Tag: transição energética

  • Fenasucro & Agrocana abre 32ª edição com foco na bioenergia brasileira

    Fenasucro & Agrocana abre 32ª edição com foco na bioenergia brasileira

    A 32ª edição da Fenasucro & Agrocana começou nesta terça-feira (11) em Sertãozinho (SP), no Centro de Eventos Zanini. A cerimônia de abertura reuniu autoridades políticas e lideranças do agronegócio, que reforçaram o protagonismo do Brasil na transição energética global.

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, prestigiou o evento ao lado do secretário estadual da Agricultura, Geraldo Melo Filho, e do prefeito de Sertãozinho, Zezinho Gimenez. Também participaram o presidente da Fenasucro & Agrocana, Paulo Montabone; o presidente de honra da edição e presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP), Hugo Cagno Filho; o presidente emérito da feira, Antônio Eduardo Tonielo; e a presidente do Ceise Br, Rosana Amadeu.

    Governador aposta no etanol para descarbonizar transporte marítimo e aéreo

    Durante o discurso, Tarcísio de Freitas defendeu a diversidade de fontes renováveis do país e apontou oportunidades na descarbonização de diferentes modais de transporte. Segundo o governador, grandes empresas de navegação já preparam a adoção do biobunker, combustível marítimo misturado a fontes renováveis, e do etanol na propulsão de navios.

    “Uma das vocações do Brasil é a transição energética”, declarou Tarcísio, ao citar também o avanço do combustível sustentável de aviação (SAF) e da cana-de-açúcar como matéria-prima estratégica. O governador ainda destacou a chegada do biometano a regiões como Ribeirão Preto, que já substitui combustíveis fósseis em frotas de veículos pesados.

    Sertãozinho consolida posição como polo tecnológico da bioenergia

    O diretor da Fenasucro & Agrocana, Paulo Montabone, ressaltou o papel de Sertãozinho no desenvolvimento tecnológico da cadeia sucroenergética. A feira reúne mais de 600 marcas expositoras e representantes de mais de 80 países nesta edição.

    32ª Fenasucro & Agrocana
    Foto: Divulgação / 32ª Fenasucro & Agrocana

    “Precisamos valorizar esse patrimônio nacional, exportar nossas tecnologias e incentivar o uso do etanol”, afirmou Montabone, ao defender maior participação brasileira no mercado global de bioenergia a partir das soluções desenvolvidas na região.

    Bioenergia brasileira evolui para modelo de biorrefinaria, diz presidente da UDOP

    O presidente de honra da edição, Hugo Cagno Filho, que também preside a União Nacional da Bioenergia (UDOP), avaliou que a transição energética deixou de ser promessa para se tornar realidade concreta nos mercados. Segundo ele, a bioenergia brasileira já opera como um conjunto de biorrefinarias, capazes de produzir etanol, bioeletricidade, biogás, biometano, biobunker e SAF.

    “É um setor que gera empregos, promove o desenvolvimento regional, investe em inovação e fortalece a posição do Brasil na agenda mundial da descarbonização”, declarou Cagno Filho, ao citar o crescente interesse internacional pelos biocombustíveis brasileiros.

    Etanol marítimo pode movimentar mercado de 225 milhões de toneladas

    A sustentabilidade dominou a programação do primeiro dia de feira. Em painel promovido pela Canaoeste, especialistas apresentaram iniciativas que combinam redução de custos, eficiência produtiva e preservação ambiental.

    O painel “Etanol na Navegação Marítima: O Futuro Chegou” discutiu o potencial do etanol brasileiro na descarbonização do setor marítimo. Plínio Nastari, CEO da DATAGRO, projetou um mercado potencial de 225 milhões de toneladas para o etanol marítimo. Um volume que supera em mais do dobro a atual produção mundial do combustível, estimada em 100 milhões de toneladas.

    A Copersucar, por sua vez, apresentou um teste com navio cargueiro apto a substituir o e-metanol por etanol. E também detalhou a inclusão de biocombustíveis em sua logística. A empresa já opera 74 caminhões movidos a biometano no transporte de açúcar até o Porto de Santos.

    SAF ganha espaço entre as discussões da feira

    O painel “Por que o mercado de SAF do Brasil pode estar mais próximo do que você imagina” reuniu especialistas para debater perspectivas e oportunidades do combustível sustentável de aviação no país. O tema reforça o interesse crescente do setor aéreo brasileiro pela descarbonização.

    A programação da Fenasucro & Agrocana continua nesta quarta-feira (12) com os painéis da FenaBio e a exposição de tecnologias e oportunidades de negócios para a cadeia da bioenergia.

    Serviço – 32ª Fenasucro & Agrocana
    • Data: até sexta-feira, 14 de agosto de 2026
    • Local: Centro de Eventos Zanini – Sertãozinho (SP)
    • Exposição: das 13h30 às 20h
    • Eventos de conteúdo: das 8h às 18h

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  • Inovação ganha papel estratégico no agro brasileiro

    Inovação ganha papel estratégico no agro brasileiro

    A inovação no agro ocupa papel cada vez mais estratégico para garantir a competitividade da agricultura brasileira. Essa foi a principal conclusão dos debates realizados durante evento promovido pela Bayer, em 15 de junho, em São Paulo. Especialistas, representantes da indústria, juristas e produtores rurais discutiram os fatores que sustentam o desenvolvimento tecnológico no campo e os desafios para atender às novas demandas do mercado.

