Tag: turismo rural

  • Turismo cultural cresce no Noroeste gaúcho com o Memorial da Evolução Agrícola

    Turismo cultural cresce no Noroeste gaúcho com o Memorial da Evolução Agrícola

    O Noroeste do Rio Grande do Sul consolida-se como um dos destinos de turismo cultural mais promissores do Sul do país. A região tem apostado em roteiros que conectam agricultura, patrimônio histórico e experiências culturais, atraindo turistas que buscam vivências autênticas e sustentáveis.

    Entre os principais atrativos estão o Salto do Yacumã, o Salto do Roncador e os circuitos rurais que valorizam a identidade agrícola e a diversidade natural. Nos últimos anos, municípios da região vêm ampliando o tempo de permanência dos visitantes e fortalecendo o turismo de curta duração e de fim de semana.

    Em Horizontina, o Memorial da Evolução Agrícola (MEA) tornou-se referência nacional em turismo cultural. O espaço, uma parceria entre o Instituto John Deere e o Ministério da Cultura via Lei de Incentivo à Cultura, celebra dois anos de funcionamento em 2026 como um dos principais polos de cultura, educação e lazer do Noroeste gaúcho.

    Com mais de 130 mil visitantes desde a inauguração, o MEA oferece programação gratuita, acessível e voltada a públicos diversos: estudantes, famílias, idosos, agricultores e turistas. A exposição permanente apresenta de forma imersiva a evolução da agricultura brasileira, estimulando reflexões sobre tecnologia, boas práticas no campo e sustentabilidade. O complexo também abriga Cozinha Experimental, Ateliê Educativo, quadras esportivas, área de patinação e espaços de convivência ao ar livre abertos de terça a domingo, das 8h às 22h.

    MEA Itinerante leva cultura a novas cidades

    O programa MEA Itinerante expande o alcance cultural do Memorial e fortalece o turismo de proximidade. Depois de visitar seis cidades em 2024, o projeto ampliou seu percurso em 2025 e prevê alcançar 18 municípios da região com 21 exposições e apresentações teatrais gratuitas.

    A mostra 2025–2026 apresenta uma versão lúdica e interativa da exposição principal, acompanhada do espetáculo Teatro do MEA. Protagonizado pelos personagens Joca e L.U.M.I., eles narram a história da agricultura brasileira com humor e interação.

    MEA Itinerante leva parte da experiência do Memorial a diferentes municípios do Noroeste gaúcho. Foto:
    Divulgação Sicredi Panambi.

    “Mais do que levar exposições, o MEA Itinerante estimula o turismo local e regional, conectando cultura, gastronomia e identidade”, define Karina Muniz Viana, diretora do MEA.

    Missões Jesuíticas e o patrimônio cultural do RS

    O turismo histórico-cultural no Noroeste gaúcho ganha ainda mais destaque com a celebração dos 400 anos da chegada dos jesuítas ao Rio Grande do Sul, em 2026. A região abriga o Sítio Histórico São Miguel Arcanjo, único Patrimônio Mundial da Humanidade reconhecido pela Unesco no estado, e o Museu Histórico das Missões, que preserva a herança missioneira.

    Iniciativas como o MEA fortalecem a integração entre memória, território e desenvolvimento, diversificando a oferta turística e impulsionando o crescimento regional. Ao unir história, cultura e natureza, o Noroeste gaúcho se consolida como destino estratégico para o turismo regional, nacional e internacional.

    Serviço – Memorial da Evolução Agrícola (MEA)

    • Localização: Horizontina (RS)
    • Atendimento:
    • Memorial: quarta a domingo e feriados, das 9h às 17h (entrada até 16h30)
    • Área externa: terça a domingo e feriados, das 8h às 22h
    • Entrada: gratuita e livre para todos os públicos
    • Estacionamento: gratuito e exclusivo para visitantes
    No MEA, o público conhece a evolução da agricultura em uma exposição interativa e tecnológica. Foto:
    Felipe Pacheco/Divulgação MEA.

    O MEA ocupa uma área de 64 mil m² e reúne espaços destinados à arte, cultura, educação, esporte e lazer. O local também abriga a John Deere Store e a unidade Senai Horizontina (RS).

  • Sítio São José: 30 anos de agricultura familiar sustentável em Diamantino

    Sítio São José: 30 anos de agricultura familiar sustentável em Diamantino

    A 30 quilômetros de Diamantino, no assentamento Caité, uma história de dedicação e amor à terra se renova a cada safra. O Sítio São José celebra três décadas de atividades mantendo viva a tradição da agricultura familiar em Mato Grosso, agora com um diferencial: a combinação entre o conhecimento ancestral e as novas tecnologias de produção sustentável.

    José Lemes, agricultor de quase 70 anos, lidera a propriedade de 33 hectares ao lado da esposa Creuza da Silva, do filho caçula José Lemos da Silva Filho e da nora Francielly Rodrigues. Dos 33 hectares totais, nove são destinados à produção diversificada de hortaliças, frutíferas, mel e piscicultura.

