Tag: turismo rural

  • O novo negócio do agro regenerativo: fazendas que viraram point de observação de aves

    O novo negócio do agro regenerativo: fazendas que viraram point de observação de aves

    Áreas ambientais recuperadas em fazendas de Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais estão sendo transformadas em destino de turistas e observadores de aves do Brasil e do exterior. A tendência foi discutida em live promovida pela Frente Empresarial para a Regeneração da Agricultura (FERA), em parceria com a Avistar e a Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS).

    Quatro produtores foram reunidos no encontro para mostrar, na prática, como a recuperação ambiental de suas propriedades foi transformada em negócio. Segundo eles, o modelo gera renda extra, cria empregos e valoriza a terra sem substituir a atividade produtiva original.

    Fazenda no Mato Grosso une pecuária, energia solar e turismo

    A Fazenda Anacã, em Alta Floresta (MT), é gerida há 12 anos por Fernão Prado, presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur) da cidade, com base no uso múltiplo do território.

    “O turismo é feito pelas áreas de preservação permanente, sem precisar abrir uma porteira além do acesso principal. As trilhas viraram aceiros que ajudam na conservação da área”, explica.

    Uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) também foi criada na propriedade, assim como corredores ecológicos que conectam fragmentos de floresta antes isolados. “Temos pecuária na área aberta, 12 hectares arrendados para energia solar e, nas áreas verdes, o turismo de observação”, detalha Fernão.

    Oito empregos diretos já foram gerados pelo turismo na fazenda, segundo o produtor.

    Lodge no Mato Grosso une pesquisa e observação de vida silvestre

    O Jardim da Amazônia Lodge foi cofundado por Raquel Zanchet, diretora regional da TOVS no Centro-Oeste. A propriedade está situada em uma zona de transição entre Amazônia e Cerrado, o que favorece a diversidade de espécies, segundo ela.

    O empreendimento foi iniciado com o extrativismo de madeira e, depois, direcionado à piscicultura antes de chegar ao turismo. “Os peixes trouxeram mais aves, que atraíram muitos observadores. Foi assim que decidimos abrir um hotel”, conta Raquel.

    Três trilhas de observação do macaco-aranha, do jatobá e da lagoa são oferecidas hoje na propriedade, onde também é mantida uma estação de pesquisas própria.

    Cafeicultura regenerativa em Minas Gerais atrai fauna e visitantes

    O café de montanha é cultivado há 20 anos por Valmor Santos Filho em Bueno Brandão (MG). Desde 2017, a produção é feita em sistema agroflorestal.

    “Com esse trabalho de agricultura regenerativa, começaram a aparecer muitos bichos e pássaros, por causa da diversidade que criamos”, diz.

    A 160 km de São Paulo, produção de café, torrefação, consultoria e turismo sazonal são combinados hoje na propriedade. Colheita e torra são celebradas em turismos específicos, enquanto produtos artesanais locais, como queijo e geleia, também são comercializados.

    Pousada paulista vira destino internacional de observadores de aves
    (Foto: Reprodução/UNB)

    A Pousada da Fazenda, erguida sobre uma antiga fazenda de café do século 19 em Monte Alegre do Sul (SP), foi transformada por Luís Gonzaga Truzzi em point de observação de aves. Beija-flores passaram a ser alimentados na propriedade, e a chegada de espécies diferentes foi notada logo em seguida.

    Fotos foram divulgadas em sites especializados, o que atraiu outros observadores. “Nunca achei que fosse receber gente para fotografar aqui. Hoje vem gente do mundo inteiro: China, Vietnã, Estados Unidos”, conta.

  • Próximos a SP: 3 destinos no meio do mato para curtir o fim de semana

    Próximos a SP: 3 destinos no meio do mato para curtir o fim de semana

    Quem vive em São Paulo não precisa atravessar o estado para trocar prédios, trânsito e asfalto por árvores, cavalos e estradas de terra. A cerca de 100 quilômetros da capital, algumas propriedades rurais transformaram a história do campo paulista em experiência para visitantes.

    Há opções para quem procura passar o fim de semana hospedado em uma fazenda centenária, caminhar por áreas de mata ou até conhecer de perto um cafezal ainda produtivo.

    O Agro em Campo separou três destinos próximos à capital para quem quer passar algumas horas, ou dias, apenas curtindo a vibe rural.

    1. Fazenda Capoava — Itu

    A aproximadamente 90 km da cidade de São Paulo, a Fazenda Capoava, em Itu, reúne quase três séculos de história em uma propriedade que hoje funciona como hotel-fazenda.