    Ao longo de três painéis, os participantes defenderam que o avanço do agronegócio depende da combinação entre pesquisa científica, segurança jurídica, proteção da propriedade intelectual e adoção de novas tecnologias. Além disso, destacaram a necessidade de preparar o setor para um cenário marcado pela transição energética, pela busca por sustentabilidade e pelo aumento da demanda global por alimentos e combustíveis renováveis.

    Da pesquisa ao campo

    O painel “Do laboratório à lavoura: como a inovação chega ao campo” contou com a mediação de Francila Calica, diretora de Sustentabilidade e Assuntos Agrícolas da Bayer para a América Latina. Participaram da discussão Fábio Passos, diretor de soja comercial da Bayer; Tages Martinelli, CEO da Sementes Jotabasso; e o produtor rural Pompílio Rocha Silva, engenheiro agrônomo e agricultor de Chapadão do Sul (MS).

    Durante o debate, os especialistas explicaram que o desenvolvimento de uma nova biotecnologia exige tempo, investimento e planejamento. Em muitos casos, uma tecnologia leva entre 12 e 15 anos para chegar ao mercado. Nesse período, pesquisadores realizam estudos em laboratório, testes em campo e avaliações regulatórias antes da liberação comercial.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Os debatedores também destacaram o papel das sementes na transferência de tecnologia. Segundo eles, a genética carrega boa parte das inovações que chegam às propriedades rurais, permitindo ganhos de produtividade, resistência a pragas e maior adaptação às condições climáticas.

    Ao mesmo tempo, os participantes lembraram que a tecnologia não gera resultados sozinha. O produtor precisa combinar genética, manejo e conhecimento técnico para extrair o máximo potencial das ferramentas disponíveis.

    Nesse contexto, as mudanças climáticas ampliam a importância da inovação. Eventos extremos, como estiagens prolongadas e irregularidade das chuvas, exigem cultivares mais resilientes e sistemas produtivos mais eficientes.

    Segurança jurídica impulsiona investimentos

    O segundo painel, “Segurança jurídica e os pilares da inovação”, teve mediação de Andrea Garcia, vice-presidente Jurídica, de Patentes e Compliance da Bayer no Brasil. Participaram da discussão Catharina Pires, diretora de Germoplasma e Biotecnologia da CropLife Brasil, e Luiz Henrique do Amaral, sócio sênior do escritório Dannemann e membro da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI).

    Os especialistas defenderam que a inovação depende de um ambiente regulatório estável e previsível. Segundo eles, empresas e instituições de pesquisa investem bilhões de reais em projetos que levam anos para apresentar resultados. Por isso, a proteção da propriedade intelectual se torna fundamental para estimular novos investimentos.

    Durante o debate, os participantes explicaram que muitas tecnologias estudadas nunca chegam ao mercado. Dessa forma, mecanismos como patentes e proteção de cultivares ajudam a garantir retorno aos investimentos realizados ao longo do processo de pesquisa.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Catharina Pires ressaltou que o crescimento do agro brasileiro resulta da combinação entre condições produtivas favoráveis, produtores dispostos a adotar tecnologia e um ambiente jurídico capaz de oferecer segurança para quem investe em inovação.

    Além disso, os debatedores abordaram o impacto da pirataria de sementes. Dados apresentados durante o painel indicam que cerca de 11% das sementes de soja utilizadas no Brasil têm origem ilegal. Em algumas regiões do Rio Grande do Sul, esse percentual ultrapassa 28%.

    Segundo os especialistas, a prática provoca prejuízos econômicos para toda a cadeia produtiva. Além disso, aumenta os riscos relacionados à qualidade das sementes, à produtividade das lavouras e à segurança fitossanitária.

    Biocombustíveis ampliam oportunidades

    O terceiro painel, “Sementes, inovação e novas demandas de mercado”, foi mediado por Rafael Mendes, diretor do negócio de soja da Bayer. Participaram da discussão Fábio Meneghin, fundador da Veeries, e Catarina Correa, gerente de Relações Institucionais da Bayer.

    Os participantes analisaram as transformações que devem influenciar o futuro da agricultura brasileira. Segundo eles, a demanda por proteína animal continuará importante para a soja. No entanto, novos mercados começam a ganhar espaço e podem impulsionar a próxima fase de crescimento do setor.

    Entre essas oportunidades estão os biocombustíveis. Os especialistas destacaram que programas voltados ao biodiesel e ao combustível sustentável de aviação (SAF) devem ampliar a demanda por óleo vegetal nos próximos anos.

    Nesse cenário, a Lei do Combustível do Futuro aparece como um instrumento capaz de oferecer previsibilidade para investimentos e estimular o crescimento da cadeia produtiva.

    Além disso, os debatedores destacaram que o Brasil reúne condições favoráveis para aproveitar essa oportunidade. O País possui escala de produção, capacidade tecnológica e experiência na utilização de fontes renováveis de energia.

    Sustentabilidade entra na agenda do mercado

    A sustentabilidade também ganhou espaço nas discussões. Segundo Catarina Correa, os mercados internacionais exigem cada vez mais informações sobre a origem dos produtos e sobre as emissões associadas à produção agrícola.

