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  • Trator sem motorista? Tecnologia já é realidade no agro

    Trator sem motorista? Tecnologia já é realidade no agro

    A PTx traz para o Brasil o sistema OutRun, uma tecnologia que permite transformar tratores convencionais em máquinas autônomas capazes de operar sem condutor na cabine. A solução, que será apresentada ao público brasileiro durante a Agrishow 2026, funciona por meio de retrofit e pode ser instalada em frotas já existentes, ampliando o acesso à automação no campo sem exigir a compra de novos equipamentos.

    O sistema integra o ecossistema de agricultura de precisão da marca e atua sob supervisão humana. Ainda assim, o trator executa tarefas com alto nível de precisão, seguindo rotas previamente definidas. Dessa forma, o produtor ganha eficiência operacional e reduz falhas durante as atividades agrícolas.

    Segundo Giancarlo Fasolin, gerente sênior de Marketing Estratégico da PTx América do Sul, a proposta vai além da automação convencional. “O OutRun não é apenas um ‘piloto automático avançado’. Ele oferece aos produtores a flexibilidade de alocar mão de obra onde for necessário, além de colher até 60% mais rápido com um trator operando de forma autônoma em apoio à carreta graneleira”, afirma.

    Além disso, o sistema permite operação contínua. “O trator é capaz de trabalhar 24 horas por dia, sem desviar um centímetro do que foi traçado”, completa.

    Automação melhora precisão e reduz custos

    Na prática, o OutRun atua com maior impacto em momentos críticos, como a colheita. Nessa fase, o sistema coordena o deslocamento do trator com a colheitadeira. Assim, a carreta graneleira acompanha a operação de forma sincronizada, reduzindo perdas e evitando colisões.

    Ao mesmo tempo, a tecnologia elimina sobreposição de passadas e otimiza o uso de insumos. Como resultado, o produtor reduz o consumo de combustível e melhora a eficiência do diesel. Esse controle mais preciso também contribui para diminuir custos operacionais e aumentar a rentabilidade.

    Outro ponto relevante envolve a gestão da mão de obra. Com a automação das tarefas repetitivas, o produtor pode direcionar trabalhadores para funções mais estratégicas dentro da propriedade. Dessa maneira, a operação ganha em produtividade e organização.

    Além disso, o sistema garante maior pontualidade nas atividades. Em situações de clima instável, por exemplo, o OutRun mantém o ritmo de trabalho e assegura que operações como plantio e colheita ocorram no momento ideal.

    Tecnologia já está em validação no Brasil

    O OutRun passa por processo de validação em diferentes regiões do país. A proposta da PTx é adaptar a tecnologia às condições do campo brasileiro e às necessidades dos produtores, movimento que ganha visibilidade com a apresentação oficial durante a Agrishow 2026.

    “O OutRun está em validação para todo o Brasil. É a autonomia construída em torno da agronomia. Nosso objetivo é permitir ao agricultor realizar a colheita no período ideal, garantindo o máximo de produtividade”, destaca Fasolin.

  • Plataforma unifica dados e promete mais lucro no campo

    Plataforma unifica dados e promete mais lucro no campo

    A PTx apresenta ao mercado brasileiro o FarmENGAGE durante a Agrishow 2026, realizada entre 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP). A plataforma surge como principal aposta da empresa para resolver um dos maiores desafios do produtor rural: integrar dados de máquinas de diferentes marcas e gerações em tempo real, com foco em aumento de rentabilidade e redução de custos no campo.

    Desenvolvido como um sistema central de gerenciamento, o FarmENGAGE conecta frotas agrícolas independentemente do fabricante, modelo ou ano. Dessa forma, o produtor passa a ter controle total sobre a operação, eliminando gargalos causados pela fragmentação de informações. Além disso, a solução simplifica a gestão e melhora a tomada de decisão no dia a dia da fazenda.

    A plataforma opera com base na interoperabilidade. Por isso, integra sistemas amplamente utilizados no mercado, como Deere Operations Center, Raven Slingshot e Case IH FieldOps. Ao mesmo tempo, conecta-se diretamente a monitores de máquinas Fendt, Massey Ferguson e Valtra, além de equipamentos que utilizam monitores PTx Trimble da série GFX.

    “O lançamento do FarmENGAGE marca uma nova era para a PTx no Brasil. A produtividade não pode depender da marca do equipamento. Nosso objetivo é garantir ao produtor controle total da operação”, afirma Rosiéli Mika Bonette, especialista de Marketing de Produto da PTx Trimble.

    Na prática, o sistema entrega visibilidade em tempo real da frota e das atividades no campo. Com isso, o produtor consegue ajustar operações rapidamente e reduzir períodos de ociosidade. Além disso, a plataforma automatiza relatórios, eliminando anotações manuais e aumentando a precisão na análise de custos e desempenho.

    FarmENGAGE/ Divulgação

    Outro diferencial envolve o roteamento inteligente de dados. A tecnologia organiza o fluxo de informações e facilita a integração com softwares de terceiros e consultores agrônomos. Ao mesmo tempo, mantém o conceito de retrofit, permitindo atualizar máquinas já existentes sem necessidade de troca imediata da frota.

    Assim, o FarmENGAGE atua em todo o ciclo produtivo, potencializando recursos e reduzindo desperdícios. A proposta da PTx é transformar dados em decisões estratégicas, ampliando a margem de lucro do produtor.

    Panorama amplia controle e leva gestão para a nuvem

    Além do FarmENGAGE, a PTx também apresenta o Panorama, plataforma desenvolvida pela Precision Planting e voltada à gestão de dados em nuvem. A solução centraliza informações agronômicas e oferece ao produtor uma visão integrada da operação, com acesso remoto e em tempo real.