    A sede histórica remonta ao século XVIII. O casarão, construído por volta de 1750, conserva características da arquitetura bandeirista, incluindo paredes de taipa de pilão e uma capela anexa. Antes de se tornar hotel, a propriedade atravessou diferentes ciclos da economia rural paulista, começando pela produção de açúcar.

    Para quem quer deixar a rotina urbana para trás, a programação inclui trilhas, cavalgadas monitoradas, observação da fauna e experiências culturais no Espaço Memória Capoava. A diária também dá acesso a piscina, sauna, lago e demais áreas de lazer.

    A própria fazenda organiza suas atividades em torno de pilares como educação ambiental, história, culinária brasileira, cavalos e trilhas, tornando a experiência mais ligada ao campo do que simplesmente à hospedagem.

    Onde fica: Itu (SP)
    Distância de São Paulo: aproximadamente 90 km
    Destaques: história, trilhas, cavalgadas e natureza.

    2. Hotel Fazenda Dona Carolina — Itatiba

    Outra opção para desaparecer da paisagem urbana por alguns dias fica em Itatiba, a cerca de 110 km de São Paulo.

    O Hotel Fazenda Dona Carolina ocupa uma propriedade centenária com aproximadamente 100 hectares de natureza e área de mata nativa da Mantiqueira preservada, segundo informações do próprio empreendimento.

    O passado rural continua presente na experiência oferecida aos visitantes. Há passeios que abordam a história do Brasil Colonial e a produção de café, além de visita à cachaçaria da propriedade.

    Para quem prefere atividades ao ar livre, a fazenda oferece experiências com animais e cavalos, além de passeios por suas trilhas. A programação divulgada pelo empreendimento também inclui outras atividades de lazer e aventura.

    É uma opção especialmente interessante para quem quer combinar hospedagem confortável com uma experiência ligada à história das antigas propriedades rurais paulistas.

    Onde fica: Itatiba (SP)
    Distância de São Paulo: cerca de 110 km
    Destaques: mata, cavalos, história do café e experiências rurais.

    3. Fazenda Tozan — Campinas

    A terceira opção troca a ideia tradicional de hotel-fazenda por uma experiência diretamente ligada à produção de café.

    Localizada em Campinas, a Fazenda Tozan continua produzindo o grão e abre suas áreas históricas para roteiros de turismo rural. A propriedade fica a apenas 16 km do centro de Campinas; o município, por sua vez, está a aproximadamente 90 km da capital paulista.

    Durante os roteiros culturais, os visitantes podem passar pelo cafezal, terreiro de secagem, casa-sede, antigo despolpador, mirante e outras estruturas ligadas à trajetória da propriedade.

    Há uma modalidade com piquenique pela manhã e outra realizada no período da tarde, terminando com o pôr do sol no mirante. Os passeios têm duração aproximada de três horas.

    Diferentemente das duas primeiras opções, a Tozan funciona especialmente bem para quem quer fazer um bate-volta rural e conhecer melhor a trajetória do café no interior paulista sem necessariamente passar a noite na propriedade.

    A fazenda informa que os roteiros dependem de número mínimo de participantes, por isso é importante consultar previamente a disponibilidade e as condições para visitação.

    Onde fica: Campinas (SP)
    Distância da capital: Campinas fica a cerca de 90 km de São Paulo
    Destaques: cafezal produtivo, história do café, piquenique e pôr do sol.

    Antes de colocar o pé na estrada, vale consultar diretamente cada propriedade sobre reservas, horários, atividades disponíveis e necessidade de agendamento, já que a programação pode variar ao longo do ano.

  • Criação de pôneis dispara no Brasil; entenda o mercado

    Criação de pôneis dispara no Brasil; entenda o mercado

    A criação de pôneis vem ganhando cada vez mais espaço no agronegócio brasileiro. O movimento é impulsionado pela diversificação das atividades no campo, pelo crescimento do turismo rural, da equoterapia e do mercado de animais de lazer e exposição.

    Com manejo mais simples e custo de manutenção menor que o dos cavalos de grande porte, os pôneis se tornaram uma alternativa atrativa para pequenos e médios produtores.

    O tamanho do mercado no Brasil

    Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Pônei (ABCCP), os pôneis já estão presentes em praticamente todos os estados brasileiros, com mais de 300 criadores registrados no país.