    Por isso, produtores e empresas precisam avançar na adoção de ferramentas capazes de medir e comprovar práticas sustentáveis. Entre elas estão sistemas de agricultura digital, monitoramento de indicadores ambientais e programas de mensuração de carbono.

    Ao mesmo tempo, os participantes ressaltaram que o aumento da produtividade continua sendo o principal caminho para ampliar a produção de forma sustentável. Dessa forma, a inovação seguirá desempenhando papel central na agricultura brasileira.

    As novas tecnologias também devem contribuir para o desenvolvimento de cultivares mais eficientes, mais adaptadas às mudanças climáticas e capazes de atender às exigências de consumidores e mercados globais.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O papel da inovação no futuro do agro

    Embora tenham abordado temas distintos, os três painéis convergiram para uma mesma conclusão. O futuro do agronegócio brasileiro dependerá da capacidade de transformar conhecimento científico em soluções práticas para o campo.

    Pesquisa, genética, biotecnologia, segurança jurídica e sustentabilidade formam uma base essencial para sustentar a competitividade do setor. Além disso, a integração entre ciência, indústria e produtores continuará determinando a velocidade com que novas tecnologias chegarão às propriedades rurais.

    Diante das mudanças climáticas, da transição energética e do crescimento da demanda global por alimentos e combustíveis renováveis, os participantes defenderam que a inovação continuará sendo uma das principais ferramentas para garantir o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira nas próximas décadas.

  • Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    As recentes tensões geopolíticas em importantes rotas globais de transporte de petróleo reacenderam o debate sobre segurança energética. Em um cenário de incertezas, países capazes de combinar produção agrícola em larga escala e fontes renováveis de energia ganham relevância estratégica.

    O Brasil aparece entre os protagonistas dessa discussão. Com previsão de safra recorde de grãos em 2025/26, liderança mundial na produção de soja e avanço dos biocombustíveis, o país reúne condições para ampliar sua participação na transição energética global.

    Para Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro, o desafio vai além de produzir mais alimentos. Segundo ele, o setor precisa transformar sua escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Em entrevista, o executivo analisa as oportunidades e os desafios para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.

    A safra brasileira de grãos deve atingir um novo recorde em 2025/26. Qual é a importância desse resultado para o agronegócio?

    A projeção de 358 milhões de toneladas mostra a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro. Mais do que um número expressivo, ela demonstra a eficiência do setor e sua capacidade de atender tanto a demanda por alimentos quanto por matérias-primas destinadas à produção de energia renovável.

    De que forma essa produção recorde pode fortalecer o setor energético brasileiro?

    A expansão da produção agrícola fortalece cadeias ligadas ao biodiesel, etanol, biometano e combustível sustentável de aviação, o SAF. À medida que o mundo busca reduzir emissões e diversificar fontes de energia, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado.

    O que diferencia o Brasil nesse cenário global?

    Poucos países conseguem combinar liderança agrícola, disponibilidade de recursos naturais, matriz energética renovável e capacidade crescente de produção de biocombustíveis. Essa combinação coloca o Brasil em uma posição privilegiada diante das transformações que estão ocorrendo no mercado global de energia.

    Qual é o papel da soja nessa estratégia?

    A soja tem enorme relevância porque o Brasil é o maior produtor mundial. Além da exportação do grão, ela é uma matéria-prima fundamental para a cadeia do biodiesel. Isso amplia sua importância não apenas para o agronegócio, mas também para a agenda energética.

    E qual é a importância do milho nesse contexto?

    O milho vem ganhando protagonismo com o crescimento das usinas de etanol de cereais, especialmente no Centro-Oeste. Esse movimento agrega valor à produção dentro do país, fortalece a indústria de biocombustíveis e contribui para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

    O Plano Safra 2025/26 é aguardado com expectativa pelo setor. O que está em jogo para os produtores?

    O Plano Safra será determinante para a próxima temporada. O setor aguarda definições sobre volume de recursos, taxas de financiamento, linhas de investimento e mecanismos de apoio à modernização tecnológica. Em um cenário de juros elevados, essas definições influenciam diretamente a capacidade de financiamento da atividade agrícola.

    Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro – Foto: Arquivo Pessoal

    O seguro rural também tem sido tema recorrente nas discussões do agro. Por quê?

    Os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes. Por isso, fortalecer instrumentos de gestão de risco é fundamental. O seguro rural oferece mais previsibilidade ao produtor e contribui para preservar a estabilidade produtiva e a segurança dos investimentos.

    Apesar da perspectiva positiva para a produção, quais desafios permanecem para o produtor rural?

    Os custos continuam sendo um fator importante. Fertilizantes, defensivos, logística e despesas financeiras ainda pressionam as margens. Além disso, o mercado internacional vive uma fase de maior oferta e recomposição de estoques, o que exige mais eficiência operacional e gestão de risco.

    Crédito mais seletivo

    O acesso ao crédito mudou nos últimos anos?

    Sim. O capital continua disponível, mas as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos de análise. Hoje, governança, capacidade de gestão e qualidade das garantias fazem cada vez mais diferença na obtenção de recursos.

    A China segue como um fator importante para o mercado brasileiro de soja?

    Sem dúvida. A China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de soja. Isso faz com que o mercado acompanhe com atenção fatores como decisões de compra, questões diplomáticas e movimentos geopolíticos.

