Tag: União Europeia

  • UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    Técnicos da União Europeia (UE) iniciam nesta segunda-feira (24) uma missão de duas semanas no Brasil para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização de carne de aves e mel. A visita acontece a poucos dias da entrada em vigor de uma medida que pode interromper parte das exportações brasileiras de produtos de origem animal ao bloco.

    O principal foco da missão será verificar como o Brasil controla o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas. A avaliação poderá pesar no processo para que o país volte a integrar a lista de fornecedores considerados aptos a exportar esses produtos para o mercado europeu.

    A medida europeia passa a valer em 3 de setembro e alcança categorias como carne bovina, carne de aves, pescado e mel. A decisão de retirar o Brasil da lista foi tomada em maio e posteriormente formalizada em regulamento publicado pela Comissão Europeia. O bloco alegou não ter recebido garantias suficientes sobre o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de determinados medicamentos antimicrobianos.

    Em julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que as negociações técnicas continuavam e afirmou que o Brasil não havia pedido flexibilização das normas sanitárias europeias, mas buscava demonstrar o cumprimento integral das exigências do mercado.

    Setor de aves espera resultado positivo

    Entre representantes da cadeia de aves, a expectativa é de que a auditoria transcorra sem grandes problemas.

    Segundo fontes ouvidas sob reserva, as empresas que vendem para a Europa já adotam há bastante tempo procedimentos específicos para esse mercado, incluindo a segregação dos animais destinados à UE e a não utilização de antimicrobianos como promotores de crescimento.

    A inspeção, portanto, será uma oportunidade para que os técnicos europeus acompanhem essas práticas diretamente nas unidades brasileiras.

    Ainda assim, um eventual retorno do país à lista de exportadores autorizados dependerá exclusivamente de uma nova decisão das autoridades europeias.

    Exportações podem ser interrompidas em setembro

    Mesmo com a presença da missão no país, existe a possibilidade de os embarques serem interrompidos a partir de 3 de setembro, ainda que temporariamente.

    Equipes oficiais que atuam nos frigoríficos já receberam orientação para não certificar, a partir dessa data, mercadorias que não estejam em conformidade com os requisitos europeus referentes ao uso de antimicrobianos.

    A legislação que retira o Brasil da relação de fornecedores habilitados tem aplicação prevista justamente para 3 de setembro de 2026.

    Para que o país volte à lista, será necessária uma decisão do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff), ligado à Comissão Europeia. Reuniões extraordinárias podem ser convocadas, mas o próximo encontro regular está previsto apenas para novembro, segundo fonte a par das negociações.

    Mercado europeu movimenta milhões para o frango brasileiro

    O impasse ocorre em um mercado relevante para a avicultura nacional.

    Em 2026, o Brasil já exportou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, com faturamento próximo de US$ 680 milhões, segundo dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura.

    Somente em julho, os embarques alcançaram 36,8 mil toneladas, movimentando aproximadamente US$ 104,2 milhões.

    Uma interrupção nas vendas, portanto, pode afetar frigoríficos habilitados para atender ao mercado europeu, mesmo que a paralisação seja revertida posteriormente.

    Missão vai visitar empresas em três estados

    A agenda dos técnicos europeus começa com reuniões com representantes do Ministério da Agricultura em Brasília.

    Na sequência, a equipe deve visitar quatro empresas de carne de aves habilitadas a exportar para a União Europeia, localizadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

    A missão também inclui inspeções em apiários paranaenses, uma indústria de processamento de mel no interior de São Paulo e agências estaduais de defesa agropecuária.

    Os representantes europeus permanecem no Brasil até 4 de setembro, quando está prevista uma reunião de encerramento em Brasília.

  • Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (18) que acredita que o Brasil será reincluído ainda em 2026 na lista de países autorizados a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia (UE).

    A expectativa ocorre após o bloco europeu retirar o Brasil da relação de países autorizados a fornecer determinados produtos de origem animal. A medida, relacionada às exigências sobre o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas, está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.

    No entanto, a eventual reinclusão na lista não significa que todas as cadeias voltarão a exportar imediatamente.

    Carne bovina pode demorar mais para retornar

    André de Paula explicou que o prazo para a retomada dos embarques dependerá do ciclo de produção de cada cadeia animal.

    No caso da carne bovina, por exemplo, o ministro afirmou que não há expectativa de retorno imediato, porque o ciclo de produção do gado é mais longo.

    “O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque na lista, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, afirmou em entrevista à rádio Nova Brasil Recife.

    O ministro também destacou que a reinclusão depende da adequação dos produtos brasileiros às exigências sanitárias europeias.