    A ABCCP, entidade registrada junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), é responsável pelo registro genealógico, pelo desenvolvimento do padrão racial e pela organização de exposições que fortalecem a cadeia produtiva.

    “Embora ainda seja um nicho quando comparado ao mercado de equinos de esporte e trabalho, a demanda por pôneis vem crescendo nos últimos anos por conta da sua versatilidade”, explica Fernando Montenegro, diretor financeiro da ABCCP e proprietário do Haras FOM, em Tatuí (SP).

    Sete raças reconhecidas no país

    O registro genealógico das raças de pôneis no Brasil é feito exclusivamente pela ABCCP. Atualmente, a entidade reconhece e ampara sete raças:

    • Pônei Brasileiro
    • Piquira
    • Shetland
    • Welsh Pony
    • Haflinger
    • Fjord
    • Reitpony

    Como a criação de pôneis gera renda?

    Além da venda de animais para criadores e exposições, o setor abre oportunidades em diferentes frentes, como haras de lazer, fazendas de turismo, centros de equoterapia e escolas de equitação infantil.

    Apesar da proximidade com as famílias, Fernando Montenegro faz um alerta importante: o pônei não deve ser tratado como pet. “Trata-se de um animal rústico, que requer espaço e cuidados específicos para garantia de bem-estar, além de ter uma vida longa”, explica.

    Custo de produção é menor

    Uma das principais vantagens da atividade está no custo de produção. Por serem de menor porte, os pôneis consomem menos alimento e precisam de áreas reduzidas para manejo, o que permite que propriedades menores também entrem no negócio.

    A rusticidade da raça ainda favorece a adaptação a diferentes regiões do Brasil. Os animais apresentam boa longevidade, fertilidade e docilidade, características valorizadas tanto por criadores quanto por instituições que utilizam equinos em atividades terapêuticas.

    Segundo a ABCCP, o trabalho de seleção genética conduzido pelos criadores brasileiros ajudou a formar um plantel reconhecido pela qualidade morfológica e pelo temperamento equilibrado dos animais.

    Quanto custa um pônei?

    O valor de um pônei varia conforme genealogia, conformação física e histórico em competições:

    Animais comerciais (indicados para mini fazendas, sítios e iniciação): em torno de R$ 10 mil

    Animais de alto padrão: podem chegar a R$ 60 mil

    “A criação de pôneis acompanha uma tendência observada em outros segmentos do agronegócio: a valorização de atividades de nicho. Para pequenos produtores, a atividade pode representar uma alternativa interessante de diversificação da renda”, afirma Mauro Vieira Filho, criador que iniciou a atividade há quatro anos e hoje possui 38 animais, com foco em animais de entrada para sítios e fazendinhas.

    Já Fernando Montenegro segue uma estratégia diferente, apostando também na criação de animais de elite e na organização de leilões desde 2018.

  • Queijo feito com formigas vira iguaria premiada e supera R$ 200 o quilo

    Queijo feito com formigas vira iguaria premiada e supera R$ 200 o quilo

    A busca por novos sabores tem impulsionado a produção de queijos artesanais no Brasil. Para criar produtos diferenciados, muitos mestres-queijeiros investem em ingredientes inusitados que agregam aroma, textura e identidade regional às receitas.

    Foi exatamente esse caminho que levou Camila Almeida, proprietária da Estância Silvânia, em Caçapava (SP), a desenvolver o Queijo Taiada em 2021. Na época, a produtora se preparava para participar do Mondial du Fromage, uma das principais competições internacionais do setor, realizada na França.

    A proposta era criar um produto capaz de representar a cultura local e, ao mesmo tempo, despertar a curiosidade dos apreciadores de laticínios. Assim, surgiu a ideia de utilizar a formiga içá, também conhecida como tanajura, ingrediente tradicional na culinária regional.

    Segundo Camila, a escolha teve relação direta com os costumes da cidade.

    “Como tinha o objetivo de atrair público para as fazendas que trabalham com turismo rural, incluindo a nossa, pensei em alguma coisa que fosse destaque por aqui. E com a Içá, as pessoas têm o hábito de se reunir para comer na farofa. É muito cultural em Caçapava.”

    Herança da cultura indígena, a formiga içá transcendeu as lendas folclóricas e hoje é considerada uma iguaria de alto valor proteico e aromático — Foto: Divulgação

    Com o ingrediente definido, a produtora iniciou o desenvolvimento da receita utilizando leite A2 proveniente de vacas da raça gir leiteiro, criadas exclusivamente a pasto e ordenhadas com o bezerro ao pé. Além disso, a formulação leva coalho, sal e a própria içá.