    A rotina no Sítio São José começa cedo e reflete o compromisso da família com a qualidade dos alimentos produzidos. José Lemes, que começou a trabalhar na roça aos sete anos seguindo o ensinamento passado de pai para filho, hoje prepara a transição do comando para a nova geração.

    Fornecimento para escolas garante renda estável

    Uma decisão estratégica mudou os rumos da propriedade nos últimos anos. José Lemes deixou de comercializar produtos em mercados convencionais para participar de programas governamentais de fornecimento de alimentos às escolas públicas.

    A mudança trouxe estabilidade financeira e melhor qualidade de vida para a família. O agricultor avalia positivamente a parceria com o poder público e destaca o reconhecimento que a agricultura familiar recebe atualmente em Mato Grosso.

    O produtor ressalta que o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf) e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), representa um incentivo fundamental para quem trabalha no campo.

    Nova geração traz inovação e empreendedorismo rural

    José Lemos da Silva Filho enxerga como privilégio trabalhar ao lado do pai e contribuir para a expansão dos negócios da família. Após experiências em outras fazendas, o jovem agricultor encontrou no Sítio São José o espaço ideal para implementar suas ideias.

    Família Lemes. Foto: Samuel Janke/Seaf

    Os planos incluem fortalecer a piscicultura e a policultura, expandir a fruticultura e desenvolver o turismo rural na propriedade. A intenção é atrair visitantes interessados em conhecer o sistema de produção consorciada e as práticas de convivência harmônica com a natureza adotadas pela família.

    Liderança feminina fortalece associação de agricultores

    Francielly Rodrigues, de 24 anos, representa o protagonismo feminino na agricultura familiar de Mato Grosso. Além de atuar diretamente na produção do sítio, ela é presidente da Associação de Agricultura Familiar Sustentável de Policultura Ceiba, que reúne 32 famílias produtoras.

    A jovem assumiu a liderança da associação após conhecer a comunidade do assentamento e reconhece o peso da responsabilidade. Mesmo ciente dos desafios enfrentados pelas mulheres no campo, Francielly demonstra confiança no potencial feminino para transformar a realidade rural.

    Segundo a presidente da associação, as políticas públicas implementadas pela Seaf em Diamantino fortalecem não apenas a agricultura familiar tradicional, mas também ampliam oportunidades para indígenas e quilombolas em todo o estado de Mato Grosso.

    Agricultura familiar sustentável como modelo de desenvolvimento

    O Sítio São José exemplifica como tradição e inovação podem caminhar juntas no campo. A experiência acumulada por José Lemes ao longo de décadas se complementa com o entusiasmo empreendedor do filho e a capacidade de liderança da nora.

    Esse ciclo de produção sustentável reforça a identidade do assentamento Caité e comprova que, quando famílias trabalham com amor e propósito, a agricultura produz resultados econômicos, sociais e ambientais positivos para toda a comunidade rural.

    A história da família Lemes demonstra que a agricultura familiar em Mato Grosso tem potencial para crescer de forma sustentável, gerando renda, preservando tradições e inspirando novas gerações a permanecerem no campo com qualidade de vida.

  • Turismo rural e gastronômico cresce no Brasil

    Turismo rural e gastronômico cresce no Brasil

    Longe dos grandes centros urbanos, fazendas, sítios e propriedades rurais abrem suas porteiras para visitantes que buscam autenticidade, tranquilidade e experiências memoráveis. O turismo rural e gastronômico cresce acelerado no Brasil e transforma a maneira como as pessoas viajam.

    Essa modalidade vai além do simples descanso. Os turistas mergulham na rotina do campo, participam de colheitas, ordenhas e preparo de alimentos artesanais. Eles conhecem as tradições locais, interagem com produtores e experimentam sabores que carregam histórias de gerações. A gastronomia regional, inclusive, tornou-se protagonista dessas viagens, elevando pratos típicos e ingredientes locais a verdadeiras atrações turísticas.

    Turismo rural movimenta a economia

    O turismo rural consolida-se como um dos segmentos de maior crescimento no Brasil. A modalidade, que oferece experiências autênticas e conexão com a natureza, impulsiona a economia nacional e promove o desenvolvimento sustentável em diversas regiões.

    Dados recentes do setor mostram um cenário próspero: no último ano, o Brasil recebeu mais de 6,6 milhões de turistas, um crescimento de 12,6%. A atividade gerou uma receita superior a US$ 6,6 bilhões e criou cerca de 190 mil empregos formais. Dentro deste contexto, o turismo rural se destaca com uma previsão de expansão ainda maior para os próximos anos.

    “O turismo rural fortalece comunidades locais, preserva tradições e conecta os viajantes a diferentes culturas”, afirma Hugo Reichenbach, sócio e diretor de operações da Real Seguro Viagem.

    Gastronomia local: o ingrediente que completa a experiência

    A culinária regional transformou-se em um dos principais atrativos do turismo rural brasileiro. Queijos artesanais de Minas Gerais, vinhos gaúchos, cafés especiais do interior paulista e doces coloniais atraem visitantes dispostos a conhecer cada etapa da produção. Muitas propriedades oferecem experiências gastronômicas completas, onde os turistas colhem ingredientes direto da horta e participam do preparo das refeições.