    O sistema funciona como extensão do monitor Precision Planting 20|20 e disponibiliza dados detalhados sobre plantio, colheita e pulverização. Dessa maneira, o produtor acompanha o desempenho das máquinas e toma decisões com maior precisão.

    Entre os destaques está o recurso PassMaster. A funcionalidade permite que dois monitores compartilhem mapas e dados de cobertura na mesma área. Com isso, evita sobreposição de passadas, reduz o uso de insumos e aumenta a eficiência operacional.

    Além disso, o Panorama incorpora transmissão ao vivo das operações. O produtor pode visualizar, à distância, as telas dos equipamentos em funcionamento. Assim, acompanha o trabalho em tempo real, direto do celular ou computador.

    PANORAMA/ Divulgação

    A plataforma também mantém compatibilidade com frotas mistas. Em propriedades com máquinas de diferentes marcas, os dados circulam sem barreiras. Como resultado, o produtor ganha controle sobre as informações e realiza análises mais precisas da safra.

    “O volume de dados no campo pode se tornar um problema sem a ferramenta adequada. Com o Panorama, entregamos clareza, controle remoto e integração total, transformando informação em rentabilidade”, afirma Rosiéli.

  • Trator que “conversa” será destaque na Agrishow 2026

    Trator que “conversa” será destaque na Agrishow 2026

    A Valtra apresenta na Agrishow 2026, pela primeira vez no Brasil, o “Talking Tractor”, um conceito de trator com Inteligência Artificial capaz de interagir com o produtor rural por voz e texto. A tecnologia estreou globalmente na Agritechnica 2025, na Alemanha, e agora chega ao País como uma proposta de transformar o maquinário agrícola em um assistente digital. Com isso, o sistema interpreta dados operacionais e entrega respostas práticas para a gestão da fazenda.

    Por meio de comandos simples, o produtor consulta métricas de desempenho, consumo de combustível e emissões de carbono diretamente com a máquina. Assim, o sistema fornece respostas em tempo real com insights que ajudam na tomada de decisão, tanto no aspecto financeiro quanto operacional.

    Esse avanço ocorre em um cenário de forte digitalização no campo. Segundo a McKinsey & Company, 54% dos produtores brasileiros acreditam que a tecnologia aumenta a rentabilidade. Além disso, dados da Universidade de Brasília (UnB) indicam que mais de 95% dos produtores já utilizam ferramentas digitais. Entre eles, 70% adotam softwares de gestão rural.

    Inteligência artificial transforma dados em linguagem simples

    O Talking Tractor funciona integrado ao aplicativo Valtra Coach e opera por meio de dispositivos móveis. Dessa forma, responde a comandos em diferentes idiomas, como português, espanhol, inglês, alemão, francês e finlandês. Para viabilizar a solução, a Valtra treinou o sistema com manuais de operação, guias de agricultura inteligente, dados de telemetria e registros reais de uso no campo.

    Além disso, o conceito já recebeu reconhecimento internacional. A tecnologia foi finalista do prêmio DLG-Agrifuture Concept Winner 2025, na Alemanha, que destaca inovações voltadas ao futuro da agricultura.

    “O trator é mais do que uma voz, ele conta com inteligência para a análise de dados em respostas visuais e práticas. É a tecnologia aplicada no campo, trazendo o futuro para hoje”, afirma Fabio Dotto, diretor de Marketing de Produto da Valtra.

    Segundo o executivo, o diferencial está na capacidade de simplificar informações técnicas. Nesse sentido, o sistema gera ilustrações de manuais, checklists operacionais e infográficos com base na telemetria da máquina. Além disso, os conteúdos são otimizados para tablets e smartphones.

    Integração e operação segura no campo

    O Talking Tractor se integra ao sistema de telemetria Valtra Connect. Assim, produtores podem utilizar a tecnologia em modelos compatíveis da marca, sejam novos ou adaptados.

    Ao mesmo tempo, a solução mantém foco na segurança operacional. O operador interage com o sistema por voz enquanto dirige, utilizando conexão via Bluetooth no próprio trator ou fones de ouvido. Dessa maneira, a atenção permanece voltada à lavoura.

    Apresentado como o principal destaque tecnológico da marca na Agrishow 2026, o Talking Tractor ainda é uma prova de conceito. Por enquanto, não há previsão de lançamento comercial no Brasil.

    “Mais do que uma nova ferramenta, o Talking Tractor mostra como a inteligência artificial pode humanizar a tecnologia e torná-la acessível e prática para quem realmente importa, que é o agricultor. Estamos trazendo para a Agrishow, junto ao trator Q5, não apenas uma máquina que fala, mas um conceito que redefine a produtividade por meio da colaboração entre homem e inteligência de dados”, conclui Dotto.

    Presente no Brasil desde 1960, a Valtra oferece tratores de 57 a 425 cavalos, além de colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores. Atualmente, a marca mantém mais de 220 pontos de venda e assistência técnica na América Latina, sendo 156 no mercado brasileiro.

  • Prêmio Mulheres do Agro abre indicações para ciência

    Prêmio Mulheres do Agro abre indicações para ciência

    Estão abertas até 30 de abril as indicações para a categoria “Ciência e Pesquisa” da 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro. O público pode indicar pesquisadoras e cientistas vinculadas a instituições de pesquisa. Os projetos precisam demonstrar inovação no campo, além de impacto em desenvolvimento social, sustentabilidade e gestão. As indicações ocorrem no site oficial e abrangem profissionais de todo o país.