    O resultado foi um queijo de sabor levemente adocicado, massa semi-cozida, textura macia, prensado e maturado por 60 dias. Dessa forma, o produto desenvolve características marcantes, como notas de amêndoas e a crocância proporcionada pelo inseto. O sabor da formiga remete à combinação entre amendoim e castanha, além de apresentar um delicado toque de erva-doce.

    Camila destaca que a incorporação do ingrediente exigiu adaptações no processo produtivo.

    “A gente torra a formiga antes de colocar no queijo durante a enformagem, uma das etapas do processo. Isso, aliás, foi um desafio grande, porque trabalhar com ela não é possível em outros momentos, apenas na enformagem é que conseguimos usá-la”.

    Queijo Taiada — Foto: Reprodução/Redes Sociais

    Tradição alimentar e herança indígena

    Embora a presença de insetos em alimentos ainda desperte estranheza em parte dos consumidores, essa prática possui raízes históricas no Brasil. O hábito teve origem entre os povos indígenas e permanece presente em diversas regiões do país.

    Além disso, o consumo de içás já foi elogiado por personalidades da cultura brasileira. O escritor Monteiro Lobato, criador do clássico “Sítio do Picapau Amarelo”, chegou a comparar a iguaria ao caviar após receber uma lata repleta das formigas.

    Camila observa que o mercado recebeu o produto de forma positiva desde o lançamento.

    “O consumo de alimentos com insetos é uma realidade. No Brasil, inclusive, tem produtores de insetos destinados à alimentação. E têm países, principalmente, na Ásia, que usam insetos há muitos anos por conta da quantidade de proteína, que é superior a 80%”.

    Segundo a empresária, a procura pelo queijo costuma crescer em períodos comemorativos, especialmente no Dia das Mães e no Dia dos Pais, quando muitos consumidores buscam produtos associados à memória afetiva e às tradições familiares.

    Atualmente, cada peça do Queijo Taiada, com 450 gramas, é comercializada por R$ 90.

    Reconhecimento internacional

    Criado especialmente para disputar o Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, realizado em Tours, na França, o Queijo Taiada garantiu uma medalha de bronze na edição de 2021. Além disso, o reconhecimento internacional rendeu à Estância Silvânia um convite para expor o produto no Salon du Fromage, em Paris, no ano seguinte.

    Mais recentemente, o produto voltou a se destacar no cenário internacional. Durante a 3ª edição da Copa América do Queijo, realizada no Peru, os jurados reconheceram a combinação entre ingredientes, textura e sabor e incluíram o queijo brasileiro na categoria “Super Oro”.

  • Mês junino: Pinhão abre novas oportunidades de renda no Paraná

    Mês junino: Pinhão abre novas oportunidades de renda no Paraná

    Tradicional nas festas juninas, o pinhão, semente da araucária, vem conquistando espaço na gastronomia. No Paraná, maior produtor nacional, a cadeia produtiva da semente tem sido fortalecida por iniciativas que impulsionam o turismo rural.

    A safra do pinhão ocorre entre os meses de maio e julho. Nesse período, municípios paranaenses promovem atividades que aproximam visitantes da cultura regional. Trilhas em áreas de araucária, colheitas guiadas, oficinas culinárias e festivais gastronômicos fazem parte das atrações oferecidas em diferentes localidades do estado.

    Sapecada

    Nos municípios de Pinhão, Inácio Martins e Turvo, considerados os maiores produtores paranaenses, os turistas também podem participar da tradicional sapecada, prática transmitida entre gerações.

    Segundo José Augusto Zanchetta, fundador e integrante da diretoria da Associação dos Produtores Rurais, Artesãos e Empreendedores de Turismo da Campina do Taquaral e Região (Acamp), a técnica consiste em assar o pinhão utilizando fogo produzido com galhos secos da própria araucária.

    “O ritual consiste no preparo do pinhão no fogo feito a partir dos galhos secos do próprio pinheiro”. Assim, a semente ganha casca tostada, interior macio e um sabor característico.

    A tradicional sapecada de pinhão é preparada em uma fogueira contínua de aproximadamente dois quilômetros de extensão — Foto: Divulgação/Gralha Azul

    Na mesa do povo

    Além da forma tradicional de consumo, o pinhão tem ampliado sua presença na gastronomia regional. Atualmente, chefs e cozinheiros utilizam o ingrediente em receitas como lasanhas, carneiro, costela, bolinho de rabada, sopas, bolachas e sorvetes. Em preparações com carnes, a semente pode ser adicionada cozida, inteira ou em lascas, principalmente em pratos com molhos, ensopados e recheios.