    “A luta no primeiro momento, que estamos trabalhando e tenho certeza que vamos ter sucesso, é para realistar o Brasil. No segundo momento, vamos ter o produto de acordo com as exigências colocadas pelo mercado europeu e vamos voltar a fornecer nossa carne bovina, nossas aves, nosso pescado, nosso mel, nossos ovos”, acrescentou.

    Exigências sobre antimicrobianos

    A retirada do Brasil da lista europeia está relacionada à necessidade de comprovação de que os requisitos do bloco sobre antimicrobianos são cumpridos ao longo da cadeia produtiva.

    A questão envolve mecanismos de controle, certificação e rastreabilidade capazes de demonstrar a conformidade dos produtos destinados ao mercado europeu. A decisão europeia não equivale, por si só, à constatação de contaminação da carne brasileira.

    Além disso, o ministro salientou que ficar fora da lista pode gerar impactos além do mercado europeu.

    Outros países podem seguir exigências da UE

    Segundo André de Paula, entre 10 e 18 países também seguem exigências sanitárias baseadas nas regras europeias e poderiam adotar medidas semelhantes.

    “A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para [uma lista de] 10 a 18 países que seguem essas regras. Ainda não estão definidos, mas como seguem as regras, podem seguir no mesmo caminho”, afirmou André de Paula.

    Recentemente, a Noruega decidiu acompanhar a decisão europeia e não comprar os produtos a partir de 3 de setembro.

    Governo espera retomar fornecimento

    Questionado sobre o restabelecimento do fornecimento, o ministro disse que a normalização do comércio pode demorar para algumas cadeias.

    “Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, completou.

    “Imagino que a carne bovina não [volte em setembro] porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, explicou.

    Negociações envolvem diferentes áreas do governo

    André de Paula afirmou que o governo brasileiro trabalha em diferentes frentes para tentar solucionar a questão.

    Segundo ele, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura participa das negociações técnicas, enquanto o chanceler Mauro Vieira atua na frente diplomática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa das negociações em nível de Estado.

    “Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse.

    “É uma questão tão importante que envolve todos os níveis do governo (…) Tem a esfera diplomática, e o chanceler Mauro Vieira está envolvido, e próprio presidente Lula participa dessas questões com negociações diretas com as maiores autoridades da comunidade europeia. É um esforço que envolve o país todo”, completou.

    Ministro cita interesses comerciais nas negociações

    André de Paula disse ainda que “por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas” e, por isso, as negociações são intensas.

    “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, explicou.

    O ministro também lembrou que há interesses de países europeus em manter o comércio de seus produtos com o Brasil e afirmou que o governo brasileiro possui “instrumentos importantes” nas negociações.

    “A França tem interesse na exportação de vinho, a Espanha do azeite. Todos têm seu interesse. É uma pactuação que envolve o governo todo”, concluiu.

  • Agroindústria perde força e fecha primeiro semestre em queda

    Agroindústria perde força e fecha primeiro semestre em queda

    A agroindústria iniciou 2026 com a produção em alta, mas perdeu força ao longo dos meses seguintes. Com isso, encerrou o primeiro semestre com retração acumulada de 0,3%, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro).

    O desempenho, porém, variou entre os segmentos. Enquanto as indústrias não alimentícias registraram queda de 2% na produção no semestre, as de alimentos e bebidas avançaram 1,1%. De acordo com o FGV Agro, “a desaceleração da economia brasileira e as turbulências no setor externo explicam a perda de ritmo do setor”.

    Entre os segmentos analisados, a indústria de insumos agropecuários apresentou o pior resultado, com queda de 8,3% na produção. O setor já vinha registrando retração desde 2025 e teve o desempenho agravado pela guerra no Oriente Médio, devido aos “potenciais efeitos sobre custos e disponibilidade de insumos”, segundo o centro de estudos.

    Outros segmentos também fecharam o semestre no vermelho. A produção de produtos têxteis recuou 5%, enquanto a de produtos florestais caiu 2,4%.

    Na direção oposta, as indústrias de biocombustíveis registraram forte crescimento. A produção avançou 18,1% no semestre, impulsionada principalmente pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar. As indústrias de fumo também tiveram resultado positivo, com alta de 1,6%.

    Agroindústria perde ritmo no segundo trimestre

    O desempenho da agroindústria também mudou de forma significativa entre os dois primeiros trimestres do ano. Entre janeiro e março, o PIMAgro cresceu 0,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já entre abril e junho, o indicador registrou queda de 0,8% na comparação anual.

    No segmento de alimentos e bebidas, entretanto, todas as indústrias apresentaram crescimento no primeiro semestre. O destaque ficou com as bebidas alcoólicas e não alcoólicas, que registraram alta de 1,5% cada.

    A produção de alimentos de origem animal também avançou. O crescimento foi de 1,3%, impulsionado principalmente pelos setores de carnes e laticínios.