    Projeto de IG e charcutaria premium colocam o Paraná no mapa da gastronomia sustentável. Foto: Projeto Porco Moura/UFPR

    Essa conexão entre campo e mesa valoriza produtos locais e estimula a economia regional. Pequenos produtores encontram no turismo gastronômico uma oportunidade de diversificar suas fontes de renda e compartilhar seus conhecimentos. Rotas gastronômicas e festivais de comida típica multiplicam-se pelo país, consolidando destinos e atraindo público cada vez mais engajado.

    Destinos que combinam campo e culinária

    Minas Gerais lidera como um dos principais destinos para quem busca turismo rural e gastronômico. A região da Serra da Canastra, famosa pelo queijo artesanal, e as cidades históricas que oferecem comida mineira tradicional encantam visitantes. São Paulo também se destaca, especialmente no interior, onde fazendas históricas de café abrem suas portas para vivências imersivas e degustações.

    O Rio Grande do Sul conquista turistas com suas vinícolas, roteiros coloniais e gastronomia influenciada pela imigração europeia. A região serrana capixaba, o pantanal mato-grossense e o Vale do São Francisco, com suas vinícolas e frutas tropicais, completam o mapa de destinos que aliam natureza, cultura e sabor.

    Foto: Siderlei Ditadi

    “Podemos afirmar que, devido à sazonalidade e à variedade de climas e culturas, cada região do Brasil possui suas peculiaridades culinárias. A tapioca do Nordeste, o acarajé da Bahia, o chimarrão gaúcho, a doce banana de Corupá em Santa Catarina,  são apenas alguns exemplos. Poucos países no mundo desfrutam de um leque tão amplo e diverso de produção no setor do agropecuário”, comenta o jornalista Sérgio Martins, especializado em turismo e gastronomia.

    Sérgio Martins é jornalista, especializado em turismo e gastrônomia

    A busca por vivências como trilhas, cavalgadas e a rotina agrícola exige atenção redobrada com a segurança. Reichenbach reforça que contratar um seguro viagem é crucial, mesmo para destinos próximos. “Em ambientes rurais, frequentemente em áreas remotas, o seguro viagem oferece suporte essencial em emergências médicas, acidentes e outros imprevistos. Ele garante uma experiência segura para turistas e produtores”, explica.

    Turismo sustentável

    O turismo rural e gastronômico representa muito mais que uma tendência passageira. Ele fortalece a identidade cultural brasileira, valoriza o trabalho no campo e distribui renda de forma mais equitativa pelo território nacional. Enquanto os grandes centros urbanos concentram a maior parte do turismo tradicional, o interior do país ganha protagonismo e mostra sua riqueza.

    A sustentabilidade permeia essas experiências. Propriedades adotam práticas ambientalmente responsáveis, valorizam a agricultura familiar e promovem o consumo consciente. Os turistas, por sua vez, retornam para casa com novos aprendizados, produtos locais e a vontade de voltar. O campo brasileiro nunca esteve tão próximo e, ao mesmo tempo, tão cheio de novidades para oferecer.

    “A gastronomia brasileira é extremamente rica, resultado de seu vasto território e da diversidade na produção de alimentos. Nossa agricultura é ampla, impulsionada tanto pelos grandes produtores quanto pelos pequenos, que integram a chamada agricultura familiar”, finaliza Martins.

  • Fazenda Cabuçu de “Renascer” está à venda por R$ 2,6 milhões

    Fazenda Cabuçu de “Renascer” está à venda por R$ 2,6 milhões

    A porteira range devagar, como quem anuncia que o tempo ali tem outro ritmo. Do lado de dentro, a Fazenda Cabuçu, em Itaboraí, cidade do interior do Rio de Janeiro, parece suspensa no ar. O vento atravessa as janelas antigas e traz um cheiro de terra molhada, de madeira antiga e de lembranças que a ficção deixou para trás.

    Foi ali que o coronel Egídio, interpretado por Vladimir Brichta, viveu seus dias de glória e queda em Renascer. Lá também que Dona Patroa (Camila Morgado) enfrentou os silêncios do casamento e onde Eliana (Sophie Charlotte) chegou para desarrumar tudo. Hoje, o mesmo casarão que serviu de cenário para paixões e vinganças está à venda por R$ 2,6 milhões, segundo o anúncio de corretores locais.

    A fazenda onde o tempo ainda mora

    Reprodução: OLX

    A Cabuçu é mais que uma fazenda — é uma lembrança viva. Construída no século XVIII, ocupa 51 hectares de terra, o equivalente a mais de 70 campos de futebol. A propriedade fica a cerca de 30 quilômetros de Niterói, distância suficiente para parecer distante da cidade, mas perto o bastante para um passeio de final de semana.

    A sede principal, com 1.300 metros quadrados, tem 11 quartos, três salas, duas cozinhas e dois banheiros. As paredes revelam as marcas do tempo. As janelas de madeira deixam a luz da manhã entrar suave, quase preguiçosa. No entorno há casa de funcionários, lago, campo de futebol, curral, galinheiro e duas represas que espelham o céu de Itaboraí com uma calma que parece ensaiada.