    O Brasil está preparado para assumir um papel ainda mais relevante na segurança energética global?

    O país já demonstrou capacidade de expandir sua produção agrícola e consolidar sua liderança em biocombustíveis. O próximo desafio é transformar essa escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Se conseguir avançar nessa direção, o Brasil poderá ocupar uma posição ainda mais estratégica em um mundo que busca fontes de energia mais seguras e de menor emissão de carbono.

  • Paraguai assina decreto que exige 50% de etanol na mistura dos combustíveis

    Paraguai assina decreto que exige 50% de etanol na mistura dos combustíveis

    O Paraguai acaba de virar a página na sua política energética. O presidente Santiago Peña assinou o decreto que regulamenta a Lei do Etanol, visando impulsionar a industrialização, atrair investimentos e ampliar os empregos na cadeia da cana-de-açúcar.

    A medida estabelece que pelo menos metade do etanol usado na mistura de combustíveis deve ter origem nacional, sinalização clara de proteção ao mercado interno e de valorização do produtor local. Para garantir o cumprimento, o decreto já prevê mecanismos de controle, cronograma de implementação e regime de sanções para quem descumprir as regras.

    Tudo isso com um foco bem definido: priorizar o etanol produzido no próprio país, assegurando que o álcool anidro misturado aos combustíveis fósseis venha, de fato, do campo paraguaio.

    Setor sucroalcooleiro e o movimento paraguaio

    A lógica por trás da medida é criar demanda garantida para o setor sucroalcooleiro paraguaio. A estratégia pretende assegurar demanda contínua para o setor, oferecendo maior previsibilidade aos produtores e consolidando um ambiente de mercado mais estável.

    Além disso, a iniciativa busca estimular um ciclo de crescimento na economia rural, incentivando a industrialização da cana-de-açúcar, agregando valor à produção nacional e reduzindo a dependência de insumos importados.

    Em resumo, o movimento paraguaio chega em um momento em que vários países da América Latina revisitam suas matrizes energéticas e buscam reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O Paraguai posiciona a cana-de-açúcar como componente estratégico da sua política de energia, um caminho que o Brasil já percorreu décadas atrás com o Proálcool e que agora inspira vizinhos.

  • Fim do petróleo? Por que o agro brasileiro virou o novo dono da energia global

    Fim do petróleo? Por que o agro brasileiro virou o novo dono da energia global

    Esqueça aquela imagem antiga do Brasil apenas como o grande exportador de soja e carne para o prato do mundo. O jogo virou, e a nova fronteira não está apenas na mesa, mas no tanque e na rede elétrica das grandes potências. Vivemos um momento em que a segurança energética global passou a depender diretamente do que acontece no campo brasileiro. De repente, o agro nacional deixou de ser o coadjuvante da economia para se tornar o protagonista de uma transição energética que o mundo corre para abraçar.

    A metamorfose do campo em usina energética

    Muito além de alimentar bilhões, o Brasil descobriu como converter solo fértil em poder político e econômico através dos biocombustíveis. O etanol e o biodiesel não são mais apenas alternativas sustentáveis; eles se tornaram ferramentas de soberania. Enquanto países europeus e asiáticos lutam para reduzir a dependência de fósseis e do gás russo, o produtor brasileiro entrega a solução pronta em escala industrial. A partir daí, a percepção internacional mudou: quem controla a biomassa, controla o ritmo da descarbonização.

    O conflito silencioso por trás dos créditos verdes

    Nem tudo são flores nesse novo cenário. Existe uma tensão latente entre a necessidade de expansão produtiva e as exigências ambientais severas do mercado externo. O mundo quer a energia limpa do Brasil, mas impõe barreiras que desafiam a logística e o custo de produção nacional. “O Brasil tem a faca e o queijo na mão, mas precisa saber cortar sem se ferir nas proteções comerciais disfarçadas de ecologia”, afirmam analistas do setor. No entanto, a eficiência produtiva brasileira tem sido tão agressiva que ignorar nossa matriz energética tornou-se um risco econômico para qualquer país desenvolvido.

    Do pré-sal verde ao combustível do futuro

    Alcançamos um patamar onde o termo “agroenergia” define o PIB. O investimento em tecnologia para transformar resíduos em biogás e hidrogênio verde coloca o país em uma posição de vantagem comparativa absurda. Em contraste com nações que precisam importar tecnologia e insumos, nós temos o sol, a água e a terra. Assim, o Brasil desenha o seu próprio “pré-sal verde”, uma reserva de energia renovável que não acaba e que se renova a cada safra, garantindo que o país seja a peça-chave para manter as luzes do mundo acesas.

    O impacto inevitável na geopolítica mundial

    A consequência direta desse movimento é um Brasil com voz mais grossa em fóruns internacionais como o G20 e a COP. Não se discute mais o clima ou a energia sem passar pelo crivo dos produtores brasileiros. Se antes éramos vistos apenas como um “fazendão”, hoje somos o hub tecnológico de soluções de baixo carbono. Além disso, essa liderança traz uma responsabilidade imensa: qualquer instabilidade política ou climática por aqui agora gera tremores nos preços da energia global, provando que o agro brasileiro é, de fato, a nova bateria do planeta.