    Já as indústrias de alimentos de origem vegetal tiveram alta mais moderada, de 0,4% até junho. O resultado foi sustentado pela produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, moagem de trigo e café.

    Ainda assim, o segmento perdeu força ao longo do semestre. Depois de avançar 4,4% no primeiro trimestre, a produção recuou 2,7% entre abril e junho.

    Em junho, o PIMAgro caiu 0,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. Foi a segunda queda consecutiva do indicador.

    Cota chinesa e exportações podem pressionar setor

    Para o FGV Agro, a agroindústria deve enfrentar novos desafios no segundo semestre. Um dos principais fatores é o preenchimento da cota chinesa para a carne bovina.

    Segundo o centro de estudos, a produção destinada ao mercado asiático vinha contribuindo para sustentar um dos segmentos mais dinâmicos do indicador. Com o limite de embarques, portanto, esse impulso pode perder força nos próximos meses.

    Além disso, a interrupção dos embarques de produtos de origem animal para a União Europeia, prevista para entrar em vigor em 3 de setembro, também deve pressionar o desempenho da agroindústria brasileira no segundo semestre.

  • Noruega veta carnes brasileiras a partir de setembro

    Noruega veta carnes brasileiras a partir de setembro

    A Noruega deixará de importar carnes e derivados do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026. Embora o país nórdico não faça parte da União Europeia (UE), a decisão acompanha o regulamento do bloco europeu para a entrada de produtos de origem animal, especialmente em relação ao uso de agentes antimicrobianos na produção.

    A medida preocupa o setor brasileiro, sobretudo os exportadores de carne bovina. Isso porque, apesar do volume relativamente pequeno vendido à Noruega, empresários temem que o bloqueio provoque desgaste na imagem das proteínas brasileiras no mercado internacional.

    Além disso, o setor já não acredita que o governo federal conseguirá reverter a decisão antes da entrada em vigor do embargo.

    Exportadores criticam atuação do governo

    Executivos do setor avaliam que o Ministério da Agricultura não conseguiu apresentar uma resposta técnica capaz de evitar a restrição europeia.

    Com a proximidade de 3 de setembro, portanto, a expectativa de reversão da medida diminuiu. Agora, a principal preocupação dos exportadores está em um possível efeito dominó.

    Isso porque países africanos podem seguir as orientações da União Europeia e também restringir a entrada de proteínas brasileiras.

    Segundo uma fonte do setor, países de língua francesa na África já deram sinalizações nesse sentido.

    Noruega retirou Brasil da lista de países autorizados

    A informação sobre o bloqueio norueguês chegou ao Ministério da Agricultura e aos exportadores brasileiros há poucos dias, por meio do posto diplomático do Brasil em Oslo.

    A Mattilsynet, Autoridade de Segurança Alimentar da Noruega, informou que o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar proteínas animais para o mercado europeu.

    De acordo com o órgão, a decisão ocorreu pela falta de informações consideradas suficientes para comprovar a implementação das medidas exigidas sobre o uso de antimicrobianos.

    Com isso, certificados sanitários emitidos a partir de 3 de setembro de 2026 não poderão ser utilizados para importar essas mercadorias do Brasil.

    A restrição permanecerá válida até que o país possa ser novamente incluído na lista de países terceiros autorizados.

    Cargas com certificados antigos ainda serão aceitas

    Apesar do bloqueio, a Noruega estabeleceu uma regra de transição.

    Os carregamentos acompanhados de certificados sanitários emitidos até 2 de setembro de 2026 poderão entrar no país. Além disso, mercadorias que chegarem ao controle de fronteira depois dessa data também poderão ser aceitas, desde que os documentos sanitários tenham sido emitidos dentro do prazo permitido.

    Portanto, a data de emissão do certificado será determinante para a entrada das cargas brasileiras.

    Noruega compra pouco, mas efeito pode ser maior

    Os dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, mostram que a Noruega representa uma parcela pequena das exportações brasileiras de proteínas.

    Em 2025, os noruegueses compraram:

    • 279 toneladas de carne bovina, no valor de US$ 3,8 milhões;
    • 45 toneladas de carne de frango;
    • 43,8 toneladas de pescados;
    • 41,2 toneladas de ovos.

    Ao todo, as compras da cesta de proteínas que agora entram na mira do bloqueio comercial movimentaram US$ 4,5 milhões para os exportadores brasileiros em 2025.

    O valor, portanto, é pequeno diante do tamanho das exportações brasileiras de proteínas. Ainda assim, o impacto potencial preocupa o setor.

    Isso porque o principal receio não está apenas na perda das vendas para a Noruega. O temor maior é que a decisão seja seguida por outros mercados.

    Setor teme efeito dominó nas exportações

    A possibilidade de outros países adotarem medidas semelhantes aumentou a preocupação entre os exportadores.