    A premiação reconhece a atuação feminina na produção de conhecimento aplicado ao agronegócio. Além disso, valoriza iniciativas que geram avanços técnicos e sociais. Por isso, o prêmio amplia a visibilidade de pesquisadoras que contribuem para o desenvolvimento do setor.

    Depois da fase inicial, a organização inicia a etapa de confirmação. Nesse momento, as pesquisadoras indicadas precisam validar a participação e seguir as orientações estabelecidas. Em seguida, cada candidata apresenta sua trajetória e detalha os projetos desenvolvidos.

    Na próxima etapa, especialistas analisam os perfis das participantes. A banca considera critérios como relevância, inovação e impacto das iniciativas. Como resultado, as três melhores avaliadas avançam para a fase final. Nessa etapa, o público define a vencedora por meio de votação.

    Premiação será realizada em São Paulo

    A organização anunciará a vencedora no segundo semestre deste ano, em São Paulo. A Bayer promove o evento em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG). As duas instituições criaram o prêmio e mantêm sua realização desde a primeira edição.

    Além disso, a premiação integra as ações comemorativas pelos 130 anos da Bayer no Brasil. Ao longo desse período, a empresa consolidou atuação nos segmentos de agricultura, farmacêutico e saúde do consumidor.

    Iniciativa reforça inovação e diversidade

    O Prêmio Mulheres do Agro possui alcance nacional e destaca projetos que conectam ciência e produção rural. Dessa forma, o reconhecimento incentiva soluções inovadoras e fortalece a presença feminina no setor.

    Ao mesmo tempo, a Bayer desenvolve soluções voltadas à saúde e à segurança alimentar. A empresa atua em mais de 80 países e investe continuamente em pesquisa e desenvolvimento. Assim, busca ampliar a produtividade, preservar recursos naturais e melhorar o acesso à saúde.

  • MF 8S Xtra estreia na Tecnoshow com foco em economia e eficiência

    MF 8S Xtra estreia na Tecnoshow com foco em economia e eficiência

    O lançamento da linha MF 8S Xtra, apresentado durante a 23ª Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), coloca a eficiência energética e a ergonomia no centro da estratégia da Massey Ferguson. Além disso, o modelo reforça a busca por maior produtividade com menor consumo no campo. Em entrevista, o especialista de produto Luís Gustavo Oliveira detalhou como a equipe desenvolveu a máquina a partir de demandas diretas do produtor rural e destacou os ganhos operacionais e econômicos.

    Disponível nas versões de 265, 285 e 305 cavalos, o trator chega equipado com transmissão continuamente variável (CVT), permitindo que o operador trabalhe controlando apenas a velocidade. “Ele passa as marchas automaticamente de acordo com a velocidade. Para o produtor, isso significa economia e mais rendimento operacional”, explicou Oliveira. Com isso, a redução da intervenção manual melhora a ergonomia e diminui o desgaste ao longo da jornada.

    O desenvolvimento da máquina partiu de uma pergunta central: o que um trator abaixo de 400 cavalos precisa entregar? A partir disso, a fabricante ouviu produtores de diferentes regiões do País. “Eles pediram um trator mais robusto, forte, econômico, confortável e que não superaqueça. Foi exatamente isso que buscamos entregar”, afirmou.

    Eficiência energética e desempenho em campo

    Um dos pilares do MF 8S Xtra está no gerenciamento inteligente de rotação. O sistema ajusta automaticamente o funcionamento do motor conforme a velocidade de trabalho e reduz a rotação após o pico de desempenho. Na prática, isso resulta em menor consumo de combustível sem comprometer a potência. Ou seja, o produtor mantém o desempenho com menor custo operacional.

    A DLG PowerMix conduziu testes independentes e padronizados para avaliar o desempenho dos tratores em diferentes condições. Os modelos da série apresentaram eficiência superior nos quesitos motor e transmissão, com economia que pode ultrapassar 3,7 litros por hora em determinadas operações. Em um ciclo de 5 mil horas, essa redução representa impacto direto nos custos da atividade.

    Além disso, os testes simulam 14 tipos de operações agrícolas, incluindo transporte e trabalho em campo, com diferentes cargas e velocidades. Nesse cenário, o MF 8S Xtra se destacou ao entregar menor consumo energético em comparação com concorrentes da mesma categoria.

    Renata Obara, gerente de vendas Massey Ferguson, durante lançamento na Tecnoshow Comigo 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Conforto, tecnologia e menor desgaste

    Além da economia, o conjunto técnico amplia o conforto do operador. O projeto separa o motor da cabine, o que reduz ruídos, vibração e calor. Com isso, o ambiente interno se torna mais adequado para longas jornadas de trabalho.

    A hélice reversível é outro recurso que chama atenção. Além disso, o sistema permite a limpeza do radiador diretamente da cabine, eliminando a necessidade de paradas frequentes. Já o conjunto de suspensões, dianteira e da cabine, se ajusta automaticamente conforme a operação.

    Se a máquina identifica uma carga mais pesada, o sistema ajusta a suspensão dianteira. Da mesma forma, o operador pode configurar a cabine para um comportamento mais rígido ou mais suave por meio do monitor interno. Assim, não há necessidade de intervenções manuais fora da cabine.

    Suporte ao produtor e aplicação prática

    Segundo Oliveira, o trabalho da fabricante não termina na entrega do equipamento. A rede de concessionárias acompanha o produtor com suporte técnico, demonstrações em campo e orientação sobre o uso da máquina.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “A gente entrega não só a máquina, mas a qualidade de trabalho. Existe uma proximidade grande com o cliente, facilidade de contato e suporte para garantir o melhor uso do equipamento”, disse.