    Para a nutricionista e chef de cozinha Fátima Negre, de Curitiba, o pinhão reúne atributos que vão além da alimentação.

    “O pinhão não é apenas um ingrediente, ele representa cultura, sustentabilidade, inovação gastronômica e desenvolvimento regional”, afirma.

    Chef de cozinha Fátima Negre destaca ainda o potencial de uso do pinhão como alimento sem glúten — Foto: Divulgação

    A especialista destaca ainda que o alimento possui características valorizadas pelo mercado consumidor. “Pode ser utilizado em preparações doces e salgadas, de receitas tradicionais a pratos sofisticados”, ressalta.

    Segundo Negre, existe atualmente um movimento crescente de valorização dos ingredientes regionais brasileiros, e o pinhão se destaca.

    Embrapa Florestas

    Enquanto isso, a Embrapa Florestas, sediada em Colombo (PR), avança em um projeto voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva da semente. A iniciativa prevê a instalação de uma agroindústria de processamento de pinhão na região da Terra dos Pinheirais, que reúne 11 municípios do centro-sul do Paraná.

    A unidade está em construção em Inácio Martins, segundo maior produtor estadual. Em 2024, o município registrou uma colheita de 750 toneladas. Já a cidade de Pinhão liderou a produção paranaense com 880 toneladas.


    Em todo o estado, a cultura movimentou R$ 25,7 milhões em 2024, com uma produção aproximada de 4 mil toneladas — Foto: Embrapa

    O projeto da Embrapa também contempla treinamentos voltados ao processamento da semente e à produção de mudas enxertadas de araucária. Inicialmente, a agroindústria fabricará farinha de pinhão, mas o plano prevê a expansão para produtos como snacks, salgadinhos, pães e pré-misturas para panificação.

    Agroindústria

    No campo, os produtores acompanham com expectativa a implantação da agroindústria. O coletor Rui Sérgio Czanovski, de Inácio Martins, acredita que o novo empreendimento poderá ampliar sua rentabilidade. Atualmente, a comercialização do pinhão representa cerca de 10% da renda da propriedade, cuja principal atividade é o cultivo de erva-mate.

    “Para melhorar o preço que recebo pelo pinhão, tirei o atravessador e vendo direto ao cliente”, relata. Hoje, ele comercializa o produto por R$ 8 o quilo.

    Já o produtor Sílvio de Godoy ainda depende da venda para intermediários, o que reduz sua remuneração para R$ 6,40 por quilo. Assim, ele vê na nova estrutura uma oportunidade de aumentar os ganhos. “Espero um melhor rendimento com a agroindústria”, afirma.

  • ‘Galo do amor’: ave viraliza com plumagem de corações

    ‘Galo do amor’: ave viraliza com plumagem de corações

    Um galo criado em uma propriedade de turismo rural ecológico em Xaxim (SC) tem despertado a atenção de internautas e de entusiastas da avicultura ornamental. À primeira vista, a ave parece comum. No entanto, um detalhe na plumagem transformou o animal em um verdadeiro fenômeno.

    Com apenas um ano de idade, o galo apresenta diversos desenhos em formato de coração preto espalhados sobre as penas brancas. A característica incomum fez com que um vídeo publicado por sua proprietária, a empresária Marciane Belini Puton, alcançasse mais de 700 mil visualizações em poucos dias.


    Criadora exibe plumagem repleta de corações — Foto: Reprodução/Instagram

    Espécie da Inglaterra

    A ave pertence à raça Sebright, originária da Inglaterra e bastante valorizada entre criadores de aves ornamentais por seu porte elegante e comportamento dócil. Além disso, a proximidade com o Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho, contribuiu para ampliar ainda mais a repercussão da história.

    “Ele é o galinho mais romântico que existe. Esses corações são a coisa mais fofa. Corações e mais corações, né? Ele é muito amado. Uma perfeição da natureza. Eu notei alguns corações e me perguntei se eram reais, porque o marido e os filhos vivem dizendo que vejo corações em tudo. As pessoas ficam encantadas e brincam que seria um bom presente para a data que está chegando”, relata Marciane.