    Nesse cenário, a eventual adesão de países africanos às regras europeias poderia ampliar o número de destinos afetados pelas restrições.

    Por isso, o setor acompanha a movimentação internacional com atenção. Além da perda de mercados, uma sequência de bloqueios poderia pressionar a percepção sobre a qualidade e a segurança sanitária das proteínas brasileiras.

    Enquanto isso, o Brasil terá de apresentar as informações e medidas necessárias para tentar recuperar sua posição na lista de países autorizados.

  • Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    O governo federal intensificou as negociações com a União Europeia para evitar que o Brasil seja retirado da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. A medida preocupa o agronegócio brasileiro, principalmente a cadeia da carne bovina, já que as novas exigências entram em vigor a partir de setembro.

    Durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), realizado em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo atua em diferentes frentes para reverter a decisão.

    “Estamos trabalhando do ponto de vista técnico, diplomático e político para encontrar uma solução. Representantes brasileiros já participaram de reuniões com a Comissão Europeia para discutir alternativas.”

    Por que a União Europeia impôs novas exigências?

    A União Europeia informou que o Brasil não comprovou integralmente o cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.

    O bloco europeu proíbe a utilização desses produtos como promotores de crescimento e exige um sistema capaz de comprovar que os animais não receberam substâncias vetadas desde o nascimento até o abate.

    Caso não haja acordo, o Brasil poderá deixar de exportar determinados produtos de origem animal para o mercado europeu a partir de 3 de setembro.

    Governo negocia período de transição

    O Ministério da Agricultura tenta negociar um período de adaptação para que os produtores possam atender às novas exigências sem interromper o fluxo comercial.

    Além disso, o governo avalia ampliar as restrições ao uso desses insumos em todo o território nacional, medida que hoje é aplicada principalmente às propriedades habilitadas para exportação ao mercado europeu.

    Para André de Paula, manter o Brasil entre os fornecedores da União Europeia é fundamental.

    “É inaceitável para o Brasil estar fora da lista.”

    O ministro ressaltou que o país exporta alimentos ao bloco europeu há décadas e também atende mercados considerados igualmente ou até mais rigorosos em relação às normas sanitárias.

    Setor teme impactos nas exportações

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que existe preocupação com o prazo necessário para adequação das propriedades.

    Segundo ele, comprovar todo o histórico sanitário de um bovino exige acompanhar o animal desde o nascimento até o abate, processo que pode levar entre dois e três anos.

    “Hoje há risco, mas temos esperança de que o governo brasileiro consiga negociar uma transição maior para manter o fluxo comercial com a Europa.”

    Diversificação dos mercados segue como estratégia

    Enquanto negocia com a União Europeia, o governo também busca ampliar a presença da proteína animal brasileira em novos mercados.

    Entre as iniciativas está uma missão técnica da Coreia do Sul, prevista para agosto, que poderá abrir novas oportunidades para o setor.

    Segundo André de Paula, essa estratégia reduz a dependência de compradores específicos e fortalece o agronegócio brasileiro diante de mudanças nas regras internacionais.

    Brasil mantém presença global

    O ministro destacou que o Brasil exporta produtos agropecuários para cerca de 180 países e territórios e já conquistou 664 aberturas de mercado.

    De acordo com ele, esse desempenho demonstra a competitividade da produção nacional, a qualidade da carne brasileira e a credibilidade do sistema de defesa sanitária do país.

  • Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    O Ministério da Agricultura endureceu o discurso contra a União Europeia e classificou como “inaceitável” a exigência de uma comprovação prévia do controle de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes. Em nota divulgada nesta quinta-feira (24), a Pasta também defendeu a permanência do Brasil na lista de países habilitados a exportar para o bloco europeu.

    Segundo o ministério, o reconhecimento do sistema sanitário brasileiro deve ser mantido, mesmo que parte da produção ainda precise de tempo para cumprir os novos requisitos exigidos pela União Europeia. Além disso, o governo afirmou que a implementação das medidas ocorre de forma gradual ao longo dos ciclos produtivos.

    Ministério critica exigências europeias

    O Ministério da Agricultura afirmou que as relações sanitárias internacionais devem ser baseadas na confiança e na transparência entre as autoridades responsáveis pelos sistemas oficiais de fiscalização. Por isso, considerou inadequada a exigência de uma comprovação integral antes da conclusão do processo de adaptação.

    Recentemente, o governo passou a fiscalizar todo o ciclo de produção das diferentes cadeias pecuárias em relação ao uso de antimicrobianos. Na bovinocultura, por exemplo, a certificação de animais livres das substâncias proibidas pela União Europeia pode levar pelo menos dois anos. Já na avicultura, esse período é de aproximadamente 40 dias.