    Reprodução: OLX

    O palco das emoções de Renascer

    Na novela, a fazenda foi o coração das disputas e ressentimentos. Cada corredor serviu de palco para uma tensão, cada varanda foi testemunha de um segredo. As câmeras da Globo transformaram o casarão em personagem: forte, imponente e cheio de cicatrizes.

    Quando as gravações acabaram, o silêncio voltou, mas a sensação de que algo ainda habita o lugar continua. Quem passa pela estrada diminui a velocidade. O casarão aparece ao longe, cercado de verde, e parece pedir atenção — como se ainda esperasse o próximo “ação!”.

    Entre o passado e o presente

    O preço pedido, R$ 2,6 milhões, não é apenas o valor da terra. É o valor da memória. Poucos lugares conseguem misturar com tanta naturalidade vida rural, história e ficção. Mesmo depois que as câmeras foram embora, a Cabuçu manteve o carisma e a força de cenário vivo.

    Reprodução: OLX

    Quem visitar o local não vai encontrar luxo. Vai encontrar atmosfera. O som da água correndo, o cheiro do mato, o canto dos pássaros e a sensação de que a fazenda respira — devagar, mas com orgulho.

    O último ato da casa do coronel

    Reprodução: OLX

    Vista de longe, a casa lembra um velho ator que se recusa a deixar o palco. Enquanto isso, as palmeiras se movem com o vento, num gesto silencioso de reverência. Logo depois, quando a porteira se abre, o ferro canta, e então o som se espalha lentamente pela tarde. Assim, o ar parece se encher de lembrança e expectativa. Por fim, é o anúncio claro de que o passado ainda vive ali, teimoso, à espera de um novo dono.

    Reprodução: OLX

    Por R$ 2,6 milhões, quem comprar a Fazenda Cabuçu não vai adquirir apenas um imóvel. Vai levar um pedaço da história da televisão brasileira, um retrato da alma rural do Rio de Janeiro e talvez a sensação de que, num entardecer qualquer, o coronel Egídio ainda possa surgir na varanda, ajeitando o chapéu e observando o sol cair sobre as montanhas de Itaboraí.

  • Fazenda Santa Clara: maior construção rural da América Latina é brasileira

    Fazenda Santa Clara: maior construção rural da América Latina é brasileira

    No interior de Minas Gerais, cercada por colinas verdes e rios que refletem o tempo, está a Fazenda Santa Clara. Uma construção tão imponente que parece desafiar a passagem dos séculos. São seis mil metros quadrados, 365 janelas, 52 quartos e 12 salões. Dizem que é uma janela para cada dia do ano, um quarto para cada semana e um salão para cada mês. E o simbolismo não é coincidência: tudo ali foi feito para impressionar.

    Localizada em Santa Rita de Jacutinga, a Santa Clara é considerada a maior construção rural da América Latina. A Fazenda Santa Clara é um pedaço de alma do Brasil rural, um templo erguido pela força do campo, pela lembrança da escravidão e pelo perfume do café que marcou uma era.

    Um casarão que nasceu para ser eterno

    A história da Fazenda Santa Clara começa entre 1760 e 1780, quando o fazendeiro Francisco Tereziano Fortes de Bustamante decidiu erguer um símbolo de poder. Com paredes de taipa e pedra e estrutura em madeira de lei, o casarão foi construído por centenas de pessoas escravizadas.

    Foto: Reprodução – Redes Sociais

    A grandiosidade impressiona até hoje. De longe, a casa parece um palácio. De perto, revela o espírito de uma época em que o poder se media pela extensão das terras e pela altura dos alpendres.

    Cada parede guarda o som dos sinos da capela e o murmúrio dos que viveram e trabalharam ali. É impossível caminhar por Santa Clara sem sentir que o tempo, de alguma forma, ficou preso entre as janelas.

    O tempo do café e o auge da fazenda

    No século 19, o café se tornou o ouro verde do Brasil. E a Fazenda Santa Clara estava no centro desse ciclo. Com terreiros de secagem, senzalas, tulhas e uma capela, a propriedade produzia grãos de qualidade, exportados para a Europa.

    Estima-se que cerca de 2.800 pessoas escravizadas viveram na fazenda durante seu auge. Elas cultivavam, colhiam e processavam o café que fez da Santa Clara uma das propriedades mais prósperas de Minas.

    Nos salões, a elite rural celebrava conquistas ao som de pianos franceses. Do lado de fora, o ritmo era outro: o som das enxadas, o estalar dos grãos secando ao sol e a esperança silenciosa de quem sonhava com liberdade.

    A fazenda, com toda sua riqueza e contradição, acabou se tornando símbolo do Brasil rural — poderoso, desigual e profundamente humano.

    Cenário da novela Terra Nostra

    Mais de duzentos anos depois, a Fazenda Santa Clara voltou a viver um novo auge, desta vez nas telas. Em 1999, o casarão foi escolhido pela Rede Globo para ser o cenário principal da novela Terra Nostra, escrita por Benedito Ruy Barbosa.