    Na prática, o MF 8S Xtra permite ampliar a área trabalhada com o mesmo volume de combustível. Dessa forma, o produtor reduz custos e aumenta a eficiência da operação agrícola. A combinação de potência, tecnologia embarcada e economia posiciona o modelo como uma das principais apostas da marca.

  • Mais produção, menos área: integração ganha espaço no campo

    Mais produção, menos área: integração ganha espaço no campo

    A Cargill Nutrição e Saúde Animal apresentou, nesta terça-feira (31), em Campinas (SP), cidade a aproximadamente 100 km da capital paulista, o Probeef ILP, nova formulação voltada a sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP). O produto chega ao mercado com a proposta de melhorar o desempenho nutricional de bovinos de corte em pastagens integradas, ampliando a eficiência produtiva por área e atendendo a uma demanda crescente por soluções sustentáveis no campo.

    O lançamento, exclusivo para imprensa especializada, ocorreu no Centro de Inovação da empresa e reuniu executivos e representantes do setor, em um momento que reforça o posicionamento estratégico da companhia no segmento de nutrição animal. Atualmente, essa área responde por cerca de 80% dos negócios da Cargill no Brasil, mercado considerado prioritário pela companhia devido ao potencial da pecuária nacional.

    Segundo o diretor de Negócios Probeef, Tiago Galafassi Zarpelon, o país reúne condições únicas para expansão da bovinocultura. “O Brasil está muito bem posicionado globalmente. A demanda por carne cresce, e temos capacidade de atender com eficiência e escala”, afirmou.

    Integração e tecnologia no centro da estratégia

    Desenvolvido especificamente para sistemas ILP, o Probeef ILP busca otimizar a absorção de nutrientes e o aproveitamento da fibra dos pastos, contribuindo para ganhos de produtividade tanto individuais quanto por área. A tecnologia também se insere em um contexto de expansão desses sistemas no país, que já ocupam milhões de hectares e permitem até três safras anuais na mesma área.

    De acordo com o gerente de Tecnologia para Gado de Corte, Felipe Bortolotto, a inovação parte de uma escuta ativa do campo. “Inovação é como um esporte coletivo, pautado no que o cliente precisa. Não existe uma solução única para a pecuária brasileira, que é diversa e desafiadora”, disse.

    Dados apresentados pela empresa indicam avanços significativos na eficiência da produção nas últimas décadas. Em cerca de 20 anos, o peso médio de abate aumentou em aproximadamente três arrobas, enquanto a idade dos animais caiu de forma relevante, refletindo ganhos em produtividade e manejo.

    Além do novo produto, a linha Probeef Pasto passa por ajustes nas formulações, com níveis otimizados de macro e microminerais, ampliando a cobertura para diferentes perfis de produtores, do pequeno ao altamente intensivo.

    Produtividade exige planejamento e gestão

    Para o pecuarista José Leandro Olivi Peres, da Fazenda Alegria, em Mato Grosso, a tecnologia só gera resultado quando alinhada a objetivos claros. “O produtor precisa saber onde quer chegar. Quando isso está definido, o técnico consegue entregar a solução certa, no momento certo”, afirmou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Ele destacou ainda que a busca por maior produtividade deve estar associada à sustentabilidade econômica da propriedade. “Eu queria aumentar a produção por área e agregar mais arrobas, desde que o negócio fosse sustentável”, disse.

    A empresa também aposta em ferramentas digitais para apoiar o produtor na tomada de decisão, incluindo softwares de gestão, monitoramento por imagens de satélite e tecnologias de ajuste nutricional. A proposta é integrar produtos, pessoas e plataformas, os chamados “três Ps”, como base da estratégia.

    Reorganização do portfólio e foco no mercado

    O lançamento do Probeef ILP faz parte de um movimento mais amplo de reorganização do portfólio da companhia. As marcas passam a ser segmentadas por cadeia produtiva, com foco em soluções completas para cada área.

    No segmento de bovinos de corte, a marca Probeef assume papel central, com a proposta de oferecer desde produtos até suporte técnico especializado. A estratégia também inclui a atualização da identidade visual, baseada no conceito de confiança, elemento considerado essencial na relação com o produtor.

    Segundo o diretor de Marketing e Tecnologia, Marcelo Dalmagro, o objetivo é contribuir para a evolução da pecuária brasileira. “Queremos ajudar o produtor a dar o próximo passo, independentemente do tamanho da operação”, afirmou.

    A expectativa da empresa é ampliar participação em um mercado ainda fragmentado, mas em crescimento contínuo, impulsionado pela demanda global por proteína animal. Nesse cenário, a integração entre lavoura e pecuária surge como caminho para aumentar a eficiência produtiva e atender às exigências ambientais e econômicas do setor.

  • Pesquisa aponta fatores-chave para ampliar a agricultura 4.0 no Brasil de forma responsável

    Pesquisa aponta fatores-chave para ampliar a agricultura 4.0 no Brasil de forma responsável

    A tecnologia chega rápido ao agronegócio brasileiro, mas nem sempre alcança quem mais precisa. Um estudo publicado na revista Agricultural Systems identificou os principais fatores que impulsionam a adoção de tecnologias da agricultura 4.0 no Brasil e propõe estratégias para ampliar esse processo de forma responsável. A pesquisa integra as ações do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital, o Semear Digital, sediado na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas.

    O ponto de partida é uma constatação recorrente no setor. “A gente ainda vê uma lacuna grande entre o que é desenvolvido na academia e o que de fato chega na ponta e traz resultados para o produtor”, afirma Jayme Barbedo, coautor do estudo.