    “O Brasil defende a manutenção deste sistema e considera inaceitável a exigência de comprovação prévia da implementação integral de medidas cuja execução ocorre de forma progressiva ao longo dos ciclos produtivos”, afirmou o Ministério da Agricultura.

    Além disso, a Pasta destacou que os sistemas oficiais de fiscalização têm a responsabilidade de verificar o cumprimento das normas e certificar apenas os produtos que atendem integralmente às exigências sanitárias.

    “As relações sanitárias internacionais são estruturadas sobre um princípio fundamental: confiança e transparência entre autoridades competentes. O reconhecimento internacional dos sistemas oficiais de controle sanitário baseia-se na capacidade demonstrada pelo país de estabelecer normas, fiscalizar seu cumprimento, adotar medidas corretivas e certificar, com credibilidade, os produtos que atendem aos requisitos acordados bilateralmente”, informou a nota.

    Governo mantém diálogo técnico com o bloco

    Enquanto as negociações continuam, o Ministério da Agricultura informou que segue em tratativas técnicas com a União Europeia sobre os critérios sanitários relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

    Ao mesmo tempo, a Pasta reforçou que o Brasil não solicitou flexibilização das normas europeias. Pelo contrário, reafirmou o compromisso de atender integralmente às exigências impostas pelos mercados importadores.

    Representantes da indústria frigorífica e do setor pecuário avaliam que a posição do governo fortalece a credibilidade do sistema sanitário brasileiro. Segundo fontes do setor, o país deve permanecer na lista de exportadores da União Europeia, mesmo que ainda não existam animais aptos para atender imediatamente aos novos critérios.

    Outro representante do setor disse que o governo adotou uma postura mais firme durante as negociações. Segundo ele, o Brasil não aceitará que a confiabilidade do sistema sanitário nacional seja colocada em dúvida.

    Permanência na lista não libera exportações automaticamente

    O Ministério da Agricultura esclareceu que integrar a lista de países autorizados não significa que todos os produtos brasileiros estejam automaticamente aptos para exportação.

    Na prática, esse reconhecimento demonstra que o país possui um sistema oficial considerado confiável para certificar apenas os produtos que cumprem os requisitos sanitários exigidos pelo mercado europeu.

    Além disso, a Pasta explicou que a disponibilidade de produtos varia conforme o ciclo produtivo de cada cadeia. Portanto, o tempo necessário para atender às exigências pode ser diferente entre bovinos, aves e outras produções.

    Segundo o ministério, a credibilidade do sistema está justamente na capacidade de impedir a certificação de produtos que ainda não atendem às normas estabelecidas.

    Comissão Europeia retirou o Brasil da lista em maio

    Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro. A decisão ocorreu após questionamentos sobre a comprovação do não uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas brasileiras.

    Depois do anúncio, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento dessas substâncias como forma de demonstrar o compromisso do Brasil com as exigências europeias. No entanto, estimativas do setor indicam que a medida poderia elevar os custos da pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, principalmente com alimentação e medicamentos.

    Exportações movimentam US$ 1,8 bilhão

    A União Europeia importou 128 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2025, volume que movimentou aproximadamente US$ 1 bilhão. Ao considerar todas as proteínas animais, o comércio entre Brasil e União Europeia alcançou US$ 1,8 bilhão no período.

    Além disso, o Ministério da Agricultura informou que já encaminhou à Comissão Europeia uma documentação técnica detalhando os mecanismos oficiais de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação adotados nas cadeias de carne bovina, aves, ovos, mel e produtos da pesca.

    Segundo a Pasta, os documentos demonstram como o sistema brasileiro garante o cumprimento dos requisitos sanitários exigidos pelo bloco europeu. Entretanto, as autoridades da União Europeia ainda não apresentaram uma manifestação conclusiva sobre o material enviado.

    Por fim, o ministério reafirmou o compromisso do Brasil com o atendimento integral das exigências sanitárias internacionais. Também destacou que continuará mantendo diálogo técnico com a União Europeia com base na ciência, na transparência e na cooperação entre as autoridades competentes.

  • Brasil busca acordo para evitar veto da UE à carne brasileira

    Brasil busca acordo para evitar veto da UE à carne brasileira

    Representantes da indústria da carne, pecuaristas e integrantes do Ministério da Agricultura se reúnem nesta quarta-feira (8), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, para definir uma estratégia que evite um bloqueio da União Europeia às exportações brasileiras de proteínas animais. Se não houver acordo, o impacto comercial poderá chegar a US$ 1,8 bilhão por ano.

    A União Europeia passou a exigir que carnes e derivados importados sejam produzidos sem determinados antimicrobianos. Por isso, o bloco poderá barrar produtos brasileiros a partir de setembro caso o país não comprove o cumprimento das novas regras.