    Imagem: Divulgação – Globo

    Na trama, a propriedade representava a fazenda do Coronel Gumercindo Telles de Aranha, interpretado por Antônio Fagundes, o barão do café mais imponente da ficção brasileira. Orgulhoso e autoritário, Gumercindo simbolizava o poder dos grandes fazendeiros do final do século 19.

    As cenas gravadas em Santa Clara mostravam os jantares da elite cafeeira, os encontros políticos, os conflitos familiares e o trabalho dos imigrantes italianos, liderados por Matteo Batistela (Thiago Lacerda) e Rosana Telles (Carolina Kasting).

    O contraste entre o luxo da casa grande e a dureza das plantações deu ainda mais autenticidade à novela, fazendo com que o público se conectasse com a história e reforçando a força simbólica da Fazenda Santa Clara. Por isso, o casarão acabou eternizado na memória dos brasileiros, tornando-se, pouco a pouco, um verdadeiro ícone da teledramaturgia nacional.

    Desde então, o local passou a atrair visitantes de todo o país e se transformou em um dos pontos turísticos mais conhecidos de Minas Gerais. Ano após ano, turistas de diferentes regiões viajam até Santa Rita de Jacutinga para ver de perto a fazenda de Terra Nostra, onde, um dia, Antônio Fagundes, Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio viveram cenas marcantes da TV brasileira.

    Imagem: Divulgação – Globo

    Assim, a ficção se misturou à realidade, fazendo com que o antigo casarão voltasse a respirar, agora, como um patrimônio vivo da cultura rural e da memória do Brasil.

    Entre a glória e o esquecimento

    Com o fim do ciclo do café e, sobretudo, após a abolição da escravidão, a Fazenda Santa Clara perdeu parte de seu brilho. Aos poucos, o movimento dos terreiros silenciou, e o casarão, antes repleto de vida, mergulhou em um longo período de esquecimento. Durante décadas, o tempo agiu sem pressa. Enquanto as janelas se fechavam, a umidade corroía as paredes, ao mesmo tempo em que os cupins devoravam a madeira e o silêncio passava a dominar os corredores.

    Somente em 2014, o governo de Minas Gerais decidiu intervir e tombou o conjunto como Patrimônio Arquitetônico e Paisagístico, garantindo, assim, sua preservação. Desde então, o casarão respira um pouco mais seguro. Hoje, é possível visitar o exterior da fazenda, observar sua fachada monumental e, ao mesmo tempo, imaginar como era a vida ali, quando ainda o aroma do café perfumava o ar e o campo vibrava de movimento.

    Foto: Reprodução – Redes Sociais

    Mesmo desgastada, a Santa Clara continua imponente. De longe, o casarão parece respirar. É como se cada janela contasse uma história que o tempo ainda não teve coragem de apagar.

    Uma janela aberta para o Brasil

    Visitar a Fazenda Santa Clara é mais do que uma viagem no tempo. É mergulhar nas origens do Brasil rural, no ciclo do café e nas contradições que moldaram o país.

    Cada azulejo é uma lembrança. Cada corredor, um eco do passado. Entre a glória e a dor, a Santa Clara segue firme como um retrato do Brasil em carne, pedra e café.

    Com suas 365 janelas abertas para o passado, a maior fazenda da América Latina continua a nos lembrar que o tempo passa, mas a história não se fecha.

  • Cadastur – turismo rural como opção para produtores rurais e agricultores familiares

    Cadastur – turismo rural como opção para produtores rurais e agricultores familiares

    A secretária-executiva do Ministério do Turismo, Ana Carla Lopes, anunciou essa semana uma nova portaria durante a 48ª Expointer, em Esteio (RS). A medida autoriza agricultores familiares e produtores rurais a se registrarem no Cadastur.

    O registro permite que esses profissionais ofertem serviços turísticos em suas propriedades. Eles mantêm todos os direitos já garantidos por outras legislações federais, incluindo benefícios previdenciários como aposentadoria.

    A iniciativa, embora lançada no Rio Grande do Sul, tem validade nacional. O governador Eduardo Leite participou da solenidade, junto com o secretário estadual de Turismo, Ronaldo Santini, e representantes do setor.

    A portaria regulamenta a Lei Geral do Turismo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei no final de 2024. A norma traz segurança jurídica para agricultores familiares, empreendedores e profissionais do turismo.

    “Fortalecemos o turismo rural com essa medida”, destaca Ana Carla Lopes. “Os agricultores familiares podem desenvolver atividades turísticas em suas propriedades. Isso gera renda complementar, empregos e desenvolvimento sustentável.”

    Agricultores mantêm direitos previdenciários ao atuar no turismo

    Eduardo Leite enfatiza a importância do turismo rural para o estado. “Nossa intenção é tornar o turismo rural uma atividade pública cada vez mais relevante”, afirma o governador. “Ele tem enorme capacidade de gerar empregos.”

    O governador destaca que as tecnologias transformam a produção rural. No entanto, o turismo exige acolhimento humano. “O ser humano é indispensável nesse processo”, complementa Leite.