    Diante da grande repercussão, a empresária decidiu envolver os seguidores em uma nova etapa da criação, lançando uma enquete para escolher o nome do animal. Entre as opções apresentadas estão Don Juan, Love, Roberto Carlos e Romeu.

    “Ele é um presente para nós. Os corações nele falam por si só. Não tem como vermos os corações e não sermos tomados por bons sentimentos”, afirma.

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    Interesse pela genética da ave

    Além da beleza diferenciada, a plumagem despertou curiosidade sobre a origem genética do animal. Isso porque a raça Sebright não costuma apresentar naturalmente desenhos em formato de coração nas penas.

    Por esse motivo, Marciane acredita que a característica possa estar relacionada a alguma mutação genética ou a cruzamentos realizados ao longo das gerações.

    A raça Sebright se destaca na avicultura, com penas que parecem obra de arte — Foto: Canva/Creative Commons

    O biólogo e criador de aves ornamentais Adriel Paloschi, proprietário do Criatório Paloschi, em Brusque (SC), considera mais provável que a ave seja resultado do cruzamento entre uma galinha caipira e um exemplar da raça Sebright.

    “Essa mistura modificou a coloração das suas penas, tornando a ave muito bonita, especial e com uma plumagem única”, explica.

    Filhotes já apresentam a mesma característica

    A raridade da plumagem também despertou interesse comercial. Segundo a família, surgiram propostas de compra tanto pelo galo quanto por seus descendentes.

    Além disso, alguns filhotes já começaram a demonstrar características semelhantes durante o processo de troca de penas, aumentando a expectativa sobre a possível transmissão genética do traço.

    “Temos oito pintinhos, e três deles são muito parecidos. Dois são praticamente semelhantes ao pai, com muitos corações desenhados nas penas, enquanto o terceiro possui um pouco menos. Agora, estamos na expectativa para ver como serão os próximos e se essa mutação vai continuar”, finaliza Marciane.

  • Nova rota de turismo rural na Zona da Mata impulsiona renda no campo

    Nova rota de turismo rural na Zona da Mata impulsiona renda no campo

    A Zona da Mata mineira ganha uma nova aposta no turismo rural com a inauguração da Rota Ferrovia da Bocaina, marcada para esta quarta-feira (3). O projeto conta com apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e da IGR Serras de Ibitipoca, além da parceria das prefeituras de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas. A iniciativa conecta produtores rurais, empreendedores e comunidades locais para estimular o desenvolvimento regional.

    A abertura oficial ocorre às 15h, no Rancho Minas Forno, em Cachoeira do São Bento, zona rural de Lima Duarte. A programação começa com a palestra “Turismo Rural e desenvolvimento: parcerias que transformam vidas no campo”, ministrada pela coordenadora estadual de turismo rural e artesanato da Emater-MG, Thatiana Daniella Garcia. As atividades seguem até sábado (6) e incluem passeio ciclístico, caminhada ecológica e lançamento de livro.

    A organização estima a participação de cerca de 300 turistas. Interessados em participar do ciclismo ou da caminhada devem se inscrever previamente pelos telefones (32) 99907-1819 e (27) 98844-2068.

    Rota

    A rota reúne 21 empreendimentos, entre restaurantes, pousadas, bares e propriedades rurais. Os pontos estão distribuídos nas comunidades de Cachoeira de São Bento, Rosa Gomes, Souza do Rio Grande, São José do Palmital, São Domingos da Bocaina, Capoeira Grande, Dois Córregos e Viegas, além dos municípios de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas.

    Segundo a extensionista da Emater-MG, Roberta Brangioni, a rota amplia as oportunidades de renda e fortalece o desenvolvimento rural sustentável. “A proposta consolida o turismo rural como alternativa complementar à atividade agropecuária”, afirma.

    O técnico da IGR Serras de Ibitipoca, Márcio Lucinda, destaca que o projeto pode impulsionar melhorias em infraestrutura e serviços públicos nas áreas rurais. “A iniciativa amplia a oferta de lazer, hospedagem e alimentação, além de incentivar novos empreendimentos turísticos”, explica.

    Origem do projeto

    A criação da Rota Ferrovia da Bocaina começou em 2024, durante o II Seminário Regional de Turismo Rural promovido pela Emater-MG. A proposta surgiu após uma produtora rural apresentar a ideia de estruturar um roteiro turístico na região.

    Em parceria com a IGR Serras de Ibitipoca e apoio das prefeituras, a Emater-MG realizou diagnósticos comunitários com base na metodologia Mexpar para mapear o potencial turístico das localidades. As equipes também conduziram visitas técnicas e orientaram produtores sobre boas práticas agropecuárias, manipulação de alimentos e serviços de hospedagem.