    18 fatores que determinam a adoção tecnológica no campo

    Para entender esse descompasso, os pesquisadores analisaram 18 fatores determinantes da adoção tecnológica, chamados no estudo de drivers, organizados em dimensões sociais, políticas e tecnológicas. A partir de revisão da literatura e consulta a especialistas, os autores mapearam como esses fatores se influenciam mutuamente e quais exercem maior efeito sobre o sistema.

    “Nem todos têm o mesmo peso. Alguns provocam uma reação em cadeia dentro do ecossistema. São esses que mais nos interessam”, afirma Franco da Silveira, pesquisador de pós-doutorado apoiado pela FAPESP e também autor do estudo.

    Entre os fatores com maior capacidade de influência, o estudo destaca conectividade rural, juventude no campo, ação governamental, mecanismos de divulgação de informação e representatividade do ecossistema agroalimentar.

    Conectividade: a base que ainda falta

    A conectividade rural aparece como condição estruturante para qualquer avanço tecnológico no campo. Embora o acesso à internet tenha crescido nos últimos anos, ainda existem lacunas críticas nas áreas produtivas.

    “Boa parte dos produtores já tem internet em casa. Mas na área de produção, onde tecnologias do tipo internet das coisas precisam operar, a cobertura ainda é muito limitada”, diz Barbedo. Sem infraestrutura adequada, soluções digitais simplesmente deixam de funcionar como previsto.

    O jovem rural como agente de transformação

    Outro fator de destaque é o papel dos jovens no campo. O estudo os identifica como ponte entre o mundo digital e a realidade das propriedades rurais: “O jovem sente as dores do pai no dia a dia e ao mesmo tempo acompanha o que está acontecendo no mundo digital. Ele pode levar essa percepção para a esfera política e para dentro da propriedade”, afirma Silveira.

    Contudo, manter essa geração no campo depende de condições concretas. “Não é que o jovem não goste do campo. Ele quer se sentir parte do mundo. Se não tem acesso à infraestrutura e às oportunidades, ele vai embora para a cidade”, observa Barbedo. Nesse sentido, a tecnologia pode reduzir a carga de trabalho e tornar a atividade rural mais atraente para os mais jovens.

    Informação e políticas públicas diferenciadas

    A circulação de informação também aparece como fator crítico. O estudo aponta uma assimetria importante: há regiões onde produtores ainda não tiveram contato com determinadas tecnologias disponíveis há anos.

    “Se a informação não chega de forma adequada, a resistência aumenta”, afirma Silveira. Estratégias de demonstração em fazendas-modelo e laboratórios vivos ajudam a reduzir incertezas, permitindo que produtores vejam resultados concretos antes de decidir investir.

    Na dimensão de políticas públicas, o estudo defende ações diferenciadas para perfis distintos de produtores. “A política não pode ser a mesma para todo mundo”, diz Silveira. Enquanto grandes produtores costumam ampliar a fronteira tecnológica com mais facilidade, pequenos e médios enfrentam restrições financeiras e de capacitação. A pesquisa sugere incentivos regionais, criação de áreas experimentais, fortalecimento de parcerias entre governo, universidades e startups, além de integração de dados agrícolas a plataformas públicas.

    Escala responsável: não basta adotar, é preciso saber como

    Um conceito central do estudo é o de escala responsável. A proposta é que a disseminação das tecnologias da agricultura 4.0 leve em conta seus efeitos sociais, ambientais e econômicos, evitando ampliar desigualdades ou comprometer metas de desenvolvimento sustentável.

    “Precisamos falar em adoção de tecnologia, mas também preparar o caminho para ter essa expansão responsável”, afirma Silveira.

    Um exemplo prático seria a ampliação de plataformas digitais voltadas a pequenos produtores, acompanhada de políticas de inclusão. Além de ofertar sensores e ferramentas baseadas em inteligência artificial, a iniciativa deveria prever conectividade rural, capacitação contínua, acesso a crédito e regras claras sobre uso e propriedade dos dados.

    Pesquisa como bússola para o agro digital

    Para Barbedo, estudos como esse orientam decisões estratégicas tanto na formulação de políticas de desenvolvimento rural quanto em projetos como o Semear Digital, que desenvolve soluções voltadas a pequenas e médias propriedades. “Esses estudos fornecem subsídios para direcionar melhor os esforços e focar em tecnologias que realmente tragam impacto”, afirma.

    O cenário, contudo, é dinâmico. Com os avanços recentes em inteligência artificial, o ritmo de mudança acelera. “As coisas estão evoluindo muito rápido. Mesmo quem trabalha diretamente com inteligência artificial tem dificuldade de prever os próximos passos”, pondera Barbedo.

    Como próximo passo, Silveira prepara um estudo que incorpora fatores econômicos e ambientais e examina como a adoção tecnológica pode dialogar com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. “Se não pensarmos estratégias para esses fatores, podemos tensionar metas que a própria tecnologia se propõe a apoiar”, conclui.

  • Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Uma nova biotecnologia na soja foi apresentada durante a 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). A inovação amplia a proteção contra lagartas e aumenta as opções de manejo de herbicidas. Ao mesmo tempo, busca elevar a produtividade e a sustentabilidade da cultura no Brasil.

    A tecnologia faz parte de uma nova geração de soluções para a agricultura tropical. Durante o evento, especialistas explicaram que o avanço combina genética, biotecnologia e novas estratégias de manejo. O objetivo é ajudar o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos nas lavouras.

    A novidade integra a plataforma Intacta 5+, desenvolvida pela Bayer. Segundo a empresa, as primeiras variedades comerciais devem chegar ao mercado na safra 2027/28. No entanto, a liberação final ainda depende de aprovações regulatórias em países importadores de soja.