    Ronaldo Santini ressalta o impacto na economia local. “A portaria reconhece anos de dedicação dos produtores”, explica o secretário. “Agora podem atuar no turismo sem abrir mão de direitos. Isso agrega valor à produção, amplia renda e fortalece programas como o Selo Sabor Gaúcho.”

    Quem pode se beneficiar da nova regulamentação

    A portaria abrange diferentes categorias de produtores rurais. Os agricultores familiares devem atender critérios específicos:

    • Possuir até quatro módulos fiscais de terra
    • Utilizar mão de obra predominantemente familiar
    • Ter a maior parte da renda vinculada ao estabelecimento
    • Dirigir a produção junto com familiares

    A medida também beneficia silvicultores, aquicultores e extrativistas. Pescadores artesanais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais entram na lista.

    Os produtores rurais, pessoas físicas ou jurídicas, também podem se cadastrar. Isso inclui quem desenvolve atividades agropecuárias, pesqueiras ou silviculturais. A extração de produtos primários também está contemplada.

    Cadastur oferece crédito facilitado e segurança jurídica

    O Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos reúne profissionais do setor. O sistema do Ministério do Turismo garante legalidade, benefícios e oportunidades aos cadastrados.

    O registro funciona como fonte de consulta segura para turistas. Os cadastrados têm acesso a programas como o Fungetur. Este fundo oferece crédito com juros reduzidos.

    O financiamento estimula o desenvolvimento do turismo. Também gera empregos e aumenta a renda local nas comunidades rurais.

    Lei Geral do Turismo moderniza setor e reduz burocracias

    A nova Lei Geral do Turismo moderniza todo o setor turístico brasileiro. A legislação reduz burocracias e fortalece o ambiente de negócios.

    A lei aproxima o poder público da iniciativa privada. Isso amplia a competitividade dos destinos brasileiros no mercado internacional.

    O Ministério do Turismo, Congresso Nacional e cadeia produtiva participaram da elaboração. O Conselho Nacional de Turismo (CNT) representou o setor privado nas discussões.

    A LGT amplia o acesso ao Cadastur para novas categorias. Microempreendedores individuais, serviços sociais autônomos e associações privadas podem se cadastrar. Parques aquáticos, de diversões e empreendimentos de lazer também entram no sistema.

  • Turismo rural incrementa a renda dos produtores

    Turismo rural incrementa a renda dos produtores

    O turismo rural no Alto Vale do Itajaí está revolucionando a vida de agricultores familiares. Com apoio da Epagri, produtores transformam suas propriedades em destinos turísticos, gerando renda extra e valorizando a cultura local. A região já conta com 59 empreendimentos na rota Caminhos do Campo, programa que atrai visitantes em busca de experiências autênticas no campo.

    O 3° Encontro de Turismo da Agricultura Familiar (Etraf), realizado em maio em Agrolândia, reuniu 110 agricultoras. O evento superou as expectativas, mostrando o crescente interesse pelo turismo rural.

    “O limite era 100 vagas, mas o sucesso da rota Caminhos do Campo motivou mais produtoras a participar”, afirma Katiucia Visenteiner, extensionista da Epagri. Ela destaca que as mulheres são as principais incentivadoras da mudança nas propriedades.

    Histórias de sucesso: do cultivo à hospedagem

    Um dos destaques é Fernanda Vanzuita, de Ibirama. Antes funcionária urbana, ela e o marido, Aristeu, decidiram investir no Chalé Rústico Encanto, uma hospedagem temática para casais.

    “Trabalhar com a natureza é desafiador, mas compensador. Hoje, até em dias úteis temos hóspedes”, comemora Fernanda, que deixou um emprego de 25 anos para se dedicar ao negócio.

    O chalé oferece:

    • Pacotes personalizados (noivado, lua de mel)
    • Passeios de bicicleta vintage
    • Noites com fogueira e vinhos
    • Banheiras com sais aromáticos

    A estratégia deu certo: o empreendimento entrou para a rota Caminhos do Campo em 2024 e já planeja expansão.

    Lei Geral do Turismo impulsiona o setor

    Uma mudança recente na Lei Geral do Turismo reconhece produtores rurais como prestadores de serviços turísticos. A medida facilita a formalização e acesso a crédito, impulsionando negócios como os da rota Caminhos do Campo.

    “Essa atualização é um avanço. Agora, o agricultor pode diversificar renda sem perder benefícios da agricultura familiar”, explica Pedro Rigo, superintendente do Sebrae/ES.

    Apesar do crescimento, o turismo rural ainda enfrenta obstáculos:

    • Burocracia na legalização (pode levar de 3 meses a 1 ano)
    • Falta de infraestrutura em algumas propriedades
    • Necessidade de capacitação em gestão e marketing
    • Para superar essas barreiras, a Epagri e a Amavi oferecem cursos em:
    • Gastronomia rural
    • Gestão de hospedagem
    • Normas sanitárias

    Futuro promissor: selo sustentável e expansão

    A Amavi lançou o Selo Caminhos Sustentáveis, que classifica propriedades em ouro, prata ou bronze conforme práticas ambientais e sociais. A meta é expandir a rota para mais municípios em 2025.

    “Queremos qualificar ainda mais o turismo rural, gerando renda e preservando a cultura local”, diz Fabiana Dickmann, assessora da Amavi.