    Localizada entre a Serra Negra e a Serra do Ibitipoca, a rota possui cerca de 85 quilômetros de extensão e preserva vestígios de um antigo ramal ferroviário planejado para ligar Lima Duarte a Bom Jardim de Minas.

  • Que susto! Crocodilo de 4 metros invade cozinha de hotel

    Que susto! Crocodilo de 4 metros invade cozinha de hotel

    Nas proximidades das Cataratas de Vitória, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbábue, os hóspedes de um hotel quatro estrelas às margens do rio Zambeze tiveram uma manhã bem diferente do planejado. Um crocodilo de cerca de quatro metros entrou no estabelecimento e foi direto à cozinha.

    O réptil saiu do Zambeze e caminhou até o hotel como se soubesse exatamente onde estava indo. O perfil do hotel nas redes sociais resumiu bem o clima: “Na sexta-feira, recebemos a visita inesperada de um hóspede logo pela manhã. Ele estava verificando por que o serviço de quarto estava atrasado. Isto é o Zambezi, onde selvagem significa selvagem.”

    John Richards, hóspede que estava no local, relatou que os funcionários contaram que o animal entrou sem cerimônia, como se fosse um cliente qualquer. Não conseguindo mesa no restaurante, seguiu direto para a recepção e, diante da ausência de atendentes, tentou passar por cima do balcão para alcançar a cozinha.

    Hóspedes foram surpreendidos por um crocodilo de quatro metros — (Foto: Reprodução/Facebook)

    O roteiro do invasor

    Frustrado na tentativa, o crocodilo mudou de estratégia. Encontrou uma poltrona, deitou-se nela por alguns instantes e, em seguida, caminhou até o deck onde ficam as mesas. Por lá também não encontrou comida, então acabou se acomodando em uma fonte de água na entrada do hotel.

    Foi justamente nesse ponto que as equipes de resgate chegaram. Guardas da Autoridade de Gestão de Parques e Vida Selvagem do Zimbábue (ZimParks) imobilizaram o animal e o devolveram ao rio. Luckmore Saful, porta-voz da organização, confirmou que o episódio terminou sem maiores consequências: “Ele foi imobilizado por nossa equipe, sendo levado e devolvido ao Zambeze em segurança. Não houve feridos nem danos à propriedade.” Saful ainda ponderou que, na visão da organização, o comportamento do animal não chegou a ser uma surpresa: “Não é incomum que os crocodilos se desloquem para terra firme, especialmente porque este incidente ocorreu dentro da área de distribuição e habitat natural da espécie.”

  • Produtores de cachaça aumentam vendas com certificação de qualidade

    Produtores de cachaça aumentam vendas com certificação de qualidade

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo impulsiona a produção de cachaça no estado com o selo de qualidade concedido pelo Concurso Paulista de Qualidade da Cachaça. A iniciativa, realizada em 2024 e 2025, reconhece tecnicamente os produtores, fortalece o mercado e estimula a excelência produtiva.

    O programa integra um conjunto de ações que valorizam o produtor, ampliam a competitividade dos rótulos paulistas e consolidam a imagem do destilado como produto de alto padrão. A certificação funciona como diferencial estratégico tanto para quem produz quanto para quem consome.

    Da plantação à garrafa: qualidade total

    O selo certifica a excelência em todas as etapas produtivas. Os avaliadores acompanham desde a plantação e colheita da cana-de-açúcar até o envase final. O consumidor adquire confiabilidade no produto, enquanto o produtor conquista valorização no mercado.

    Charles Tilhaque, produtor de Votuporanga, comprova os resultados concretos da certificação. Sua Cachaça Taboado Amburana conquistou ouro na categoria armazenada na última edição do concurso estadual. O reconhecimento transformou o negócio.

    “O selo é um indicador muito importante para a consolidação do nosso produto. Primeiro por ter a certificação do Ministério da Agricultura (MAPA), além dos concursos, e isso nos traz uma grande visibilidade, que nos faz buscar sempre manter a qualidade da produção. Após o concurso, o nosso negócio mudou do dia para a noite, e nossas vendas aumentaram significativamente”, afirma Charles.