  • Brasil gera energia demais e ainda assim desperdiça, alertam missões no Vale do Silício

    Brasil gera energia demais e ainda assim desperdiça, alertam missões no Vale do Silício

    O Vale do Silício, berço de muitas das disrupturas tecnológicas que o Brasil tenta copiar, hoje vive uma autêntica mudança de identidade. E não é só sobre novos produtos: a própria forma de inovar está sendo redesenhada pela inteligência artificial.

    Enquanto o Vale do Silício se torna um laboratório de uso intensivo de IA, o Brasil volta a olhar para esse polo tentando traduzir esse modelo para o setor energético. A missão técnica organizada pela Insight Energy, liderada pelo CEO Sérgio Fagundes, passou por empresas que já operam com equipes enxutas, muitas vezes apoiadas por agentes de IA, e voltou com um alerta claro: o país tem potencial energético, mas ainda pouca cultura de eficiência e dados.

    “É impressionante ver o tamanho das fábricas voltadas para inovação, pesquisa e desenvolvimento. Existe um ecossistema inteiro funcionando de forma integrada, com foco em eficiência e melhoria contínua de processos”, relatou.

    A diferença é que, lá, a IA entra para acelerar testes, simulações e até automação de linhas de produção. Aqui, o desafio ainda é mais básico: organizar processos, reduzir ineficiências e parar de perder energia que já foi gerada.

    O Brasil gera energia demais e esbanja

    O Brasil enfrenta um problema pouco divulgado: em certos momentos, o sistema gera energia a mais e, em vez de aproveitá‑la, precisa desligar usinas. Isso acontece em um cenário em que 44,3% da matriz vem das hidrelétricas, 22,5% da solar e 13,4% da eólica.

    Hidrelétricas, por design, funcionam melhor em regime contínuo. Quando o operador corta produção, desgasta equipamentos e aumenta custos indiretos. “Hoje, em determinados momentos, geramos tanta energia que precisamos desligar hidrelétricas. Com o uso de baterias, seria possível armazenar esse excedente e otimizar o sistema”, disse Fagundes.

    O ponto central é que, enquanto o Vale do Silício discute como a IA vai reduzir estruturas e aumentar produtividade, o Brasil ainda discute como capturar e armazenar a energia que já tem à disposição.

    IA como pano de fundo dos novos modelos de fábrica

    Nos ambientes percorridos por Fagundes, a impressão é de que a IA está substituindo repetição humana, não pessoas inteiras. Equipes menores, apoiadas por agentes de IA, conseguem desenvolver e testar produtos que antes exigiriam dezenas de profissionais.

    Esse modelo impacta a forma como se pensa custo e escala. “O que diferencia um equipamento produzido em diferentes países muitas vezes é o custo. E o custo está diretamente ligado à eficiência. Se quisermos competir, precisamos produzir mais com menos, sem desperdício”, avalia o executivo.

    No setor energético, isso se traduz em modelagem de redes, previsão de geração, detecção de falhas e gestão de baterias. IA pode, por exemplo, antecipar momentos de pico de solar ou eólica e sugerir quando armazenar ou injetar energia. Ainda assim, o Brasil caminha lentamente nessa direção.

    O gargalo que segue sendo o fator humano

    O que mais surpreendeu a missão brasileira foi o contraste entre o imaginário sobre automação total e a realidade das fábricas. “Há muita gente trabalhando, homens e mulheres em igualdade, com tarefas bem definidas. O diferencial está na organização, no uso de ferramentas simples como códigos de barras e testes em cada etapa. O erro é tratado na origem, não é escalado”, destacou.

    Ainda assim, o executivo reforça que a produtividade não depende apenas de máquinas sofisticadas. “O ser humano, bem assessorado e com as ferramentas certas, produz muito bem. Todo mundo é capaz. O que existe é treinamento, disciplina e valorização de cada etapa do processo”, afirmou.

    A matéria da Folha sobre IA no Vale do Silício reforça essa leitura: o polo hoje exige mais disciplina de dados, capacidade de decidir rápido e menos “burocracia de linhas-code”. O Brasil, por outro lado, ainda convive com formação técnica desigual e curvas de aprendizado atrasadas.

    Educar, organizar e inovar

    Para Fagundes, a transição energética não depende só de leilões de baterias ou novas usinas. Depende de pessoa treinada para operar, monitorar e manter sistemas complexos. “Nosso maior potencial ainda não está sendo plenamente aproveitado porque falta qualificação. Não adianta ter recurso se não temos conhecimento para utilizá‑lo. Precisamos investir em formação técnica, em escolas profissionalizantes, em treinamento contínuo”, defendeu.

    A analogia que ele usa compõe bem o cenário. “É como uma orquestra. Cada pessoa executa sua função no tempo certo, com precisão. O resultado é harmonioso. E isso não acontece por acaso, pois é fruto de método, treinamento e dedicação”.

    Diante do que se observa no Vale do Silício, a mensagem fica mais clara: o Brasil corre o risco de chegar atrasado para o próximo ato da revolução energética se não conseguir, ao mesmo tempo, elevar o nível técnico da mão de obra e incorporar inteligência artificial na forma como planeja, gera e armazena energia.