    O turismo rural no Alto Vale do Itajaí prova que é possível unir tradição e inovação. Com políticas públicas, capacitação e histórias inspiradoras como a de Fernanda, a região se consolida como um destino que valoriza o campo e seus protagonistas.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Nachi: conheça as cabras dançarinas que fazem sucesso nas redes sociais

    + Agro em Campo: Pesquisas impulsionam produção de azeite de abacate

     

  • Vinhos artesanais conquistam qualidade e se preparam para o mercado

    Vinhos artesanais conquistam qualidade e se preparam para o mercado

    A tradição secular da produção de vinhos artesanais em Santa Catarina está ganhando novo impulso com a qualificação promovida pela Epagri. O Projeto Integrado Vinhos Artesanais, iniciado em 2021, vem promovendo ações estratégicas para elevar o padrão sensorial e mercadológico dos rótulos catarinenses, preparando os produtores para atender às exigências do mercado e impulsionar a economia rural do estado.

    A produção de vinho artesanal, transmitida por gerações desde a chegada dos imigrantes europeus, permanece viva em diversas famílias catarinenses. Com as adaptações técnicas e legais necessárias, os vinhos artesanais se tornam protagonistas no desenvolvimento do turismo rural. Além de agregar valor à propriedade, fomentando a gastronomia local e estimulando a hotelaria e o desenvolvimento regional. “O projeto visa à melhoria da qualidade dos vinhos e à legalização dos empreendimentos, agregando valor à propriedade e atraindo turistas”, destaca Vinícius Caliari, pesquisador da Epagri.

    Ações para elevar a qualidade dos vinhos catarinenses

    O projeto já cadastrou produtores em todas as regiões do estado e aplicou mais de 450 questionários sobre produção de uvas, práticas enológicas e características dos vinhos. Amostras enviadas para análise físico-química, conforme os Padrões de Identidade e Qualidade (PIQ) do Ministério da Agricultura e Pecuária, somaram cerca de mil exames. Vinhos aprovados seguiram para avaliação sensorial, realizada por especialistas em mais de 300 rótulos. Cada participante recebeu laudos detalhados e orientações técnicas para aprimorar ainda mais seus produtos.

    Foto: Epagri/SC

    A Epagri intensificou as capacitações em todo o estado, promovendo palestras sobre legalização e cursos práticos de elaboração de vinhos, que já somam 500 participantes em 2024. Os conteúdos abordam legislação, higienização, sanitização, processos de vinificação de diferentes estilos e uso de insumos enológicos. O objetivo é orientar desde a escolha da matéria-prima até o controle de temperatura e a correta utilização de leveduras e outros insumos. E assim, elevar o padrão dos vinhos catarinenses.

    Exemplo de sucesso: família Matiello investe na modernização

    Cerca de 30% dos produtores participantes já estão investindo em melhorias e buscando a legalização de seus negócios. Um exemplo é a família Matiello, de Marema, que produz vinhos desde 1956 e agora moderniza a atividade para entrar no mercado formal. Com parreirais históricos e novas variedades, a família aprimorou técnicas de cultivo e vinificação, elevando a qualidade dos produtos. A construção de uma cantina própria e o registro do empreendimento Vinhos Reclino no Ministério da Agricultura estão previstos para a próxima safra, consolidando a profissionalização e a geração de renda familiar.

    Maria e Pedro Matiello estão investindo no negócio e se preparam para abrir as portas da cantina. Foto: Epagri/SC

    Na produção de vinhos, a forma tradicional de produzir, que era passada de geração para geração. Mas passou por transformações que impactam diretamente na qualidade do produto. “Vimos que era preciso melhorar a qualidade do processo, desde a matéria prima até a vinificação. Aém da pesagem e utilização correta dos insumos”, cita Maria Matiello.

    Com o apoio de políticas públicas estaduais, como o Projeto Realizar e o Fomento Agro SC, os vinhos artesanais catarinenses estão alcançando padrões de mercado, tornando-se alternativa viável de renda para pequenos produtores. “As adaptações técnicas e legais abriram novas oportunidades, permitindo que a atividade se torne fonte de renda e desenvolvimento local”, ressalta a extensionista Dulcinéia Cenci.

    https://www.youtube.com/watch?v=-WClhpSfs5w&list=PLSFimGP4qxVr5E-kLZvdO63lxojiB81pW&index=22

    Leia mais:

     

    + Agro em Campo: Moagem de mandioca cresce e se aproxima de 3 milhões de toneladas
    + Agro em Campo: Rastreabilidade e boas práticas ESG mantêm diferencial estratégico do setor cafeeiro no Brasil

  • Artigo: a importância do agroturismo na América do Sul

    Artigo: a importância do agroturismo na América do Sul

    O agroturismo é uma modalidade de turismo rural que oferece aos viajantes a oportunidade de vivenciar o dia a dia das atividades agrícolas e pecuárias. Esse braço do turismo geralmente acontece em propriedades rurais, estâncias e fazendas, onde os turistas podem participar de atividades como ordenha de vacas, colheita de frutas, produção e degustação de queijos e vinhos, cavalgadas, trilhas ecológicas e outras experiências ligadas ao campo.