    Responsável pela apresentação da tecnologia, Mateus Benedeti afirmou que a evolução da biotecnologia acompanha a própria transformação da agricultura brasileira.

    “A história da biotecnologia na soja também é uma história de protagonismo do produtor brasileiro. Desde o início, o agricultor buscou tecnologias que permitissem produzir mais e com maior eficiência”, destacou.

    Nas últimas décadas, a adoção dessas tecnologias ajudou o Brasil a ampliar sua produtividade agrícola. Como resultado, o país se consolidou entre os maiores produtores e exportadores de soja do mundo.

    Proteção ampliada contra pragas e plantas daninhas

    A nova biotecnologia na soja incorpora cinco proteínas voltadas ao controle de lagartas que atacam a cultura. Dessa forma, o sistema amplia o espectro de proteção e fortalece o manejo integrado de pragas.

    Entre os principais alvos está a Elasmopalpus lignosellus, conhecida como elasmo. Essa lagarta ataca a planta ainda nas fases iniciais do desenvolvimento. Quando o ataque ocorre nesse estágio, a lavoura pode perder plantas inteiras e comprometer o potencial produtivo.

    Além da proteção contra insetos, a tecnologia permite tolerância a cinco herbicidas diferentes. Entre eles estão mesotriona, dicamba, glifosato, glufosinato e 2,4-D.

    Mateus Benedeti – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, essa combinação amplia as estratégias de controle de plantas daninhas. O produtor pode utilizar diferentes protocolos de manejo durante o ciclo da cultura. Assim, adapta o controle às condições de cada região produtora.

    Outro benefício está na preservação da eficiência da tecnologia ao longo do tempo. Quando o agricultor alterna mecanismos de ação, reduz a pressão de seleção sobre pragas e plantas daninhas.

    Integração entre genética e biotecnologia

    Outro destaque apresentado durante o lançamento foi o processo YieldBoost™. A metodologia foi desenvolvida no Brasil e busca acelerar a integração entre biotecnologia e genética das plantas.

    O sistema permite testar um número maior de materiais em campo. Com isso, os pesquisadores conseguem avaliar mais combinações genéticas em menos tempo.

    Segundo a empresa, o método permite analisar até 15 vezes mais materiais do que os processos tradicionais de melhoramento. Dessa forma, o desenvolvimento de novas variedades ocorre com maior velocidade e precisão.

    A estratégia também prioriza materiais adaptados às condições da agricultura tropical. Como resultado, as variedades tendem a apresentar maior estabilidade produtiva nas diferentes regiões do país.

    Caminho até o lançamento comercial

    A nova biotecnologia já recebeu aprovação regulatória no Brasil. Ainda assim, sua comercialização depende da autorização de mercados internacionais que importam soja brasileira.

    Por isso, os próximos anos serão dedicados à realização de testes em campo com produtores parceiros. Essas áreas permitirão avaliar o desempenho das variedades em diferentes ambientes produtivos.

    A expectativa é que, no momento do lançamento comercial, o mercado já conte com diversas variedades adaptadas às principais regiões produtoras.

    Para o setor agrícola, a chegada de novas biotecnologias representa um passo importante para o avanço da produtividade. Ao mesmo tempo, essas soluções ajudam o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos no campo.

    Assim, a evolução da biotecnologia na soja continua a desempenhar um papel central no fortalecimento da agricultura brasileira.

  • Brasil pode chegar a 100 mil drones agrícolas em 3 anos

    Brasil pode chegar a 100 mil drones agrícolas em 3 anos

    O crescimento acelerado dos drones de pulverização no Brasil preocupa o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). Em entrevista durante a Expodireto Cotrijal 2026, o diretor executivo da entidade, Gabriel Colle, afirmou que o setor vive uma expansão inédita, mas sem acompanhamento proporcional da legislação e da fiscalização. Segundo ele, a prioridade agora é organizar o mercado e evitar riscos operacionais no campo e no espaço aéreo.

    Colle atua no sindicato há 11 anos e acompanhou de perto a chegada dos drones à aviação agrícola. Segundo ele, a decisão estratégica do Sindag foi incorporar a tecnologia ao setor, em vez de combatê-la.

    “A primeira decisão que tivemos que tomar foi se iríamos brigar com os drones ou trazê-los para dentro da nossa atividade. Optamos por incorporar essa tecnologia, imaginando que ela teria crescimento. O que não imaginávamos era que esse crescimento seria tão rápido”, afirma.

    A evolução impressiona. Em 2021, o Brasil tinha apenas 355 drones agrícolas registrados. Ao final de 2025, esse número ultrapassou 40 mil equipamentos.

    “Entraram cerca de 40 mil drones em quatro anos. Hoje o Brasil só perde para a China, que tem algo em torno de 300 mil equipamentos. Se continuarmos nesse ritmo, podemos chegar perto de 100 mil drones de pulverização nos próximos três anos”, diz.

    Mercado cresce sem controle

    Apesar da expansão, o principal desafio apontado pelo Sindag é a falta de organização do mercado. Segundo estimativas da entidade, cerca de 75% dos drones de pulverização em operação no país podem estar irregulares.

    “Muita gente compra um drone e começa a operar imediatamente. Não faz cadastro na ANAC, não registra a operação no Ministério da Agricultura e não tem acompanhamento agronômico. Nesses casos, estamos diante de uma atividade ilegal”, afirma Colle.

    Grande parte dos equipamentos utilizados no Brasil é importada da China. Segundo o executivo, cerca de 95% do mercado nacional é composto por drones fabricados naquele país, muitas vezes adquiridos por importação direta ou até mesmo via Paraguai.