  • Multinacional fecha contrato de R$ 1 bilhão em energia solar no MS

    Multinacional fecha contrato de R$ 1 bilhão em energia solar no MS

    O Grupo Carrefour Brasil acaba de assinar um dos contratos de energia mais relevantes já registrados no varejo nacional, e o Mato Grosso do Sul está no centro da operação. Um acordo de longo prazo avaliado em R$ 1 bilhão com a Casa dos Ventos vai garantir ao grupo o equivalente a 25% de todo o seu consumo de eletricidade a partir de 2027, proveniente de um complexo solar a ser instalado no estado sul-mato-grossense.

    O contrato é apontado como o maior acordo de autoprodução de energia já firmado por um varejista no Brasil.

    240 MW reservados para o grupo no Complexo Paraíso

    O empreendimento que viabiliza o negócio é o Complexo Fotovoltaico Paraíso, em construção no Mato Grosso do Sul. No total, o projeto terá capacidade instalada de 640 megawatts (MW). Desse volume, 240 MW serão destinados exclusivamente às operações das bandeiras Atacadão, Carrefour e Sam’s Club. O fornecimento começa em 2027 e se estende por dez anos.

    Para quem acompanha o setor de energia no campo, a escala chama atenção. Afinal, 640 MW é um número expressivo mesmo para usinas voltadas ao agronegócio. No entanto, o comprador final aqui não é uma cooperativa ou indústria de alimentos, é uma rede varejista. Isso demonstra uma tendência clara: grandes consumidores de diferentes segmentos estão adotando as mesmas soluções energéticas que o agro já utiliza há anos.

    Energia: a segunda maior despesa do grupo e um problema familiar ao setor rural

    A eletricidade é a segunda maior despesa operacional do Carrefour Brasil. Rodrigo Monteiro, gerente de Compras da empresa, afirma que o acordo traz maior previsibilidade de custos e reforça a estratégia de transição energética da companhia. A situação não é diferente para produtores rurais e agroindústrias, que enfrentam reajustes tarifários recorrentes e volatilidade no custo da energia elétrica utilizada em pivôs de irrigação, câmaras frias, beneficiadoras e plantas industriais.

    O modelo adotado pelo Carrefour, chamado de autoprodução, é o mesmo que cooperativas e usinas sucroalcooleiras já utilizam há anos no Brasil. A empresa entra como sócia indireta da geração, protegendo-se da variação das tarifas do mercado cativo. A estrutura foi assessorada pela CELA (Clean Energy Latin America), consultoria especializada em energia limpa.

    “O projeto também contribui diretamente para o cumprimento das nossas metas públicas de operar com 100% de eletricidade proveniente de fontes renováveis até 2030 e atingir as metas de redução de escopos 1 e 2 em cerca de 60% até o fim da década.”

    — Rodrigo Monteiro, gerente de Compras do Grupo Carrefour Brasil

     

    A conexão com o agronegócio: Mato Grosso do Sul como polo renovável

    A escolha do Mato Grosso do Sul para sediar o Complexo Paraíso não é por acaso. O estado tem se consolidado como um dos principais destinos de investimentos em energia renovável no Centro-Oeste, beneficiado pela alta irradiação solar, disponibilidade de terra e proximidade com grandes centros de carga. A região é também um dos motores do agronegócio nacional, com forte produção de soja, milho, carne bovina e cana-de-açúcar.

    A instalação de um complexo fotovoltaico dessa escala gera impactos econômicos relevantes para o entorno: empregos na fase de obras, aumento da arrecadação municipal e movimentação de fornecedores locais. Para o setor agro, é mais um sinal de que o interior do Brasil deixou de ser apenas produtor de commodities para se tornar também produtor de energia limpa.

    Casa dos Ventos, TotalEnergies e o mercado corporativo de energia

    Para a Casa dos Ventos, um dos maiores players de energia renovável do Brasil, o contrato com o Carrefour representa a consolidação de sua estratégia de atender grandes consumidores corporativos. A empresa conta com a joint venture formada com a TotalEnergies, multinacional francesa de energia, o que permitiu ampliar para o Brasil um relacionamento já existente entre o Carrefour e a TotalEnergies na Europa.

    “A parceria não é apenas uma transação comercial, é uma prova de que a transformação energética é vantajosa para empresas de qualquer setor da economia. Estamos transformando a matriz de um gigante do varejo, entregando competitividade em escala através de uma solução customizada que une baixo custo e valor ambiental positivo.”

    — Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos

    Brasil já ultrapassa 20 GW de energia solar instalada

    O contrato entre Carrefour e Casa dos Ventos acontece em um momento de expansão acelerada da solar no Brasil. Com investimentos que já superam R$ 87 bilhões, o país ultrapassou a marca de 20 gigawatts de potência instalada em energia fotovoltaica, volume que coloca o Brasil entre os maiores mercados solares do mundo.

    No campo, a energia solar já transformou a economia de irrigação em diversas regiões. De fato, produtores que instalaram sistemas fotovoltaicos relatam reduções expressivas na conta de luz. Além disso, o retorno do investimento tem chegado em prazos cada vez menores. Portanto, a tendência é de expansão. Nesse contexto, o movimento de grandes empresas como o Carrefour, em direção a contratos de longo prazo com geradoras, tende a aquecer ainda mais esse mercado. Como resultado, novas oportunidades devem surgir para o setor rural.