    Governo tenta unificar posição da cadeia pecuária

    O tema divide a cadeia pecuária há vários meses. De um lado, os frigoríficos defendem o banimento dos antimicrobianos exigidos pela União Europeia para preservar o acesso ao mercado europeu. Do outro, os pecuaristas rejeitam a proposta por temerem prejuízos à produtividade.

    Enquanto isso, o Ministério da Agricultura passou a exigir, desde a semana passada, o controle de todo o ciclo produtivo dos animais destinados à Europa. Além disso, determinou a segregação desses rebanhos.

    A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina articulou a reunião para aproximar governo, indústria e produtores. Assim, ela busca construir uma estratégia única para enfrentar o impasse.

    Ministério cobra participação do setor produtivo

    Na terça-feira (7), o ministro da Agricultura, André de Paula, respondeu ao requerimento apresentado pelo deputado Evair de Melo sobre o risco de o Brasil perder a autorização para exportar carnes e derivados à União Europeia.

    Segundo o ministério, a solução depende também do setor produtivo. A pasta explicou que alguns antimicrobianos proibidos pelos europeus continuam registrados para uso na bovinocultura, avicultura e suinocultura brasileiras.

    Dessa forma, os próprios produtores precisam criar sistemas capazes de separar os animais destinados ao mercado europeu e comprovar que cumprem todas as exigências sanitárias.

    Governo afirma que alertou o setor desde 2023

    O Ministério da Agricultura informou que mantém reuniões e trocas de informações com entidades da cadeia pecuária desde 2023.

    Ao todo, o governo realizou pelo menos 32 encontros para discutir o tema. Além disso, a pasta afirmou que alertou o setor sobre a necessidade de desenvolver mecanismos próprios de controle.

    Segundo o ministério, não existia perspectiva de proibir esses medicamentos no Brasil. Por isso, o setor privado precisaria organizar sistemas de rastreabilidade e segregação para atender às exigências europeias.

    Pecuaristas rejeitam banimento da monensina

    A principal discussão envolve a monensina, substância utilizada para melhorar o desempenho e a eficiência alimentar do rebanho.

    A CNA mantém posição contrária ao banimento do produto. Segundo representantes dos pecuaristas, a retirada da monensina pode comprometer a produção de animais destinados ao chamado boi China.

    Esse mercado exige bovinos abatidos com até 30 meses de idade. Como a substância acelera o ganho de peso, muitos produtores acreditam que a proibição dificultará o atendimento desse requisito.

    Países vizinhos já adotaram outro modelo

    Argentina e Uruguai proibiram o uso dos antimicrobianos exigidos pela União Europeia. Entretanto, laboratórios desses países passaram a oferecer produtos alternativos aos pecuaristas.

    No Brasil, por outro lado, representantes do setor afirmam que ainda não existem substitutos economicamente viáveis.

    Além disso, a pecuária brasileira utiliza principalmente zebuínos. Essas raças levam mais tempo para atingir o peso ideal de abate do que as raças europeias criadas na Argentina e no Uruguai. Por esse motivo, muitos produtores consideram a monensina uma ferramenta importante para manter a competitividade das exportações brasileiras.

  • Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Apesar de a China ser o principal destino das exportações brasileiras de soja e carne bovina, produtores e moradores da fronteira agrícola demonstram maior confiança nos Estados Unidos do que no país asiático.

    A conclusão faz parte de uma pesquisa realizada pela FGV RI (Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas) em municípios da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil no fim de 2025.

    O levantamento revela uma diferença significativa entre dependência econômica e confiança política.

    Dependência comercial não significa confiança

    A China concentra atualmente cerca de 80% das exportações brasileiras de soja e 86% das vendas externas de carne bovina.

    Mesmo assim, os entrevistados demonstraram maior confiança nos Estados Unidos.

    Segundo a pesquisa:

    21,8% consideram os EUA “muito confiáveis”;

    12,6% atribuem a mesma avaliação à China.

    A diferença supera nove pontos percentuais.

    O estudo também aponta que a confiança na China caiu quase 20 pontos percentuais em comparação com 2017, período em que as relações comerciais entre os dois países continuaram avançando.

    Segundo os pesquisadores, o resultado mostra que laços econômicos e alinhamentos políticos seguem caminhos distintos.

    “A fronteira agrícola vende para a China sem confiar nela e confia nos Estados Unidos sem depender deles comercialmente. A pesquisa mostra que confiança política e dependência econômica são coisas distintas e seguem lógicas diferentes”, afirmou Matias Spektor, diretor da FGV RI e um dos autores do estudo.

    Leia mais: Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    União Europeia gera percepção dividida

    A pesquisa também avaliou como os entrevistados enxergam as exigências ambientais da União Europeia para produtos agrícolas.

