano, zerando em 15 anos
  • Exportações do agro crescem e garantem superávit histórico

    Exportações do agro crescem e garantem superávit histórico

    O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com resultados históricos. As exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões, crescimento de 3% em relação a 2024, e representaram 48,5% de todas as vendas externas do país. O desempenho recorde foi impulsionado sobretudo pela abertura e ampliação de mercados internacionais e pelo aumento de 3,6% no volume exportado, que compensou a leve queda de 0,6% nos preços médios.

    Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, os números refletem o sucesso da estratégia de diversificação de produtos e destinos, realizada em parceria entre o Mapa, Itamaraty, MDIC e ApexBrasil. “O agro brasileiro mostrou resiliência, garantindo abastecimento interno, emprego, renda e sustentabilidade”, afirmou.

    Balança comercial do agro alcança superávit de US$ 149 bilhões

    As importações agropecuárias totalizaram US$ 20,2 bilhões no ano passado, alta de 4,4%. Com isso, a balança comercial do agronegócio fechou 2025 com superávit de US$ 149,07 bilhões, o maior da história.

    Somente em dezembro, o setor registrou exportações de US$ 14 bilhões, aumento de 19,8% sobre o mesmo mês de 2024, e importações de US$ 1,62 bilhão, resultando em saldo positivo de US$ 12,38 bilhões.

    Diversificação e abertura de mercados fortalecem desempenho

    Desde 2023, o Brasil abriu 525 novos mercados para produtos agropecuários. Essas aberturas já garantiram cerca de US$ 4 bilhões em receitas adicionais, segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua.

    A diversificação de produtos e destinos permitiu ao país mitigar os efeitos de turbulências globais, como tarifações, queda de preços e casos pontuais de influenza aviária.

    A safra recorde de grãos 2024/2025 também foi determinante, alcançando 352,2 milhões de toneladas, alta de 17% sobre o ciclo anterior. No setor de carnes, a produção de bovina, suína e de frango também foi recorde, garantindo excedentes exportáveis sem comprometer o mercado interno.

    China, União Europeia e EUA lideram as compras

    A China manteve-se como principal destino, com US$ 55,3 bilhões (32,7% das exportações e alta de 11%), seguida pela União Europeia (US$ 25,2 bilhões, +8,6%) e pelos Estados Unidos (US$ 11,4 bilhões, -5,6%). Outros mercados em destaque foram Paquistão (+122%), Argentina (+29%), Filipinas, Bangladesh, Reino Unido e México.

    Soja, carnes e café dominam a pauta exportadora

    A soja em grãos manteve a liderança, com US$ 43,5 bilhões em receitas (+1,4%) e volume recorde de 108,2 milhões de toneladas (+9,5%).

    A carne bovina registrou US$ 17,9 bilhões (+39,9%) e ganhou 11 novos mercados em 2025.

    Na carne suína, o Brasil conquistou o posto de terceiro maior exportador mundial, com crescimento de 19,6% em valor e 12,5% em volume.

    Já a carne de frango teve aumento de 0,6% no volume exportado, mesmo diante dos desafios sanitários do ano anterior.

    O café apresentou alta de 30,3%, totalizando US$ 16 bilhões, impulsionado por preços internacionais historicamente elevados. Frutas, pescados, feijões e produtos regionais também registraram avanços expressivos.

    Produtos não tradicionais ganham espaço

    Diversos itens fora do grupo principal de commodities atingiram recordes em 2025. Entre eles estão:

    • Pimenta piper seca: US$ 517,8 milhões (+81,1%).
    • Óleo de amendoim: US$ 264,6 milhões (+147,4%).
    • Melões frescos: US$ 231,5 milhões (+24,9%).
    • Castanha de caju: US$ 75,8 milhões (+72,7%).
    • Feijões: US$ 443 milhões (+32% em valor e +55,5% em volume).

    Destaque ainda para o gergelim, que movimentou US$ 195,1 milhões nas vendas para a China, após a abertura do mercado em novembro de 2024.

    Apoio à internacionalização de produtores

    Para ampliar a presença global do agro brasileiro, o governo lançou iniciativas como o AgroInsight, o Passaporte Agro e as Caravanas do Agro Exportador. O AgroInsight, criado em janeiro de 2025, já mapeou mais de 800 oportunidades de negócios em 38 países, aproximando produtores e cooperativas de novos mercados e consolidando a imagem do Brasil como potência agroexportadora.

  • Brasil avança na retomada das exportações de pescado para União Europeia

    Brasil avança na retomada das exportações de pescado para União Europeia

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reuniu-se com o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, para discutir a retomada das exportações de pescado brasileiro para a União Europeia. O governo federal intensifica esforços para reabrir o mercado europeu, suspenso desde 2017.

    Foto: Mapa

    A União Europeia deve realizar auditoria nas plantas frigoríficas de pescado brasileiras durante o primeiro semestre de 2026. A inspeção representa etapa essencial para a reabertura do mercado europeu ao produto brasileiro.

    “Essa reabertura é uma prioridade para nós. Aguardamos com expectativa a auditoria nas plantas frigoríficas de pescado brasileiras, prevista para o primeiro semestre de 2026, etapa essencial para a retomada desse mercado”, destacou o ministro Carlos Fávaro.

    Governo cria grupo de trabalho interministerial

    Os ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Pesca e Aquicultura (MPA) anunciaram a criação de um grupo de trabalho interministerial. A iniciativa conta com o apoio da Câmara Setorial da Produção e Indústria dos Pescados.

    “Decidimos pela criação de um grupo de trabalho interministerial, com o apoio da Câmara Setorial da Produção e Indústria dos Pescados. Vamos juntos planejar e organizar essa missão, num esforço coletivo com o setor produtivo para garantirmos o protagonismo que merecemos no mercado externo, com foco na valorização do nosso pescado lá fora”, afirmou o ministro André de Paula.

    Diálogo permanente com autoridades europeias

    O Mapa e o MPA mantêm diálogo permanente com a autoridade sanitária da União Europeia desde 2023. Neste período, os ministérios implementaram medidas para adequar as embarcações pesqueiras brasileiras aos critérios higiênico-sanitários exigidos pela União Europeia e pelo Reino Unido.

    As ações visam preparar o setor pesqueiro nacional para atender todos os requisitos necessários à retomada das exportações para o bloco europeu.

    A União Europeia suspendeu as importações de pescado brasileiro em 2017. Desde então, o país trabalha para restabelecer o acesso ao mercado europeu, considerado estratégico para o setor pesqueiro nacional.

    A criação do grupo de trabalho interministerial reforça o compromisso do governo brasileiro em recuperar esse importante canal de exportação e valorizar o pescado nacional no mercado internacional.