    Gabriel Colle – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O crescimento desordenado também traz preocupações relacionadas à segurança aérea. A operação irregular de drones pode provocar acidentes com aeronaves tripuladas.

    “Se um drone estiver operando de forma ilegal e uma aeronave agrícola entrar naquela área sem saber da presença dele, pode acontecer uma colisão. Já tivemos casos de aeroportos fechados por causa de drones operando irregularmente”, alerta.

    No campo, o problema também já aparece com frequência. O Sindag criou um canal para que empresas associadas relatem avistamentos de drones durante operações aéreas.

    “Somente entre janeiro e fevereiro deste ano recebemos quase 100 relatos de pilotos que precisaram pousar o avião de pulverização porque havia drones operando na área”, conta.

    Profissionalização é o principal desafio

    Segundo Colle, o crescimento da tecnologia é positivo, mas precisa vir acompanhado de profissionalização.

    “Não somos contra os drones. Pelo contrário, queremos proteger esse mercado. O que defendemos é que a atividade seja exercida de forma profissional, com operadores qualificados e dentro da legislação”, explica.

    Uma das propostas do Sindag é que a venda de drones de pulverização passe a ter algum nível de rastreabilidade. A ideia é identificar quem compra os equipamentos e garantir que o operador esteja apto a utilizá-los.

    “Não se trata de controle de mercado, mas de segurança. Precisamos saber quem está operando e garantir que essa pessoa tenha formação adequada”, afirma.

    Outra proposta é tornar o contratante corresponsável pela operação.

    “Se alguém contratar uma empresa ilegal e houver deriva ou algum problema na aplicação, esse contratante também deveria responder. Estamos falando de um possível crime ambiental.”

    Falta de experiência técnica preocupa

    Uma pesquisa realizada pelo Sindag em 2025 revelou que grande parte dos novos operadores de drones não tem experiência no setor agrícola.

    “Cerca de 70% das pessoas que estão entrando nesse mercado não têm ligação com a agricultura. Existe uma diferença enorme entre pilotar um drone e fazer uma aplicação agrícola eficiente”, afirma.

    Segundo Colle, o desafio técnico é grande. A pulverização exige controle preciso da gota e conhecimento agronômico.

    “Na aviação agrícola levamos mais de 60 anos para dominar completamente a tecnologia de aplicação. Controlar uma gota que sai de uma aeronave a 300 km/h e fazê-la chegar no alvo correto exige muita técnica.”

    Ele destaca que a curva de aprendizado dos drones ainda está em andamento.

    “Hoje há muitos curiosos operando equipamentos sem conhecimento técnico. Isso pode gerar aplicações mal feitas e prejudicar a imagem da tecnologia.”

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Mercado passa por seleção natural

    O crescimento acelerado também gerou um fenômeno curioso: um grande número de drones fora de operação.

    Segundo Colle, muitos operadores entraram no mercado sem planejamento e acabaram abandonando a atividade.

    “Muita gente achou que seria fácil ganhar dinheiro com drone. Mas a operação exige escala, manutenção e conhecimento técnico. Temos hoje um verdadeiro cemitério de drones no Brasil.”

    Outro fator é a evolução rápida da tecnologia.

    “Em apenas quatro anos já tivemos duas gerações de drones. É um equipamento muito diferente da aviação agrícola tradicional. Temos aviões da década de 1970 operando perfeitamente. Já os drones precisam ser substituídos com frequência.”

    Cada tecnologia tem seu espaço

    Apesar do avanço dos drones, Colle acredita que as diferentes tecnologias de aplicação continuarão coexistindo no campo.

    Enquanto um drone de 40 litros consegue pulverizar cerca de 35 a 40 hectares por hora, um avião agrícola pode atingir até 600 hectares no mesmo período.

    “Não é uma questão de melhor ou pior. Cada ferramenta tem seu ambiente ideal de operação”, explica.

    Segundo ele, muitas empresas já trabalham com modelos híbridos.

    “Temos associados que operam com aeronaves, drones e pulverizadores autopropelidos. Eles escolhem a tecnologia de acordo com a área, a cultura e a necessidade do cliente.”

    Nova fronteira: aviões autônomos

    Outra tecnologia que começa a aparecer no radar do setor são os aviões autônomos, também chamados de VANTs de asa fixa.

    Hoje existem cerca de 11 equipamentos desse tipo operando no Brasil, ainda sem legislação específica.

    “Do ponto de vista legal, eles ainda são considerados drones. Porém, estamos falando de aeronaves com capacidade de até 300 litros de carga e potencial para causar grandes danos se não forem bem reguladas.”

    Segundo Colle, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já trabalha na construção de regras específicas para esse tipo de equipamento.

    O setor também acompanha iniciativas tecnológicas apoiadas pela Embraer, que estuda o desenvolvimento de novas soluções para a aviação autônoma.

    “A aplicação dessas aeronaves é impressionante. Elas podem ser programadas e operar praticamente sozinhas. Mas ainda existem desafios logísticos e operacionais importantes.”

    Futuro do setor

    Para o Sindag, o mercado de drones agrícolas continuará crescendo nos próximos anos. No entanto, a consolidação do setor dependerá da organização regulatória e da profissionalização dos operadores.

    “Estamos em um momento de transformação. A aviação agrícola deve continuar crescendo até 2028, mas o cenário depois disso ainda é incerto. O importante é olhar para todas as tecnologias e preparar o setor para o futuro”, conclui Colle.