    De um lado, 74,3% acreditam que atender às normas ambientais europeias fortalece a reputação internacional do Brasil.

    Por outro:

    66,9% afirmam que as exigências reduzem a competitividade dos produtos brasileiros;

    61,5% entendem que as regras atendem principalmente aos interesses econômicos da própria União Europeia.

    Segundo os pesquisadores, essas avaliações não são contraditórias.

    A interpretação é que o setor vê as exigências como uma condição necessária para manter acesso a um mercado estratégico, mesmo sem compartilhar integralmente os valores defendidos pelo bloco europeu.

    Fronteira agrícola tem perfil mais conservador

    O levantamento também traçou um panorama político dos moradores da região.

    De acordo com os dados:

    83,5% se identificam como de direita ou centro;

    16,5% se declaram de esquerda.

    A pesquisa aponta ainda que:

    55,9% acreditam que o governo interfere excessivamente na vida das pessoas;

    64,3% avaliam que a regulação estatal gera mais efeitos negativos do que positivos para os negócios.

    Segundo os autores, essas percepções influenciam a forma como a população da fronteira agrícola avalia parceiros internacionais como Estados Unidos, China e União Europeia.

    Peso político do agro pode crescer

    O estudo destaca ainda o aumento da relevância eleitoral da fronteira agrícola brasileira.

    Os estados que compõem essa região representam aproximadamente 15% do eleitorado nacional.

    Para os pesquisadores, esse crescimento pode ampliar a influência das preferências regionais nos debates sobre política externa e nas relações do Brasil com Washington, Pequim e Bruxelas.

    “Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região”, concluiu Matias Spektor.

    Leia mais: Frutas em miniatura conquistam produtores e consumidores

  • Brasil busca acordo com a UE para manter exportações de carne bovina

    Brasil busca acordo com a UE para manter exportações de carne bovina

    A indústria frigorífica acredita que as negociações entre Brasil e União Europeia permitirão a retomada das exportações de carne ao bloco antes da entrada em vigor das novas restrições sobre antimicrobianos, prevista para setembro.

    A expectativa do setor se apoia no avanço das negociações sobre um protocolo para segregação de animais livres dos antimicrobianos vetados e na possível concessão de um período de transição pela UE.

    Outro fator considerado relevante é a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações diplomáticas, movimento que pode contribuir para acelerar as tratativas.

    Na quinta-feira (18), o CEO da Friboi e presidente do conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Renato Costa, reconheceu que houve certa demora na reação da cadeia produtiva e do próprio governo diante das exigências europeias, já que a regulamentação não é recente.

    Segundo ele, o cenário também exige maior participação da indústria farmacêutica veterinária para ampliar a oferta de alternativas aos antimicrobianos proibidos no mercado europeu.

    “Estamos confiantes. Teve que ter uma escalada política para ver se acelerava isso [negociações]. O presidente Lula agora, no G7, apresentou não só o nosso pleito. E [tem] também o trabalho que o Ministério da Agricultura está fazendo para convencer a comunidade europeia a aceitar o protocolo”, afirmou.

    Avanços sanitários

    De acordo com o executivo, o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, além de outros avanços sanitários conquistados recentemente, pode reforçar os argumentos brasileiros nas negociações.

    A proposta de transição permitiria a implementação gradual do protocolo de rastreabilidade exigido pela UE, incluindo a comprovação da ausência dos antimicrobianos durante todo o ciclo produtivo do animal. Atualmente, o setor estima que esse monitoramento precisaria abranger cerca de 30 meses, período que vai do nascimento ao abate dos bovinos.

    No entanto, o Brasil ainda não dispõe dessas informações de forma ampla e estruturada para atender às exigências até setembro.

    Setor cobra medidas mais rápidas

    Na semana passada, a Abiec e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) solicitaram ao governo federal a ampliação das restrições ao uso de determinados antimicrobianos. Até o momento, segundo a indústria, não houve resposta oficial.

    Costa afirmou que a proposta teve como objetivo chamar atenção para a necessidade de ações mais efetivas diante do risco de perda de um mercado considerado estratégico para a rentabilidade das exportações brasileiras.

    No entanto, a iniciativa recebeu críticas de pecuaristas e empresas do setor de saúde animal. Um dos principais questionamentos envolve a disponibilidade limitada de produtos substitutos no mercado brasileiro.

    1,2 mil fazendas estão habilitadas para exportação

    Renato Costa destacou que cerca de 1,2 mil fazendas brasileiras estão habilitadas a exportar carne bovina à União Europeia por meio da Lista Traces, cumprindo exigências de rastreabilidade, mas ainda sem atender às novas regras sobre medicamentos veterinários. Segundo Damian Lluna, representante da UE no Brasil, essas exigências já são conhecidas pelo setor há anos.