     

  • UNICA e CETESB unem forças por energia limpa

    UNICA e CETESB unem forças por energia limpa

    A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) firmaram, nesta terça-feira (4), um acordo de cooperação técnica que inaugura uma nova etapa de modernização regulatória, qualificação profissional e eficiência ambiental no setor sucroenergético paulista.

    A assinatura ocorreu durante o Summit Agenda SP + Verde, promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). Com isso, o acordo representa um avanço estratégico para fortalecer a segurança jurídica, incentivar a economia circular e acelerar a transição energética no estado.

    Regulação e inovação ambiental

    O documento estabelece uma agenda conjunta voltada à atualização técnica e à revisão de parâmetros ambientais, de modo a modernizar a gestão de resíduos da produção de etanol e açúcar. Além disso, a iniciativa busca ampliar o uso de biomassa como fonte renovável de energia, promovendo práticas de reaproveitamento industrial e fortalecendo a cadeia verde.

    Segundo Evandro Gussi, presidente da UNICA, a modernização regulatória reforça o papel do setor na economia de baixo carbono. “A produção sustentável de energia renovável pela cadeia sucroenergética tem ganhado novos contornos, com a ampliação dos energéticos extraídos da biomassa e a intensificação de práticas de economia circular, com o uso da vinhaça, da torta de filtro e, no futuro, o aproveitamento de resíduos de outros setores.”

    As diretrizes em construção tratam, por exemplo, do uso eficiente da vinhaça e das águas residuárias, bem como da definição de parâmetros técnicos para o emprego de Combustível Derivado de Resíduos (CDR) em caldeiras industriais. Desse modo, o acordo busca fortalecer o reaproveitamento de subprodutos, estimular o uso de biofertilizantes e apoiar iniciativas que convertam resíduos em energia limpa.

    Formação técnica e segurança regulatória

    Além da revisão regulatória, o acordo também avança na formação e capacitação profissional. Em parceria com a UNICA, a Escola Superior da CETESB lançará um curso de licenciamento ambiental voltado a engenheiros, gestores e técnicos do setor.

    A primeira turma deve reunir mais de 80 participantes. Assim, o projeto evidencia a forte demanda por atualização técnica e segurança regulatória. Para Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, o interesse demonstra o engajamento do setor com a agenda sustentável. “A rápida adesão ao programa reflete a confiança do setor no diálogo técnico com a CETESB. A capacitação das equipes é fundamental para fortalecer o modelo de desenvolvimento de baixo carbono e impulsionar a transição energética.”

    Cooperação e acompanhamento técnico

    Para Thomaz Toledo, diretor-presidente da CETESB, a parceria simboliza uma nova etapa de diálogo entre o órgão ambiental e a indústria. “O setor sucroenergético é uma peça-chave na transição energética do estado de São Paulo. Essa parceria é um marco no diálogo entre a CETESB e a indústria. Com isso podemos estabelecer mecanismos mais modernos, seguros e alinhados com as práticas internacionais de economia circular.”

    O acordo terá vigência inicial de 12 meses, podendo ser prorrogado. Além disso, a execução será acompanhada por um Comitê Técnico de Cooperação, composto por especialistas das duas instituições, responsável por supervisionar as entregas, propor planos de trabalho e monitorar resultados.

    Dessa forma, a iniciativa consolida um modelo de governança ambiental mais eficiente e colaborativo, reforçando o protagonismo do estado de São Paulo na transição energética e no desenvolvimento de soluções sustentáveis para o futuro do agro.

  • Brasil lidera transição energética com foco em bioenergia

    Brasil lidera transição energética com foco em bioenergia

    O Brasil consolida seu papel como protagonista da transição energética global. A matriz energética mundial ainda depende 80% de petróleo, carvão e gás. Portanto, nesse cenário, o Brasil aposta na bioenergia como alternativa viável, competitiva e de aplicação imediata. O país combina inovação tecnológica, políticas públicas fortes e alta capacidade produtiva.

    Segundo Luciano Rodrigues, diretor da UNICA, o Brasil reúne condições únicas. O clima tropical, o uso eficiente da terra e o sistema produtivo adaptado favorecem a produção de bioenergia.

    Etanol e biocombustíveis em destaque

    O setor sucroenergético responde por 18% da matriz energética brasileira. O etanol lidera entre os biocombustíveis no transporte leve. Porém, no futuro, a bioeletricidade deve ganhar espaço. Ao mesmo tempo, o país também aposta no biogás, biometano e SAF (combustível sustentável de aviação). Essas fontes devem atender o transporte aéreo e marítimo, ampliando a descarbonização de setores estratégicos.

    Políticas públicas aceleram o setor

    Para Rodrigues, as políticas públicas são decisivas. Ou seja, elas garantem segurança jurídica e atraem investimentos para o setor renovável. 

    O RenovaBio estabelece metas de descarbonização para distribuidoras de combustíveis. O programa criou o mercado de CBIOs, valorizando o carbono. A nova Lei do Combustível do Futuro também impulsiona o setor. Ela aumenta a mistura obrigatória de etanol anidro nos combustíveis. Além disso, a lei define metas de redução de emissões no setor aéreo com uso do SAF.

    A norma cria ainda o Programa Nacional de Descarbonização do Gás Natural. Em geral, o texto incentiva o biometano e regulamenta o sequestro de carbono. 