  • Drones ganham espaço no campo e exigem novos profissionais

    Drones ganham espaço no campo e exigem novos profissionais

    O avanço do uso de drones na agricultura brasileira foi um dos destaques da Expodireto Cotrijal 2026, realizada entre 9 e 13 de março em Não-Me-Toque (RS). Durante a feira, empresas do setor apresentaram novos equipamentos de pulverização, soluções digitais e programas de capacitação profissional. O movimento reflete a expansão da tecnologia no manejo agrícola e a necessidade crescente de operadores qualificados para atuar no campo.

    O uso de drones vem crescendo de forma acelerada na agricultura brasileira nos últimos anos. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Drones (ABDrone) e da Schroder Consultoria Agro, o número de equipamentos em operação no país saltou de cerca de 3 mil para aproximadamente 35 mil unidades desde a regulamentação da atividade, em 2021.

    Nesse cenário, a ADS Drones apresentou na feira equipamentos voltados à pulverização agrícola e à agricultura de precisão. Entre os destaques estão os modelos T100, T70P e T25P, utilizados em diferentes escalas de produção.

    Responsável pelo pós-venda da empresa no Rio Grande do Sul, Angel Mariussi explica que os drones oferecem vantagens operacionais importantes em comparação com equipamentos tradicionais.

    “Entre os principais benefícios está a redução do amassamento da cultura, já que não há passagem de máquinas pela lavoura. Mesmo após chuvas mais intensas, é possível realizar aplicações com drone. Além disso, o equipamento consegue atingir melhor a parte inferior das plantas, graças ao fluxo de ar gerado pelas hélices”, afirma.

    Segundo ele, a operação também é altamente automatizada. O produtor define previamente o mapa da área e os parâmetros da aplicação. A partir dessas informações, o drone executa o trabalho de forma autônoma, enquanto o operador acompanha a operação.

    Tecnologia amplia soluções no campo

    Além dos drones de pulverização, a feira também apresentou equipamentos voltados ao monitoramento e à coleta de dados agrícolas. A Techno Store atua com drones da linha enterprise, que incluem câmeras termais, sensores multiespectrais e sistemas para geração de mapas de lavouras.

    DJI Dock 3 – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Consultor comercial da empresa, Luís Zenoni explica que essas tecnologias ajudam produtores a acompanhar o desenvolvimento das culturas com maior precisão.

    “Hoje trabalhamos com drones voltados ao monitoramento, segurança e agricultura de precisão. Esses equipamentos permitem gerar imagens detalhadas das lavouras, o que ajuda na análise das áreas e na tomada de decisões”, afirma.

    A empresa também atua na distribuição de peças originais para drones agrícolas e em outras soluções tecnológicas. Entre elas estão drones subaquáticos utilizados na inspeção de barragens e estruturas offshore, além de equipamentos autônomos voltados à manutenção de áreas verdes.

    Crescimento do mercado exige formação de pilotos

    Ao mesmo tempo em que a tecnologia avança, cresce também a demanda por profissionais qualificados para operar os equipamentos. A AgroAcademy atua justamente na formação de pilotos de drones agrícolas e no treinamento técnico voltado ao uso da tecnologia no campo.

    De acordo com a coordenadora geral da escola, Tamara Maciel Dal Canton, o principal desafio do setor atualmente é ampliar a quantidade de operadores preparados para trabalhar com os equipamentos.

    “O drone entrou no mercado como uma ferramenta nova. Muitas pessoas compram o equipamento, mas não sabem exatamente como operá-lo. O profissional precisa entender desde a parte agronômica até a legislação e o funcionamento técnico do drone”, explica.

    Segundo ela, a instituição já formou mais de 4,5 mil pilotos desde sua criação, em 2021. Ainda assim, o número é considerado pequeno diante do crescimento do mercado.

    “Hoje temos cerca de 35 mil drones registrados no país. Porém, ainda faltam operadores qualificados. Nosso foco é ampliar essa formação e preparar profissionais que entendam como aplicar a tecnologia de forma correta na lavoura”, afirma.

    Os cursos incluem conteúdos sobre preparo de calda, identificação de pragas e doenças, uso de equipamentos de proteção individual e operação dos drones. Além disso, os alunos recebem orientações sobre a regulamentação exigida por órgãos como ANAC e Ministério da Agricultura.

    Ferramentas digitais ajudam na tomada de decisão

    Outra frente de inovação envolve o desenvolvimento de softwares voltados à gestão das operações agrícolas. O hub de inovação Loop Works criou plataformas que auxiliam produtores e prestadores de serviço no uso de drones no campo.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Analista de tecnologia da empresa, José Henrique Alves de Azevedo explica que uma das ferramentas conecta produtores rurais a pilotos de drones disponíveis para realizar aplicações nas lavouras.

    “O Agro Pilot funciona como uma plataforma que aproxima quem precisa da aplicação e quem possui o equipamento para realizar o serviço. Hoje já contamos com mais de 120 usuários entre pilotos e produtores”, afirma.

    Além disso, outra solução utiliza dados meteorológicos para identificar o momento mais adequado para realizar aplicações agrícolas.

    “A ferramenta analisa fatores como temperatura, umidade, velocidade do vento e possibilidade de chuva. Com base nessas informações, ela indica se a janela de aplicação é ideal, aceitável ou não recomendada”, explica.

    Dessa forma, o produtor consegue tomar decisões com mais segurança e eficiência durante as operações no campo.

    Com a expansão do uso de drones na agricultura brasileira, especialistas apontam que a tendência é de integração cada vez maior entre equipamentos, softwares e capacitação profissional. Esse conjunto de tecnologias deve ampliar a eficiência das operações agrícolas e consolidar o uso dos drones como ferramenta estratégica no campo.