    A modalidade é muito importante por ser uma fonte de renda complementar para pequenos e médios produtores rurais. Além de valorizar a cultura local, preservar o meio ambiente e promover a gastronomia regional. No Brasil, essa prática é bastante comum em estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarin. Onde existe uma forte tradição agropecuária e também produção de alimentos artesanais.

    Principais países do Agroturismo na América do Sul

    O agroturismo é um setor promissor em alguns países da América do Sul. Entre os principais países que se destacam nessa modalidade do turismo, estão a Argentina e o Peru com uma forte tradição agrícola, além de paisagens propícias para essa atividade.

    Foto: Divlugação Giulia Sampgona/Fischer

    A Argentina tem um dos setores do agroturismo mais desenvolvidos da América do Sul, impulsionado principalmente pela viticultura (enoturismo) e pela pecuária. As principais regiões com atividades turísticas nessa modalidade, são: Mendonza e San Juan, duas referências no turismo do vinho, com vinícolas abertas para visitação com degustações em fazendas.

    Na Argentina também é importante destacar que a Patagônia tem uma ligação com a criação de ovelhas e com a produção de laticínios artesanais. Já a região dos Pampas é conhecida por estâncias (fazendas tradicionais) que oferecem experiências ligadas à cultura dos gaúchos argentinos, com passeios a cavalo e assados típicos da região.

    Peru

    O Peru é outro país da América do Sul com tradição nessa modalidade do turismo. O país tem um grande potencial devido à sua agricultura diversificada e riqueza cultural. O Vale Sagrado dos Incas em Cusco conta com comunidades locais que oferecem experiências de plantio e colheita de milho e batata, além de oficinas de tecidos artesanais. Outro destaque é a região de Arequipa que é voltada para o turismo rural em fazendas produtoras de alpaca e laticínios. Além disso, o Peru também tem incentivado o turismo comunitário, onde famílias camponesas recebem turistas para vivências agrícolas no Lago Titicaca.

    O que é mais interessante nessa modalidade do turismo é a valorização da cultura local, algo que atrai turistas nacionais e estrangeiros. Tanto a Argentina quanto o Peru contam com um mercado em constante crescimento no agroturismo, impulsionado pela demanda dos turistas por experiências autênticas para aproveitar a viagem de uma maneira muito diferenciada e única.

    Giulia Sampgona

    *Giulia Sampgona, Escritora e Especialista em Viagens 

    Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.

     

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Dia das Mães anima produtores de flores
    + Agro em Campo: BB firma parceria para reflorestamento no interior de SP

  • Turismo rural: uma alternativa para diversificar atividades no campo

    Turismo rural: uma alternativa para diversificar atividades no campo

    O Campo das Vertentes, região conhecida por suas ricas tradições culturais e históricas em Minas Gerais, está se destacando como um destino promissor para o turismo rural. Com o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), os produtores familiares estão descobrindo o potencial turístico de suas propriedades, oferecendo experiências únicas que combinam cultura, natureza e produção agropecuária.

    O turismo rural na região ainda está em seus primeiros passos, mas já apresenta um grande potencial de crescimento. A Emater-MG auxilia 56 produtores que desenvolvem atividades turísticas em suas propriedades, promovendo o associativismo, agroindústrias e o acesso ao crédito rural. Além disso, a empresa cria roteiros e experiências diferenciadas em parceria com os circuitos turísticos locais, fortalecendo a identidade cultural e a atratividade da região.

    “O turismo rural é uma oportunidade crescente para a diversificação das atividades produtivas e para o fortalecimento da economia local”, afirma Odair José Gerônimo, gerente regional da Emater-MG. No entanto, os desafios são constantes, pois as demandas dos turistas estão em constante evolução, exigindo atualização permanente dos serviços oferecidos.

    Experiências turísticas

    No Campo das Vertentes, os turistas podem desfrutar de experiências como a produção de queijos artesanais, visitas a queijarias, e imersão no mundo do café. O Sítio Água do Pote, em Prados, é um exemplo, onde os visitantes participam das experiências “Viola Matuta” e “Vem com Nóis Matutar”, proporcionando uma conversa agradável sobre a vida na região e a produção de queijo artesanal.

    A Queijaria Tarôco, em São João del-Rei, oferece visitas guiadas, enquanto a Fazenda Serrinha, em São Tiago, promove o Tratour Gastronômico, focado no café. A Fazenda Saudade, em Ibertioga, propõe uma vivência autêntica da vida no campo, com passeios a cavalo e produção de queijos e doces.

    Potencial de crescimento

    Com a combinação de patrimônio cultural, produção agropecuária e paisagens naturais, o Campo das Vertentes tem um significativo potencial de crescimento no turismo rural. A Emater-MG trabalha na capacitação dos produtores para desenvolver experiências inovadoras, regularização das atividades e incentivo a práticas sustentáveis.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Agronegócio brasileiro bate recorde histórico de empregos

    + Agro em Campo: Menor cavalo do mundo, raça Falabella tem inteligência de cães