    Outro destaque é o Programa Mover. Ele foca na modernização da frota automotiva e no uso de energias de baixo carbono. Ou seja, o programa valoriza carros híbridos que utilizam etanol, com menores emissões por quilômetro rodado. “Essas medidas podem moldar o setor nos próximos anos”, avalia Rodrigues. Ele acredita que o Brasil liderará a transição energética global.

    Inteligência artificial impulsiona a bioenergia

    Rodrigues também destaca o papel da inteligência artificial. A IA pode transformar o agronegócio e o setor bioenergético. Na lavoura, algoritmos analisam dados climáticos, do solo e das plantas. Em resumo, isso permite otimizar o uso de insumos e aumentar a produtividade. Na indústria, a IA acelera pesquisas e desenvolve variedades mais eficientes. Ela também melhora processos de produção e distribuição.

    Por outro lado, a digitalização aumenta o consumo de energia em diversos setores. Isso eleva a necessidade de fontes limpas. Com isso, a demanda impulsiona o crescimento da bioenergia como solução de baixo carbono. “A IA torna a produção mais eficiente e amplia o mercado de renováveis”, reforça o diretor da UNICA.

    Evento debate bioenergia

    De 12 a 15 de agosto, Sertãozinho (SP) sedia a 31ª Fenasucro & Agrocana. O evento discutirá o futuro do mercado bioenergético. Rodrigues destaca o avanço brasileiro. “Cerca de 49% da nossa matriz vem de fontes renováveis, contra 15% da média global”, afirma. Desse total, 30% vêm da bioenergia ligada ao agronegócio. A biomassa da cana, milho, soja, silvicultura e celulose lideram essa produção. “Sem a bioenergia agropecuária, os renováveis cairiam para 20%”, explica. Isso reforça o peso do setor na energia nacional.

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  • Artigo: O agronegócio brasileiro precisa liderar a transição energética no campo

    Artigo: O agronegócio brasileiro precisa liderar a transição energética no campo

    O Brasil tem vocação para alimentar o mundo e para gerar fontes limpas em larga escala. Somos líderes na produção de grãos, carnes e fibras e contamos com uma das matrizes mais renováveis do planeta. No entanto, ainda há um abismo entre o potencial que temos e o uso efetivo que fazemos dessas vantagens no campo. É hora do agronegócio assumir seu protagonismo também na transição energética. A boa notícia é que os elementos estão todos à disposição: radiação solar abundante, propriedades com grande disponibilidade de área, linhas de crédito específicas e tecnologia acessível. O que falta, muitas vezes, é visão estratégica.

    A geração solar fotovoltaica, em particular, representa uma das maiores oportunidades de modernização e redução de custos para o agro nacional. Com mais de 80% do território brasileiro recebendo radiação solar superior à média da Europa, onde a tecnologia já está consolidada, o Brasil reúne todas as condições para tornar o campo uma usina energética descentralizada, inteligente e limpa.

    Em contraponto, o custo da energia elétrica no Brasil é historicamente elevado, especialmente em zonas rurais mais isoladas, onde a infraestrutura é deficiente e a distribuição é cara. Usinas solares instaladas nas próprias fazendas ou em cooperativas são capazes de suprir demandas energéticas intensivas, como irrigação, resfriamento de leite, secagem de grãos, armazenamento frigorificado, automação e tecnologia de precisão, com previsibilidade de custo e impacto ambiental praticamente nulo.

    Sobrevivência

    Mas não se trata apenas de economia na conta de luz ou autossuficiência no abastecimento. Liderar essa transformação no campo é uma questão de competitividade e sobrevivência a longo prazo. Em tempos de instabilidade climática, pressões regulatórias globais e mercado cada vez mais exigente, produtores e agroindústrias que não se adaptarem às novas exigências de sustentabilidade ficarão para trás. A agenda ESG (Ambiental, Social e Governança, em português) deixou de ser um diferencial para se tornar um pré-requisito. Grandes compradores, fundos internacionais e mesmo consumidores finais já impõem critérios ambientais na escolha de seus fornecedores. E nada comunica melhor o compromisso com o meio ambiente do que a adoção de tecnologias limpas na própria base produtiva.

    Outro ponto essencial é a democratização do acesso. A energia solar não é exclusividade dos grandes produtores. Com o avanço da tecnologia, queda de preços e novas linhas de crédito, como as do BNDES, Pronaf e programas estaduais, pequenos e médios produtores podem se beneficiar. Isso exige articulação, assistência técnica e políticas públicas voltadas ao campo energético, integradas ao planejamento agrícola nacional.

    Produtividade

    O agronegócio brasileiro já mostrou ao mundo do que é capaz em produtividade e escala. Agora, tem a chance e a responsabilidade de provar que pode ser também líder global em sustentabilidade energética rural. O sol já nasce para todos. Cabe ao agro decidir se quer apenas se beneficiar dele ou também conduzir o futuro com sua energia.

    * Rodrigo Bourscheidt é formado em Administração e Negócios pela Faculdade Sul Brasil. Atuou em equipes comerciais e estratégicas de empresas como AmBev, Grupo Embratel (Embratel, Claro e Net) e Grupo L’oreal, antes de se dedicar ao empreendedorismo. Em 2019 fundou a Energy+, rede de tecnologia em energias renováveis que oferece soluções voltadas para a geração de energia distribuída, onde atua como CEO.

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