    “A União Europeia tem, desde o início dos anos 2000, regras de proibição desses produtos. Já é obrigação a todos os produtores europeus desde 2022, e agora tem para países terceiros que queiram exportar para lá”, afirmou.

    Mercado europeu tem alto valor agregado

    Embora a União Europeia tenha absorvido apenas 3,5% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, o mercado possui grande relevância econômica devido à compra de cortes de maior valor agregado.

    Neste ano, as vendas ao bloco somaram US$ 1 bilhão e 128 mil toneladas de carne bovina.

    Por isso, um eventual bloqueio poderia reduzir a rentabilidade das operações exportadoras. Ainda assim, Costa avalia que os volumes embarcados poderiam ser redirecionados para outros mercados compradores, minimizando os impactos sobre o setor.

  • Rússia reconhece status sanitário do Brasil e impulsiona exportações do agro

    Rússia reconhece status sanitário do Brasil e impulsiona exportações do agro

    O agronegócio brasileiro ganhou essa semana mais um aliado estratégico no Leste. A Rússia reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. O avanço sanitário consolida a confiança internacional no sistema de defesa agropecuária do país e abre espaço para novas categorias de produtos e maior volume de exportações ao mercado russo.

    O movimento não é isolado. A China fez anúncio semelhante no início deste mês, e ambas as decisões seguem a certificação concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em 2025. O contraste com o Ocidente é evidente: enquanto Rússia e China ampliam o acesso ao mercado brasileiro, os Estados Unidos mantêm tarifas elevadas sobre produtos agrícolas do Brasil, e a União Europeia impõe barreiras regulatórias e restrições que dificultam as exportações nacionais, com destaque para as regras sobre desmatamento, que ameaçam travar negócios bilionários.

    Missão oficial percorre três cidades russas

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) enviou uma delegação à Rússia nos últimos dias, com agenda em São Petersburgo, Kirovsk e Moscou. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, liderou o grupo. Que contou ainda com o adido agrícola do Brasil em Moscou, Marco Túlio Santiago, e o coordenador de Articulação, Rafael Requião.

    A missão começou durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, um dos principais eventos de diálogo econômico da Rússia. Lá, o secretário Luís Rua participou de painéis sobre as relações econômicas entre Brasil, Rússia e os países do Brics. A agenda incluiu reuniões bilaterais com ministros e vice-ministros da Agricultura e da Economia de países como Uruguai, Uzbequistão, Belarus e Vietnã, além de encontros com o setor privado.

    Fertilizantes na pauta: Brasil é mercado prioritário para empresas russas

    A missão também tratou de fertilizantes, insumo estratégico para o agronegócio brasileiro. A delegação visitou a operação de fertilizantes fosfatados da PhosAgro em Kirovsk, localizada nas Montanhas Khibiny, uma das principais regiões produtoras de rocha fosfática da Rússia. No local, conheceu a estrutura de mineração e processamento responsável pela produção de concentrado de apatita, matéria-prima dos fertilizantes fosfatados.

    Além da visita à PhosAgro, a delegação se reuniu com quatro das principais empresas russas do setor. As conversas deixaram clara a percepção de que o Brasil ocupa posição prioritária entre os mercados atendidos pelas companhias russas.

    Moscou avança em cooperação sanitária e habilitação de estabelecimentos

    A etapa final da missão, em Moscou, reuniu a delegação com o Ministério da Agricultura da Federação Russa e o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária (Rosselkhoznadzor). As reuniões abordaram cooperação sanitária, habilitação de estabelecimentos brasileiros, ampliação das exportações agropecuárias e novas oportunidades comerciais.

    A relação bilateral já acumula avanços recentes. Três estabelecimentos brasileiros de pescado receberam habilitação para exportar ao mercado russo. E a Rússia abriu as portas para as exportações brasileiras de castanhas.

    US$ 10 bilhões e complementaridade econômica

    Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Rússia superou, pelo segundo ano consecutivo, a marca de US$ 10 bilhões. A relação se baseia na complementaridade: o Brasil exporta carnes, café e amendoim, enquanto importa fertilizantes e trigo.Esses insumos são essenciais para a produção agrícola nacional.

    Em Moscou, a delegação participou ainda do Brazilian Beef Dinner, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela ApexBrasil, voltado à promoção da carne bovina brasileira junto a importadores russos. O secretário Luís Rua participou também de evento organizado pela Embaixada do Brasil para discutir governança global e o papel dos Brics.

    A atuação coordenada entre o Mapa, o Ministério das Relações Exteriores, a Embaixada do Brasil em Moscou e a ApexBrasil revela uma estratégia deliberada. Diante das barreiras crescentes do Ocidente, o agronegócio brasileiro aposta no Sul Global para sustentar e ampliar suas exportações.