    Laura Vicentini, presidente da Câmara Setorial da Cachaça, destaca o processo completo que o destilado percorre até receber a certificação. “O selo vem com um atestado de que a gente consegue ter toda rastreabilidade, desde a origem do canavial até a produção do destilado. E ele garante que a cachaça acesse mercados especiais, garante uma boa precificação na venda e aumenta a confiabilidade do consumidor na compra. Então, o selo traz toda essa chancela de altíssima qualidade do produto produzido aqui em São Paulo”, explica.

    Acordo Mercosul-UE promete expandir exportações

    O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia abre perspectivas positivas para o setor. A abertura de novos mercados beneficia especialmente os produtores que já contam com certificações de qualidade, expandindo a competitividade da cachaça paulista no exterior.

    Tilhaque enxerga oportunidades neste acordo entre os dois blocos econômicos. “Os dois mercados são grandes consumidores da cachaça, sobretudo Paraguai e Alemanha. Isso vai aproximar cada vez mais os produtores dos clientes finais, e quem ganha com isso tudo é a cachaça paulista”, comenta.

    Mais de 100 produtores e 200 rótulos premiados

    São Paulo abriga atualmente mais de 100 unidades produtoras de cachaça registradas, com ampla diversidade de sabores, estilos, embalagens e faixas de preço. As duas edições do Concurso Paulista de Qualidade da Cachaça, realizadas em 2024 e 2025, avaliaram e premiaram cerca de 200 rótulos, fortalecendo toda a cadeia produtiva.

    As Rotas da Cachaça SP representam outra iniciativa estratégica para o setor. O projeto conecta produtores, consumidores e turistas, promovendo a cultura, a história e a diversidade da cachaça paulista. A iniciativa estimula o turismo rural, amplia a visibilidade dos produtores e contribui para a valorização regional do destilado.

  • Sítio no Norte de Minas transforma receita de família em atração turística

    Sítio no Norte de Minas transforma receita de família em atração turística

    Memória afetiva, apoio familiar e muita dedição garantem o sabor único do requeijão moreno artesanal que Carlos Alessandro Lucas e sua esposa produzem no Sítio Vó Luzia, em Serranópolis de Minas, Norte de Minas Gerais. A família fabrica cerca de 50 quilos da iguaria toda semana, mas o legado vai muito além da panela.

    Foto: Divulgação/Emater-MG

    A tradição começou com a avó de Carlos, Vó Luzia, que transformava o excedente de leite da produção do avô em renda extra. Após um período de interrupção, a saudade do sabor e a alta produção de leite motivaram Carlos a resgatar a receita em 2019. “Usei a lembrança de ver minha avó produzir e conselhos do meu pai até acertar o ponto exato”, relata o produtor.

    Assistência técnica e regularização

    Para regularizar a produção, a família buscou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). O extensionista Gentil Dias Neto orientou a família sobre as Boas Práticas de Fabricação, a regularização da agroindústria e a bovinocultura leiteira. Além do famoso requeijão moreno, a família agora também produz doce de leite e manteiga de requeijão de qualidade reconhecida em concursos regionais.

    A virada para o turismo rural surgiu de forma orgânica em 2020. Um amigo sugeriu um café no sítio para um pequeno grupo. A experiência agradou e o “boca a boca” fez o resto. Aos poucos, a atividade turística ajudou a família a superar desafios financeiros e abriu um novo horizonte.

    Hoje, os visitantes podem agendar uma experiência completa: conhecer a história do sítio de 80 anos, andar a cavalo e, é claro, apreciar o café da manhã ou da tarde com o requeijão moreno, quitandas e frutas da região.

    Potencial para a região e conexão com o visitante

    Para Gentil Dias Neto, da Emater-MG, o sucesso da família vem da boa receptividade e do espírito empreendedor. Ele vê grande potencial na atividade, reforçado pelas belezas da Cordilheira do Espinhaço, como uma opção para gerar emprego e renda.

    A Emater-MG auxilia na divulgação do Sítio Vó Luzia através do projeto Ruralidade Viva. “Com esse projeto, conectamos visitantes às experiências da agricultura familiar. A iniciativa reflete o crescimento do turismo rural em Minas Gerais, valoriza o trabalho dos produtores e fortalece a economia local”, explica Thatiana Daniella Moura Garcia, Coordenadora Técnica Estadual de Turismo Rural e Artesanato da Emater-MG.

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    Para Carlos, manter viva a tradição dos avós já é um privilégio. Agora, ele espera que os filhos sejam os próximos sucessores não apenas da produção dos laticínios, mas também do empreendimento rural multifacetado que a família construiu.

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